terça-feira, 6 de junho de 2006

Santa Fé

Moraes Moreira
Tom: D
          D            
Ba ba ba ba bateu, bateu meu coração
       F#m   Fm  Em  A7   D
Minha cabeça en lou que ceu
        
Ta ta ta ta ta também tocou
                  F#m         Fm Em  A7   D
Falou pro nosso amor falou e de sa pa re ceu
    A7
E Deus
  D                Em               A7
Deus e o Diabo na Terra sem guarda-chuva
                     D   Db C
Sem bandeira, bem ou mal
  B7                  Em    Gm
Ninguém destrói essa guerra
             D      A7         D
Plantando brisa e colhendo vendaval
D                 Em                  A7
Não sou nenhum São Tomé no que eu não vejo
              D  Db C
Eu ainda levo fé
 B7             Em  Gm
Eu quero a felicidade
          Dm         A7          Dm
Mas a tristeza anda pegando no meu pé
                          C                     F
Tem gente falando com a lua, gente chorando na praça
Bb              A7                     Dm
Menino querendo rango, nego bebendo cachaça
                   C7                       F
E a cada minuto que passa tem muita gente chegando
Bb                          A7                       Dm
Tem muita gente chegando, pagando pagando pagando pra ver

Preta Pretinha



No livro Anos 70: novos e baianos, Luiz Galvão conta a história da canção “Preta Pretinha”, que nasceu de um romance frustrado do compositor com uma jovem niteroiense: “A jovem combinou comigo para que eu fosse a Niterói conhecer seu pai e, na volta, ela viria morar comigo no apartamento dos Novos Baianos, em Botafogo. Pegamos a barca, conheci o pai dela, mas, na volta, ela se arrependeu e voltou para o seu namorado.

À noite, escrevi a letra sob o impacto desse insucesso e, na certa, o subconsciente deu uma panorâmica em todas as minhas histórias de amor.” Assim, veio-lhe à lembrança a figura de Socorrinho (“Só, somente só...”), uma antiga namorada de Juazeiro, que completou a inspiração para os versos de “Preta Pretinha”: “Enquanto eu corria / assim eu ia / lhe chamar / enquanto corria a barca / em minha cabeça / não passava / só, somente só? assim vou lhe chamar? assim você vai ser / lá-já-lá-iá / lá-iá-lá-iá-lá-iá / preta, preta pretinha / (...) / abre a porta e a janela / e vem ver o sol nascer...”

Moraes Moreira
A música de Moraes Moreira para esta letra — comparada por Augusto de Campos a um poema de Oswald de Andrade — saiu espontaneamente e tem grande simplicidade harmônica, sendo possível acompanhá-la apenas com dois acordes. Isso lhe enseja a possibilidade de tornar-se uma das primeiras músicas a serem incluídas no repertório de quem principia o estudo de violão.

Na gravação dos Novos Baianos, realizada em quatro canais no estúdio da Somil, com um bandolim a portuguesa tocado por Pepeu Gomes na introdução, essa singeleza foi habilmente enfeitada por Moraes, ao repetir e enfatizar trechos da canção, tanto na primeira como na segunda parte, o que lhe deu uma feição mais rica de que se fosse seguido o formato básico A-A1-B.

A insistente repetição dos versos “eu ia lhe chamar / enquanto corria a barca”, com a participação do coro e um salto de oitava do cantor, criou um mini-refrão de grande efeito e, certamente, mais uma razão para fazer de “Preta Pretinha” o principal sucesso dos Novos Baianos. Daí o motivo de ter sido várias vezes gravada por Moraes e até aproveitada na propaganda de uma cadeia de lojas de perfumaria, o que proporcionou a Galvão a compra de um Sítio, com os rendimentos dos direitos recebidos (A Canção no Tempo – Vol. 2 – Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello – Editora 34).

