quinta-feira, 4 de maio de 2006

Chiquita Bacana

Emilinha Borba
A ideia de compor "Chiquita Bacana" partiu de João de Barro, que propôs a Alberto Ribeiro aproveitarem o existencialismo como motivo de uma marchinha. Na realidade, a ideia inspirava-se na imprensa da época que explorava com frequência o existencialismo - Sartre, Camus, Simone de Beauvoir e, principalmente, o lado não-científico do movimento, que abrangia os "existencialistas" boêmios, habitués das caves parisienses, seus costumes exóticos etc.

Naturalmente, o objetivo da dupla ao escrever a marchinha era fazer uma referência espirituosa ao assunto, para isso criando a figura de "Chiquita Bacana", beldade que "Se veste com uma casca de banana nanica". Sem dúvida, o comportamento da moça é inusitado, mas perfeitamente justificável, pois "Existencialista com toda razão" ela "Só faz o que manda o seu coração". Genolino Amado chegou a dizer numa crônica que esses versos eram a melhor definição do existencialismo que ele conhecia.

Além de dar a Braguinha a vitória no carnaval pelo terceiro ano consecutivo, "Chiquita Bacana" tornou-se uma de suas composições mais conhecidas, batendo, inclusive, o recorde de alcance geográfico de sua obra: foi gravada nos Estados Unidos, Argentina, Itália, Holanda, Inglaterra e França, onde, com o título de "Chiquita madame de la Martinique", e com versos de Paul Misraki, integra as discografias de Josephine Baker e Ray Ventura.

Chiquita Bacana (marcha/carnaval, 1949) - João de Barro e Alberto Ribeiro

Disco 78 rpm / Título da música: Chiquita Bacana / Autoria: Ribeiro, Alberto, 1902-1971 (Compositor) / João de Barro, 1907-2006 (Compositor) / Emilinha Borba (Intérprete) / Regional (Acompanhante) / Imprenta [S.l.]: Continental, 1948 / Lançamento: 1949 / Lado A / Gênero: Marcha /
  G                  Am
Chiquita bacana lá da Martinica   
   D7                   G
Se veste com casca de banana nanica
    Am     D7        G
Não usa vestido, não usa calção
   B7              Em
Inverno pra ela é pleno verão
   Am       D7        G
Existencialista com toda a razão
    E7        A7      D7
Só faz o que manda o seu coração


Fonte: A Canção no Tempo - Vol. 1 - Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello - Editora 34.

Capelinha de melão

Emilinha Borba
Capelinha de Melão (motivo popular) (cantiga/marcha, 1949) - Alberto Ribeiro e João de Barro

Disco 78 rpm / Título: Capelinha de melão / Autoria: Ribeiro, Alberto, 1902-1971 (Compositor) / João de Barro, 1907-2006 (Compositor) / Emilinha Borba (Intérprete) / Coro (Acompanhante) / Regional (Acompanhante) / Imprenta [S.l.]: Continental, Março 1949-Junho 1949 / Nº Álbum 16041 / Lado A / Gênero: Toada /

Capelinha de Melão / É de São João
É de cravo, é de rosa / É de manjericão

Apanhei rosas pelos caminhos / As mensageiras do meu amor
Tu me fizeste com os seus espinhos / Uma coroa de dor

Capelinha de Melão / É de São João
É de cravo, é de rosa / É de manjericão

Mandei-te cravos, tu não ligaste / E nem lhes deste nenhum valor
Com duros cravos tu me pregaste / Na cruz do teu falso amor

Cabelos brancos

Herivelto Martins
Lançado para o carnaval de 49, "Cabelos Brancos" acabou por se consagrar como um clássico de meio-de-ano. Isso aconteceu, principalmente, em razão da tristeza de sua melodia e do sentimentalismo exagerado de sua letra, bem mais adequados à forma do samba-canção. Na verdade, esta composição é mais um exemplar da série de sambas que Herivelto Martins fez ao final dos anos quarenta, cuja tônica é sempre uma chorada dor-de-cotovelo - "Não falem dessa mulher perto de mim / Não falem pra não aumentar minha dor...".

