sexta-feira, 12 de maio de 2006

Pensando em ti




Nelson Gonçalves
Pensando em ti (samba, 1957) - Herivelto Martins e David Nasser - Interpretação: Nelson Gonçalves

------------G -----------------Bm
Eu amanheço pensando em ti
-----------Am --------------Am7
Eu anoiteço pensando em ti
------------------D7
Eu não te esqueço
------------Am ----D7 ---------------G ----Am---- G
É dia e noite . . . -----pensando em ti

--------------E7
Eu vejo a vida
----------------------Am-------- Cm
Pela luz dos olhos teus
-------------------G -------E7
Me deixe ao menos
---------Am ------------------G
Por favor . . . . pensar em Deus

-----------E7 ------------Am
Nos cigarros que eu fumo
-------D7----------- G
Te vejo nas espirais
--------Bb0------------ Am
Nos livros que tento ler
---------D7------------ G
Em cada frase tu estás
-------------------------E7
Nas orações que eu faço
---------------------------Am ------Cm
Eu encontro os olhos teus
-------------------G------ E7
Me deixe ao menos
----------Am --------D7----------- G------ Cm
Por favor . . . ------pensar em Deus
-------------G
Em . . . Deus

Peba na pimenta



João do Vale
Peba na pimenta (xote, 1957) - João do Vale, José Batista e A. Rivera - Interpretação: Marinês

(D Bm G A)
Seu Malaquias preparou cinco pebas na pimenta,
Só do povo de Campinas convidou mais de sessenta
Entre todos convidados convidou Maria Benta

Benta foi logo dizendo: Se arder não quero não!
Seu Malaquias disse então: Pode comer sem susto, esse pimentão,
Não arde não!

Benta danou-se a comer a pimenta era da "braba"
E danou-se a arder, ela chorava e se mal-dizia:
Ai se eu soubesse dessa peba não comia!

Depois houve o arrasta-pé o forró 'tava esquentando
O sanfoneiro então me disse tem gente aí dançando
Procurei pra ver quem era...
Mas era a Benta reclamando:

(D G A G A D)
Ai, ai seu Malaquias a pimenta que 'cê deu só ardia!
Tá ardendo eu sei que tá! Tá me dando uma agonia!

Ouça

Uma jovem senhora da sociedade que sabia cantar e compor muito bem... Eis aí um fenômeno raro em nossa música popular, o fenômeno Maysa, uma das mais gratas revelações artísticas dos anos cinqüenta. Levada, pelo produtor Roberto Corte Real, das festas grã-finas para os estúdios de gravação, Maysa se tornou imediatamente conhecida em todo o país, cantando o samba-canção "Ouça", o grande sucesso de sua carreira.

Embora capaz de interpretar os mais variados tipos de música, nacional ou estrangeira, foi nas canções de amores sofridos, como "Ouça", que ela melhor se realizou artisticamente. A exemplo de Carmen Miranda, no estabelecimento da gravadora Victor no Brasil, Maysa foi a estrela que impulsionou as vendas da então iniciante RGE, de José Scatena, ajudando ainda a tornar conhecido um elenco no começo de carreira.

Ouça (samba-canção, 1957) - Maysa Matarazzo - Interpretação: Maysa




Tom: G
G          Em7        Am7/9          D7/5+
Ouça, vá viver a sua vida com outro bem
G7+        Em7          Am7            D7/9
Hoje eu já cansei de pra você não ser ninguém
G7+        A7                         D7/9    D7
O passado não foi o bastante para lhe convencer
Am7             A6/7           D11 D7/9-/12-
Que o futuro seria bem grande só eu e você
G               Em7
Mas quando a lembrança
Am7/9         D7/5+
Com você for morar
 G7+     Em7
E bem baixinho
   Am7          D7/9
De saudade você chorar
  G7+                      Dm7   G7/5+
Vai lembrar que um dia existiu
   C7+                  F7/9
Um alguém que só carinho pediu
   Bm7  E7/9-             Am7
E você fez questão de não dar
   D7/9-          G
Fez questão de negar

Noites cariocas


Noites Cariocas (choro, 1957) - Jacob do Bandolim e Hermínio Bello de Carvalho - Intérprete: Jacob do Bandolim





Sei que ao meu coração, só lhe resta escolher
Os caminhos que a dor sutilmente traçou para lhe aprisionar
Nem lhe cabe sonhar com o que definhou
Vou me repreender pra não mais me envolver nessas tramas de amor
Eu bem sei que nós dois somos bem desiguais
Para que martelar, insistir, reprisar
Tanto faz, tanto fez
Eu por mim desisti, me cansei de fugir
Eu por mim decretei que fali, e daí?
Eu jurei para mim não botar nunca mais minhas mãos pelos pés