Preta pretinha (1972) - Moraes Moreira e Galvão
(intro) A7 G  G Gm F#m B7 E

 (A7                      D)
Enquanto eu corria, assim eu ia
            G                        D
Eu ia lhe chamar enquanto corria a barca (2x)
Por minha cabeça não passava
Só, só, somente só
Assim vou lhe chamar, assim você vai ser (2x)

G    Gm  F#m     B7    E
Lá iá lá lá iá, lá lá lá iá, lá iá
A7       G       D
Preta, preta, pretinha (4x)
        (A7        D)
Abre a porta e a janela e vem ver o sol nascer (2x)
Eu sou um pássaro que vivo avoando
Vivo avoando sem nunca mais parar
Ai, ai, ai, ai saudade não venha me matar (2x)
 
 

Pombo correio

Moraes Moreira
Destacado vocalista, violonista e compositor dos Novos Baianos, Moraes Moreira (Luís Carlos Moraes) seguiria uma bem-sucedida carreira solo, depois da extinção do grupo. Essa carreira foi marcada logo no início pela marchinha “Pombo Correio”, produto de sua paixão e ligação com o pioneiro Trio Elétrico Dodô e Osmar. A música já existia desde os anos cinqüenta, com o título de “Double Morse”, composta pelos inventores do trio, tendo sido até então gravada apenas na forma instrumental.

Em 75, apaixonado pela composição, Moraes compôs-lhe a letra, em que pede a um pombo correio para levar uma carta para o seu amor: “Pombo correio / voa depressa / e essa carta leva para o meu amor / leva no bico que eu aqui fico esperando / pela resposta que é para saber / se ela ainda gosta de mim...”

Saltitante, elétrica, colorida, a marchinha é bem característica dos trios que animam o carnaval de Salvador e que se tornariam uma influência na música do próprio Moraes. Ele, inclusive, contribuiria para a popularização desses trios, compondo, tocando e até produzindo alguns de seus discos. Um clássico do carnaval baiano, “Pombo Correio” fez parte da trilha sonora da novela “Sem Lenço Nem Documento”, exibida pela TV Globo de setembro de 77 a março de 78 (A Canção no Tempo – Vol. 2 – Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello – Editora 34).

Pombo correio (1977) - Moraes Moreira, Dodô e Osmar
Tom: G
Introd.: ( D7  Gm  F  Eb  D7 ) 2x  D/C  G/B  ( D7 ) 
       G                                           D7
Pombo correio voa depressa, e esta carta leva para o meu amor
       B7                     Em
Leva no bico que eu aqui fico esperando
      A7                         D7
Pela resposta que é pra saber se ela ainda gosta de mim.

       G
Pombo correio se acaso um desencontro
    E7                      Am
Acontecer não perca nem um só segundo, 
         Cm6              Bm7
        voar o mundo se preciso for
Em            Am7      D7    G
      O mundo voa mas me traga uma notícia boa.

       G
Pombo correio voa ligeiro, 
                                  D7
        meu mensageiro e essa mensagem de amor
       B7                      Em
Leva no bico que eu aqui fico cantando
             A7
Que é pra espantar essa tristeza 
              D7
       que a incerteza que o amor traz.

       G
Pombo correio nesse caso eu lhe conto
     E7                        Am
Por estas linhas a que ponto quer chegar, 
       Cm6           Bm7
     meu coração o que mais gosta
Em               Am7         D7   G
       Você pra mim seria assim  a melhor resposta.

( D7  Gm  F  Eb  D7 ) 2x  D/C  G/B  ( D7 ) 
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Pelas capitais

Pelas capitais - Jorge Mautner e Moraes Moreira
Introdução: C C# º G Em C D7 G

        Am           D7           G
Lá em Maceió você de mim não teve dó
Em    Am            D7      Dm          
Em Aracaju a coisa virou angu
 G        C             Cm        G
Já em São Luis a gente foi tão feliz
              C          D7        G
Em Belém do Pará eu não parei de chorar
               C        D7           G
Em Belém do Pará eu não parei de chorar
         B7                         Em         
Lá em Manaus vimos que somos bons e maus
                 B7                    E
E em Teresina acabou-se toda nossa gasolina
       Am     A# º      G 
Em Salvador, só em Salvador
        C                 D7     G
Eu conquistei pra sempre o seu amor
         C        C# º      G
Em Salvador com a ajuda de Xangô ô ô
          C           D7        G
Eu conquistei como um rei o seu amor 
          Am            D7          G
E lá no Recife foi um disse que me disse
Em         Am          D7      Dm  
Porém em Natal a coisa ficou legal
 G           C            Cm         G
Já em João Pessoa nós curtimos numa boa
          C           D7     G  
Mas em Curitiba necas de pitibiriba
          C           D7     G  
Mas em Curitiba necas de pitibiriba
           B7                 Em
Em Porto Alegre alugamos um casebre
               B7                    Em
E no Rio de Janeiro acabou-se todo o dinheiro
        C         C# º      G
Belo Horizonte, um Belo Horizonte
       C              D7          G
Já em Vitória pintou uma outra estória
           Am        D7         G
E na Pauliceia você pirou da ideia
 Em       Am           D7           Dm                   
Em Florianópolis se lembrando de Nilópolis

