quarta-feira, 26 de abril de 2006

Caprichos do destino

Orlando Silva
Caprichos do destino (valsa, 1938) - Pedro Caetano e Claudionor Cruz

Disco 78 rpm / Título da música: Caprichos do destino / Autoria: Cruz, Claudionor (Compositor) / Caetano, Pedro (Compositor) / Orlando Silva (Intérprete) / Orquestra Victor Brasileira (Acompanhante) / Imprenta [S.l.]: Victor, 30/07/1937 / Nº Álbum 34805 / Lado A / Lançamento: Março/1938 / Gênero musical: Valsa


Am -----------Dm------------ E7------------------- Am
Se Deus um dia olhasse a terra e visse o meu estado
-----------------------E7------------------------- Am------ E7
Na certa compreenderia o meu trilhar desesperado
Am -------Dm----------- E7 -----------------Am
E tendo Ele em suas mãos o leme dos destinos
-------------------------Em------- B7------- Dm----- E7
Não deixar-me-ia assim / A cometer desatinos
--------Dm -----------E7-------------- Am

É doloroso mas infelizmente é a verdade
-------------------------E7------------------------ A7
Eu não devia nem sequer / Pensar numa felicidade que não posso ter
---------Dm -------------------------------Am
Mas sinto uma revolta dentro do meu peito
-------------------------------B7 ----E7 -------Am----- E7
É muito triste não se ter direito / Nem de viver
----A --------------------Gb7-------------- Bm
Jamais consegui um sonho ver concretizado
--------------------------E7-------------- Eb°----- A
Por mais modesto e banal, sempre me foi negado
(E) -----A----------------- Gbm -----(B7) -----E -----Db7
---Assim meu Deus francamente devo desistir
-----------------------------Gb7---- B7------------------- E7
Contra os caprichos da sorte ----/---- E não devo insistir
-----(E)----- A--------- Gb7 --------------------B7
Eu quero fugir ao suplício a que estou condenado
--------E7 ---------------------------Eb° -----A
Eu quero deixar esta vida onde fui derrotado
A7
Sou um covarde bem sei
--------------------D ----------------Eb°
Que o direito é levar a cruz até o fim
--------------A-------- (Gb7-- Bm- (E7)- A
Mas não posso é pesada demais para mim.

Camisa listrada

Foi pensando em Carmen Miranda, e seu estilo brejeiro e malicioso, que Assis Valente criou o melhor segmento de sua obra: os 25 sambas e marchinhas que a cantora gravou no período 1933-1940. Figuram nesse repertório alguns de seus maiores sucessos como "Camisa Listrada", um dos sambas preferidos pelos foliões de 1938.

Num flagrante da vida cotidiana, a composição descreve a aventura de um sujeito que aproveita o carnaval para, comportando-se de forma irreverente, libertar-se de suas preocupações.

O tal sujeito improvisa uma vestimenta feminina - com uma camisa listrada e um pedaço de cortina servindo de saia - e de "canivete no cinto e pandeiro na mão", sai pelas ruas cantando "Mamãe Eu Quero Mamar".

O curioso é que Assis, muito mais letrista do que compositor, veste esta alegre crônica carnavalesca com uma melodia triste, toda ela no modo menor. Rejeitado pela Victor (que chegou a registrá-lo em disco não lançado, com as Irmãs Pagãs) "Camisa Listrada" permanecia inédito já havia algum tempo, quando Carmen Miranda resolveu gravá-lo, por insistência do compositor, o único que acreditava em seu sucesso.

Em 1938, Carmen Miranda vivia o auge da popularidade, cantando sucessos como "Camisa Listada", "Na Baixa do Sapateiro" e "Boneca de Piche". Parece que ninguém nas editoras e gravadoras da época conhecia a grafia correta da palavra "listrada", pois nas primeiras edições deste samba o título aparece como "Camisa Listada", estendendo-se o erro à própria Carmen, na gravação.

Camisa listrada (samba, 1938) - Assis Valente - Intérprete: Carmen Miranda

Disco 78 rpm / Título da música: Camisa listada / Autoria: Valente, Assis (Compositor) / Miranda, Carmen, 1909-1955 / (Intérprete) / Grupo Odeon (Acompanhante) / Imprenta [S.l.]: Odeon, 1937 / Nº Álbum 11530 / Gênero musical: Samba


Am          Dm       E7       Am 
Vestiu uma camisa listrada e saiu por aí 
    A7                                    Dm 
Em vez de tomar chá com torrada ele bebeu parati 
                    Eb0                     Am 
Levava um canivete no cinto e um pandeiro na mão 
                      Dm              E7            Am  
E sorria quando o povo dizia: sossega leão, sossega leão 
                 Dm          E7             Am                   
Tirou o anel de doutor para não dar o que falar 
       A7 
E saiu dizendo eu quero mamar    
       Dm 
Mamãe eu quero mamar, mamãe eu quero mamar 
          Eb0                             Am 
Levava um canivete no cinto e um pandeiro na mão 
                      Dm               E7           Am 
E sorria quando o povo dizia: sossega leão, sossega leão 
  
  
   Am                     E7              Am 
Levou meu saco de água quente pra fazer chupeta 
   A7                                          Dm       
Rompeu minha cortina de veludo pra fazer uma saia 
                                           Am 
Abriu o guarda-roupa e arrancou minha combinação 
                  Dm                   E7 
E até do cabo de vassoura ele fez um estandarte 
           Am 
Para seu cordão 
          E7                          Am             A7   
Agora a batucada já vai começando não deixo e não consinto 
                         Dm 
O meu querido debochar de mim 
                                              Am 
Porque ele pega as minhas coisas vai dar o que falar 
                 Dm                           E7 
Se fantasia de Antonieta e vai dançar no Bola Preta 
            Am 
Até o sol raiar 
 

Fonte: A Canção no Tempo - Vol. 1 - Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello - Editora 34.

Boneca de Piche

Cena Carioca de Ary Barroso e Luiz Iglezias com Orchestra Odeon. Participação de Almirante.
Gravado em 31/08/1938 - Disco Odeon 11654 - A Matriz 5.908 - Lançamento: Outubro 1938.
Boneca de piche (samba, 1938) - Ary Barroso e Luiz Iglésias - Intérpretes: Almirante e Carmen Miranda



Venho danado com meus calo quente
Quase enforcado no meu colarinho
Venho empurrando quase toda a gente, Eh! Eh!
Pra ver meu benzinho. Eh! Eh! Pra ver meu benzinho

Nego tu veio quase num arranco
Cheio de dedo dentro dessas luva
Bem que o ditado diz: nego de branco (Eh! Eh!)
É sinar de chuva. Eh! Eh! É sinar de chuva

Da cor do azeviche, da jaboticaba
Boneca de piche, é tu que me acaba
Sou preto e meu gosto, ninguém me contesta,
Mas há muito branco com pinta na testa

Tem português assim nas minhas água
Que culpa eu tenho de ser boa mulata
Nego se tu borrece minhas mágoa (Eh! Eh!)
Eu te dou a lata. Eh! Eh! Eu te dou lata

Não me farseia ó muié canaia,
Se tu me engana vai haver banzé
Eu te sapeco dois rabo-de-arraia, muié (Eh!, Eh!)
E te piso o pé. Eh! Eh! E te piso o pé

Da cor do azeviche, da jabuticaba
Boneca de piche, sou eu que te acaba
Tu é preto e teu gosto ninguém te contesta
Mas há muito branco com pinta na testa
Sou preto e meu gosto ninguém me contesta
Mas há muito branco com pinta na testa

Abre a janela

Orlando Silva
O samba "Abre a Janela" defende a regalia masculina de "cair na orgia", com direito ao perdão da mulher, passado o carnaval. E o amante folião anuncia e justifica o seu projeto de liberação ao pé da janela da namorada, como se fizesse uma serenata: "Abre a janela formosa mulher / e vem dizer adeus a quem te adora / apesar de te amar / como sempre amei / na hora da orgia eu vou embora". Em seguida, sugere uma solução conciliatória ofertando-lhe em penhor o coração e prometendo voltar para a sua companhia, assim que a orgia terminar...

