domingo, 4 de junho de 2006

Deusa do Maracanã

Nelson Gonçalves
Deusa do Maracanã (valsa, 1942) - Jaime Guilherme

Disco 78 rpm / Título: Deusa do Maracanã / Autoria: Guilherme, Jaime (Compositor) / Nelson Gonçalves, 1919-1998 (Intérprete) / Imprenta [S.l.]: RCA Victor, 1942 / Nº Álbum 800002 / Lado B / Gênero musical: Valsa /
Dm                           Gm
Sempre, às seis horas da manhã,
A7
No Largo do Maracanã,
Dm  A7
Eu ouço com emoção
Dm                   Am
Uma mensagem que o sino,
B
Da igrejinha do Divino
F              E7   A7
Dirige ao meu coração...

Dm                      Gm
E, quando escuto o badalar,
A7
Vou à esquina pra ver passar,
Dm  D7
A Deusa dos sonhos meus,
Gm       A7          Dm   Dm/C
Que, com graça e singeleza,
E7/B
No seu pisar de princesa
A7                Dm
Vai prostrar-se aos pés de Deus.


A7
E o que mais me encanta,
Gm
É ver que essa linda santa,
Dm  A7
A outra santa implorar,
Dm                     Am
Sem saber que, apaixonada,
B
Aos seus pés, ajoelhada,
F             E7   A7
Minh'alma vive a rezar...


Dm                  Gm
A Deusa que tanto quero,
A7
Que ocultamente venero,
Dm  D7
No altar do meu coração,
Gm                    Dm
Passa por mim, na igrejinha,
Dm/C            E7/B
E nunca, nunca advinha,
Bb  A7            Dm
Meu amor sem remissão !!! 

Boêmio demodê



Quando este samba foi lançado, em 1971, seu autor, Adelino Moreira, estava brigado com Nélson Gonçalves. Então Adelino procurou um cantor que pudesse substituir Nélson como seu intérprete oficial. Escolheu Paulo Vinícius, mas só este samba conseguiu repercussão. Um ano mais tarde, 1972, Adelino Moreira e Nélson Gonçalves se reconciliaram, após sete anos de estremecimento (Fonte: Samuel Machado Filho)

Boêmio demodê (1971) - Adelino Moreira - Interpretação: Paulo Vinícius
F                C7 
Vou fazer uma seresta  
                   F 
Moderninha como o quem 
                  C7  
Misturar os tratamentos 
                      F  
Juntar o "tu" com "você" 
                      C7 
Eu não quero que me chamem 
               F    
Um boêmio demodé. 
 
                  C7 
Com acordes dissonantes 
                      F  
Sem marquise, sem calçada 
                      C7 
Sem vulto de mulher amada 
                   F     
Na penumbra do balcão 
                C7  
Seresta ultramoderna 
                F 
Sem viola e violão 
 
        C7    
Minha seresta 
                   F    
Nâo terá pinga na rua 
                   C7  
Não terá luar nem Lua 
                   F  
e nem lampião de gás 
          C7  
Porque a lua 
                  F 
Nestes tempos agitados 
                  C7  
Já não é dos namorados 
                    F  
Romantismo não tem maís 
 
         C7 
Minha seresta 
                F  
Nesta era espacial 
                  C7  
Vai-se tomar imortal 
                      F 
Na voz daquele ou daquela 
         C7 
Minha seresta 
                      F  
Vai ganhar placa de bronze 
                        C7  
Pois nem mesmo a Apollo 11 
                    F 
É mais moderno que ela. 


Viagem



O poeta Paulo César Pinheiro tinha apenas quatorze anos quando compôs “Viagem”. Impregnada de um lirismo extremo, que se espalha por quase cinqüenta versos, sua letra — muito bem musicada por João de Aquino — descreve uma espécie de viagem poética, alegre, luminosa, cheia de imagens surpreendentes que ressaltam o clima onírico da composição: “Vamos indo de carona / na garupa leve / do vento macio / que vem caminhando / desde muito tempo / lá do fim do mar...” Ou, ainda: “Nós só voltaremos / no cavalo baio / o alazão da noite / cujo nome é raio / Raio de Luar.”

Mas, apesar de sua qualidade, a canção teve que esperar nove anos para chegar ao sucesso. Assim, ao ser lançada em 1969, por Baden Powell (primo de João de Aquino) em disco instrumental e logo depois pela cantora Márcia, não despertou maiores emoções. Este compacto da Márcia, com acompanhamento de Baden, lançou também “Gente Humilde”, sucesso só no ano seguinte, com Ângela Maria.

Finalmente, em 1973, chegou a vez de “Viagem”: Clara Nunes a tinha gravado, mas, como rejeitou o arranjo e não houve tempo para nova gravação não a incluiu em seu elepê anual. Então apaixonada pela canção, sugeriu à amiga Marisa Gata Mansa que fosse ouvi-la num show que Márcia, ao lado de Jair Rodrigues, trouxera para o Teatro Casa Grande, no Rio. Semanas depois “Viagem” entrava nas paradas radiofônicas e na vida de Marisa como o maior sucesso de sua carreira.

Curiosamente, o maestro Lindolfo Gaya, que assinara o arranjo recusado por Clara, redimiu-se ao fazer o da gravação de Mansa, utilizando outra concepção. Ainda sobre a melodia de João de Aquino, há uma breve semelhança entre os seus compassos iniciais e os da rancheira “In a Little Spanish Town”, da americana Mabel Wayne, lançada em 1926 (A Canção no Tempo – Vol. 2 – Jaime Severiano e Zuza Homem de Mello – Editora 34).

