terça-feira, 2 de maio de 2006

Vestido de bolero

Vestido de bolero (samba, 1944) - Dorival Caymmi

Disco 78 rpm / Título: Vestido de bolero / Autoria: Caymmi, Dorival, 1914-2008 (Compositor) / Anjos do Inferno (Intérprete) / Imprenta [S.l.]: Continental, 1943 / Nº Álbum 15101 / Lado B / Gênero: Samba /

---------------------C ----------------------A7
Um casaco bordeaux / Um vestido de veludo
--------------D7 ----------------------Dm
Pra você usar / Um vestido de bolero
---------------G7------------------- C
Léro, léro, léro / Já mandei comprar

---------G7------------- C------------ A7 -------Dm
Se o casaco for vermelho / Todo mundo vai usar
----------A7 -----------Dm ----------G7-------- C
Saia verde azul e branco / Todo mundo vai usar
---------------------A7------------ G7 ---------D7
Apesar dessa mistura / Todo mundo vai gostar ...

-------------------------Dm --------------G7
É que debaixo do “bolero” / Léro, léro, léro ....
--------------------C
Tem você ... Yayá ... (bis)

Valsa do meu subúrbio

Sílvio Caldas
Valsa do meu subúrbio (valsa, 1944) - Custódio Mesquita e Evaldo Rui

Disco 78 rpm / Título da música: Valsa do meu subúrbio / Autoria: Mesquita, Custódio, 1910-1945 (Compositor) / Rui, Evaldo, 1913-1954 (Compositor) / Sílvio Caldas (Intérprete) / Orquestra (Acompanhante) / Imprenta [S.l.]: RCA Victor, 1944 / Nº Álbum 800176 / Lado B / Gênero musical: Valsa /

Valsa triste / Velha valsa
Das serestas / Nas noites de lua
Ainda hoje, / Tu emprestas
Teu lamento / Aos cantores da rua

Velha valsa / Minha amiga
Tão boêmia / Quanto o teu cantor
Valsa triste / Tu me obrigas
A contar um história / De amor...

Quem não viu num subúrbio distante
Numa valsa um cantor soluçar
A pedir, a implorar suplicante
A esmola de um beijo, um olhar

Eis que surge medrosa à janela
A donzela, a razão dos seus ais
Ele então pede a ela
Que esta valsa, não esqueça, jamais

Sem compromisso

Geraldo Pereira
Sem compromisso (samba, 1944) - Geraldo Pereira e Nelson Trigueiro

Disco 78 rpm / Título da música: Sem compromisso / Autoria: Pereira, Geraldo (Compositor) / Trigueiro, Nelson (Compositor) / Anjos do Inferno (Intérprete) / Imprenta [S.l.]: Continental, 1944 / Nº Álbum 15184 / Lado A / Gênero musical: Samba /
(intro) A/C# C E/B E/D (2x)  
        A/C#  C

  Em              B/Eb
Você só dança com ele
             E/D        E
E diz que é sem compromisso
   Am           D9
É bom acabar com isso
     G            F#m5-   B/F#
Não sou nenum Pai-João
       Em           B/Eb
Quem trouxe você fui eu
            E/D       E  E9-
Não faça papel de louca
     Am           F#m5-  B9-   Em9  B9M  Em9
Prá não haver bate-boca   dentro do salão
        Em     Am
Quando toca um samba
          D9        G
E eu lhe tiro pra dançar
              B                  E6   E5M
Você me diz: Não, eu agora tenho par
         Am           D9  G
E sai dançando com ele, alegre e feliz
               F#
Quando pára o samba
 C9  B9          Em
Bate palma e pede bis

Rosa de Maio

Na primeira metade dos anos quarenta os foxes brasileiros viveram seu período de maior evidência. Era um dos gêneros musicais preferidos pela classe média e sua presença se fazia obrigatória nos bailes grã-finos e em cassinos onde havia música para dançar.

Adotado principalmente por compositores que não usavam o samba como meio de expressão preferencial, nosso fox-canção teve em Custódio Mesquita (foto) um de seus melhores autores, contando-se em seu repertório obras-primas como "Nada Além", "Mulher" e "Rosa de Maio". Neste último, a alternância de frases nos modos menor e maior ressalta uma das grandes virtudes do Custódio compositor, ou seja, seu requintado jogo harmônico.

Lançado por Carlos Galhardo, "Rosa de Maio" é a composição mais conhecida entre as quase trinta deixadas pela dupla Custódio Mesquita e Evaldo Rui.

Rosa de maio (fox-canção, 1944) - Custódio Mesquita e Evaldo Rui

Disco 78 rpm / Título da música: Rosa de maio / Autoria: Mesquita, Custódio, 1910-1945 (Compositor) / Rui, Evaldo, 1913-1954 (Compositor) / Galhardo, Carlos, 1913-1985 (Intérprete) / Mesquita, Custódio, 1910-1945 (Acompanhante) / Orquestra (Acompanhante) / Imprenta [S.l.]: Victor, 18/02/1944 / Nº Álbum 800175 / Gênero musical: Fox /

-------------Am----------- B7-------------------- A7
Rosa de Maio / É meu desejo / Mandar-te um beijo
--------------Dm------------- E7 --------------Am
Nesta canção... / Rosa de Maio... / Deste poema
------------F--------------- E7 ---------Am
Tu és o tema / E a inspiração / Rosa de Maio...
--------------B7 --------------A7 ---------Dm-- A7-- Dm
Já não consigo / Guardar comigo / Tanta paixão!
-------------Eb°------------------ Am
Rosa de Maio / Por qualquer preço
----------F ---E7---- Am --Dm-- Am
Eu te ofereço / Meu coração!



Fonte: A Canção no Tempo - Vol. 1 - Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello - Editora 34.

Murmurando

Odete Amaral
Murmurando (choro, 1944) - Fon-Fon e Mário Rossi

Disco 78 rpm / Título da música: Murmurando / Autoria: Fon-Fon, 1908-1951 (Compositor) / Rossi, Mário, 1911-1981 (Compositor) / Odete Amaral (Intérprete) / Imprenta [S.l.]: Odeon, 1944 / Nº Álbum 12501 / Lado A / Gênero musical: Choro /

Murmurando esta canção / Eu sei que o meu coração
Há de suplicar: amor / Vem matar tanta dor
Já não há luas-de-mel / Nem mais estrelas no céu
Um anel de ambições / Envolveu irmãos
E será um poder fatal / Se o bem não vencer o mal

Amor, tanta dor / Há de chegar ao fim
É melhor, bem melhor amar / E viver sem imitar Caim
Por que mentir, trair, matar / Em vez de amar?