G             C             Cm               G
Já em Campo Grande o nosso amor foi muito grande
         C           D7      G
Mas em Cuiabá você ficou sarará
         C           D7      G
Mas em Cuiabá você ficou sarará
         B7                    Em
Lá em Goiânia até cantamos guarânia
                   B7                      E
Em Brasília foi a hora de abraçar toda a família
        Am    A# º      G 
Em Salvador, só em Salvador
          C               D7    G
Eu conquistei pra sempre o seu amor
        C          C# º     G
Em Salvador com a ajuda de Xangô ô ô
         C            D7         G
Eu conquistei como um rei o seu amor 
          Am           D7       G
Lá em Macapá muito guaraná
Em             Am           D7       Dm 
Tantas outras coisas aconteceram por lá
 G          C         Cm         G                    
Já em Boa Vista você disse até a vista
             C         D7       G
Mas em Fortaleza uma poética tristeza
             C         D7       G
Mas em Fortaleza uma poética tristeza
           B7                  Em
Em Porto Velho visitamos o Cornélio
            B7
E em Rio Branco nos beijamos tanto tanto
         E           Am     A# º     G 
E no entanto em Salvador, só em Salvador
           C             D7     G  
Eu conquistei pra sempre o seu amor
       C          C# º      G
Em Salvador com a ajuda de Xangô ô ô
          C          D7           G
Eu conquistei como um rei o seu amor

Namoro astral

Namoro astral - Jorge Mautner e Moraes Moreira
Intro: (C) C G7 C

                      F
A não ser que não te deixes
           G/F                     Em  Am
Não te queixes, se você só vir a ser 
                     Dm    A7       Dm
Feliz quando vier aquele ser de Câncer
Pra se harmonizar pelo verbo amar
       G7       C
Com alguém de Peixes
                    F
Você que tudo equilibra
          G/F                       Em   Am
não se assuste ou pense que é um unicórnio
                    Dm        A7       Dm
Apenas um destino aguarda o ser de Libra
Que é ele se unir e depois curtir
             G7   C
Alguém de Capricórnio
                    F
Seja negro ou seja loiro
       G/F                   Em  Am        
Um estouro de explodir o coração
                         Dm    A7       Dm
Quando vier alguém que seja um ser de Touro
                                            G7    C
Para um amor de mel pra quem é de leo ou é de Leão
                    F
Você que vive nos ares
       G/F                     Em  Am
Tem amores como que buquê de flores
                    Dm      A7   Dm
Só terá paz com alguém de Sagitárius
Que disser meu bem, eu e mais ninguém
            G7         C
Sou teu alguém de Aquarius
                           F
Tendo assim mais de dois gênios
         G/F                 Em  Am
Feito luas que flutua pelos ares
               Dm        A7       Dm
Felicidade só virá com alguém de Gêmeos
                                            G7       C
Por terras e mares todos os lugares com alguém de Áries
                   F
Você, olhos de fuligem
          G/F               Em  Am
Vê se acalma a alma na obsessão
                         Dm      A7         Dm
Só vai se dar bem, com alguém, alguém de Virgem
                                           C
E muita Atenção com essa mordida de Escorpião

Lá vem o Brasil descendo a ladeira

Moraes Moreira
Numa entrevista ao jornal O Globo, em fevereiro de 76, Moraes Moreira declarou: “Sabe, no fundo eu sou só um sambista baiano. Samba baiano é diferente do carioca, é outra coisa. O carioca é lindo, mas tende para a melancolia, muitas vezes, O samba baiano é alegre, é para cima, é uma outra malandragem”.

Pois o exemplo perfeito de um samba desse baiano de Ituaçu, difusor dos trios elétricos e dos afoxés, é o sucesso “Lá Vem o Brasil Descendo a Ladeira”, cujo título foi inspirado numa frase de João Gilberto. Vibrante, sacudida, a composição exalta à sua maneira a força e a identificação do sambista com o próprio Brasil: “Quem desce o morro / não morre no asfalto / lá vem o Brasil descendo a ladeira / na bola, no samba / na sola, no salto / lá vem o Brasil descendo a ladeira / da sua escola / passista primeira / lá vem o Brasil descendo a ladeira...”