Ótimo na letra e na melodia, "Abre a Janela" foi o primeiro grande sucesso de Arlindo Marques Júnior e Roberto Roberti, uma boa dupla de autores carnavalescos. Este sucesso seria ajudado ainda pela interpretação de seu lançador Orlando Silva.

Abre a janela (samba, 1938) - Arlindo Marques Júnior e Roberto Roberti

Disco 78 rpm / Título da música: Abre a janela / Autoria: Marques Júnior, Arlindo (Compositor) / Roberti, Roberto (Compositor) / Silva, Orlando (Intérprete) / Regional RCA Victor (Acompanhante) / Imprenta [S.l.]: Victor, 1937 / Nº Álbum 34279 / Lado B / Lançamento 1938 / Gênero musical: Samba


-------------G-------- C7 --------G
Abre a janela / Formosa mulher
------------------E---------------- Am -----D7
E vem dizer adeus a quem te adora
-------G7 --------------------------C
Apesar de te amar / Como sempre amei
--------G------- D7 -------------G
Na hora da orgia eu vou embora

-----------Am------------------- D7
Vou partir e tu tens que me dar perdão
------------G
Porque fica contigo o meu coração
-----------G7 --------------------C
Podes crer que acabando a orgia
--------A7 -------------------D7
Voltarei para a tua companhia



Fontes: Instituto Moreira Salles - Acervo musical;  A Canção no Tempo - Vol. 1 - Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello - Editora 34.

Serra da Boa Esperança

Lamartine Babo
No início dos anos trinta, Lamartine Babo correspondeu-se com Nair, uma mineira de Dores de Boa Esperança, a quem dedicou esta canção. Tempos depois, visitando a cidade, ele descobriria que Nair era uma menina, sobrinha de um admirador seu, o dentista Carlos Alves Neto, verdadeiro autor das cartas.

Um inspirado samba-canção, "Serra da Boa Esperança" mostrou-se propício a interpretações renovadoras, especialmente com criativas mudanças harmônicas, como a versão instrumental que lhe deram César Camargo Mariano e Wagner Tiso, em 1983, e a vocal de Eduardo Dusek, em 1984, num reverente resgate.

A composição com 32 compassos (A-B) é desenvolvida sobre um motivo principal, de três notas e suas variações, usado quatro vezes a cada quatro compassos, e que é alterado de modo notável em duas ocasiões: na preparação para o final da primeira parte ("Meu-úl-ti-mo-bem") e no compasso 26 ("Ho-ra-do-adeus-vou-me"), quando em vez de ser repetido, prossegue o movimento descendente direto, um procedimento que volta a ser usado nas oito notas que precedem o arremate.

Com letra e música de Lamartine, "Serra da Boa Esperança" é um exemplo bem expressivo de sua arte, em que o poeta e o compositor se igualam em competência e bom gosto.

Serra da Boa Esperança (samba-canção, 1937) - Lamartine Babo

Disco 78 rpm / Título da música: Serra da boa esperança / Autoria: Babo, Lamartine, 1904-1963 (Compositor) / Francisco Alves (Intérprete) / Orquestra (Acompanhante) / Imprenta [S.l.]: Victor, 17/03/1937 / Nº Álbum 800274 / Gênero musical: Samba canção

Intro: Dm A7

Dm                                      A7
Serra da Boa Esperança esperança que encerra
  Dm                                 A7
No coração do Brasil um punhado de terra
   A#              C7   F         C/E      D7
No coração de quem vai, no coração de quem vem
Gm7              C7                F A7
Serra da Boa Esperança meu último bem
Dm                                  A7
Parto levando saudades, saudades deixando
 A#                                  A7  A# A7
Murchas caídas na serra lá perto de Deus
Gm7                           A7            Dm   D7
Oh minha serra eis a hora do adeus vou me embora
Gm7                         Em5-/7
Deixo a luz do olhar no teu luar
A7 Dm
Adeus
Dm                                 A7
Levo na minha cantiga a imagem da serra
Dm                                    A7
Sei que Jesus não castiga o poeta que erra
A#               C7       F     C/E     D7
Nós os poetas erramos, porque rimamos também
Gm7                  C7                      F   A7
Os nossos olhos nos olhos de alguém que não vem
Dm                                 A7
Serra da Boa Esperança não tenhas receio
A#                                   A7  A#  A7
Hei de guardar tua imagem com a graça de Deus
Gm7                            A7           Dm    D7
Oh minha serra eis a hora do adeus vou me embora
Gm7                          Em5-/7
Deixo a luz do olhar no teu luar
A7 Dm
Adeus


Fonte: A Canção no Tempo - Vol. 1 - Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello - Editora 34.

Risoleta

Simone Moraes
Entre os improvisados instrumentos de percussão, o que mais marcou os intérpretes foi sem dúvida o chapéu de palha, que era moda entre os almofadinhas. Quem primeiro o usou como elemento de ritmo foi o cantor Luís Barbosa. Iniciou-se na vida artística tocando pandeiro de aro de aço, porém, para ele, muito magro e já minado pela tuberculose, era um tour de force, com dez minutos cansava.

A convite do compositor Nássara (Mundo de Zinco, Alá lá ô, Periquitinho verde, etc.) nasceu como cantor. Com excelente balanço, cantando num estilo coloquial muito antes da bossa nova, despertou logo atenção. Um dos seus maiores êxitos foi Risoleta de Raul Marques e Moacir Bernardino (Escrito por Renato Vivacqua).

O título da música tornou uma jovem de nome Risoleta admiradora incondicional do cantor, pelo fato de a música levar seu nome. Risoleta passou a telefonar para Luiz Barbosa que, quando a conheceu, percebendo a sua juventude em flor, fez com entre os dois ocorresse apenas uma boa amizade.

Mais tarde, Risoleta foi para o rádio e adotou o pseudônimo de Simone Moraes. Tornou-se amiga da mãe do cantor, que chamava-se Bela, mãe de Barbosa Junior e Paulo Barbosa, radio-ator e compositor respectivamente.

A versão da canção Fascinação, escrita por Armando Louzada, diretor da Rádio Mayrink Veiga e mais tarde da Rádio Nacional, foi feita para ela, Simone Moraes, que com ele iria se casar. Fascinação teve um imenso sucesso na voz de Carlos Galhardo, e servia de fundo musical para o programa “Crônica da Cidade” (Histórias do Frazão).