Gravado inicialmente pelos Quatro Ases e um Coringa, "Cabelos Brancos" tem outros intérpretes como Nelson Gonçalves, Sílvio Caldas, Roberto Silva, etc.

Cabelos brancos (samba, 1949) - Marino Pinto e Herivelto Martins

Disco 78 rpm / Título da música: Cabelos brancos / Autoria: Martins, Herivelto (Compositor) / Pinto, Marino (Compositor) / Quatro Ases e um Coringa (Intérprete) / Conjunto (Acompanhante) / Medeiros, Geraldo (Acompanhante) / Imprenta [S.l.]: Odeon, 1948 / Nº Álbum 12909 / Lado A / Lançamento: 1949 / Gênero musical: Samba /

----------Em--------- Gb7--- B7----- Em
Não falem desta mulher perto de mim
----------Dm7------------ G7--------- C
Não falem pra não lembrar minha dor
-----------B7 ------------------Em
Já fui moço, já gozei a mocidade
-------------------Gb7 -----C7 ----B7
Se me lembro dela me dá saudade
-------Am ------------B7 ----------Em ----Em/D
Por ela vivo aos trancos e barrancos
----------------------C7
Respeitem ao menos
--------B7 -------------Em
os meus cabelos brancos

Gbm7/-5------------ B7 ----------Em
Ninguém viveu a vida que eu vivi
---------E7------------------------- Am
Ninguém sofre na vida o que eu sofri
-------------------B7
As lágrimas sentidas,
--------Em ----------Em/D
os meus sorrisos francos
--------Gb7
Refletem-se hoje em dia
---------C7 ------------B7 ------E7
nos meus cabelos brancos

--------Am----------- C/D----------- G7
E agora, em homenagem ao meu fim
Gbm7/-5 --------------B7------------ Em
Não falem desta mulher perto de mim



Fontes: Instituto Moreira Salles - Acervo musical; A Canção no Tempo - Volume 1 - Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello - Editora 34.

Cabeça inchada

Carmélia Alves
Cabeça inchada (baião, 1949) - Hervé Cordovil

Disco 78 rpm / Título da música: Cabeça inchada / Autoria: Cordovil, Hervé (Compositor) / Carmélia Alves (Intérprete) / Orquestra (Acompanhante) / Imprenta [S.l.]: Continental, 27/03/1951 / Nº Álbum 16378 / Lado A / Lançamento: Maio/1951 / Gênero musical: Baião /

C ------------G7 ------------------------C
Eu tou doente, morena / Doente eu tou, morena
---------------G7 ------------------------C
Cabeça inchada, morena / tou, tou e tou.

----------F ----------G7----------- C
Ai, morena, moreninha, meu amor
---------------------------G7
Você diz que me namora, morena
---------C ---------------G7
Mentira, morena, namora morena
--------------C
Namora, não.

----------F ---------G7----------- C
Ai morena, moreninha meu amor
-----------------------------G7
Você diz que por mim chora, morena
-------C ----------------------G7
Mentira, morena / Não chora morena
----------------C
Não chora não.

Brasileirinho

Waldir Azevedo
Primeira composição de Waldir Azevedo - a maior expressão brasileira do cavaquinho, instrumento limitadíssimo, mas do qual conseguia extrair um som extraordinário -, "Brasileirinho" aconteceu por sugestão de um sobrinho seu, menino de dez anos: brincando com um cavaquinho que só tinha uma corda, o garoto pediu-lhe que fizesse uma música que pudesse tocar, nascendo daí, em 1947, a primeira parte do choro.

Contratado pela Continental, Waldir estreou com "Brasileirinho", que rapidamente alcançou um grande sucesso, sendo escolhido para fundo musical da propaganda de diversos candidatos em campanha eleitoral na ocasião. Esta composição que lhe rendeu o suficiente para comprar um apartamento à vista, abriu-lhe as portas para a sua carreira, tornando-se peça obrigatória em seus shows.

Na esteira do sucesso, Ademilde Fonseca gravou-o em 1950, com letra de Pereira Costa, acompanhada pelo próprio Waldir. Daí em diante, "Brasileirinho" seria gravado por dezenas de artistas, no Brasil e no exterior, podendo-se dizer que um espetáculo de choro não estará completo sem esta composição, de preferência no final.