Viagem (1973) - João de Aquino e Paulo César Pinheiro

D--------------------- Bm7-------------- E
Oh tristeza, me desculpe / Tou de malas prontas
-------------Em -------------------A7
Hoje a poesia veio ao meu encontro
--------------Em ---A7-------------- D ---------D7
Já raiou o dia, . . . . . . . .vamos viajar
G ---------------------Ab0-------------- D
Vamos indo de carona / Na garupa leve
------------------Bm7 ------------------E
Do tempo macio / Que vem caminhando
-------------------A7 -----------------D------- A7
Desde muito longe / Lá do fim do mar

D -------------------Bm7 -------------- E
Vamos visitar a estrela / Da manhã raiada
-------------------Em--------------- A7
Que pensei perdida / Pela madrugada
------------------Em-- A7 -------------D-------- D7
Mas vai escondida, . . . querendo brincar
G -----------------------Ab0 ------------D
Senta nessa nuvem clara / Minha poesia
---------------Bm7 ------------------E
Anda se prepara / Traz uma cantiga
-----------------A7 --------------D---------- A7
Vamos espalhando música no ar

D ------------------------Bm7 -----E
Olha, quantas aves brancas / Minha poesia
--------------------Em --------------------A7
Dançam nossa valsa / Pelo céu que um dia
----------------Em ------A7 -----D -------D7
Fez todo bordado de raios de sol
G -----------------Ab0------------------ D
Oh poesia me ajude / Vou colher avencas
-------------------Bm7 ------------------E
Lírios, rosas, dálias / Pelos campos verdes
----------------A7 ----------------D-------- A7
Que você batiza de jardins do céu

D ----------------------Bm7------------- E
Mas, pode ficar tranquila / Minha poesia
------------------Em --------------------A7
Pois nós voltaremos / Numa estrela guia
-------------------Em-- A7----------- D ----------D7
Num clarão de lua . . . .quando serenar
G ------------------Ab0------------------- D
Ou talvez até, quem sabe / Nós só voltaremos
----------------Bm7 ---------------E
No cavalo baio, no alazão da noite
------------------A7------------ D
Cujo nome é Raio, Raio de Luar




Três apitos

Noel Rosa escreveu "Três Apitos" baseado na fábrica de tecidos Confiança localizada em Vila Isabel, onde hoje se encontra o Supermercado Extra Boulevard. A fábrica de fiação e tecidos foi fundada em abril de 1885 e desativada após 85 anos de atuação. 

Uma das maiores inspirações de Noel eram as mulheres e com esta canção não foi diferente. Noel Rosa tinha um relacionamento com Clara, vizinha e conhecida da família. A moça era operária da fábrica, e seu grande admirador era atraído pelos apitos que indicavam o término do expediente de trabalho.  Exibido como sempre foi, Noel passava em seu carro fazendo questão que sua presença fosse notada. 

Porém há controvérsias sobre a musa inspiradora da música. Existem relatos que mostram que a música não foi dedicada a Clara, mas sim à Josefina que trabalhava numa fábrica de botões localizada no Andaraí, e era um caso a parte ao seu namoro. Porém Não existem comprovações referentes à verdadeira homenageada pelo poeta, pois até o próprio não deixou claro sua intenção em 1936 quando disse que “outra operária de fábrica, se encaixaria nessa canção”. (fonte: Feitiço do Noel - feiticodonoel.blogspot.com),

Três apitos (samba-canção, 1933) - Noel Rosa

Disco 78 rpm / Título da música: Três apitos / Autoria: Rosa, Noel, 1910-1937 (Compositor) / Araci de Almeida, 1914-1988 (Intérprete) / Orquestra de Cordas (Acompanhante) / Gnattali, Radamés (Acompanhante) / Imprenta [S.l.]: Continental, 1951 / Nº Álbum 16392 / Lado B / Lançamento: 1951 / Gênero musical: Samba-canção /
Tom: E
Intro: E7 A Am E F#7 B7

           E         E7         A
Quando o apito da fábrica de tecidos
Am             E   C#7
Vem ferir os meus ouvidos,
F#7  B7  E
eu me lembro de você
E7                    A
Mas você anda sem dúvida bem zangada
Am        E     C#7  F#7   B7        E B7
Ou está interessada em fingir que não me vê

                     E            E7         A
Você que atende ao apito de uma chaminé de barro
Am                     E         C#7
Por que não atende ao grito tão aflito
F#7   B7       E   B7
Da buzina do meu carro?
E          E7             A
Você no inverno sem meias vai pro trabalho
Am         E    C#7     F#7       E  B7
Não faz fé em agasalho nem no frio você crê

        E       E7               A
Você é mesmo artigo que não se imita
Am      E   C#7    F#7  B7  E   B7
Quando a fábrica apita faz reclame de você
E           C#7     F#7
Nos meus olhos você lê como eu sofro cruelmente
Am              E          C#7
Com ciúmes do gerente impertinente
F#7  B7 E   B7
Que dá ordens à você

         E       E7           A
Sou do sereno, poeta muito soturno
Am             E C#7  F#7  B7      E
Vou virar guarda-noturno e você sabe por quê
E7                         A
Mas você não sabe que enquanto você faz pano
Am       E     C#7   F#7   B7    E
Faço junto do piano esses versos pra você

Suas mãos




Suas mãos (samba-canção, 1958) - Pernambuco e Antônio Maria - Intérprete: Maysa

A7+ ----------E7/5+
Ah, suas mãos
Dbm7/-5 ---Gb7/5+
Onde estão ?
---------Bm7
Onde está o seu carinho ?
-----------E7---- A7+ ------Gb7/5+------ Bm7------ E7
Onde está você ?

A7+ -------E7/5+ ---Dbm7/-5------ Gb7/5+
Se eu pudesse buscar
------------Bm7
Seu soubesse onde está
----------E7------ A7+----- Dm7------ A7+------ A7/5+
Seu amor . . . você . . .

--------Dm7 ---------------G7
Um dia há de chegar
------A7+-- Bm7--Dbm7----- A7/5+
Quando eu não sei
-----Dm7 ---------G7------------ C7+
Você vai procurar onde eu estiver
-----------E7
Sem amor . . . sem você . . .

Só nós dois

Joaquim Pimentel
Só nós dois (fado) - Joaquim Pimentel - Interpretação de Nelson Gonçalves
Fm 
 Só nós dois é que sabemos 
                        C7 
 O quanto nos queremos bem 
 Só nós dois é que sabemos 
                         Fm 
 Só nós dois e mais ninguém 
 Só nós doi avaliamos 
  F7                   A#m 
 Este amor forte e profundo 
                    Fm 
Quando o amor acontece 
      C7              Fm 
 Não pede licença ao mundo 
 D#7 
 Anda, abraça-me, beija-me 
                      G#7 
 Encosta teu peito ao meu 
                       C7 
 Esquece o que vai na rua 
                        Fm 
 Vem ser minha e serei teu 
 Que falem não nos interessa 
    F7              A#m 
 O mundo não nos importa 
                  Fm 
 O nosso mundo começa 
     C7              Fm 
 Cá dentro da nossa porta 
 Só nós dois compreendemos 
                     C7 
 O calor dos nossos beijos 
 Só nós dois é que sofremos 
                  Fm 
 A tortura dos desejos 
 Vamos viver o presente 
  F7                 A#m 
 Tal qual a vida nos dá 
                    Fm 
 O que reserva o futuro 
     C7               Fm 
 Só Deus sabe o que será 
 D#7 
 Anda, abraça-me, beija-me 
                      G#7 
 Encosta teu peito ao meu 
                       C7 
 Esquece o que vai na rua 
                        Fm 
 Vem ser minha e serei teu 
 Que falem não nos interessa 
    F7              A#m 
 O mundo não nos importa 
                  Fm 
 O nosso mundo começa 
     C7              Fm 
 Cá dentro da nossa porta. 