Risoleta (samba, 1937) - Raul Marques e Moacir Bernardino

Disco 78 rpm / Título da música: Risoleta / Autoria: Bernardino, Moacir (Compositor) / Marques, Raul (Compositor) / Luiz Barbosa, 1910-1938 (Intérprete) / Conjunto Boêmios da Cidade (Acompanhante) / Imprenta [S.l.]: Victor, 1937 / Nº Álbum 34177 / Lado B / Gênero musical: Samba

Intro:  Eb7M    Fm  Bb7  Eb7M  Bb7
 
            Eb7M  
Vou mandar prender, 
    Bb        Eb7M  
Esta nega Risoleta,
         Bb                    Eb7M
Que me fez uma falseta e me desacatou, 
                      Bb  
Porque não lhe dei o meu amor.
                 G                     G7  
Isto é conversa prá doutor. E ela foi criada, 
            Cm7  
Na roda da malandragem,
                                     F7  
Hoje vive com visagem. Sei que com esta nega, 
    Bb7  
Não vou levar a mínima vantagem.
 
   Fm     Bb7
E ela quebrou, 
                  Eb7M  
O meu chapéu de palhinha,
  G       G7
De abinha bem curtinha. E também rasgou, 
                      Cm7  
O terno melhor que eu tinha
         Fm7  
Bis       - Quem me deu foi a Rosinha. E a camisa de seda, 
                 Gb°                   Eb7M
Que eu comprei à prestação da mão do Salomão
        C#7   C7  
 (Por preço de ocasião)
Fm  
E ainda não paguei, 
   Bb7         Eb7M     Bb7
A primeira prestação.
            
Eb7M    Fm  Bb7  Eb7M  
(meu Deus do céu, que confusão!)…


Fontes: Renato Vivacqua; Histórias do Frazão; Instituto Moreira Salles - Acervo musical.

Patativa

Canção de Vicente Celestino (foto) do gosto declarado de uma considerável faixa da população brasileira por um tipo de música, qualificado em épocas posteriores de cafona, brega ou, indevidamente, de popular romântico.

Musicalmente, o contraste entre o modo menor da primeira parte e o maior da segunda é um expediente de grande efeito nesta área. Contudo, para muitos admiradores de Celestino, "Patativa" é considerada a sua melhor canção.

Patativa (canção, 1937) - Vicente Celestino

Disco 78 rpm / Título da música: Patativa / Autoria: Celestino, Vicente (Compositor) / Celestino, Vicente (Intérprete) / Orquestra Victor Brasileira (Acompanhante) / Imprenta [S.l.]: Victor, 1937 / Nº Álbum 34188 / Lado A / Gênero musical: Canção


-------Em ----------B7----- Em------- E7
Acorda patativa vem cantar
-------Am ---------------------------Em
Relembra as madrugadas que lá vão
------B7----------------------- Em
E faz de tua janela o meu altar
-------Gb7 --------------------B7
Escuta a minha eterna oração


------Em----------- B7-------- Em---- E7
Eu vivo inutilmente a procurar
--------Am---------------------------- Em
Alguém que compreenda o meu amor
-------Am------------------------ Em
E vejo que é destino o meu sofrer
-------------------------Gb7
É padecer não encontrar
---------------B7----------- (Em B7 Em)
Quem compreenda o trovador

---------------E -----------B7-------- E
Eu tenho n’alma um vendaval sem fim
---------------------------------------B7
E uma esperança que hás ter por mim
O mesmo afeto que juravas ter
---------------------------------E
Para que acabe este meu sofrer

--------------------------B7-------- E
Eu sei que juras cruelmente em vão
----------------Db7----------- Gbm
Eu sei que preso tens o coração
---------------Am------------------- E
Eu sei que vives tristemente a ocultar
------------------B7-------------- ( E B7 E)
Que a outro amas sem querer amar

-------Em---------- B7-------- Em
Mulher o teu capricho vencerá
---------Am -----------------Em
E um dia tua loucura findará
-------B7 --------------------------Em
A Deus, a Deus minh’alma entregarei
-----------------Gb7 ----------B7
Se de outro fores juro morrerei

------Em ----------Am--- B7---- Em
Amar que sonho lindo encantador
----------Am --------------------------Em
Mais lindo por quem leal nos tem amor
-----Am --------------------------Em
E tu vens desprezando sem razão
-------------------------------Gb7
A mim que choro e busco em vão
-------------B7-------- Em
O teu ingrato coração



Fonte: A Canção no Tempo - Vol. 1 - Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello - Editora 34.

Não tenho lágrimas

Patrício Teixeira
Lançado em agosto de 37, "Não Tenho Lágrimas" agradou de saída, estendendo seu sucesso ao carnaval seguinte, quando foi um dos sambas vencedores. Segundo se comentou no meio musical da época, este samba teria estribilho de Max Bulhões e segunda parte de Wilson Batista. Mílton de Oliveira entrara no lugar de Wilson por ter conseguido a gravação. Como "indenização", Bulhões teria pagado trinta mil-réis a Wilson.

Igual a tantas outras, esta é apenas mais uma história de venda de samba, que ficou no disse-me-disse, sem comprovação. A verdade, porém, é que "Não Tenho Lágrimas" (também chamado de "Quero Chorar") permaneceu e tornou-se um clássico. Gravado despretensiosamente no original pelo cantor e professor de violão Patrício Teixeira, possui extensa discografia que inclui intérpretes internacionais como Xavier Cugat e Nat "King" Cole. Nat o gravou em 1959 no elepê A Mis Amigos, com o título de "Come to Mardi Gras", graças à beleza de sua melodia.

Teoricamente, os últimos quatro compassos do estribilho ("Só porque não sei chorar / eu vivo triste a sofrer" ) parecem um rabicho colado ao tema principal. Na prática, a despeito de aumentarem para vinte os tradicionais 16 compassos, esses últimos quatro compassos são um fecho "tipo breque" de tal originalidade que dispensariam até a segunda parte, menos criativa.

Não tenho lágrimas (samba, 1937) - Max Bulhões e Mílton de Oliveira

Disco 78 rpm / Título da música: Não tenho lágrimas / Autoria: Bulhões, Max, 1903-1977 (Compositor) / Oliveira, Milton de, 1919-1986 (Compositor) / Teixeira, Patrício (Intérprete) / Imprenta [S.l.]: Victor, 1937 / Nº Álbum 34193 / Lado A / Gênero musical: Samba

G       D7              G
Quero chorar...não tenho lágrimas/ Que me rolem na face
            D7               B7                   Em
Pra me proteger / Se eu chorasse  / Talvez desabafasse
     A7          D                 A7       D7
O que sinto no peito    /   Eu não posso dizer
                                              G
Só porque não sei chorar / Eu vivo triste a sofrer

       D7                          G
Estou certo que o riso não tem nenhum valor
             B7                      Em
A lágrima sentida é o retrato de uma dor
           C                D7         G
O destino assim quis /     De mim te separar
    E7             A7         D7        G
Quero chorar não posso /    Vivo a implorar

Fontes: Instituto Moreira Salles - Acervo musical; A Canção no Tempo - Vol. 1 - Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello - Editora 34.

Meu limão, meu limoeiro

Jorge Fernandes
Não se sabe com segurança a origem deste tema folclórico, que o pernambucano José Carlos Burle aproveitou. O fato, porém, é que ele seria gravado várias vezes com sucesso, destacando-se as interpretações de Jorge Fernandes e da dupla Sílvio Caldas-Gidinho (em 1937) e, vinte anos depois, a de Inezita Barroso.

Apesar de existir no selo do disco de Fernandes (Columbia n° 8335) a indicação "folclore recolhido na Bahia por O. Cardoso de Menezes e Francisco Pereira", há indícios de que sua origem seja européia, sendo o tema conhecido na Alemanha e na Holanda (teria sido trazido para o Nordeste pelos holandeses?).