Será que a negra escuridão / Pode apagar a luz do Sol?
Será que o nosso coração / Pode viver sem um crisol?
Se Jesus ao levar a cruz além / Não deixou de pregar
O amor ao bem / Além de todas as razões
Quero mostrar aos meus irmãos / A missão do perdão
Do Grande Rei, o Criador / Que ao expirar sobre o Tabor
Quis imortalizar o amor

Fiz a cama na varanda

Dilu Melo
Fiz a cama na varanda (xote, 1944) - Dilu Melo e Ovídio Chaves

Disco 78 rpm / Título da música: Fiz a cama na varanda / Autoria: Melo, Dilu (Compositor) / Chaves, Ovídio (Compositor) / Melo, Dilu (Intérprete) / Conjunto Tocantins (Acompanhante) / Imprenta [S.l.]: Continental, 1943-1944 / Nº Álbum 15126 / Lado A / Gênero musical: Chótis /

C --------G7--------- C ------------G7--------- C
Fiz a cama na varanda, me esqueci do cobertor
-------------G7--------- C ---------------A7
Deu um vento na roseira - ( ai, meus cuidados)
---------D7 ----G7--- C
me cobriu todo de flor.
---(Am) ---(E7)---- (Am)
Menina, minha menina, ai
--------(B7)------------ (E7)
não faça assim como eu
---------F --------------C
que vivo morto de pena,
------G7-------------------- C
porque ninguém me escolheu

----------G7 -----------C
Fiz a cama na varanda,
---------G7 --------------C
me deitei pensando em ti,
-------------G7---------- C ---------------A7
Deu um vento na roseira (ai, meus cuidados)
------------D7 --G7----- C
E eu de sono me esqueci.

Ela me beijou

Nelson Gonçalves
Ela me beijou (samba, 1944) - Herivelto Martins e Arthur Costa

Disco 78 rpm / Título da música: Ela me beijou / Autoria: Arthur Costa (Compositor) / Martins, Herivelto (Compositor) / Nelson Gonçalves, 1919-1998 (Intérprete) / Imprenta [S.l.]: RCA Victor, 1944 / Nº Álbum 800218 / Lado B / Gênero musical: Samba /

Gm ---------A---- D7---------- Gm
Ela me beijou--- demoradamente
-------------------A ----D7------------ Gm
De mim se afastou---- alegre e contente
--------Cm---------------------------- Gm
Até breve, coração-------- juizinho, viu!

---------------------A ------------------D7---- Gm
Eu fiquei na estação------ até que o trem, sumiu
----------------A -----D7 ------------Gm
Recomendações---- tantas ela me fez
---------------------Cm-------- D7 ------------G7
Como se ela não fosse regressar no fim do mês

Vá em paz, meu grande amor
------------------------Cm------------------------- Gm
Vá em paz e volta breve----- se você sentir saudade
------------A -D7 --------Gm
Pega no lápis,---- escreve

Dos meu braços não sairás

Nelson Gonçalves
De tanto cantar foxes, Nelson Gonçalves acabou escolhendo um deles para prefixo de seus programas radiofônicos. E o selecionado foi "Dos Meus Braços Tu Não Sairás", uma composição que, seguindo o esquema dos foxes tem melodia bem trabalhada, servindo a letra apenas para complementá-la.

Sucesso permanente no repertório de Nelson, "Dos Meus Braços Tu Não Sairás" é de autoria de Roberto Roberti, um bom compositor carnavalesco ("Aurora", "Abre a Janela", "Isaura"), que às vezes também fazia música romântica para o chamado meio-de-ano.

Dos meu braços não sairás (fox-canção, 1944) - Roberto Roberti

Disco 78 rpm / Título da música: Dos meus tu braços não sairás / Autoria: Roberti, Roberto (Compositor) / Gonçalves, Nelson, 1919-1998 (Intérprete) / Orquestra (Acompanhante) / Imprenta [S.l.]: RCA Victor, 27/04/1944 / Nº Álbum 800186 / Lado A / Lançamento: Junho/1944 / Gênero: Fox /

---C ------------Am
Meu amor
-------------------------Dm ------------G7
Pensa bem no que tu vais fazer
------------------------C -------------Am
Um amor sincero, igual ao meu
---------------------G7---------- Bb7------ A7
Hoje não se encontra mais

---Dm------------ Gm6
Meu amor
------------A7------------ Dm------ Gm6
Tu não podes me abandonar
-----------A7-------- Dm
Eu que fiz teu coração feliz
G7 -------------C------- Am ----Dm7-- G7
Eu que dei o que ninguém te soube dar

-----C ---------Am
Meu amor
-------------------Dm7 ------G7
Se julgas que serás feliz
-------------------------C7+ ------------C7
Me deixando aqui sozinho assim
-------------------F-------- Gm7
Eu te deixo partir

F------------------ Ab
Não, não, não, não amor
-------------------------------Em7
Dos meus braços tu não sairás
-----A7 -----------------Dm7
Se tentares me abandonar
---------G7 ---------------C ---Fm---- C
Nem sei do que serei capaz . . . .


Fonte: A Canção no Tempo - Vol. 1 - Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello - Editora 34.

Como os rios que correm para o mar

Sílvio Caldas
Como os rios que correm para o mar (samba-canção, 1944) - Custódio Mesquita e Evaldo Rui

Disco 78 rpm / Título da música: Como os rios que correm pro mar / Autoria: Mesquita, Custódio, 1910-1945 (Compositor) / Rui, Evaldo, 1913-1954 (Compositor) / Sílvio Caldas (Intérprete) / Orquestra (Acompanhante) / Imprenta [S.l.]: RCA Victor, 1944 / Nº Álbum 800176 / Lado A / Gênero musical: Samba /

Assim como os rios bravios
Que correm pro mar
Assim também correm meus olhos

Para o teu olhar

Teu olhos tão verdes, tão lindos,

Teus olhos me fazem lembrar
As águas tão verdes, tão lindas

As águas do mar

Não sei, não encontro a razão

E nem posso explicar
Só sei que estou preso

Estou cego pelo teu olhar

Os rios não voltam ao mar

Meus olhos não deixam os teus
E tu não vais me deixar,

Graças a Deus...

