domingo, 9 de abril de 2006

Aloysio de Oliveira


Aloysio de Oliveira, produtor, cantor e compositor, nasceu no Rio de Janeiro RJ em 30/12/1914 e faleceu em Los Angeles, EUA, em 20/02/1995. Ainda adolescente fez parte do conjunto vocal e instrumental Bando da Lua. Em 1931 o conjunto estreou em disco na Brunswick, com dois sambas de Mazinho e Maércio, Que tal a vida?, cantado por Castro Barbosa, e Tá de mona, cantado por ele.

Dentista formado sem nunca ter exercido a profissão, viajou com os companheiros para os EUA, em 1939, acompanhando Carmen Miranda. Nos EUA começou a trabalhar com Walt Disney em trilhas sonoras como consultor, narrador de documentários e dublador de desenhos, como Alô, amigos (Saludos amigos), de 1943, no qual cantou Aquarela do Brasil (Ary Barroso).

Foi assessor técnico de vários filmes cujo tema era o Brasil. Fazia também programas radiofônicos, transmitidos semanalmente de Los Angeles para o Brasil, apresentando entrevistas com astros do cinema (programa Fala Hollywood) e concertos sinfônicos (programa Hollywood Bowl). Além de seus trabalhos no cinema e no rádio, dirigiu o Bando da Lua em nova fase, iniciada em 1949, até a dissolução do grupo em 1955, com a morte de Carmen Miranda.

Depois de 17 anos nos EUA, voltou ao Brasil em 1956, assumindo o cargo de diretor-artístico da Odeon, no Rio de Janeiro. Trabalhou também no programa Se a Lua Contasse, ao lado de Aurora Miranda e Vadico, na Rádio Mayrink Veiga.

Em 1959 foi responsável pelo lançamento, na Odeon, do LP Chega de saudade, de João Gilberto, tido como um dos criadores da bossa nova. Em 1960 deixou a Odeon para trabalhar na Philips onde permaneceu cerca de oito meses. No ano seguinte produziu os shows Skindô, com Sílvia Telles, Odete Lara, Trio Yrakitan, Moacir Franco e outros, e Tio Samba com Chocolate, Trio Maraiá, José Tobias, entre outros.

Participou da comitiva de brasileiros que se apresentou no Festival de Bossa Nova, no Carnegie Hall, em New York, EUA., em 1962. Ainda nos EUA, em 1963, casou com Sílvia Telles, cantora que teve vários discos produzidos por ele. Nesse mesmo ano fundou, no Brasil, a gravadora Elenco, que abrigou os integrantes da bossa nova vindos da Odeon.

Em 1968, ano de extinção da Elenco, os direitos sobre o catálogo da gravadora foram vendidos à Polygram que reeditou 23 títulos remasterizados, com notas bilíngues sobre os artistas e detalhes da gravação. No mesmo ano voltou aos EUA., onde produziu discos de artistas brasileiros na Warner Bros.

Regressando ao Brasil, em 1972, trabalhou durante três meses na Rede Globo, foi produtor na RCA Victor e Som Livre. Compôs várias músicas em parceria com Tom Jobim, por volta de 1960: Dindi, Eu preciso de você, Demais, De você eu gosto, Samba torto, Inútil paisagem, Só tinha de ser com você. Em 1983 publicou livro de memórias, De banda pra lua, pela Editora Record.

Veja também:



Fonte: Enciclopédia da Música Brasileira - Art Editora e Publifolha

Tom Jobim


A soma do grande talento com a formação musical erudita fizeram de Antônio Carlos Jobim mais que um compositor brasileiro reconhecido internacionalmente. Pianista, maestro e arranjador, compôs canções ao mesmo tempo sofisticadas e acessíveis ao gosto popular. Ao lado de João Gilberto e Vinícius de Moraes, foi um dos criadores da bossa nova.

Antônio Carlos Brasileiro de Almeida Jobim, também conhecido como Tom Jobim, nasceu no Rio de Janeiro RJ em 25 de janeiro de 1927. Desde a infância viveu em Ipanema e já tocava violão quando, aos 13 anos, interessou-se pelo piano. Foi aluno de Lúcia Branco, uma das melhores professoras de música da cidade em sua época, e, a partir de 1941, do alemão Hans-Joachim Koellreutter, mestre de muitos compositores eruditos brasileiros.

Em 1946 iniciou o curso de arquitetura, mas abandonou a carreira para dedicar-se à música. Tocou em casas noturnas e no estúdio da gravadora Continental, onde também foi arranjador e conviveu de perto com o maestro e compositor Radamés Gnatalli.

Seu primeiro sucesso como compositor foi uma parceria com Billy Blanco, Teresa da praia, gravada em 1954 por Lúcio Alves e Dick Farney. Dois anos depois, Vinícius de Moraes pediu a Tom para musicar sua peça Orfeu da Conceição, logo depois adaptada para o cinema pelo francês Marcel Camus. Nasceram assim clássicos da música popular brasileira, como Se todos fossem iguais a você e A felicidade, esta última composta para o filme.

Tom Jobim foi diretor artístico da gravadora Odeon até 1958, ano em que Elizeth Cardoso gravou várias de suas canções com Vinícius no disco Canção do amor demais, marco na história da música no Brasil. Em 1959, com o lançamento do disco Chega de saudade, de João Gilberto, Tom ficou conhecido como um dos principais compositores da bossa nova. As faixas de maior sucesso do disco foram, além da canção-título, Desafinado (1958) e Samba de uma nota só (1960), compostas com Newton Mendonça e que se tomaram a base da sólida carreira internacional do "maestro da bossa nova", introdutor de arranjos que renovaram as estruturas tradicionais da música popular brasileira.

Em novembro de 1962, Tom apresentou-se no Festival de Bossa Nova, no Carnegie Hall, em Nova York, com outros músicos brasileiros. No ano seguinte gravou um disco com o saxofonista Stan Getz e, em 1967, com Frank Sinatra. Em 1968, Sabiá, de Tom e Chico Buarque, venceu o Festival Internacional da Canção.

Nas décadas seguintes, Tom teve canções interpretadas por grandes nomes como Ella Fitzgerald e Elis Regina, musicou filmes e produções para televisão. Tom teve muitos parceiros musicais, entre os quais Dolores Duran (Por causa de você) e Aloysio de Oliveira (Dindi), mas a parceria com Vinícius foi das mais prolíficas e gerou sucessos como Chega de saudade (1958), Eu sei que vou te amar (1958) e Ela é carioca (1963), além de Garota de Ipanema, que chegou a figurar entre as dez canções mais executadas em todo o mundo. Também compôs sozinho alguns clássicos e na maioria deles revela seu amor ao Rio de Janeiro, como em Corcovado (1960), Samba do avião (1963) e Lígia (1973).

