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Você já foi à Bahia?

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Você já foi à Bahia? (samba, 1941) - Dorival Caymmi
Anjos do Inferno

F
Você já foi à Bahia, nêga?
C7
Não?
F
Então vá!
Dm C7
Quem vai ao "Bonfim", minha nêga,
C7 F6 Bb7+
Nunca mais quer voltar.
F Dm7 G7
Muita sorte teve,
C7
Muita sorte tem,
F7+ Am5-
Muita sorte terá
D7 Gm7
Você já foi à Bahia, nêga?
C7
Não?
F
Então vá!
F7+ Gm7
Lá tem vatapá
C7 F/C
Então vá!
Dm7 Gm7
Lá tem caruru,
C7 F
Então vá!

Dm7 Gm7
Lá tem munguzá,
C7 F
Então vá!
Dm7 Db9
Se "quiser sambar"
C7 F
Então vá!
Am5- D7 Gm7
Nas sacadas dos sobrados
Gm7 Bbm6 C9 F7
Da velha São Salvador
Dm7 G7
Há lembranças de donzelas,
Bb/C C7 F
Do tempo do Imperador.
Am5- D7 Gm7
Tudo, tudo na Bahia
Bbm6 C7 F7+
Faz a gente querer bem
Dm G7
A Bahia tem um jeito,
Bb C7 F
Que nenhuma terra tem

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Três lágrimas

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Três lágrimas (valsa, 1941) - Ary Barroso
Roberto Silva
C D#º Dm G7
Eu chorei
C D#º Dm G7
Pela primeira vez na minha vida
C D#º Dm G7
Quando nossa vida se complicou
Gm C7 F7+
Éramos então duas crianças
Bb7 C
Cheias de vida e de esperança
D#º Dm G7
Lembro-me bem do teu olhar espantado
C D#º Dm G7
Quando te roubei um beijo bem roubado
C D#º Dm G7
E uma lágrima dos olhos me rolou
C D#º Dm G7
Eu chorei
C D#º Dm G7
Pela segunda vez na minha vida
C D#º Dm G7
Quando minha vida desmoronou
Gm C7 F7+
Tínhamos então mais vinte anos
Fm Bb7 C F Fm
Mágoas, saudades, desenganos
C D#º Dm G7
Lembro-me bem do teu olhar esquisito
C D#º Dm G7
Quando te olhei surpreso e muito aflito
C D#º Dm G7
E uma lágrima dos olhos te rolou
C D#º Dm G7
Eu chorei
C D#ºvv Dm G7
Pela terceira vez na minha vida
C D#º Dm G7
Quando minha vida se acabou
Gm C7 F7+
Ia pela rua amargurado
Bb7 C
Quando ouvi bem o teu chamado
D#º Dm G7
Lembro-me só que já fugira a meiguice
C D#º Dm G7
Do teu lindo olhar agora era a velhice
C D#º Dm G7 C
E uma lágrima dos olhos nos rolou

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Seu Libório

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Seu Libório (samba composto em 1936, 1941) - João de Barro e Alberto Ribeiro
Vassourinha


----------G ----------------------------------E7---------- Am
Seu Libório tem três vizinhas / Manon, Margot e Frufru
------------------------D7---------------------------G
Saem todas as tardinhas / Carregando o seu Lulu,
-----------------------------------------G7--------------- C
Ninguém sabe o que elas fazem / Porém todo mundo diz:
--------------------------------G

Que o seu Libório é quem manda /
----D7-------------------- G
Ah!... Como o Libório é feliz

A Manon é mais lourinha / Que boneca de Paris
A Margot é queimadinha / Pelo sol do meu país
A Frufru tem um sinalzinho / Na pontinha do nariz
E o seu Libório é quem manda / Ah!... Como o Libório é feliz

Seu Libório tem três vizinhas ...

Usam todas um V-8 / Que lhes deu um coronel
Tem vestidos de alto preço / E perfumes a granel
Vive assim feliz e contente / Com o que o destino lhe deu
Pois seu Libório é quem manda / Ah! ... e o seu Libório sou eu !

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Requebre que eu dou um doce (samba, 1941) - Dorival Caymmi
Anjos do Inferno

C                    Dm
Requebre que eu dou um doce
G7 C
Requebre que eu quero vê
Dm
Requebre, meu bem, que eu trouxe
G7 C
Um chinelo pra você - ai...
Dm
Pra você requebrar
G7
Moreninha da sandalia
C
do “pom-pom” “grenat”
Dm
Quando acabar com a sandalia de lá
G7 C
Venha buscar essa sandalia de cá
A7 Dm
Pra não parar de “sambá” BIS
G7 C
Pra não parar de “sambá”
Dm G7
Morena balance as “contas”
C
Não pare de “peneirar”
Dm G7
Eu vim pra lhe “vê” sambando
C
Eu vim pra lhe “vê” sambá
Dm G7
À roda da sua saia
C
Da barra de “tafetá”
Dm G7
Me põe a cabeça à roda
C
Moreninha da sandália do “pom-pom” “grenat”

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Os quindins de Iaiá

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Os quindins de Iaiá (samba, 1941) - Ary Barroso
Emilinha Borba

Os quindins de Iaiá / Cumé, cumé, cumé?
Os quindins de Iaiá / Cumé, cumé, cumé?
Os quindins de Iaiá / Cumé?

Cumé que faz chorar / Os zóinho de Iaiá
Cumé, cumé, cumé? / Os zóinho de Iaiá
Cumé, cumé, cumé? / Os zóinho de Iaiá
Cumé?

Cumé que faz penar / O jeitão de Iaiá
Me dá, me dá / Uma dor
Me dá, me dá / Que não sei
Se é, se é / Se é ou não amor
Só sei que Iaiá tem umas coisas
Que as outras mulher não tem
O que é?

Os quindins de Iaiá / Os quindins de Iaiá
Os quindins de Iaiá / Os quindins de Iaiá


Tem tanta coisa de valor / Nesse mundo de Nosso Senhor
Tem a flor da meia-noite / Escondida no terreiro
Tem música e beleza / Na voz do boiadeiro
A prata da lua cheia / No leque dos coqueiros
O sorriso das crianças / A toada dos vaqueiros
Mas juro por Virgem Maria / Que nada disso pode matar...
O quê? / Os quindins de Iaiá

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O trem atrasou

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Incluído por Roberto Paiva em seu disco de estréia na Victor, "O Trem Atrasou" foi o primeiro grande sucesso de sua carreira. Descoberto numa pilha de partituras rejeitadas pela gravadora, o samba chamou a atenção do cantor principalmente pelo tema da letra, que reproduzia uma situação vivida constantemente pelos trabalhadores cariocas: "Patrão o trem atrasou / por isso estou chegando agora / trago aqui o memorando da Central / o trem atrasou meia hora / o senhor não tem razão / pra me mandar embora".

Roberto Paiva
O próprio Roberto, ao tempo de estudante, quando morava no subúrbio de Riachuelo, teve várias vezes que recorrer a memorandos da Central para justificar atrasos de chegada ao colégio. Além de se destacar no repertório carnavalesco, "O Trem Atrasou" é uma das mais antigas canções de protesto de nossa música, tendo sido regravada por uma especialista do gênero, a cantora Nara Leão, no elepê "Cinco na Bossa", em 1965.

O Trem Atrasou (samba/carnaval, 1941)
- Paquito, E. Silva e A. Vilarinho

Patrão, o trem atrasou / Por isso estou chegando agora
Trago aqui um memorando da Central / O trem atrasou, meia hora
O senhor não tem razão / Pra me mandar embora !

O senhor tem paciência / É preciso compreender
Sempre fui obediente / Reconheço o meu dever
Um atraso é muito justo / Quando há explicação
Sou um chefe de família / Preciso ganhar meu pão
E eu tenho razão.

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O Mar

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Dorival Caymmi_e_o_Mar

O Mar (canção, 1941) - Dorival Caymmi
Dorival Caymmi

  E          B7        E
O mar quando quebra na praia
B7 E C7
É bonito, é bonito
F C7 F
O mar... pescador quando sai
C7 F C7 F
Nunca sabe se volta, nem sabe se fica
C7 F C7 F
Quanta gente perdeu seus maridos seus filhos
C7 F B7
Nas ondas do mar
E B7 E
O mar quando quebra na praia
B7 E
É bonito, é bonito

Pedro vivia da pesca
Saia no barco
Seis horas da tarde
F#m
Só vinha na hora do sol raiá
Todos gostavam de Pedro
E mais do que todas
Rosinha de Chica
A mais bonitinha
E mais bem feitinha
B7 E
De todas as mocinha lá do arraiá

Pedro saiu no seu barco
Seis horas da tarde
Passou toda a noite
F#m
Não veio na hora do sol raiá
Deram com o corpo de Pedro
Jogado na praia
Roído de peixe
Sem barco sem nada
B7 E
Num canto bem longe lá do arraiá

Pobre Rosinha de Chica
Que era bonita
Agora parece
F#m
Que endoideceu
Vive na beira da praia
Olhando pras ondas
Andando rondando
Dizendo baixinho
B7 E Em
Morreu, morreu, morreu, oh...
E B7 E
O mar quando quebra na praia
B7 E
É bonito, é bonito

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O Pião

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O pião (valsa, 1941) - Custódio Mesquita e Sadi Cabral
Orlando Silva


Tempo alegre de menino
Cheio de sonho e ilusão
Acreditava na vida
Ria e jogava pião

Mas tu foste no meu destino
Um brinquedo multicor
A minha ilusão perdida
Um lindo sonho de amor

O pião corre assim na calçada
A rodar, a rodar, a rodar
Eu invejo a feliz garotada
A salvar, a cantar, a brincar

O destino puxou a fieira
Desse pobre romance de amor
Hoje eu fico tristonho a chorar
E tu segues na vida
A rodar, a rodar

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Órgão importante da ditadura estadonovense, o Departamento de Imprensa e Propaganda (DIP) não só controlava a imprensa e as diversões como também procurava interferir na criatividade dos artistas, através de "conselhos" e "sugestões". Assim, no início dos anos quarenta, achando que existia muito samba fazendo a apologia da malandragem, o DIP "aconselhou" os compositores a adotarem temas de exaltação ao trabalho e condenação à boemia.
A aceitação do conselho determinou o surgimento de uma série de sambas descrevendo personagens bem-comportados, alguns até ex-malandros convertidos em ordeiros operários, como é o caso de "O Bonde de São Januário": "Quem trabalha é que tem razão / eu digo e não tenho medo de errar / o bonde de São Januário / leva mais um operário / sou eu que vou trabalhar". Na segunda parte, o protagonista confessa que "antigamente não tinha juízo", mas "resolveu garantir o seu futuro" e agora "vive bem", terminando por afirmar que "a boemia não dá camisa a ninguém".
Ciro Monteiro
Com este samba a dupla Wilson Batista - Ataulfo Alves bisou no carnaval de 41 o êxito de "Ó Seu Oscar" no ano anterior, inclusive repetindo o intérprete, Ciro Monteiro. Localizado no bairro de São Januário, o estádio do Vasco da Gama acabou por inspirar uma paródia (talvez de autoria do próprio Wilson, flamenguista inveterado) que dizia: "O bonde de São Januário / leva um português otário / pra ver o Vasco apanhar,..".

O Bonde de São Januário (samba/carnaval, 1941)
- Wilson Batista e Ataulfo Alves

Quem trabalha é que tem razão / Eu digo e não tenho medo de errar / O bonde São Januário / Leva mais um operário: / Sou eu que vou trabalhar

Antigamente eu não tinha juízo / Mas resolvi garantir meu futuro / Vejam vocês: / Sou feliz, vivo muito bem / A boemia não dá camisa a ninguém / É, digo bem.

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Nós queremos uma valsa

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Frazão propôs e Nássara aceitou fazerem os dois uma valsa para o carnaval. Assim nasceu "Nós Queremos Uma Valsa", novidade que agradou plenamente aos foliões de 1941. Na realidade, agradou mais ainda ao jornalista Morais Cardoso, o Rei Momo do Rio na ocasião. Além de muito gordo, como todo Rei Momo, Morais tinha problemas de saúde e vivia com os pés inchados. Para ele era um suplício cumprir as obrigações de rei do carnaval, que incluíam uns passos de samba ou de marcha nas dezenas de bailes a que tinha de comparecer.
Então, ao tomar conhecimento da valsa, adotou-a imediatamente como sua música oficial, que passou a ser executada nos lugares aonde ele ia.
Carlos Galhardo
Naturalmente, tal resolução amenizou sua tarefa coreográfica, reduzindo-a a suaves passinhos de valsa. "O Morais nunca teve um carnaval tão tranqüilo", relembrava Nássara.
Lançada por Carlos Galhardo, "Nós Queremos Uma Valsa" tem melodia calcada na "Valsa dos Patinadores" (de Emil Waldteufel), enquanto a letra evoca os velhos tempos, quando "uma valsa de roda era o requinte da moda". Para caracterizar o clima carnavalesco, a introdução reproduz um tradicional toque de clarim.

Nós queremos uma valsa (valsa/carnaval, 1941) - Antônio Nássara e Eratóstenes Frazão

Antigamente, uma valsa de roda / Era de fato, o requinte da moda / Já não se dança uma valsa, hoje em dia / Com o mesmo gosto e com tanta alegria!

Mas se a valsa morrer, / Que saudade a gente vai ter, / Mas... se valsa morrer, / Que saudade que a gente vai ter!

Nós queremos uma valsa / Uma valsa para dançar. / Uma valsa que fale de amores, / Como aquela dos patinadores...

Vem, meu amor, / Vem, meu amor / Num passinho de valsa, / Que vem e que vai, / Mamãe quer dançar com papai!

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Morena Boca de Ouro

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"Morena Boca de Ouro" é uma das melhores criações de Ary Barroso, peça obrigatória em qualquer antologia de samba que se possa imaginar. Nesta composição Ary tira o máximo proveito das potencialidades rítmicas do samba, através de uma sinuosa linha melódica, que se desenvolve entrecortada de síncopes do primeiro ao último compasso.

Justificando a agitação da melodia, a letra focaliza uma morena exuberante - "brasa viva, pronta pra queimar" -, que roda, ginga e samba como ninguém. "Morena Boca de Ouro" antecede em nossa música a exaltação de outras beldades sambistas como a mulata de "É luxo só", do próprio Ary.

Morena boca de ouro (samba, 1941) - Ary Barroso
Sílvio Caldas

-------G ------------------------D7-------- B7------- Em
Morena boca de ouro que me faz sofrer
------------------------------Am
O teu jeitinho é que me mata
D7
Roda morena, cai não cai
G
Ginga morena, vai não vai
------Gb7 ----------------B----- D7
Samba, morena, que desacata

-------G ----------------------------D7 ----------B7---- Em
Morena uma brasa viva pronta pra queimar
----------------------------------Am
Queimando a gente sem clemência
D7
Roda morena, cai não cai
G
Ginga morena, vai não vai
------Gb7----------------- B------- G7 ------C
Samba morena, com malemolência

--------------D7 -----------Bm7------- E7
Meu coração é um pandeiro
-----Am-------------------------- D7 -------G--- Ab0
Marcando o compasso de um samba feiticeiro
------Am--------------------- D7
Samba que mexe com a gente
G
Samba que zomba da gente
--------Gb7 ----------------B---- G7 ---C
O amor é um samba tão diferente

-------------D7 ----------Bm7 ------E7
Morena samba no terreiro
-----Am----------------- D7
Pisando sestrosa, vaidosa
-------------G ---G5+ --C------- Db0
Meu coração, morena, tem pena
--------Bm7------- E7 --------------A7
De mais um sofredor que se queimou
--------------D7---------- G ----Cm---- G
Na brasa viva do teu amor

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Leva meu samba (samba, 1941) - Ataulfo Alves
Noite Ilustrada
G  D7    G      F# F
Leva meu samba
E7 A7
Meu mensageiro
B7 Em A7
Este recado
D7
Para o meu amor primeiro
G7 C
Vai dizer que ela é
Cm G Em
A razão dos meus ais
Am D7 G D7
Não, não posso mais
G B7 Em
Eu que pensava que podia te esquecer
B7 Em
Mas qual o que aumentou o meu sofrer
G7 C C#° G/D
Falou mais alto no meu peito uma saudade
G D7 G G7
E para o caso não há força de vontade
C C#° G/D E7
Aquele samba foi pra ver se comovia o teu coração
A7 D7 G
Onde eu dizia Vim buscar o meu perdão

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Helena, Helena

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Depois de um predomínio da marchinha, iniciado em 1932 com o sucesso de "O teu cabelo não nega", o samba reagiu assumindo a hegemonia do repertório de carnaval nos anos quarenta. O primeiro grande samba carnavalesco da década é "Helena, Helena". Repetindo a temática de "Ò seu Oscar" - o homem que chega em casa e descobre ter sido abandonado pela mulher - "Helena, Helena" destaca-se pela melodia que, aliás, é bem valorizada pelos Anjos do Inferno na gravação inicial.
Miltinho
Sobre esta gravação, contava o radialista César de Alencar um fato curioso. Iniciando na época sua carreira, César procurava inovar a programação com reportagens diferentes. Foi então que, em sua busca de novidade, ele soube da gravação de "Helena, Helena" e, com uma boa conversa, convenceu o pessoal da Columbia a deixá-lo instalar um microfone de sua emissora no estúdio da gravação. Assim, no dia 07.11.40, os ouvintes da Rádio Clube do Brasil tiveram a oportunidade de conhecer "Helena, Helena" no momento exato em que estava sendo gravada.
Helena, Helena (samba, 1941) - Constantino Silva e Antônio Almeida
 D                B7     E7              A7
Ontem cheguei em casa, Helena / Te procurei
D
E não encontrei / Fiquei tristonho a chorar
D7 G
Passei o resto da noite a chamar
D E7 A7 D
Helena, Helena / Vem me consolar

A7
Mesmo depois de cansado / Teu nome falava baixinho
D
Helena dos meus encantos / Vem me fazer um carinho
D7 G
E fiquei desesperado / Cadê Helena, meu bem
D A7 D
O dia já vem raiando/ E a minha Helena não vem
A7
( Porque será ? )

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Admirador da opereta, Lamartine Babo teria por certo se dedicado ao gênero se houvesse nascido na Europa no século XIX. Daí a presença, em sua obra, de composições como "Eu Sonhei Que Tu Estavas Tão Linda", que ele pretendia incluir numa opereta inacabada, intitulada "Viva o Amor". Compositor e letrista, como Lamartine, Francisco Matoso é o autor da bela melodia desta valsa.
Segundo Almirante, Matoso mostrou-a, ainda sem letra, a Lamartine, que se apaixonou pela canção. Convidado a concluí-la, modificou algumas notas, como era de seu feitio, e colocou uma letra tão adequada que a composição ficou parecendo ser de autoria de uma só pessoa. "Eu Sonhei Que Tu Estavas Tão Linda" foi lançada por Francisco Alves em outubro de 41. Na ocasião, Matoso se encontrava bastante enfermo (morreria em 14.12.41, aos 28 anos de idade), não chegando a conhecer o seu sucesso.
Eu sonhei que tu estavas tão linda - (valsa, 1941) - Lamartine Babo e Francisco Matoso
Carlos José
D    Em             A7         D7+ D#°
Eu sonhei que tu estavas tão linda
Em A7 D7+
Numa festa de raro esplendor
F#m C#7 F#m
Teu vestido de baile lembro ainda
A E7 A A7
Era branco, todo branco, meu amor
D D
A orquestra tocou uma valsa dolente
Tomei-te aos braços
B7
Fomos dançando
Em B5+/7
Ambos silentes
Em B5+/7 Em
E os pares que rodeavam entre nós
D
Diziam coisas
Ab7
Trocavam juras
D/F# D
A meia voz
D
Violinos enchiam o ar de emoções
B7 Em
De mil desejos uma centena de corações
G Gm
Pra despertar teu ciúme
F#m7 Bm
Tentei flertar alguém
Em A7 F#m5-/7 B7
Mas tu não flertaste ninguém
Em Gm
Olhavas só para mim
F#m7 Bm
Vitória de amor cantei
Em A7 D
Mas foi tudo um sonho... acordei!