Valoriza a gravação deste sucesso, a boa interpretação do autor, que puxa o samba, sustentado por um belo arranjo percussivo e um coro nas respostas (A Canção no Tempo – Vol. 2 – Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello – Editora 34).

Lá vem o Brasil descendo a ladeira (1980) - Moraes Moreira
Intro:  D  Bm7    A7/4    A7

D7+/9          Bm7           A7
Quem desce do morro, não morre no asfalto
      Em7/9   A7/13      D7+/9
Lá vem o Brasil descendo a ladeira
     Bm7                 A7
Na bola, no samba, na sola, no salto
         Em7/9    A7/13    D7+/9             
Lá vem o Brasil descendo a ladeira
        Bm7           A7
Da sua escola é passista primeira
         Em7/9    A7/13     D7+/9          
Lá vem o Brasil descendo a ladeira
  Bm7         A7
No equilíbrio da lata, não é brincadeira
         Em7/9    A7/13     D7+/9         
Lá vem o Brasil descendo a ladeira
   D7     C#7        C7     B7
E toda cidade que andava quieta
       B4/7(b9)               Em
Naquela madrugada acordou mais cedo
               F#7           Bm7
Arriscando um verso gritou o poeta
            Bm6                 A7
Respondeu o povo num samba sem medo
       D7     C#7       C7       B7
E enquanto a mulata em pleno movimento
          B4/7(b9)            Em
Com tanta cadência descia a ladeira
        Gm7        C7/9 D7+/9
A todos mostrava naquele momento
    B7       Em     A7       D7+/9
A força que tem a mulher brasileira

Todo mundo quer

Moraes Moreira
Tom: D

         D                               A7            D
No carnaval todo mundo quer, todo mundo quer ser o que é.
                         
No carnaval só importa ser, 
                     A7                   F#m G G#
      pouco importa o que, homem ou mulher.
A                 Em      A7   
Se tem alguém com ciúme, dança. 
                   D Em F#m
Geração lança perfume, passa.
           B7     Em         F°        F#m
Se eu sou a sua cachaça, a fumaça, a comida
        B7         Em                         A7
Me coma, me beba e fume não fica a pensar na vida
           D
No meio da praça.

Sintonia

Moraes Moreira
Tom: D
Intro: D D5+ G Em A7 Em A7 D D5+ G Em A7 Em E7 A7

 Dm         
Escute essa canção que é pra tocar no rádio
                  Gm                 Em
No rádio do seu coração. Você me sintoniza
                   A7           Dm
E a gente então se liga nesta estação
D7             Gm          Em    A7        Dm
Aumenta o seu volume que o ciúme não tem remédio
         Em     A7        Dm       D7 
Não tem remédio não tem remédio não
  D7            Gm          Em    A7        Dm
Aumenta o seu volume que o ciúme não tem remédio
         Em     A7        Dm        A7 
Não tem remédio não tem remédio não
           D           D7M                Ebo     Em
E agora assim aqui pra nós, pelo teu nome não me chama
               B7    Em            A7          D    A7
Você é quem conhece mais a voz do homem que te ama
  D                                          D5+           G
Deixa eu penetrar na tua onda, deixa eu me deitar na tua praia
Em                 A7              Em                 A7
Que é nesse vai e vem nesse vai e vem que a gente se dá bem
                    D    A7
Que a gente se atrapalha

Meninas do Brasil

Meninas do Brasil - Fausto Nilo e Moraes Moreira
Intr.: ( E E7M E7 A6 G#m F#m A/E Eb° B7 )

E       E7M          E7                      A6
Três meninas do Brasil, três corações democratas
        G#m         F#m           A/E    Eb°
Tem moderna arquitetura ou simpatia mulata
          B7               E            C#7           F#m
Como um cinco fosse um trio, como um traço um fino fio
      F#7        F#m                B7
No espaço seresteiro da elétrica cultura
Deus me faça brasileiro, criador e criatura
Um documento da raça pela graça da mistura
Do meu corpo em movimento, as três graças do Brasil
       B7            E
Têm a cor da formosura

REFRÃO

Serenatas do Brasil, eu serei três serenatas
Uma é o coração febril, a outra é o coração de lata
A terceira é quando eu crio na canção um desafio
Entre o abraço do parceiro e um pedaço de amargura