Letrista e compositor refinado, autor de inúmeras canções inspiradas na natureza, como Wave (1969), Águas de março (1972) e Passarim, a partir de Urubu, de 1976, Tom Jobim passou a fazer arranjos mais complexos, repletos de efeitos orquestrais. Da década de 1980 em diante, os temas de suas composições voltaram-se cada vez mais para a riqueza da natureza brasileira. Antônio Carlos Jobim morreu em 8 de dezembro de 1994, em Nova York.

Algumas músicas




Obra completa

Acho que sim (c/Billy Blanco), samba, 1961; Adeus (c/Robert Mazoier), 1964; Água de beber (c/Vinícius de Morais), 1961; Águas de março, 1972; Ai quem me dera (c/Marino Pinto), 1981; Un altro addio (c/Vinícius de Morais e Sérgio Bardotti), 1991; Amor em paz, 1960; Amor sem adeus (c/Luís Bonfá), 1960; O amor só traz tristeza (c/Vinícius de Morais), s.d.; Ana Luiza, 1973; Andam dizendo (c/Vinícius de Morais), 1962; Andorinha, 1970; Ângela, 1970; Anos dourados (c/Chico Buarque), 1986; Antigua, 1967; Arpoador (dBilly Blanco), 1954, Arquitetura de morar, 1976; Ataque dos jagunços, 1983; Aula de matemática (c/Marino Pinto), 1958; Bangzália (c/Chico Buarque), 1985; O barbinha branca (c/Luis Bonfá), 1956; Bate-boca (c/Chico Buarque), 1997; Batidinha, 1967; Batucada, s.d.; Bebei, 1987; Berceuse (c/Robert Mazoier), 1964; Blusa vermelha (Red Blouse), 1967; Bonita, 1964; Borzeguim, 1981; Boto (c/Jararaca), 1976; Brasília, sinfonia da alvorada (c/Vinícius de Morais), 1961; Brazilian, s.d.; Brigas (Podes voltar) (c/Newton Mendonça), 1958; Brigas nunca mais (c/Vinícius de Morais), 1959; A cachorrinha (c/Vinícius de Morais), s.d.; Cai a tarde, 1959; Cala meu amor, 1958; Caminho da mata, 1983; Caminho de pedra (c/Vinícius de Morais), 1958; Caminhos cruzados (c/Newton Mendonça), 1958; Caminhos sem fim (c/Vinícius de Morais), s.d.; Canção da eterna despedida (c/Vinícius de Morais), 1959; Canção de amor e paz(c/Vinícius de Morais), 1967; Canção do amor demais (c/Vinícius de Morais), 1958; Canção em modo menor (Coração em prece) (c/Vinícius de Morais), 1962; Canta, canta mais (c/Vinícius de Morais), 1959; Canto da Bahia (dRobert Mazoier), 1964; Captam Bacardi, 1967; Caribe, 1970; Carta do Tom (c/Chico Buarque, Toquinho e Vinícius de Morais), s.d.; Casório, 1983; Cavaleiro monge (c/Fernando Pessoa), 1985; Um certo Capitão Rodrigo (c/Ronaldo Bastos), 1985; Chanson pour Micheile, 1985; Chansong, 1987; Chega de saudade (c/Vinícius de Morais), 1958; A chegada dos candangos (Vinícius de Morais), 1961; Chegada dos retirantes, 1983; Children’s game, 1970; Chora, coração (c/Vinícius de Morais), 1973; Choro, 1970; Choro complicado, s.d.; Choro em lá maior, s.d.; Chovendo na roseira, 1971; A chuva caiu (c/Luís Bonfá), 1956; Cidadão da Gávea (c/Vinícius de Morais), 1980; Coffee deiight, 1958; Coisas do dia (Sete horas) (c/Billy Blanco), samba, 1954; Copacabana (c/Billy Blanco), 1954; Coral (c/Vinícius de Morais), 1961; Corcovado, 1960; Correnteza, 1973; Crônica da casa assassinada, 1973; Dax rides, s.d.; De você, eu gosto (c/Aluísio de Oliveira), 1959; Dedinho de prosa (Tiquinho de amor), s.d.; Demais (c/Aluísio de Oliveira), 1959; Derradeira primavera (c/Vinícius de Morais), 1962; Desafinado (c/Newton Mendonça), 1958; Descendo o morro (c/Billy Blanco), 1954; Deus e o diabo na terra do sol, 1970; O dia que você gostar de mim, 1986; Diálogo, 1967; Dindi (c/Aluísio de Oliveira), 1959; Dinheiro em penca (c/Cacaso), 1979; Discussão (c/Newton Mendonça), 1958; Domingo azul do mar (c/Newton Mendonça), s.d.; Domingo sincopado, 1956; Double Rainbow(c/Gene Lees), 1974; The Dreamer, s.d.; E o amor já chegou (c/Paulo Soledade), s.d.; É preciso dizer adeus (c/Vinícius de Morais), 1958; Ela é carioca (c/Vinícius de Morais), 1963; Engano (c/Luís Bonfá), 1964; Entre a cruz e a caldeirinha, s.d.; Espelho das águas, 1981; Esperança perdida (c/Billy Blanco), 1955; Esquecendo você, 1959; Estamos aí (c/Chico Buarque), 1977; Este seu olhar, 1959; Estrada branca (c/Vinícius de Morais), 1958; Estrada do sol (c/Dolores Duran), 1958; Eu e o meu amor (c/Vinícius de Morais), 1956; Eu não existo sem você (c/Vinícius de Morais), 1957; Eu preciso de você (C/Aluisio de Oliveira), 1959; Eu quero (C/Billy Blanco), s.d.; Eu sei que vou te amar (c/Vinícius de Morais), 1959; Eu te amo (c/Chico Buarque), 1980; Exaltação ao amor (c/Vinícius de Morais), s.d.; Fala, meu amor (c/Vinícius de Morais), 1967; Falando de amor, 1979; O fantasminha Pluft, s.d.; Favela (c/Vinícius de Morais), 1963; Faz uma semana (c/João Stockler), 1953; A felicidade (c/Vinícius de Morais), 1959; Fim de romance (c/Alcides de Sousa Fernandes), s.d.; Flor do mato, 1981; Foi a noite (c/Newton Mendonça), 1956; Foi você (c/Alcides de Sousa Fernandes), s.d.; Forever Green (c/Paulo Jobim), 1994; Fotografia, 1959; Frase perdida (c/Marino Pinto), 1957; Frevo (c/Vinícius de Morais), 1959; Frevo de Orfeu (c/Vinícius de Morais), 1996; Gabriela, 1987; Garota de Ipanema (c/Vinícius de Morais), 1960; Garoto, 1959; Gracioso, 1959; O grande amor (c/Vinícius de Morais), 1960; Hino ao sol (c/Billy Blanco), 1954; O homem (c/Vinícius Morais), 1961; lf You Ever Come to Me (c/Ray Gilbert), 1967; Ilhéus (c/Vinícius de Morais), 1983; Imagina (c/Chico Buarque), 1983; Impossível (c/Alcides Fernandes), s.d.; Incerteza (c/Newton Mendonça) 1953; Insensatez (cNinícius de Morais), 1960; Inútil paisagem (c/Aluísio de Oliveira), 1963; Io ao che ti amero (c/Vinícius de Morais e Sergio Bardotti), 1991; Isto eu não faço, 1960; I Was Just One More for You (c/Billy Blanco e Ray Gilbert), 1994; Janelas abertas (c/Vinícius de Morais), 1958; Jangada de vela, s.d.; O jardim abandonado, 1973; Lamento (c/Vinícius de Morais), 1964; Lamento