Mas que tanta mentira eu ando pregando
Supondo talvez me enganar
Mas que tanta crueza
Se minha certeza é maior do que tudo o que há
Todas as vezes que eu sonho
É você que me rouba a justeza do sono
É você quem invade bem sonso e covarde
As noites que eu tento dormir bem em paz
Sei que mais cedo ou mais tarde
Eu vou ter que expulsar todo o mal que você me rogou
Custe o que me custar vou desanuviar
Toda a dor que você me causou
Eu vou me redimir e existir mas sem ter que ouvir
As mentiras mais loucas que alguém já pregou
Nesse mundo pra mim

Sei que ao meu coração...

Sei que mais cedo ou mais tarde
Vai ter um covarde pedindo
Mas sei também que o meu coração
Não vai querer se curvar só de humilhação

Não vou pra Brasília




Não vou pra Brasília (samba, 1957) - Billy Blanco

Eu não sou índio nem nada
Não tenho orelha furada
Nem uso argola
Pendurada no nariz
Não uso tanga de pena
E a minha pele é morena
Do sol da praia onde nasci
E me criei feliz

Não vou, não vou pra Brasília
Nem eu nem minha família
Mesmo que seja
Pra ficar cheio da grana
A vida não se compara
Mesmo difícil, tão cara
Eu caio duro
Mas fico em Copacabana

Mocinho bonito




Isaura Garcia
Mocinho Bonito (samba, 1957) - Billy Blanco - Intérprete: Isaura Garcia

Mocinho bonito
Perfeito improviso do falso grã-fino
No corpo é atleta, na crânio é menino
Que além do a, b, c, nada mais aprendeu
Queimado de sol
Cabelo assanhado, com muito cuidado
Na pinta de Conde, se esconde um coitado
Um pobre farsante que a sorte esqueceu.

Contando vantagem
Que vive de renda e mora em palácio
Procura esquecer um barraco no Estácio
Lugar de origem que há pouco deixou
Mocinho bonito
Que é falso malandro de Copacabana
O mais que consegue é vintão por semana
Que a mana do peito, jamais lhe negou...

Maria dos meus pecados




Agostinho dos Santos
Maria dos meus pecados (samba-canção, 1957) - Jair Amorim e Dunga - Intérprete: Agostinho dos Santos

D7M--------- Eb0------- A7
Maria dos meus pecados
------------------------D7M
Cadê meu amor, cadê meu bem
-----Bm ----------E7 -- -----A7M--- Bb0
Mandei-lhe milhões de recados
--------Bm----- E7
E até hoje Maria
------A7
Sei lá de você

D7M ----------Eb0----- A7
Maria dos meus desejos
----------------------------D7M
Cadê meu olhar, meus beijos
-------------D7/9-------------- G7M
Não me diga que eu sou pecador
porque uê
------------Em7---- A7----- D7M ----Gm--- D7M
Meu pecado maior é gostar de você

Laura

Jorge Goulart
Laura (samba-canção, 1957) - Alcir Pires Vermelho e Braguinha (João de Barro)

Disco 78 rpm / Título: Laura / Autoria: Pires Vermelho, Alcyr, 1906-1994 (Compositor) / João de Barro, 1907-2006 (Compositor) / Jorge Goulart (Intérprete) / Imprenta[S.l.]: Continental, 1957 / Nº Álbum 17424 / Lado A / Gênero: Samba canção /

-----C7M ----Am7 ------Dm7----- G7
O vale em flor . . . a ponte . . .
-------------C7M -----Am7---- Dm7 ----G7
o rio cantando
-----C7M ----Am7 ------Dm7 ---G7 ------------C7M -----C7
O sol banhando a estrada . . .-----frases de amor


F7M -------Gbº------------------- Em7------ A7
Laura,------- um sorriso de criança
Dm7 ------------------G7 --------C7M------ C7
Laura, -------nos cabelos uma flor
F7M--------- Fm6 ---------------C7M -------A7/5M
Ó Laura,------ como é linda a vida
Dm7 ------------G7----------------- C7M ----Am7 -----Dm7 -----G7
Ó Laura, ------como é grande o amor