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É doce morrer no mar

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Segundo Dorival Caymmi, "É Doce Morrer no Mar" nasceu durante uma reunião de amigos, em casa do coronel João Amado de Faria, pai de Jorge Amado. No calor da festa, o compositor criou a canção sobre um tema de "Mar Morto", romance de Jorge sobre os mestres de saveiros: "É doce morrer no mar / nas ondas verdes do mar".
Dorival Caymmi
Imediatamente, o romancista compôs mais alguns versos, completando a canção ("Nas ondas verdes do mar, meu bem / ele foi se afogar / fez sua cama de noivo / no colo de Iemanjá...").
"Chegou a haver um concursinho entre os presentes (Érico Veríssimo, Clóvis Amorim e outros), mas acabaram prevalecendo os versos de Jorge", relembra o compositor. "É Doce Morrer no Mar" foi gravado por Caymmi no mesmo disco que lançou "A Jangada Voltou Só", outra de suas obras-primas.
É doce morrer no mar (canção, 1941) - Dorival Caymmi e Jorge Amado
   Am    Am/G    Bm7.5-
É doce morrer no mar
E7 Am
Nas ondas verdes do mar

Dm7 Bm7.5-
Saveiro partiu de noite foi
E7 Am
Madrugada não voltou
F7M Dm7 Am F7M Dm7 E7
O marinheiro bonito sereia do mar levou
Am Am/G Am/F# Am/F
É doce morrer no mar
E7 Am C/A B/A Bb/A
Nas ondas verdes do mar
Am C/A B7/A A5+9 Am

Am Dm7 Bm7.5-
Nas ondas verdes do mar meu bem
E7 Am
Ele se foi afogar
F7M Dm7 Am F7M Dm7 E7
Fez sua cama de novo no colo de Iemanjá
Am Am/G Am/F# aM/F
É doce morrer no mar
Bm7.5- E7 Am/C AAm/B Am C7 F7M
Nas ondas verdes do mar meu bem
Am/F# F7M Dm7
É doce morrer no mar
Bm7.5- E7 Am
Nas ondas verdes do mar meu bem

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Canta Brasil

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Alcyr_Pires_Vermelho
Dois anos após o lançamento de "Aquarela do Brasil", surgia um novo samba-exaltação, intitulado "Canta Brasil", que faria grande sucesso, consolidando o prestígio do gênero. Para isso, adotava como modelo o samba de Ari Barroso e até o citava nos versos: "Na Aquarela do Brasil' / eu cantei de Norte a Sul". "Canta Brasil" têm música de Alcir Pires Vermelho e letra de David Nasser.
Mineiro, pianista e compositor, como Ari, Alcir seguiu-lhe os passos para se tornar, também, um pródigo criador de sambas-exaltação. São de sua autoria, por exemplo, "Onde o Céu É Mais Azul" (com João de Barro e Alberto Ribeiro), "Brasil, Usina do Mundo" (com João de Barro), "Vale do Rio Doce" e "Onde Florescem os Cafezais" (com David Nasser). Isso, sem deixar de atuar com sucesso em outros gêneros.
Francisco Alves
Sobre "Canta Brasil", Alcir costumava dizer que fez sua melodia numa viagem de bonde, do Centro à Tijuca, depois de receber a letra de Nasser num encontro casual na Avenida Rio Branco. Cantor ideal para esses "sambas de bravura", Francisco Alves gravou "Canta Brasil" na Odeon, acompanhado pela orquestra da Rádio Nacional.

Canta Brasil (samba, 1941) - Alcir Pires Vermelho e David Nasser
     G         D7         G          D7
As selvas te deram nas noites seus ritmos
G
bárbaros...
Em A7 D7
Os negros trouxeram de longe reservas de pranto...
Am D7 Am
Os brancos falaram de amores em suas canções...
A7 Am D7
E dessa mistura de vozes nasceu o teu pranto...

G
Brasil
Bm
Minha voz enternecida
D7 G D7
Já dourou os teus brasões
G
Na expressão mais comovida
E7 Am
Das mais ardentes canções...
E7
Também,
Am
A beleza deste céu
E7 Am
Onde o azul é mais azul
D7
Na aquarela do Brasil
G D7 G
Eu cantei de Norte a Sul
C G
Mas agora o teu cantar,
G7
Meu Brasil quero escutar:

Nas preces da sertaneja,
C
Nas ondas do rio-mar...

Cm
Oh!
Bm
Este rio – turbilhão,
Am
Entre selvas e rojão,
D7 G
Continente a caminhar!
E7
No céu!

No mar!
A7 D7
Na terra!
G
Canta, Brasil !!!

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Brasil Pandeiro

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O samba "Brasil Pandeiro" foi composto por Assis Valente para Carmen Miranda, por ocasião da volta da cantora, após seu período inicial de atuação nos Estados Unidos. Mas Carmen não gostou da composição, que acabou sendo lançada pelos Anjos do Inferno.
De feitio diferente dos sambas ufanistas da época, "Brasil pandeiro" é, pode-se dizer, um samba-exaltação ao estilo de Assis Valente ( "Eu quero ver o Tio Sam tocar pandeiro para o mundo sambar / o Tio Sam está querendo conhecer a nossa batucada /(...)/ Brasil, esquentai vossos pandeiros / iluminai os terreiros / que nós queremos sambar-ô-ô...").
Preferido dos maiores conjuntos vocais de seu tempo, Assis Valente reviveria a tradição mesmo depois de morto, quando em 1972 "Brasil Pandeiro" faria enorme sucesso nas vozes dos Novos Baianos.
Brasil Pandeiro (samba, 1941) - Assis Valente
Anjos do Inferno
Int.: A7 D7+ A7 D7+


D7+ D#° Em
Chegou a hora dessa gente bronzeada
A7 D7+
mostrar seu valor
D7
Eu fui à Penha
G7+
e pedi à padroeira para me ajudar
A7
Salve o Morro do Vintém,
pendura a saia que eu quero ver

Eu quero ver o Tio Sam
D7+ A7
tocar pandeiro para o mundo sambar

D7+ D#° Em A7 D7+
O Tio Sam está querendo conhecer a nossa batucada
D7 G7+
Anda dizendo que o molho da baiana melhorou seu prato
A7
Vai entrar no cuscuz, acarajé e abará
D7+
Na Casa Branca já dançou a batucada de Ioiô e Iaiá

A7 D7+ B7 Em
Brasil, esquentai vossos pandeiros, iluminai os terreiros
A7 D7+ A7 D7+
Que nós queremos sambar
A7 D7+ B7 Em
Há quem cambe diferente, noutras terras, outra gente
A7 D7+
Um batuque de matar

A7 D7+ B7 Em
Batucada, reuni vossos valores, pastorinhas e cantores
A7 D7+ A7
Expressões que não tem par, oh meu Brasil, Brasil
A7 D7+ B7 Em
Brasil, esquentai vossos pandeiros, iluminai os terreiros
A7 D7+ A7 D7+
Que nós queremos sambar

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Aurora

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Na quarta-feira de cinzas de 1940, Roberto Roberti mostrou o estribilho de "Aurora" a Mário Lago, que completou a canção em seguida. Nasceu assim, com um ano de antecedência, um dos grandes sucessos do carnaval de 41.
O aspecto mais atraente desta marchinha - lançada por Joel e Gaúcho - está na segunda parte, em que novos valores são apresentados como símbolos de modernidade e status: "Um lindo apartamento / com porteiro e elevador / e ar refrigerado / para os dias de calor... ".
Joel e Gaúcho
Tudo isso e mais uma possibilidade de casamento ("madame antes do nome / você teria agora" ) é o que Aurora perde por não merecer o amor do protagonista.
Mesmo depois da morte de Gaúcho, Joel de Almeida, o magrinho elétrico, continuou cantando esta composição, uma das marcas registradas de seu repertório. Ainda em 1941, com letra em inglês de Harold Adamson, "Aurora" fez sucesso nos Estados Unidos e na Inglaterra, cantada pelas Andrew Sisters, sendo incluída no filme "Segure o Fantasma", de Abbott & Costello.
Aurora (marcha/carnaval) - 1941 - Mário Lago e Roberto Roberti
            C                   Dm
Se fosse sincera / Ô ô ô ô, Aurora
G7 C
Veja só que bom que era / Ô ô ô ô , Aurora
G7
Um lindo apartamento / Com porteiro e elevador
C Dm
E ar refrigerado / Para os dias de calor/ Madame
C D7 G7 C
Antes do nome / Você teria agora/ Ôôôô Aurora

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Amigo Urso

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Amigo urso (samba, 1941) - Henrique Gonçalez
Moreira da Silva

           C
Amigo urso, saudação polar,
C#° Dm7
Ao leres esta, hás de te lembrar,

Daquela grana que eu te emprestei,
G7 C
Quando estavas mal de vida, e nunca te cobrei.

Hoje estás bem, e eu me encontro em apuros,
C7 F
Espero receber, e pode ser sem juros.
Fm C
Este é o motivo pelo qual te escrevi.
Am Dm7 G7 C E E7
Agora quero que saibas, como me lembrei de ti:

Am E7
Conjeturando sobre a minha sorte,
F E7
Transportei-me em pensamentos ao pólo Norte.
A7 Dm
E lá chegando sobre aquelas regiões,
B7 E7
Vá vendo só quais as minhas condições…
Am E7
Morto de fome, de frio e sem abrigo,
F E7
Sem encontrar em meu caminho um só amigo.
A7 Dm
Eis que de repente, vi surgir na minha frente,
Bis B7 E7
Um grande urso, apavorado me senti.
Dm Am
E ao vê-lo caminhando sobre o gelo,
E7 A7
Porque não dizê-lo, foi que me lembrei de ti.
Dm Am
Espero que mandes, pelo portador,
E7 Am A7
O que não é nenhum favor, estou te cobrando o que é meu.
Dm (Am) Am
Sem mais, queiras aceitar um forte (amplexo) abraço
E7 Am
Deste que muito te favoreceu.

(Eu não sou filho de judeu, Dá cá o meu.)

F Fm C Am Dm7 G7 C

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Allah-la-ô

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A história de "Alá-Lá-Ô" começou no carnaval de 1940, quando um bloco do bairro da Gávea cantou nas ruas a marcha "Caravana", de autoria de seu patrono Haroldo Lobo, que tinha apenas estes versos: "Chegou, chegou a nossa caravana / viemos do deserto / sem pão e sem banana pra comer / o sol estava de amargar / queimava a nossa cara / fazia a gente suar".
Meses depois, preparando o repertório para o carnaval de 41, Haroldo pediu a Antônio Nássara para completar a composição. Achando a idéia (a caravana, o deserto, o calor...) bem melhor do que os versos, ele logo faria esta segunda parte: "Viemos do Egito / e muitas vezes nós tivemos que rezar / Alá, Alá, Alá, meu bom Alá / mande água pra Ioiô / mande água pra Iaiá / Alá, meu bom Alá".
Conta Nássara - em depoimento realizado para o Arquivo da Cidade do Rio de Janeiro, em 1983 - que, quando Haroldo tomou conhecimento dos versos, com a palavra "Alá" repetida várias vezes, entusiasmou-se: "Mas que palavra você me arranjou, rapaz!". E ali, na hora, criou o refrão "Alá-lá-ô, ô-ô-ô ô-ô-ô / mas que calor, ô-ô-ô ô-ô-ô", ponto alto da composição.
Ainda no mesmo depoimento, Nássara ressalta a atuação de Pixinguinha, como arranjador, na gravação inicial: "Era a última sessão de gravação para o carnaval de 41. Se não fosse gravado naquela sessão, só sairia no ano seguinte. Então, corri à casa de Pixinguinha, na rua do Chichorro, no Catumbi. Era um sábado de verão e o maestro, cheio de serviço, estava trabalhando sem camisa, encharcado de suor. Mesmo assim, ele teve a boa vontade de dar prioridade à minha música, começando a fazer imediatamente o arranjo, que ficou uma beleza, com uns três ou quatro enxertos de sua autoria".
Carlos Galhardo
Além da criativa introdução, Pixinguinha soube vestir "Allah-lá-ô" com uma orquestração exemplar, em que mais uma vez utilizou o recurso da modulação na sessão instrumental, que começa e termina com duas brilhantes passagens, primeiro subindo a lá maior e depois retornando a sol maior, tonalidade do cantor. Em 1980, num artigo em Manchete, David Nasser declarou-se autor da letra de "Caravana", embrião de "Allah-la-ô".
Allah-la-ô (marcha/carnaval, 1941) - Haroldo Lobo e Nássara
Tom: F
         F     C7     F  C7
Allah-la-ô, ô ô ô ô ô ô
F C7 F
Mas que calor, ô ô ô ô ô ô
Gm C7 F
Atravessamos o deserto do Saara
Gm C7 F C7
O Sol estava quente, queimou a nossa cara
F C7 F C7
Allah-la-ô, ô ô ô ô ô ô
F C7 F
Mas que calor, ô ô ô ô ô ô...
  Dm       Gm
Viemos do Egito
C7 F
E muitas vezes nós tivemos que rezar
(F) Dm
Allah, Allah, Allah, meu bom Allah
Gm C7 F Dm
Mande água pro iôiô
Gm C7 F Dm
Mande água prá iáiá
Gm C7 F C7
Allah, meu bom Allah,

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A jangada voltou só

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A jangada voltou só (canção, 1941) - Dorival Caymmi
Dorival Caymmi
Tom: Gm

Gm
A jangada saiu
Cm
Com Chico Ferreira e Bento
Eb Gm
A jangada voltou só
Cm
Com certeza foi lá fora, algum pé de vento
Eb Gm
A jangada voltou só...
D7 Gm
Chico era o boi do rancho
D7 Gm
Nas festa de Natar
D7 Gm
Chico era o boi do rancho
D7 Gm
Nas festa de Natá
Fm
Não se ensaiava o rancho
Gm D7 Gm
Sem com Chico se contá
Cm
E agora que não tem Chico
Gm
Que graça é que pode ter
Cm
Se Chico foi na jangada...
Eb Gm
E a jangada voltou só... a jangada saiu
Cm
Com Chico Ferreira e Bento
Eb Gm
A jangada voltou só
Cm
Com certeza foi lá fora, algum pé de vento
Eb Gm
A jangada voltou só...

D7 Gm
Bento cantando modas
D7 Gm 2x
Muita figura fez

Fm
Bento tinha bom peito 2x
Gm D7 Gm
E pra cantar não tinha vez

Cm
As moça de Jaguaripe
Gm
Choraram de fazê dó
Cm
Seu Bento foi na jangada
Eb Gm
E a jangada voltou só

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Voltei pro morro

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Voltei pro morro (samba) - 1940 - Vicente Paiva e Luiz Peixoto
Carmen Miranda
G7+
Voltei pro morro
C7/9 G7+
Onde está o meu cachorro
C7/9 Bm
Meu cachorro viralata
Bb° Am
Minha cuíca e meu ganzá
E7 Am
Voltei pro morro
E7 Am
Onde está o meu moreno
D7
Chamei ele pro sereno
G7+ E7 Am
Porque se eu não me esbaldar eu morro
D7 G7+
Voltei pro morro
C7/9 G7+
Onde estão minhas chinelas
C7/9 G7+
Eu quero sambar com elas
G7 C
Vendo as luzes da cidade
C#° G7+
Voltei, voltei, voltei
E7
Ai se eu não mato essa saudade eu morro
A7 D7 G7+
Voltei pro morro, voltei
G/B Bb° Am
Voltando ao berço do samba
E/G# C/G
Que em outras terras cantei
D/F# G7+
Pela luz que me alumia
E7 Am D7
Eu juro
G/B Bb° Am
Que sem a nossa melodia
E/G# C/G
E o swing dos pandeiros
D/F# G7+
Muitas vezes eu chorei, chorei
C7+ Bm
Eu também senti saudade
E7 Am
Quando esse morro deixei
D7 G7+
É por isso que eu voltei, voltei

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Velho realejo

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Velho realejo (valsa) - 1940 - Custódio Mesquita e Sadi Cabral
Orlando Silva

Dm-------------------- E7 -------A7 ---------------Dm
Naquele bairro afasta - do / Onde em criança vivi - as
D7--------------- G7 --------C7 ----------F ---A7
A remoer melodias / De uma ternura sem par,
------Dm ------------E7 ---------A7 ----------Dm
Passava todas as tar - des / Um realejo risonho . . .
-------D7--------------- Gm ---Dm ----A7----- Dm
Passava como num sonho / O realejo a cantar . . .

------D ----G7 --------D---- G7 -----------D---------- D0------- A7
Depois ------tu partiste / ----- Ficou triste------- a rua deserta
------------Em------------ A7 --Em ---- ----A7 ----------------D
Na tarde------fria e calma / ---------Ouço ainda o realejo a tocar.


-----B7------- Em------------- Gm------- D
Ficou a saudade--------- comigo a morar
----------------------------A7
Tu cantas alegre e o realejo
------G---------- D ------A7----- D---- Gm---- D
Parece que chora com pena de ti.

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Upa, upa (Meu trolinho)

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Upa, upa - Meu Trolinho (marcha/carnaval, 1940) - Ary Barroso
Dircinha Batista

------------------C
Lá vai o meu trolinho / Vai rodando de mansinho
-----------C#º-- G7 -------------------------Dm
Pela estrada além / Vai levando pro seu ninho
--------------------------G7------------------------------- C
Meu amor, o meu carinho / Que eu não troco por ninguém


-------------------------------------G7
Upa! Upa! Upa! / Cavalinho alazão / Hê! Hê! Hê! Hê!
-----------------------------C ------------Bb7------ A7
Não erre esse caminho não / Vai assim
-------------------Dm --------------G7
Vai assim / ----------Sempre assim, pra minha sorte
-------------C
Não ter fim

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Última Inspiração

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Última inspiração (valsa/canção, 1940) - Peterpan
João Petra de Barros

Eu sempre fui feliz, vivendo só sem ter amor,
Mas o destino quis roubar-me a paz de sonhador,
E pôs no sonho meu um olhar de ternura,
De alguém que, mesmo em sonho, roubou minha ventura.


Sonhei com este alguém noites e noites sem cessar,
Por fim, alucinado, fui pelo mundo a procurar,
Aquele olhar tristonho da cor do luar,
Mas tudo foi um sonho, pois não pude alcançar.


Mas na espinhosa estrada desta vida, sem querer, um dia,
Encontrei com este alguém que tanto eu queria
E este alguém que, mesmo em sonho,
eu amei com tanto ardor não compreendeu a minha dor.


Foi inspirado então na ingratidão de quem amava tanto
que fiz esta triste valsa, triste como o pranto
que me mata de aflição, bem sei que esta valsa será
a minha última inspiração.

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Súplica

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Homem de intensa atividade na imprensa e no rádio paulistanos dos anos trinta, Otávio Gabus Mendes (pai do telenovelista Cassiano Gabus Mendes) ainda arranjou tempo para uma vitoriosa incursão na música popular, compondo com José Marcílio e o cantor Deo a valsa "Súplica".
Sem demérito para os parceiros, o ponto alto desta valsa é a letra de Gabus Mendes, que, além de muito bem construída, não possui rimas, uma característica incomum nas canções da época: "Aço frio de um punhal / foi teu adeus pra mim/ não crendo na verdade / implorei, pedi / as súplicas morreram sem eco, em vão / batendo nas paredes frias do apartamento...".
O curioso é que esse detalhe não é percebido pela maioria dos ouvintes, graças, talvez, à integração perfeita entre letra e melodia. Composta em 1938, "Súplica" permanecia inédita em disco quase dois anos depois, quando foi descoberta e gravada por Orlando Silva.
Súplica (valsa, 1940) - Octávio Gabus Mendes, José Marcílio e Déo
Orlando Silva

Bm -----------------------------------Em
Aço frio de um punhal / Foi seu adeus para mim
-----------------------------------Bm--------- B7
Não crendo na verdade / Implorei, pedi
----------------------------------Em----- A7
As súplicas morreram / Sem eco, em vão
-----------------------D --------------Gb7
Batendo nas paredes frias do apartamento
Bm
Torpor tomou-me todo
------------------Em-------------- Gb7
E eu fiquei sem ser mais nada
---------------------Bm-------------- B7 ------Em
Envelhecido tenha / Talvez, quem sabe
------------------------Bm
Pela janela, aberta, a fria madrugada
-----------------------G7 ---------------Gb7---- Bm
Amortalhou-me a dor / Com o manto da garoa
----------Gb7------------------- Bm
Esperança morreste muito cedo
----------B7 -------------------Em
Saudade cedo demais chegaste
-----------------------------------------Bm
Uma quando chega / A outra sempre parte
-------Db7------------ G7--- Gb7
Chorar já lágrimas não tenho
-----------------------------Bm
Coração, porque é que tu não paras
---------B7-------------------- Em
As taças do meu sofrer findaste / É inútil prosseguir
-----------------------Bm
Se forças já não tenho
----------------------------------G7
Tu sabes bem que ela era minha vida
-----------------Gb7 -----Bm
Meu doce e grande amor.