no morro (c/Vinícius de Morais) 1956; Lá no meu sertão tem um riacho, s.d.; Latin Manhattan, 1958; Latino (c/Mïchael Frank), s.d.; Lenda (em memória de Jorge Jobim), s.d.; Lígia, 1972; El lobo (God and the Devil in the Land of the Sun), 1970; Longe é o céu, sd.; Luar e batucada (c/Newton Mendonça), 1957; Luciana (c/Vinícius de Morais), 1958; Luísa, 1981; Mágoa (c/Marino Pinto), 1958; O mar (c/Billy Blanco), 1954; Maria da Graça (c/Vinícius de Morais), 1958; Maria e dia (c/Paulo Jobim e Ronaldo Bastos), 1981; Maria orgulhosa, s.d.; Marina del rey, 1980; Matei-me no trabalho (c/Billy Blanco), 1954; Matita perê (c/Paulo Cesar Pinheiro), 1973; Meditação (c/Newton Mendonça), 1959; Meninos, eu vi (c/Chico Buarque), 1983; Meu amigo Radamés, 1994; Meu mundo é você (c/Aloísio de Oliveira) 1983; Milagre de Maria (c/Robert Mazoier), 1964; Milagre e palhaços, 1973; Modinha (c/Vinícius de Morais), 1958; Mojave, 1967; A montanha (c/Billy Blanco), 1954; Monólogo de Orfeu (c/Vinícius de Morais), 1956; Moonlight Daiquiri, 1958; O morro (c/Billy Blanco), 1954; O morro não tem vez (c/Vinícius de Morais), 1963; Morte de Orfeu (Macumba) (c/Vinícius de Morais), 1956; Mulher sempre mulher (c/Vinícius de Morais), 1956; Na hora do adeus (c/Vinícius de Morais), 1960; Nas horas mortas (c/Billy Bianco), s.d.; Na solidão da noite, ad. ; Não devo sonhar (c/Helena Jobim), 1956; Não fui só eu (c/Paulo Soledade), s.d.; Noites do Rio (c/Billy Blanco), 1954; Um nome de mulher (c/Vinícius de Morais), 1957; No More Blues (c/Vinícius de Morais e Jessei Hendricks), 1962; O nosso amor (c/Vinícius de Morais), 1959; Nuvens douradas, 1973; O que tinha de ser (c/Vinícius de Morais), 1959; O que vai ser de mim, 1955; Oficina, 1980; Olha, Maria (Amparo) (c/Chico Buarque e Vinícius de Morais), 1970; Olha pro céu (Longe é o céu), 1960; Onde andará o amor? (c/Vinícius de Morais), s.d.; Orfeu da Conceição (Overture) (c/Vinícius de Morais), 1956; Origens, 1983; Outra vez, 1954; Para não sofrer, 1963; Passarim, 1985; Pato preto, 1989; Paulo vôo livre (A lenda dos homens- asa), 1995; Pé grande (Sonho desfeito) (c/Armando Cavalcanti e Paulo Soledade), 1956; Pelos caminhos da vida (c/Vinícius de Morais), 1959; Pensando em você, 1953; Pensando na vida, 1983; O pequeno príncipe, 1957; Perdido nos teus olhos (c/Newton Mendonça), 1959; Piano na Mangueira (c/Chico Buarque), 1992; Pista de grama, s.d.; O planalto deserto (c/Vinícius de Morais), 1961; Pois é (Dedicação) (c/Chico Buarque), 1970; Pollo game, s.d.; Por causa de você (c/Dolores Durán), 1957; Por onde andará o amor (Quem numa tarde triste andou procurando), s.d.; Por toda a minha vida (c/Vinícius de Morais), 1959; Porto das caixas, s.d.; Pra fora, s.d.; Pra mode chatear, 1984; Pra não sofrer, 1963; Praia branca (c/Vinícius de Morais), 1958; As praias desertas, 1958; Preciso de você, s.d.; Promessas (c/Newton Mendonça), 1983; Pulando carniça, 1983; Quando o amor é o amor, s.d.; Quando é noite de luar (c/Newton Mendonça), s.d.; Que é que vai ser de mim, 1954; Quebra pedra (Stone Flower), 1970; A queda, 1967; Querida, 1991; Radamés y Pelé, 1994; Rancho nas nuvens, 1973; Remember, 1970; Retrato em branco e preto (c/Chico Buarque), 1968; O rio da minha aldeia (c/Fernando Pessoa), 1985; Rio de Janeiro (c/Billy Blanco), 1955; Rockanália, 1970; Rodrigo, meu capitão (c/Ronaldo Bastos), 1985; Sabiá (c/Chico Buarque), 1968; Samba Belo Horizonte (c/Vinícius de Morais), s.d.; O samba de amanhã (c/Billy Blanco), 1954; Samba de Maria Luísa, 1994; Samba de uma nota só (c/Newton Mendonça), 1959; Samba do avião, 1962; Samba do grande amor (c/Chico Buarque), 1983; Samba levanta poeira, s.d.; Samba não é brinquedo (d/Luís Bonfá), 1956; Samba para Ari e Caymmi, s.d.; Samba torto (c/Aluísio de Oliveira), 1960; Sambinha bossa nova, 1970; São Paulo, s.d.; Saudade (Vai, conta a ela toda a verdade), s.d.; Saudade do Brasil, 1974; Se é por falta de adeus (c/Dolores Durán), 1955; Se todos fossem iguais a você (c/Vinícius de Morais), 1957, Sem você (c/Vinícius de Morais), 1959; Senhora Dona Bibiana (c/Ronaldo Bastos), 1985; Sinfonia do Rio de Janeiro (c/Billy Bianco), 1954; Só danço samba (c/Vinícius de Morais), 1962; Só em teus braços, 1959; Só saudade (c/Newton Mendonça), 1956; Só tinha de ser com você (c/Aluísio de Oliveira), 1964; Sol, sal, céu (c/Billy Bianco), s.d.; Solidão (c/Alcides Fernandes), 1954; Somewhere in the Hills (c/Ray Gilbert), 1994; Soneto da separação (c/Vinícius de Morais), 1959; Sonho desfeito (c/Marino Pinto), 1956; Spanish Varanda, 1980; Sucedeu assim (c/Marino Pinto), 1957; Sue Ann, 1970; Surfboard, 1964, Takatanga, 1970; Tema de amor de Gabriela, 1980; Tema Jazz, 1970; Tema novo, s.d.; Tema para Ana, 1995; Tempo de amar (c/Paulo Soledade), só.; Tempo do mar, 1973; Teresa da praia (c/Billy Blanco), 1954; Teresa, meu amor, 1970; Teu castigo (c/Newton Mendonça), 1956; This Happy Madness (c/Vinícius de Morais e Ray Gilbert), 1971; Tide, 1970; Toda tristeza guardo comigo, sd.; O trabalho e a construção (c/Vinícius de Morais), 1961; Treck, 1970; Trem de ferro (c/Manoel Bandeira), 1986; Trem para Cordisburgo, 1973; Triste, 1967; Turma do funil (c/Chico Buarque), 1979; Two Kites, 1980; A valsa, s.d.; Valsa das rosas, s.d.; Valsa do amor de nós dois (c/Vinícius de Morais), 1962; Valsa do Porto das Caixas, 1964; Valsa romântica, s.d.; Velho riacho, 1962; Vem viver ao meu lado (c/Alcides de Sousa Fernandes), 1956; Vida bela (c/Vinícius de Morais), 1958; A violeira (c/Chico Buarque), 1983; Vivo sonhando, 1963; Você pra mim foi um sonho (c/Newton Mendonça), s.d., Você vai ver (c/Ana Jobim), 1980; Wave (Vou te contar), 1960; Zíngaro, 1965; Zona Sul (c/Billy Blanco), 1954.

