quarta-feira, 10 de maio de 2006

Canção da volta




Dolores Duran
Canção da volta (samba-canção, 1955) - Ismael Neto e Antônio Maria - Intérprete: Dolores Duran

---------------------Cm
Nunca mais vou ouvir
----------------------F----- G7 --------Cm
O que o meu coração pedir
Nunca mais vou fazer
---------------------F-------- G7
O que o meu coração mandar ...
C---------- E7
O coração
----------Am-------- F ------G7
Fala muito e não sabe ajudar
C-----------F7
Sem refletir
---------------------E7 -----F-- E7-- F
Qualquer um vai errar, penar ...
------------------G7
Eu fiz mal em sair
--------------------C7+
Eu fiz mal em deixar
-------------E7-------- Am ----Am/G---- D/Gb
O que eu tinha em você
----------------D7
E errei em dizer
-----------------------Dm
Que não voltava mais
------------G5+------- Cm
Nunca mais ...
Hoje eu volto vencida
-----------------F---- G7----- Cm
A pedir pra ficar aqui
Meu lugar é aqui
-------------------------F-- Cm-- F --Cm
Faz de conta que eu não sai

Café Soçaite




Jorge Veiga
Este samba é uma bem-humorada sátira ao café soçaite e ao colunismo social carioca dos anos cinqüenta. Em seus versos, Miguel Gustavo registra personagens ("Teresas", "Dolores", "Didu"), lugares ("Riverside", "Cabo Frio") e expressões ( "enchenté", "champanhota", "estou acontecendo") freqüentes nas colunas dos jornalistas Ibrahim Sued e Jacinto de Thormes, também citados.

Tudo isso é cantado por um falso grã-fino que, perguntado como consegue se manter nas altas rodas, responde: "Depois eu conto...". "Café Soçaite" teve como melhor intérprete o seu lançador Jorge Veiga, "O Caricaturista do Samba".

Café Soçaite (samba, 1955) - Miguel Gustavo - Intérprete: Jorge Veiga

G             E7               A7                
Doutor em anedota e em champanhota,
              D7           G
estou acontecendo no café soçaite.

Só digo "a chanté", 
     F#         Bm 
muito merci all right,
                   A              D7  
troquei a luz do dia pela luz da light.
               E7  
Agora estou somente 
                     Am
com outra dama de preto,
              D7                    G
nos dez mais elegantes eu estou também.
                      F#             Bm   
Adoro River Side, só pesco em Cabo Frio,
          A                  D7
decididamente eu sou gente bem.
                   Am      D7    G  
Enquanto a plebe rude na cidade dorme
                 B7
eu janto com Jacintho 
                  Em
que é também de Thormes.
             C    C#            G 
Teresa e Dolores falam bem de mim,
Em            F#                   B7
já fui até citado na coluna do Ibrahin.
                 Am        D7     G   
E quando me perguntam como é que pode,
                B7               Em 
papai de black tie dançando com Didu,
              C 
eu peço mais uísque, 
     C#         G
embora esteja pronto.
 Em         Am    B7          Em 
Como é que pode, depois eu conto.

Beijo nos olhos


Beijo nos olhos (bolero, 1955) - Portinho e Wilson Falcão - Interpretação: Osvaldo Rodrigues





Promessas de amor / As juras mais sinceras
Ouvi constantemente / Mas o meu coração
Não sei por que razão / Foi sempre indiferente

Jamais acreditei / Que um beijo feiticeiro
Fizesse alguém amar / Foi um beijo seu
Um beijo nos meus olhos / Que fez-me apaixonar


E no auge da paixão / cruel desilusão
Transformou em amargura / Meus dias de ventura
Teus olhos que eram meus / Alguém beijou também
Deixando só pra mim / O teu desdém

Amendoim torradinho




Vera Lúcia
Amendoim torradinho (samba, 1955) - Henrique Beltrão - Intérprete: Vera Lúcia

---------Am
Meu bem,
-----Dm -------------Am
Este teu corpo parece
Dm---------------------- Am
Do jeito que ele me aquece
------B7----- E7--- Am ----C7---- F7
---E7
Um amendoim torradinho, tão quentinho


--------Am
E a gente,
----Dm -------------------Am
Nestes teus braços esquece
-----Dm---------------- Am
Do ponteirinho que desce
---B7 ----------E7 ------Am - D - Am - A7
Só pra impedir teu carinho.

Dm ---------------------G7---------------- C --------C7
Sinto uma vontade louca de gritar pela rua
F7----------------------------------------- E7
Que eu colei minha boca, na boca que é tua
F7---------------------- G7------------------- C
E de gritar no teu ouvido, lá dentro, bem fundo
--------------A7------- Dm
Que não existe no mundo
---------Db6----------- Am
Um amor mais profundo
---------------------------B7
Que o amor bem vagabundo
-------------------------E7
Que vem lá do meu bem.

Adeus querido




Ângela Maria
Adeus querido (tango, 1955) - Eduardo Patané e Floriano Faissal - Intérprete: Ângela Maria

Se não vais voltar / Se tudo acabou
Se eu vivo a esperar em vão
Porque deixar meu coração sofrer assim

Vem uma vez mais / Vem dizer adeus
E vem reviver o que passou
E amenizar a cruel paixão / Que deixaste em mim

Vem querido, vem / Comigo recordar
De novo, vem sonhar e amar
E em nome do amor / Que houve entre nós dois
Deixemos pra depois / O adeus

Vida de bailarina


"Quem descerrar a cortina / da vida da bailarina / há de ver cheio horror (... ) Que ela é forçada a enganar / mal vivendo pra dançar / mas, dançando pra viver". Estes versos, que iniciam e terminam "Vida de Bailarina” dão bem o tom do samba-canção em que Chocolate e Américo Seixas finalizam a vida da bailarina de dancing.

Personagens típicas da noite carioca nos anos trinta e quarenta, essas bailarinas serviram de motivo a algumas composições como "Garota do Dancing", de Alberto Ribeiro e Jorge Faraj. Nenhuma, entretanto, alcançaria o prestígio de "Vida de Bailarina", lança Ângela Maria em 1954 e revisitada por Elis Regina, dezoito anos de representante ilustre da classe foi Elizeth Cardoso, bailarina antes de se tornar cantora profissional.