São teus olhos dois faróis

Que a minha vida iluminam
São dois astros, são dois sóis,

Os teus olhos me dominam...

Olhos verdes, esperança

Olhos tristes, sonhadores,
Olhos meigos de criança

São teus olhos dois amores.

Atire a primeira pedra

Ataulfo Alves
Em 1944, Ataulfo Alves e Mário Lago voltam a reinar no carnaval, com o samba "Atire a Primeira Pedra", que nada fica a dever ao grande sucesso da dupla, "Ai, que saudades de Amélia". Reproduzindo no título a sentença bíblica - que já denominara no Brasil um filme com Marlene Dietrich e um programa do radialista Raimundo Lopes -, este samba trata do apelo veemente de reconciliação de um amante que não teme ser chamado de covarde: "Covarde sei que me podem chamar / porque não calo no peito esta dor / atire a primeira pedra, ai, ai, ai / aquele que não sofreu por amor".

Cantado por Emilinha Borba no filme "Tristezas não pagam dívidas" e lançado em disco por Orlando Silva às vésperas do carnaval, "Atire a Primeira Pedra" foi fazer sucesso quando Mário Lago já não mais esperava. É o próprio Mário que relembra: "Na época eu estava trabalhando na Rádio Panamericana, em São Paulo, então recém-inaugurada, e vim de trem para o Rio na manhã do sábado gordo. Logo no percurso para casa, fui encontrando diversos blocos que cantavam "Atire a primeira pedra". Surpreso, perguntei ao motorista do táxi se aquele samba estava fazendo sucesso. E ele respondeu, 'É verdade, estourou esta semana'. Então, larguei as malas em casa e corri para o Café Nice, onde fui recebido por um Ataulfo eufórico: 'Parceiro, estamos outra vez na boca do povo...'. Foi a única ocasião na vida em que vi o Ataulfo de pilequinho". Por sua ótima letra e, principalmente, pela beleza de sua melodia, "Atire a Primeira Pedra" é um dos melhores sambas carnavalescos de todos os tempos.

Atire a primeira pedra (samba, 1944) - Ataulfo Alves e Mário Lago

Disco 78 rpm / Título da música: Atire a primeira pedra / Autoria: Alves, Ataulfo, 1909-1969 (Compositor) / Lago, Mário, 1911-2001 (Compositor) / Silva, Orlando (Intérprete) / Panicali, Lírio (Acompanhante) / Orquestra Odeon (Acompanhante) / Imprenta [S.l.]: Odeon, 27/12/1943 / Nº Álbum 12417 / Gênero musical: Samba /
D                      G/A     D 
Covarde eu sei me que podem chamar 
                     B7        Em 
Porque não calo no peito esta dor 
                             A7 
Atire a primeira pedra ai,ai,ai 
  Em7              A7       D 
Aquele que não sofreu por amor 
    A7                            D 
Eu sei que vão censurar o meu proceder 
   F#7 
Eu sei, mulher 
                      Bm 
Que você mesma vai dizer 
            G             D 
Que eu voltei pra me humilhar 
                 E7 
É, mas não faz mal 
                 Em   A7 
Você pode até sorrir 
   Em                A7       D 
Perdão foi feito pra gente pedir 
   Em                A7       D 
Perdão foi feito pra gente pedir


Fonte: A Canção no Tempo - Vol. 1 - Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello - Editora 34.

Terra seca

Numa entrevista à Revista da Música Popular, em 1954, Ary Barroso apontou "Terra Seca" como sua música predileta, entre as tantas que havia feito. Com uma melodia elaborada, bem adequada a vozes de registro grave, a canção aborda o drama do trabalho do negro escravo no Brasil:

"O nego tá moiado de suó / trabaia, trabaia, trabaia nego... / a mão do nego tá que é calo só / trabaia, trabaia, trabaia nego...". Embora, com o passar do tempo, alguns tenham-na considerado conformista, com o personagem numa postura submissa, "Terra Seca" permanece como um clássico.

Terra Seca (samba, 1943) - Ary Barroso

Disco 78 rpm / Título da música: Terra seca (1ª parte) / Autoria: Barroso, Ary (Compositor) / Coro do Apiacás (Intérprete) / Déo (Intérprete) / Napoleão (Acompanhante) / Soldados Musicais (Acompanhante) / Trio Panicali (Acompanhante) / Panicali, Lírio (Acompanhante) / Imprenta [S.l.]: Continental, 1944 / Álbum 15179 / Gênero: Samba /

Disco 78 rpm / Título da música: Terra seca (2ª parte) / Autoria: Barroso, Ary (Compositor) / Coro do Apiacás (Intérprete) / Déo (Intérprete) / Napoleão (Acompanhante) / Soldados Musicais (Acompanhante) / Imprenta [S.l.]: Continental, 1944 / Álbum 15179 / Gênero: Samba /
Primeira Parte:

  Am            D7     Am
O nêgo tá, moiado de suó
  Ab5+       C     Am6       Ab5+      C      Am6
Trabáia, trabáia, nêgo  /  Trábaia, trabáia nêgo
     Dm           Gm6        A7       Dm
As mãos do nêgo tá que é calo só
  Db5+     F      Dm6  Dm     Db5+       F       Dm6  Dm
Trabáia, trabáia nêgo  /       Trabáia, trabáia, nêgo
D7          G7                           [ C ]
Ai “meu sinhô”nêgo tá véio    /   Não agüenta !
[C  ]                  F         E7   Am
Essa terra tão dura, tão seca, poeirenta... 
Ab5+     C     Am6        Ab5+       C     Am6
Trabáia, trabáia nêgo   /  Trabáia, trabáia, nêgo
Am            D7         Am
O nêgo pede licença prá falá
   Ab5+     C      Am6
Trabáia, trabáia, nêgo
 Am    Am/C      Bm7  E7       Dm7 Bm7 E7
O nêgo não pode mais trabaiá