Veja também:



Fontes: MPB Compositores - Editora Globo; Enciclopédia da Música Brasileira - Art Editora e Publifolha, SP, 1998.

Nelson Cavaquinho

A mãe chamava-se Maria Paula da Silva. O pai, Brás Antônio da Silva. No dia 29 de outubro de 1911, nasceu o filho Nelson, que, em virtude das difíceis condições financeiras da família, mudou várias vezes de casa até fixar-se por algum tempo na Lapa, antes de ir para a Gávea, já na adolescência.

O ambiente da Lapa mostrou o clima da boêmia. Na Gávea, conheceu rodas de choro, o que definiria seu destino, ao entrar em contato com o instrumento do qual tomaria o nome, o cavaquinho. A perícia dos músicos fascinava o menino Nelson. Começou a ter aulas com o violonista Juca, que lhe ensinou os rudimentos, mas jamais conseguiu corrigir sua forma de tocar, beliscando as cordas com dois dedos.

Ao tempo que aprendia música, Nelson enveredava pela boêmia. Arranjou emprego, mas, ao invés de trabalhar, ia se encontrar com Eduardinho, Romualdo Miranda e Luperce Miranda. Vê-los e ouvi-los tocar era sua felicidade. Animado com o talento de Nelson, um jardineiro português, que gostava muito de choro, deu-lhe de presente seu primeiro cavaquinho. Com 20 anos, foi obrigado a se casar com Alice. Para garantir o sustento, o pai, Brás, falsificou a idade para 21 e arrumou para ele ser cavalariano da Polícia Militar. Mas, como policial, Nelson continuaria a ser ótimo boêmio.

Destacado para dar serviço no morro da Mangueira, fez amizade com Cartola, Carlos Cachaça, Zé da Zilda e outros. Amarrava o cavalo no pé do morro, subia para rodas de samba e só retornava pela manhã. Em uma delas não encontrou o cavalo, que, soltando-se, voltou para o quartel. Mais uma prisão para o já compositor Nelson Cavaquinho, que aproveitava a tranqüilidade da cela para ali compor seus sambas. Antes da expulsão, pediu baixa em 1938, ano em que seu casamento com Alice chegou ao fim. Finalmente livre, Nelson foi viver do que mais gostava: música.

Seu primeiro samba gravado foi Não faça vontade a ela, por Alcides Gerardi. Ciro Monteiro gravou alguns outros, sem muito êxito. Vagando de bar em bar, principalmente na praça Tiradentes, vendia sambas por uns trocados, compondo cada vez mais, já tendo substituído o cavaquinho pelo violão. Em 1961, freqüenta o Zicartola, onde se apresenta com regularidade. "Descoberto" pela nova geração, Nelson teve os sambas gravados com sucesso por Nara Leão (Pranto de poeta) e Elizeth Cardoso (Luz negra e A flor e o espinho).

Em 1971, grava o primeiro disco solo e vira atração do show Noitada de Samba, às segundas-feiras, no Rio de Janeiro. No ano seguinte, mais um LP e, em 1974, o terceiro, em dueto com o mais importante parceiro, Guilherme de Brito: A flor e o espinho, Se eu sorrir, Quando eu me chamar saudade, Pranto de poeta, entre outras.

Com mais de 600 músicas e outras centenas vendidas, sempre compondo de madrugada, acompanhado de cerveja ou cachaça. Nelson continuou assim até perto do final. Nos últimos tempos, já não bebia e pouco fumava. A morte foi sua obsessão e grande inspiradora. O encontro entre os dois aconteceu em 18 de fevereiro de 1986. Aos 74 anos, Nelson Cavaquinho passou a se chamar saudade.

Algumas músicas



Fontes: MPB Compositores - Nelson Cavaquinho - Editora Globo, 1996; Enciclopédia da Música Brasileira - Art Editora e Publifolha, SP, 1998.

Newton Mendonça

Newton Mendonça
Newton Mendonça (Newton Ferreira de Mendonça), compositor e instrumentista, nasceu no Rio de Janeiro RJ em 14/2/1927 e faleceu em 11/11/1960. Cursou o Colégio Militar. Apresentou-se como pianista em inúmeros clubes noturnos de Copacabana, Rio de Janeiro, entre os quais Ma Griffe, Dominó, Boate das Canoas, La Bohème.

Em 1953, Dora Lopes gravou na Sinter sua composição Você morreu pra mim (com Fernando Lobo). Em parceria com Tom Jobim, compôs alguns grandes sucessos da bossa nova, como Foi a noite, 1956, lançado por Sylvia Telles, na Odeon, no ano seguinte; Só saudade, 1957; Desafinado, gravado por João Gilberto, na Odeon, em 1958; Discussão, Meditação e Samba de uma nota só, pelo mesmo cantor e etiqueta, dois anos depois. Na Copacabana, gravou o LP Em cada amor uma canção.

