quarta-feira, 17 de maio de 2006

Apoteose do amor

Cândido das Neves
Apoteose do Amor (valsa-canção, 1936) - Cândido das Neves

Disco 78 rpm / Título da música: Apoteose do amor / Autoria: Neves, Cândido das, 1899-1934 (Compositor) / Orlando Silva (Intérprete) / Imprenta [S.l.]: Victor, 1935 / Nº Álbum 34047 / Lado A / Lançamento: 1936 / Gênero musical: Valsa /

Deus, só Deus / Sabe que os olhos teus
São para mim / Dois faróis clareando o mar
Na fúria do mar / Onde naufraga uma barca
Que o leme perdeu / Coitada, essa barca sou eu
A naufragar

Na existência que é o mar / Socorre-me com a luz desses faróis
Que são teus olhos azuis / São dois lírios os teus seios alabastrinos
Quase divinos / Parecem feitos para o meu beijo
Muito almejo dos lábios teus / Por um som
Pela glória do nosso amor

Musa dos versas meus / Inspira-me por quem és
Minha alma, bendito amor / Curvada aos teus pés
Rosa opulenta / Que o meu jardim ostenta
A queima em dor / Inspiração do meu amor

Eu nem sei por que foi que te amei / Pois tudo em ti é formosura e singular
Amei teu perfil / Amei teus olhos azuis
Eu amei teu olhar / Por fim nem tens pena de mim
Que sofro e choro / Na ânsia de te amar
Ah, triste de quem / Vive a chorar por alguém

Amanhecendo

Orlando Silva
Amanhecendo (choro, 1954) - Cícero Nunes, Arcênio de Carvalho e R. Lucas - Interpretação de Orlando Silva

Foi numa linda praia que eu encontrei
A mais linda morena que eu namorei
Estava tão linda deitada na areia
Tal qual uma sereia banhando-se ao sol
Jamais a minha mente se apagará
Aquela linda flor que vi em Paquetá
Que lindas madeixas, que pés de alabastro
Brilhava qual astro à luz de um crisol

Eu vi teu maio colorido
De um lido florido que me embeveceu
E o meu coração soluçando
Ficou esperando pois não esqueceu
Agora que o dia se aclara
Oh beleza rara
Eu fico a cismar
Mas guardarei na lembrança
A doce esperança
De um dia te encontrar

Adeus Copacabana

Orlando Silva
Adeus Copacabana (samba-canção) - Romeo Nunes - Interpretação de Orlando Silva

Envolvido na trama do destino
Deixei Vila Isabel
Que desatino!
Procurando encontrar felicidade
Em outro banco distante da cidade

Hoje eu sei quanto a vida nos engana
Quanta desilusão,
Copacabana
Vou voltar ao meu bairro novamente
Onde a gente é feliz
Diz o que sente
Onde a vida é mais simples
Mais humana
Mas não posso esquecer,
Copacabana

Você vai ficar na saudade

Você vai ficar na saudade (1976) - Benito Di Paula
D             Bm7          F#m
você cortou o barato do meu amor
   G          Em             A7      D    A7
você mentiu, iludiu e me deixou por fora
   D                   D7            G
você é culpada do meu samba entristecer
A7              D
ah eu vou-me embora
                         Bm7                   F#m
agora eu entrego os meus pontos e vou dizer porque
   G              Em              A7          D   A7
você é mulher e é bonita e eu não posso esquecer
   D                 D7             G
você vai ficar na saudade minha senhora
A7               D   A7
ah eu vou-me embora
       Bm      G      Em
adeus amor eu vou partir
A7              D
ah eu vou-me embora

Violão não se empresta a ninguém

Benito Di Paula
  G    B7    Em   G7
Onde está você ?
C      G     C
Com meu violão
          Db0           G   Em
Se você chegar fora de hora
    Am               D7          G
Não deixo você desfilar no meu cordão