Vida de bailarina (samba-canção, 1954) - Américo Seixas e Chocolate - Intérprete: Ângela Maria




Intro: E5+/7

A7+      D#º          C#m7  F#5+/7
Quem descerrar a cortina
                 Bm7
Da vida da bailarina
       A#7+          C#m7 C7 Bm7 E7
Há de ver cheio de horror
A7+     F#m     B7    E  
Que no fundo do seu peito
                   F#m7
Abriga um sonho desfeito
        B7           Bm7 E7
Ou a desgraça de um amor
A7+      D#º       C#m7 F#5+/7
Os que compram o desejo
                Bm7
Pagando amor a varejo
      A#7+       A7+  Em7 A7
Vão falando sem saber
     D7+    D#º        Em6
Que ela é forçada a enganar
       F#7        Dm7
Não vivendo pra dançar

Tereza da praia

Billy Blanco
Uma suposta rivalidade entre Dick Farney e Lúcio Alves - os modernos e galantes cantores da época - deu à Continental, gravadora de ambos, uma oportunidade extra de faturamento. A idéia era promover "a pacificação" dos dois, através de uma canção dialogada em que eles disputavam a mesma garota. Como dispunha também no elenco do então jovem compositor/arranjador Antônio Carlos Jobim e do letrista Billy Blanco (que haviam acabado de fazer a "Sinfonia do Rio de Janeiro"), encarregou-os de criar esta canção. Daí nasceu o samba pré-bossa nova "Tereza da Praia", uma conversa musical entre os próprios Dick e Lúcio, o que emprestou à encenação maior autenticidade.

Esta singular realização foi valorizada pelo charme e a categoria dos cantores - que passaram a impressão de compartilhar realmente do amor da volúvel Tereza -, completada por Tom e seu conjunto, o que beneficiou de fato a carreira dos quatro participantes do projeto.

Traduzindo o ambiente carioca dos anos cinqüenta, o disco tornou-se um sucesso total, jamais sendo igualado por outras gravações da mesma canção. Sobre a coincidência de ser a então mulher de Tom Jobim homônima da personagem, esclarece Billy Blanco, em seu livro Tirando de Letra: "Lamento desapontar críticos, jornalistas e boateiros: Tereza da praia é figura absolutamente fictícia".

Tereza da praia (samba, 1954) - Billy Blanco e Tom Jobim - Intérpretes: Dick Farney e Lúcio Alves




Tom: C#m7

C#m7       F#7                D#m7
Lúcio Arranjei novo amor no Leblon
      G#7    C#m7     Em7    D7M 
Que corpo bonito, que pele morena
     G#7(b13)    C#m7 F#7       A7(9) F#7
Que amor de pequena, amar é tão bom!
  C#m7       F#7               D#m7 
O Dick! Ela tem um nariz levantado,
    G#7      C#m7      Em7     D7M
Os olhos verdinhos bastante puxados
    G#7(b13) C#m7      F#7      F#m7 B7(9)
Cabelo castanho e uma pinta do lado
     Em7   D7M         D7M D6 
É a minha Tereza da praia
     C#m7     F#7    B7M  B6
Se é tua é minha também
    Em7        A7      D7M D6
O verão passou todo comigo
     C#m7               F#7 G#7(b13)
O inverno pergunta com quem
       C#m7       F#7            D#m7 
Então vamos a Tereza na praia deixar
      G#7      C#m7     Em7    D7M     G#7(b13) 
Aos beijos do sol e abraços do mar Tereza
       C#m7     F#7     D#m7
É da praia, não é de ninguém
     G#7     C#m7          F#7     D#m7 D#m7
Não pode ser tua ... Nem minha também
G#7(b13)       C#7(9) C#m7
Tereza é da praia
E7M Eb7M  D7M C7M    B7M
Não é     de  nin...guém.

Valsa de uma cidade

Antonio Maria
Esta canção é uma crônica de amor ao Rio de Janeiro. Realmente, seus versos iniciais com um enfoque descritivo - "Vento do mar no meu rosto / e o sol a queimar, queimar / calçada cheia de gente / a passar e a me ver passar" - têm a marca inconfundível do grande cronista que foi Antônio Maria, autor da letra, e bem poderiam servir de abertura a uma de suas crônicas.

Abrem, porém, uma das mais belas canções, entre tantas, que louvam o Rio de Janeiro, uma canção em ritmo de valsa, ao contrário da maioria que canta a cidade em ritmo de samba. Em tempo: nenhum dos autores de "Valsa de Uma Cidade" era carioca, sendo Antônio Maria pernambucano e Ismael Neto paraense.

Valsa de uma cidade (valsa, 1954) - Ismael Neto e Antônio Maria - Intérprete: Lúcio Alves




Introd.: C7M  Am   Dm7   G7/-9/13

C7M        Am7            Dm
Vento do mar no meu rosto
       G7         C7M    A7    Dm7   G7
E o sol a queimar,     queimar
C7M        Am7     Dm7        G7
Calçada cheia de gente a passar
           C7M Am7 Gbm7   B7
E a me ver      passar

 E    Dbm7    Gbm7  B7 E Dbm7   Gbm7 B7
Rio    de    Janeiro    gosto    de   você
  E      Dbm7          Gbm7  B7       E7
Gosto  de     quem  gosta  deste   céu
          A7               Dm7     G7   
Deste mar,  desta  gente  feliz

C7M           Am7        Dm7
Bem que eu quis escrever
         G7           C7M    A7    Dm7  G7
Um poema de amor     e  o  amor
          Cm7    Ab7           G7
Estava  em  tudo  o  que   vi
Ab7M       Fm             Dm7    G7
Em tudo  quanto eu amei
C        Am              F7M
E no poema que eu fiz
              Dm             D7   G7   C   Am7 F7M
Tinha alguém mais feliz   que  eu

G7          C  Am7 F7M   G7               C  Am7 F7M
O meu amor                   que não me quis
 G7         C  Am7 F7M  G7               Ab7M Fm C7M/9
O meu amor                 que não  me  quis

Teresa da praia

Uma suposta rivalidade entre Dick Farney e Lúcio Alves - os modernos e galantes cantores da época - deu à Continental, gravadora de ambos, uma oportunidade extra de faturamento. A idéia era promover "a pacificação" dos dois, através de uma canção dialogada em que eles disputavam a mesma garota.

Como dispunha também no elenco do então jovem compositor/arranjador Antônio Carlos Jobim e do letrista Billy Blanco (que haviam acabado de fazer a "Sinfonia do Rio de Janeiro"), encarregou-os de criar esta canção. Daí nasceu o samba pré-bossa nova "Teresa da Praia", uma conversa musical entre os próprios Dick e Lúcio, o que emprestou à encenação maior autenticidade.

Esta singular realização foi valorizada pelo charme e a categoria dos cantores - que passaram a impressão de compartilhar realmente do amor da volúvel Teresa -, completada por Tom e seu conjunto, o que beneficiou de fato a carreira dos quatro participantes do projeto.