Morreu de ataque cardíaco, quando atuava na boate Carrossel, no chamado beco do Joga a Chave, e julgava-se incompreendido por seus ouvintes e parceiros. Deixou uma obra pequena, mas de grande importância para o movimento bossa nova, do qual pode ser considerado um dos iniciadores.

Obras

Caminhos cruzados (c/Tom Jobim), 1958; Canção do pescador, canção, s.d.; Desafinado (c/Tom Jobim), 1958; Discussão (c/Tom Jobim), samba, 1960; Foi a noite (c/Tom Jobim), 1956; Incerteza (c/Tom Jobim), samba, 1953; Meditação (c/Tom Jobim), samba-canção, 1960; Samba de uma nota só (c/Tom Jobim), samba, 1960.

Veja também:



Fonte: Enciclopédia da Música Brasileira - Art Editora e Publifolha, SP, 1998.

Monsueto

Monsueto
Monsueto (Monsueto Campos Meneses), compositor, cantor e instrumentista, nasceu no Rio de Janeiro RJ em 4/11/1924 e faleceu em 17/2/1973. Criado na favela do morro do Pinto, entre partideiros, rodas de samba e batucadas, tocou como baterista em vários conjuntos na década de 1940, inclusive na Orquestra de Copinha, no Copacabana Palace Hotel.

Seu primeiro sucesso como compositor foi Me deixa em paz (com Aírton Amorim), gravado por Linda Batista no Carnaval de 1952. Depois dessa gravação, teve várias músicas de sua autoria incluídas no show Fantasia, fantasias, do Copacabana Palace Hotel.

Em 1953 compôs A fonte secou (com Raul Moreno e Marcleo), um de seus sambas de maior sucesso, seguido de outro grande êxito, no ano seguinte, com Mora na filosofia (com Arnaldo Passos). Atuou ainda no cinema, trabalhando no filme Treze cadeiras (direção de Franz Eichhorn), em 1957. No ano seguinte, participou como cantor em números musicais de Na corda bamba (direção de Eurides Ramos) e, como compositor em O cantor milionário (direção de José Carlos Burle) e, no mesmo ano, no filme Quem roubou meu samba? (direção de José Carlos Burle).

Atuou em vários shows com Herivelto Martins antes de formar seu próprio grupo, com o qual excursionou pelo Brasil e outros paises da América, Europa e África. Era conhecido também pelo apelido de Comandante, com o qual foi muito popular na década de 1960, época em que participava de um programa humorístico na TV-Rio. Nesse programa lançou expressões de gíria que passaram à linguagem popular, como "castiga", "vou botar pra jambrar", "diz", "ziriguidum", "mora" e outras.

A partir de 1965 começou a dedicar-se também à pintura primitivista, tendo, inclusive, recebido prêmio do Museu Nacional de Belas Artes, do Rio de Janeiro. Sem se ter filiado a nenhuma escola de samba, era bem recebido e respeitado em todas elas, desfilando cada ano em uma diferente. A última, em 1972, foi a Unidos de Vila Isabel. No ano seguinte, participava das filmagens de O forte (direção de Olney São Paulo), na Bahia, em que fazia o papel de um diretor de harmonia de escola de samba, quando ficou doente e foi hospitalizado no Rio de Janeiro, onde morreu vítima de câncer no fígado.

A importância de sua música, caracterizada por uma letra de versos sintéticos, voltou a ser reconhecida pouco antes de morrer, em 1972, a partir das regravações de suas composições, como Me deixa em paz, por Milton Nascimento e Alaíde Costa, no LP Clube da esquina, da Odeon; Mora na filosofia, por Caetano Veloso, no LP Transa, da Philips; e, no ano seguinte, Eu quero essa mulher (com José Batista), também por Caetano Veloso, no LP Araçá azul, na Philips.

Outras composições suas de destaque são Na casa de corongondó (com Arnaldo Passos), Couro do falecido (com Jorge de Castro), O lamento da lavadeira (com Nilo Chagas e J. Vieira Filho), Levou fermento (com José Batista), Tá pra acontecer (com José Batista e Ivan Campos) e Ziriguidum.

Algumas músicas


Obras

Eu quero essa mulher (c/José Batista), samba, 1961; A fonte secou (c/Raul Moreno e Mardeo), samba, 1953; O lamento da lavadeira (c/Nilo Chagas e J. Vieira Filho), samba, 1953; Me deixa em paz (c/Aírton Amorim), samba, 1952; Mora na filosofia (c/Arnaldo Passos), samba, 1954; Ziriguidum, samba, 1961.


Fonte: Enciclopédia da Música Brasileira - Art Editora e Publifolha.

Mirabeau

Mirabeau (Mirabeau Pinheiro), compositor e instrumentista, nasceu em Alegre ES em 31/07/1924 e faleceu em Niterói RJ, em 07/10/1991. Ainda criança, mudou-se para Niterói, onde aprendeu o ofício de alfaiate. Filho de músico, herdou do pai a vocação artística, logo começando a compor, ao mesmo tempo em que atuava como baterista em conjuntos de boate.

No início da década de 1950, conheceu a cantora Carmen Costa, que gravou 33 músicas de sua autoria. Foi por intermédio da voz dela que se tornou conhecido, alcançando o auge de sua carreira no período de 1953 a 1956.

Obras

Cachaça (com L. de Castro e Heber Lobato), marcha, 1953; Fala Mangueira (com Milton de Oliveira), samba, 1956; Jarro da saudade (com Daniel Barbosa e Geraldo Blota), samba, 1956; A morena sou eu (com Milton de Oliveira), samba, 1955; Obsessão (com Milton de Oliveira), samba, 1956; Quase (com Jorge Gonçalves), samba, 1954; Tem nego bebo aí (com Aírton Amorim), marcha, 1955; Turma do funil (com Milton de Oliveira e Urgel de Castro), marcha, 1956.

Algumas músicas



Fonte: Enciclopédia da Música Brasileira - Art Editora e Publifolha.

Mário Reis

Mário Reis (Mário da Silveira Reis), cantor, nasceu no Rio de Janeiro RJ em 31/12/1907 e faleceu em 4/10/1981. Filho de um comerciante sócio de uma casa de ferragens, de boa situação financeira, passou a infância no bairro carioca da Tijuca, cursando o primário e o secundário no Instituto Lafayette, e aos 15 anos jogava como meia-direita na equipe juvenil do América Futebol Clube.

Começou a estudar violão com Carlos Lentine, e em 1926, ano em que entrou para a Faculdade de Direito da rua do Catete, conheceu Sinhô na loja A Guitarra de Prata. Passou a tomar aulas de violão com o compositor, e este, impressionado com a interpretação que o aluno dava a seus sambas, convidou-o a tentar uma gravação.