-----C7M -----Am7 -------Dm7 ------G7
Depois o adeus . . . um lenço . . . .
-----------------------C7M---- Am7---- Dm7---- G7
a estrada . . . a distância
-------C7M -- -----Am7 ------Dm7
O asfalto . . . a noite . . .
-------------G7 --------C7M------ C7
o bar . . . as taças de dor

F7M ----------Gbº------------------- Em7-------- A7
Laura, -------que é da rosa dos cabelos
Dm7 ----------G7 -------------------------C7M----- C7
Laura, -------que é do vale sempre em flor
F7M ------------Fm6------------ C7M-------- A7/5M
Ó Laura, -------que é do teu sorriso
Dm7 ----------G7 -------------------C7M
Ó Laura, -------que é do nosso amor . . .

Jarro da saudade



Carmen Costa
Jarro da saudade (samba/carnaval, 1957) - Mirabeau, Daniel Barbosa e Geraldo Blota - Intérpretes: Carmen Costa e Geraldo Blota


-----C ------------G7
Iaiá, cadê o jarro
------------------------------C
O jarro que eu plantei a flor
--------F ----------------C
Eu vou te contar um caso
------------------G7 ------------C -------C7
Eu quebrei o jarro e matei a flor. (Bis)

------------F
Que maldade . . . Que maldade! . . .
-----------------C
Você bem sabia
-------------------G7
No jarro de barro
----------------------C
Eu plantei a saudade! . . .

Franqueza

Denis Brean
Espirituoso e brincalhão, o jornalista Denis Brean (Augusto Duarte Ribeiro), com atuação em vários jornais de São Paulo, seria um dos melhores compositores populares paulistas, cuja produção era gravada regularmente no Rio de Janeiro.

Ostentando em sua bagagem sucessos como "Boogie-woogie na favela" ( 1945 ), "Boogie-woogie do rato" ( 1947) e "Bahia com H" (1948), ele comporia em 1957 o samba-canção "Franqueza", que caiu como uma luva no repertório de Maysa.

Expondo de forma coloquial, sobre uma melodia abolerada, o drama de um amor desfeito ("Você passa por mim e não olha / como coisa que eu fosse ninguém"), com a personagem aceitando a rejeição do parceiro, mas, ao mesmo tempo, ressaltando a sua ingratidão ( "Seus melhores momentos na vida / em meus braços você desfrutou"), "Franqueza" parece até obra da própria Maysa, que na ocasião vivia o retumbante sucesso de sua estréia como cantora e compositora.

Franqueza (samba-canção, 1957) - Denis Brean e Oswaldo Guilherme - Intérprete: Maysa




G                   Go 
Você passa por mim e não olha
     Am                 D7 
Como coisa que fosse ninguém
       G                 Go
Com certeza você já esqueceu
            Am                  D7
Que em meus braços já chorou também
       G                   E7  
Eu não ligo, porém, ao seu modo
       Am                    Cm   
Isso é próprio de quem é infeliz
       G                     Em
Que mostrar que não sente saudade
         A7                 D7
De um passado que foi tão feliz
         Am               D7
Se eu quisesse eu podia dizer
      G                    Go   
Tudo, tudo que houve entre nós
        Am                 D7
Mas pra que destruir seu orgulho
       G                           
Se eu até já esqueci sua voz
       E7                    
De uma coisa eu tenho certeza
      Am        
Foi o tempo que me confirmou
       A7                 D7  
Seus melhores momentos na vida
         C        D7       G
Nos meus braços você desfrutou

Gauchinha bem querer




Gauchinha bem querer (samba-canção, 1957) - Tito Madi - Intérprete: Tito Madi

Rio Grande do Sul
Vou me embora sem amor
Vou me embora do Rio Grande
Vou tão só com minha dor
Levarei a lembrança comigo
De um amor, que de olhares nasceu
De um amor, que depressa floriu
Mas tão cedo morreu.

Rio Grande do Sul
Eu um dia voltarei
Pra rever meu Rio Guaíba
Pra rever, meu bem-querer
E depois se ela ainda quiser
Só nós dois, a sonhar e a sorrir
Rio Grande do Sul
Vou chorar ao partir.

Graças a Deus




Graças a Deus (samba-canção, 1957) - Fernando César - Intérprete: Lana Bittencourt

----------------C ------------Am
Quando quiseres podes voltar

----------------Dm--- A7--- Dm --- Dm/C
Aos braços meus

---------------G7
Que eu te direi muito obrigado

-------------C---- Am---- Dm ----- G7
Graças a Deus


--------- C --------------Am
Não falarei dos teus defeitos
----------------Dm ---- A7 --- Dm -- Dm/C
Nem tu dos meus
--------G7
E viveremos muito felizes
--------------C ----- A7 ----- D7 ----- G7
Graças a Deus.