Revolta

Nelson Gonçalves
Revolta (samba-canção) - Raul Sampaio e Nelson Gonçalves

Tom: Em

          Em             B7         Em 
Hoje tão longe dos teus lábios sedutores 
                        E7         Am 
Sem o carinho dos teus beijos, meu amor 
           B7 
Não tenho horas de sossêgo em minha vida Em B7 Sou mais um barco que não tem navegador Em B7 Em Vivo perdido no passado dos teus beijos E7 Am Sinto o fantasma dos teus lábios junto aos meus B7 Em Beijo outras bocas pra fugir da tua boca Gb7 B7 Em B7 E sinto ainda o sabor dos beijos teus E B7 E O desespero me tirou a consciência D° Db7 Gbm E no delírio que me envolve esta paixão B7 Eu vou tramando no meu cérebro-nervoso C B7 E B7 Uma maneira de magoar teu coração Em B7 Em É meu consolo acreditar que estás sofrendo E7 Am Em tua vida de prazeres e de louca B7 Em Beijando bocas, como eu, mas com saudades Gb7 B7 Em Dos beijos que eu roubei da tua boca.

Queixas

Queixas (sambas-canção, 1961) - Adelino Moreira

Título da música: Queixas / Gênero musical: Samba canção / Intérprete: Nelson Gonçalves / Compositor: Moreira, Adelino / Acompanhamento Orquestra / Gravadora Rca victor / Número do Álbum 802288 / Data de Gravação 25/11/1960 / Data de Lançamento 01/1961 / Lado A / Disco 78 rpm


Tom: Fm
Fm  A#m   C7
 
            Fm                          A#m 
Porque te queixas meu amigo  / Se és feliz 
           C7    C#7        C7             Fm 
Se tens o mundo    e as mulheres / A teus pés 
                                       D#7 
Que direi eu / Que sempre fui tão infeliz 
        C#7                          C7   C#7 
E nada sou  / Perto de ti que tanto és 
 
          Fm                         A#m 
Não te lamentes se um amor / Em tua vida 
          C7   C#7         C7           F7 
Te desprezou     fugiu de ti / Sem um adeus 
            A#m                       Fm 
E a tua estrada / Será sempre bem florida 
           A#m          C7             Fm  C#7  C7  Fm 
E outros amores / Vibrarão nos braços teus 
 
          D#7                     G# 
Que direi eu / Eternamente amargurado 
             C7                        Fm 
Preso à lembrança / De um amor desesperado 
         A#m 
Escravo deste coração 
          Fm 
Que não aceita um novo amor 
          A#m 
Mas tu encontras 
        C7             Fm 
Novo encanto em cada flor 

Onde anda você



Maria Creuza
Onde anda você - Hermano Silva e Vinícius de Moraes

Intro: C7+
                            
C      A7/13-    D7/9             G6
E por falar em saudade onde anda você
                  C7+                 Em
Onde andam seus olhos que a gente não vê
      D#m       Dm
Onde anda esse corpo
               G6             C7+
Que me deixou louco de tanto prazer
       A7/13-    D7/9              G6
E por falar em beleza onde anda a canção 
                  C7+               Em
Que se ouvia na noite dos bares de então
        D#m    Dm                    G6
Onde a gente ficava,onde a gente se amava
            Gm   C7/9-
Em total solidão
        Am6-           Fm7
Hoje eu saio da noite vazia
      Em7        A7/11+
Numa boemia sem razão de ser
               D7/9       G6
Na rotina dos bares,que apesar dos pesares
           E6 E5+ Em
Me trazem você
 A7/13-          D7/9               Fm7
E por falar em paixão, em razão de viver
               Em7        A7/11+
Você bem que podia me aparecer
                D7/9                  G6
Nesses mesmos lugares, na noite, nos bares
           C7+ Fm7 C7+
Onde anda você

Nossos momentos

Haroldo Barbosa
O radialista, compositor e colunista de turfe Haroldo Barbosa sempre fez boas letras, modernas, inteligentes, espirituosas. Mas foi só com uns vinte anos de carreira que encontrou o parceiro ideal na pessoa do pianista-compositor Luiz Reis, também comentarista de corridas de cavalo.

Essa dupla reinou no início dos anos 60, quando lançou sucessos em série, a maioria nas vozes de Elizeth Cardoso e Miltinho.

O samba-canção “Nossos momentos” em que se destaca a melodia de Luiz Reis, é um desses sucessos (A Canção no Tempo - Vol. 2 - Jairo Severiano e Zuza H. de Mello - Ed. 34).



Nossos momentos (samba-canção, 1961) - Luiz Reis e Haroldo Barbosa - Interpretação: Agostinho dos Santos

Tom: Bb
Intro: Eb Bb/D F# Cm7 F7  
 
         Bb           Bº 
Momentos são iguais àqueles 
       Cm7       G5+/7 
Em que eu te amei 
         Cm5+        F7 
Palavras são iguais àquelas 
          Bbº Bb  F7 
que eu te dediquei 
        Bb/D        Dbº 
eu escrevi na fria areia 
    Cm7 
um nome para amar 
         Gm7          C7 
O mar apagou, tudo apagou 
   Ebm          F7 
Palavras leva o mar 
        Bb            Bº 
teu coração, praia distante 
          Cm7        G5+/7 
em meu perdido olhar 
        Cm5+            F7 
teu coração, mais inconstante 
           Bbº        Bb 
que a incerteza do mar 
       Dm5-/7     G7 
teu castelo de carinhos 
       Cm7       Ebm 
eu nem pude terminar 
          Cm7           F7 
Momentos meus que foram teus 
      Bb         F7 
agora é recordar 
 
SOLO (1ª PARTE) 
 
        Bb/D   Bbº 
eu escrevi na fria areia 
    Cm7  
um nome para amar 
          Gm7          C7 
O amor chegou, tudo apagou 
   Ebm           F7 
Palavras leva o mar 
         Bb           Bº 
teu coração, praia distante 
          Cm7        G5+/7 
Em meu perdido olhar 
        Cm5+            F7 
teu coração, mais inconstante 
           Bbº        Bb 
que a incerteza do mar 
       Dm5-/7     G7 
teu castelo de carinhos 
       Cm7       Ebm 
eu nem pude terminar 
          Cm7           F7 
Momentos meus que foram teus 
      Bb         F7 
agora é recordar