Com o título de "Lemon Tree" e acentuações rítmicas adequadas ao gênero country, foi ainda gravado nos Estados Unidos. Existem duas letras para a segunda parte de "Meu Limão, Meu Limoeiro", a primeira provavelmente de Burle e a segunda, de acordo com Inezita Barroso, retirada de quadrinhas populares nordestinas.

Mas a trajetória da composição não pára por aí, prosseguindo vitoriosamente em 1966, quando Wilson Simonal, instigado pelo jornalista Sérgio Porto, regravou-a numa versão adaptada ao estilo "pilantragem", que o consagrara. Essa versão, em síntese, juntava uma roupagem dançante criada pelo cantor Chris Montez para os clássicos americanos, muito em voga na ocasião, a alterações melódicas que incluíam especialmente blue notes. Tal versão conquistou o público jovem, que sequer conhecia a melodia e a divisão originais.

Meu limão, meu limoeiro (samba-sertanejo, 1937) - Tema popular

Disco 78 rpm / Título: Meu limão meu limoeiro / Autoria: tema popular / Fernandes, Jorge (Intérprete) / Imprenta [S.l.]: Columbia, 1937 / Nº Álbum 8335 / Lado B / Gênero musical: Toada


Disco 78 rpm / Título: Meu limão, meu limoeiro / Autoria: Burle, José Carlos (Compositor) / motivo popular (Compositor) / Gidinho (Intérprete) / Caldas, Silvio (Intérprete) / Orquestra Copacabana (Acompanhante) / Bountman, Simon, ca1900-1977 (Acompanhante) / Imprenta [S.l.]: Odeon, 01/06/1937 / Nº Álbum 11487 / Lado A / Gênero musical: Samba sertanejo


---------D7+-----A7----D7+--A7---D7+ ---D#º--Em7/9
Meu limão meu limoeiro, / Meu pé de jacarandá,

A7/13--- Em7/9 --A7/13-- Em7/9 ---A7/13 --Em7/9 --A7/13-- D7+ A7
Uma-- vez,--- tindo--- lelê, /--- --- Outra--- vez,--- tindo------ lalá.

Morena, minha morena / Corpo de linha torcida
Queira Deus você não seja / A perdição da minha vida.

Quem tem amores não dorme / Nem de noite nem de dia,
Dá tantas voltas na cama, / Como peixe n'agua fria.

A folhinha do Alecrim, / Cheira mais quando pisada,
Há muita gente que é assim, / Quer mais bem, se desprezada
.


Fontes: Instituto Moreira Salles - Acervo musical; A Canção no Tempo - Vol. 1 - Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello - Editora 34.

Mamãe eu quero

Carmen Miranda
Jararaca, um dos componentes da extraordinária dupla Jararaca e Ratinho, costumava participar dos carnavais em que misturava comicidade, malícia e non sense. Dessa sobreviveu "Mamãe Eu Quero", uma das marchinhas mais cantadas em todos os tempos. Este imprevisível sucesso, porém, só seria gravado depois de muita insistência de Jararaca e quase como uma brincadeira (a gravação na época era barata), sob a responsabilidade de Vicente Paiva, que ganhou a parceria de presente.

Na gravação, realizada em 17 de dezembro de 36, aconteceram coisas não programadas como, por exemplo, o curioso prólogo em que Almirante dialoga de improviso com Jararaca. Tal diálogo foi acrescentado para alongar o tempo de gravação, que na tomada inicial havia ficado muito curto. Outra curiosidade foi a presença do casal Ciro Monteiro e Odete Amaral, além do citado Almirante, no coro. Já o conjunto que acompanhou era formado por Vicente Paiva (piano), Luís Americano (clarinete), José Alves (banjo), Canhoto (cavaquinho), Carlos Lentini e Nei Orestes (violões) e Russo do Pandeiro.

Mas, voltando à composição, "Mamãe Eu Quero" tem um estribilho de uma simplicidade mágica, que se tornou um verdadeiro hino à folia. Além de gravada por inúmeros artistas brasileiros (Sílvio Caldas, Pixinguinha, Wilson Simonal), a marchinha ganhou o âmbito internacional, sob o título de "I Want My Mama", através de Carmen Miranda que a lançou no filme "Serenata Tropical" (1940). Ainda no exterior foi gravada por Bing Crosby e pelas Andrews Sisters, entre outros, e apresentada em filmes de Mickey Rooney e Jerry Lewis.

A explicação para o êxito de "Mamãe Eu Quero" não pode ser encontrada apenas na pureza da melodia, elaborada com as notas básicas de uma seqüência de acordes primários. Como "Jingle Bells" ou "Happy Birthday" ela tem um toque de ingenuidade óbvia na letra e na música, que não parecem ter sido criadas por um mortal qualquer. Mas, em contraste, tem também (como em quase tudo que Jararaca fez) o tal toque de malícia, presente na voz do adulto pedindo para mamar. No fundo, Jararaca assume na música popular o mesmo significado de um autor desconhecido, como se sua música pertencesse ao folclore, o que é uma glória raramente atingida.

Mamãe Eu Quero (marcha/carnaval, 1937) - Jararaca e Vicente Paiva - Intérpretes: Carmen Miranda e Bando da Lua

Disco 78 rpm / Título da música: Mamãe eu quero / Autoria: Jararaca, 1896-1977 (Compositor) / Paiva, Vicente, 1908-1964 (Compositor) / Miranda, Carmen, 1909-1955 (Intérprete) / Bando da Lua (Acompanhante) / Garoto, 1915-1955 (Acompanhante) / Imprenta [S.l.]: Odeon, Indefinida / Nº Álbum 283441 / Gênero musical: Marcha


----------------D
Mamãe eu quero... / Mamãe eu quero...
-------------------------A7
Mamãe eu quero mamar...
Dá a chupeta... / Dá a chupeta...
-----------------------------------D
Dá a chupeta pro bebê não chorar! (bis)

--------------------------------A7
Dorme filhinho do meu coração!
---------------------------------------------------D
Pega a mamadeira e vem entrar pro meu cordão...
---------------------D7---------------- G
Eu tenho uma irmã que se chama Ana!
-----------------D ---------A7----------- D
De piscar o olho..../ Já ficou sem pestana!

--------------------------------------A7
Olho as pequenas / Mas daquele jeito
---------------------------------------------D
Tenho muita pena / Não ser criança de peito
--------------------D7------------ G
Eu tenho uma irmã que é fenomenal
--------------D --------A7------- D
Ela é da bossa e o marido é boçal



A Canção no Tempo - Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello - Vol. 1 - Editora 34

Mais uma valsa, mais uma saudade

Carlos Galhardo
Mais uma valsa, mais uma saudade (valsa, 1937) - Lamartine Babo e José Maria de Abreu

Disco 78 rpm / Título: Mais uma valsa... mais uma saudade / Autoria: Abreu, José Maria de, 1911-1966 (Compositor) / Babo, Lamartine, 1904-1963 (Compositor) / Carlos Galhardo, 1913-1985 (Intérprete) / Orquestra (Acompanhante) / Imprenta [S.l.]: RCA Victor, 18/06/1937 / Nº Álbum 34200 / Gênero musical: Valsa


-----D -----------------------------
Mais uma valsa / Mais uma saudade
----------D------- Eb°----- A7
De alguém que não me quis
Em---------------------------- Bb7 ---A7------- Em ---A7/5+---- D