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Romance de uma Caveira

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Alvarenga e Ranchinho
Romance de uma Caveira (valsa humorística, 1940)
Alvarenga, Ranchinho e Chiquinho Sales
Eram duas caveiras que se amava / e à meia-noite se encontrava pelo cemitério os dois passeava / e juras de amor então trocava.

Sentado os dois / em riba da lousa fria a caveira apaixonada / assim dizia que pelo caveiro de amor morria / e ele de amores por ela vivia.

Ao longe uma coruja cantava alegre / de ver os dois caveiro assim feliz /
e quando se beijavam em tom fúnebre / a coruja batendo as asa pedia bis.
Ranchinho e
Rolando Boldrin

Mas um dia chegou de "pé junto" / um cadáver, um defunto /
E a caveira pr' ele se apaixonou / e o caveiro antigo abandonou.

O caveiro tomou uma bebedeira / e matou-se de
modo romanesco / por causa dessa ingrata caveira /
que trocou ele por um defunto fresco.

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Haroldo Lobo

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Haroldo Lobo, compositor, nasceu no Rio de Janeiro RJ em 22/7/1910 e faleceu em 20/7/1965. Filho de Quirino Lobo, que tocava flauta e violão, e irmão de Osvaldo Lobo (Badu), compositor e baterista, fez seus primeiros estudos na escola da América Fabril, onde também estudou teoria e solfejo. Aos 13 anos já compunha samba para o Bloco do Urso.
Seu primeiro emprego foi como guarda na polícia de vigilância, passando depois a trabalhar na tecelagem da América Fabril. Conhecido como Clarineta nos cafés freqüentados por artistas, por cantar num tom que só a clarineta podia alcançar, lançou com Aurora Miranda, em 1934, Metralhadora (com Donga e Luís Meneses), música alusiva à revolução constitucionalista, e sua primeira gravação; no mesmo ano compôs o samba De madrugada (com Vicente Paiva), gravado por Aurora Miranda na Odeon. Juro (com Mílton de Oliveira, seu parceiro mais constante de sambas), obteve sucesso e o prêmio da prefeitura do antigo Distrito Federal no Carnaval de 1938, gravada por J. B. de Carvalho.
Desde os tempos do Bloco do Urso, os animais foram uma constante em suas composições, destacando-se nesse seu gênero Passarinho do relógio (Cuco) e Passo do canguru (ambas com Mílton de Oliveira), que foram sucesso respectivamente nos Carnavais de 1940 e 1941, cantadas por Araci de Almeida, sendo que a segunda chegou a ser gravada nos E.U.A. com o título de Brazilian Willy, e também por Carmen Miranda em 1942.
Ainda em 1941 foi destaque com as músicas Allah-la-ô (com Nássara), gravada por Carlos Galhardo; O bonde do horário já passou (com Milton de Oliveira), gravada por Patrício Teixeira; e Essa vida não é sopa (com Wilson Batista), gravada por Patrício Teixeira. Lançou, no ano seguinte, Emília(com Wilson Batista), gravada por Vassourinha, e A mulher do leiteiro (com Mílton de Oliveira), gravada por Araci de Almeida.
Muitas de suas composições alcançaram sucesso popular, por se referirem a fatos do cotidiano ou de repercussão nacional ou internacional, como Oito em pé, marcha de 1942, gravada por Araci de Almeida, que comentava a autorização pública para que oito passageiros viajassem em pé nos coletivos, por racionamento de gasolina; Tem galinha no bonde, marcha gravada por Araci de Almeida, também de 1942, sobre regulamentação do transporte de galinhas em bondes; Que passo é esse, Adolfo? (com Roberto Roberti) e As ruas do Japão (com Cristóvão de Alencar), gravada por Linda Batista, sátiras à Alemanha e ao Japão, respectivamente, de 1943 e 1944.
Nesse ano obteve o primeiro lugar no concurso de músicas de Carnaval da prefeitura do Distrito Federal, a marcha gravada por Francisco Alves e Dalva de Oliveira Verão do Havaí (com Benedito Lacerda), o mesmo parceiro em Coitado do Edgar (gravação de Linda Batista), um dos seus sucessos em 1945, ao lado do samba Rosalina (com Wilson Batista), gravado por Jorge Veiga.
Em 1946 venceu novamente o concurso de Carnaval com a marcha Espanhola (com Benedito Lacerda), gravada por Nelson Gonçalves, e lançou com destaque o samba Vou sambar em Madureira (com Milton de Oliveira), gravado por Jorge Veiga.
Duas músicas suas que alcançaram grande popularidade marcaram o ano de 1947: a marcha antes censurada Eu quero é rosetar (com Mílton de Oliveira), gravada por Jorge Veiga, e Odalisca (com Geraldo Gomes), lançada por Nelson Gonçalves.
Folião dos mais animados, não perdia um Carnaval e preparava suas músicas com um ano de antecedência, aproveitando a inspiração da folia. Dessa forma, conseguiu destacar-se praticamente a cada Carnaval, estando suas músicas quase sempre entre as mais tocadas e popularizadas.
Exemplos dos seus sucessos foram O passo da girafa (com Milton de Oliveira), de 1949, gravado por Araci de Almeida; Pra seu governo (com Mílton de Oliveira), gravado por Gilberto Milfont, e Retrato do velho (com Marino Pinto), gravado por Francisco Alves, ambos de 1951; Eva (com Milton de Oliveira), gravado por Gilberto Milfont, e Acho-te uma graça (com Benedito Lacerda e Carvalhinho), de 1952; História da maçã (com Mílton de Oliveira), gravado por Jorge Veiga, de 1954; Índio quer apito (com Mílton de Oliveira), gravado por Walter Levita, de 1961, uma das composições que mais renderam em direitos autorais, e Pistoleira (com Mílton de Oliveira), gravado por Ari Cordovil, de 1964.
Seu último sucesso foi Tristeza, feito com Niltinho e lançado em 1965 por Jair Rodrigues, cujo sucesso no Carnaval de 1966 não chegaria a testemunhar.

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Passarinho do Relógio (cuco) (marcha/carnaval, 1940) - Haroldo Lobo e Mílton de Oliveira
Araci de Almeida

----C
Cuco-cuco-cuco!
O passarinho do relógio
--------------G7
Está maluco
Ainda não é hora do batente
Ele fica impertinente
------------------------C
Acordando toda gente

--------------G7----------------- C
Eu pego às oito e quarenta e cinco
------------------G7
E levanto às sete,
--------------------------C------ C7
Pra tomar banho e café
-----------------F
Mas quando são mais ou menos
-----------C
Três e cinco, ele começa:
Cuco-cuco-cuco!
-------------Dm
E só termina
--------------G7---- C
Quando estou de pé

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Ò seu Oscar

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Dizia Roberto Martins que o nome "Oscar" era muito usado na gíria do pessoal que freqüentava o Café Nice como designativo de indivíduo tolo, paspalhão. Daí o seu aproveitamento por Ataulfo Alves para batizar o marido enganado, personagem deste samba.

Mas, se pertence a Ataulfo o título e a segunda parte, é de Wilson Batista a idéia e o estribilho original da composição: "Cheguei cansado do trabalho / quando a vizinha me chamou / tá fazendo meia hora / que sua mulher foi embora / e um bilhete lhe deixou / o bilhete assim dizia / Não posso mais / eu quero é viver na orgia...". Foi com estes versos, já musicados, que Wilson convidou Ataulfo para fazer a segunda parte.

Conta Bruno Ferreira Gomes (no livro Wilson Batista e sua época) que Ataulfo, notando um "buraco" entre o segundo e o terceiro verso, sugeriu a inclusão desse "Ó Seu Oscar" que, além de preencher o claro, acabou substituindo o título, que deveria ser "Está Fazendo Meia Hora".

Ciro Monteiro

Apesar da importante participação de Ataulfo, "Ó Seu Oscar" é uma composição bem típica de Wilson Batista, um perspicaz cronista dos pequenos dramas do cotidiano. Vencedor do concurso de sambas para o carnaval de 40, é cronologicamente o segundo sucesso de seu lançador, Ciro Monteiro.

Ó Seu Oscar (samba, 1940) - Wilson Batista e Ataulfo Alves

--------G -------------------B7 ----Em-------------------------- B7
Cheguei cansado do trabalho /------ Logo a vizinha me chamou:
--------------C ---------D7 -----------G
Ò Seu Oscar / Tá fazendo meia hora
------------------E7---------- A7 -------------------D7
Que a sua mulher foi embora / E um bilhete deixou
----------------------------C --------------D7 ---------G
(Meu Deus que horror!) / --------O bilhete assim dizia:
-------------------------E7----- A7 --D7 ---G
Não posso mais. eu quero é viver na orgia!

--------D7---------------------- G
Fiz tudo para ver seu bem-estar
----B7--------------------------- E7
Até no cais do porto eu fui parar
------------Am -----------------------G
Martirizando o meu corpo noite e dia
-------------------A7 ------------D7---- G
Mas tudo em vão: ela é da orgia. (Parei!)

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O samba da minha terra

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Conta Dorival Caymmi (foto) que "'O Samba de Minha Terra' foi inspirado nos sambas de roda da Bahia, onde se cantam versos referentes ao 'bole-bole' e ao 'requebrado', sugestões nascidas do movimento sensual das ancas das sambistas". São de sua segunda-parte os famosos versos: "Quem não gosta de samba / bom sujeito não é / é ruim da cabeça/ ou doente do pé".
Pertencente à fase inicial da carreira do autor, seria lançado pelo Bando da Lua em sua visita ao Brasil em 1940. Foi, aliás, o último fonograma registrado pelo Bando no Brasil. "O Samba de Minha Terra" foi regravado por João Gilberto em seu elepê de 1961, com o conjunto de Valter Wanderley, num arranjo que se inicia com uma marcante introdução de João, imitando um tamborim, numa demonstração inequívoca de que a bossa nova era fortemente enraizada no balanço do samba. João ainda gravaria "O Samba de Minha Terra", ao vivo, no Carnegie Hall, em 1964.
O samba da minha terra (samba, 1940) - Dorival Caymmi
Bando da Lua

Tom: G
Introdução: D7/9+

Em Am
Samba da minha terra
D7 Bm
Deixa a gente mole
Em Am
Quando se dança
D7 Bm
Todo mundo bole
C7+ Bm
Quem não gosta de samba
E7/9- A7/13
Bom sujeito não é
Am5-/7
É ruim da cabeça
D7 G7+
Ou doente do pé
C7+ Bm
Eu nasci com o samba
E7/9- A7/13
No samba me criei
Am5-/7
E do danado do samba
D7 G7+
Nunca me separei

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Naná

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Naná (fox-blue, 1940) - Geysa Bôscoli e Custódio Mesquita
Orlando Silva

Naná
És sonho que se fez mulher
És dia em pleno amanhecer

Naná, Naná, !...
Igual a ti,
No mundo, outra não há,

Vem, aos meus braços,
Vem, vem cá,
Nasceste para mim
Naná. Tens,
Da lua a própria luz no olhar,
Quem te vê,
Deseja logo te beijar

Naná,
Primavera, sonho em flor
Nosso amor
Deslumbramento cheio de esplendor,
Teu, querida,
Serei, por toda vida !

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Mulher

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Considerado avançado para a sua época, Custódio Mesquita (foto) tem em "Mulher" uma de suas composições mais elaboradas. Talvez se possa considerar que este seria um prenúncio da melhor fase de sua carreira (1943-1945), que o credenciou como um precursor da moderna música brasileira, principalmente por seu sofisticado jogo harmônico. Em "Mulher" as modulações, os surpreendentes acordes menores e o final fora da tônica são bem representativos de suas concepções musicais. Apoiado por um arranjo sóbrio e elegante, este fox foi gravado por Sílvio Caldas em disco que traz na outra face a valsa "Velho Realejo", também de Custódio e Sadi Cabral.
Mulher (fox-canção, 1940) - Custódio Mesquita e Sadi Cabral
Orlando Silva

---------D ------F0
Não sei
-------------------D------ F0
Que intensa magia
------------------D
Teu corpo irradia
-------------------Bb7---- A7 ------------C7------ B7
Que me deixa louco assim / Mulher

-----Em
Não sei
---------------C0----- Em--------- C0
Teus olhos castanhos
---------------------Em
Profundos, estranhos
----------------Gm-- A7-- D
Que mistérios ocul-ta-rão / --- Mulher
--------------A7/5M
Não sei dizer

---------D------- F0
Mulher
---------------------D-------- F0
Só sei que sem alma
-----------------------D
Roubaste-me a calma
------------------Am7 ---D7--- G
E a teus pés eu fico a implorar

Gm
O teu amor tem um gosto amargo . . .
--------Gbm7 ----------------------B7
Eu fico sempre a chorar nesta dor
----------Em
Por teu amor
---------A7/5M ----------D
Por teu amor . . . .mulher

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Mal-me-quer

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Embora gravada originalmente no andamento normal de marcha, "Malmequer" tem letra e melodia que a identificam com a marcha-rancho, o mais lírico dos gêneros carnavalescos - "Eu perguntei a um malmequer / se meu bem ainda me quer / e ele então me respondeu que não / chorei, mas depois eu me lembrei / que a flor também é uma mulher / que nunca teve coração...".
Essa temática florística estava em alta na época, estimulada pelo sucesso recente de "Florisbela" e "A Jardineira". Assim, concorrendo ao prêmio de melhor marcha para o carnaval de 1940, "Malmequer" iria encontrar como forte adversária a também florística "Dama das Camélias" (de João de Barro e Alcir Pires Vermelho).
Orlando Silva
Realizado em 27.01.40, no estádio do América, o concurso teve na comissão julgadora os jornalistas Eduardo Brown e Caribé da Rocha e as figuras ilustres de Luís Peixoto, Pixinguinha e Villa-Lobos, sendo este último quem a presidia. Apesar de receber o voto de Pixinguinha, "Malmequer" acabou em 3° lugar, precedida de "Pele Vermelha" (de Haroldo Lobo e Milton de Oliveira) e da campeã "Dama das Camélias", cuja melodia foi muito elogiada por Villa-Lobos.
Mal-me-quer (marcha/carnaval, 1940) - Cristóvão de Alencar e Newton Teixeira

  Dm Gm                     Dm    Gm                  Dm
Eu perguntei a um mal-me-quer / Se meu bem ainda me quer
A7
Ela então me respondeu que não / Chorei, mas depois

Eu me lembrei / Que a flor também é uma mulher
Dm A7 D
Que nunca teve coração...........

Em A7 D B7
A flor mulher iludiu meu coração / Mas, meu amor
Em Gm
É uma flor ainda em botão / O seu olhar
D B7 E7 A7
Diz que ela me quer bem / O seu amor / É só meu
D
De mais ninguém....

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Despedida de Mangueira

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Despedida de Mangueira (samba/carnaval, 1940) - Benedito Lacerda e Aldo Cabral
Francisco Alves

---------------G ------------------------------A7
Em Mangueira / Na hora da minha despedida
--------------D7 --------------------G
Todo mundo chorou / Todo mundo chorou
-------------------------------G7-------------- C
Foi pra mim a maior emoção / Da minha vida
---------Cm ----------G -------------D7-------- G
Porque em Mangueira / O meu coração ficou

-----------D7
Quis falar aos amigos / Que me abraçaram
-----------G -------------------------------------F7---- E7
Os soluços porém / Minha voz embargaram
---------------Am ----------D7 ---------G
E os meus olhos / Na minha tristeza sem fim
--------------A7 ---------D7----------- G
No meu silêncio / Falaram por mim

------------------D7
A maior emoção / Que se tem nesta vida
---------G -------------------------------------F7------ E7
É a dor que assinala / Uma triste partida
-----------Am ---------------D7------ G
E foi esta emoção / Que eu também já senti
----------------A7--------- D7 -----------G
E nunca mais / De Mangueira esqueci

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Dama das Camélias

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Dama das Camélias (marcha/carnaval, 1940) - João de Barro e Alcir Pires Vermelho
Francisco Alves

  (A)                 Dbm 
A sorrir você me apareceu
D
E as flores que você me deu
A
Guardei no cofre da recordação
C
Porém depois você partiu
Em
Prá muito longe e não voltou
F
E a saudade que ficou
E7
Não quis abandonar meu coração
Am Dm
A minha vida se resume
E7 Am
Oh! Dama das Camélias
Dm
Em duas flores sem perfume
E7 Am
Oh! Dama das Camélias.

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Curare

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"Curare" é o segundo sucesso de Alberto de Castro Simoens da Silva, o afamado boêmio carioca Bororó, violonista e compositor nas horas vagas, cuja obra praticamente se resume a duas músicas, ambas clássicos.
Bororó foi o padrinho da carreira artística de Orlando Silva, que em 1939 ficou enciumado por não ter gravado "Da cor do pecado", o outro clássico, lançado por Sílvio Caldas. Então o compositor deu-lhe "Curare", como compensação. Além da letra brejeira, a construção harmônica da segunda parte, especialmente a frase final, uma seqüência avançada para época, tornam este samba atraente para intérpretes, como João Gilberto, interessados em músicas de concepção mais elaborada.
Curare (samba, 1940)- Bororó
Orlando Silva

B7/9  Dm6   A/C# 
Você tem boniteza
Cº Bm7 E7 A6/7
e a natureza foi quem agiu
B7/9 Dm6 A/C#
Com esses olhos de índia
Cº E7+ Bm7 E7
curare no corpo que é bem Brasil
D#m5-/7 Dm6 A/C#
Você é toda a Bahia,
Cº Bm7 E7 C#m7
é a flor no campo da gente de cor
C#m6 F#7/9 Bm7 E6/7
Faz do amor confusão
C#m5-/7 F#7/9- B7/9
Numa misturação bem banzeira
E6/7 A6/9 D6/7 C#5+/7 F#m7 Cº
Izoneira, que tem raça e tradição
Bm7 E7 A6/9
Que é pra machucar minha dor
Cº Bm7 E7
Nega, neguinha, tudo, tudinho
A A#º Bm7 E7 A6/9
Meu amorzinho com essa boquinha vermelhinha
Cº C#7+ G#7 C#7+ F#7/9
Que rasgadinha tem veneno como quê
B7/9 E6/7 A6/9 Cº
Conta tristeza e alegria pro seu bem
E7 C#m5-/7 C#m6
Que vive a dizer
B7/9 E6/7 A6/9 D6/7 F#m7 E7 A6/9
Que você é diferente de toda essa gente que finge querer

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Cai, cai

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Cai, Cai (batuque / carnaval, 1940) - Roberto Martins
Joel e Gaúcho

-----------------D -----------------------Em
Cai, cai, cai, cai / Eu não vou te levantar
-----------------A7---------------------------- D
Cai, cai, cai, cai / Quem mandou escorregar

---------------------------------------------------A7
Cai a chuva no telhado / Teu olhar caiu no meu
-------------------------------------------------------D
Cai a cinza do passado / Sobre o sonho que morreu
----------------------------------------------------A7
Muita gente cai à toa / Outros caem com razão
------------------------------------------------ D
A saudade é uma garoa / Caindo no coração