Traduzindo o ambiente carioca dos anos cinqüenta, o disco tornou-se um sucesso total, jamais sendo igualado por outras gravações da mesma canção. Sobre a coincidência de ser a então mulher de Tom Jobim homônima da personagem, esclarece Billy Blanco, em seu livro Tirando de Letra: "Lamento desapontar críticos, jornalistas e boateiros: Teresa da praia é figura absolutamente fictícia".

Teresa da praia (samba, 1954) - Billy Blanco e Tom Jobim



Tom: E

C#m7       F#7                D#m7
Lúcio Arranjei novo amor no Leblon
      G#7    C#m7     Em7    D7M
Que corpo bonito, que pele morena
     G#7(b13)    C#m7 F#7       A7(9) F#7
Que amor de pequena, amar é tão bom!
  C#m7       F#7               D#m7
O Dick! Ela tem um nariz levantado,
    G#7      C#m7      Em7     D7M
Os olhos verdinhos bastante puxados
    G#7(b13) C#m7      F#7      F#m7 B7(9)
Cabelo castanho e uma pinta do lado
     Em7   D7M         D7M D6
É a minha Tereza da praia
     C#m7     F#7    B7M  B6
Se é tua é minha também
    Em7        A7      D7M D6
O verão passou todo comigo
     C#m7               F#7 G#7(b13)
O inverno pergunta com quem
       C#m7       F#7            D#m7
Então vamos a Tereza na praia deixar
      G#7      C#m7     Em7    D7M     G#7(b13)
Aos beijos do sol e abraços do mar Tereza
       C#m7     F#7     D#m7
É da praia, não é de ninguém
     G#7     C#m7          F#7     D#m7 D#m7
Não pode ser tua ... Nem minha também
G#7(b13)       C#7(9) C#m7
Tereza é da praia
E7M Eb7M  D7M C7M    B7M
Não é     de  nin...guém.

São Paulo Quatrocentão

Um dobrado que chegou as paradas de sucessos e tornou-se campeão em vendagem de discos. Essas credenciais fazem de "São Paulo Quatrocentão" uma exceção, tendo em vista as características do gênero, restrito às retretas e outros tipos de parada, as paradas militares.

Mas "São Paulo Quatrocentão" é um dobrado diferente, muito bem construído, e que tem como autores dois de nossos maiores instrumentistas populares - Garoto e Chiquinho do Acordeom. Por todas essas qualidades, foi consagrado como um verdadeiro hino do IV Centenário da Cidade de São Paulo, comemorado em 25 de janeiro de 1954.

São Paulo Quatrocentão (dobrado, 1954) - Garoto, Chiquinho do Acordeom e Avaré - Intérprete: Garoto





Oh, São Paulo! Oh, meu São Paulo!
São Paulo Quatrocentão
Oh, São Paulo! Oh, meu São Paulo!
Você é o meu torrão
Oh, São Paulo ! Oh, meu São Paulo!
São Paulo das tradições
Meu São Paulo, minha terra
Mora em todos os corações


Você é lindo, é
É a terra do nosso café,
É o grande centro da nossa indústria,
É o grande esteio nacional
Você é varonil
Orgulho deste meu Brasil
Oh, meu São Paulo
Você é forte e colossal

Quem é que não vai abraçar
Meu São Paulo, no Quarto Centenário
Quem é que não vai enviar
Parabéns, no seu aniversário,
Quem é que não sente emoção
E não queira também compartilhar
Na festa do meu São Paulo
Que eu adoro e hei de adorar

Saca rolha




Zilda do Zé
Saca-rolha (marcha/carnaval, 1954) - Zé da Zilda, Zilda do Zé e Waldir Machado - Intérpretes: Zé da Zilda e Zilda do Zé

-------Am-------- Dm
As águas vão rolar
-------------------------------Am
Garrafa cheia eu não quero ver sobrar
-------------------------------E7

Eu passo a mão no saca-saca-saca rolha
---------------- Am
E bebo até me afogar

--------------------Dm
Se a polícia por isso me prender
------------ Am
Mas na última hora me soltar
-------------------------------E7
Eu passo a mão no saca-saca-saca rolha


Ninguém me agarra
---------------------Am
Ninguém me agarra

Rua sem sol

Ângela Maria
Rua Sem Sol (samba-canção, 1954) - Mário Lago e Henrique Gandelman

Disco 78 rpm / Título da música: Rua sem sol / Autoria: Gandelman, Henrique (Compositor) / Lago, Mário, 1911-2001 (Compositor) / Ângela Maria (Intérprete) / Orquestra (Acompanhante) / Imprenta [S.l.]: Copacabana, 1953 / Nº Álbum 5170 / Lado A / Gênero musical: Samba canção /

Existe perdida, num canto qualquer da cidade
Uma rua sem sol, e sem felicidade
Triste, de terra batida,
De gente mais triste e batida
Pelos socos da vida, tão cruel de ganhar

Na rua sem sol, ninguém ri, nem faz batucada
E até a garotada, já esqueceu de brincar

Quem passar vai pensar, que a vida parou
E na rua sem sol, só fantasmas, a vida deixou.

Mas no alto da rua sem sol,
Há uma luz sempre acesa,
Luz que é sol na tristeza, dessas vidas sem sol
É a esperança no sol, que amanhã há de vir
Nesse dia de sol, essa rua sem sol
Vai cantar... vai sorrir...

Recusa




Ângela Maria
Recusa (bolero, 1954) - Herivelto Martins - Intérprete: Ângela Maria

Esta dor que deixaste em minha alma
Com tanta indiferença
Eu não posso afastá-la sequer
Um momento de mim
Quanto mais me desprezas
Mais quero sentir tua presença
Não consigo esquecer-te, meu Deus,
Por que sofrer assim

Sem motivo nenhum
Tu recusas
Um amor tão sincero
Sem motivo nenhum
Abandonas a felicidade
A minha vida é uma vida
De mágoa, de dor e descrença
E eu sofro, ao sentir na recusa
Tamanha indiferença

Quem vem pra beira do mar




Araci de Almeida
Quem vem pra beira do mar (toada, 1954) - Dorival Caymmi - Intérprete: Araci de Almeida

Quem vem pra beira do mar, ai
Nunca mais quer voltar, ai
Quem vem pra beira do mar, ai
Nunca mais quer voltar

Andei por andar, andei
E todo caminho deu no mar
Andei pelo mar, andei
Nas águas de Dona Janaína