Vivo cantando a sós pela cidade /------- Fingindo---- ser---- feliz

D7 -----------------------------G-------- E7
Fiz das lembranças uma coleção nem sei
----------------------------------Em------ A7
Quantas palavras no meu coração gravei
-----D -------------------------C7--- B7
Mais uma valsa / Mais uma saudade
-------Em----------- A7 ---------D
Saudade que nos vem de alguém

Lig-lig-lig-lé

Lig-lig-lig-lé (marcha/carnaval, 1937) - Paulo Barbosa e Osvaldo Santiago

Disco 78 rpm / Título: Lig, lig, lig, lé / Autoria: Santiago, Osvaldo, 1902-1976 (Compositor) / Barbosa, Paulo, 1900-1955 (Compositor) / Castro Barbosa (Intérprete) / Diabos do Céu (Acompanhante) / Imprenta [S.l.]: Victor, 26/11/1936 / Álbum 34129 / Lado A / Lançamento 12/1936 / Gênero: Marcha chinesa


------Cm
Lá vem o seu China
Na ponta do pé
Lig lig lig lig lig lig lé!
---------------------Bb
Dez tões, vinte pratos
------Ab ------G7

Banana e café
Fm/Ab------- G7--- Cm
Lig lig lig lig lig lig lé!


--------C
Chinês
-----------------------C#º ------G7
Come somente uma vez por mês
Não vai / Mais à Xangai
--------------------C
Buscar a Butterfly
------F
Aqui, com a morena
F#º C
Fez a sua fé
C/E- Ebº Dm G7 Cm
Lig lig li.....g lé!

Lábios que beijei

 Leonel Azevedo
É em 1937 que Orlando Silva se impõe como cantor, igualando-se aos maiores rivais. Para isso, concorre decisivamente sua gravação de "Lábios que Beijei", valsa de enorme sucesso num ano pródigo no gênero.

O disco que tinha na outra face o samba Um juramento falso, a composição jamais encontrou outro intérprete tão perfeito quanto Orlando, então com 22 anos. É tamanha sua integração na história-ação, que se poderia simbolicamente considerá-lo parceiro na autoria de Cascata e Azevedo. Aliás, essa dupla deve boa parte de seu êxito a que lançou várias de suas músicas.

O disco inicial de "Lábios que Beijei” com arranjo de Radamés Gnattali, destacando o naipe de cordas, movendo esse tipo de orquestração, que se tornaria a partir de então obrigatória na gravação do repertório romântico brasileiro.

Lábios que beijei (valsa, 1937) - J. Cascata e Leonel Azevedo

Disco 78 rpm / Título da música: Lábios que beijei / Autoria: Cascata, J, 1912-1961 (Compositor) / Azevedo, Leonel (Compositor) / Silva, Orlando (Intérprete) / Imprenta [S.l.]: Victor, 1937 / Nº Álbum 34157 / Lado B / Gênero musical: Valsa

D           G7          D               B7
Lábios que beijei   /      Mãos que afaguei
Em       A7      D      A7
Numa noite de luar, assim,
  D           E7            A                Gb7
O mar na solidão bramia  /   E o vento a soluçar, pedia
  Bm         E7          A7
Que fosses sincera para mim.

   D     G7        D                   B7
Nada tu ouviste    /     E logo que partiste
    Em          A7       D7
Para os braços de outro amor.
G         Ab0              D               B7
Eu fiquei chorando    /    Minha mágoa cantando
Em            A7        D      Gb7
Sou estátua perenal da dor.

 Bm          B7                  Em
Passo os dias soluçando com meu pinho
Gbm
Carpindo a minha dor, sozinho
Bm
Sem esperanças de vê-la jamais
           Bm6             Gbm
Deus tem compaixão deste infeliz
Db7
Porque sofrer assim
Em      Gb7
Compadei-vos dos meus ais.
Bm                        Em
Tua imagem permanece imaculada
Gb7                           Bm
Em minha retina cansada  /  De chorar por teu amor.
  Em                     Bm
Lábios que beijei   /   Mãos que afaguei
G7       Gb7               Bm
Volta! dá lenitivo  à minha dor.


Fonte: A Canção no Tempo - Vol. 1 - Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello - Editora 34.

Um juramento falso

Orlando Silva
Um juramento falso (samba, 1937) - J. Cascata e Leonel Azevedo

Disco 78 rpm / Título da música: Juramento falso / Autoria: Cascata, J, 1912-1961 (Compositor) / Azevedo, Leonel (Compositor) / Orlando Silva (Intérprete) / Imprenta [S.l.]: Victor, 1937 / Nº Álbum 34157 / Lado A / Gênero musical: Samba

Tom: E

         E7     A7
Um juramento falso  /
               D
Faz a gente sofrer
          Db7      
Um sorriso fingido /
                  Gbm
Dos lábios d’uma mulher
      G          Gm  
Quando se tem amizade /
  D                B7
Sofre-se dor de verdade
       E7              A7        D    D/Gb  F°
Sempre com os olhos fitos na felicidade.

        Em              A7                   D
E duro, é triste, é cruel / A dor de uma saudade
Gb7                                   B7
Quando se teve nas mãos  /   A felicidade
  (Bb7)            (Bb7)                       D
Foi um sonho que feneceu  /  Foi mais outra quimera
        B7     E7                 
Que se desfez     /  Eu já fiz um juramento
                 A7
E não amo outra vez.

 Em                    A7               D
Eu que sempre acreditei  /  Na possibilidade
    Gb7                                 B7
De ver passar este amor  /   Para a eternidade
(Bb7)                (Bb7)                     D
Quanto fui tolo, confesso  /  Isso é conto de fada
     E7                                                A7
É tapeação   /  O amor nunca existiu  / É interesse é ilusão

Faustina

Almirante
Faustina (samba-choro, 1937) - Gadé

Disco 78 rpm / Título da música: Faustina / Autoria: Gadé, 1904-1969 (Compositor) / Almirante, 1908-1980 (Intérprete) / Imprenta [S.l.]: Odeon, 1937 / Nº Álbum 11484 / Lado A / Gênero musical: Samba choro


------------Am
Xiii…Faustina
E7 -----------------Am
Faustina, corre aqui depressa,
E7 --------------A7
Olha quem está no portão.
Dm
É minha sogra com as malas
--------B7------------------------- E7----- Am
Ela vem resolvida a morar no porão.

-------E7------------ A7-------------------- Dm
Vai ser o diabo, vamos ter sururu com o vizinho.
-----------------Am
Não estou prá isto, eu vou dar o fora,
---------B7---------------- E7------- Am
Decididamente, eu vou morar sozinho.


Bis

-------G -----------G7 -----------C7M
É minha sogra, mas tenha paciência.
---------B7 --------------------------Am
Não há quem possa com essa jararaca.
---------Dm ----------Eb° ------Em7 ---Am
Meu sogro foi de maca prá assistên_cia,
------------D7--------------------- G
Com o corpo todo retalhado à faca.