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Acertei no milhar

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Um pobretão sonha ter ganho 500 contos de réis no jogo do bicho, quantia fabulosa em 1940, suficiente para comprar três apartamentos de luxo ou cinco casas de dois pavimentos no bairro carioca de Copacabana. Este é o tema de "Acertei no Milhar", um samba-de-breque feito sob medida para o repertório de Moreira da Silva.
Numa letra original e espirituosa, Wilson Batista (na foto ao lado) descreve a alegria do premiado, ressaltando seus planos mirabolantes
Moreira da Silva
( "Eu vou comprar um avião azul / para percorrer a América do Sul"), suas expectativas de ascensão social ("Vou comprar um nome, não sei onde / vou ser barão..."), sem esquecer, porém, os compromissos cotidianos ("Me telefone pro Mané do armazém / porque não quero ficar devendo nada a ninguém"). Mas, como alegria de pobre dura pouco, logo o sonhador volta à realidade, acordado pela mulher.
"Acertei no Milhar" tem letra e melodia de Wilson Batista, figurando Geraldo Pereira como parceiro - a pedido de Moreira da Silva - para "trabalhar" a música nas rádios. Na ocasião, Geraldo era um compositor iniciante com apenas um samba gravado
Acertei no milhar (samba, 1940) - Wilson Batista e Geraldo Pereira
Tom: A

Etelvina (o que é, Morengueira?)
A
Acertei no milhar!
F#7 Bm D C#7
Ganhei quinhentos contos, não vou mais trabalhar
Bm7 E7 A F#7
você dê toda roupa velha aos pobres
B7 E7
e a mobília podemos quebrar
(breque)
"Isso é pra já, vamos quebrar. Pam, pam, bum, etc..."
D A
Etelvina vai ter outra lua-de-mel
F#7 Bm
você vai ser madame
E7 A F#7
vai morar num grande hotel
D D#º A F#7
eu vou comprar um nome não sei onde
Bm7 E7 A
de Marquês Morengueira de Visconde
Bm7 E7 A
um professor de francês mon amour
B7 E7 A
eu vou mudar seu nome pra Madame Pompadour
C#7 F#m
Até que enfim agora sou feliz
C#7 F#m
vou passear a Europa toda até Paris
C#7 F#m
e nossos filhos, oh, que inferno
G#7 C#7
eu vou pô-los num colégio interno
F#m
me telefone pro Mané do armazém
C#7 F#m
porque não quero ficar devendo nada a ninguém
D7 D#º A
e vou comprar um avião azul
F#m Bm7 E7 A
para percorrer a América do Sul
D D#º A
mas de repente, derrepenguente
F#7 Bm7 E7 A
Etelvina me acordou está na hora do batente
D D#º
mas de repente, derrepenguente
(breque)
- Se acorda, vargulino!
E7 A
Foi um sonho, minha gente! ESTRIBILHO

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A primeira vez

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A Primeira vez (samba/carnaval, 1940) - Alcebíades Barcelos e Armando Marçal
Orlando Silva

Introdução:
Bmaj7 G#7/+5 G#m6 F#7/13 Bmaj7 F#7/13


Bmaj7 G#7/+5 C#7/9
A primeira vez que eu te encontrei,
C#m7/G# F#7/+5 B6/9
Alimentei a ilusão de ser feliz
G#m7 A#7/+5
Eu era triste, sorri
D#m7 F(b6)/C#
Peguei no pinho e cantei
F7/C Bdim
Tantos versos eu fiz
C#m7 Em6 Bbdim
Em meu peito guardei
Bmaj7 G#7/+5
Um dia você partiu,
C#m7 Em6
Meu pinho emudeceu
Bbdim Bmaj7 G#m6 C#7/G# Gdim B6/9
E a minha voz na gargan.....ta morreu
Bmaj7 G#7/+5
Procuro esquecer a dor,
C#m7
Não sou capaz,
F#7 F#9/+5 Bmaj7 G#7
Meu violão não toca mais
C#m7 Bb7 Ebm7 G#7
Eu vivo triste a meditar,
C#7/G# Em6 F#7/+5
Não canto mais, meu consolo é chorar

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Suburbana

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Suburbana (valsa-canção, 1939) - Sílvio Caldas e Orestes Barbosa
Sílvio Caldas

-------Dm----------------- Gm
Olhando o céu me demoro
---------A7------------------- Dm
Num verso triste é que choro
-------------Bb7----------- A7--- D7-- Gm-- Gm6--------- Dm
Ninguém vê o pranto meu /------- Há muita lágrima triste
----------------------------E7-------------- A7 --------D7 -----Gm
Que em seu sorriso consiste / Como o poeta escreveu

-----------Gm6-------- Dm--------------------- E7
Minha linda suburbana / Por trás da veneziana
-------------A7 ----------D7--- Gm----- Gm6-------- Dm
Vem sorrir nesta canção / Com teus lábios de doçuras
---------------------------E7-------- A7 ----------Dm----- D7
Que são tâmaras maduras / Da flora do coração

----Gm--- Gm6----- Dm----------------------- A7
Zona norte da cidade / Residência da saudade
---------------------------Dm--- D7-- Gm -----Gm6------- Dm
Onde nasceu o teu cantor / -------No teu cantor comovido
----------------------------Bb7 ------------------------A7-------- D7
Que sonha com teu vestido / Que morre por teu amor

-----Gm----- Gm6 ------Dm ---------------------------A7
Olho as estrelas cansadas / Que são lágrimas doiradas
----------------------Dm--- D7 ----Gm ---Gm6----- Dm
No lenço azul do céu /--------- Estrelas são reticências
----------------------E7
Estrelas são confidências
---------------A7 ---------Dm
Do meu romance e do teu

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Sertaneja

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De uma simplicidade comovente, este bucólico canto de amor à mulher sertaneja seria uma das composições mais cantadas em todo o Brasil nos anos seguintes ao seu lançamento, em julho de 39.
Todo amador com pretensões a se tornar um novo "cantor das multidões", inscrevia-se num programa de calouros (que na época vivia o auge da popularidade) para cantar: "Sertaneja se eu pudesse / se Papai do Céu me desse / o espaço pra voar / eu corria a natureza / acabava com a tristeza / só pra não te ver chorar...".
Incluída entre os maiores sucessos de Orlando Silva, "Sertaneja" seria superada em popularidade apenas por três ou quatro canções de seu repertório, como "Carinhoso" e "Lábios Que Beijei". Curiosamente, seu autor, o compositor, jornalista e empresário artístico, René Bittencourt, não era do sertão, tendo nascido na Ilha de Paquetá e vivido no Rio de Janeiro.

Sertaneja (canção, 1939) - René Bittencourt

Orlando Silva
Em------- C----------- Em------- C ----------------Em
Sertaneja se eu pudesse / Se Nosso Senhor me desse
---------C --------B7 -C -B7----------- Am--------- B7
O espaço pra voar /--------- Eu corria a natureza
--------Am ------------B7 -------------------------Em-- B7-- Em
Acabava com a tristeza / Só prá não te ver chorar
----------C----------- Em ----------C ------------Em
Na ilusão deste poema / Eu roubava um diadema
-----------E7----------- Am--- E7-- Am -------Am6------ Em
Lá do céu pra te ofertar / --------E onde a fonte rumoreja
--------------------Gb7 -----------B7 -------(Em) (B) (Em)
Eu erguia tua igreja / Dentro dela o teu altar

(B) ------Em-------------C-----------------B7
Sertaneja / Porque choras quando eu canto ?
-------------------------------------Em------- B7
Sertaneja / Se este canto é todo teu . . . .
---------E7------------------------- Am--------- Am6
Sertaneja / Prá secar os teus olhinhos
----------------------Em----- B7---------------- (Em) (B) (Em) (B) Em
Vá ouvir os passarinhos / Que cantam mais do que eu

---------C -------------Em----------- C ---------------Em
A tristeza do seu pranto / É mais triste quando eu canto
----------C ---------------B7 -------------Am----------- B7
A canção que eu te escrevi / E os teus olhos neste instante
--------------Am---------------- B7----------------------- Em- --B7--- Em
Brilham mais que a mais brilhante das estrelas que eu já vi.

---------C ---------------Em ---------C----------- Em
Sertaneja vou me embora / A saudade vem agora
----------E7 ---------Am-- E7 ----Am------- Am6------- Em
A alegria vem depois / --------Vou subir por essas serras
--------------------------Gb7 -----------B7------------- (Em) (B) (Bm)
Construir lá noutras terras / Um ranchinho prá nós dois
.

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Salão Grenat

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Salão grenat (valsa, 1939) - Francisco Célio e Paulo Barbosa
Carlos Galhardo

E7/5+ ---A--- E7/5+ -------A -------Gb7 ---------Bm
Q u e r o negar-te a saudade/ Chamando curiosidade
------------B7 ------E7 -----------Bm------- E7
O que estou a sentir / Abro a porta temeroso
-------------Bm----------- E7---- Gbm-- B7----- E7
Do impossível e esperançoso / E te rever a sorrir

-------------------A---------------
Num salão Grenat / Paira pelo ar
----------------Bm---- E7----------------- Bm
Nota esmaecida /-------- Um perfume teu
------------------E7 ----------------A--- E7/5+ -----------------A
Resto da canção que foi minha vida /------- --Triste em solidão
----------------------------Bm------------------ B7
Teu piano está como eu estou / Sentindo aumentar
-----------------------------------------E7
Da saudade a dor / De quem me abandonou

----------------------A-----------------
Sei que hás de voltar / Ao salão Grenat
--------------------Bm ---E7 --------------Bm------------- E7
Que era nosso ninho / ------Tornarás a ter todo meu amor
--------------------Em6 -----Gb7 ----------------Bm
Todo o meu carinho /----------- Sei que voltarás
---------------------E7 -------------A--------
Pois hás de lembrar / Que foste feliz
----------------------B7 -------------------E7
Nunca houve alguém / Que quisesse o bem
---------------------A----- F----- A
Que sempre te quis.

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Pra que mentir

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Pra que mentir (samba, 1939) - Noel Rosa e Vadico
Paulinho da Viola
    Dm7/9    Bb7M
Pra que mentir
Bm7(b5) Bb7M Bbm7/9
se tu ainda não tens
Eb7/13 Dm(7M) Dm7
Esse dom
G7/4(9) C7/4(9 13)
de saber iludir?
Bm7(b5)
Pra quê?!
Bb7M Bm7(b5) E7(#5)
Pra que mentir
Bb7/9 A7/4(9) Eb7(9 #11)
Se não há necessidade de me trair?
Dm7/9 Bb6/9 Bm7(b5) Bb7M Bbm7/9
Pra que mentir, se tu ainda não tens
Eb7/13 Dm(7M) Dm7 G7/9 G/B
A malí....cia de to...da mulher?
Dm7/9 G7(9 #11) E7(#5) A7/4(9)
Pra que mentir
Dm7/9 G7(9 #11) E7(#5) A7/4(9)
se eu sei que gostas de ou....tro
F#m7 C7/4(9) B7M/9 E7/4(9)
Que te diz que não te quer?
A7/4(9) D7M/9 Gm6 F#7(b13)
Pra que mentir
Bm7(9 11)
Tanto assim
Gm6 F#7(b13) Bm7(9 11)
Se tu sabes que eu já sei
Bb7/13 C7/4(9 13)
Que tu não gostas de mim?!
G(add9)/B F#7(b13) Bm7(9 11)
Se tu sa......bes que eu te quero
C7/4(9 13) Bm7(9 11)
Apesar de ser traído
C7/4(9 13) F7M
Pelo teu ódio sincero
Bb7M Eb7(9 #11)
Ou por teu amor fingido?!

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Por ti

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Por ti... (valsa, 1939) - Leonel Azevedo e Sá Róris
Orlando Silva

-------A ---------------Gb7 -----------B7
Por ti serei capaz de todas as loucuras
-------E7 -----------------------------A ------E7
Por ti enfrentarei o mar, o céu, a terra
--------A------------- Gbm----------- Dbm
E beberei da vida a taça de amarguras pelo teu amor
-------Ab7
Por ti farei da vida um céu
----------Dbm--------------- E7
Serei feliz ou morrerei de dor
--------A ------------------Gb7------- B7
Por ti transformarei a face do destino
-----------E7 ---------A------------------ A7
Em perólas de luz farei a negra escuridão
---------D ---------Dm --------A ----------Gb7
Por um sorriso teu darei a vida e morrerei
------Bm ----------------E7 -----------------A------ Db7
Feliz levando a tua imagem no meu coração
--------Gbm-------------------------------Ab7

Sem ti porém serei no mundo um condenado
----------Db7 ------------------------------Gbm
Um triste menestrel de um sonho apaixonado
-------Gb7
Tu és a primavera em flor
--------------------Bm
Tu és minha ilusão, minha ilusão de amor
---------Ab7
E eu sou o teu cantor, sem ti
--------------------Db7
Meu coração soluça e a vida um horror
---------Gbm ----------------------------Ab7
E quando lá no céu de estrelas constelado
------Em6 ------------------Gb7 --------------Bm
Brilhar com merencórea luz a lua na amplidão
--------------------------------------------------Gbm
Por certo que hás de ouvir meu canto amargurado
-------------------------Ab7 -----------Db7----- Gbm
Meu canto que é o gemido triste do meu coração

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Pirulito

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Pirulito (marcha/carnaval, 1939) - João de Barro e Alberto Ribeiro
Nilton Paz

-----D
Ioiô dá o braço pra Iaiá
--------------------------G---- B7 ----Em
Iaiá dá o braço pra Ioiô
------------------A7 ----------D
O tempo de criança já passou, ô!

----------------------Em
Pirulito que bate bate
-----A7------------- D
Pirulito que já bateu
---------------------------G
Quem gosta de mim é ela
-----G#º--- D--- A7 -----D
Quem gosta dela sou eu, hei!

---------------A7
Agora é melhor
-----------------D
A gente dançar
----------------A7
Juntinhos assim
--------------------B7
Se tem mais prazer
-----------Em--- B7-- Em-- A7-- D
Quem não dança o--- Pi...ru...lito
----------A7--------- D
Que alegria pode ter?

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Pedro, Antonio e João

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Pedro, Antonio e João (marcha, 1939) - Benedito Lacerda e Osvaldo Santiago
Dalva de Oliveira

Com a filha de João
Antônio ia se casar
Mas Pedro fugiu com a noiva
Na hora de ir pro altar

A fogueira está queimando
E um balão está subindo
Antônio estava chorando
E Pedro estava sorrindo

E no fim dessa história
Ao apagar-se a fogueira
João consolava Antônio
Que caiu na bebedeira

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Número Um

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Número Um (valsa, 1939) - Benedito Lacerda e Mário Lago
Orlando Silva

Am9      C#º         Dm   Dm6
Passaste hoje ao meu lado,
E7 Am Am/G
Vaidosa de braço dado,
F E7
Com outro que te encontrou
Am Am6 Em9
E eu relembrei comovido
F
Um velho amor esquecido,
E7
Que o meu destino arruinou.
Am C#º Dm Dm6
Chegaste na minha vida,
E7 Am Am/G
Cansada e desiludida,
F E7
Triste mendiga de amor
A7/9- Dm Dm7M Dm7
E eu, pobre, com sacrifício,
Dm6 Am Am/G
Fiz um céu de teu suplício,
B7 E/G# Am E/G#
Pus risos na tua dor.
A E7 A E7
Mostrei-te um novo caminho
A E7 A
Onde com muito carinho
E/G#
Levei-te numa ilusão
Bm E7
Tudo, porém, foi inútil,
Eras no fundo uma fútil,
A E7
Que fostes de mão em mão.
A E7 A E7
Satisfaz tua vaidade,
A E7 A
Muda de dono à vontade,
A7 D
Isso em mulher é comum.
Dm Dm6 A
Não guardo frios rancores
F#7 F
Pois dentre os seus mil amores
E7 A F A
Eu sou o número um.

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Meu consolo é você

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Meu consolo é você (samba, 1939) - Antônio Nássara e Roberto Martins
Orlando Silva

C------------------- Dm
Meu consolo é você
----G7----------- C --------G7------ C
Meu grande amor eu explico porque
----------A7--------- Dm------ A7----- Dm
Sem você sofro, muito, não posso viver
-----------G7----------- C----- G7 ------C
Sem você mais aumenta o meu padecer
---------------------F
Tudo fiz sem querer
------------------C -------------G7 ---------C
Meu grande amor eu peço desculpa a você
-----------------G7-------------------- C
Mas se por acaso você não me perdoar
---------------G7 -------------------------C
Juro por Deus que não vou me conformar
------------------G7--------------------- C
Pois a minha vida sem você é um horror
---------------------D7 --------------(G7)
Eu sofro noite e dia e você sabe porque
---------------------G7
Meu consolo é você

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Jou Jou Balagandans

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Jou jou balagandans (marcha/carnaval, 1939) - Lamartine Babo
Mariah e Mário Reis

    A6        F#5+/7
Jou Jou, Jou Jou
Bm7 Fº A7+ F#5+/7 Bm7 Fº
Que é meu Balagandan
F#5+/7
Aqui estou eu
B7/9 F#m
Aí estás tu
B7/9
Minha Jou Joo
Bm5-/7 E7/9-
Meu Balagandan
A6 F#5+/7 Bm7 Fº A7+ F#m7 Bm7
Nós dois depois no sol do amor de manhã
Fº F#7 F#5+/7 Bm7 Dm7
De braços dados, dois namorados
A7+
Já sei
E6/7
Jou Jou
A7+
Balagandan
Bm7 E7/9 A7+ A6
Seja em Paris ou nos Brasis
F#7 F#5+/7 D7+/9
Mesmo distantes somos constantes
D#5-/7 G#5+/7 C#m7 F#7
Tudo nos une, que coisa rara
Bm7 E6/7 A7+
É o amor, nada nos separa

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Hino do Carnaval Brasileiro (marcha, 1939) - Lamartine Babo
Almirante

  C
Salve a morena
G7
A cor morena do Brasil fagueiro
Dm
Salve o pandeiro
G7 C
Que desce do morro prá fazer a marcação
São, são, são
Am E
São quinhentas mil morenas
F C G7
Loiras, cor de laranja, cem mil
C A7
Salve, salve
F G7 C G7
Teu carnaval, Brasil


C
Salve a loirinha
G7
Dos olhos verdes cor das nossas matas
Dm
Salve a mulata
G7 C
Cor de canela, nossa grande produção
São, são, são
Am E
São quinhentas mil morenas
F C G7
Loiras cor de laranja, cem mil
C A7
Salve, salve
F G7 C
Teu carnaval, Brasil

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Florisbela

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Florisbela (marcha/carnaval, 1939) - Antônio Nássara e Eratóstenes Frazão
Sílvio Caldas

-----A----------Bm---- E7
Entre uma rosa amare...la
--------------------------------A
Um cravo branco e um jasmim
--------------------- E7
Encontrei a Florisbela
------------------------------A
Entre as flores de um jardim
------------------------D
Implorei um beijo dela
----------C#7----------- F#m
E ela nem olhou pra mim
-----D ---------------A
Afinal as flores belas
-------B7----- E7 ----A
Todas elas são assim

---------------------------B7
Vendo que nada arranjava
-----E7-------------- A
Eu dei o fora por fim
E a Florisbela
----------------------------E7
Quando viu que eu me afastava
-------B7----------- E7
Correu atrás de mim
------D -------------A
Afinal as Florisbelas
--------B7---- E7---- A
Todas elas são assim

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Deusa da minha rua

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Na segunda metade dos anos trinta, o sucesso dos cantores românticos Orlando Silva, Francisco Alves, Sílvio Caldas e Carlos Galhardo - os chamados quatro grandes - estimulou o surgimento da maior safra de canções de amor de nossa música popular. Composta a maioria na forma ternária, essas canções são a versão moderna da modinha tradicional. Um dos melhores frutos dessa safra é a valsa "Deusa da Minha Rua". Além de uma bela melodia de Newton Teixeira, a composição tem letra excepcional de Jorge Faraj.
Poeta dos amores impossíveis, em que a mulher é sempre adorada à distância, ignorando ser objeto de uma paixão, Faraj realiza sua melhor letra nesta valsa. Depois de descrever o contraste entre a beleza da musa e a pobreza da rua, ele estabelece um poético jogo de imagens, comparando a poça d'água, que "transporta o céu para o chão", a seus próprios olhos, "espelhos de sua mágoa", que sonham com o olhar da mulher inatingível.
Sílvio Caldas
Mas essa obra-prima do romantismo que imperava na música da época deu trabalho para chegar ao disco, permanecendo inédita por três anos. Primeiro Faraj não aprovou a melodia, obrigando Newton Teixeira a refazê-la. Depois foi Sílvio Caldas que, escolhido para interpretá-la, mostrou-se desinteressado, achando sempre uma desculpa para adiar a gravação. "Até que um dia - contou Newton ao pesquisador Lauro Gomes de Araújo - perdendo a paciência, tive que tirar o Sílvio de uma roda no Nice e praticamente arrastá-lo ao estúdio". Mas o importante é que o disco foi um sucesso, com ótima interpretação do cantor.
Deusa da minha rua (valsa, 1939) - Jorge Faraj e Newton Teixeira
G7+           Bm7   Am7               D7
A deusa da minha rua / Tem os olhos onde a lua
Am7 D7 G7+ D7 G7+ Em7
Costuma se embriagar / Nos seus olhos eu suponho
D7 D/F# Em7 A7 D7
Que o sol, num dourado sonho / Vai claridade buscar


G7+ Em7 Am7 Am7/G
Minha rua é sem graça / Mas quando por ela passa
Am7 D7 Do E7 Am7 Cm7
Seu vulto que me seduz / A ruazinha modesta
Bm7 E7 Am7 D7 G7+ B7
É uma paisagem de festa / É uma cascata de luz


Em Em/D Gb7 Am7
Na rua uma poça d’água / Espelho da minha mágoa
B7 Em B7
Transporta o céu / Para o chão
Em Em/D
Tal qual o chão de minha vida
B7+ Abm7 Dbm Gb7 B7
Minh’alma comovida / O meu pobre coração

Em Em/D Gb7
Infeliz da minha mágoa / Meus olhos
Am7 B7 Do E7
São poças d’água / Sonhando com seu olhar
Am7 B7 Em Em/D
Ela é tão rica e eu tão pobre/ Eu sou plebeu
Gb7 C7 B7 Em
E ela é nobre / Não vale a pena sonhar . . . .