Segunda Parte:

  A       Gb7   Bm7   E7    A  Dm7  Bm7  E7
Quando o nêgo chegou por aqui
  A       Gb7      Bm7    E7     A  G7  Gb7
Era mais vivo e ligeiro que o saci
  Bm                    Gb7                       Bm
Varava estes rios, estas matas, estes campos sem fim
  B7                                       E7   E5+
Nêgo era moço, e a vida, um brinquedo prá mim
 A              Dbm
Mas o tempo passou
         Gb7          Bm
Essa terra secou ...ô ô
       Dm                         E7
A velhice chegou e o brinquedo quebrou ....
   A7                                    D7+
Sinhô, nêgo véio tem pena de têr-se acabado 
    [B7]                      E7       A   Gb7 B7 E7 [A]
Sinhô, nêgo véio carrega este corpo cansado
[Dm]  [A]
ô ô

Promessa

Sílvio Caldas
Promessa (samba, 1943) - Custódio Mesquita e Evaldo Rui 

Disco 78 rpm / Título: Promessa / Autoria: Mesquita, Custódio, 1910-1945 (Compositor) / Rui, Evaldo, 1913-1954 (Compositor) / Sílvio Caldas (Intérprete) / Orquestra (Acompanhante) / Imprenta [S.l.]: RCA Victor, 1943 / Nº Álbum 800118 / Lado A / Gênero: Samba /
A                              F#7/5+
Senhor do Bonfim o seu filho plantou
Bm7                     E7  
Mas o sol insistente no céu  
             Bm7
toda terra secou
        (Bm7 E7)
Pedi pra chover, pra o verde voltar
E até hoje ainda estou esperando
             Cº A3b
essa chuva chegar
           (Em7 A7)
Rezei reza à bessa, fiz uma promessa,
segui procissão
                                                D7+
Comprei uma vela, acendi na capela, rezei uma oração
  B7         Cº          A
Olha o meu gado está morrendo
F#7/5+        B7/9                 Em3b
O meu povo chorando, o meu campo torrando
               F#7/5+
O Senhor me esqueceu
          Bm7                E7                   A7+  E13
Andou chuviscando, andou peneirando chover, não choveu
A7+  D7+           Bm6b
Mas quem sou pra reclamar
 C#7/5-     F#m    Em7      A7
Podes me castigar pois blasfemei
D7+ F#7 Bm7 E7                A7+
Senhor, sei que um dia há de chover
D7+          G7+      F#m7       Bm7
O rio há de correr a chuva em cachoeira
E7                       Am
Há de descer molhando a terra
Dm7          G7+
Tão dura do sertão
   C7+          Am6b   F           E7
Livre do sol então expulso deste céu de anil
 F     G  E  Dm             E    A
Vai chover no coração do Brasil

Pra machucar meu coração

Ary Barroso
Mesmo na fase em que criou a maioria de seus sambas-exaltação, Ary Barroso continuou produzindo música essencialmente popular como "Pra Machucar Meu Coração".

Um clássico do repertório sambístico, esta composição encanta não apenas pela qualidade da melodia, mas, principalmente, pela forma natural como desenvolve o tema da separação: "Está fazendo um ano e meio, amor / que o nosso lar desmoronou / meu sabiá, meu violão / e uma cruel desilusão / foi tudo que ficou, ficou-o-ô / pra machucar meu coração". Este samba foi lançado pelo cantor Déo no melhor período de sua carreira, quando era chamado de "O Ditador de Sucessos".

Pra machucar meu coração (samba, 1943) - Ary Barroso

Disco 78 rpm / Título da música: Pra machucar meu coração / Autoria: Barroso, Ary (Compositor) / Déo (Intérprete) / Imprenta [S.l.]:Continental, 1943 / Nº Álbum 15049 / Gênero musical: Samba /
G                  Am
Está fazendo um ano e meio amor
        D7           G      G7
Que o nosso lar desmoronou
        C             Cm
Meu sabiá , meu violão
                 G
E uma cruel desilusão
                 Bm E7 Am A7
Foi tudo que ficou ,ficou
          D7          G  E7 A7
Pra machucar meu coração
                D7
Quem sabe não foi
         G       E7 A7
Bem melhor assim
                D7
Melhor pra voçê
       B7        E7
E melhor pra mim

O mundo é uma escola
        A7
Onde a gente presisa aprender
                Am
A ciência de viver
            D7
Pra não sofrer

Mãe Maria

Nelson Gonçalves
Mãe Maria (samba-canção, 1943) - Custódio Mesquita e David Nasser

Disco 78 rpm / Título: Mãe Maria / Autoria: Mesquita, Custódio, 1910-1945 (Compositor) / Nasser, David, 1917-1980 (Compositor) / Nelson Gonçalves, 1919-1998 (Intérprete) / Orquestra (Acompanhante) / Imprenta [S.l.]: RCA Victor, 1943 / Nº Álbum 800109 / Gênero: Samba /
Intro: Gm Gm7  D# Dm7   

Gm          Gm7             A
Dos serões da casa grande ainda me lembro
          Cm  D7/9-               Gm
Dos meus dias de infância mais risonhos
      Cm            F        A#7+
Mãe Maria com voz doce e sonolenta
     A#m        D#             G#
Mãe Maria que chorava no meu pranto
     Gm         Gm7             A
Mãe Maria que embalava minhas lendas
     Cm         D7/9-            Gm   D# D7
Mãe Maria que sonhava nos meus sonhos
   G        G7+        F
Depois eu parti, Mãe Maria
 E                   G  Em  Am  D7/9-
Outros sonhos mais belos sonhei
      Am         Am7+    Am7
E as lendas que você me dizia, Mãe Maria
           Am      D7/9-   G7+
De outros lábios também escutei
  Em       Em7        Em6-
Depois eu sofri, Mãe Maria
Em         Bm      A     D   G
E outras mágoas maiores eu provei
       G7                C7+
E as lendas que você me dizia
     Cm  
Mãe Maria
     G      A  D    G
Em outras mãos eu deixei

Laurindo

Trio de Ouro
Para o carnaval de 43, Herivelto Martins usou o personagem Laurindo, um sambista que "Sobe o morro gritando: não acabou a Praça Onze, não acabou". E partindo desse personagem, desenvolveu um samba que seria uma espécie de continuação de "Praça Onze", até mesmo repetindo com o Trio de Ouro o clima do sucesso anterior.