Nem às paredes confesso

Nelson Gonçalves
Nem às paredes confesso (fado)- Artur Ribeiro e F. Trindade - Interpretação: Nelson Gonçalves

Introdução: E7  A  A#°  B7  E  Em

       Em
 Não queiras gostar de mim
                Am
 Sem que eu te peça
                         B7
 
Nem me dês nada que ao fim Em Eu não mereça Vê se me deitas depois E7 Am Culpas no rosto Em Eu sou sincero B7 Porque não quero E Dar-te um desgosto De quem eu gosto F#m Nem às paredes confesso B7 E nem aposto E Que não gosto de ninguém E7 Podes rogar, podes chorar A Podes sorrir também A#° B7 De quem eu gosto E Nem às paredes confesso Em Quem sabe se te esqueci Am Ou se te quero B7 Quem sabe até se é por ti Em Que eu tanto espero Se gosto ou não afinal E7 Am Isso é comigo Em Mesmo que penses B7 Que me convences E Nada te digo De que eu gosto...

Negue

Adelino Moreira
Vários cantores de diferentes épocas e estilos — Cauby Peixoto, Nelson Gonçalves, Agostinho dos Santos, Maria Bethânia, Ney Matogrosso gravaram “Negue”, o que atesta o prestígio deste samba, um dos melhores de Adelino Moreira.

Interpretada de forma veemente, como pedem os seus versos (“Diga que já não me quer / negue que me pertenceu / que eu mostro a boca molhada / e ainda manchada / pelo beijo seu...”), a composição foi  o grande sucesso de Adelino (parceria com Enzo de Almeida Passos) no fértil ano de 1960, quando ele abastecia os repertórios de Nelson Gonçalves, Carlos Augusto e Núbia Lafayette.

Aliás, foi o cearense Carlos Augusto (Cano Antônio de Souza Moreira) quem puxou o sucesso da composição. Em 1983, “Negue” seria regravada pelo grupo punk Camisa de Vênus (A Canção no Tempo - Vol. 2 - Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello - Ed. 34).




Negue (samba-canção, 1960) - Enzo dos Passos e Adelino Moreira - Intérprete: Carlos Augusto

Am        Am7            Dm
Negue seu amor  o seu carinho
Bm7/-5        E7         Am   F   E7
Diga que você já me esqueceu
Am      Am7           Dm
Pise machucando com jeitinho
Bm7/-5   E7              Am   Ab7
Esse coração que ainda é teu
G7                    C7M      F7M
Diga que meu pranto é covardia
Bm7/-5
Mas não se esqueça
E7            Am
Que você foi minha um dia 
Dm                E7
Diga que já não me quer
Dm               E7
Negue que me pertenceu
Am      E7      Am
E eu mostro a boca molhada
Dm     Am        E7    Am
Ainda marcada pelo beijo seu



Nega manhosa

Nelson Gonçalves
Nega manhosa (samba, 1957) - Herivelto Martins - Interpretação: Nelson Gonçalves

------C --------------G7 ---------C----------- G7-------- C
Levanta, levanta nêga manhosa/ Deixa de ser preguiçosa
---------------------G7------- Dm -----------G7
Vai procurar o que fazer/ Nêga deixa de fita
--------C ----------------Am---- D7------------------ G7
Prepara a minha marmita / Levanta nêga vai te virar

-----F -----------------G7----------- C
Deixei embaixo do rádio / Uma nota de cinquenta
----------Dm6 ----------E7 -------------Am
Vai à feira jogo no bicho / Vê se te aguenta
---------F --------Gb0----------- C --A7 --------------Dm
Economiza olha o dia de amanhã / Eu preciso do troco
------------------G7------------- C ---------------------(G7)
Domingo tem jogo no Maracanã / Do bate-bola eu sou um fã.

Naquela mesa



Naquela mesa (1973) - Sérgio Bittencourt - Interpretação: Nelson Gonçalves
Tom: Em
Am Em B7 Em

          Em
  naquela mesa ele sentava sempre
                                      Am
  e me dizia contente o que é viver melhor
           Am7M                B7
  naquela mesa ele contava histórias
                                         Em
que hoje na memória eu guardo e sei de cor
           Em
  naquela mesa ele juntava gente
                 E7                 Am
  e contava contente o que fez de manhã
       Am7M                    Em
  e nos seus olhos era tanto brilho
                    B7
  que mais que seu filho
                Em
  eu fiquei seu fã
            Em
  eu não sabia que doía tanto
                                       Am
  uma mesa num canto, uma casa e um jardim
                                 B7
  se eu soubesse o quanto dói a vida
                                 Em
  essa dor tão doída, não doía assim
          Em
  agora resta uma mesa na sala
                      E7            Am
  e hoje ninguém mais fala do seu bandolim
                         Em
  naquela mesa tá faltando ele
               B7                Em
  e a saudade dele tá doendo em mim
           Am              Em
  naquela mesa tá faltando ele
              B7                Em
  e a saudade dele tá doendo em mim

          
Agora resta uma mesa na sala
                  E7    Am
E hoje ninguém mais fala no seu bandolim
                         Em
Naquela mesa tá faltando ele
             B7                   E7  
E a saudade dele está doendo em mim
                          Em
Naquela mesa tá faltando ele
             B7                   E7
E a saudade dele está doendo em mim



Modinha



Sérgio Bittencourt
Modinha (modinha, 1968) - Sérgio Bittencourt - Interpretação: Taiguara

Tom: Dm
Dm                  Em7/5-  
   Olho a rosa na janela, 
             A7         Dm
   sonho um sonho pequenino
        D7          Gm         C7        F
Se eu pudesse ser menino eu roubava esta rosa
      Bb7+      Em7/5-     A7        Dm
E ofertava todo prosa à primeira namorada
        Dm/C           Bm7/4   Bb7+         A7
E nesse pouco ou quase nada eu dizia o meu amor
O meu amor
Dm                     Em7/5-          A7        Dm
   Olho o sol findando lento, sonho um sonho de adulto
      D7           Gm             C7           F
Minha voz na voz do vento indo em busca do teu vulto
        Bb7+       Em7/5-      A7             Dm
E o meu verso em pedaços só querendo o teu perdão
      D7             Gm            A7           Dm
Eu me perco nos teus passos e me encontro na canção
D°  A7  Dm             Dm/C   Gm      A7   Dm
Ai, a...mor, eu vou morrer buscando o teu amor
E/G#   A/G Dm/F           Dm      E7     A7     Dm
Ai,    a...mor, eu vou morrer, morrer de muito amor
 
 

Moça

Wando
Quando em viagem para divulgação de seu primeiro elepê, Wando conheceu em Belém do Pará uma bela moça, com quem teve um romance. Daí surgiu a canção “Moça”, incluída em seu segundo elepê. Gravada com arranjo de Sérgio Lemcke, que utilizou harmonias de música erudita com o intuito de dar um colorido diferente à canção romântica, “Moça” não foi a faixa de trabalho do disco, que seria “Nega do Obaluaê”, de estilo semelhante ao sucesso anterior, “O Importante É Ser Fevereiro”.