A onda do mar leva
A onda do mar traz
Quem vem pra beira da praia, meu bem
Não volta nunca mais

Quatro amores




Nelson Gonçalves
Quatro amores (samba, 1954) - Roberto Martins e Nóbrega Macedo - Intérprete: Nelson Gonçalves

Lutando, conquistou uma medalha
O lutador, medalhas em batalhas
Ganhou Napoleão
Lutando, venho eu
Por teu amor
Mas quem sou eu
Pra conquistar teu coração

Frinéa era volúvel
Mas deu seu coração
A historia repetiu
Dalila e Sansão
Até Lucrecia Borja
Dominou o imperador
Porque eu não serei
Teu grande amor

Quase - 1954




Carmen Costa
Quase (samba-canção, 1954) - Mirabeau e Jorge Gonçalves - Intérprete: Carmen Costa

Foi pensando em você / Que eu escrevi
Essa triste canção / Foi pensando em você
Que é o meu tormento / E a minha paixão
É nestes versos / Que eu quero dizer
O amor profundo / Que eu sinto por você

Ah, seu olhar me fascina / Ah, como eu vivo a sofrer
Quase que eu disse agora / O seu nome sem querer
Não quero que zombe / De nós toda essa gente
Se é por sua causa / Que eu estou tão diferente
Bem juntinho de mim ele está / Me ouvindo cantar
E juntinho dele eu estou / Morrendo de amor...

Piada de salão




Blecaute
Piada de salão (marcha/carnaval, 1954) - Klecius Caldas e Armando Cavalcanti - Intérprete: Blecaute
D        A7                  D
É ou não é   /   Piada de salão
B7           Em         A7            D
Se acham que não é  /   Então não conto não
G                                  D
Um sujeito que era gago  /   Procurou um botequim
 A7                       D
Chegou perto do gerente  /   Outro gago bem ruim
       D7           G
E disse assim    /   Eu estou tô, tô, tô, tô
D                                A7
Aonde que está, tá, tá   /   Mas o outro gaguejou
                              D
Chi!   Trá, rá, rá, rá, rá, rá, rá

O Menino de Braçanã

Roberto Paiva
Roberto Paiva (pseudônimo de Helim Silveira Neves), morto no dia 31 de julho deste 2014, aos 93 anos (sem qualquer divulgação por grande parte da imprensa), foi o criador, entre outras músicas, desta clássica toada, lançada pela Sinter em outubro de 1953, disco 00-00.269-B, matriz S-587. Posteriormente, Ivon Cúri e o próprio Luiz Vieira fariam seus registros, confirmando e aumentando o sucesso da composição. Braçanã é uma localidade do estado do Rio de Janeiro onde morava o tio de Luiz Vieira, Augusto. 

Um menino costumava, com seu jumentinho, buscar farinha na casa de Augusto e retornar no mesmo dia, sem atender aos apelos para que parasse, a fim de evitar supostas assombrações noturnas, conforme recomendação de sua mãe. O menino mostrava um crucifixo e dizia não ter medo de tais assombrações porque andava com Jesus Cristo em seu coração. O samba "Trem das onze", de Adoniran Barbosa, sucesso em 1964, é uma paráfrase desta toada (pela qual Adoniran era apaixonado), feita com a devida permissão de Luiz Vieira. Braçanã passou a Jaçanã (bairro paulistano) e ficou a ideia da necessidade de voltar cedo por causa da mãe. Fonte: Samuel Machado Filho





O menino de Braçanã (toada, 1954) - Luís Vieira e Arnaldo Passos - Intérprete: Roberto Paiva
Tom: A  

     A              E7
  é tarde eu já vou indo
                A
  preciso ir embora
          E7
  até amanhã
     A            E7
  mamãe quando eu sai
                      A
  disse menino não demore
           E7
  em Braçanã

 Am                 E7                Am              E7
  se eu demoro mamãezinha tá a me esperar prá me castigar
           Dm            E7   Am
  tá doido moço não faço isso não
                         E7             A
  vou-me embora, vou sem medo da escuridão
                         E7                   A
  quem anda com Deus não tem medo de assombração
                     E7                A
  eu ando com Jesus Cristo no meu coração

Neurastênico

Betinho e seu conjunto
Em 1954, um fox de versos insólitos e ritmo saltitante tomou de assalto as paradas de sucesso. Seu título: "Neurastênico"; seus autores: Betinho (Alberto Borges de Barros) e Nazareno de Brito. Betinho é um excelente guitarrista, filho do violonista/compositor Josué de Barros (descobridor de Carmen Miranda e introdutor do violão elétrico no Brasil).

Ex-solista da Orquestra de Carlos Machado, dos antigos cassinos da Urca e Icaraí, Betinho liderava na ocasião um conjunto que disputava a primazia nos bailes de São Paulo com o grupo do pianista Robledo.

Foi com esse conjunto que ele lançou "Neurastênico" cantando-o com voz miúda e afinada: "Brr...rrum ! / mas que nervoso estou / brr...rum sou neurastênico / brr...rum preciso me tratar / Se não eu vou Jacarepaguá...".

Esta letra onomatopaica e extravagante ganhou vida na interpretação do guitarrista, revelando uma extraordinária capacidade de estimular todo mundo a dançar alegremente. Com o sucesso instantâneo, Betinho tornou-se um nome nacional, desenvolvendo por vários anos intensa atuação. Depois, converteu-se em pastor, levando a sua arte para a área da religião.





Neurastênico (fox, 1954) - Betinho e Nazareno de Brito - Interpretação: Betinho e seu conjunto

Tom: F

-----F ------------Dm --------Gm---- C7
Brrr.... / Mas que nervoso es . . . .tou
-----F-------------- C7------- F
Brrr . . . / Sou neurastênico
C7----- F ----------Dm ------Gm--- C7
B r r r . . . / Preciso me tra . . .tar
-----F
Senão / Eu vou pra Jacarepaguá

----F ---------Dm--- Gm---- C7
Brrr . . . / Tão amoroso sou
-----F --------------------C7------- F------ C7
Brrr . . . / Quem já provou, gostou
-----F ----------Dm --------Gm ------C7
Brrr . . . / Preciso me cuidar
-----F
Senão / eu vou pra Jacarepaguá
Eu sei que elas me querem
Mas é para casar
E eu digo que me esperem
Porque depois da festa há

Não diga não




Não diga não (samba-canção, 1954) - Tito Madi e Georges Henry - Interpretação: Tito Madi

Não diga não / Não fiquemos sozinhos
Sofro demais / Longe de seus carinhos
Não diga não / Me faz sofrer
Chegue-se a mim / Assim, assim
Se disser não / Isto será meu fim

Coisas do amor / Que me fazem sofrer
Sofro demais / Só pensando em você
Olhe pra mim / Diga que sim
Que eu darei / Os teus carinhos
Não diga não / Não fiquemos sozinhos

Jura - 1954




Diamantina Gomes
Jura (samba/carnaval, 1954) - Zé da Zilda, Marcelino Ramos e Adolfo Macedo - Intérprete: Diamantina Gomes

Foi, uma jura, que eu fiz
De nunca mais amar
Foi, uma jura, que eu fiz
De nunca mais amar

Ai, ai, ai, meu Deus
Pra que, que eu jurei ?
Todo mundo sabe
Quebrei, minha jura, quebrei...