                      Am
Quatro e meia, seis e meia
   D7             G
Esperei, você não veio
 B7              Em
Eu bem disse outro dia
  B7                      Em
Violão não se empresta à ninguém
 G7              C
Espero mais meia hora
  Db0           G
E se você não chegar
  Em                Am
Não aceito conversa mole
              D7                 G
Não aceito desculpa e não vai desfilar

Se não for amor



Benito Di Paula
Am                 E/G#
você me olha desse jeito     
                 Gm7            A7       Dm7
meus direitos e defeitos  querem se modificar
Bm7/5-    E7            Am 
meu pensamento se transforma 
              C7           F7+
      me transporto simplesmente 
                F#°   B7                 E7
penso coisa diferente  vejo em você meu amor

     Am                        E/G#
se não for nada disso fique perto
                      Gm7            A7        Dm7
dou um jeito e tudo certo   não precisa se preocupar
Bm7/5-         E7          Am         C7              F7+
dê mais um sorriso e vá embora por favor volte outra hora
E7         A        E7
eu só quero ver você voltar

                         A            C#m7       C7+  F#7
mas se não for amor não diga nada por favor
                       Bm7
BIS   não apague esse sonho
          E7           A          E7
pois meu coração nunca sofreu de amor
 

Mulher brasileira


Mulher brasileira (1975) - Benito Di Paula
D            Bm         Gbm
Agora chegou a vez, vou cantar
  G        D          A7        D  A7
Mulher brasileira em primeiro lugar
 D            Bm          Gbm
Agora chegou a vez vou cantar
  G        D          A7       D
Mulher brasileira em primeiro lugar

F#7    Bm     F#7    Bm
Norte a sul, do meu país
  A7        D     A7        D
Caminha sambando, quem não viu
F#7       Bm      F#7       Bm
Mulher de verdade, sim senhor
  G        D       A7         D  A7
Mulher brasileira é feita de amor 

Do jeito que a vida Quer

Benito Di Paula
Dm                              Gm 
Ninguém sabe a mágoa que trago no peito 
                          C7 
Quem me vê sorrindo desse jeito 
                   F 
Nem sequer sabe a minha solidão 
A7                           Dm            BIS 
É que meu samba me ajuda na vida 
                C7          F 
Minha dor vai passando esquecida 
                  Bb      A7 
Vou vivendo essa vida do jeito que ela me levar  
Gm               C7                     F 
Vamos falar de mulher, da morena e dinheiro 
                                 A7 
Do batuque do surdo e até do pandeiro 
                                   Cm                   D7 
Mas não fale da vida, que você não sabe o que eu já passei 
Gm               C7                      F 
Moço, aumente esse samba que o verso não para 
            Dm                      Bb 
Batuque mais forte e a tristeza se cala 
                       A7 
E eu levo essa vida do jeito que ela me levar 
Gm    C7      F 
É         do jeito que a vida quer 
A7       Cm        D7             BIS 
É desse jei........to 
           (Dm) 
      

Retalhos de cetim



“Retalhos de Cetim” foi composto ao tempo em que Benito Di Paula morava no bairro paulistano da Bela Vista. Curiosamente, embora pianista Benito o compôs ao violão.

Lançado em um show que ele fazia no Teleco-Teco, “Retalhos de Cetim” agradaria em cheio os habituées da casa, entre os quais se incluíam os sambistas Ciro Monteiro e Monsueto.

A propósito, foi muito importante para a vida noturna de São Paulo O sucesso das “casas de samba” da região do Baixo Bixiga, antigo nome da Bela Vista. O fato ocorreu em consequência do esvaziamento do Jogral, após a morte, em 1970, de seu fundador, o cantor e compositor Luís Carlos Paraná. Então, os frequentadores do famoso bar da rua Avanhandava atravessaram a avenida Nove de Julho para criar na rua Santo Antônio e adjacências um novo núcleo de intensa vida musical fundamentalmente sambístico.

Benito Di Paula
Surgiriam em seqüência casas como o Balaco Baco, que originou o Teleco-Teco, depois Da Paróquia, o Catedral do Samba (onde Benito também atuou), o Igrejinha, que abrigava o público excedente dos demais e outros de menor êxito. Além de Benito, eram atrações habituais nessas casas figuras como Adauto Santos, Pedro Miguel, Chico Matos e Mário Edson.

