sexta-feira, 24 de março de 2006

Meu ideal

Meu Ideal - Música de Irineu de Almeida / Versos de Catulo da Paixão Cearense / Intérprete: Mário Pinheiro / Gênero: Canção / Imprenta [S.l.]: Odeon, 1904-1907 / Álbum 40533 / Data da gravação 1904-1907 / Lançamento 1904-1907 / Lado A / Disco 78 rpm:



Pudesse esta paixão na dor cristalizar / E os ais do coração em pérolas congelar / De tudo o que sofreu na tela deste amor / Faria ao nome teu divino resplendor / Pudesse est’alma assim com a tua entrelaçar / E aos pés de Deus num surto ao fim voar / E as nossas almas transmutar / Numa só alma de um insonte querubim

Lá, lá nos céus então / Contigo ali / Do amor na pura e etérea floração / Lá, junto a Deus então / Cantar uma canção / De adoração a ti / Lá eu diria aos pés do Redentor / Perante os imortais: / Senhor, eu venero muito a ti / Mas confessor sem temor/ Que a ela eu amo mais

Minh’alma ascende além, que Deus já te esqueceu / E a terra não contém afeto igual ao teu / Procuras, mas em vão, na térrea solidão / Ouvir a pulsação do coração do amor / Num raio inspirador, no plaustro do luar / Percorre o céu, o inferno, a terra e o mar / Não acharás, não acharás amor igual / Que o teu amor é imortal

Primeiro amor

Primeiro amor (valsa, 1904) - Patápio Silva

Flautista excepcional e muito bom compositor, Patápio Silva começou ainda adolescente atuando em bandas do interior, cursando a seguir o Instituto Nacional de Música, onde se formou em 1903.

A partir de então, desenvolveu uma vitoriosa carreira, que seria interrompida pela morte aos 27 anos. A popularidade de Patápio era tão grande que seus discos permaneceram em catálogo por mais de duas décadas.

Um de seus maiores sucessos foi a graciosa valsa Primeiro amor, um clássico do repertório flautístico brasileiro, que dá bem uma idéia do estilo musical do autor, situado na fronteira do popular com o erudito.

É provável que Patápio optasse pela música de concerto se tivesse vivido por mais tempo. Ouça a música:


Pierrô e Colombina

Antes do advento do samba e da marchinha, fazia sucesso no carnaval qualquer tipo de música, nem sempre alegre, como é o caso de "Pierrô e Colombina". Também chamada de "O despertar de Pierrô" e "Paixão de Pierrô", esta valsa de versos ("A vós que acabais de ouvir meu pranto, meu padecer / quero um pedido fazer / tenham dó do meu carpir...") e melodia carregados de tristeza, tomou conta do Rio de Janeiro nos carnavais de 1915 e 16, por paradoxal que possa parecer.

Embora atribuída em algumas publicações à dupla Oscar de Almeida e Eduardo das Neves, "Pierrô e Colombina" é só de Almeida, segundo Almirante em sua coluna no jornal O Dia: "'Pierrô e Colombina' é letra e música de Oscar de Almeida dos Correios; o Edu das Neves somente a gravou". Como vários personagens da música popular brasileira no início do século, Almeida era funcionário dos Correios e Telégrafos.

Pierrot e Colombina (valsa, 1913) - Oscar de Almeida e Eduardo das Neves - Intérprete: Eduardo das Neves


Há quanto tempo saudoso / Procuro em vão Colombina
Sumiu-se a treda ladina / Deixou-me em trevas choroso
Procuro-a sim como um louco / Nos becos, nas avenidas
As esperanças perdidas / Tendo-as vou já pouco a pouco


Se em todo o carnaval / Não conseguir ao menos
Seu rosto fitar / Palavra de Pierrot
Eu juro me matar / Não posso suportar
Esta cruel ausência / Que me afoga em dor
Meu coração morrer / Sinto de amor


É dia de risos e flores / Todos folgam só eu não
Ela, talvez num cordão / Procure novos amores
Oh! Companheira impiedosa / Vê que suplício cruel
Vejo a minha alma afogar-se / Num oceano de fel


Oh!: Vós que acabaes de ouvir / Meu pranto, meu padecer
Tenho um pedido a fazer / Tenham dó do meu carpir
Se encontrarem Colombina / Que é da minha alma o vigor
Digam-lhe que assim se fina / Procurando-a, seu Pierrot



Fonte: A Canção no Tempo - Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello - Editora 34.

Hermes Fontes

Hermes Fontes, compositor e poeta, nasceu em Boquim SE, em 28/8/1888 e faleceu no Rio de Janeiro RJ, em 25/12/1930. Filho de lavradores, formou-se em Ciências Jurídicas e Sociais no Rio de Janeiro, para onde se mudou com a ajuda do governador da Província de Sergipe. Foi oficial de gabinete do Ministério da Viação durante o governo de Washington Luiz. Suicidou-se no Rio de Janeiro.