----G7 ----------------C7M
Mas comigo é diferente,
--0-------B7 -------------------Am
Não tenho medo desta cara feia,
-----Dm ------------Eb°------- Em7 ---Am
Pego a pistola e desperdiço um pen_te,
D7------------------- G----------- C
Ela descansa e eu vou prá cadeia.
E7 Am A7 Dm Dm Am B7 E7 Am

Eu dei

A pequena notável
Eu dei (marcha/carnaval, 1937) - Ary Barroso - Intérprete: Carmen Miranda

Disco 78 rpm / Título: Eu dei... / Autoria: Barroso, Ary (Compositor) / Miranda, Carmen, 1909-1955 (Intérprete) / Conjunto Regional (Acompanhante) / Regional (Acompanhante) / Imprenta [S.l.]: Odeon, 1937 / Álbum 11540 / Gênero: Marcha


Tom: D  Intr.: G G#° D B7 Em7 A7 D

D   Em
Eu dei
O que foi que você deu meu bem
Eu dei
Guarde um pouco para mim também
     D                                    D7
Não sei, se você fala por falar sem meditar
    G  
Eu dei
Diga logo, diga logo, é demais
A7  D B7
Não digo
    Em7       A7  D
E adivinhe se é capaz
               Em
Você deu seu coração
Não dei, não dei
               D
Sem nenhuma condição
                D C# C
Não dei, não dei
B7                     Em
O meu coração não tem dono
 Gm      D      B7    Em    A7     D
Vive sozinho, coitadinho, no abandono
D   Em  
Eu dei
O que foi que você deu meu bem
Eu dei
Guarde um pouco para mim também
     D                                    D7
Não sei, se você fala por falar sem meditar
    G
Eu dei
Diga logo, diga logo, é demais
A7  D B7
Não digo
    Em7       A7  D
E adivinhe se é capaz
                     Em
Foi um terno e longo beijo
Se foi, se foi
                     D
Desses beijos que eu desejo
              D C# C
Pois foi, pois foi
B7                Em
Guarde para mim unzinho
Gm         D   B7  Em   A7    D
Que mais tarde pagarei com jurinhos
D   Em
Eu dei
O que foi que você deu meu bem
Eu dei
Guarde um pouco para mim também
    D                                   D7
Não sei, se você fala por falar sem meditar
    G
Eu dei
Diga logo, diga logo, é demais
A7  D B7
Não digo
    Em7       A7  D
E adivinhe se é capaz

E o destino desfolhou

Carlos Galhardo
E o destino desfolhou (valsa, 1937) - Mário Rossi e Gastão Lamounier

Disco 78 rpm / Título da música: E o destino desfolhou / Autoria: Lamounier, Gastão, 1893-1984 (Compositor) / Rossi, Mário, 1911-1981 (Compositor) / Carlos Galhardo, 1913-1985 (Intérprete) / Orquestra Copacabana (Acompanhante) / Imprenta [S.l.]: Odeon, 1937 / Nº Álbum 11468 / Lado B / Gênero musical: Valsa

 Am
 O nosso amor traduzia
                   E7
 Felicidade e afeição
 Suprema glória que um dia
                     Am  F E7
 Tive ao alcance da mão
 Am                  A7
 Mas veio um dia o ciúme
                       Dm
 E o nosso amor se acabou, ou, ou
                        Am
 Deixando em tudo o perfume
        E7         Am
 Da saudade que ficou

       E7        Am
 Eu te vi, a chorar
          E7                  Am  A7
 Vi teu pranto em segredo correr
      Dm       Am         E7                Am
 E parti a cantar sem pensar que doía esquecer
        E7           Am
 Mas depois, veio a dor
        E7                     Am  A7
 Sofro tanto e essa valsa não diz
       Dm          Am
 Meu amor, de nós dois
         E7                    Am
 Eu não sei qual é o mais infeliz


 Os nossos olhos choraram
                    E7
 O nosso idílio morreu
 Os nossos lábios murcharam
                    Am   F E7
 Porque a renúncia doeu
 Am                      A7
 Desfeito o ninho, a saudade
                     Dm
 Humilde e quieta ficou, ou, ou
                    Am            E7         Am
 Mostrando a felicidade que o destino desfolhou

       E7        Am
 Eu te vi, a chorar
          E7                  Am  A7
 Vi teu pranto em segredo correr
      Dm       Am         E7                Am
 E parti a cantar sem pensar que doía esquecer
        E7           Am
 Mas depois, veio a dor
        E7                     Am  A7
 Sofro tanto e essa valsa não diz
       Dm          Am
 Meu amor, de nós dois
         E7                    Am
 Eu não sei qual é o mais infeliz.

Como vaes Você

A pequena notável
Como vaes você (marcha/carnaval, 1937) - Ary Barroso - Intérprete: Carmen Miranda

Disco 78 rpm / Título da música: Como "vais" você? / Autoria: Barroso, Ary (Compositor) / Miranda, Carmen, 1909-1955 / Intérprete) / Luperce (Acompanhante) / Pixinguinha (Alfredo da Rocha Vianna Filho), 1897-1973 (Acompanhante) / Regional (Acompanhante) / Imprenta [S.l.]: Odeon, 02/10/1936 / Álbum 11402 / Gênero: Marcha


Como "vaes" você?
-----------------C
– Vou navegando
----------------G7
Vou temperando
Pra baixo todo santo ajuda
-----------------------------C----- C7
Pra cima a coisa toda muda
------F---- Fm--- C
No mar desta vida
---------------Dm
Vou navegando
------G7 ---------A7
E vou temperando
-------------Dm--------- D#º
O céu às vezes é tão claro
---------------C------- A7
Outras escuro
------------------D7
Claro é o passado
---------G7------ C
Escuro é o futuro

----F-------------- Fm----C
Hoje, eu estou convencida
-------------Dm------- G7 -----A7
Que o segredo principal da vida
------------------Dm
Consiste em não forçar
--------D#º -------C------ A7
Em nada a natureza
-----------------D7
Que o resto vem
--------------------G7 ------C
Mas vem, que é uma beleza

Coração Materno

Todo o romantismo dramático, exacerbado, que caracteriza o estilo Vicente Celestino está em "Coração Materno", composição baseada numa lenda de mais de quinhentos anos, segundo o autor. Secular ou não, o fato é que a tal lenda inspirou a mais trágica (se levada a sério) ou mais ridícula canção de nossa música popular (na foto: Vicente Celestino).

Uma canção sobre as desventuras de um sujeito que mata a própria mãe e lhe extrai o coração, para oferecê-lo a namorada, que assim o exige como prova de sua paixão... E quando volta correndo para completar a missão junto à amada, o desastrado matricida tropeça e cai, quebrando a perna. Nesse momento, o coração materno salta-lhe da mão e, rolando pelo chão, exclama: "Magoou-se, pobre filho meu? / vem buscar-me que ainda sou teu...". Pois esta inacreditável canção impressionou e comoveu os fãs de Vicente Celestino, constituindo-se em um de seus maiores e mais duradouros sucessos.

Em 1968, "Coração Materno" foi utilizado com grande repercussão por Caetano Veloso, no disco Tropicália, simbolizando o culto ao cafona. Em flagrante contraponto à versão patética de Vicente, Caetano deu-lhe uma interpretação linear e fria, acompanhado por uma orquestra de Rogério Duprat.

Assim como O Ébrio, Coração Materno também virou filme, rodado em 1952 e estrelado por Vicente Celestino e sua mulher Gilda de Abreu. Só que no filme, Gilda, autora do argumento, amenizou a tragédia, cancelando o tricídio. Talvez por isso não tenha repetido o sucesso de "O Ébrio"...