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Da cor do pecado

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Lançado por Sílvio Caldas na melhor fase de sua carreira, "Da Cor do Pecado" é um grande samba, o melhor do reduzido repertório do compositor Bororó (Alberto de Castro Simoens da Silva).
Brejeiro, malicioso, possui uma das letras mais sensuais de nossa música popular: "Este corpo moreno / cheiroso, gostoso/ que você tem / é um corpo delgado / da cor do pecado / que faz tão bem...". Segundo o autor, "a musa desses versos chamava-se Felicidade, uma mulher de vida pregressa pouco recomendável", que trabalhava em frente ao Tribunal de Justiça e lhe foi apresentada por Jaime Távora, oficial de gabinete do ministro José Américo. Iniciou-se assim um romance de vários anos em que Bororó foi responsável pela mudança de vida da moça. Mais tarde ela se casaria com um médico, tendo morrido ainda jovem em conseqüência de uma gripe mal curada.
Sílvio Caldas
De melodia e harmonia elaboradas, acima da média dos sambas da época, "Da Cor do Pecado" tem seu aspecto mais interessante nas modulações da primeira para a segunda parte e na volta desta para a primeira. Ainda quanto à melodia, tal como se repetiria em "Curare", a frase final - "eu não sei bem porquê / só sinto na vida o que vem de você" - é um primor de preparação para o acorde de dominante que conduz ao tom da primeira parte.
"Da Cor do Pecado" permanece como um clássico, tendo regravações de artistas como Elis Regina, Nara Leão, João Gilberto, Ney Matogrosso e os instrumentistas Jacó e Luís Bonfá.
Da cor do pecado (samba, 1939) - Bororó
  D7+ B7/-9    Em7     A7        Gbm7
Este corpo moreno, cheiroso e gostoso
F0 Em7 A7/6
Que você tem . . . .
D7+ E7 A/E Gb7 Bm7
É um corpo delgado da cor do pecado
E7 Em7 A7/6
Que faz tão bem . . . .

D7+ B7/-9 Em7 A7 Gbm7
Este beijo molhado escandalizado
F0 Em7 A7/6
Que você me deu . . . .
D7 G F0 Gbm7
Tem sabor diferente que a boca da gente
Em7 D
Jamais esqueceu . . . .

Bm7 Bbm7 Am7 D7
Quando você me responde umas coisas sem graça
G
A vergonha se esconde
Bm7/-5 E7 Am7
Porque se revela a maldade da raça
D7 G7+
Este cheiro de mato tem cheiro de fato
Bm7 Bbm7 Am7
Saudade tristeza essa simples beleza
B7 Em7 G7
Teu corpo moreno, morena enlouquece
C7+ Bm7
Eu não sei bem porque
Eb7 Ab D7 G A7
Só sinto na vida o que vem de você . . . .

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Camisa amarela

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Tal como "Camisa listrada", "Camisa Amarela" é uma curiosa crônica de um episódio carnavalesco carioca. Na letra, uma das melhores de Ary Barroso, a protagonista narra as proezas do amante folião, que volta sempre aos seus braços, "passada a brincadeira".
Célia
Procurando dar uma impressão de realidade à história, Ari chega a localizá-la no tempo e no espaço, com a citação de músicas do carnaval de 39 - "Florisbela" e "A jardineira" - e lugares do Rio - o Largo da Lapa, a Avenida (Rio Branco) e a Galeria (Cruzeiro). Entregue no disco de estréia à sua intérprete ideal, Araci de Almeida, "Camisa Amarela" tem ainda uma gravação notável do próprio Ary Barroso, cantando e se acompanhando ao piano, em 1956.
Camisa Amarela (samba, 1939) - Ary Barroso
  Bb7+                       Gm7               Cm7
Encontrei o meu pedaço na Avenida de camisa amarela
F7 Bb7+ B6/7
Cantando a Florisbela, oi, a Florisbela
Bb7+ Gm7 F7+
Convidei-o a voltar pra casa em minha companhia
Am7 D7 Gm7
Exibiu-me um sorriso de ironia
C7 Cm7 F7
e desapareceu no turbilhão da Galeria
Fm7 Bb6/7
Não estava nada bom o meu pedaço,
Fm7 Bb6/7 Eb7+
na verdade, estava bem mamado
Bem chumbado, atravessado
Dm5-/7 G7 C7/9
Foi por aí cambaleando se acabando num cordão
com o reco-reco na mão
C#° Dm7
Mais tarde, o encontrei num café surrapa
G6/7
do Largo da Lapa
C7/9 F7 Bb7+ B6/7
Folião de raça, bebendo o quinto copo de cachaça
Bb7+ Gm7 Cm7
Voltou às sete horas da manhã, mas só na quarta-feira
F7 Bb7+ B6/7
Cantando a Jardineira, oi, a Jardineira
Bb7+ Gm7 C7 F7+
Me pediu, ainda zonzo, um copo d'água com bicarbonato
Am7 D7 Gm7
O meu pedaço estava ruim de fato
C7 Cm
Pois caiu na cama e não tirou nem o sapato
F7 Fm7 Bb6/7 Fm7
Roncou uma semana, despertou mal-humorado
Bb6/7 Eb7+
Quis brigar comigo, que perigo, mas não ligo
Dm5-/7 G7 C7/9
O meu pedaço me domina, me fascina, ele é o tal

Por isso não levo a mal
C#° Dm7 G7
Pegou a camisa, a camisa amarela, botou fogo nela
C7/9 F7 Bb7+
Gosto dele assim, passou a brincadeira ele é pra mim

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Brasil

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Brasil (samba, 1939) - Benedito Lacerda e Aldo Cabral
Francisco Alves e
Dalva de Oliveira

Brasil, és no teu berço dourado / O índio civilizado
E abençoado por Deus / Brasil, gigante de um continente
És terra de toda gente / E orgulho dos filhos teus
Oh, meu Brasil!

Tudo em ti me satisfaz / Liberdade, amor e paz
No progresso em que te agita / Torrão de viva beleza
De fartura e de riqueza / E de mil coisas bonitas

E porque tu tens de tudo / Porque te conservas mudo
Na tua modéstia imerso / Meu Brasil eu que te amo
Neste samba te proclamo / Majestade do universo

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Aquarela do Brasil

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Ary Barroso compôs Aquarela do Brasil no início de 1939, numa noite de chuva torrencial, que o obrigou a ficar em casa, contrariando seus hábitos. Antes que a chuva terminasse, ainda teve inspiração para compor outra obra prima, a valsa "Três lágrimas".
Quase vinte anos depois, ele mesmo descreveria a criação de Aquarela do Brasil, em entrevista à jornalista Marisa Lira, do Diário de Notícias: "Senti iluminar-me uma idéia: a de libertar o samba das tragédias da vida, (...) do cenário sensual já tão explorado. Fui sentindo toda a grandeza, o valor e a opulência de nossa terra. (...) Revivi, com orgulho, a tradição dos painéis nacionais e lancei os primeiros acordes, vibrantes, aliás. Foi um clangor de emoções. O ritmo original (...) cantava na minha imaginação, destacando-se do ruído da chuva, em batidas sincopadas de tamborins fantásticos. O resto veio naturalmente, música e letra de uma só vez. Grafei logo (...) o samba que produzi, batizando de ‘Aquarela do Brasil'. Senti-me outro. De dentro de minh'alma extravasara um samba que eu há muito desejara. (...) Este samba divinizava, numa apoteose sonora, esse Brasil glorioso."
Exageros à parte, "Aquarela do Brasil" é mais ou menos isso que Ary Barroso pretendeu fazer: uma declaração de amor ao Brasil, através de uma bela composição. É também a obra mais representativa da grande fase de sua carreira (1938-1943), em que ele completa um processo de refinamento de seu repertório, incorporando-lhe requintes até então inusitados em nossa música popular. E como foi preferencialmente um compositor de samba, é neste gênero que melhor empregará esses requintes, de forma especial nos chamados sambas-exaltação, um novo tipo de música do qual é inventor e "Aquarela do Brasil", o paradigma. Já mostra no que o gênero ofereceria em qualidades e defeitos, esta composição sintetiza suas características fundamentais: os versos enaltecedores de nosso povo, sas paisagens, tradições e riquezas naturais, a melodia forte, sincopada, sonoridades brilhantes tudo isso mostrado num crescendo, do prólogo ao final apoteótico, que procura transmitir uma visão romântica e ufanista.
"Aquarela do Brasil" foi lançada por Araci Cortes em 10.06.39, na revista Entra na Faixa, de Ary e Luís Iglesias. Inadequada à voz da cantora, não fez sucesso. Um mês e meio depois, voltou a ser apresentada, desta vez de forma destacada, pelo barítono Cândido Botelho no espetáculo "Joujoux e Balangandãs". Sua primeira gravação aconteceria em seguida (18.08) por Francisco Alves, acompanhado por orquestra que executava um arranjo de Radamés Gnattali, grandiloqüente como exigia a composição. Com esta gravação iniciava-se sua monumental discografia que incluiria figuras como Sílvio Caldas, Antônio Carlos Jobim, Radamés Gnattali, Elis Regina, Gal Costa, João Gilberto, Caetano Veloso, o próprio Ary Barroso, as orquestras de Xavier Cugat, Morton Gould, Ray Conniff, Tommy e Jimmy Dorsey e os superastros Bing Crosby e Frank Sinatra.
A carreira internacional de "Aquarela do Brasil" começou por Hollywood em 1943, quando Walt Disney a incluiu no filme "Alô Amigos" ("Saludo Amigos"), com o título de "Brazil" e versos em inglês de S. K. Russell. No mesmo ano, gravada por Xavier Cugat, fez grande sucesso nos Estados Unidos, aonde chegou a ultrapassar a marca de um milhão de execuções. A partir de então, popular no Brasil e no exterior, se consagraria como uma espécie de segundo hino de nossa nacionalidade. Longe de prever todas essas glórias, Ary Barroso inscreveu "Aquarela do Brasil" no concurso de sambas para o carnaval de 1940, vencido por "Ò seu Oscar" (1°), "Despedida de Mangueira" (2°) e "Cai, cai" (3°). Considerando-se injustiçado, Ary rompeu com Villa-Lobos, presidente da comissão julgadora, com quem só se reconciliaria em 1955.
Aquarela do Brasil (samba, 1939) - Ary Barroso
Sílvio Caldas

E6
Brasil
B7 E6
Meu Brasil brasileiro
B7 E6
Meu mulato inzoneiro
C#5+/7 C#7
Vou cantar-te nos meus versos
F#m B7 E
O Brasil, samba que dá
B7 E
Bamboleio que faz gingar
B7 E
O Brasil, do meu amor
B7 E
Terra de Nosso Senhor
F#m E C#m
Brasil, pra mim
F#m B7 E
Pra mim, pra mim
E F#m
Ah, abre a cortina do passado
B7
Tira a Mãe Preta do cerrado
E
Bota o Rei Congo no congado
F#m E C#m
Brasil, pra mim
F#m B7 E
Pra mim, Brasil
C#7
Deixa cantar de novo o trovador

À merencória luz da lua
F#m
Toda canção do meu amor
Am B7 E
Quero ver a Sá Dona caminhando
C#m F#m
Pelos salões arrastando
B7 E
O seu vestido rendado
F#m B7 E C#m
Brasil, pra mim
F#m E
Pra mim, Brasil
E6 B7 E6
Brasil, terra boa e gostosa
B7 E6
Da morena sestrosa
C#5+/7 C#7
De olhar indiscreto
F#m B7 E
O Brasil, verde que dá
B7 E
Para se admirar
B7 E
O Brasil do meu amor
F#m B7 E
Terra de Nosso Senhor
F#m B7 E C#m
Brasil, pra mim
F#m E
Pra mim, pra mim
F#m
Oh, esse coqueiro que dá coco
B7
Onde eu amarro a minha rede
E
Nas noites claras de luar
F#m B7 E
Brasil, pra mim
F#m E B7
Pra mim, Brasil
C#7
Ah, ouve essas fontes murmurantes

Ah, onde eu mato minha sede
F#m
E onde a lua vem brincar
Am B7 E

Ah, este Brasil lindo e trigueiro
C#m F#m
É o meu Brasil brasileiro
B7 E
Terra de samba e pandeiro
F#m B7 E C#m
Pra mim, Brasil
F#m B7 E
Brasil, pra mim

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A Jardineira

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Quando "A Jardineira" despontou como uma das favoritas para o carnaval de 39, apareceram na imprensa reportagens contestando a autoria de Benedito Lacerda e Humberto Porto. Na verdade, "A Jardineira" é um antigo tema popular, originário da Bahia, que os dois adaptaram para lançar como marchinha. Segundo o jornalista Jota Efegê (em artigo publicado em O Jornal, em 23.01.66) foi o legendário Hilário Jovino Ferreira quem introduziu "A Jardineira" no carnaval carioca, através do rancho homônimo, em 1899. Jovino aprendera a música com os ternos de reis que desfilavam na Bahia.

Com o fato corrobora uma declaração do baiano Humberto Porto, que afirmara ter recolhido o refrão original na localidade de Mar Grande (BA) em dezembro de 37. Porto incluiria, ainda, nas primeiras edições da partitura, uma breve nota poética que aludia a uma certa "jardineira triste" que desfilava nos "ternos da Bahia".

Orlando Silva
Mas, voltando ao carnaval carioca, o tema fez sucesso não apenas no rancho de Jovino, sendo adotado por outros - como "A Flor da Jardineira", "As Filhas da Jardineira" "O Triunfo da Camélia" - que o tornaram muito conhecido ao final da primeira década do século. Essa popularidade estendia-se a vários estados, onde a música recebeu edições, conforme apurou Almirante em investigação que realizou para o seu programa "Curiosidades Musicais". Apareceu até um outro "adaptador" do tema, o velho Candinho, que Jota Efegê identificou como um tradicional folião carioca, ligado a diversos ranchos.

A Jardineira (marcha/carnaval, 1939) - Benedito Lacerda e Humberto Porto

----------C--------------------------- G7
Oh jardineira / Porque estás tão triste
--------------------------------C
Mas o que foi que te aconteceu? / Foi a camélia
-----------------G7----------------- F-------------------- C
Que caiu do galho / Deu dois suspiros / E depois morreu

F -------G7---- C ---F--- G7 ----C ----------------G7
Vem jardineira / Vem meu amor / Não fique triste
-----------------------C------------------------ G7
Que este mundo é todo teu / Tu és muito mais bonita
---------------------------C
Que a camélia que morreu ......

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Yes, nós temos bananas

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Ao ouvirem casualmente um grego, dono de quitanda, dizer para um freguês a frase absurda e gramaticalmente incorreta "yes, we have no bananas", os compositores Frank Silver e Irving Cohn tiveram a idéia de usá-la numa canção humorística, cheia de disparates: "Yes, we have no bananas / we have no bananas today / we've string beans / and onions, cabbages and scallions / and all kind of fruit..." ("Sim, nós não temos bananas / não temos bananas hoje / nós temos vagens / e cebolas, repolho e alho poró/ e toda espécie de fruta...").

Lançada em 1923, a canção estourou na voz do cômico Eddie Cantor, que a aproveitara na peça "Make it snappy". Daí espalhou-se pelo mundo como um dos sucessos dos "loucos anos vinte", quando a música dos Estados Unidos assumiu a hegemonia do mercado internacional.

Quinze anos depois, partindo dos compassos iniciais de "Yes, We Have No Bananas",Braguinha e Alberto Ribeiro fariam a marchinha carnavalesca "Yes , Nós Temos Bananas".

Almirante
A composição era uma crítica bem humorada à empáfia dos americanos, que chamam de "bananas republics" os países da América Latina: "Yes, nós temos bananas / bananas pra dar e vender / banana menina / tem vitamina / banana engorda e faz crescer". Segue-se uma segunda parte que, depois de referir-se às nossas exportações de algodão e café, termina com um desaforado "pro mundo inteiro / homem ou mulher / bananas pra quem quiser...". Sucesso carnavalesco. "Yes, Nós Temos Bananas" antecipa clima e motivos explorados pelo tropicalismo no final dos anos sessenta.