Mas, Hélio Ribeiro, da Rádio Bandeirantes de São Paulo, encantou-se com “Moça”, tocando-a com freqüência e promovendo-a de seu jeito especial, que consistia em declamar com voz grave uma historinha improvisada, paralela à letra da composição, tendo esta como fundo musical. Assim foi dado o impulso inicial para que a canção se destacasse no elepê e acabasse incluída na trilha de “Pecado Capital’.

Esta novela da TV Globo, escrita às pressas por Janete Clair para substituir “Roque Santeiro”, vetada pela censura nas vésperas da estréia, seria a primeira a ser exibida a cores no horário das oito. “Moça” era O tema de Lucinha, uma pobre suburbana, interpretada por Betty Faria, que se casaria com Salviano (Lima Duarte), o patrão milionário.

O extraordinário sucesso da novela e da personagem contribuiu de modo considerável para a popularização da canção, que temperava romantismo com porções de erotismo, até onde permitia a censura da época: “Eu quero me embolar em teus cabelos / abraçar teu corpo inteiro / morrer de amor... de amor me perder...”

Resultado: o elepê do Wando alcançou a cifra de um milhão e duzentos mil exemplares vendidos, apesar da grande vendagem do disco da telenovela, chegando a música a ser gravada no exterior por figuras como Paul Mauriat e Fausto Papete. Mineiro do arraial Bom Jardim, próximo de Viçosa, Wanderley Alves dos Reis, recebeu da avó o apelido de Wando, quando ainda nem sonhava em ser cantor (A Canção no Tempo – Vol. 2 - Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello – Editora 34).

Moça (canção, 1975) - Wando

Am                  E7/G#             
Moça me espere amanhã 
                  D7/F#
   levo o meu coração pronto pra te entregar
    Bm5-/7    E7     Am
Moça,  moça eu te prometo 
                 B7/F#   F7/11+        E7
   eu me viro do avesso, só pra te abraçar
Am                       E7/G#                     
Moça eu sei que já não é pura, 
             D7/F#
    teu passado é tão forte pode ate machucar
   Bm5-/7    E7           Am
Moça, dobre as mangas do tempo 
        Am/G        B7/F#  F7/11+    E7     A  E7
    jogue o teu sentimento todo em minhas mãos


     A        C#7              F#m 
Eu quero me enrolar nos teus cabelos 
    A7                D              E7                A      E7
abraçar teu corpo inteiro, morrer de amor, de amor me perder
    A         C#7               F#m                                 
Eu quero me enrolar nos teus cabelos 
    A7            D                    E7             A
abraçar teu corpo inteiro, morrer de amor, de amor me perder

Meu dilema

Meu dilema (samba-canção, 1960) - Adelino Moreira

Título da música: Meu dilema / Gênero musical: Seresta / Intérprete: Nelson Gonçalves / Compositor: Moreira, Adelino / Gravadora Rca victor / Número do Álbum 802210 / Data de Gravação 00/1960 / Data de Lançamento 00/1960 / Lado A / Disco 78 rpm




Introdução: Am  B7  Em  F#7  B7  Em  B7 
 
  Em           B7 
 Violão, eu estou tão sozinho 
 Am                B7 
Sem amor, sem carinho Em B7 Solitário na dor Em D Violão, já chorei tanto, tanto C Que não tenho mais pranto B7 Pra chorar por meu amor Em B7 Violão, companheiro dileto Am B7 És meu único afeto Em E7 Tudo que me restou Am Meu violão, meu amigo D7 G Nem ela nos separou Em F#7 Hoje eu amargo contigo B7 Em B7 A saudade que ela deixou Em D Fiquei entre a cruz e a espada C Quando ela desesperada B7 Obrigou-me a escolher Am B7 Em E agora, o meu dilema persiste F#7 Viver sem ela é tão triste B7 Em Sem ti não posso viver.

Matriz ou filial

Lúcio Cardim
É comum atribuir-se a Lupicínio Rodrigues a autoria de “Matriz ou Filial” um autêntico samba-canção “dor de cotovelo”. Como se não bastasse a linha melódica abolerada sempre associada ao clima de “inferninho”, e o tratamento dramático do tema paixão / rivalidade / arrependimento, a composição ainda seria, não por acaso, lançada por Jamelão, o intérprete maior de Lupicínio: “Quem sou eu / pra ter direitos exclusivos sobre ela / se eu não posso sustentar / os sonhos dela / se nada tenho e cada um vale / o que tem...”

Entretanto o autor desses versos é o santista Lúcio Cardim, personagem da noite, como Lupi, e que integrou em sua época um restrito grupo de compositores paulistas reconhecidos e gravados em outros estados.

As reflexões e tiradas surpreendentes do ambiente de bas fond, dominantes na obra de Cardim, podem ser apreciadas em “Matriz ou Filial”, que ele chegou a gravar, juntamente com outras composições de sua autoria, num elepê (o único em toda a sua carreira) intitulado Obra-prima, em 1978 (A Canção no Tempo – Vol. 2 – Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello – Editora 34).