REFRÃO

Se eu ganhasse o mundo inteiro, de Amélia a Doralice
De Emília a Carolina, e os mistérios de Clarice
Se teu nome principia, Marina no amor Maria
Só faria melodias com a beleza das meninas

REFRÃO

Quando o povo brasileiro viu Irene dar risada
Clementina no terreiro restaurando a batucada
Muito além de um quarto escuro, nos olhos da namorada
Eu sonhava com o futuro das meninas do Brasil

REFRÃO

Lambada de amor não dói

Moraes Moreira
D            Em                 A7
Todo santo ajuda no arraial D´Ajuda
            D   G             F#m
Danço no escuro, vivo, não to morto
           Em                  D
Paro nesse porto mais do que seguro
Todo santo ajuda... 
                Am                   Ab5-/7
Pra lambar quem vem, pra lambar quem vem
           G             F#m
Pra lambateria sorte no amor
             Em              A7              D
Na vida, no jogo quando pega fogo só de alegria
Pra lambar quem vem...
                     A7               D
Lambada de amor não dói, não dói, não dói
               A7
Dança e chega junto dá pra quem tem muito
               D
Muito amor pra dar

Chão da praça

Moraes Moreira

Am    D7           G    Em     C#m7/5-    
Olhos negros cruéis, tentadores          das   
           F#7        F#º   B7
multidões sem cantor   ...
     Am    Am/G        F#m7/5- B7       Em Em/D F#m7/5-
Olhos ne      gros   cruéis,    tentadores       das
B7           Em
multidões sem cantor

Em                B7          
-Eu era menino, menino
                           Em
um beduíno com ouvido de mercador Ôôôôôôô
B7        Em                          B7
Lá no oriente tem gente com olhar de lança
                 Em
na dança do meu amor (2x)
               A7   Em G7                C  
Tem que dançar a dança que a nossa dor balança
    B7           Em
o chão da praça ôuôuô(2x)

   Em                    F#m7/5-
Meu amor quem ficou nessa dança meu amor
     B7        Em       B7
tem pé na dança
      Em                  F#m7/5-       B7   
Nossa dor meu amor é que balança nossa dor
            Em
o chão da praça
        G7                 C     
Vê que já detonou som na praça
           B7           E7
porque já todo pranto rolou
       Am         D7       G    Em     C#m7/5-      
Olhos negros cruéis, tentadores          das   
    F#7               F#º   B7
multidões sem cantor      ...
       Am Am/G        F#m7/5- B7    Em  Em/D   F#m7/5-
Olhos ne      gros   cruéis,    tentadores    das    
     B7          Em
multidões sem cantor
B7          Em             B7     
-Eu era menino, menino um beduíno
Em
com ouvido de mercador Ô ô ô ô ô ô ô

B7          Em                        B7 
Lá no oriente tem gente com olhar de lança
Em
na dança do meu amor (2x)

A7    Em G7             C        B7
-Tem que dançar a dança que a nossa dor balança

o chão da praça ôuôuô(2x)
A7    Em        A7  Em      
Balança o chão da praça Ô u ô u ô balança
A7        Em
o chão da praça

A7  Em           A7        Em        A7  Em
Ô u ô u ô balança o chão da praça  Ô u ô u ô
               A7
balança   o   chão
          Em    A7   Em
da         praça  Ôuôuô 

Carnaval em cada esquina

Moraes Moreira
Em       B7/F#              Em/G  B7/F#
-Eu sou o carnaval em cada esquina         
       Em           F#m7/5- 
      do seu coração (menina) 
   B7        Am            B7
Eu sou o pierrot e a colombina
                     Am 
     de Ubarana-Amaralina 
       B7               Em  E       B7 
Que alucina a multidão (eu sou) 2x 
E                C#m        G#m      G7          F#m 
-Toda a cidade vai navegar no mar azul badauê 
                B7          F#m        B7           E 
Fazer tempêro, se namorar na massa, no massapê (2x) 
         C#m          F#m            B7           E 
-Baba de moça no carapuá é ganzá, bongô, agogô, pirá (2x 
                      E7 
pirá, pirá, pirá, pirá