Mas, voltando a “Retalhos de Cetim”, foi graças ao prestígio deste samba que Benito seria convidado a gravar na Copacabana, embora, paradoxalmente, a música escolhida para o compacto de estréia tenha sido “Ela”, mais tarde também gravada por Jair Rodrigues.

Desprezado por ser considerado muito romântico, “Retalhos de Cetim” só entraria no segundo compacto, iniciando de imediato sua escalada para o sucesso, que projetou o nome do autor no país e até no exterior, onde a composição ganhou gravações como as realizadas pela orquestra de Paul Mauriat e o guitarrista americano Charlie Byrd.

“Retalhos de Cetim” conta a história de um sambista que ensaia o ano inteiro, compra surdo, tamborim e uma fantasia de retalhos de cetim para uma cabrocha que jurou desfilar por ele(“Gastei tudo em fantasia / era só o que eu queria / e ela jurou desfilar por mim”). Mas, como a cabrocha não cumpre a promessa, Benito deu ao samba um tom lamentoso, o que de certa forma induz a participação da platéia nas pausas, uma das razões que o ajudaram a se popularizar: “Mas chegou (mas chegou) o carnaval (o carnaval) / e ela não desfilou / eu chorei na avenida, eu chorei / não pensei que mentia / a cabrocha que eu tanto amei.”

Benito Do Paula - nome artístico do fluminense de Nova Friburgo Uday Veloso — fez de “Retalhos de Cetim” número obrigatório de seus shows, em que figura como a penúltima música, sendo a última “Charlie Brown”, grande sucesso de 1975 (A Canção no Tempo – Vol. 2 – Jaime Severiano e Zuza Homem de Mello – Editora 34).

Retalhos de cetim (1973) - Benito Di Paula

Am                       Em
Ensaiei meu samba o ano inteiro,
Am                    Em
Comprei surdo e tamborim.
Am                 C
Gastei tudo em fantasia,
                    F
Era só o que eu queria.
        B7            E7
E ela jurou desfilar pra mim

Am                         Em
Minha escola estava tão bonita
Am                       Em
Era tudo o que eu queria ver,
Am               C
Em retalhos de cetim.
                   F
Eu dormi o ano inteiro,
              B7          E7
E ela jurou desfilar pra mim.
A   E/G#      Em/G  F#7
Mas chegou o carnaval,
Bm       F     E7
E ela não desfilou,
          Am          Gm7 C7 F7+
Eu chorei na avenida, eu chorei.
              Bm5-/7       E7
Não pensei que mentia a cabrocha,
              A
Que eu tanto amei. 



Charlie Brown


Charlie Brown (1975) - Benito Di Paula
Introdução: A G F E

A    C#7      F#m     A7
Eh! Meu amigo Charlie
D    E7         A                     E7
Eh! Meu amigo Charlie Brown, Charlie Brown

A          A7               D
Se você quiser, vou lhe mostrar
             E7                A
A nossa São Paulo, terra da garôa
           A7                D
Se você quiser, vou lhe mostrar
            E7                 A
Bahia de Caetano, nossa gente boa
           A7                D
Se você quiser, vou lhe mostrar
                E7           A
A lebre mais bonita do Imperial
           A7                D
Se você quiser, vou lhe mostrar
              E7                A
Meu Rio de Janeiro, nosso carnaval

Eh! Meu amigo Charlie ...

           A7                D
Se você quiser, vou lhe mostrar 
               E7                    A
Vinícius de Moraes e o som de Jorge Ben
           A7                D
Se você quiser, vou lhe mostrar
              E7                      A
Torcida do Flamengo, coisa igual não tem
            A7              D
Se você quiser, vou lhe mostrar
        E7                  A
Luiz Gonzaga, rei do meu baião
            A7              D
Se você quiser, vou lhe mostrar
                  E7                A
Brasil de ponta a ponta do meu coração