O samba foi muito cantado e o personagem continuou "vivendo" em outras composições como "Às Três da Manhã", do próprio Herivelto, e "Cabo Laurindo", em que Haroldo Lobo e Wilson Batista o transformaram em "pracinha", que vai à guerra e volta condecorado.

Refletindo o momento de exaltação patriótica, que se vivia na ocasião, com o Brasil acabando de declarar guerra à Alemanha e à Itália, os versos finais do samba "Laurindo" descreviam uma cena em que a escola largava a bateria no chão e ia-se embora, enquanto a pirâmide ia "Aumentando, aumentando". Esta pirâmide é uma referência às "pirâmides" de objetos, de preferência metálicos, que o governo incentivava o povo a doar para o chamado esforço de guerra brasileiro.

Laurindo (samba/carnaval, 1943) - Herivelto Martins

Disco 78 rpm / Título: Laurindo / Autoria: Martins, Herivelto (Compositor) / Trio de Ouro (Intérprete) / Conjunto Odeon (Acompanhante) / Imprenta [S.l.]: Odeon, 1942 / Nº Álbum 12257 / Lado A / Gênero: Samba /

Laurindo sobe o morro gritando
Não acabou a Praça Onze, não acabou
Vamos esquentar nossos tamborins
Procura a porta-bandeira
E põe a turma em fileira
E marca ensaio pra quarta-feira

E quando a escola de samba chegou
Na Praça Onze não encontrou
Mais ninguém
Não sambou
Laurindo pega o apito
Apita a evolução
Mas toda a escola de samba
Largou a bateria no chão
E foi-se embora cantando
E daí a pirâmide foi aumentando, aumentando


Fonte: A Canção no Tempo - Vol. 1 - Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello - Editora 34.

Exaltação à Bahia

Heleninha Costa
Diretor musical do Cassino da Urca entre 1934 e 1945, Vicente Paiva compôs vários sambas-exaltação para os finais apoteóticos dos shows da casa, em que todo o elenco ocupava o palco -, as vedetes à frente, com suas fantasias emplumadas. Desse repertório destacou-se "Exaltação à Bahia", que Heleninha Costa, lady-crooner do cassino em 1943, transformou no maior sucesso de sua carreira.

Seguindo o esquema grandiloquente do gênero, o samba exalta poetas e heróis baianos, além das graças habituais da Boa Terra, em letra do revistógrafo português Chianca de Garcia.

Exaltação à Bahia (samba, 1943) - Vicente Paiva e Chianca de Garcia

Disco 78 rpm / Título da música: Exaltação à Bahia / Autoria: Garcia, Chianca de (Compositor) / Paiva, Vicente, 1908-1964 (Compositor) / Costa, Heleninha, 1924-2005 (Intérprete) / Gaó (Acompanhante) / Orquestra (Acompanhante) / Imprenta [S.l.]: Continental, Março/1943-Dezembro/1943 / Nº Álbum 15055 / Gênero musical: Samba /

Oi, Bahia! / Umbu, vatapá e azeite de dendê
Tem muamba / Pra nego bamba fazê canjerê
Um nome à história vou buscar / Sargento Camarão
Herói foi da Bahia / Castro Alves nos faz reclamar
Tempos da Abolição / Poeta da Bahia

Rui Barbosa, fogo triunfal / Voz da raça e do bem
O gênio da Bahia / E há nesse todo natural
Que a baiana tem / A graça da Bahia

A Bahia tem convento / Tem macumba e tem muamba
Mas onde ela é mais Bahia / É no batuque e no samba
Ai, foi na Bahia / Das Igrejas todas de ouro
Onde valem as morenas / Um tesouro, como nenhum
Como nenhum pode haver / Salve a baiana

Com sandália e balangandã / Vai mostrar ao mundo inteiro
Nosso samba brasileiro / E da auriverde Bahia, oi
Alegria, oi, do Brasil / Brasil (oba)

China pau

Castro Barbosa
China pau (marcha/carnaval, 1943) Alberto Ribeiro e João de Barro

Disco 78 rpm / Título da música: China pau / Autoria: Ribeiro, Alberto, 1902-1971 (Compositor) / João de Barro, 1907-2006 (Compositor) / Castro Barbosa (Intérprete) / Regional Columbia (Acompanhante) / Imprenta [S.l.]: Columbia, 1943 / Nº Álbum 55400 / Lado A /

É China pau / China pau
Como quê / É China pau
China duro de roer

Li num almanaque / Que mandaram de Pequim
- japonês de fraque / Parece com pinguim

E uma japonesa / Que tomou nanquim
Teve sete filhos / Com cabelo pixaim

Eu já li no leque / Da mulher de um mandarim
Que pé-de-moleque / Já não leva amendoim

Mas se Chiang Kai Chek / Continua assim
Pele de inimigo / Vai servir de tamborim

Rosa Morena

Anjos do Inferno
Rosa Morena (samba, 1942) - Dorival Caymmi

Disco 78 rpm / Título da música: Rosa Morena / Autoria: Caymmi, Dorival, 1914-2008 (Compositor) / Anjos do Inferno (Intérprete) / Imprenta [S.l.]: Columbia, 1942 / Nº Álbum 55380 / Lado B / Gênero musical: Samba /
G7+   Am7     D7              G7+ 
Rosa Morena, onde vais morena Rosa  
          Am7       Bm7          E7/5+        Am7 
Com essa rosa no cabelo e esse andar de moça prosa  
 D7              G7+ 
Morena, morena Rosa  
 G                   G5+/7    C7+ 
Rosa morena o samba está esperando  
  Cm7      F7/9   G7+ 
Esperando pra te ver  
 Bm5-/7              E5+/7     Am7 
Deixa de lado esta coisa de dengosa  
     Cm          G7+ 
Anda Rosa vem me ver  
                    C/D 
Deixa da lado esta pose  
         Bm7        E5+/7 
Vem pro samba vem sambar  
     Am7/9         D7         G7+ 
Que o pessoal tá cansado de esperar 
    E5+/7       Am7/9         D7         G7+ 
Ô Rosa, que o pessoal tá cansado de esperar 
    E5+/7           Am7/9         D7         G7+ 
Morena Rosa, que o pessoal tá cansado de esperar 
    E5+/7       Am7/9         D7         G7+ Am7 D7 G7+ 
Viu Rosa, que o pessoal tá cansado de esperar 

Renúncia

Nelson Gonçalves
Começando a se projetar em março de 42, com a valsa "Dorme que eu velo por ti", de Roberto Martins e Mário Rossi, o então jovem cantor Nelson Gonçalves se consagraria cinco meses depois com o fox "Renúncia", da mesma dupla.