História da maçã




Jorge Veiga
História da maçã (marcha/carnaval, 1954) - Haroldo Lobo e Mílton de Oliveira - Intérprete: Jorge Veiga

A história da maçã
É pura fantasia
Maçã igual aquela
O Papai também comia

Eu li num almanaque
Que num dia, de manhã
Adão estava com fome
E comeu a tal maçã

Comeu com casca e tudo
Não deixando nem semente
Depois botou a culpa
Na pobre da serpente

Estatutos de gafieira




Billy Blanco - 1953
Estatutos de gafieira (samba, 1954) - Billy Blanco - Intérprete: Jorge Veiga

Moço / Olha o vexame
O ambiente exige respeito
Pelos estatutos / Da nossa gafieira
Dance a noite inteira / Mas dance direito


Aliás / Pelo artigo 120
O cavalheiro que fizer o seguinte:
Subir na parede / Dançar de pé pro ar
Debruçar-se na bebida sem querer pagar
Abusar da umbigada / De maneira folgazã
Prejudicando hoje / O bom crioulo de amanhã

Será distintamente censurado / Se balançar o corpo
Vai pra mão do delegado / Ta bem, moço?
Olha o vexame, moço!

Carlos Gardel - 1954

Herivelto Martins
Herivelto Martins e David Nasser haviam feito o samba "Francisco Alves", em homenagem ao amigo tragicamente desaparecido em 1952. Escolhido Nelson Gonçalves para interpretá-lo, a dupla achou que complementaria bem o disco uma composição sobre outro cantor, o legendário Carlos Gardel, também morto em desastre, anos antes. Assim nasceu o tango "Carlos Gardel", por acaso mais bonito que o samba sobre Francisco Alves e que acabaria por se tornar um sucesso, puxando a vendagem do disco.

Cantando as glórias de Gardel, a composição enfatiza sua imortalidade em versos como: "Enquanto existir um tango triste / um otário, um cabaré, uma guitarra / tu viverás também Carlos Gardel." Segundo Herivelto Martins, "Carlos Gardel" é uma de suas raras composições em que ele trabalhou sobre uma letra pronta do parceiro.





Carlos Gardel (tango, 1954) - Herivelto Martins e David Nasser - Intérprete: Nelson Gonçalves

-------Am -------E7 --------------------------Am
Tangos, bandoneons e uma guitarra que geme
---------G7---------------------- C
Num ritmo de amor desesperado
-----E7---------------------------- Am
Um cabaré que fecha suas portas
----B7----------------- F------ E
Uma rua de amor e de pecado

-----------Am-------- E7----------- Am
Um guarda que vigia numa esquina
------G7------------------------- C
Um casal ą procura de um hotel
----E7------------------------------ Am
Um resto de melodia / Um assovio
-----------------F------ E ------------------Am------ E7
Uma saudade imortal / ------Carlos Gardel

---------------A
Carlos Gardel
---------------------Ab------------ A
Buenos Aires cantava no teu canto
---------------------Ab------------- A
Buenos Aires chorava no teu pranto
-----------------------C0----------- E7
E vibrava em tua voz Carlos Gardel
-----------Bm-------------------------- E7
O teu canto era a batuta de um maestro
----------Bm---------------- E7
Que fazia pulsar os corações
-------------Bm ------E7 -------A
Na amargura das tuas melodias

Carlos Gardel
------------G7--------------------- Gb7
Que cantava a tragédia das perdidas
---------------------------------------------Bm
Compreendendo suas vidas / Perdoava seu papel
-----------------------------------------Dm
Por isso enquanto houver um tango triste
-------------------------------------A -----E----- A
Um otário, um cabaré e uma guitarra
-------------------Bm ----E ----------------A--- (E)--- (A)
Tu viverás também / ---------Carlos Gardel

Aves daninhas

Lupicínio Rodrigues
Aves daninhas (samba-canção, 1954) - Lupicínio Rodrigues

Disco 78 rpm / Título: Aves daninhas / Autoria: Rodrigues, Lupicínio, 1914-1974 (Compositor) / Nora Ney, 1922-2003 (Intérprete) / Gnattali, Alexandre (Acompanhante) / Orquestra (Acompanhante) / Imprenta [S.l.]: Continental, 1953-1954 / Nº Álbum 16942 / Lado A / Lançamento: 1954 / Gênero musical: Samba canção /
Tom: C
Intro: Gm/Bb A7 D7 Am7 D7 F/G G7 

         C7M   Ebdim      Dm6 
Eu não quero falar com ninguém 
      G7                 C7M 
Eu prefiro ir pra casa dormir 
      G/A       A7/9       D7 
Se eu vou conversar com alguém 
       Am7      D7       F/G  G7/9 
As perguntas se vão repetir 
       C7M        Ebdim        Dm6 
Quando eu estou em paz com meu bem 
    G7                  C7M 
Ninguém por ele vem perguntar 
      Em5-/7       A7      Dm 
Mas sabendo que andamos brigados  
F/G                  G7/9    C 
Esses malvados querem me torturar 
       Bm5-/7   E7/9-   Am7 
Se eu vou a uma festa sozinho 
     Dm7        G7        C7M  A7 
Procurando esquecer o meu bem 
       Dm7   F/G       C7M 
Nunca falta um  engraçadinho 
       Am7       D7/9     G7 
Perguntando: ela hoje não vem 
         Bm5-/7     E7/9-        Am7 
Já não chegam essas mágoas tão minhas 
     Dm7      G7     C7M   A7/9- 
A chorar nossa separação 
       Dm7      F/G      C7M Am7 
Ainda vem essas aves daninhas 
     D7      G7      C6 
Beliscando o meu coração 

Instrumental solo: 

C7M Ebdim Dm6 G7 C7M G/A A7/9 D7 Am7 D7 F/G G7/9 
C7M Ebdim Dm6 G7 C7M Em5-/7 A7 Dm F/G G7/9 C 