-------------C ----------------Am
Quero sentir-me bem envolvida
---------------Dm---- A7----- Dm----- Dm/C
Nos teus abraços
-----------------G7
Meu corpo é feito sob medida
--------------Gm6
Para teus braços.

-----------Dm --------------- Db9+
Quero poder pousar meus lábios
---------------C----- Bb7 ----- A7
Nos lábios teus
------------------Dm----------G7
E entre dois beijos dizer baixinho
--------------C ---- Fm---- C
Graças a Deus !

É luxo só

Ary Barroso
É luxo só (samba, 1957) - Ary Barroso e Luiz Peixoto

Disco 78 rpm / Título da música: É luxo só / Autoria: Barroso, Ary (Compositor) / Peixoto, Luiz (Compositor) / Raposo, Maria Helena (Intérprete) / Coral (Acompanhante) / Orquestra (Acompanhante) / Severino Filho (Acompanhante) / Imprenta [S.l.]: Mocambo, Indefinida / Nº Álbum 15179 / Gênero musical: Samba /

----C7+--------- A7/5+ ----------Dm7
Olha / Essa mulata quando samba
----------A7
É luxo só
------Dm7--- G7 ------------Dm7 ---G7------ C7+----- Dm7
Quando /----- Todo seu corpo se embalança
----------Em7 --------Gm7 -------A7/5+
É luxo só / -------Tem
-----------------------------Dm7
Um não sei o quê -----que faz ------a confusão
Fm7 -----G7 ----------------------C7+
O / ---------Que ela não tem, meu Deus
------------Dm7----- Em7 ---------F/G
É compaixão /-------- Eta mulata bamba

---C7+ -------------A7/5+------- Dm7------- A7
Olha / Essa mulata quando dança
----------Dm7 ---A7 -------Dm7------- G7
É luxo só / --------Quando
----------------C7+ ----------Dm7
Todo seu corpo se embalança
----------Em7 -----------A7
É luxo só / --------Porém
--------------------Dm7
Seu coração quando se agita
--------Gb0 ---------C7+
E palpita mais ligeiro
-------A7/5+ ---Dm7--- G7------ C7+
Nunca vi compasso tão brasileiro

----------------Dm7------ Em7
Êta samba cai -----pra lá -----cai pra cá
----------Dm7 --------------C7+ -----------A7/5+
Cai pra lá -----cai cá / Mexe com as cadeiras
------Dm7------- G7------- C------------- G7
Mulata / Seu requebrado me maltrata

Chove lá fora

Tito Madi
Tito Madi classifica sua obra e a de Dolores Duran como "elo de união da música brasileira entre as fases de Chico Alves e a bossa nova". Na verdade, embora ainda bem próximas da canção romântica tradicional, as composições iniciais de Tito e Dolores já traziam nos versos e harmonias algumas características que as identificariam com o futuro movimento. Exemplo disso é a moderna valsa "Chove Lá Fora", que canta a tragédia da solidão de forma intimista, coloquial, sem prejuízo de seu teor romântico.

Chove lá fora (valsa, 1957) - Tito Madi - Interpretação: Tito Madi




D7+              F#m7
A noite está tão fria
          Fm7 Bb7 E7/9+ A5+/7
Chove lá fora,    ora
D7+                F#m7         F#m5-/7 B7/9-
E essa saudade enjoada não vai embora
Em7            A5-/7            D7+ F#5+/7
Queria compreender porque partiste
Bm7             E7/9              Em7 G/A D#7/9 A5+/7
Queria que soubesses como estou triste
D7+           F#m7
E a chuva continua
            Fm7 Bb7      Em5-/7 A5+/7
Mais forte ainda, inda, inda
D7+              F#m7       F#m5-/7 B7/9-
Só Deus pode entender como é infinda
Em7           A5-/7
A dor de não saber
         F#m7         Bm7         Em7
Saber lá fora, onde estás, onde estás
           A7/13 D7/9+
Com quem estás agora, agora

Evocação

Frevo por Heitor dos Prazeres, sem data , óleo sobre tela  (MARGS).
Contrariando a opinião de alguns puristas, pode-se dizer que existem três tipos de frevo: o frevo-de-rua, inteiramente instrumental; o frevo-canção, com introdução instrumental, vibrante, sincopada, e duas partes cantadas; e o frevo-de-bloco, de forma idêntica à do frevo-canção, porém de andamento mais lento. A diferença entre os dois últimos corresponde, digamos, à diferença entre a marchinha e a marcha-rancho.