De quebra, ainda mostraria com sua interpretação que possuía a voz ideal para esse tipo de música. E o curioso é que Nelson não estava interessado em "Renúncia", só a gravando em cumprimento a uma determinação de Vitório Latari, diretor da Victor. Por isso chegou ao estúdio sem conhecer a melodia. Temendo que ele errasse na gravação, a ser realizada após breve ensaio, Roberto Martins gratificou o saxofonista Luís Americano para que antecedesse a entrada do cantor com um solo do tema.

No final saiu tudo certo, nesse prodígio de improvisação, porque o cantor e o conjunto - Luís Americano (sax-alto), Carolina Cardoso de Menezes (piano), Garoto (violão-tenor), Faria (contrabaixo) e Duca (bateria) - eram ótimos. Em dezembro, Nelson voltaria a gravar "Renúncia", desta vez em ritmo de samba, para o carnaval de 43.

Renúncia (fox, 1942) - Roberto Martins e Mário Rossi

Disco 78 rpm / Título da música: Renúncia / Autoria: Rossi, Mário, 1911-1981 (Compositor) / Martins, Roberto (Compositor) / Gonçalves, Nelson, 1919-1998 (Intérprete) / Conjunto (Acompanhante) / Americano, Luiz (Acompanhante) / Regional (Acompanhante) / Imprenta [S.l.]: Victor, 27/05/1942 / Nº Álbum 34948 / Lado B / Lançamento: 08/1942 / Gênero: Fox /

A7M--------- Gb7--------- B7
Hoje não existe nada mais entre nós
---Bm7---------- E7---------- A7M
Somos duas almas que se devem separar
-----------------------------E
O meu coração vive chorando e minha voz
---------B7
Já sofremos tanto
-----------Bm7 -------E7--- Bm7 ----E7
que é melhor renunciar

----------------A7M
A minha renúncia
---------------Bb0---------- E7
Enche minh’alma e o coração de tédio
-------------Bm7
A tua renúncia
-----E7 -------------------------A7M
Dá-me um desgosto que não tem remédio

-------------A7
Amar é viver
------------------D7M----------------- Dm7
É um doce prazer embriagador e vulgar
A7M ----------Bm7--- E7---------------- A7M
Difícil no amor ----------é saber renunciar
Dm7 -------------A7M
É saber renunciar


Fonte: A Canção no Tempo - Vol. 1 - Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello - Editora 34.

Praça Onze


Delimitada pelas ruas de Santana (a leste), Marquês de Pombal (a oeste), Senador Euzébio (ao norte) e Visconde de Itaúna (ao sul), a Praça Onze existiu por mais de 150 anos. A princípio denominada Rocio Pequeno, depois Praça Onze de Junho (data da Batalha de Riachuelo), tornou-se, nas primeiras décadas do século XX, o local mais cosmopolita do Rio de Janeiro.

Em suas redondezas misturaram-se imigrantes espanhóis, italianos e judeus de várias procedências com milhares de negros, na maioria oriundos da Bahia. E foram os negros que transformaram a Praça Onze em reduto de sambistas, ao usarem o seu espaço para os desfiles das primeiras escolas de samba.

Em 1941, quando a prefeitura começou as demolições para a abertura da Avenida Presidente Vargas, que extinguiria a praça, Grande Otelo teve a idéia de protestar em ritmo de samba. Ótimo ator, mas letrista medíocre, ele escreveria uma versalhada sobre o assunto, que mostrou aos compositores Max Bulhões, Wilson Batista e Herivelto Martins, sem lhes despertar o menor interesse.

Mas Otelo era teimoso e Herivelto, para se livrar dele, compôs o samba em que aproveitou a idéia, desprezando os versos. Diga-se de passagem, que na época os dois trabalhavam nos cassinos da Urca e de Icaraí, atravessando todas as noites a Baía de Guanabara, numa lancha que fazia a ligação entre as duas casas.

Foi numa dessas travessias que Herivelto começou a escrever "Praça Onze". Acontece que a composição – anunciando o fim da praça e dos desfiles e, de uma maneira comovente, exortando os sambistas a guardarem os seus pandeiros - superou as expectativas do autor, sugerindo-lhe uma gravação diferente, em que se reproduzisse o clima de uma escola de samba. E assim ele fez, tendo a novidade se tornado padrão para a execução de sambas do gênero.

Além do canto, no estilo "empolgação", a cargo do Trio de Ouro reforçado por Castro Barbosa, foi primordial para que se estabelecesse tal clima o uso destacado de três elementos rítmicos - o tamborim, o apito e o surdo. Até então, o apito era usado nas escolas de samba somente como elemento sinalizador, para comandar o desfile. Sua função rítmica, sibilando em tempo de samba, foi uma invenção de Herivelto, lançada nesta gravação.

Por tudo isso, "Praça Onze" alcançou extraordinário sucesso, ganhando, ao lado de "Ai, que saudades de Amélia", o concurso de sambas promovido pelo Fluminense. E naquele carnaval, onde se cantou "Praça Onze" tinha sempre alguém soprando um apito, o que acabou causando a Herivelto uma despesa inesperada: caridosamente, ele assumiu metade do prejuízo sofrido por Murilo Caldas, autor da marcha "Passarinho Piu Piu", que distribuíra mil apitos entre os foliões, indiferentes à sua música.