Matriz ou filial (samba-canção, 1964) - Lúcio Cardim - Intérprete: Jamelão
Bm7                E                      C#m7
  quem sou eu     pra' ter direitos exclusivos sobre ela
             F#m                    Bm7
  se eu não posso sustentar os sonhos dela
           E7                         A7+ C#m5-/7  F#7
  se nada tenho e cada um vale o que tem
 
           Bm7              E                   C#m7
  quem sou eu     pra' sufocar a solidão da sua boca
           F#m                     Bm7
  que hoje diz que é matriz e quase louca
             E7                   A7+  C#m5-/7  F#7
  quando brigamos diz que é a filial
 
      D7+               E                         C#m7
  afinal     se amar demais passou a ser o meu defeito
            F#m                         Bm7
  é bem possível que eu não tenha mais direito
             E7                            A7+  C#m5-/7  F#7
  de ser matriz por ter sòmente amor pra' dar
 
   D7+               E                          C#m7
  afinal  o que ela pensa em conseguir me desprezando
          F#m                  Bm7
  se sua sina sempre é voltar chorando
         E7                      A7+  D7+
  arrependida me pedindo pra' ficar
 
 

Mariposa

Mariposa (samba, 1959) - Adelino Moreira e Nelson Gonçalves

Título da música: Mariposa / Gênero musical: Choro / Intérprete: Gonçalves, Nelson / Compositores: Moreira, Adelino - Gonçalves, Nelson / Gravadora Rca victor / Número do Álbum 202123 / Data de Gravação 00/1959 / Data de Lançamento 00/1959 / Lado A / Disco 78 rpm




Tom: C
 
C  Db°        D7     G7                 C        A7
Na batida do samba /    Foi que eu conheci
            D7    G7                     Gm    A7
Numa roda de bambas /   Que eu jamais esqueci
              Dm                          B7
Remexendo as cadeiras / Gingando e sambando Em Am Com simplicidade / Até que um dia Dm Dm/C G7 Trocaste o meu samba / E a lua do morro C E7 Am Pela luz da cidade F E7 Segue o teu caminho mariposa Am Já que esta luz te embriaga F7 E7 Mas nunca te esqueças Mariposa Am A7 Que toda a luz se apaga Bb7 A7 Presta bem atenção Mariposa Dm Neste aviso derradeiro Dm6 ( Am ) ( Dm6 ) Antes que a luz da cidade se apague E7 Am Dm Am Pode cegar-te primeiro

Lembranças

Raul  Sampaio
Embora autor de repertório eclético, que vai do carnaval (“Eu Chorarei Amanhã”) ao mais intenso romantismo, é neste último estilo que melhor se exprime a ele pertencendo “Lembranças” (“Lembro um olhar / lembro um lugar / teu vulto amado / lembro um sorriso / e o paraíso! que tive ao teu lado”) e “Quem Eu Quero Não me Quer" (“Quem eu quero não me quer / quem me quer mandei embora / e por isso eu já não sei! o que será de mim agora”), sua canção mais gravada, inclusive com uma versão mexicana de Agustín Lara, que saiu inicialmente sem o seu nome.

Capixaba de Cachoeiro de Itapemirim, Raul Sampaio homenagearia a sua cidade na composição “Meu Pequeno Cachoeiro”, oficializada em 66 como hino do município, e que, além de sua gravação (em 63), foi sucesso na voz de Roberto Carlos (em 70), outro ilustre cachoeirense (A Canção no Tempo - Vol. 2 - Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello - Editora 34).

Lembranças (samba-canção, 1962) - Raul Sampaio e Benil Santos - Intérprete: Miltinho




----------------Am
Lembro um olhar / Lembro um lugar
----------------Dm
Teu vulto amado
------------------E7
Lembro um sorriso / E o paraíso
-------------------Am
Que tive ao teu lado
------------------Dm ---------------Dm6
Lembro a saudade / Que hoje invade
------------Am-------- Am7
Os dias meus
-----------------F--------------- E7
Para o meu mal / Lembro afinal
---------------Am ------A7
Um triste adeus

---------Dm
Sou agora no mar desta vida
-----------------Am
Um barco a vagar
------------------E7 ------------Bm7/-5 ---E7
Onde está teu olhar / Onde está teu sorriso
---------------Em7 ---------A7
E aquele lugar

--------Dm -------------G7 --------E7
Eu devia sorrir, eu devia
------------Am
Para o meu padecer ocultar
---------B7-- ----- F-------- E7
Mas diante de tantas lembranças
----------------------Am
Eu me ponho a chorar (bis)


Eu sei que vou te amar

Elza Laranjeira
Lançada no elepê Por toda a minha vida, da marca Festa, este samba-canção (mais canção do que samba), altamente romântico, era interpretado pela cantora de formação lírica Lenita Bruno, mulher do maestro-arranjador Leo Peracchi.

Porém, a melhor das 24 versões de “Eu Sei que Vou te Amar”, lançadas só no ano de 1959, seria a de Elza Laranjeira, uma paulista pouco conhecida no resto do país. Companheira de Agostinho dos Santos, Elzinha era dona de uma voz doce, de afinação irretocável. Morta em 1986, foi por muito tempo, com Isaura Garcia, a mais destacada cantora do elenco fixo da rádio e TV Record que, ao lado de Neide Fraga, Dircinha Costa e Alda Perdigão, era escalada nos musicais de rotina das duas emissoras.  Mas, voltando à canção, a espantosa quantidade de gravações realizadas no ano de seu lançamento dá uma idéia da reação positiva do meio artístico ao repertório de alto nível composto pela dupla Tom e Vinicius, nos meses seguintes a sua formação.

“Eu Sei que Vou te Amar” é uma composição standard (lembra ligeiramente a canção “Dancing in the Dark”, de Schwartz e Dietz) em duas partes, nas quais os oito primeiros compassos têm melodia idêntica, encaminhada, porém, por meio de uma sutil alteração harmônica, a diferentes arremates.

Entretanto, o ponto alto da canção é a letra: “Eu sei que vou te amar / por toda a minha vida eu vou te amar / em cada despedida eu vou te amar / desesperadamente, eu sei que vou te amar.”

Seu romantismo exacerbado remete a alguns sonetos de Vinícius, que embalaram declarações de amor de toda uma geração. Não foi, assim, por acaso que, na versão de grande êxito criada em 1972 por Maria Creuza, Toquinho e Vinícius, o poeta incorporou em contraponto à voz da cantora uma enlevada declamação do “Soneto de Fidelidade”. Por tudo isso, pode-se concluir que “Eu Sei que Vou te Amar” é mais uma canção de Vinícius do que de Tom Jobim, sem demérito para o maestro.

Eu sei que vou te amar (samba-canção, 1959) - Tom Jobim e Vinícius de Moraes - Intérprete: Elza Laranjeira.