Em agosto de 1928 a Odeon lançou seu primeiro disco, com Que vale a nota sem o carinho da mulher? e Carinhos de vovô (ambas de Sinhô); acompanhado ao violão pelo autor e por Donga, obteve grande êxito: a interpretação brejeira e ritmada do novo intérprete contrastava com a dos demais cantores da época, geralmente influenciados pelo bel-canto operístico. Contratado pela Odeon, gravou outras músicas de Sinhô: Sabiá e Deus nos livre dos castigos das mulheres, e, em seguida, Jura e Gosto que me enrosco, disco este que bateu recordes de vendagem na época.

Em 1929 lançou o samba Vou à Penha, a primeira composição gravada de Ary Barroso, seu colega de faculdade, e ainda desconhecido como autor. Em 1 ° de agosto do mesmo ano estreou no rádio, cantando o samba Vamos deixar de intimidade (Ary Barroso), na Rádio Sociedade. Mais tarde atuou na Rádio Clube e no famoso Programa Casé.

Em 1930 formou, com o cantor Francisco Alves, uma dupla responsável por 12 discos, dos quais o primeiro foi Deixa essa mulher chorar (Brancura) e Quá, quá, quá (Lauro dos Santos). O êxito alcançado provocou o surgimento de várias duplas de cantores no cenário da música popular da época. Formado em direito em 1930, não chegou a advogar, trabalhando como fiscal de jogo a partir de 1933.

Em 1931, visitando São Paulo SP, gravou na Columbia um 78 rpm com o pseudônimo de C. Mendonça, por ser contratado exclusivo da Odeon. O disco, número de série 22.031, é hoje um exemplar raro. Nesse ano, ao lado de Francisco Alves, Carmen Miranda, Luperce Miranda, Tute e os dançarinos Nestor Figueiredo e Célia Zenatti, excursionou a Buenos Aires, Argentina. Ainda em 1932 deixou a Odeon, gravando na Columbia dois discos, com músicas de Noel Rosa: Filosofia (com André Filho), Vejo amanhecer, Na esquina da vida (com Francisco Matoso) e Meu barracão.

Logo transferiu-se para a Victor, onde, para o Carnaval de 1933, gravou dois dos maiores sucessos de sua carreira, a marcha Linda morena e o samba A tua vida é um segredo (ambos de Lamartine Babo), que o acompanhou na gravação, cantando. Do mesmo autor lançou ainda, entre outras, a marcha junina Chegou a hora da fogueira, gravada em dupla com Carmen Miranda, em 1933. Atuando na Rádio Mayrink Veiga a partir desse ano, lançou Agora é cinza, o grande sucesso da dupla de compositores Bide e Marçal e Alô, alô (André Filho), em dueto com Carmen Miranda, ambos para o carnaval de 1934.

Ainda em 1934 gravou com Carmen Miranda, para as festas juninas, Isto é lá com Santo Antônio (Lamartine Babo). Em 1935 e 1936 interpretou sucessos carnavalescos nos filmes musicais Alô, alô Brasil e Estudantes, ambos de Wallace Downey, e Alô, alô, Carnaval, de Ademar Gonzaga, todos produzidos pela Waldow-Cinédia.

Retornando à Odeon em fins de 1935, de seus nove discos lançados, obteve sucesso apenas com a marcha Cadê Mimi? (João de Barro e Alberto Ribeiro). Seu prestígio começou a declinar em parte por sua aversão a entrevistas, fotografias e aparições em público. Aceitou o cargo de oficial de gabinete da prefeitura do então Distrito Federal e abandonou a vida artística, aparecendo esporadicamente no cenário musical.

Em 1939, no show beneficente Joujoux et balangandans, apresentado no Teatro Municipal, interpretou o samba Voltei a cantar e a marcha Joujoux et balangandans (ambos de Lamartine Babo). Depois de gravar essas músicas, e mais quatro discos na Columbia, afastou-se novamente da vida artística.

Só retornou em 1951, pela Continental, com um álbum de três discos de 78 rpm, nos quais relançou antigos sucessos de Sinhô, além de outro disco para o Carnaval de 1952, com a marcha Flor tropical (Ary Barroso) e o samba Saudade do samba (Paulo Soledade e Fernando Lobo). Deixou gravados 82 discos em 78 rpm, com 161 músicas, quase que exclusivamente sambas e marchas.

Residindo desde 1957 no Copacabana Palace Hotel, aceitou convite de Aloysio de Oliveira, em 1960, para gravar na Odeon o LP Mário Reis canta suas criações em Hi-Fi. Em 1967 a gravadora Elenco lançou o LP O melhor do samba, no qual aparece como intérprete, ao lado de Billy Blanco, Araci de Almeida e Ciro Monteiro.

Em 1971 a Odeon lançou novo LP seu, com antigos sucessos, e ainda A banda (Chico Buarque). Como a censura, nesse LP proibisse o samba Bolsa de amores (Chico Buarque), exigiu que a faixa destinada à música saísse em branco. A gravação só foi lançada em 1993, no CD Mário Reis canta suas criações em Hi-Fi.

Algumas interpretações



Fonte: Enciclopédia da Música Brasileira - Art Editora e Publifolha.

Miguel Gustavo


Miguel Gustavo (Miguel Gustavo Werneck de Souza Martins), compositor, jornalista, poeta e radialista nasceu no Rio de Janeiro RJ, em 24 de março de 1922 e faleceu em 22 de janeiro de 1972 aos 50 anos de idade. Era um cronista musical. Retratava em suas músicas o que de mais importante estava acontecendo nos meios sociais da época.

Começou como discotecário da Rádio Vera Cruz em 1941. Mais tarde passou a escrever programas de rádio.

Em 1950 começou a compor jingles tendo se notabilizado nesta atividade com vários jingles de grande repercussão podendo ser destacado o que foi composto para as Casas da Banha com aproveitamento da melodia de Jesus, alegria dos homens de Johann Sebastian Bach.

Sua primeira música gravada foi Primeiro amor, interpretada por Luiz de Carvalho, Os Tocantins e Dilu Mello em gravação Continental lançada em julho/agosto de 1946. Em 23 de setembro de 1947, Ataulfo Alves gravou na Victor o samba O que é que eu vou dizer em casa, de sua autoria e Miguel Gustavo. Foi seu primeiro sucesso musical.

Em 1952 voltou a fazer sucesso com A valsa da vovozinha composta em parceria com Juanita Castilho e Edmundo de Souza e gravada por Carlos Galhardo. Ainda neste ano compôs com Celestino Silveira, seu companheiro de Rádio Globo, as canções relacionadas com Portugal: Trigueirinha e Pregões de Portugal, escritas após uma viagem de Celestino Silveira àquele país amigo.