Brasileirinho (choro, 1949) - Waldir Azevedo e Pereira da Costa

Disco 78 rpm / Título da música: Brasileirinho / Autoria: Costa, Pereira (Compositor) / Azevedo, Valdir (Compositor) / Fonseca, Ademilde (Intérprete) / Imprenta [S.l.]: Continental, 1950 / Nº Álbum 16256 / Lado A / Gênero musical: Choro /
A                                      D7/9
O brasileiro quando é de choro é entusiasmado
                                A
Quando cai no samba, não fica abafado
           E                      A
E é um desacato quando chega no salão
             E                                    A
Não há quem possa resistir quando o chorinho brasileiro 
faz sentir
                  E       
Ainda mais de cavaquinho com um pandeiro
                    A
E o violão na marcação
       Am                                                 Dm
Brasileirinho chegou a todos encantou fez todo mundo a dançar
                                           E
A noite inteira, no terreiro, até o sol raiar
                                               Am
Quando o baile terminou a turma não se conformou
 G#m    Gm F#m     Fm Em B7
Brasileirinho      abafou
       E                                           Am
Até o velho que já estava encostado nesse dia se acabou
              Am               
Pra falar a verdade estava conversando com alguém
        Dm                                               E
de respeito,  e ao ouvir, o grande choro, eu meti os peitos
                            A7
Deixei o camarada falando sozinho, 
       Dm                      Am
    cantei, pulei, dancei, brinquei
                                  B7
Até me acabei e nunca mais esquecerei 
              E              A
      o tal chorinho brasileirinho

Fontes: Instituto Moreira Salles - Acervo musical; A Canção no Tempo - Volume 1 - Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello - Editora 34.

Somos dois

Dick Farney
Outro sucesso de Dick Farney, o romântico samba "Somos Dois" é a primeira composição gravada de Klecius Caldas. "Incentivado pelos amigos", recorda Klecius, "tomei a resolução de mostrar a canção a Dick Farney, a quem na época não conhecia. Fui então à casa dele, em Santa Teresa, e cantei-lhe a música numa péssima versão em inglês que havia feito. Na minha distorcida ideia, achava que assim iria fazer sucesso na América... Quando terminei, o Dick perguntou se não tinha letra em português e depois de ouvi-la, marcou imediatamente nossa ida à Continental a fim de acertarmos providências para a gravação".

Expondo de forma original o tema de um casal em lua-de-mel, "Somos Dois" inspirou em 1950 a realização de um filme homônimo, dirigido por Milton Rodrigues, com argumento de seu irmão Nelson Rodrigues. Para esta produção, que teve como protagonista o próprio Dick Farney, Klecius e seus parceiros Armando Cavalcanti e Luís Antônio compuseram a trilha sonora.

Somos Dois (samba-canção, 1948) - Klecius Caldas, Armando Cavalcanti e Luís Antônio

Gravação original em disco 78 rpm / Título: Somos dois / Autoria: Cavalcanti, Armando, 1914-1964 (Compositor) / Caldas, Klecius, 1919-2002 (Compositor) / Luiz Antônio (Compositor) / Farney, Dick, 1921-1987 (Intérprete) / José Maria (Acompanhante) / Orquestra (Acompanhante) / Imprenta [S.l.]: Continental, 04/06/1948 / Nº Álbum 15927 / Lado B / Lançamento: Julho/1948 - Setembro/1948 / Gênero musical: Samba-canção /

Somos dois
Começo de vida
Nós dois numa simples história de amor
Enquanto esta estrada estiver florida
Sonhemos, querida

Somos dois
Seguindo na vida
Sentindo em que próximos dias
Diremos talvez
Com os olhos brilhando de felicidade
Fomos dois
Somos três



Fontes: Instituto Moreira Salles - Acervo musical; A Canção no Tempo - Volume 1 - Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello - Editora 34.

Saudade de Itapoã

Saudoso de Itapoã, Dorival Caymmi canta a praia distante num de seus mais belos postais musicais da Bahia: "Coqueiro de Itapoã... coqueiro / areia de Itapoã... areia / morena de Itapoã... morena / saudade de Itapoã... me deixa!”. E, na segunda parte, propõe ao vento que se torne mensageiro de "Boas notícias daquela terra, toda manhã" e "Jogue uma flor no colo de uma morena em Itapoã".