(intro) E9  C#°  Em7/b5  Bbm6  F#m7/b5  F7+  C7+  G7/b9

C7+
 Eu    sei que vou te amar
 C#º                 Dm7
Por toda a minha vida
                G7/5+
Eu vou te amar
G7              Gm7               C7/9
Em cada despedida eu vou te amar
             F7+                    Bb7/b5
Desesperadamente eu sei que vou te amar
  Em    C#º    Dm7  G7/5+ G7  Em7/b5  A7/5+
E cada verso meu será      pra te    dizer
       D7/9
Que eu sei que vou te amar
    G7/5+      G7
Por toda minha vida

   C7+
Eu sei que vou chorar
 C#º           Dm7               G7/5+
A  cada ausência tua eu vou chorar
G7             Gm7              C7/9
Mas cada volta tua há de apagar
                     F7+      Bb7/b5
O que esta ausência tua me causou
   Em                 C#º
Eu sei que vou sofrer
               Em5-/7
A eterna desventura de viver
A7/5+ A7      Dm7/9
A es..pera de viver ao lado teu
G7/5+  G7           C7+
Por toda a minha vida.

Eu sei que vou sofrer
               Em5-/7
A eterna desventura de viver
A7/5+ A7      Dm7/9
A es..pera de viver ao lado teu
G7/5+  G7           C7+   G7/b9
Por toda a minha vida.

Estudante

Estudante (samba, 1954) - Adelino Moreira e Nelson Gonçalves

Título da música: Estudante / Gênero musical: Samba canção / Intérprete: Gonçalves, Nelson / Compositores: Moreira, Adelino - Gonçalves, Nelson / Gravadora Rca victor / Número do Álbum 801351 / Data de Gravação 00/1954 / Data de Lançamento 00/1954 / Lado B / Disco 78 rpm


Introd.: (G)

-----------D7/5+--------- G----------------------------- E7
De manhã no mesmo trem / Rompe a alvorada ela vem
-----------------------Am--- E7--- Am ---E7--- Am

Rumo a escola ensinar
-----------------------D7
E eu pobre aluno dela / Morrendo de amor por ela
-----------------------G--- E7--- A7--- D7--- G
Sigo a luz do seu olhar

-------------D7/5+ -------------------------------E7
Se eu pudesse eu compraria / Uma carteira vazia
--------------------Am------- Cm------------ G
Na divisa da janela / Pra ficar constantemente
---------E7---------- A7 ----------D7------------ G---- D7
Naquela fila da frente / Em frente dos olhos dela

---G-------- E7------- A7----------------------- D7
Oh professora galante / Tem pena do estudante
--------------------------G---- B7---- Em

Que mendiga o teu amor
-----------Gb7 -----------Bm------------------------ Gb7
Não me dê somente ensino / Não transforme o destino
--------------------Bm -----E7----- Am---- D7---- G
Deste infeliz sonhador

--------------E7 ---------A7 ------------------------D7
Já não importa o vexame/ De uma reprova no exame
------------------------B7---- E7------ Am ----Cm---------- G
E nunca mais ser doutor / ---------Ria de mim toda a classe
--------E7-------------------- A7 ---------D------------- G----- Cm -----G
Contanto que um dia eu passe / No exame do teu amor.

Ela disse-me assim

Lupicínio Rodrigues
Ela disse-me assim (samba-canção, 1959) - Lupicínio Rodrigues

Disco 78 rpm / Título da música: Ela disse-me assim (Vai embora) / Autoria: Rodrigues, Lupicínio, 1914-1974 (Compositor) / Jamelão, 1913-2008 (Intérprete) / Orquestra (Acompanhante) / Imprenta [S.l.]: Continental, 1958-1959 / Nº Álbum 17651 / Lado A / Lançamento: 1959 / Gênero musical: Samba canção /
Tom: D
D             Em7
Ela disse-me assim,
D#º    Em7       A7/9    D7+ Em7 F#m7
tenha pena de mim, vá embora
         Em7
Vais me prejudicar,
D#º        Em7   A7/9     D7+ C7+ D7+
ele pode chegar, está na hora
F#m7                       Em7
E eu não tinha motivo nenhum para me recusar
A7/5+            D7+/9
Mas aos beijos caí em seus braços e pedi pra ficar
       Em7
Sabe o que se passou,
D#º        Em7   A7/9 D7+  Em7  F#m7
ele nos encontrou e agora
Am7           D7/5+
Ela sofre somente porque
G7+  F#º  G7+
foi fazer o que eu quis
C7/9
E o remorso está me torturando
F#m7                  B7/9-
Por ter feito a loucura que fiz
Em7      Gm
Por um simples prazer
A7/13      A7     D
Fui fazer meu amor infeliz

Ciclone

Em 1952 Carlos Nobre foi servir o Exército no Rio de Janeiro,onde conheceu Paulo Gracindo e Adelino Moreira, que o incentivaram a seguir a carreira artística.

Dois anos depois gravou seu primeiro disco ‘‘Toada de amor’’ (Peterpan), atuando também em programas das rádios Mayrink Veiga, Mauá, Clube e Nacional, participando do programa de Paulo Gracindo.

Em 1960 recebeu dois troféus Chico Viola por suas interpretações de ‘‘Amor em serenata’’ (Raul Sampaio e Ivo Santos) e ‘‘Ciclone’’ (Adelino Moreira), sendo esta última sua gravação de maior sucesso e campeã de vendagem naquele ano.

Ciclone (samba canção, 1960) - Adelino Moreira



Am9          E7/9-          Am9
Ela se enamorou de outro rapaz
A7/5+                 Bbº           Dm   Dm7M  Dm7
Assim que o ciclone atingiu nossos destinos
E7                  Am   Am7M    Am7
Nenhum de nós pensou voltar atrás
F       Bm7/5-*    E7     E7/9-
Que orgulho, quantos desatinos 

 Am9          E7/9-           Am9
Eu bebi champagne em seu noivado
A7/5+               Bbº          Dm   Dm7M  Dm7
Traguei minha mágoa no peito sem rancor
E7/9-
Fui o primeiro a chegar a igreja
Am   Am7M   Am7
E amargurado
F              E7
Assisti o orgulho matar
Am  Dm  Am  F
Dois sonhos de amor

E7                      Am     Am7M   Am7
Uma noite, já muito tempo depois
Bbº     A7         Bbº
Ela veio chorando e chorando
A7              Dm    Dm7M   Dm7
Atirou-se em meus braços
Dm6                 E7
E disse ganhando meus beijos
Am9
E disse ao sentir meus abraços
F                   Bm7/5-         E7    F
Sou eu que com fome de amor te vem procurar
E7                 E7/9-
Sou eu, sua voz doce e meiga
Am   Am7M   Am7
Com prazer ouvi
Bbº                 A7
Sou eu que cansei de mentir
Dm
De fingir e enganar
F             Bm7/5-*                   E7
Sou eu que que cansei de outra boca beijar
Am    Am7M     Am7
Pensando em ti.