Em 1953 voltou a fazer sucesso com É sempre o papai, um baião de sua autoria que Zezé Gonzaga gravou na Sinter. Em 1955 teve início o ciclo de crítica ao Café Soçaite onde ele procurava ridicularizar os personagens que freqüentavam as colunas sociais de Jacinto de Thormes e Ibrahim Sued. Depois veio o ciclo da Brigitte Bardot onde ele declarava em música a sua admiração pela linda artista francesa. No carnaval criticou as fanzocas de rádio, o presidente J.K. e satirizou a Dona Gegé, o Chacrinha e outros programas de rádio ou televisão.

Mais tarde veio o ciclo dos sambas de breque com Moreira da Silva: O conto do pintor, O rei do gatilho, O último dos Moicanos, O sequestro de Ringo, O rei do cangaço e Morengueira contra 007. Para a Copa de futebol de 1970, no México, ele criou o extraordinário Pra frente Brasil ao participar de um concurso organizado pelos patrocinadores das transmissões dos jogos.

O sucesso foi tanto que no carnaval do ano seguinte a música figurou entre as mais cantadas e até hoje é lembrada com carinho pela torcida brasileira. Mas ele tem letras magníficas em marchas e sambas maravilhosos cantados por Elizeth Cardoso (Partido baixo do partido alto e Achados e perdidos); Dircinha Batista (Carnaval prá valer); Jorge Veiga (Independência ou morte); Carminha Mascarenhas (Per omnia saecula saeculorum); Isaura Garcia (O samba do crioulo); Araci de Almeida (Conselho inútil, E dai ?...) e muitos outros.

Algumas músicas



Fonte: Enciclopédia da Música Brasileira - Art Editora e PubliFolha.

Luiz Reis

Luiz Reis
Luiz Reis (Luiz Abdenago dos Reis), instrumentista e compositor nasceu em São Luís MA em 31/3/1926 e faleceu no Rio de Janeiro RJ em 9/2/1980. Mudou-se com a família para o Rio de Janeiro aos seis anos, aprendendo de ouvido a tocar piano, violão, bateria e pandeiro.

Aos 17 anos, transferindo-se para Belo Horizonte MG, começou a atuar como pandeirista no conjunto Dazinho. Aproveitava as folgas do pianista para treinar e acabou por substituí-lo efetivamente. Passou depois para o conjunto Zé do Pistom, tocando em cabarés e escolas de danças, até que, em 1944, retornou ao Rio de Janeiro, onde foi contratado como pianista do programa Hora do Guri, na Rádio Mauá.

Paralelamente, começou a trabalhar como redator em vários jornais e, em 1950, foi para a Última Hora, do Rio de Janeiro, aí conhecendo o compositor Nássara. Sem deixar o jornalismo, dois anos depois passou a tocar na boate Tasca, onde também era pianista Tom Jobim, integrando, a partir de 1956, o conjunto de Bené Nunes, que deixou três anos mais tarde.

Em 1960 formou seu próprio quarteto, atuando na Casa da Praia, e compôs sua primeira música, Projeção (com Haroldo Barbosa). No mesmo ano, teve sua primeira composição gravada, Alô, brotos (com Haroldo Barbosa), por Sônia Delfino, na Philips. Ainda nessa época compôs, também com Haroldo Barbosa, vários sucessos, como Notícia de jornal, Nossos momentos, Tudo é magnífico e Palhaçada, este o maior êxito da dupla, lançado por Miltinho, na RGE.

Em 1962 gravou seu primeiro LP como solista, o Samba de balanço, na Philips, e, três anos depois, com João Roberto Kelly, Samba a quatro mãos, pela RCA. Em 1968 classificou seu samba O craque do tamborim (com Nássara) e a marcha Zé do surdo (com Etmar Vieira de Andrade), no II Concurso de Músicas de Carnaval, da Secretaria de Turismo da Guanabara. Teve como principais parceiros Haroldo Barbosa, Nássara e Luís Antônio.

Suas composições foram gravadas principalmente por Elizeth Cardoso e Miltinho, obtendo este grande sucesso com Só vou de mulher, Devagar com a louça e Meu nome é ninguém (com Haroldo Barbosa), além de Palhaçada. Tocou em shows e boates, compôs jingles e música para filmes, como Poema dos sonhos (com Luís Antônio), da trilha sonora de Onde a terra começa (direção de Rui Santos).

Algumas músicas


Fonte: Enciclopédia da Música Brasileira - Art Editora e Publifolha, SP, 1998.

Luiz Bonfá


Luiz Bonfá (Luiz Floriano Bonfá), instrumentista, compositor e cantor nasceu no Rio de Janeiro RJ em 17/10/1922. O pai tocava violão, instrumento que começou também a aprender aos 12 anos, de ouvido. Mais tarde, tornou-se aluno do maestro uruguaio Isaías Savio, iniciou-se em música clássica e fez parte da orquestra de violões organizada pelo maestro.

Num concurso para selecionar os seis melhores violonistas no programa Hora do Guri, de Tia Chiquinha, na Rádio Tupi, do Rio de Janeiro, classificou-se em terceiro lugar, executando uma peça do espanhol Francisco Tárrega (1852-1909). Mudou-se para São Paulo SP, onde passou a se interessar por música popular.

Estreou profissionalmente em 1945 como solista de violão e vocalista do Trio Campesino, que se apresentou com sucesso nos cassinos da ilha Porchat, de Santos SP, e de Icaraí, em Niterói RJ. Em 1946 entrou para a Rádio Nacional, do Rio de Janeiro, levado por Garoto, ao lado de quem tocava no programa Clube da Bossa e de quem assimilou grande parte da harmonia moderna.

Nesse ano realizou para a Continental sua primeira gravação, Uma prece e Pescaria em Paquetá (ambas de sua autoria). No mesmo ano, passou a fazer parte do conjunto Quitandinha Serenaders, ao lado de Luís Teles, Francisco Pacheco e Alberto Ruschell. Com a dissolução dos Quitandinha Serenaders, em 1952, passou a atuar sozinho como solista de violão.

Em 1953, Dick Farney gravou suas composições, entre as quais Ranchinho de palha, Perdido de amor, Sem esse céu e Canção do vaqueiro. Foi o violonista na gravação das músicas da peça Orfeu da Conceição, de Vinícius de Moraes, feita em 1956 pela Odeon.

Excursionou pelos E.U.A., em 1956 e em 1959, com a cantora Mary Martin, gravando LPs na etiqueta Atlantic, com elogios da crítica norte-americana pelo seu virtuosismo. A partir de então aderiu à bossa nova, tendo participado do festival realizado no Carnegie Hall, em New York, EUA, em novembro de 1962. Voltou aos EUA para morar durante dois anos - de 1964 a 1966 -, apresentando-se em programas de televisão e em shows em boates, acompanhado da esposa e por vezes parceira, Maria Helena Toledo.

Escreveu músicas para diversos filmes, entre os quais Orfeu do Carnaval (direção de Marcel Camus, 1959), Chico Viola não morreu (direção de Román Vignoly Barreto, 1955) e Os cafajestes (direção de Rui Guerra, 1962).