"Saudade de Itapoã" foi lançada pelo compositor em abril de 48, num disco em que, contrariando sua vontade, era acompanhado por dois violões em ritmo de samba-canção. Os violonistas eram ótimos, mas, para as canções de Caymmi, o melhor mesmo é ele cantando e se acompanhando, com seu violão inconfundível.

Saudade de Itapoã (canção, 1948) - Dorival Caymmi

Disco 78 rpm / Título da música: Saudade de Itapoã / Autoria: Caymmi, Dorival, 1914-2008 (Compositor) / Caymmi, Dorival (Intérprete) / violões (Acompanhante) / Imprenta [S.l.]: RCA Victor, 05/11/1947 / Nº Álbum 800576 / Lado B / Lançamento: Abril/1948 / Gênero: Canção /
A7+                  Bm 
Coqueiro de Itapoã, coqueiro 
            E7     A7+ 
Areia de Itapoã, areia 
                    Dm 
Morena de Itapoã, morena 
             E7       A7+ 
Saudade de Itapoã me deixa 
 
Oh vento que faz cantiga nas folhas 
    Bm 
No alto dos coqueirais 
                        E7 
Oh vento que ondula as águas 
 
Eu nunca tive saudade igual 
   A7/9-                                   A7+ 
Me traga boas notícias daquela terra toda manhã 
   A7/9                                    A7+ 
E joga uma flor no colo de uma morena de Itapoã 
 A7+                  Bm 
Coqueiro de Itapoã, coqueiro 
            E7     A7+ 
Areia de Itapoã, areia 
                    Dm 
Morena de Itapoã, morena 
             E7       A7+ 
Saudade de Itapoã me deixa 
    Bm    E7   A7+ 
Me deixa, me deixa... 

Fonte: A Canção no Tempo - Vol. 1 - Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello - Editora 34.

Rosa Maria

Gilberto Alves
Rosa Maria (samba, 1948) - Aníbal Silva e Éden Silva

Disco 78 rpm / Título da música: Rosa Maria / Autoria: Silva, Aníbal (Compositor) / Silva, Éden (Compositor) / Gilberto Alves (Intérprete) / Regional (Acompanhante) / Imprenta [S.l.]: RCA Victor, 1947 / Nº Álbum 800564 / Lado A / Lançamento: 1948 / Gênero musical: Samba /

--------D--- G -------------------D------ G
Um dia / ----Encontrei Rosa Maria
------------------D----- B7 ----------Em
Na beira da praia /-------- A soluçar
--------------A7--------------------- D
Eu perguntei / -------O que aconteceu?
----B7---- Em ----A7 -----D
Rosa Maria me respondeu
---------------Gb7
O nosso amor, morreu!


Não sei ainda explicar qual a razão
De Rosa Maria desprezar meu coração
Eu fazia-lhe toda vontade
Será que ela tem outra amizade ?

Quem há de dizer

Francisco Alves
Quem há de dizer (samba-canção, 1948) - Lupicínio Rodrigues e Alcides Gonçalves

Disco 78 rpm / Título da música: Quem há de dizer / Autoria: Gonçalves, Alcides (Compositor) / Rodrigues, Lupicinio, 1914-1974 (Compositor) / Francisco Alves (Intérprete) / Panicali, Lírio (Acompanhante) / Orquestra Odeon (Acompanhante) / Imprenta [S.l.]: Odeon, 25/05/1948 / Nº Álbum 12863 / Gênero musical: Samba /

-------------D---------------- D0------------------- Em
Quem há de dizer / Que quem você está vendo
------------ ------A7------------- D ---B7-E7 A7
Naquela mesa bebendo / É o meu querido amor
------D --------- --E7-------------- A
Repare bem que toda vez que ela fala
D7------- ------- Db7-- -------- D7 ---------Db7-- E7-- A7
Ilumina mais a sala / Do que a luz do refletor

D------------------ D0--------------------- Em7
O cabaret se inflama quando ela dança
-------------Gm---------- A7 -----------------------D ---D7
E com a mesma esperança / Todos lhe põem o olhar
-------------G----- Ab0------------------------- D