  Am9          E7/9-           Am9
Eu bebi champagne em seu noivado
A7/5+               Bbº
Traguei minha mágoa no peito
Dm  Dm7M  Dm7
Sem rancor

E7/9-
Fui o primeiro a chegar a igreja
Am   Am7M   Am7
E amargurado
F              E7
Assisti o orgulho matar
Am  Dm  Am  F
Dois sonhos de amor. 

Chore comigo

Nelson Gonçalves
Chore comigo (samba canção, 1960) - Adelino Moreira

Título da música: Chore comigo / Gênero musical: Samba canção / Intérprete: Nelson Gonçalves / Compositor: Moreira, Adelino / Gravadora Rca victor / Número do Álbum 802173 / Data de Gravação 00/1960 / Data de Lançamento 00/1960 / Lado B / Disco 78 rpm.
Tom: Em  
Em        B7         
Estou mais triste /
B7/F#  B7        Em
Nesta triste     noite fria
B7    
Sem esperança  /
B7/F#  B7        Em
Que ela volte       para mim
B7            B7/F#  B7           Em
Minha saudade  / Transformou-    se em agonia
D7              C7         B7   B7/F#  B7
Estou mais triste  /  Neste triste botequim 
Am  Am/7M   Am          Am/7M  Am     Em Em7M Em
Beba comigo    /      Companhei-   ro de tristeza
B7   B7/4  B7                Em  Em7M  Em
Traga seu copo  /  E sente-se à minha mesa
Am  Am/7M           Am  Am/7M      Am  Am/7M Am
Chore comi-   go  /  Esse pran-   to emocional
B7    B7/4      B7 B7/4 B7       Em Em7M Em
Não se envergonhe  /  De chorar       perto de mim
Em7M  Em    Em7M          Em       Bm Bm7M Bm
Porque a lágrima /         É o desabafo natural
C7                             B7  C7  B7 Em
Entre dois copos  /   E a mesa de um botequim 
Am              Am7M        Am    Am7M
Liberte o peito  /  Do amargor e da revolta
B7    B7/4  B7                    Em    E7
Com mais um trago  /         Deste traçado de anis
Am   Am/7M  Am               Em     Em7M   Em
Faça como eu  /        Acostume-se à derrota
B7  B7/4 B7                  Em Am B7 Em B7 Em
Pois a vitória  /   Não pertence ao infeliz 

Memórias do Café Nice


Memórias do Café Nice - Milton Carlos e Isolda - Interpretação: Nelson Gonçalves



Am -----------E7------ Am------ A7
Ai, que saudade me dá
------------------------Dm
Ai, que saudade me dá
----------F--------------------- Am
----------------E7--------------------- Am-------- E7
Lá do Café Nice ai, que saudade me dá (bis)


----------Am ------E7 -----------Am
De cadilac chegava o Chico Alves
--------------A7 -------------Dm
Logo no samba queria entrar
---------F------------------------ E7
E Ismael dava de pão e manteiga
-----------------------------------Am--------- E7
Até esquecia a nega pra poder ficar


---------Am----- E7 ------------Am
E o samba varava a madrugada
------------A7 --------------------Dm
O Café Nice era um pedaço do céu
-----------F ------------------------Am
Num canto batucava João de Barro
--------------------B7 ----------E7 -------Am
Lamartine e Pixinguinha, Almirante e Noel (ref.)


-------Am---------- E7-------------- Am
Caymmi sem barriga e sem madeixas
---------------A7--------------------- Dm
Mostrava cá o que é que a baiana tem
------------F -------------------E7
Ary Barroso no piano reclamava que o Donga
--------------------------------------Am ---------E7
Fez um samba que não é de ninguém


---------Am------- E7 ----------Am
E o samba varava a madrugada
------------A7 ------------------Dm
O Café Nice amanhecia em festa
-------F ----------------Am------------------ B7
Cartola afinava a paviola que pena que agora
-------------E7 --------Am--------- E7
É só saudade que resta (ref.)

Atiraste uma pedra




Atiraste uma pedra (samba-canção, 1958) - Herivelto Martins e David Nasser - Intérprete: Nelson Gonçalves
Tom: Em
   Intro: Em7/9

Em            Am        B7                          Em
Atiraste uma pedra no peito de quem só te fez tanto bem
                 Am
E quebraste um telhado, perdeste um abrigo
            Em  E7
Feriste um amigo
                                    Am Am6
Conseguiste magoar quem das mágoas te livrou
               Em                   C    B7
Atiraste uma pedra com as mãos que essa boca 
               Em
Tantas vezes beijou
               F#7
Quebraste um telhado 
                  Am6- B7             Em
Que nas noites de frio te servia de abrigo
  E7
Perdeste um amigo que os teus erros não viu 
                  Am  Am6
E o teu pranto enxugou
              Am6-               B7/5b        
Mas acima de tudo atiraste uma pedra 
               Em Em7
Turvando esta água
 G7              C7/9                B7
Esta água que um dia, por estranha ironia 
           Em
Tua sede matou
               Am      B7
Atiraste uma pedra no peito de quem 
                Em7/9
Só te fez tanto bem

Argumento

Nelson Gonçalves
Argumento (choro canção, 1959) - Adelino Moreira

Título da música: Argumento / Gênero musical: Choro canção / Intérprete: Nelson Gonçalves / Compositor: Moreira, Adelino / Acompanhamento Conjunto / Gravadora Rca victor / Número do Álbum 802123 / Data de Gravação 18/08/1959 / Data de Lançamento 11/1959 / Lado B / Disco 78 rpm.
Tom: Am
Am               E7            Am
Sei que este argumento é muito pobre
E7                Am
Mas sabendo o quanto és nobre
E7
Sei que podes perdoar
Sei que este farrapo de desculpa Não redime a minha culpa Am E7 Mas enfim, eu vou tentar Am E7 Am Sei que fui ousado no meu gesto E7 A7 Não ouvindo o teu protesto Dm Para ouvir meu coração Am Sei que uma desculpa não redime F Meu pecado quase crime E7 A E7 De um beijo sem permissão A E7 Mas se fui pecador, condeno a lua D Que abandonou a rua A E fugiu com o luar E7 A Pois ela adivinhando o meu desejo Ab7 Provocou aquele beijo C#m E7 E assim me fez pecar A E7 Se impetuoso fui tem compaixão D A A7 E em nome do amor, suplico o teu perdão D A Perdoa meu amor este pecado F#7 Bm E7 A Sublime impulso te de haver beijado