Praça Onze (samba/carnaval, 1942) - Herivelto Martins e Grande Otelo

Disco 78 rpm / Título da música: Praça Onze / Autoria: Grande Otelo, 1915-1993 (Compositor) / Martins, Herivelto (Compositor) / Barbosa, Castro (Intérprete) / Trio de Ouro (Intérprete) / Lacerda, Benedito, 1903-1958 (Acompanhante) / Grande Conjunto (Acompanhante) / Imprenta [S.l.]: Columbia, 1941 / Nº Álbum 55319 / Lado A / Lançamento: 1942 / Gênero musical: Samba /
(intro) F C A7 Dm G7  C

       C    Dm    G7    C
Vão acabar com a Praça Onze
          C                    C7        F
Não vai haver mais Escola de Samba, não vai
  Fm6         C
Chora o tamborim
  Fm6         C
Chora o morro inteiro
  Fm6      C
Favela, Salgueiro
  Fm6                  C Am Dm G7
Mangueira, Estação Primeira
     C                           Em    Am
Guardai os vossos pandeiros, guardai
    Fm6                      C
Porque a Escola de Samba não sai

  G7                       C
Adeus, minha Praça Onze, adeus
      C7                     F
Já sabemos que vais desaparecer
                G7          C     Am
Leva contigo a nossa recordação
        D7                        G7      C7
Mas ficarás eternamente em nosso coração
         F                   Em     A7
E algum dia nova praça nós teremos
           Dm    G7   C
E o teu passado cantaremos

(instrumental)

  Fm6      C
Favela, Salgueiro
  Fm6                  C Am Dm G7
Mangueira, Estação Primeira
     C                           Em    Am
Guardai os vossos pandeiros, guardai
    Fm6                      C
Porque a Escola de Samba não sai
     C                           Em    Am
Guardai os vossos pandeiros, guardai
    Fm6                      C
Porque a Escola de Samba não sai
   Bb                     C
Praça Onze, Praça Onze, adeus
   Bb                     C
Praça Onze, Praça Onze, adeus


Fonte: A Canção no Tempo - Vol. 1 - Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello - Editora 34.

Nós, os carecas

Nós os carecas (marcha/carnaval, 1942) - Arlindo Marques Júnior e Roberto Roberti

Disco 78 rpm / Título: Nós, os carecas / Autoria: Marques Júnior, Arlindo (Compositor) / Roberti, Roberto (Compositor) / Anjos do Inferno (Intérprete) / Imprenta [S.l.]: Columbia, 1941 / Nº Álbum 55314 / Lado A / Lançamento 1942 / Gênero: Marcha /

----A------------------------------------------------- E7
Nós, nós os carecas / com as mulheres, somos os maiorais
--------------------A ---Gb7---------- B7 -------E7------- A
E na hora do aperto / ------É dos carecas que elas gostam mais


--------------------------------------A7 ------------D
Não precisa ter vergonha / Pode tirar o seu chapéu
---------------------------A
Prá que cabelo / Prá que, seu Queiroz
-----B7 ------------E7---------------- A
Agora a coisa está prá nós / Nós, nós, nós ....

Nega do cabelo duro

Anjos do Inferno
Apresentando semelhanças com a melodia do velho samba de Sinhô, "Não Quero Saber Mais Dela", a batucada "Nega do Cabelo Duro" foi um dos destaques do carnaval de 42, nas vozes dos Anjos do Inferno.

Numa época em que ninguém se preocupava em ser ou não ser politicamente correto, a composição satirizava o cabelo da personagem ("Nega do cabelo duro / qual é o pente que te penteia?...") e a moda feminina, então no auge, de frisar os cabelos ("Misampli a ferro e fogo / não desmancha nem na areia..."), a chamada ondulação permanente. Aliás, os temas capilares predominaram no carnaval de 42, pois, além de "Nega do Cabelo Duro", fizeram sucesso as marchinhas "Nós, os carecas" e "Nós os Cabeleiras".

Nega do cabelo duro (batucada/carnaval, 1942) - David Nasser e Rubens Soares

Disco 78 rpm / Título da música: Nega do cabelo duro / Autoria: Nasser, David, 1917-1980 (Compositor) / Soares, Rubens (Compositor) / Anjos do Inferno (Intérprete) / Imprenta [S.l.]: Columbia, 1941 / Nº Álbum 55315 / Lado A / Lançamento: 1942 / Gênero musical: Samba /

----E
Nega do cabelo duro
-----------------------------Gbm
Qual é o pente que te penteia ?
------------------------------B7
Qual é o pente que te penteia ?
------------------------------E
Qual é o pente que te penteia ?

-----------B7------------ E
Quando tu entras na roda
---------------------Gbm
O teu corpo serpenteia
-------------------------B7
Teu cabelo está na moda:
-----------------------------E
Qual é o pente que te penteia ?

---------B7 -----------E
Misampli a ferro e fogo
-----------------------------Gbm
Não desmancha nem na areia
--------------------------B7
Tomas banho em Botafogo
---------------------------E
Qual é o pente que penteia ?


Fonte: A Canção no Tempo - Vol. 1 - Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello - Editora 34.

Meus vinte anos

Wilson Batista
Neste samba, Wilson Batista vive um bom momento de sua carreira como letrista. Em versos simples, ele focaliza um problema existencial: o inconformismo do homem diante da velhice. Essa realidade indesejada é pressentida pelo protagonista "Nos olhos das mulheres" e confirmada no "Retrato da sala", que "Faz lembrar com saudade" a sua mocidade.

Surpreendentemente, Wilson tinha apenas 29 anos na época em que fez a composição. Autor da melodia, Sílvio Caldas é também o intérprete de "Meus Vinte Anos" num disco que, lançado no final de 42, estendeu seu sucesso a todo o ano seguinte.

Meus vinte anos (samba, 1942) - Wilson Batista e Sílvio Caldas

Disco 78 rpm / Título: Meus vinte anos / Autoria: Batista, Wilson, 1913-1968 (Compositor) / Caldas, Sílvio (Compositor) / Caldas, Sílvio (Intérprete) / Imprenta [S.l.]: Victor, Agosto/1942 / Nº Álbum 80-0006 / Lado B / Gênero musical: Samba /

Nos olhos das mulheres / No espelho do meu quarto
É que eu vejo a minha idade / O retrato na sala
Faz lembrar com saudade / A minha mocidade

A vida para mim tem sido tão ruim / Só desenganos
Ai, eu daria tudo / Para poder voltar
Aos meus vinte anos.