Yes, Nós Temos Bananas (marcha-carnaval, 1938) - João de Barro e Alberto Ribeiro

---F----- Gm-- C7------ F
Yes, nós temos bananas
------Bb ----------------A7 ----Eb7------ D7
Banana pra dar e vender
-----Gm----- Bbm--- F------ D7
Banana, menina, tem vitamina
-------G7 -----------C7 -----F----- Gm---- C7
Banana engorda e faz crescer

C7------------------------ F
Vai para a França o café
Pois é
A7---------------------- D7
Para o Japão o algodão
Pois não
Gm -------------Bbm ------F--------- D7
Pro mundo inteiro / Homem ou mulher
------Gm--------- C7 ------F
Bananas para quem quiser
C7-------------------F
Mate para o Paraguai
Não vai
A7 --------------------D7
Ouro do bolso da gente
Não sai
Gm---------- Bbm ---F----- D7
Somos da crise / Se ela vier
------Gm-------- C7------ F
Banana para quem quiser

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Último Desejo

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Desmentindo os que subestimam o seu talento musical, Noel Rosa deixou mais de cem composições em que fez letra e música, das quais cerca de trinta têm melodia de ótima qualidade. Pertencem a esse repertório clássicos como "Palpite Infeliz", "Pela Décima Vez", "Três Apitos", "O 'x' do Problema" e a obra-prima "Último Desejo", que por si só lhe garantiria diploma de melodista.
Nessas composições, mostra como era capaz de criar a música exata para a sua própria poesia, da mesma forma que sabia fazer versos adequados para melodias alheias. "Último Desejo" foi escrita no período final de sua vida. Aliás, só seria passada para a pauta quando ele já se encontrava em seu leito de morte, mal podendo ditar a melodia ao amigo Vadico. É um samba autobiográfico, uma mensagem de despedida à amada Ceci (Juraci Correia de Morais), com quem viveu um atribulado caso sentimental e que lhe inspirou várias composições.
Araci de Almeida
Um belo exemplo de canção popular, ao mesmo tempo simples e requintada, "Último Desejo" dá a impressão de que a carreira de Noel começava a evoluir para uma nova fase, mais elaborada. Sua composição mais conhecida, teve a primeira gravação, realizada por Araci de Almeida, em 01.07.37, sendo o disco lançado em março de 38. Morto em maio de 37, Noel não pôde ouvi-lo. Perdeu-se assim a oportunidade de se conhecer sua opinião, que por certo evitaria a longa polêmica sustentada por Araci e Marília Batista, possuidoras de versões diferentes de "Último Desejo".
Último desejo (samba, 1938) - Noel Rosa
Int.: Fm Cm C# G7 Cm
Fm
Nosso amor que eu não esqueço
G7 Dm5-/7 G7 Cm C7 Cm
E que teve o seu começo numa festa de São João
Gm G#
Morre hoje sem foguete, sem retrato e sem bilhete
Cm C7
Sem luar, sem violão
Fm
Perto de você me calo
G7 C7
Tudo penso e nada falo, tenho medo de chorar
Fm Cm
Nunca mais quero o seu beijo
C# G7 C Am7 Dm7 G7 C
Mas meu último desejo você não pode negar
D7/9 G7
Se alguma pessoa amiga pedir que você lhe diga
C
Se você me quer ou não
Cm Gm G#
Diga que você me adora, que você lamenta e chora
G7 C
A nossa separação
Am7 Dm7
Às pessoas que eu detesto
G7 Gm C7
Diga sempre que eu não presto, que meu lar é o botequim
F7+ Fm C Am7
E que eu arruinei sua vida
D7/9 G7 G# Fm7 C
Que eu não mereço a comida que você pagou pra mim

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Tenha pena de mim

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Freqüentadores do Café Nice faziam, vez por outra, incursões a um tal Clube da Malha, que ficava num barracão no alto do Morro de Mangueira. Lá bebiam e confraternizavam com os boêmios do lugar, formando animadas rodas de samba. Como nessas reuniões bebia-se muito, estava sempre a postos um rapaz, empregado da birosca que reabastecia o grupo. Para isso tinha, a todo o momento, que descer e subir o morro, pois a birosca ficava lá embaixo.
O tal rapaz - que se chamava Valdomiro José da Rocha, mas era conhecido como Babaú - tinha vocação musical e, um dia, aproveitando a presença dos visitantes, mostrou ao compositor Ciro de Souza um esboço de samba de sua autoria. Ao contrário do que acontece geralmente, o samba do principiante era muito bom: "Ai, Ai meu Deus / tenha pena de mim /(...)/ trabalho não tenho nada / não saio do miserê / ai, ai meu Deus/ isso é pra lá de sofrer...".
Araci de Almeida
Então, Ciro (segundo depoimento que realizou para o Arquivo da Cidade do Rio de Janeiro, em 09.08.84) deu uma ajeitada nos versos, acrescentou-lhe uma segunda parte e logo o samba do Babaú estava fazendo sucesso no carnaval, cantado por Araci de Almeida. Tanto sucesso que até provocou um protesto de Sílvio Caldas, inconformado com o fato de Ciro de Souza ter entregue a música a Araci. Uma curiosidade: o nome original do samba era "Ai, Ai Meu Deus", que foi substituído por "Tenha Pena de Mim" por recomendação da censura, que vetava a palavra "Deus" em títulos de canções.

Tenha Pena de Mim (samba, 1938) - Ciro de Souza e Babaú

Ai, ai meu Deus / Tenha pena de mim!
Todos vivem muito bem / Só eu quem vive assim
Trabalho, não tenho nada / Não saio do miserê
Ai, ai meu Deus / Isso é pra lá de sofrer

Sem nunca ter / Nem conhecer felicidade
Sem um afeto / Um carinho ou amizade
Eu vivo tão tristonha / Fingindo-me contente
Tenho feito força / Pra viver honestamente

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Sorris da minha dor

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Sorris da minha dor (valsa, 1938) - Paulo Medeiros
Nelson Gonçalves

------Am------------------------------- B7-- F7-- E7
Sorris da minha dor, mas eu te quero ainda,
--------------------------------------F ----E7
Sentindo-me feliz, sonhando-te mais linda
-------Am-------- Am6 ---------------Em---- B7
Escravo eterno teu farei o que quiseres
--------------------------------------------E7
Tens, para mim, a alma eterna das mulheres
--------Am -----------------------------B7 ---F7 ---E7
No meu jardim viceja a flor da esperança
-------------------------------------------Bb7---- A7
Meu pranto é meu amigo e a minha fé não cansa
------------------------Am6 ---------------Am
Na rima dos meus versos cheios de saudade
----------------------B7----- E7 --------A ---E7/5+---- A
És a flor, que se abriu para o meu amor


-----------------------Gb7 -------------B7------- E7
Aos teus braços, querida, ainda um dia
------------------------------------A
Terei o teu amor e os teus carinhos....
-----------------------------Bm
E os dois aureolados de alegria
-----------------E7 ------------ A----- E7/5+ ----A
Seremos um casal da passarinhos ....
------------------Gb7--------- B7 -------Db7
Tranqüilos e felizes, sonharemos
----------------------------------Gbm -------D
Uma porção de sonhos venturosos ...
---------------------Dm--------- A
E aos beijos de eternal felicidade
Gb7------------------ Bm
Há de ser a nossa vida
-----------E7------------- A--- F--- A
Um roseiral de ansiedades.

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Se acaso você chegasse

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Boêmio e conquistador inveterado, Lupicínio Rodrigues (foto) várias vezes transformou em samba episódios de sua vida sentimental. Assim, por exemplo, "Se Acaso Você Chegasse" é uma espécie de mensagem/sondagem que dirige a um amigo, Heitor Barros, de quem havia tomado a namorada. Lupicínio sabia que agira mal e temia perder o amigo, que muito prezava.
Para evitar o rompimento, procurava convencê-lo de que a amizade dos dois era mais importante do que a mulher infiel ("Será que tinha coragem / de trocar a nossa amizade / por ela que já lhe abandonou..."), ao mesmo tempo em que lhe comunicava um fato consumado ( "eu falo porque essa dona / já mora no meu barraco...") e de difícil reversão ("de dia me lava roupa / de noite me beija a boca / e assim nós vamos vivendo de amor"). A verdade é que o poeta queria ficar com a mulher e o amigo, feito que acabou conseguindo, pois Heitor gostou do samba e perdoou a traição.
Composto em 1936, de improviso, na calçada do Café Colombo, em Porto Alegre, "Se Acaso Você Chegasse" é um dos melhores sambas de todos os tempos. Possui ainda o mérito de ter projetado nacionalmente Lupicínio e Ciro Monteiro, seu intérprete inicial, em 1938, e Elza Soares, em 1959.
Se acaso você chegasse (samba, 1938)
Lupicínio Rodrigues e Felisberto Martins
Ciro Monteiro

G7     C7M          F7
Se acaso você chegasse
C7M F7
No meu chatô encontrasse
Em7 A7
Aquela mulher
Dm7 A7
Que você gostou
Dm7 Dm/C
Será que tinha coragem
G7/B G7/F
De trocar nossa amizade
Dm4/G G7
Por ela que já
C7M Dm4/G G7/13
Lhe abandonou
C7M Gm7
Eu falo porque esta dona
C7/4 C7/13
Já mora no meu barraco
Gm7/9 C7/13
À beira de um regato
F7M/6 C7/13
E um bosque em flor
F7M/6 Fm6
De dia me lava a roupa
Em7 A7
De noite me beija a boca
Dm7 G7 C6/9
E assim nós vamos vivendo de amor

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Periquitinho verde

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Periquitinho Verde (marcha/carnaval, 1938) - Antônio Nássara e José de Sá Róris
Dircinha Batista

----------A ----------Bm-- E7 -----------D-- E7 -----A
Meu periquitinho verde /----- Tire a sorte por favor
-----------------F#7 -------------------Bm
Eu quero resolver / Este caso de amor
----------D --Dm6- A--------- Bm----- E7 -----A
Pois se eu não caso / Neste caso eu vou morrer

-------------------Bm------- E7----------- A
O que eu não quero / É depois de me casar
----------------Bm------------- E7---------- A
Ouvir a filharada / Noite e dia a me amolar
-------------------------------------Bm--------- Dm6
Pois eu juro que não tenho / Paciência de aturar:
--------A------ Bm-- E7 --A
"Mamãe eu quero mamar"

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Pegando Fogo

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Pegando fogo (marcha/carnaval, 1938) - José Maria de Abreu e Francisco Matoso
Bando da Lua


Intro: G/A Bb7+ G/A A G/A A G/A
A7 Bb+ Gm7 G/A

D B7/5+
Meu coração amanheceu pegando
Em7 A7 Em7 A7/5+ D7+
fogo, fogo, fogo

C7/9 B7 Em7 Fº
Foi uma morena que passou perto de mim
Gbm7 B7 E7 A7 D
E que me deixou as......sim - BIS

Gb7 Bm7 G7+ Gbm7 Ebº
Morena boa que passa / Com sua graça
Em7
infernal
C7/9 D Bm7 E7
Mexendo com nossa raça / Deixando a gente
A7
até mal

Gb7 Bm7 G7+ Gb7 Ebº
Mande chamar o bombeiro / Para esse fogo
Em7
apagar
C7/9 D Bm7 E7
E se ele não vem ligeiro / Nem cinzas vai
A7
encontrar

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Touradas em Madri

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Quem foi ao Estádio do Maracanã na tarde de 13.07.50, quando em disputa do Campeonato Mundial de Futebol o Brasil venceu a Espanha por 6 a 1, teve a oportunidade de assistir a um fato emocionante. Empolgado pela exibição da seleção brasileira e sugestionado pelos gritos de "olé" da multidão, um grupo de torcedores começou a cantar - logo após o 4° gol, marcado por Chico aos onze minutos do 2° tempo - a marcha "Touradas em Madri". De repente, como num passe de mágica, a canção contagiou os 200 mil espectadores presentes, levando-os a transformar o espetáculo, que se supunha apenas futebolístico, numa das maiores demonstrações de canto coletivo de que se tem notícia até hoje.
Almirante
Era como se o coro dos torcedores atuasse em contraponto às jogadas dos craques brasileiros, as duas coisas se complementando num mesmo espetáculo.
"Touradas em Madri" foi feita numa época em que, por causa da guerra civil, a Espanha era notícia em toda a imprensa, surgindo daí o tema da composição. É um dos três grandes sucessos de Braguinha no carnaval de 38, ao lado de "Pastorinhas" e "Yes, nós temos bananas".
Touradas em Madri (marcha/carnaval, 1938) - João de Barro
Tom: Em
Em B7 Em B7 D7 G
Pa ra ra ti bum bum bum, Pa ra ra ti bum bum bum...
D7 G D7 B7 Em
Pa ra ra ti bum bum bum, Pa ra ra ti bum bum bum...
B7 Em B7
Pa ra ra ti bum bum bum, Pa ra ra ti bum bum
Em
Eu fui as touradas em Madri,
B7 Em B7
pa ra ra ti bum bum bum, pa ra ra ti bum bum
D7 G B7 Em
E quase não volto mais aqui Pra ver Peri beijar Ceci,
B7 Em B7
Pa ra ra ti bum bum bum, Pa ra ra ti bum bum
E B7
Eu conheci uma espanhola natural da “Catalunha”
F#m B7
Queria que eu tocasse castanhola
Eº E
e pegasse um touro a unha
C#7
Carambas, caracoles, sou do samba, não me amoles
F#m A#º
Pro Brasil eu vou fugir,
E C#m F#7 B7 Em
isso é conversa mole para boi dormir
B7 Em B7 D7 G
Pa ra ra ti bum bum bum, Pa ra ra ti bum bum bum...
D7 G D7
Pa ra ra ti bum bum bum, Pa ra ra ti bum bum

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Pastorinhas

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"Linda Pequena" era uma marchinha despretensiosa, que um dia saiu do anonimato para, repentinamente, tornar-se grande sucesso. A biografia dessa "Cinderela" de nossa música popular começa numa tarde, em fins de 1934, quando Braguinha propõe a Noel Rosa, numa mesa do Café Papagaio: "Noel, vamos fazer uma música com aquele ritmo das pastorinhas que desfilam em Vila Isabel na noite dos Santos Reis?" Proposta aceita, pediram lápis, papel e cafezinho e, em pouco mais de meia hora, compuseram "Linda Pequena", com a participação dos dois tanto na letra como na melodia. Pouco tempo depois, a marcha seria gravada na Odeon por João Petra de Barros.
A matriz de "Linda Pequena", não se sabe por quê, permaneceria então onze meses na "prateleira", para ser lançada em disco em novembro de 35. Não obtendo êxito, a composição chegaria ao final de 37 praticamente desconhecida, ocasião em que Braguinha resolveu lançá-la como reforço à sua produção para o carnaval seguinte. Assim, sem mexer na melodia, mas substituindo duas palavras - "moreninhas" por "pastorinhas" e "pequena" por "pastora" - e o verso "pequena que tens a cor morena" por "morena da cor de Madalena", ele daria como pronta a nova versão que Sílvio Caldas gravou com o título de "Pastorinhas", em 13.12.37. Lançada no mês seguinte, logo começou a disputar a preferência do público com outras músicas, credenciando-se como forte concorrente ao prêmio de melhor marcha do carnaval de 38.
Na noite de sexta-feira, 25.02, véspera do carnaval, realizou-se no auditório da feira de amostras o concurso, promovido pela prefeitura do Rio de Janeiro, que teve o seguinte resultado: marchas - 1°) "Touradas em Madri" (João de Barro e Alberto Ribeiro); 2°) "Pastorinhas"; 3°) "Sereia" (Alvarenga e Ranchinho); sambas - 1°) "Camisa listrada" (Assis Valente); 2°) "Olá, Seu Nicolau" (Paulo Barbosa e Osvaldo Santiago); 3°) "Juro" (Haroldo Lobo e Milton de Oliveira).
Somente por algumas horas, porém, valeria a dupla vitória de João de Barro. Já no domingo os jornais noticiavam a anulação do resultado "em virtude do não comparecimento" (ao julgamento) "do presidente da comissão nomeada no edital...". Na realidade, essa absurda alegação escondia o verdadeiro e não menos absurdo motivo da anulação: o atendimento a um recurso de alguns perdedores, que sustentavam ser "Touradas em Madri" não uma marcha, mas um paso doble, gênero musical estrangeiro, o que a incompatibilizava com o regulamento da competição.
Realizou-se então novo concurso, na tarde de segunda-feira de carnaval (28.02), quando foram eleitas as seguintes composições: marchas - 1°) "Pastorinhas"; 2°) "O Cantar do Galo" (Benedito Lacerda e Darci de Oliveira); 3°) "Ali Babá" (Roberto Roberti e Arlindo Marques Júnior); sambas - 1°) "Juro"; 2°) "Sorrir" (Alcebíades Barcelos e Armando Marçal); 3°) "Camisa Listrada". Estavam portanto "cassados" "Sereia" e "Olá, Seu Nicolau", que nada tinham a ver com a briga e, naturalmente, "Touradas em Madri". Em compensação, premiava-se "Pastorinhas", resgatada do anonimato e consagrada, a partir de então, como um autêntico clássico de nossa música popular.
Mas, a história desse concurso ficaria incompleta se se omitisse o relato de dois episódios ocorridos durante o julgamento final, que dão uma idéia do clima reinante na ocasião. Primeiro, a súbita invasão do recinto por Mário Lago, à frente de numeroso grupo de foliões, cantando "Pastorinhas" e torcendo
Sílvio Caldas
por sua vitória; depois, um desentendimento entre Nássara e Braguinha, entrevero de pesos-pluma, imediatamente apartado pelos colegas Ary Barroso e Roberto Martins.
Nássara, autor (com Sá Roris) de "Periquitinho Verde", concorrente ignorada pela comissão julgadora, provocara Braguinha dizendo que "foi a alma de Noel que ganhou o concurso". Produto da exaltação do momento, o incidente seria logo esquecido pelos contendores, tempos depois parceiros na marcha "Sereia d'areia".
Pastorinhas (marcha/carnaval, 1938) - Noel Rosa e João de Barro
Tom: Em

53-52-63-6
Em E7 Am
A estrela D’alva / No céu desponta
B7
E a lua anda tonta
Em E7
Com tamanho esplendor
Am B7 Em
E as pastorinhas / Pra consolo da lua
Gb7
Vão cantando na rua
B7 E 54-52-64-6
Lindos versos de amor
E
Linda pastora
F° Gbm B7
Morena da cor de Madalena
Gbm B7
Tu não tens pena / De mim
E
Que vivo tonto com o teu olhar
B7 E E7
Linda criança
A Am
Tu não me sais da lembrança
E Db7
Meu coração não se can.....sa
Gb7 B7 E
De sempre, sempre te amar

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Página de Dor

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Página de Dor (valsa, 1938) - Cândido das Neves e Pixinguinha
Orlando Silva

Página de dor / Que faz lembrar
Volver as cinzas / De um amor
Infeliz de quem / Amando alguém
Em vão esconde / Uma paixão

Lágrimas existem / Que rolam na face
Há outras porém / Que rolam no coração
São essas que ao rolar / Nos vem uma recordação
Página de dor / Que faz lembrar
Volver as cinzas / De um amor

O amor que faz sofrer / Que envenena o coração
Para a gente esquecer / Padece tanto
E às vezes tudo em vão / Seja o teu amor o mais
profano delator / Bendigo porque vem do amor
Tendo o pranto amenidade / De aljofrar minha saudade
Glórias tem o pecador no amor

Lágrimas existem (...)

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Não me abandones nunca

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Não me abandones nunca (valsa-canção, 1938) - Joubert de Carvalho
Sílvio Caldas

Sem teu amor / Não sei viver,
Rogo a teus pés: / Não me abandones nunca.
O teu carinho é tudo / Que eu tenho na vida.
É a chama que ilumina / Minh'alma enternecida.

Quem me dera / Que fosses tão minha
Quanto o meu coração / Te pertence
Há nele a ilusão / De cantar
Este amor / Que o embala e o faz sonhar.

Quem me dera / Que te embriagasses
No licor deste anseio / Eu não diria em vão:
Não me abandones nunca. / É teu o meu coração
.

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Nada Além

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No dia 09.07.37, estreava no Teatro Recreio, no Rio de Janeiro, a revista Rumo ao Catete, título que aludia a uma eleição presidencial que Getúlio não deixou acontecer. Além de um elenco de primeira - Araci Cortes, Oscarito, Eva Tudor -, a peça tinha libreto e direção musical de dois grandes compositores, Custódio Mesquita e Mário Lago. Reunindo todos esses valores, "Rumo ao Catete" foi um sucesso, com mais de 300 representações e, de quebra, ainda enriqueceu a música popular com duas belas composições, o fox "Nada Além" e a valsa "Enquanto houver saudade".
Maior sucesso da dupla Lago-Mesquita, "Nada Além" era motivo na peça de um quadro cômico-romântico: um homem de aparência simplória examinava, à porta de uma loja, várias mercadorias que lhe oferecia um vendedor. Vendo que o suposto freguês não se decidia, o vendedor o interpelava: "Afinal, o que deseja o cavalheiro?" ao que o sujeito respondia, cantando: "Nada além, nada além de uma ilusão...".
Orlando Silva
Apesar de aprovarem a interpretação operística dada no palco pelo tenor Armando Nascimento, os autores achavam que as canções se adaptavam melhor a uma voz popular, como a de Orlando Silva, à época no auge da fama. Então Custódio, sempre vaidoso, usou de um expediente para induzi-lo a gravá-las, sem correr o risco de uma rejeição, convidando-o a assistir a peça. E deu certo, pois ao final da sessão o cantor, entusiasmado, exigiu: "Custódio, me dá agora mesmo as partes de piano dessas músicas que eu quero gravá-las, o mais rápido possível". E assim o fez no início de 38.
Nada Além (fox, 1938) - Mário Lago e Custódio Mesquita
 A7M
Nada além
Bbº Bm7 E7
Nada além de uma ilusão
Bm7
Chega bem,
E7 A7M Bbº Bm7 E7
É demais para o meu coração
A/Db
Acreditando em tudo
Bm7
Que o amor mentindo sempre diz
E7
Eu vou vivendo assim feliz
A7M Gb7 Bm7 E7
Na ilusão de ser feliz

A7M
Se o amor
Bbº Bm7 E7
Só nos causa sofrimento e dor
Bm7 E7 Db7 Gb7
É melhor, bem melhor a ilusão do amor
B7
Eu não quero e nem peço

Para o meu coração
Bm E7 A7M (A7M Bb7)
Nada além de uma linda ilusão !