Em 1908, publicou Apoteoses, sua primeira obra poética. Em 1913 publicou Gênese, seu segundo livro de poesias. No mesmo ano, teve gravada pelo cantor Roberto Roldan, na Odeon, a modinha Constelações, parceria com Cupertino de Menezes. Colaborou com o jornal "O Fluminense", de Niterói (RJ), e mais tarde fundou o jornal "A Estréia", trabalhando ao mesmo tempo nos Correios e Telégrafos.

Em 1922, o cantor Bahiano lançou na Odeon, o fado-tango Luar de Paquetá, composta dois anos antes, em parceria com Freire Júnior e que alcançou enorme sucesso, tornando-se no ano seguinte, título de uma revista que logrou mais de uma centena de apresentações.

Regravada várias vezes, entre outros por Francisco Alves, logrou repetir o sucesso em 1944, quando foi regravada em dueto por Dircinha Batista e Deo, com acompanhamento de orquestra e coro. Publicou ainda os livros de poesias Ciclo da perfeição, Mundo em chamas, Miragem do deserto, Epopéia da vida, Microcosmo, Despertar, A lâmpada velada e A fonte da mata.


Fonte: Enciclopédia da Música Brasileira - Art Editora e Publifolha.

Ontem ao luar (Choro e poesia)

Ontem ao luar - Por sua semelhança com a canção "Love Story", do filme homônimo, a polca "Choro e Poesia" voltou a ser sucesso na década de 1970. Esse retorno rendeu-lhe mais de dez gravações, só que com um detalhe: todas traziam apenas o título "Ontem ao Luar", que recebeu de Catulo da Paixão Cearense quando, em 1913, o poeta lhe pôs uma letra, à revelia do autor.

E o que é pior, várias dessas gravações tal como edições da partitura, somente registravam o nome de Catulo, omitindo o de Pedro de Alcântara.

Em 1976, graças aos esforços de uma neta de Alcântara, sua autoria foi restabelecida através de uma decisão judicial. "Choro e Poesia" tem duas partes, ambas construídas com variações de um mesmo motivo, usado com muita engenhosidade especialmente na segunda parte, em tom maior.

Ontem ao Luar (Choro e Poesia) (polca, 1907) - Pedro de Alcântara e Catulo da P. Cearense - Interpretação: Vicente Celestino



----Am-------------------------- B7
Ontem ao luar / Nós dois em plena solidão
E7
Tu me perguntaste
-----------------Am
O que era a dor de uma paixão
A7 -------------------Dm
Nada respondi, calmo assim fiquei
B7 -----------------------------------(E7)
Mas fitando o azul / Do azul do céu a lua azul
-------------Am---------------------------- B7
Eu te mostrei, mostrando a ti os olhos meus
------------------------E7--------------- Am
Correr sem ti uma nívea lágrima e assim te respondi
A7----------------- Dm-------------------- Am
Fiquei a sorrir por ter o prazer de ver a lágrima
---(B7)-- (E7)--- Am--- E7
Dos olhos a sofrer

A--------------------- B7
A dor da paixão, não tem explicação
E7------------------ A
Como definir o que só sei sentir
Dm ------------A ------------Gbm
É mister sofrer, para se saber
---------------Bm------ E7 ------A -----E7
O que no peito o coração não quer dizer
A---------------------- B7
Pergunta ao luar, travesso e tão taful
E7 -----------------------A
De noite a chorar na onda toda azul
-------Dm-------------- A-------- Gbm
Pergunta ao luar, do mar a canção
--------------B7------- E7---------- (A) (E7) (A) (E7)
Qual o mistério que há na dor de uma paixão
-----A----------- Gb7------------ Bm
Se tu desejas saber o que é o amor e sentir
----------E7------------------ A------------ Dbm7
O seu calor o amaríssimo travor do seu dulçor
------------------ E7
Sobe o monte a beira mar ao luar
------------E7-------- A
Ouve a onda sobre a areia lacrimar
--------------A------Gb7------ Bm------------------ E7
Ouve o silêncio a falar na solidão do calado coração
----------------A -----------A7
A pena a derramar os prantos seus
D ----------Dm -----A -----------Gb7------- Bm
Ouve o choro perenal / A dor silente universal
-------------E7---------------- A F A
E a dor maior que é a dor de Deus



Fonte: Enciclopédia da Música Brasileira - Art Editora Publifolha e A Canção no Tempo - Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello - Editora 34

Viola cantadera

Marcelo Tupinambá
Viola cantadera (canção sertaneja, 1917) - Da opereta sertaneja Scenas da Roça, original de Arlindo Leal e música de Marcelo Tupinambá - Intérprete: Ely Camargo


Temperada minha viola / Vou rasgando logo a toada... / E a minh'arma' se aconsola / Já não véve amargurada... / Minha viola é cantadera, / Vae chorando a minha dô... / E pôr ser bôa companhera / Nunca nunca me deixou / Ai!...