Suas composições de maior sucesso são De cigarro em cigarro, samba gravado por Nora Ney em 1953; A chuva caiu (com Tom Jobim), toada gravada em 1955 por Ângela Maria; Samba do Orfeu e Manhã de Carnaval (ambas com Antônio Maria), para o filme Orfeu do Carnaval. Esta última, cuja primeira gravação foi de Agostinho dos Santos, tornou-se grande êxito mundial e sua composição mais conhecida, tendo sido regravada em vários países. Classificou, em terceiro lugar, a composição Dia das rosas (com Maria Helena Toledo), no I FIC, da TV-Rio, Rio de Janeiro, em interpretação da cantora Maysa. No II FIC, da TV Globo, em 1967, apresentou Vem comigo cantar e Amada canta (ambas com Maria Helena Toledo).

A partir de 1967, vivendo nos E.U.A., associou-se a Eumir Deodato e voltou-se inteiramente para o jazz. Gravou, entre outros, The new face of Luís Bonfá (1970) e Introspection (1972), este considerado um clássico do violão solo nos E.U.A. Nesta mesma época, participou, com Dom Um Romão, do disco The movie song album de Tony Bennett. Em 1997, a cantora Ithamara Koorax lançou Almost in love/ The Luís Bonfá Songbook, CD dedicado à obra do violonista e compositor, que toca violão em 12 faixas do disco. Ainda em 1997, a canção Correnteza, na voz de Djavan, foi sucesso da novela O Rei do Gado, da TV Globo.

Algumas músicas


Veja também



Fonte: Enciclopédia da Música Brasileira - Art Editora e Publifolha.

Jair Amorim

Jair Amorim (Jair Pedrinha de Carvalho Amorim), compositor e jornalista, nasceu em Santa Leopoldina ES, em 18/7/1915 e faleceu em São José dos Campos SP, no dia 15/10/1993. Cursou o primário em Colatina ES e o ginasial em Petrópolis RJ, no internato do Colégio São Vicente de Paula, onde, aos 13 anos, já escrevia versos em português para músicas estrangeiras. Dois anos depois, com a morte do pai, foi obrigado a abandonar os estudos e trabalhar.

No Diário da Manhã, de Vitória ES, foi revisor, paginador, cronista social, crítico teatral e de cinema, passando depois para o diário capixaba A Gazeta, onde assinava a coluna social.

Em 1940, convidado para dirigir a Rádio Clube do Espírito Santo, produziu vários programas e estreou como locutor, lendo noticiário do governo estadual. Por essa época, fazia letras para músicas de blocos carnavalescos de clubes de Vitória e começou a escrever letras para as melodias da dupla Moacir Araújo e Clóvis Cruz.

Um ano mais tarde, mudou-se para o Rio de Janeiro RJ, onde, a princípio, escrevia crônicas de rádio para as revistas Carioca e Vamos Ler. Após ser aprovado num teste, foi contratado pela Rádio Clube do Brasil (hoje Mundial), onde tentou aproximar-se do pianista da rádio, José Maria de Abreu, que acabara de perder seu parceiro Francisco Matoso. Sua primeira oportunidade surgiu quando o cantor Arnaldo Amaral pediu uma letra em português para a música María Elena - do mexicano Lorenzo Barcelata, muito em moda na época. No mesmo dia, sua versão para Maria Elena - a primeira escrita profissionalmente - estava pronta e era imediatamente lançada por Arnaldo Amaral, em selo Continental. O sucesso despertou a atenção de José Maria de Abreu, que o procurou como parceiro para a composição Bem sei, de 1942.

Nos dez anos seguintes, a dupla produziu vários sucessos, como Um cantinho e você (1948), Ponto final (1949) e Alguém como tu (1952). Em 1944 entrou para o quadro de locutores da Agência Nacional, sendo o responsável pelas apresentações dos atos presidenciais. Transferiu-se da Rádio Mundial para a Mayrink Veiga em 1948, voltando para a primeira em 1952, onde lançou seu programa Discos na Vitrina.

Como secretário e diretor da UBC, conheceu Evaldo Gouveia, em 1958, que fora legalizar sua situação arrecadadora. No mesmo dia fizeram a primeira música em parceria, Conversa, gravada no ano por Alaíde Costa, na Victor. Desde então já compuseram mais de 150 Obras entre sambas-canções, boleros, valsas, marchas-ranchos, baladas. Em 1962 compuseram Poema do olhar, gravado por Miltinho, E a vida continua, gravado por Morgana. Em 1963, lançaram Samba sem pim-pom, O bilhete e Serenata da chuva.

A partir deste período, Altemar Dutra se tornou o principal intérprete de seus sambas no gênero dor-de-cotovelo, e dos boleros tristes e saudosistas. São de Altemar Dutra os lançamentos de: Tudo de mim (1963), Sentimental demais, Que queres tu de mim, O trovador, Somos iguais (todos de 1964). Outros sucessos da dupla foram Garota moderna, gravado por Wilson Simonal, em 1965, O conde, gravado por Jair Rodrigues em 1969; no ano seguinte, os dois parceiros lançaram a valsa Minha canção para você.

Algumas músicas


Obra

Alguém como tu (c/José Maria de Abreu), samba, 1952; Alguém me disse (c/Evaldo Gouveia), bolero, 1960; Aperta-me em teus braços (c/José Maria de Abreu), bolero, 1953; Baião das velhas cantigas, 1954; Bloco da solidão (c/Evaldo Gouveia), marcha-rancho, 1971; Brigamos outra vez (c/José Maria de Abreu), fox-canção, 1946; Cantiga de quem está só (c/Evaldo Gouveia), samba, 1960; Um cantinho e você (c/José Maria de Abreu), samba, 1948; Conceição (c/Dunga), samba, 1956; O conde (c/Evaldo Gouveia), samba, 1969; Garota moderna (c/Evaldo Gouveia), samba, 1965; Maria dos meus pecados (c/Dunga), samba, 1957; O mundo melhor de Pixinguinha (c/Evaldo Gouveia), samba-enredo, 1973; Não me pergunte (c/José Maria de Abreu), samba, 1949; Ninguém chora por mim (c/Evaldo Gouveia), samba, 1960; Poema do olhar (c/Evaldo Gouveia), samba, 1962; Que queres tu de mim (c/Evaldo Gouveia), bolero, 1964; Se alguém telefonar (c/Alcir Pires Vermelho), samba, 1957; Sentimental demais (c/Evaldo Gouveia), bolero, 1964; Serenata da chuva (c/Evaldo Gouveia), samba, 1963; O trovador (c/Evaldo Gouveia), marcha-rancho, 1965.


Fonte: Enciclopédia da Música Brasileira - Art Editora e Publifolha.