       Bm5-/7   E7/9-   Am7 
Se eu vou a uma festa sozinho 
     Dm7        G7        C7M  A7 
Procurando esquecer o meu bem 
       Dm7   F/G       C7M 
Nunca falta um  engraçadinho 
       Am7       D7/9     G7 
Perguntando: ela hoje não vem 
         Bm5-/7     E7/9-        Am7 
Já não chegam essas mágoas tão minhas 
     Dm7      G7     C7M   A7/9- 
A chorar nossa separação 
       Dm7      F/G      C7M Am7 
Ainda vem essas aves daninhas 
     D7      G7      C6 
Beliscando o meu coração

Abre alas - 1954




Jorge Goulart
Abre-Alas (samba-carnaval, 1954) - Belém, B. Lobo e Hinha

Título da música: Abre alas / Gênero musical: Samba / Intérprete: Jorge Goulart / Compositor(es): Lobo, B - Belém - Hinha / Acompanhamento: Orquestra / Radamés Gnattali / Gravadora Continental / Número do Álbum: 16884 / Data de Gravação 1953-1954 / Data de Lançamento 01/1954 / Lado: lado A / Acervo José Ramos Tinhorão / Rotações: Disco 78 rpm.

Eu chorei / Chorei, mas sem querer chorar
Ô, abre alas / Ô, abre alas
Deixa o Capela, passar

Eu chorei / Chorei, mas sem querer chorar
Ô, abre alas / Ô, abre alas
Deixa o Capela, passar

Escutem o rufar do meu tambor / O regimento do samba, chegou...
Escutem o rufar do meu tambor / O regimento do samba, chegou...
Ô, ô, ô...

A fonte secou

Monsueto
"A Fonte Secou", o melhor samba carnavalesco de 54, é o segundo sucesso (o primeiro foi "Me deixa em paz") de Monsueto Menezes. Homem de múltiplas atividades - baterista, pintor, comediante -, Monsueto foi principalmente compositor, um dos raros sambistas de qualidade surgidos nos anos cinqüenta. Espirituosos, salpicados de tiradas "filosóficas", seus sambas têm, algumas vezes, até um certo sentido de crítica social ("Lamento da Lavadeira", "Na Casa do Antônio Jó" etc.).

Antes da gravação de Raul Moreno, "A Fonte Secou" foi oferecida à cantora Marlene que a rejeitou, lamentando depois a oportunidade perdida de lançar este clássico. Atestando sua qualidade, várias composições de Monsueto tiveram regravações importantes como as de "Me deixa em paz" (Milton Nascimento e Alaíde Costa), "Mora na filosofia" (Caetano Veloso) e "A Fonte Secou" (Maria Bethânia).



A fonte secou (samba/carnaval, 1954) - Monsueto C. Menezes e Mário Barbato - Intérprete: Raul Moreno

(G)---(E7) -----Am ----D7 ----------------Am ---------B7
Eu não sou água / ------- Pra me tratares assim
-----------Em-------- A7 ----------------Am---------- D7 -----G
Só na hora da sede /---- É que procuras por mim
-------C7+---- G ---G7------------ C7+ -----------Am
A fonte secou / -------Quero dizer que entre nós
------D7----- G--- D7------------------------- G
Tudo acabou / ------Seu egoísmo me libertou
----------------C7 ----B7---- Em--- G7 ----Db0------ Gb7------- Bm----- E7
Não deves mais me procurar / ----- A fonte do nosso amor secou
-------------------A7------------------------ D7 --------E7
Mas os seus olhos / Nunca mais hão de secar

Zé Marmita

Marlene
O tema de "Zé Marmita" pode ser definido como "um dia na vida de um trabalhador". Em apenas duas estrofes este samba focaliza as agruras do cotidiano de um operário que, apesar de tudo, "Esquece a vida num bate-bola de meia".

Num apreciável poder de síntese, o compositor Luís Antônio chega a usar no verso "Zé Marmita vai e vem" essa expressão com um duplo significado: o fato de diariamente o protagonista ir e vir do trabalho pendurado na porta do trem, e sua perigosa situação de pingente, que se balança, para lá e para cá, precariamente equilibrado no lado de fora do vagão.

Além de "Zé Marmita", Luís Antônio é co-autor de outras composições que demonstram alguma preocupação social, como "Lata d'água", "Barracão" e "Sapato de pobre".



Zé Marmita (samba/carnaval, 1953) - Luís Antonio e Brasinha - Intérprete: Marlene

Quatro horas da manhã
Sai de casa o Zé Marmita
Pendurado na porta do trem
Zé Marmita vai e vem

Numa lata, Zé Marmita
Traz a bóia
Que ainda sobrou do jantar
Meio-dia Zé Marmita
Faz o fogo para comida esquentar

E o Zé Marmita
Barriga cheia
Esquece a vida
Numa bate-bola de meia

Sistema nervoso

Orlando Correa
A reunião de três ótimos compositores numa parceria nem sempre pode assegurar um bom resultado. Este é o caso de "Sistema Nervoso", samba assinado por Wilson Batista, Roberto Roberti e Arlindo Marques Júnior, sobre as alucinações de um amante rejeitado que canta em desespero: "Ela abalou-ô-ô-ô... meu sistema nervoso!". Mas, se artisticamente o samba é ruim, comercialmente foi um sucesso, vendendo aos milhares o disco gravado pelo cantor Orlando Correa .

Sistema nervoso (samba-canção, 1953) - Wilson Batista, Roberto Roberti e Arlindo Marques Júnior

Disco 78 rpm / Título da música: Sistema nervoso / Autoria: Marques Júnior, Arlindo (Compositor) / Roberti, Roberto (Compositor) / Batista, Wilson, 1913-1968 (Compositor) / Correia, Orlando (Intérprete) / Orquestra (Acompanhante) / Imprenta [S.l.]: Todamérica, 16/06/1953 / Nº Álbum 5325 / Gênero musical: Samba-canção /

Deu uma hora / Deu duas horas
O silencio em meu quarto / É pavoroso
Na escuridão / Eu escuto teus passos
No meu delírio / Ela volta a meus braços
Ela abalou-ô-ô-ô / Meu sistema nervoso!

Ela, toda noite aparece / Me beija e foge
Através da vidraça / No meu delírio
Me levanto / E abro a janela
E só o vento / O vento frio
É quem me abraça!