C'om a viola, no sertão, / Quando a noite é de luá... / Vou abrindo o coração, / Nunca deixo de cantá

Quando alembro, com sôdade, / Da muié que me enganô... / Eu renego a mocidade / Que não vorta e já passô!... / Quando eu canto, quando eu chóro, / A viola vae gemendo / E na serra adonde móro, / Minha vois se vae perdendo... / Ai!...

E sosinho, no sertão, / Quando a noite é de luá... / Vou abrindo o coração, / Aliviando o meu pená...

Quando eu canto, no terrêro, / Minha vois correndo, avôa... / Corre as matta, corre os sêrro / E bem longe ela resôa... / Quando eu canto, com tristura, / Minha viola, num gemido, / C'o meu canto se amistura. / Mais me deixa intrestecido!.. / Ai!...

C'om a viola, no sertão / Quando a noite é de luá... / Vou abrindo o coração, / Aliviando o meu pená / Aliviando o meu pená...

Tristeza de caboclo

Tristeza de Caboclo é um tanguinho, a primeira música que Marcelo Tupinambá compôs sob o contrato com Campassi & Camin, editores de São Paulo. Com letra de Arlindo Leal ela se tornou um sucesso instantâneo, vendendo o número fenomenal de 120.000 partituras para piano em um ano.

Tristeza de Caboclo (tanguinho, 1919) – Arlindo Leal e Marcelo Tupinambá - Interpretação de Roberto Fioravanti (1968)


Quando na roça anoitece / Fico sempre a meditá!.. / (Coro) Fica sempre a meditá!... (bis) / Meu coração, que padece, / Não me deixa sossegá!... / (Coro) Não o deixa sossegá!.. (bis)

Estribilho: Minh'arma, com fervô, / Quando ha lua / Chora o seu amo / E sem podê

se aconsolá / Garra logo a suspirá!... / (Coro) Quem ama, com fervô, etc.

Meu coração, com tristeza, / Quando surge o bom luá. / (Coro) Quando surge o bom luá... (bis) / Sabe, com muita firmeza, / Seus queixumes disfarçá!... / (Coro) Seus queixumes disfarçá!.. (bis)

Estribilho: Minh'arma, com fervô, etc.

Quem sabe amá, com ternura, / Nunca deixa de sonhá... / (Coro) Nunca deixa de sonhá! (bis) / Não sofre a negra amargura / Que me anda a acabrunhá! (Coro) Que o anda a acabrunhá!.. (bis)

Estribilho: Minh'arma, com fervô, etc.

Quando eu pego na viola, / Com vontade de cantá, / (Coro) Com vontade de cantá!... (bis) / Meu coração se aconsola, / Alliviando seus pená!.../ (Coro) Alliviando seus pená!... (bis)

Maricota, sai da chuva

Marcelo Tupinambá
Maricota, sai da chuva (tanguinho, 1917) - Canção sertaneja da opereta sertaneja Scenas da Roça - original de Arlindo Leal e música de Marcelo Tupinambá - Interpretação.: Trio Madrigal e Trio Melodia


Côro: Maricóta, sáe da chúva / Deixa, deixa de embromá / Maricóta, sáe da chúva / Que tu vaé te aconstipá / A chúva tá penêrano / Tá penêrano no á / Maricóta, sáe da chúva / Que tu vaé te aconstipá

Maricóta: Não tenho medo da chúva / Nem do ronco do trovão / Eu quero mêmo que chôva / Pra lavá meu coração

Penêra, chuva, penêra; / Não deixa de penêrá... / E prô sê triste rocêra / Como tu anda a chorá...

Côro: Maricóta, sáe da chúva, etc... / Maricóta: Não tenho medo da chúva, etc...

Lá no ceo tá fuzilano / Vejo as nuvens a se mexê, / Pode sê que seja engano / Se chovê logo se vê...

Côro: Maricóta, sáe da chúva, etc... / Maricóta: Não tenho medo da chúva, etc...

Óia o sór já pareceu... / Já, não chóve, nhô Vadô, / Óia o arco, lá no céu, / A trovada já passô...

Côro: Maricóta, sáe da chúva, etc... / Maricóta: Não tenho medo da chúva, etc...

Cala a bocca, nhô Vadô / Que essa chúva não me móia... / Vá s'imbora, minha gente, / Que moiada eu não estô...