Deixaste minha vida / A sombra colorida
De uma saudade imensa / Deixando-me ficaste
Mostrando-me o contraste / Matando a minha crença

E hoje desiludido / Muito tenho sofrido
Cheio de desenganos / Ai, eu daria tudo
Para poder voltar / Aos meus vinte anos.

Isto aqui, o que é? (Sandália de prata)

Isto aqui, o que é? (samba, 1942) - Ary Barroso

Disco 78 rpm / Título da música: Isto aqui o que é / Autoria: Barroso, Ary (Compositor) / Moraes Neto (Intérprete) / Imprenta [S.l.]: Odeon, 1941 / Álbum 12112 / Gênero: Samba /
      A7+
Isto aqui ô ô
        Cº          Bm7
É um pouquinho de Brasil, Iaiá
        E7/13               D/E
Deste Brasil que canta e é feliz
 E7/13   A7+ C#m5-/7
Feliz, feliz
 F#7/9-                   Bm7 Dm7
É também um pouco de uma raça
                      A7+
Que não tem medo de fumaça ai, ai
 Bm7       E7/13 A7+ F#7/9- Bm7 E7/9-
E não se entrega não
                     Cº                 Bm7
Olha o jeito nas cadeiras que ela sabe dar
            E7/9                A7+
Olha só o remelexo que ela sabe dar
                     Cº                 Bm7
Olha o jeito nas cadeiras que ela sabe dar
 Cº     Bm7        E7   C#m5-/7
Morena boa que me faz penar
         F#7/9-      Bm7
Bota a sandália de prata
            E7/9  A7+
E vem pro samba sambar
 Cº     Bm7        E7   C#m5-/7
Morena boa que me faz penar
         F#7/9-      Bm7
Bota a sandália de prata
           E7/13  A7+
E vem pro samba sambar

Fez bobagem

Aracy de Almeida
Fez bobagem (samba, 1942) - Assis Valente

Disco 78 rpm / Título da música: Fez bobagem / Autoria: Valente, Assis (Compositor) / Araci de Almeida, 1914-1988 (Intérprete) / Imprenta [S.l.]: Victor, 1942 / Nº Álbum 34882 / Lado A / Gênero: Samba /
Intro: (Em7 Bb6/7) ou E7+/9

     A7+          E7+/9
Meu moreno fez bobagem
 Bm7  E7/9             A7+
Maltratou meu pobre coração
D7/9                  G#m7
Aproveitou a minha ausência
   C#7/9         F#6/7 F#5+/6      F#m  B7/9- E7+/9
E botou mulher sambando no meu barracão
           A6/7         E7+/9   Bm7
Quando eu penso que outra mulher
  E7/9              A7+   D7/9
Requebrou pra meu moreno ver
                  G#m7
Nem dá jeito de cantar
     C#7/9      F#7
Dá vontade de chorar
  B7/9- E7+/9
E de morrer
           F#m7               B7/9            F#m7  B7/9
Deixou que ela passeasse na favela com meu peignoir
          E7+/9                A6/7         E7+/9
Minha sandália de veludo deu à ela para sapatear
          F#m  B7/9  E7+/9
E eu bem longe me acabando
 Gº   F#m7  B7/9  E7+/9
Trabalhando pra viver
 A7+       G#m7        C#7/9       F#m7
Por causa dele dancei rumba e fox-trote 
       B7/9  E7+/9
Para inglês ver

Emília

Vassourinha
Emília (samba, 1942) - Wilson Batista e Haroldo Lobo

Disco 78 rpm / Título: Emília / Autoria: Lobo, Haroldo (Compositor) / Batista, Wilson, 1913-1968 (Compositor) / Vassourinha (Intérprete) / Lacerda, Benedito, 1903-1958 (Acompanhante) / Regional (Acompanhante) / Imprenta [S.l.]: Columbia, Setembro/1941-Outubro/1941 / Nº Álbum 55302 / Gênero: Samba /
G
Eu quero uma mulher,
          C7/9         G
que saiba lavar e cozinhar
Que de manhã cedo,
          E7              Am
me acorde na hora de trabalhar
   B7                     Em   
Só existe uma e sem ela eu não vivo em paz    
  Am                               D7
Emília, Emília, Emília, eu não posso mais     
   Am                D7
Ninguém sabe igual a ela
                 G
Preparar o meu café
                     B7
Não desfazendo das outras
            E7
Emília é mulher
C                    D7
Papai do céu é quem sabe
    G              E7
A falta que ela me faz
  A7                                 D7
Emília, Emília, Emília, eu não posso mais...

Dorme que eu velo por ti

Nelson Gonçalves
Dorme que eu velo por ti (valsa, 1942) - Roberto Martins e Mário Rossi

Disco 78 rpm / Título da música: Dorme que eu velo por ti / Autoria: Rossi, Mário, 1911-1981 (Compositor) / Martins, Roberto (Compositor) / Nelson Gonçalves, 1919-1998 (Intérprete) / Orquestra (Acompanhante) / Imprenta [S.l.]: Victor, 13/01/1942 / Nº Álbum 34879 / Lado B / Lançamento Março/1942 / Gênero: Valsa /

A-------------- ------- A--------
Nos sonhos meus eu criei a canção
-------------A -------Gb7------- Bm----- Gb7
De um amor que perdi sem razão
-----Bm--------- E7
A flor que nasceu
-----A-------- Gbm
Floriu e morreu
--------B7
No triste jardim
-------Bm------- E7
Do meu coração


-----A ---------------- A------ E5+
Dorme que eu velo por ti
----------A --------Gb7---- Bm -----Gb7
Sob o véu muito azul do céu
------Bm -----------------E7
Sonha que eu quero beijar
------------E5+--- A-------- E7
O luar do teu olhar

------A--------------- A
Dorme que eu velo por ti
-------A7----------- D
A sofrer sem rancor
----------Dm----------------- Gb7
E morrerei, se ela ao meu sonho
------Bm----------- E7-------- A ---F--- A
Pedindo um pouquinho de amor, amor