E eu, o dono /------ Aqui no meu abandono
-------B7 -----------E7 ----A7------------- D
Espero, louco de sono / O cabaret terminar

-----B7 ------Gbm7/-5 -----------B7 -------Em
Rapaz ! -----------Leve esta mulher consigo
----A7 --------Gb7 -----Bm ---------------G7 -------Gb7
Disse uma vez um amigo / Quando nos viu conversar
---------------G---------- Ab0------------------ D
Vocês se amam / E o amor deve ser sagrado
-------B7 -----------E7 ---A7 ----------------D
O resto deixa de lado / Vá construir o seu lar !


------B7----- Gbm7/-5 ---------B7 -------Em
Palavra !-------- Quase aceitei o conselho
--------A7------------------ D------------- G7---------- Gb7
O mundo este grande espelho / Que me fez pensar assim
-----------G---------- Ab0------- D---------- B7
Ela nasceu com o destino da lua / Pra todos
--------------------E7---- A7--------------- D

Que andam na rua / Não vai viver só pra mim

Não me diga adeus

Contrastando com a animação de É com esse que eu vou, foi também grande sucesso no carnaval de 48 o canto pungente de Araci de Almeida em Não me diga adeus: "Não, não me diga adeus / pense nos sofrimentos meus / se alguém lhe dá conselho / pra você me abandonar / não devemos nos separar".

O fato, porém, não é exceção no repertório carnavalesco. Tristes como este samba-lamento fazem-lhe companhia vários sucessos de outros carnavais como Ai, que saudades da Amélia (42), Pastorinhas (38), Foi ela (35) e a valsa Pierrô e Colombina (15/16), isso para ficar apenas nos mais conhecidos.

Não me diga adeus (samba/carnaval, 1948) - Luiz Soberano, João Correia da Silva e Paquito

Disco 78 rpm / Título: Não me diga adeus / Autoria: Silva, J. Correia da (Compositor) / Soberano, Luiz, 1920-1981 (Compositor) / Paquito (Compositor) / Almeida, Araci de, 1914-1988 (Intérprete) / Lacerda, Benedito, 1903-1958 (Acompanhante) / Conjunto (Acompanhante) / Imprenta [S.l.]: Odeon, 1947 / Nº Álbum 12826 / Lado B / Lançamento: 1948 / Gênero: Samba /
Am      G7             C          F7           E7      Am E7
Não. . . .  não me diga adeus / Pense nos sofrimentos meus
Am                                            Dm
Se alguém lhe dá conselhos / Pra você me abandonar......
Am         F          Am  E7     Am            F
Não devemos nos separar     /    Não vá me deixar  
    Am             F         Am           F       Am   E7
Por favor  / Que a saudade é cruel/ Quando existe amor
Am   G7                C       F7            E7       Am
Não . . . .não me diga adeus / Pense nos sofrimentos meus


Fontes: Instituto Moreira Salles - Acervo musical; A Canção no Tempo - Volume 1 - Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello - Editora 34.

Esse moços (Pobres moços)

Lupicínio Rodrigues
Esses moços (samba-canção, 1948) - Lupicínio Rodrigues

Disco 78 rpm / Título da música: Esses moços (pobres moços) / Autoria Rodrigues, Lupicinio, 1914-1974 (Compositor) /  Francisco Alves (Intérprete) / Panicali, Lírio (Acompanhante) / Orquestra Odeon (Acompanhante) / Imprenta [S.l.]: Odeon, 1948 / Nº Álbum 12868 / Gênero musical Samba canção /
D7+    D5+    D6   D5+
Esses moços pobres moços
D7+         Am7           D7    G#m7 C#7
Ah! Se soubessem o que eu sei
F#m7    F#m7+
Não amavam..
F#m7  B7,9   D7+ G#m    C#7  F#11
Não passavam aquilo que eu já passei
F#7  Em         A7
Por meus olhos
D7+              G7+
Por meus sonhos
G#m11          C#7  C9,13   B7,9-
Por meu sangue tudo enfim
Em7             A7     F#m7     B7   E/G#  
É que eu peço    a esses moços
A7       D7+   C#m5-7  F#7
que acreditem em mim
Bm7  Bm7/A                G#m5-7
Se eles julgam     que a um lindo futuro
C#7/G   F#11  F#7     Bm7
Só o amor nesta vida conduz
C#m5-7 F#7    Bm7   G#m5-7    C#7,9-        F#m7
Saibam que deixam o céu           por ser escuro
G#m7   C#7
E vão ao inferno
F#11   F37
A procura de luz
Bm7                G#m11
Eu também tive nos meus belos dias
C#7/G  F#11    F#7        Bm7
Essa mania que muito me custou
Em7                  Bm7
E só as mágoas eu trago hoje em dia
Am7 D7,9        G7          F#7    Bm7  A7
E essas rugas o amor me deixou