Coração materno (tango-canção, 1937) - Vicente Celestino

Disco 78 rpm / Título da música: Coração materno / Autoria: Celestino, Vicente (Compositor) / Celestino, Vicente (Intérprete) / Orquestra (Acompanhante) / Imprenta [S.l.]: Victor, 1937 / Nº Álbum 34156 / Lado B / Gênero musical: Tango canção


Int.: Dm Em5-/7 A4/7 A7
 
 Dm                 A7                                           
Disse um campônio à sua amada: 
                                    Dm
   "Minha idolatrada, diga-me o que quer
    Am5-/7   D7         Gm Gm/F          
Por ti vou matar, vou roubar, 
                E                A7
    embora tristezas me causes mulher
 Dm                     A7                                      
Provar quero eu que te quero, 
                                       Dm
     venero teus olhos, teu porte, teu ser
    Am5-/7     D7     Gm                    
Mas diga, tua ordem espero, 
                      A7               D     A7
    por ti não me importa matar ou morrer"

        D        Bm           Em            
E ela disse ao campônio, a brincar:    
                 A7                D    A7
       "Se é verdade tua louca paixão
      D        D7       G            E               A7
Parte já e pra mim vá buscar de tua mãe inteiro o coração"
  F#7  Bm               Em             A7               D   A7
E a correr o campônio partiu, como um raio na estrada sumiu
      D    D7         G         A7                 Dm
Sua amada qual louca ficou, a chorar na estrada tombou
 Dm                   A7
Chega à choupana o campônio 
                                   Dm
E encontra a mãezinha ajoelhada a rezar
Am5-/7       D7        Gm  Gm/F
Rasga-lhe o peito o demônio
             E                  A7
Tombando a velhinha aos pés do altar
 Dm              A7                                   Dm
Tira do peito sangrando da velha mãezinha o pobre coração
 Am5-/7     D7         Gm                  
E volta à correr proclamando: 
                    A7                 D      A7
     "Vitória, vitória, tens minha paixão"
        D         Bm     Em        A7               D    A7
Mas em meio da estrada caiu, e na queda uma perna partiu
        D         D7         G            E             A7
E à distância saltou-lhe da mão sobre a terra o pobre coração
 F#7     Bm             Em                 A7          D
Nesse instante uma voz ecoou: "Magoou-se, pobre filho meu?
     D         D7           G           A7                    D
Vem buscar-me filho, aqui estou, vem buscar-me que ainda sou teu!"


Fonte: A Canção no Tempo - Vol. 1 - Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello - Editora 34.

Chão de Estrelas

Numa visita ao poeta Guilherme de Almeida, em 1935, Sílvio Caldas (foto) mostrou-lhe uma canção inédita, intitulada "Foste a Sonoridade Que Acabou". Terminada a apresentação, a canção recebeu um novo nome: "Chão de Estrelas". Aconteceu a mudança por sugestão de Guilherme, tomado de súbito entusiasmo pelos versos, que eram de Orestes Barbosa.

Sobre o fato, ele escreveria trinta anos depois (em crônica incluída no livro Chão de Estrelas, de Orestes): "Nem de nome eu conhecia o autor. Mas o que então dele pensei e disse, hoje o repito: uma só dessas duas imagens - o varal das roupas coloridas e as estrelas no chão (... ) - é quanto basta para que ainda haja um poeta sobre a terra".

Mas não pára em Guilherme de Almeida o fascínio despertado por "Chão de Estrelas" entre nossos poetas. Em 1956, numa crônica em louvor a Orestes, Manuel Bandeira terminava assim: "Se se fizesse aqui um concurso (...) para apurar qual o verso mais bonito de nossa língua, talvez eu votasse naquele de Orestes: ‘tu pisavas os astros distraída..."'.

Composto por Sílvio Caldas sobre um poema em decassílabos - que Orestes relutou em consentir que fosse musicado -, "Chão de Estrelas" é a obra-prima da dupla, que produziu um total de quinze canções, a maioria de muito boa qualidade ("Quase Que Eu Disse", "Suburbana", "Torturante Ironia" etc.). Essas composições cantam amores perdidos ou impossíveis, tratados do ponto de vista masculino e quase sempre localizados em cenários urbanos arranha-céus, apartamentos, cinemas... Embora tenha se destacado no seu lançamento em 1937, "Chão de Estrelas" só se tornaria um sucesso nacional na década de 1950, quando Sílvio Caldas a gravou pela segunda vez.

Chão de Estrelas (canção, 1937) - Sílvio Caldas e Orestes Barbosa

Disco 78 rpm / Título: Chão de estrelas / Autoria: Caldas, Silvio (Compositor) / Barbosa, Orestes (Compositor) / Caldas, Silvio (Intérprete) / Lacerda, Benedito, 1903-1958 (Acompanhante) / Regional (Acompanhante) / Imprenta [S.l.]: Odeon, 1937 / Álbum 11475 / Lado B / Gênero: Canção

Tom: Am

   Am            E7           Am
minha vida   era um palco iluminado
     E7               Gm6
eu vivia vestido de dourado
    A7                   Dm   A7
palhaço das perdidas ilusões
  Dm                E7           Am
cheio   dos guisos falsos da alegria 
                            B7
andei cantando a minha fantasia
                                E7
entre as palmas febris dos corações

    Am          E7             Am
meu barracão   no morro do salgueiro
   E7                         Gm6
tinha o cantar alegre de um viveiro
  A7                        Dm  A7
foste a sonoridade que acabou
Dm               Dm6          Am
e hoje,  quando do sol,  a claridade
  C7                              A#7
forra o meu barracão,  sinto saudade
      E7                  Am  E7
da mulher pomba-rola que voou
F#m                         C#m
nossas roupas comuns dependuradas
                              D
na janela qual bandeiras agitadas
        D7            C#7
pareciam um estranho festival
F#7                         B7
festa dos nossos trapos coloridos
                                E7
a mostrar que nos morros mal vestidos
                       A    C#7
é sempre feriado nacional
F#m                     C#m
a porta do barraco era sem trinco
                      D
mas a lua furando nosso zinco
          D7           C#7
salpicava de estrelas nosso chão
  F#7                        B7
tu pisavas nos astros distraída
                               E7
sem saber que a ventura desta vida
                             A
é a cabrocha, o luar e o violão


Fonte: A Canção no Tempo - Vol. 1 - Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello - Editora 34.

Cachorro vira-lata

Cachorro Vira-lata (samba-choro, 1937) - Alberto Ribeiro - Intérprete: Carmen Miranda

Disco 78 rpm / Título da música: Cachorro vira-lata / Autoria: Ribeiro, Alberto, 1902-1971 (Compositor) / Miranda, Carmen, 1909-1955 (Intérprete) / Lacerda, Benedito, 1903-1958 (Acompanhante) / Regional (Acompanhante) / Imprenta [S.l.]: Odeon, 04/05/1937 / Nº Álbum 11482 / Gênero musical: Samba choro


---------------D -----------A7--------- D-------------- D7/C--------- G
Eu gosto muito de cachorro vagabundo /Que anda sozinho no mundo
-------------------------- F# ----------G ----------G/B------- D/A
Sem coleira e sem patrão /------ Gosto de cachorro de sarjeta
-------------D--------------- E7 ----------------------A7------ A7/C#
Que quando escuta a corneta / Sai atrás do batalhão
-----------A7 -----------D ------------------------F#7/Bb
E por falar em cachorro / Sei que existe lá no morro
F#7 ----------B7----- G -----------------G/B--------- D/A
Um exemplar / --------Que muito embora não sambe
------------D ----------------E7 ------------------------A7------ A7/C#
Os pés dos malandros lambe / Quando eles vão sambar
-----------------A7---------- D---------------- F#7/Bb-- F#7-- B7---- G
E quando o samba está findo / Vira-lata esta latindo a soluçar
--------G/B---------- D------------------------ A7
Saudoso da batucada / Fica até de madrugada
--------------------------D
Cheirando o pó do lugar