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Na Baixa do Sapateiro

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Ary Barroso conheceu a Bahia em janeiro de 1929, quando integrava como pianista a orquestra de Napoleão Tavares. Conheceu e por ela se apaixonou imediatamente, conforme confessou em entrevista à Manchete em 1962: "Eu me descobri na Bahia. Os seus ritmos, seus candomblés, suas capoeiras, sua gente (...) foram uma revelação para mim. Fiquei de tal modo impressionado que o jeito foi exteriorizar a minha admiração através da música" (figura: Baixa do Sapateiro, anos 40).
E exteriorizou muito bem, exaltando os encantos da Bahia em várias canções como "No Tabuleiro da Baiana", "Faixa de Cetim" e o clássico "Na Baixa do Sapateiro", sua segunda composição mais gravada. Uma velha rua de Salvador, de nome pitoresco (aliás, o nome certo é Baixa dos Sapateiros, sendo oficialmente chamada Rua Dr. J. J. Seabra) inspirou o título do samba, além de servir de cenário a uma historinha romântica, contada na letra, na verdade mero pretexto para falar da Bahia - "Oi, Bahia, ai, ai / Bahia que não me sai do pensamento, ai, ai".
Sílvio Caldas
Gravado por Carmen Miranda, deveria ser por ela cantado no filme "Banana da Terra", o que não aconteceu em razão de um desentendimento do compositor com o produtor Wallace Downey. Em compensação, se tornaria sucesso internacional, com o título de "Bahia", a partir de sua inclusão em outro filme, "Você já foi à Bahia" ( "The three caballeros"), de Disney. Uma medida desse sucesso é a cifra de mais de um milhão de execuções nos Estados Unidos em 1945. Um esclarecimento: a designação "samba-jongo", presente no disco e nas edições iniciais, nada tem a ver com as características da composição. Foi incluída somente por um capricho de Ary, que achava a palavra "instigante"...
Na Baixa do Sapateiro (samba, 1938) - Ary Barroso
    ( C7/9  Gm7 )
Ai amor ai ai
Amor bobagem que a gente não explica ai ai
F7M Bb7/9
Prova um bocadinho oi / Fica envenenado oi
Em7 Eo
E pro resto da vida/ É um tal de sofrer
Dm7 Db7/9
Olará olerê

( C7/9 Gm7
)
Oi Bahia ai ai
Bahia que não me sai do pensamento ai ai
F7M Bb7/9
Faço o meu lamento oi/ Na desesperança oi
Em7
De encontrar nesse mundo
Eo Dm7 Db7/9
O amor que eu perdi na Bahia/ Vou contar

C7M Dbo Dm7 G7
Na Baixa do Sapateiro eu encontrei um dia
C7M A7 Dm7 G7
A morena mais frajola da Bahia
Dm7 G7 C7M
Pedi um beijo não deu / Um abraço / Sorriu
Gbm7 B7 E G7
Pedi a mão não quis dar / Fugiu

C7M Em7
Bahia terra da felicidade
Dm7 A7 Dm7 G7 Em A7
Morena / Ai morena / Eu ando louco de saudade
A7/5M Dm7 Bb7/9 Em7
Meu Senhor do Bonfim / Arranje outra morena
D7/9 Db7/9 C
Igualzinha pra mim

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Meu pranto ninguém vê

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Meu Pranto Ninguém Vê (samba, 1938) - Ataulfo Alves e Zé da Zilda
Orlando Silva

Canto pra fingir alegria
Canto pra esquecer nostalgia
Aquela ingrata é culpada
Do meu sofrer não ter mais fim
E a malvada ainda acha
Que tem o direito de zombar de mim

Faço do verso uma arma
Pra me defender
Tenho meu pinho
Que ajuda a enganar-me o sofrer
Pra ninguém zombar
Pra ninguém sorrir
É só no coração que eu sei chorar
O pranto meu ninguém vê cair

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Meu romance

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Meu Romance (samba, 1938) - J. Cascata
Orlando Silva

Embaixo daquela jaqueira / Que fica lá no alto, majestosa
De onde se avista a turma da Mangueira
Quando se engalana com suas pastoras formosas
Ai, foi lá, quem é que diz / Que o nosso amor nasceu

Na tarde daquele memorável samba / Eu me lembro
Tu estavas de sandália / Com teu vestido de malha
No meio daqueles bambas / Nossos olhares cruzaram
E eu para te fazer a vontade / Tirei fora o colarinho
Passei a ser malandrinho / Nunca mais fui à cidade

Pra gozar do teu carinho / Naquela tranquilidade
E hoje faço parte da turma / No braço trago sempre o paletó
O lenço amarrado no pescoço / Eu já me sinto um outro moço
Com meu chinelo Charlote / E até faço valentia
E tiro samba de harmonia

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Linda borboleta

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Linda Borboleta (valsa, 1938) - João de Barro e Alberto Ribeiro
Carlos Galhardo

Certa manhã
Destas manhãs cheias de luz
Por entre as rosas do jardim
Eu vi passar
Gentil borboleta
De asas azuis
E o seu vôo incerto
Me fez pensar

Que os namorados
Que passeiam por aí
São borboletas que a voar
De flor em flor
Procuram daqui
E procuram dali
Encontrar um novo amor

Voa minha linda borboleta
Voa procurando a ilusão
Voa pois a vida é tão boa
Quando se tem
Um amor no coração

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Errei, erramos

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Errei, erramos (samba, 1938) - Ataulfo Alves
Orlando Silva
Tom: C#m

C#m C#m/B D#7
Eu na verdade
G#7
Indiretamente sou culpado
C#m
Da tua infelicidade
C#m6 G#m
Mas se eu for condenado
D#7 G#7
A tua consciência será meu advogado
C#m C#m/B D#7
Mas evidente...mente
G#7
Eu devia ser encarcerado
C#m C#7
Nas grades do teu coração
F#m F#m6
Porque sou um criminoso
C#m D#7
És também, nota bem
G#7 C#m
Estás na mesma infração
G#7 C#m
Venho ao tribunal da minha consciência
F#m6 G#7 C#7
Como réu confesso pedir clemência
F#m
O meu erro é bem humano
C#m
É um crime que não evitamos
D#7
Este princípio alguém jamais destrói
G#7 C#m
Errei, erramos


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Enquanto houver saudade

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Enquanto Houver Saudade (valsa, 1938) - Custódio Mesquita e Mário Lago
Orlando Silva

Não posso acreditar
Que algumas vezes
Não lembres com vontade de chorar
Daqueles deliciosos quatro meses
Vividos sem sentir e sem pensar

Não posso acreditar
Que hoje não sintas
Saudade dessa história singular
Escrita com as mais suaves tintas
Que existem pra escrever o verbo ama

Enquanto houver saudade
Pensarás em mim
Pois a felicidade
Não se esquece assim
O amor passa mas deixa
Sempre a recordação
De um beijo ou de uma queixa
No coração

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E o mundo não se acabou (samba-choro, 1938) - Assis Valente
Carmen Miranda
A F#m Bm E7 A

F#m
Anunciaram e garantiram
Bm E7 A
que o mundo ia se acabar
A7
Por causa disso,
D
minha gente lá de casa começou a rezar
Bm E7
Até disseram que o sol ia nascer
A
antes da madrugada
C#
Por causa disso, nessa noite
Bm E7 A
lá no morro não se fez batucada

E7 A
Acreditei nessa conversa mole
E7 A
Pensei que o mundo ia se acabar
A7
E fui tratando de me despedir
D
E sem demora fui tratando de aproveitar
Dm
Beijei na boca de quem não devia
A
Peguei na mão de quem não conhecia
F#7 B7
Dancei uma samba em traje de maiô
E7 A
E o tal do mundo não acabou

E7 A
Chamei um gajo com quem não me dava
E7 A
E perdoei a sua ingratidão
A7
E festejando o acontecimento
D
Gastei com ele mais de quinhentão
Dm
Agora eu soube que o gajo
A
Anda dizendo coisa que não se passou
F#7 B7
E vai ter barulho e vai ter confusão
E7 A
Porque o mundo não se acabou

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Caprichos do destino

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Caprichos do destino (valsa, 1938) -
Pedro Caetano e Claudionor Cruz
Orlando Silva

Am -----------Dm------------ E7------------------- Am
Se Deus um dia olhasse a terra e visse o meu estado
-----------------------E7------------------------- Am------ E7
Na certa compreenderia o meu trilhar desesperado
Am -------Dm----------- E7 -----------------Am
E tendo Ele em suas mãos o leme dos destinos
-------------------------Em------- B7------- Dm----- E7
Não deixar-me-ia assim / A cometer desatinos
--------Dm -----------E7-------------- Am
É doloroso mas infelizmente é a verdade
-------------------------E7------------------------ A7
Eu não devia nem sequer / Pensar numa felicidade que não posso ter
---------Dm -------------------------------Am
Mas sinto uma revolta dentro do meu peito
-------------------------------B7 ----E7 -------Am----- E7
É muito triste não se ter direito / Nem de viver
----A --------------------Gb7-------------- Bm
Jamais consegui um sonho ver concretizado
--------------------------E7-------------- Eb°----- A
Por mais modesto e banal, sempre me foi negado
(E) -----A----------------- Gbm -----(B7) -----E -----Db7
---Assim meu Deus francamente devo desistir
-----------------------------Gb7---- B7------------------- E7
Contra os caprichos da sorte ----/---- E não devo insistir
-----(E)----- A--------- Gb7 --------------------B7
Eu quero fugir ao suplício a que estou condenado
--------E7 ---------------------------Eb° -----A
Eu quero deixar esta vida onde fui derrotado
A7
Sou um covarde bem sei
--------------------D ----------------Eb°
Que o direito é levar a cruz até o fim
--------------A-------- (Gb7-- Bm- (E7)- A
Mas não posso é pesada demais para mim.

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Camisa listrada

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Foi pensando em Carmen Miranda, e seu estilo brejeiro e malicioso, que Assis Valente (foto) criou o melhor segmento de sua obra: os 25 sambas e marchinhas que a cantora gravou no período 1933-1940. Figuram nesse repertório alguns de seus maiores sucessos como "Camisa Listrada", um dos sambas preferidos pelos foliões de 1938.
Num flagrante da vida cotidiana, a composição descreve a aventura de um sujeito que aproveita o carnaval para, comportando-se de forma irreverente, libertar-se de suas preocupações. O tal sujeito improvisa uma vestimenta feminina - com uma camisa listrada e um pedaço de cortina servindo de saia - e de "canivete no cinto e pandeiro na mão", sai pelas ruas cantando "Mamãe Eu Quero Mamar".
O curioso é que Assis, muito mais letrista do que compositor, veste esta alegre crônica carnavalesca com uma melodia triste, toda ela no modo menor. Rejeitado pela Victor (que chegou a registrá-lo em disco não lançado, com as Irmãs Pagãs) "Camisa Listrada" permanecia inédito já havia algum tempo, quando Carmen Miranda resolveu gravá-lo, por insistência do compositor, o único que acreditava em seu sucesso.
Carmen Miranda
Em 1938, Carmen Miranda vivia o auge da popularidade, cantando sucessos como "Camisa Listada", "Na Baixa do Sapateiro" e "Boneca de Piche". Parece que ninguém nas editoras e gravadoras da época conhecia a grafia correta da palavra "listrada", pois nas primeiras edições deste samba o título aparece como "Camisa Listada", estendendo-se o erro à própria Carmen, na gravação.
Camisa listrada (samba, 1938) - Assis Valente

Am7                  E7/9-            Am7
Vestiu uma camisa listrada e saiu por aí
A7 Dm
Em vez de tomar chá com torrada ele bebeu Parati
D#° Am
Levava um canivete no cinto e um pandeiro na mão
D#7 Bm5-/7
E sorria quando o povo dizia:
Am7 E7/9-
"sossega leão, sossega leão!"
Am7 E7/9- Am7
Tirou o seu anel de doutor para não dar o que falar
A7
E saiu dizendo eu quero mamar, mamãe eu quero mamar
Cm
Mamãe eu quero mamar
D#° Am7
Levava o canivete no cinto e o pandeiro na mão
D#7 Bm5-/7
E sorria quando o povo dizia:
E7/9- Am7 E7/9-
"sossega leão, sossega leão!"
Am7 E7/9- Am7
Levou meu saco de água quente pra faze chupeta
A7 Dm
Tirou minha cortina de veludo pra fazer uma saia
D#° Am7
Abriu o guarda-roupa e apanhou minha combinação
D#7 Bm5-/7 E7/9-
E até do cabo de vassoura ele fez um estandarte
Am7 E7/9-
para o seu cordão
Am7 E7/9- Am7
E agora que a batucada já vai começando
A7 Dm
Não quero e não consinto meu querido debochar de mim
D#° Am7
Porque se ele pega as minhas coisas vai dar o que falar
D#7 Bm5-/7 E7/9-
Se fantasia de Antonieta e vai dançar no Bola Preta
Am7
Até o sol raiar

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Boneca de Piche

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Boneca de piche (samba, 1938) - Ary Barroso e Luiz Iglésias
Almirante e
Carmen Miranda

Venho danado com meus calo quente
Quase enforcado no meu colarinho
Venho empurrando quase toda a gente, Eh! Eh!
Pra ver meu benzinho. Eh! Eh! Pra ver meu benzinho

Nego tu veio quase num arranco
Cheio de dedo dentro dessas luva
Bem que o ditado diz: nego de branco (Eh! Eh!)
É sinar de chuva. Eh! Eh! É sinar de chuva

Da cor do azeviche, da jaboticaba
Boneca de piche, é tu que me acaba
Sou preto e meu gosto, ninguém me contesta,
Mas há muito branco com pinta na testa

Tem português assim nas minhas água
Que culpa eu tenho de ser boa mulata
Nego se tu borrece minhas mágoa (Eh! Eh!)
Eu te dou a lata. Eh! Eh! Eu te dou lata

Não me farseia ó muié canaia,
Se tu me engana vai haver banzé
Eu te sapeco dois rabo-de-arraia, muié (Eh!, Eh!)
E te piso o pé. Eh! Eh! E te piso o pé

Da cor do azeviche, da jabuticaba
Boneca de piche, sou eu que te acaba
Tu é preto e teu gosto ninguém te contesta
Mas há muito branco com pinta na testa
Sou preto e meu gosto ninguém me contesta
Mas há muito branco com pinta na testa

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Abre a janela

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O samba "Abre a Janela" defende a regalia masculina de "cair na orgia", com direito ao perdão da mulher, passado o carnaval. E o amante folião anuncia e justifica o seu projeto de liberação ao pé da janela da namorada, como se fizesse uma serenata: "Abre a janela formosa mulher / e vem dizer adeus a quem te adora / apesar de te amar / como sempre amei / na hora da orgia eu vou embora". Em seguida, sugere uma solução conciliatória ofertando-lhe em penhor o coração e prometendo voltar para a sua companhia, assim que a orgia terminar...

Ótimo na letra e na melodia, "Abre a Janela" foi o primeiro grande sucesso de Arlindo Marques Jr. e Roberto Roberti, uma boa dupla de autores carnavalescos. Este sucesso seria ajudado ainda pela interpretação de seu lançador Orlando Silva.

Abre a janela (samba, 1938) - Arlindo Marques Jr. e Roberto Roberti

Orlando Silva

-------------G-------- C7 --------G
Abre a janela / Formosa mulher
------------------E---------------- Am -----D7
E vem dizer adeus a quem te adora
-------G7 --------------------------C
Apesar de te amar / Como sempre amei
--------G------- D7 -------------G
Na hora da orgia eu vou embora

-----------Am------------------- D7
Vou partir e tu tens que me dar perdão
------------G
Porque fica contigo o meu coração
-----------G7 --------------------C
Podes crer que acabando a orgia
--------A7 -------------------D7
Voltarei para a tua companhia

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Serra da Boa Esperança

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No início dos anos trinta, Lamartine Babo (foto) correspondeu-se com Nair, uma mineira de Dores de Boa Esperança, a quem dedicou esta canção. Tempos depois, visitando a cidade, ele descobriria que Nair era uma menina, sobrinha de um admirador seu, o dentista Carlos Alves Neto, verdadeiro autor das cartas.
Um inspirado samba-canção, "Serra da Boa Esperança" mostrou-se propício a interpretações renovadoras, especialmente com criativas mudanças harmônicas, como a versão instrumental que lhe deram César Camargo Mariano e Wagner Tiso, em 1983, e a vocal de Eduardo Dusek, em 1984, num reverente resgate.
A composição com 32 compassos (A-B) é desenvolvida sobre um motivo principal, de três notas e suas variações, usado quatro vezes a cada quatro compassos, e que é alterado de modo
Francisco Alves
notável em duas ocasiões: na preparação para o final da primeira parte ("Meu-úl-ti-mo-bem") e no compasso 26 ("Ho-ra-do-adeus-vou-me"), quando em vez de ser repetido, prossegue o movimento descendente direto, um procedimento que volta a ser usado nas oito notas que precedem o arremate.
Com letra e música de Lamartine, "Serra da Boa Esperança" é um exemplo bem expressivo de sua arte, em que o poeta e o compositor se igualam em competência e bom gosto.
Serra da Boa Esperança (samba-canção, 1937) - Lamartine Babo

Dm                                            A7
Serra da Boa Esperança / Esperança que encerra...
Dm A7
No coração do Brasil / Um punhado de terra
Bb C7 F C/E D7
No coração de quem vai . . . / No coração de quem vem
Gm7 C7 F A7
Serra da Boa Esperança / Meu último bem

Dm A7
Parto levando saudades / Saudades deixando
Bb A7 Bb A7
Murchas, caídas na serra / Lá perto de Deus

Gm7 A7 Dm D7
Ò minha serra eis a hora / Do adeus vou-me embora ...
Gm7 Em5-/7 A7 Dm
Deixo a luz do olhar / No teu luar / Adeus ...
Dm A7
Levo na minha cantiga / a imagem da serra
Dm A7
Sei que Jesus não castiga / Um poeta que erra . . .
Bb C7 F C/E D7
Nós os poetas erramos / Porque rimamos também
Gm7 C7 F A7
Os nossos olhos / Nos olhos de alguém que não vem ...
Dm A7
Serra da Boa Esperança / Não tenhas receio
Bb A7 Bb A7
Hei de guardar tua imagem / Com a graça de Deus
Gm7 A7 Dm D7
Ò minha serra eis a hora / Do adeus vou-me embora ...
Gm7 Em5-/7 A7 Dm
Deixo a luz do olhar / No teu luar / Adeus
. . .

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Risoleta

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Risoleta (samba, 1937) - Raul Marques e Moacir Bernardino
Luís Barbosa
Tom: Eb 
Intro: Eb7M Fm Bb7 Eb7M Bb7

Eb7M
Vou mandar prender,
Bb Eb7M
Esta nega Risoleta,
Bb Eb7M
Que me fez uma falseta e me desacatou,
Bb
Porque não lhe dei o meu amor.
G G7
Isto é conversa prá doutor. E ela foi criada,
Cm7
Na roda da malandragem,
F7
Hoje vive com visagem. Sei que com esta nega,
Bb7
Não vou levar a mínima vantagem.

Fm Bb7
E ela quebrou,
Eb7M
O meu chapéu de palhinha,
G G7
De abinha bem curtinha. E também rasgou,
Cm7
O terno melhor que eu tinha
Fm7
Bis - Quem me deu foi a Rosinha. E a camisa de seda,
Gb° Eb7M
Que eu comprei à prestação da mão do Salomão
C#7 C7
(Por preço de ocasião)
Fm
E ainda não paguei,
Bb7 Eb7M Bb7
A primeira prestação>
C#7 C7
(Meus Deus do céu, que confusão!).

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Patativa

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Canção de Vicente Celestino (foto) do gosto declarado de uma considerável faixa da população brasileira por um tipo de música, qualificado em épocas posteriores de cafona, brega ou, indevidamente, de popular romântico.
Musicalmente, o contraste entre o modo menor da primeira parte e o maior da segunda é um expediente de grande efeito nesta área. Contudo, para muitos admiradores de Celestino, "Patativa" é considerada a sua melhor canção.