É com esse que eu vou

Foi numa viagem de trem, de Vitória para Belo Horizonte, que Pedro Caetano fez "É Com Esse Que Eu Vou". "A viagem era longa e o trem moroso demais", conta o autor, "então, para matar o tempo, comecei a compor um samba, sem maiores pretensões. Imaginei um bloco querendo fazer uma música animada para pular no carnaval. Quando a viagem terminou o samba estava pronto".

Gravado pelos Quatro Ases e um Coringa em 48 (1), este animadíssimo samba receberia 25 anos depois uma revisita de Elis Regina, num arranjo de concepção totalmente diferente do original, que incluía alterações de divisão, andamento e harmonia.

É com esse que eu vou (samba/carnaval, 1948) - Pedro Caetano

Disco 78 rpm / Título: É com esse que eu vou / Autoria: Caetano, Pedro (Compositor) / Quatro Ases e um Coringa (Intérprete) / Imprenta [S.l.]: Odeon, 1947 / Nº Álbum 12812 / Lado A / Gênero: Samba /
D7+/9
É com esse que eu vou 
        C7/9       D7+/9 B5+/7
sambar até cair no chão
                 Em7/9             
É com esse que eu vou 
    B5+/7        Em7/9   Em7/9/D
desabafar na multidão
C#º                         
Se ninguém se animar 
          F#5+/7       C7/13  B7/13 B5+/7
eu vou quebrar meu tamborim
                 Em7/9   A7/13    D7+/9   C7/9
Mas se a turma gostar vai ser pra mim
                   Bm         Am6        G#º G7+ 
É com esse que eu vou sambar até cair no chão
                  Em7/9    B5+/7       Em7/9 Em7/9/D
É com esse que eu vou desabafar na multidão
                 C#º          F#5+/7     C7/13 B7/13
Se ninguém se animar eu vou quebrar meu tamborim
       B5+/7     Em7/9    A7/13   D7+/9   D6/9
Mas se a turma gostar vai ser pra mim
      G/A                   D/A
Quero ver o ronca-ronca da cuíca
      G#5-/7       G7+      A/G        F#m   F#°
Gente pobre, gente rica, deputado, senador
       G7+                C7/9        
Quebra-quebra que eu quero ver 
             F#7/13 F#5+/7
uma cabrocha boa
    F#m7    B7/9-     E7/9   A7/13        
No piano     da    patroa, batucando, 
                  Am7 D7/9
é com esse que eu vou
             G7+                C7/9  
Mas  quebra-quebra que eu quero ver 
              F#7/13  F#5+/7
muita cabrocha boa
    F#m7    B7/9-   E7/9    D#7/9+
No piano     da    patroa,           
                 D7+/9
É com esse que eu vou

(1) A data da gravação - 1948 - difere do IMS que relata data da gravação Odeon 1947 e lançamento no mesmo ano.

Fontes: Instituto Moreira Salles - Acervo musical; A Canção no Tempo - Volume 1 - Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello - Editora 34.

Caminhemos

Herivelto Martins
"Caminhemos não tem história", declara Herivelto Martins, "é o reflexo de mil histórias, de um estado de espírito que eu vivia e o público desconhecia". Na realidade, atravessando na época um período conturbado de sua vida sentimental, o compositor extravasava em sua música os problemas que o afligiam.