------------A7 ----------------D --------------------F#7/Bb
E até mesmo entre os caninos / Diferentes os destinos
------F#7----- B7 -----G --------------G/B -------D/A
Costumam ser / ---------Uns têm jantar e almoço
--------------D-------------- E7-------------------- A7------ A7/C#
E outros nem sequer um osso / De lambuja pra roer
----------------A7----------- D----------------- F#7/Bb-- F#7-- B7---- G
E quando passa a carrocinha /A gente logo adivinha a conclusão
----------G/B ------D -----------------------A7
O vira-lata, coitado / Que não foi matriculado
---------------------------D
Desta vez "virou"... sabão

Arranha-céu

Sílvio Caldas
Arranha-céu (valsa, 1937) - Sílvio Caldas e Orestes Barbosa

Disco 78 rpm Título da música: Arranha-céu / Autoria: Caldas, Sílvio (Compositor) / Barbosa, Orestes (Compositor) / Caldas, Sílvio (Intérprete) / Lacerda, Benedito, 1903-1958 (Acompanhante) / Regional (Acompanhante) / Imprenta [S.l.]: Odeon, 1937 / Nº Álbum 11475 / Lado A / Gênero musical: Valsa


A----- E7----------------- A
Cansei de esperar por ela,
Gb7 ------------------B7 ----E7-------------- A---- E7/5+
Toda a noite na janela / Vendo a cidade luzir
----A------ Gbm -----Dbm
Nestes delírios nervosos
------------------------Ab7----------------------- Dbm----- E7
Que os anúncios luminosos / São a cidade a mentir.

A----------- E7 --------A

E toda a vez que descia
------Gb7------------ B7 ----D7 -------------Db7 -----A7
O elevador não trazia / Essa mulher-maldição
D -----------Eb0------ A
E quando lento gemia
-------Gb7 -----------B7 ----E7 --------------A----- E7
O elevador que descia / Subia o meu coração.

Am------------------------- G7
Cansei de olhar os reclames
---------------------------F7
E disse ao peito não ames
----------------------------E7---- (E7)
Que o teu amor não te quer
-----G7------------------ C-------- C7-------------- F7
Descansa fecha a vidraça / Esquece aquela desgraça
-----------------------E7
Esquece aquela mulher.

-----Am------------------ G7
Deitei, então, sobre o peito
-------------------------------F7
Vieste, em sonho, ao meu leito
----------------------E7------- A7
E acordei. Que aflição !
--------Dm-------------- Am------------------- B7
Pensando que te abraçava / Alucinado apertava
---------E7------------- Am----- (Am)
Eu mesmo, meu coração

Apanhei um resfriado

Leonel Azevedo
Apanhei um resfriado (samba-choro, 1937) - Leonel Azevedo e Sá Róris

Disco 78 rpm / Título da música: Apanhei um resfriado / Autoria: Azevedo, Leonel (Compositor) / Sá Roris (Compositor) / Almirante, 1908-1980 (Intérprete) / Regional RCA Victor (Acompanhante) / Imprenta: [S.l.]: Victor, 29/04/1937 / Nº Álbum 34175 / Lado B / Gênero: Samba choro

Intro: G Eb° D Bm Em A7 

G       B7             E7
Pelo costume de beber gelado
          A7                      D
apanhei um resfriado que foi um horror
  Bm                   F#m      
Porém com medo de fazer despesa,
        Db7                F#m              A7
isto é franqueza, não fui ao doutor pra me curar
      G       B7         E7
E tudo quanto foram me ensinando,
                      F#
eu fui tomando e cada vez pior
G              C°       D   
E quem quiser que siga o tratamento
Bm               E7        A7      D
pois se não morrer da cura ficará melhor
   F#7                          Bm
Tomei de tudo, escalda-pé, chá de limão,
                F#7
até xarope de alcatrão
          B7
E nada me faltou
                Bm
Tive dieta só de caldo de galinha,
                Db7            F#7
e o galinheiro da vizinha se evaporou
               F#7           Bm
E tive febre, tive tosse, dor no peito,
                 F#7
até fiquei daquele jeito
       B7
Sem poder falar

Em           Eb°           Bm
Mandei chamar, então, um especialista,
  Em                 Bm
que pediu dinheiro à vista
     Db7     F#7 B7    Bb7 A7 D
Prá poder me visitar

(A)

 F#7                            Bm
No bangalô, porém, choveu a noite inteira,
                 F#7
e eu debaixo da goteira
 B7
Sem ninguém saber
Em                           Bm
A ventania arrancou zinco do telhado,
                Db7                   F#7
e me deixou todo molhado, quase pra morrer
     Bm             F#7         Bm
Sá Guilhermina quis me dar um lenitivo,
                    F#7
e então me fez um curativo
B7
E eu fiquei jururu
 Em          Eb°              Bm  
E foi chamado, finalmente, um sacerdote,
        Em           F#7
prá me encomendar um lote
Bm   Db7     F#7    B7     Bb7 A7 D
De dez palmos no Caju

(A)
Instrumental: G  B7  E7  A7  D  Bm  F#m
Db7  F#m A7 D  G  B7  E7  A7  F#  G C°
D  Bm  E7  A7  D F#7  Bm  F#7  B7  Em
Bm  Db7  F#7  Bm  F#7  Bm  F#7  B7
Em  Eb°  Bm  Em  F#7  Db7  F#7  B7
Bb7  A7 D
(A)
Final: G Eb° D Bm Em A7 D

Amigo leal

Orlando Silva
Amigo leal (samba-canção, 1937) - Benedito Lacerda e Aldo Cabral

Disco 78 rpm / Título da música: Amigo leal / Autoria: Cabral, Aldo (Compositor) / Lacerda, Benedito, 1903-1958 (Compositor) / Orlando Silva (Intérprete) / Conjunto Boêmios da Cidade (Acompanhante) / Imprenta [S.l.]: Victor, 1937 / Nº Álbum 34172 / Lado B / Lançamento: 1937 / Gênero musical: Samba canção

Tom: Am
Am7/9         G7/13  C7M/9    A7
Escute,    meu grande amigo
Dm9       E7/5+      Am7/9    Am/C
Preste atenção no que digo:
E7/5+             Am7/9       Am/C   E7/5+
- Vim despedir-me de ti ! ...

Am7/9        G7/13  C7M/9    A7
Trocamos um abraço    forte
Dm9       E7/5+      Am7/9    Am/C
Desejos de boa        sorte
E7/5+               Am7/9       Am/C   E7/5+
E, incontinenti, eu parti ....


Am7/9       Dm9
A tristeza mal contendo
E7/5+        Am7/9      Am/C    E7/5+
Até hoje estou vivendo
Am       Am/C   E7/5+
Como o meu destino quer ...

Am7/9      Dm9
E esse amigo, até agora
E7/5+            Am7/9       Am/C   E7/5+
Não sabe que eu vim embora
Am7/9       Am/C   E7/5+   A7
Por causa de uma mulher.

Bbº   A7
Pra não cometer um erro
Bbº   A7
Preferi este desterro
Dm9      A7/9-    Dm9  A7/9-
Com toda a resignação ...

Dm9            Am7/9
Pra eles a vida é bela,
Am/G             B7/F#
Hoje ele vive com ela,
E7/9-           Am7/9     Am/C   E7/5+  Am
E ela no meu coração.