Patativa (canção, 1937) - Vicente Celestino

-------Em ----------B7----- Em------- E7
Acorda patativa vem cantar
-------Am ---------------------------Em
Relembra as madrugadas que lá vão
------B7----------------------- Em
E faz de tua janela o meu altar
-------Gb7 --------------------B7
Escuta a minha eterna oração
Vicente Celestino

------Em----------- B7-------- Em---- E7
Eu vivo inutilmente a procurar
--------Am---------------------------- Em
Alguém que compreenda o meu amor
-------Am------------------------ Em
E vejo que é destino o meu sofrer
-------------------------Gb7
É padecer não encontrar
---------------B7----------- (Em B7 Em)
Quem compreenda o trovador

---------------E -----------B7-------- E
Eu tenho n’alma um vendaval sem fim
---------------------------------------B7
E uma esperança que hás ter por mim
O mesmo afeto que juravas ter
---------------------------------E
Para que acabe este meu sofrer

--------------------------B7-------- E
Eu sei que juras cruelmente em vão
----------------Db7----------- Gbm
Eu sei que preso tens o coração
---------------Am------------------- E
Eu sei que vives tristemente a ocultar
------------------B7-------------- ( E B7 E)
Que a outro amas sem querer amar

-------Em---------- B7-------- Em
Mulher o teu capricho vencerá
---------Am -----------------Em
E um dia tua loucura findará
-------B7 --------------------------Em
A Deus, a Deus minh’alma entregarei
-----------------Gb7 ----------B7
Se de outro fores juro morrerei

------Em ----------Am--- B7---- Em
Amar que sonho lindo encantador
----------Am --------------------------Em
Mais lindo por quem leal nos tem amor
-----Am --------------------------Em
E tu vens desprezando sem razão
-------------------------------Gb7
A mim que choro e busco em vão
-------------B7-------- Em
O teu ingrato coração

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Não tenho lágrimas

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Lançado em agosto de 37, "Não Tenho Lágrimas" agradou de saída, estendendo seu sucesso ao carnaval seguinte, quando foi um dos sambas vencedores. Segundo se comentou no meio musical da época, este samba teria estribilho de Max Bulhões e segunda parte de Wilson Batista. Mílton de Oliveira entrara no lugar de Wilson por ter conseguido a gravação. Como "indenização", Bulhões teria pagado trinta mil-réis a Wilson.
Igual a tantas outras, esta é apenas mais uma história de venda de samba, que ficou no disse-me-disse, sem comprovação. A verdade, porém, é que "Não Tenho Lágrimas" (também chamado de "Quero Chorar") permaneceu e tornou-se um clássico. Gravado despretensiosamente no original pelo cantor e professor de violão Patrício Teixeira, possui extensa discografia que inclui intérpretes internacionais como Xavier Cugat e Nat "King" Cole.
Patrício Teixeira
Nat o gravou em 1959 no elepê A Mis Amigos, com o título de "Come to Mardi Gras", graças à beleza de sua melodia.
Teoricamente, os últimos quatro compassos do estribilho ("Só porque não sei chorar / eu vivo triste a sofrer" ) parecem um rabicho colado ao tema principal. Na prática, a despeito de aumentarem para vinte os tradicionais 16 compassos, esses últimos quatro compassos são um fecho "tipo breque" de tal originalidade que dispensariam até a segunda parte, menos criativa.

Não tenho lágrimas (samba, 1937) - Max Bulhões e Mílton de Oliveira
          G                 D7                    G
Quero chorar...não tenho lágrimas/ Que me rolem na face
D7 B7 Em
Pra me proteger / Se eu chorasse / Talvez desabafasse
A7 D A7 D7
O que sinto no peito / Eu não posso dizer
G
Só porque não sei chorar / Eu vivo triste a sofrer
 
       D7                          G
Estou certo que o riso não tem nenhum valor
B7 Em
A lágrima sentida é o retrato de uma dor
C D7 G
O destino assim quis / De mim te separar
E7 A7 D7 G
Quero chorar não posso / Vivo a implorar

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Não se sabe com segurança a origem deste tema folclórico, que o pernambucano José Carlos Burle aproveitou. O fato, porém, é que ele seria gravado várias vezes com sucesso, destacando-se as interpretações de Jorge Fernandes e da dupla Sílvio Caldas-Gidinho (em 1937) e, vinte anos depois, a de Inezita Barroso.
Apesar de existir no selo do disco de Fernandes (Columbia n° 8335) a indicação "folclore recolhido na Bahia por O. Cardoso de Menezes e Francisco Pereira", há indícios de que sua origem seja européia, sendo o tema conhecido na Alemanha e na Holanda (teria sido trazido para o Nordeste pelos holandeses?).
Com o título de "Lemon Tree" e acentuações rítmicas adequadas ao gênero country, foi ainda gravado nos Estados Unidos. Existem duas letras para a segunda parte de "Meu Limão, Meu Limoeiro", a primeira provavelmente de Burle e a segunda, de acordo com Inezita Barroso, retirada de quadrinhas populares nordestinas.
Jorge Fernandes
Mas a trajetória da composição não pára por aí, prosseguindo vitoriosamente em 1966, quando Wilson Simonal, instigado pelo jornalista Sérgio Porto, regravou-a numa versão adaptada ao estilo "pilantragem", que o consagrara. Essa versão, em síntese, juntava uma roupagem dançante criada pelo cantor Chris Montez para os clássicos americanos, muito em voga na ocasião, a alterações melódicas que incluíam especialmente blue notes. Tal versão conquistou o público jovem, que sequer conhecia a melodia e a divisão originais.

Meu Limão, Meu Limoeiro (samba-sertanejo, 1937)
- Tema popular (abaixo a versão cantada por Sílvio Caldas e Gidinho)

---------D7+-----A7----D7+--A7---D7+ ---D#º--Em7/9
Meu limão meu limoeiro, / Meu pé de Jacarandá,

A7/13--- Em7/9 --A7/13-- Em7/9 ---A7/13 --Em7/9 --A7/13-- D7+ A7
Uma-- vez,--- tindo--- lelê, /--- --- Outra--- vez,--- tindo------ lalá.

Morena, minha morena / Corpo de linha torcida
Queira Deus você não seja / A perdição da minha vida.

Quem tem amores não dorme / Nem de noite nem de dia,
Dá tantas voltas na cama, / Como peixe n'agua fria.

A folhinha do Alecrim, / Cheira mais quando pisada,
Há muita gente que é assim, / Quer mais bem, se desprezada
.

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Mamãe eu quero

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Jararaca, um dos componentes da extraordinária dupla Jararaca e Ratinho, costumava participar dos carnavais em que misturava comicidade, malícia e non sense. Dessa sobreviveu "Mamãe Eu Quero", uma das marchinhas mais cantadas em todos os tempos. Este imprevisível sucesso, porém, só seria gravado depois de muita insistência de Jararaca e quase como uma brincadeira (a gravação na época era barata), sob a responsabilidade de Vicente Paiva, que ganhou a parceria de presente.
Na gravação, realizada em 17 de dezembro de 36, aconteceram coisas não programadas como, por exemplo, o curioso prólogo em que Almirante dialoga de improviso com Jararaca. Tal diálogo foi acrescentado para alongar o tempo de gravação, que na tomada inicial havia ficado muito curto. Outra curiosidade foi a presença do casal Ciro Monteiro e Odete Amaral, além do citado Almirante, no coro. Já o conjunto que acompanhou era formado por Vicente Paiva (piano), Luís Americano (clarinete), José Alves (banjo), Canhoto (cavaquinho), Carlos Lentini e Nei Orestes (violões) e Russo do Pandeiro.
Mas, voltando à composição, "Mamãe Eu Quero" tem um estribilho de uma simplicidade mágica, que se tornou um verdadeiro hino à folia. Além de gravada por inúmeros artistas brasileiros (Sílvio Caldas, Pixinguinha, Wilson Simonal), a marchinha ganhou o âmbito internacional, sob o título de "I Want My Mama", através de Carmen Miranda que a lançou no filme "Serenata Tropical" (1940). Ainda no exterior foi gravada por Bing Crosby e pelas Andrews Sisters, entre outros, e apresentada em filmes de Mickey Rooney e Jerry Lewis.
A explicação para o êxito de "Mamãe Eu Quero" não pode ser encontrada apenas na pureza da melodia, elaborada com as notas básicas de uma seqüência de acordes primários. Como "Jingle Bells" ou "Happy Birthday" ela tem um toque de ingenuidade óbvia na letra e na música, que não parecem ter sido criadas por um mortal qualquer. Mas, em contraste, tem também (como em quase tudo que Jararaca fez) o tal toque de malícia, presente na voz do adulto pedindo para mamar. No fundo, Jararaca assume na música popular o mesmo significado de um autor desconhecido, como se sua música pertencesse ao folclore, o que é uma glória raramente atingida.

Mamãe Eu Quero (marcha/carnaval, 1937) - Jararaca e Vicente Paiva

Carmen Miranda e
Bando da Lua

----------------D
Mamãe eu quero... / Mamãe eu quero...
-------------------------A7
Mamãe eu quero mamar...
Dá a chupeta... / Dá a chupeta...
-----------------------------------D
Dá a chupeta pro bebê não chorar! (bis)

--------------------------------A7
Dorme filhinho do meu coração!
---------------------------------------------------D
Pega a mamadeira e vem entrar pro meu cordão...
---------------------D7---------------- G
Eu tenho uma irmã que se chama Ana!
-----------------D ---------A7----------- D
De piscar o olho..../ Já ficou sem pestana!

--------------------------------------A7
Olho as pequenas / Mas daquele jeito
---------------------------------------------D
Tenho muita pena / Não ser criança de peito
--------------------D7------------ G
Eu tenho uma irmã que é fenomenal
--------------D --------A7------- D
Ela é da bossa e o marido é boçal

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Mais uma valsa, mais uma saudade (valsa, 1937) -
Lamartine Babo e José Maria de Abreu
Carlos Galhardo

-----D -----------------------------
Mais uma valsa / Mais uma saudade
----------D------- Eb°----- A7
De alguém que não me quis
Em---------------------------- Bb7 ---A7------- Em ---A7/5+---- D
Vivo cantando a sós pela cidade /------- Fingindo---- ser---- feliz

D7 -----------------------------G-------- E7
Fiz das lembranças uma coleção nem sei
----------------------------------Em------ A7
Quantas palavras no meu coração gravei
-----D -------------------------C7--- B7
Mais uma valsa / Mais uma saudade
-------Em----------- A7 ---------D
Saudade que nos vem de alguém

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Lig-lig-lig-lé

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Lig-lig-lig-lé (marcha/carnaval, 1937) - Paulo Barbosa e Osvaldo Santiago
Castro Barbosa

------Cm
Lá vem o seu China
Na ponta do pé
Lig lig lig lig lig lig lé!
---------------------Bb
Dez tões, vinte pratos
------Ab ------G7
Banana e café
Fm/Ab------- G7--- Cm
Lig lig lig lig lig lig lé!

--------C
Chinês
-----------------------C#º ------G7
Come somente uma vez por mês
Não vai / Mais à Xangai
--------------------C
Buscar a Butterfly
------F
Aqui, com a morena
F#º C
Fez a sua fé
C/E- Ebº Dm G7 Cm
Lig lig li.....g lé!

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Lábios que beijei

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É em 1937 que Orlando Silva Orlando Silva se impõe como cantor, igualando-se aos maiores rivais. Para isso, concorre decisivamente sua gravação de "Lábios que Beijei", valsa de enorme sucesso num ano pródigo no gênero.
Orlando Silva
O disco que tinha na outra face o samba Um juramento falso, a composição jamais encontrou outro intérprete tão perfeito quanto Orlando, então com 22 anos. É tamanha sua integração na história-ação, que se poderia simbolicamente considerá-lo parceiro na autoria de Cascata e Azevedo. Aliás, essa dupla deve boa parte de seu êxito a que lançou várias de suas músicas. O disco inicial de "Lábios que Beijei” com arranjo de Radamés Gnattali, destacando o naipe de cordas, movendo esse tipo de orquestração, que se tornaria a partir de então obrigatória na gravação do repertório romântico brasileiro.
Lábios que beijei (valsa, 1937) - J. Cascata e Leonel Azevedo
  D           G7          D               B7
Lábios que beijei / Mãos que afaguei
Em A7 D A7
Numa noite de luar, assim,
D E7 A Gb7
O mar na solidão bramia / E o vento a soluçar, pedia
Bm E7 A7
Que fosses sincera para mim.
   D     G7        D                   B7
Nada tu ouviste / E logo que partiste
Em A7 D7
Para os braços de outro amor.
G Ab0 D B7
Eu fiquei chorando / Minha mágoa cantando
Em A7 D Gb7
Sou estátua perenal da dor.
 Bm          B7                  Em
Passo os dias soluçando com meu pinho
Gbm
Carpindo a minha dor, sozinho
Bm
Sem esperanças de vê-la jamais
           Bm6             Gbm
Deus tem compaixão deste infeliz
Db7
Porque sofrer assim
Em Gb7
Compadei-vos dos meus ais.
Bm Em
Tua imagem permanece imaculada
Gb7 Bm
Em minha retina cansada / De chorar por teu amor.
  Em                     Bm
Lábios que beijei / Mãos que afaguei
G7 Gb7 Bm
Volta! dá lenitivo à minha dor.

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Um juramento falso

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Um juramento falso (samba, 1937) - J. Cascata e Leonel Azevedo
Nelson Gonçalves

Tom: E

E7 A7
Um juramento falso /
D
Faz a gente sofrer
Db7
Um sorriso fingido /
Gbm
Dos lábios d’uma mulher
G Gm
Quando se tem amizade /
D B7
Sofre-se dor de verdade
E7 A7 D D/Gb F°
Sempre com os olhos fitos na felicidade.

Em A7 D
E duro, é triste, é cruel / A dor de uma saudade
Gb7 B7
Quando se teve nas mãos / A felicidade
(Bb7) (Bb7) D
Foi um sonho que feneceu / Foi mais outra quimera
B7 E7
Que se desfez / Eu já fiz um juramento
A7
E não amo outra vez.

Em A7 D
Eu que sempre acreditei / Na possibilidade
Gb7 B7
De ver passar este amor / Para a eternidade
(Bb7) (Bb7) D
Quanto fui tolo, confesso / Isso é conto de fada
E7 A7
É tapiação / O amor nunca existiu / É interesse é ilusão

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Faustina

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Faustina (samba-choro, 1937) - Gadé
Almirante

------------Am
Xiii…Faustina
E7 -----------------Am
Faustina, corre aqui depressa,
E7 --------------A7
Olha quem está no portão.
Dm
É minha sogra com as malas
--------B7------------------------- E7----- Am
Ela vem resolvida a morar no porão.

-------E7------------ A7-------------------- Dm
Vai ser o diabo, vamos ter sururu com o vizinho.
-----------------Am
Não estou prá isto, eu vou dar o fora,
---------B7---------------- E7------- Am
Decididamente, eu vou morar sozinho.
Bis

-------G -----------G7 -----------C7M
É minha sogra, mas tenha paciência.
---------B7 --------------------------Am
Não há quem possa com essa jararaca.
---------Dm ----------Eb° ------Em7 ---Am
Meu sogro foi de maca prá assistên_cia,
------------D7--------------------- G
Com o corpo todo retalhado à faca.


----G7 ----------------C7M
Mas comigo é diferente,
--0-------B7 -------------------Am
Não tenho medo desta cara feia,
-----Dm ------------Eb°------- Em7 ---Am
Pego a pistola e desperdiço um pen_te,
D7------------------- G----------- C
Ela descansa e eu vou prá cadeia.
E7 Am A7 Dm Dm Am B7 E7 Am

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Eu dei

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Eu dei (marcha/carnaval, 1937) - Ary Barroso
Carmen Miranda

Tom: D  Intr.: G G#° D B7 Em7 A7 D

D Em
Eu dei
O que foi que você deu meu bem
Eu dei
Guarde um pouco para mim também
D D7
Não sei, se você fala por falar sem meditar
G
Eu dei
Diga logo, diga logo, é demais
A7 D B7
Não digo
Em7 A7 D
E adivinhe se é capaz
Em
Você deu seu coração
Não dei, não dei
D
Sem nenhuma condição
D C# C
Não dei, não dei
B7 Em
O meu coração não tem dono
Gm D B7 Em A7 D
Vive sozinho, coitadinho, no abandono
D Em
Eu dei
O que foi que você deu meu bem
Eu dei
Guarde um pouco para mim também
D D7
Não sei, se você fala por falar sem meditar
G
Eu dei
Diga logo, diga logo, é demais
A7 D B7
Não digo
Em7 A7 D
E adivinhe se é capaz
Em
Foi um terno e longo beijo
Se foi, se foi
D
Desses beijos que eu desejo
D C# C
Pois foi, pois foi
B7 Em
Guarde para mim unzinho
Gm D B7 Em A7 D
Que mais tarde pagarei com jurinhos
D Em
Eu dei
O que foi que você deu meu bem
Eu dei
Guarde um pouco para mim também
D D7
Não sei, se você fala por falar sem meditar
G
Eu dei
Diga logo, diga logo, é demais
A7 D B7
Não digo
Em7 A7 D
E adivinhe se é capaz

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E o destino desfolhou

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E o destino desfolhou (valsa, 1937) - Mário Rossi e Gastão Lamounier
Carlos Galhardo
Am
O nosso amor traduzia
E7
Felicidade, afeição
E7/G#
Suprema glória que um dia
E7 Am
Tive ao alcance da mão


Mas veio um dia o ciúme
A7 A/G Dm/F Dm
E o nosso amor se acabou
Bm7/5- E7 Am
Deixando em tudo o perfume
E7 Am
Da saudade que ficou

E7 E7/G# Am Am/E
Eu te vi a chorar
E7 E7/G# Am A7
Vi seu pranto em silêncio correr
Dm Am
E parti a cantar
E7 Am
Sem pensar que doía esquecer

E7 E7/G# Am Am/E
Mas depois veio a dor
E7 E7/G# Am A7
Sofro tanto e esta valsa não diz
Dm Am
Meu amor, de nós dois
E7 Am
Eu não sei qual é o mais infeliz.

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Como vaes Você

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Como vaes você (marcha/carnaval, 1937) - Ary Barroso
Carmen Miranda


Como "vaes" você?
-----------------C
– Vou navegando
----------------G7
Vou temperando
Pra baixo todo santo ajuda
-----------------------------C----- C7
Pra cima a coisa toda muda

------F---- Fm--- C
No mar desta vida
---------------Dm
Vou navegando
------G7 ---------A7
E vou temperando
-------------Dm--------- D#º
O céu às vezes é tão claro
---------------C------- A7
Outras escuro
------------------D7
Claro é o passado
---------G7------ C
Escuro é o futuro

----F-------------- Fm----C
Hoje, eu estou convencida
-------------Dm------- G7 -----A7
Que o segredo principal da vida
------------------Dm
Consiste em não forçar
--------D#º -------C------ A7
Em nada a natureza
-----------------D7
Que o resto vem
--------------------G7 ------C
Mas vem, que é uma beleza

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Coração Materno

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Todo o romantismo dramático, exacerbado, que caracteriza o estilo Vicente Celestino está em "Coração Materno", composição baseada numa lenda de mais de quinhentos anos, segundo o autor. Secular ou não, o fato é que a tal lenda inspirou a mais trágica (se levada a sério) ou mais ridícula canção de nossa música popular (na foto: Vicente Celestino).
Uma canção sobre as desventuras de um sujeito que mata a própria mãe e lhe extrai o coração, para oferecê-lo a namorada, que assim o exige como prova de sua paixão... E quando volta correndo para completar a missão junto à amada, o desastrado matricida tropeça e cai, quebrando a perna. Nesse momento, o coração materno salta-lhe da mão e, rolando pelo chão, exclama: "Magoou-se, pobre filho meu? / vem buscar-me que ainda sou teu...". Pois esta inacreditável canção impressionou e comoveu os fãs de Vicente Celestino, constituindo-se em um de seus maiores e mais duradouros sucessos.
Em 1968, "Coração Materno" foi utilizado com grande repercussão por Caetano Veloso, no disco Tropicália, simbolizando o culto ao cafona. Em flagrante contraponto à versão patética de Vicente,