Assim, não foi por acaso que saíram em seqüência "Segredo", "Caminhemos", "Cabelos brancos" e, por fim, as composições que marcaram a polêmica de sua separação da mulher, Dalva de Oliveira. Lançado em novembro de 47, "Caminhemos" firmou-se na preferência popular após o carnaval do ano seguinte.

Caminhemos (samba-canção, 1948) - Herivelto Martins

Disco 78 rpm / Título da música: Caminhemos / Autoria: Martins, Herivelto (Compositor) / Francisco Alves (Intérprete) / Panicali, Lírio (Acompanhante) / Orquestra Odeon (Acompanhante) / Imprenta [S.l.]: Odeon, 1947 / Nº Álbum 12810 / Gênero musical: Samba canção /
Intro: Am 

 Am              F               E7   Bb7      A7 
 Não, eu não posso lembrar que te amei
  Dm            Dm6      E7     Am    E7  Am 
 Não, eu preciso esquecer que sofri
   A7       Bb7                A7 
 Faça de conta que o tempo passou         
          Bb7                A7 
 E que tudo entre nós terminou 
           Bb7       A7        Dm    A7  Dm Dm6 
 E que a vida não continuou pra nós dois                                     
    Am                             B7  E7 Am E7 Am F
 Caminhemos, talvez nos vejamos depois
   E7                         Am 
 Vida comprida, estrada alongada
   A7                    Gm 
 Parto à procura de alguém            
          A7          Dm 
 Ou a procura de nada...       
         Dm6          E7 
 Vou indo caminhando
                            
          Am      E7   Am  
 Sem saber onde chegar
                  F 
 Quem sabe, na volta                       
                        E7  Am 
 Te encontre no mesmo lugar
                        
 E7            Início 
 Não, não, não 

Bahia com H

Denis Brean
Bahia com H (samba, 1948) - Denis Brean

Disco 78 rpm / Título: Bahia com "h" / Autoria: Brean, Denis (Compositor) / Francisco Alves (Intérprete) / Panicali, Lírio (Acompanhante) / Orquestra Odeon (Acompanhante) / Imprenta [S.l.]: Odeon, 29/08/1947 / Nº Álbum 12810 / Gênero: Samba /
Em7                     A7/9
Dá licença, dá licença meu senhor
D7                          D6/7 D5+/7 G7+
Dá licença, dá licença pra Ioiô
    Fm5+/7   F#m5-/7       B7/9- Em7
Eu sou amante da gostosa Bahia porém
            A7/9
Pra saber seus segredos serei baiano também
     Em7                         A7/9
Dá licença de gostar um pouquinho só
  D7                          D6/7 D5+/7 G7+
A Bahia eu não vou roubar, tem dó
          Fm5+/7  F#m7                 B7/9-
Já disse o poeta que terra mais linda não há
         Em                              A7/9  D7+
Isso é velho, do tempo em que já se escrevia Bahia com H
         Em7                   
Deixa eu ver, com meus olhos de amante saudoso
                  A7/9
a Bahia do meu coração
      D7+
Deixa ver Baixa do Sapateiro,
Chaio, Barroquinha, Calçada, Taboão
                Fm5+/6                     Em7
Sou amigo que volta feliz pra teus braços abertos Bahia
                        A7/9              F#m7  B7/9
Sou poeta e não quero ficar assim longe da tua magia
       Em7
Deixa ver teus sobrados, igrejas, teus santos
                  A7/9
Ladeiras e montes tal qual um postal
         D7                 G7+
Dá licença de rezar pro Senhor do Bonfim
               Gm6           F#m7            B7/9
Salve a Santa Bahia imortal, Bahia dos sonhos mil
             Em7              A7/9                D7+
Eu fico contente da vida em saber que a Bahia é Brasil

Adeus, América

Haroldo Barbosa
A fila enorme que se formava à porta de um teatro, na Cinelândia, para assistir a um show de Xavier Cugat deu a Geraldo Jacques a idéia de fazer um samba de protesto contra a invasão da música estrangeira. E ali mesmo, num banco da praça, ele escreveu os primeiros versos de "Adeus América", uma sátira bem-humorada, falando em "Adeus ao boogie-woogie, woogie boogie e ao swing também".