Sebastiana

"Sebastiana" é o lado "b" do disco inicial de Jackson do Pandeiro (José Gomes Filho) na Copacabana, que tem no lado "a" "Forró em Limoeiro". Ambas estão entre os maiores sucessos deste paraibano de Alagoa Grande, um dos mais originais, espirituosos e influentes artistas que o Nordeste produziu.

Imbatível na inventividade rítmica, Jackson formou nos anos quarenta com Rosil Cavalcanti - também pandeirista - a Dupla Café com Leite. Depois, quando o primeiro foi fazer carreira em Recife, a dupla se desfez, tornando-se Rosil um popularíssimo radialista em Campina Grande (PB), com o programa "Forro do Zé Lagoa", continuando entretanto a ligação entre os dois.

Primeira música gravada de Rosil, "Sebastiana" foi lançada no programa pós-carnavalesco no auditório da Rádio Jornal do Comércio de Recife, com a colaboração da teatróloga Luísa de Oliveira. Ao chegar no insólito breque "a-e-i-o-u-ipsilone", tendo como parceira Almira Castilhos, ela resolveu dar uma umbigada em Jackson, conquistando a platéia. Foi o início de um passo marcante, que se tornou obrigatório nas apresentações em palco de Jackson do Pandeiro. "Sebastiana" seria relançada em ' por Gal Costa em dueto com Gilberto Gil.

Sebastiana (coco, 1953) - Rosil Cavalcanti - Intérprete: Jackson do Pandeiro



Convidei a comadre Sebastiana
Pra dançar e xaxar na Paraíba.
(coro repete)
Ela veio com uma dança diferente
E pulava que só uma guariba.
(coro repete)
E gritava: a, e, i, o, u, ipsilone...
(coro repete)

Já cansada no meio da brincadeira
E dançando fora do compasso
Segurei Sebastiana pelo braço
E gritei: Não faça sujeira
O xaxado esquentou na gafieira
Sebastiana não deu mais fracasso.
Mas gritava: a, e, i, o, u, ipsilone...
(coro repete)

Se eu morresse amanhã de manhã

Dircinha Batista
Se eu morresse amanhã de manhã (samba-canção, 1953) - Antônio Maria

Disco 78 rpm / Título da música: Se eu morresse amanhã de manhã / Autoria: Maria, Antônio (Compositor) / Dircinha Batista, 1922-1999 (Intérprete) / Imprenta [S.l.]: RCA Victor, 1953 / Nº Álbum 801106 / Lado B / Gênero musical: Samba canção /
D     A6/C# Bm Bm/A         F#m7 B7/9-
De que serve viver tantos anos sem amor
Em      Em7+  Em7 C#m7/5-     A7/6 A7 A7/5+
Se viver é juntar desenganos de amor
D                  Am7    D7/9
Se eu morresse amanhã de manhã
G7+           C#m7/5- F#7
Não faria falta a ninguém
Bm    A#5+       Bm/A   G#m7/5-
Eu seria um enterro qualquer
G/A                    A7/6
Sem saudade, sem luto também
Em7                 A7/9-
Ninguém telefona, ninguém
Am7       Am/C      B7/9-
Ninguém me procura, ninguém
Em7/9              G           F#7     B7/9-
Eu grito e um eco responde: "ninguém!" 
       Em                  F°
Se eu morresse amanhã de manhã
      F#m             B7/5+
Minha falta ninguém sentiria
     Em7
Do que eu fui, do que eu fiz
Gm7            E7    A7/6
Ninguém se lembraria.. 

Risque

Linda Batista
Foi talvez para mostrar que sabia fazer samba-de-fossa tão bem quanto os especialistas - e, de quebra, faturar em cima da moda do momento que Ary Barroso compôs "Risque". Compôs e se deu bem, pois a música, lançada por Aurora Miranda em 52, firmou-se como um dos grandes sucessos do ano seguinte, na voz de Linda Batista.

Na realidade, porém, "Risque" não chega a alcançar o nível das melhores obras de Ary, limitando-se a repetir lugares comuns do gênero ( o "Inferno do amor fracassado", a "Saudade afogada nos copos de um bar"...), sobre uma melodia também comum. Muito mais interessante, pelo menos do ponto de vista melódico, é um outro samba-de-fossa de sua autoria, "Folha morta", lançado à mesma época com menor repercussão.

Risque (samba-canção, 1953) - Ary Barroso

Disco 78 rpm / Título da música: Risque / Autoria: Barroso, Ary (Compositor) / Batista, Linda, 1919-1988 (Intérprete) / Conjunto (Acompanhante) / Imprenta [S.l.]: Rca victor, 1952 / Nº Álbum 801080 / Gênero musical: Samba canção /

-------Am7--- G7 -----------------------C7M
Risque ......----- meu nome do seu caderno
Bm7/-5 -------E7 --------Am7 ------Bm7/-5
Pois não suporto o inferno
----------------E7 --------Am7 --------E7
Do nosso amor fracassado
------Am7----- G7 -----------------------C7M
Deixe ........----- que eu siga novos caminhos
Bm7/-5 ----------E7 --------Am7 -------Bm7/-5
Em busca de outros carinhos
---------------E7 -------Am7
Matemos nosso passado

---A7 ----------Bb7--- A7 ------Bb7------ A7
Mas, se um dia, talvez, a saudade apertar
Dm7 ----------A7 ------Dm7 -------G7
Não se perturbe, afogue a saudade
-----------C7M -------E7
Nos copos de um bar

-----Am7 ----G7---------------------- C7M
Creia..... -------toda a quimera se escoa
Bm7/-5---------- E7-------- Am7 --------Bm7/-5
Como a brancura da espuma
-----------------E7 ---------Am7
Que se desmancha na areia

Perdido de amor



Dick Farney
Perdido de amor (samba-canção, 1953) - Luiz Bonfá - Intérprete: Dick Farney


------------------A----------------------- E7
Perdido de amor / Perdido estou, por você
---------------Bm7 ----------------E7 -------A
Amar seu olhar / Seus lábios beijar / É viver
---------------------------------------------- Bm
À luz do luar / Eu fico a cantar,------- por você
---------------------E7 -------------------------A----- E7
Num verso que diz / Serei tão feliz, com você
------------------A-------------- -------- E7
Perdido de amor / Perdido estou, por você
------------------Bm----------- Db7
Seu beijo sensual / Carícia ideal
-------------------Gbm------ A7
Não posso esquecer
------------------D --------------------Dm
Eu vivo a sonhar / Seu nome a chamar
--------------------A---- Gb7 ------------------Bm
Só penso em você /---------- Perdido de amor
---------------E7 --------A ----F----- A
Perdido estou, por você

Onde anda você?