São Paulo Futuro


Marcelo Tupinambá (Fernando Álvares Lobo - 29/5/1889 Tietê, SP - 4/7/1953 São Paulo, SP) musicou, em 1914, a revista musical "São Paulo Futuro", de Danton Vampré, que estreou no Teatro São José, em São Paulo. Em 1916, a canção "São Paulo futuro" foi gravada na Odeon pelo cantor Bahiano. Em 1917, musicou a revista "Cenas da roça", escrita por Arlindo Leal (José Eloy).

São Paulo Futuro (Maxixe Curtindo) (maxixe, 1914) - Marcelo Tupinambá - Interpretação: Roberto Fioravante


Vem morena / pro teu furrié / tu não tens penado teu Mané.
Eu te espero / gemendo de dô / e desespero sem o teu amô

Ai, vem meu bem, / tu já deu teu coração...
Ai, tu não vem, / pois eu morro de paixão. (bis)

Vem marvada / este pranto secá / nas labaredas do teu olhar
Tu parece não ter coração / porque tu some, faz ingratidão.

Ai, vem meu bem...

Eu te imploro / pela última vez: /
Fica lá em casa / somente um mês, /
E depois que esse amô / tu prová /
Tu nunca mais há / de me abandoná.

Ai, vem meu bem...



Fonte: Dicionário Cravo Albin da MPB.

O matuto

A partir de meados dos anos dez, a música rural paulista saiu do âmbito regional, espalhando-se pelo país. Para isso foi decisivo o trabalho do compositor Marcelo Tupinambá, estilizador do gênero. Com toadas, cateretês e tanguinhos - preferia usar o diminutivo para diferenciar seus tangos dos de Ernesto Nazareth -, ele reinou no meio musical até o início da década de vinte.

Um de seus maiores sucessos é o cateretê O matuto, em que conta o desejo de um cearense desgarrado de voltar à sua terra: "Pro sertão do Ceará / tomara já vortá / tomara já vortá...". A escolha de um tema como este, ligado a outro estado, parece indicar uma aspiração do autor a se popularizar além das fronteiras paulistas.

Natural de Tietê, filho de uma família de músicos, Marcelo Tupinambá chamava-se realmente Fernando Lobo, tendo adotado o pseudônimo em razão dos preconceitos que existiam na época contra a música popular. A mudança de nome aconteceu por volta de 1915 em conseqüência do sucesso do maxixe São Paulo Futuro, de sua autoria. Ele contava que na ocasião, cursando a Escola Politécnica de São Paulo, onde se formou no ano seguinte, foi chamado ao gabinete do diretor Paula Souza, que o censurou: "Não permito que aluno meu ande fazendo maxixes. Quem vai confiar num engenheiro que faz maxixes?". Depois desta advertência, Fernando Lobo virou Marcelo Tupinambá.

O matuto (Canção Cearense) (cateretê, 1918) - versos de Cândido Costa e música de Marcelo Tupinambá - Intérprete: Os Geraldos / Gravadora Phoenix / Data de Gravação: 1918 / Lado B / Disco 78 rpm:


Quando foi da meia-noite para o dia, / que eu deixei com cortezia / minha terra, o Ceará / as foias véias já cabia pela estrada, / vim marchando na picada / só na seca a matutá:

Pro sertão do Ceará / Tomára eu já vortá... / Tomára eu já vortá... (bis)

No cemiterio os mortos se alevantaram / uns aos outros perguntaram / que qu'eu havéra de querê? / nas catacumba os defunto té gemia / no céo as coruja ria / Eu mesmo não sei porquê...

Pro sertão do Ceará / Tomára eu já vortá... / Tomára eu já vortá... (bis)

As santas fêmea, na igreja já chorava / os santos macho só me oiava / com cada ôio assim! / Até os gallo e as gallinha não sabia / de corrê p'ra onde havia / tudo com medo de mim!

Pro sertão do Ceará / Tomára eu já vortá... / Tomára eu já vortá.... (bis)

Quando eu cheguei dessa viagem cá no Rio / foi qu'antão logo se viu / qu'é qu'eu vinha cá fazê: / eu fui chamado só p'ra sê o presidente / desta terra, desta gente / sê o rei de vosmucês

Pro sertão do Ceará / Tomára eu já vortá... / Tomára eu já vortá... (bis)

Logo o povo, muito amavo, foi dizendo / o dote qu'eu ia tendo: / o Pará, França, o Japão, / um iscalé com doze remo e vinte peça / mas abanei co'a cabeça / dizendo "Não quero, não!"

Pro sertão do Ceará / Tomára eu já vortá... / Tomára eu já vortá... (bis)

Agora vorto p'r'o meu ceará querido / sinão fico home perdido / é mió eu i p'ra lá! / Quero i m'imbora e hei de i até a nado / sinão fico avaccaiado / como todo mundo está!

Pro sertão do Ceará / Tomára eu já vortá... / Tomara eu já vortá...


Fonte: A Canção no Tempo - Vol. 1 - Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello - Editora 34.