Completado por Haroldo Barbosa, o samba logo estava pronto para marcar a estreia em disco de Os cariocas , um conjunto que iria revolucionar a história dos grupos vocais brasileiros.

Adeus, América (samba, 1948) - Geraldo Jacques e Haroldo Barbosa

Disco 78 rpm / Título da música: Adeus América / Autoria: Jacques, Geraldo (Compositor) / Barbosa, Haroldo (Compositor) / Os Cariocas (Intérprete) / Imprenta [S.l.]: Continental, 1948 / Nº Álbum 15893 / Lado B / Gênero musical: Samba /
Intro: (A7+ E7/9 D7/9 A7+) 

      C6/7 B6/7                     E7/9
Não posso mais, ai que saudade do Brasil
                       A7+           C6/7
Ai que vontade que eu tenho de voltar
        B6/7                      Bm7
Adeus América, essa terra é muito boa
     E7/9            A7+
Mas não posso ficar porque
   D7/9             A7+
O samba mandou me chamar
   D7/9             A7+
O samba mandou me chamar
         D7/9
Eu digo adeus ao boogie woogie, ao woogie boogie
             A7+
E ao swing também
          D7/9
Chega de rocks, fox-trotes e pinotes
                  A7+
Que isso não me convém
     D7/9
Eu voltar pra cuíca, bater na barrica
 A7+
Tocar tamborim
           D7/9           
Chega de lights e all rights, good nights e faufaits
 E6/7     E5+/7       E7/9
Isso não dá mais pra mim
     A7+            E7/9        A7+
Eu quero um samba feito só pra mim
  E7/9 D7/9 A7+
Oooô, ooooooô


Fontes: Instituto Moreira Salles - Acervo musical; A Canção no Tempo - Volume 1 - Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello - Editora 34.

A saudade mata a gente

Dick Farney
"A Saudade Mata a Gente" é mais uma canção sobre o velho tema do amor singelo, ambientado na vida campestre ( "Fiz meu rancho na beira do rio / meu amor foi comigo morar..."), gênero que tem como paradigma "Casinha pequenina".

Mas, além de ser uma bela composição, esta toada teve como um dos motivos de seu êxito uma excelente interpretação de seu lançador, o cantor Dick Farney.

Então no auge da popularidade, Dick explora muito bem as notas graves do estribilho, em contraste com a outra parte que, aliás, recorre a um trecho da ópera "Aída", de Verdi - o bailado da 2'' cena do 2° ato ( "Festa da sagração de Radamés"). Existindo havia quase dez anos, a parceria João de Barro / Antônio Almeida só alcançaria o sucesso em 1948, com "A Saudade Mata a Gente" e a marchinha "A Mulata É a Tal".

A saudade mata a gente (toada, 1948) - João de Barro e Antônio Almeida

Disco 78 rpm / Título da música: A saudade mata a gente / Autoria: Almeida, Antônio (Compositor) / João de Barro, 1907-2006 (Compositor) / Farney, Dick, 1921-1987 (Intérprete) / Abreu, José Maria de, 1911-1966 (Acompanhante) / Orquestra (Acompanhante) / Imprenta [S.l.]: Continental, 1948 / Nº Álbum 15917 / Lado B / Gênero musical: Samba canção /
(intro) D Em7 A7 D Bm7 Em7 Gm Em7 A7 D A7/11

                              Em7
Fiz meu rancho na beira de um rio
      A7               D
Meu amor foi comigo morar
     Bm                  Em7
E na rede nas noites de frio
      Gm        Em7         A7     D
O meu bem me abraçava pra me agasalhar

      Am       D7             G
Mas agora meu Deus, vou me embora
         Gm                       D
Vou me embora e não sei se vou voltar
     Bm                  Em7
A saudade nas noites de frio
Gm          Em7         A7     D C#m 
meu peito vazio virá se aninhar

      A7          D            A7
A saudade mata a gente morena
                    D             A7
A saudade é dor pungente, morena
                  D            A7
A saudade mata a gente morena
                    G      D
A saudade é dor pungente morena

(solo) D7 G Gm D Bm Em7 Gm Em7 A7 D

( Bm C A7 D )


Fonte: A Canção no Tempo - Vol. 1 - Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello - Editora 34.