Nora Ney
Onde Anda Você? (samba-canção, 1953) - Antônio Maria e Reinaldo Dias Leme - Intérprete: Nora Ney

Nesta noite comprida
Onde anda você?
Neste instante da vida
Onde anda você?
Por que você não vem
Meu bem, por quê?
Nesta hora perdida
Eu queria você
Fui como um resto de bebida
Que você jogou fora
E na hora
Farto de mim
Me esqueceu
Eu fui mais uma taça desprezada
Quis ser tudo e não fui nada
Ninguém é mais triste do que eu

O xote das meninas



Luiz Gonzaga
O xote das meninas (xote, 1953) - Zé Dantas e Luiz Gonzaga - Intérprete: Luiz Gonzaga
(intro) Gm   Dm   A7   D7   Gm C7   F   G7-C7   F

       F       C7       F
Mandacaru, quando "fulóra" na seca
      F7                        Bb9
É o sinal que a chuva chega no sertão

        Bb9           Am7
Toda menina que enjoa da boneca
     Dm           Gm
É sinal de que o amor
        C7        F7
Já chegou no coração

         Bb9                     Am7
Meia comprida, não quer mais sapato baixo
     Dm        Gm
Vestido bem cintado
          C7           F
Não quer mais vestir timão

       Gm       A7           Dm
Ela só quer, só pensa em namorar
       Gm       A7           Dm
Ela só quer, só pensa em namorar

         Gm   C7       F
De manhã cedo já tá pintada
             A7
Só vive suspirando
              Dm
Sonhando acordada
                A7
O pai leva ao doutô
            Dm
A filha adoentada
               A7
Não come nem estuda,
                  Dm
Não dorme, não quer nada

       Gm       A7           Dm
Ela só quer, só pensa em namorar
       Gm       A7           Dm
Ela só quer, só pensa em namorar

         Gm    C7   F
Mas o doutô nem examina
                    A7
Chamando o pai de um lado
                 Dm
Lhe diz logo em surdina
               A7
Que o mal é da idade
              Dm
Que pra tal menina
                A7
Não tem um só remédio
          Dm
Em toda medicina

       Gm       A7           Dm
Ela só quer, só pensa em namorar
       Gm       A7           Dm
Ela só quer, só pensa em namorar

Mulher rendeira

Cercada pela lenda de que teria sido feita por Lampião, "Mulher Rendeira" é um antigo tema popular, muito cantado nos sertões nordestinos ao tempo do rei do cangaço. Por isso foi incluído no premiado filme "O Cangaceiro", de Lima Barreto, que o celebrizou no país e no exterior.

Na ocasião, sofreu uma adaptação do compositor Zé do Norte (Alfredo Ricardo do Nascimento), autor de outras músicas do filme, que manteve a sua estrutura original.

Comprova o sucesso de "Mulher Rendeira" o grande número de gravações que recebeu na época, inclusive fora do Brasil. Tem até uma gravação de um antigo cabra do bando de Lampião, o cangaceiro Volta Seca.

Mulher rendeira (toada, 1953) - Adaptação de Hervé Cordovil - Interpretação: Arranjo original no filme "O Cangaceiro"



-----D --------------G ----A7------------- D
Olê, mulher rendeira / Olê, mulher rendá
---------------------------Em ----------------A7--------- D
Tu me ensina a fazer renda / Que eu te ensino a namorar

-------------------------A7 --------------------------D
Lampião desceu a serra / Deu um baile em Cajazeira
---------------------A7----------------------------- D
Botou moça donzela / Prá cantar “Mulher Rendeira”

----------------------A7-------------------------- D
As moças da Vila Bela / Não tem mais ocupação
----------------------A7 ---------------------D
E só vivem na janela / Namorando Lampião

João Valentão

Tipos da vida real inspiraram vários personagens que habitam as canções de Dorival Caymmi, como o amigo Zezinho ("Maracangalha"), a anônima dançarina de frevo ("Dora") e o pescador Carapeba, modelo de "João Valentão".

Com um prólogo em andamento rápido e duas partes lentas, em ritmo de samba-canção, esta composição retrata a figura de João Valentão, um sujeito rude, brigão, mas que também tem seus momentos de amor e ternura.

Uma peça tipicamente caymmiana, "João Valentão" ostenta versos do mais puro lirismo como os que encerram a segunda parte: "E assim adormece esse homem / que nunca precisa dormir pra sonhar / porque não há sonho mais lindo / do que sua terra / não há".

João Valentão (samba, 1953) - Dorival Caymmi

Disco 78 rpm / Título da música: João Valentão / Autoria: Caymmi, Dorival, 1914-2008 (Compositor) / Caymmi, Dorival, 1914-2008 (Intérprete) / Orquestra (Acompanhante) / Borba, Osvaldo (Acompanhante) / Imprenta [S.l.]: Odeon, 28/05/1953 / Nº Álbum 13478 / Lado B / Lançamento: 08/1953 / Gênero musical: Samba canção /
Tom: G

Intro:  Am7 F#7/13 G7/13 F7/13 G7/13

G7/13             F7/9
João Valentão é brigão
     Ab7/13
Pra dar bofetão
          Am7          D7/9     Am7 D7/9
Não presta atenção e nem pensa na vida
Am7    D7/9    Am7  D7/9
A todos João intimida
  Am7         D7/9     Am7 D7/9
Faz coisas que até Deus duvida
Am7        D7/9      Am7 G7/13 F#7/13
Mas tem seu momento na vida


G7+                F7/9
É quando o sol vai quebrando
E7/9         Am7             D7/9
Lá pro fim do mundo pra noite chegar
Am7                    D7/9
É quando se ouve mais forte
          Bm7              E7/9-
O ronco das ondas na beira do mar
Am7               C#m5-/7   F#5+/7
É quando o cansaço da lida da vida
Bm5-/7          E7/9-
Obriga João se sentar
Am7                  D7/9
É quando a morena se encolhe
           Am7            D7/9  F7/9
Se chega pro lado querendo agradar
   Bb7+      Cm7
Se a noite é de lua
 Dm7      G5+/7    Cm7
A vontade é contar mentira
       F7/9
É se espreguiçar
Cm7                F7/9
Deitar na areia da praia
                Dm7  Cm7       Bb7+
Que acaba onde a vista não pode alcançar
Eb7+                Em7/9
E assim adormece esse homem
  A7     Dm5-/7             G5+/7
Que nunca precisa dormir pra sonhar
Cm7
Porque não há sonho mais lindo
F7/9                 Bb7+
Do que sua terra, não há


Fonte: A Canção no Tempo - Vol. 1 - Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello - Editora 34.