Pertence à terceira categoria a bela composição "Evocação", em que Nelson Ferreira recorda velhos carnavais recifenses, citando nominalmente agremiações (Bloco das Flores, Andaluzas, Pirilampos) e personagens lendários (Felinto, Pedro Salgado, Guilherme, Fenelon) da história do frevo.

Lançado sem maiores pretensões pela gravadora pernambucana Mocambo, com o pessoal do bloco Batutas de São José, "Evocação" se tornaria o maior sucesso do Carnaval de 1957, sobrepujando a produção do eixo Rio-São Paulo. Tal fato animaria Nelson Ferreira a compor nos anos seguintes uma alentada série de "evocações" - Evocação n° 2, Evocação n° 3 etc.

Evocação (frevo-de-bloco /carnaval, 1957)- Nelson Ferreira - Intérprete: Batutas de S. José





Filinto... Pedro Salgado...
Guilherme... Fenelon...
Cadê seus blocos famosos ?
Bloco das Flores... Andaluzas...
Pirilampos... Apois Fun...
Dos carnavais saudosos ?

A alta madrugada,
O coro entoava,
Do Bloco a Marcha Regresso,
Que era o sucesso,
Dos tempos ideais,
Do velho Raul Morais,
Adeus, adeus, minha gente,
Que já cantamos bastante,
E Recife adormecia,
Ficava a sonhar,
Ao som, da triste melodia.

Boneca cobiçada

Um bolero caipira, "Boneca Cobiçada" ganhou as paradas de sucesso em janeiro de 57, nelas permanecendo por mais de dez semanas. Composto por artistas sertanejos - Biá (Sebastião Alves da Cunha) e Bolinha (Euclides Pereira Rangel) -, o bolero teria, naturalmente, que ser lançado por uma dupla do gênero (Palmeira e o próprio Biá), cantando em terças como manda o figurino. Aliás, Palmeira e Biá foram figuras importantes nesse setor de nossa música, atuando juntos ou com outros parceiros (Foto: Arósio é a boneca cobiçada em "Hilda Furacão", uma minissérie da Globo).

Mas seu grande sucesso foi mesmo "Boneca cobiçada", tão grande que ensejou a promoção de Palineira (Diogo Mulero) a diretor artístico dos discos sertanejos da RCA. Aproveitando a popularidade de "Boneca Cobiçada", e em contrapartida a seus exageros românticos, foi gravado pelo humorista Zé Fidélis, ainda em 1957, o bolerinho satírico "Boneca Cabeçuda".

Boneca Cobiçada (bolero, 1957) - Biá e Bolinha - Intérpretes: Biá e Palmeira




-----------------------C
Quando eu te conheci, do amor desiludida
----------------------------------------G7
Fiz tudo e consegui dar vida à tua vida.
Dois meses de ventura, o nosso amor viveu
----------------------------------------------C
Dois meses com ternura, beijei os lábios teus.
Porém eu já sabia que perto estava o fim
-----------------------------------------G7
Pois tu não conseguias viver só pra mim.
Eu poderei morrer, mas os meus versos, não.
--------------------------------------------C --------(C )
Minha voz hás de ouvir, ferindo o coração !

----------------Dm -------G7-------------------- C
Boneca cobiçada,----------- das noites de sereno
-------------------------Dm ---G7 ---------------------C
Teu corpo não tem dono, -------teus lábios tem veneno
------------------------F ------G7-------------------- C---- A7
Se queres que eu sofra, ---------é grande o teu engano
-------------------------Dm -----G7------------------------ C---- Fm---- C
Pois olha nos meus olhos,-------- vê que não estou chorando !

Contra senso




Contra Senso (samba-canção, 1957) - Antônio Bruno - Interpretação: Isaura Garcia

Não te amo / Não me amas
Te aborreço / Me aborreces
Não sei porque não te esqueço
E tu não me esqueces

Eu não quero / Nem te ver
Tu evitas meu olhar
Mas nossos olhos insistem
Em se encontrar

Já me disseram decerto / Brincando
Que pra esquecer só nós dois / Nos casando
Mas acontece que / Não te amo
Não me amas / Te aborreço
Me aborreces

Não sei porque não te esqueço
E tu não me esqueces
(Que raiva!)