O caminhão da alegria

Moraes Moreira
Em    Em/D#       Em/D         Em/C#   
Fon    fon          fon       fon          
    C7    B7 
fon   fon 
Em    Em/D#         Em/D   Em/C#    
Fon   fon         fon       fon 
      C7    B7    Em   B7
      fon   fon,      fon 
        Em              
E o caminhão da alegria 
                        B7                Em 
    já chegou fazendo música como se faz amor 
                Em/D  Am/C            Am     Am/G     B7/F# 
Deixando a mocidade atônita tentando furiosamente ocupar 
B7                C7  B7       Em 
Todo o espaço da pra ça e realçando a sua fantasia exótica 
          Am                 Em                     Em/D    Am/C 
Vestida e nua pelas ruas do lugar desarrumando a filarmônica 
  Am       D7      G     C         F#m7/5-   B7   E7 
Coreto, careta, pirata, cometa a retreta    eletrônica 
  Am       D7      G      C        B7             E 
Coreto, careta, pirata, cometa a retreta    eletrônica 
    Fº     F#m     B7         E         C#m        F#m
-Eu não, eu não, eu não que não ia eu só vou pra Bahia
    B7             E    B7 
          de caminhão (3x) 
         Em                         E       B7 
E o carnaval em cada esquina já chegou

Assim pintou Moçambique

Assim pintou Moçambique - Moraes Moreira e Rizério
G           Am
De dia não tem lua
         D7 G
De noite aluá
               Am
De dia não tem lua
          D7 G
De noite aluá
  Am               D7     
De Arembepe a Itapagipe
       
Da Ribeira a Jacuípe
           G
Tudo é lindeza
 Am                  D7
Estrela de quinta grandeza

Filha de mãe sudanesa
          G
Tudo é limpeza
    G7               C
Fazendo um som no atabaque
                    B7
Trazendo axé pro batuque
                       Em
Cantando um samba de black
    E7            Am
Assim pintou Moçambique

Nesse tique, nesse taque
                     D7
Nesse toque, nesse pique
                  G
Assim pintou Moçambique

Nesse tique, nesse taque
                     E7
Nesse toque, nesse pique
                 Am
Assim pintou Moçambique

Nesse tique, nesse taque
                     D7
Nesse toque, nesse pique
                  G    (G7) (BIS)
Assim pintou Moçambique...

A lua e o mar

Moraes Moreira
Tom: C

Intro: C G7 C G7

C           G7               C        G7
De canoa quebrada até Cochabamba
            C    G7              C
Ela dança lambada, ela baila la bamba
                 G7                C    G7
Ela baila, ela baila ela baila La bamba
              C    G7          C   G7
Ela vai pra Bahia ele vem de Luana
              C  G7           C           G7
Ela chega de dia essa nega vadia, vadia vadia
            C   G7           C
De noite se manda a lua e o mar
G7          C
 A lua e o mar
G7        C
A lua e o mar
G7         C
A lua e o mar
G7         C
A lua e o mar
G7          C
A lua e o mar
   G7
A lua
C    Dm             G7     C
Vai querer me seguir, vai querer me guiar
E7        Am        D7    G7
Pra bem longe daqui me levar
 C        Dm       G7        C
Deixa a noite cair, deixa o sol levantar
 E7    Am          D7  G7  C
Deixa o rio correr para o mar

Lenda do Pégaso

Lenda do Pégaso - Moraes Moreira e Jorge Mautner
Intro: D
          D                   A7          D
Era uma vez, vejam vocês, um passarinho feio
                    A7                 D
Que não sabia o que era, nem de onde veio
 D                   A7                       D
Então vivia, vivia a sonhar em ser o que não era
             A7                       D
Voando, voando com as asas, asas da quimera
     Dm             Am               Gm                  F
Sonhava ser uma gaivota porque ela é linda e todo mundo nota
   Bb                A7                 Eb°
E naquela de pretensão queria ser um gavião
             D7                                Gm
E quando estava feliz, feliz, ser a misteriosa perdiz
                       Dm                 Bb      A7       D
E vejam, então, que vergonha quando quis ser a sagrada cegonha

REFRÃO
 
 Dm             Am               Gm            F
E com a vontade esparsa sonhava ser uma linda garça
Bb                A7                 Eb°
E num instante de desengano queria apenas ser um tucano
             D7                                Gm
E foi aquele, aquele ti-ti-ti quando quis ser um colibri
      Dm                 Bb        A7              D
Por isso lhe pisaram o calo e aí então cantou de galo

REFRÃO

Dm             Am               Gm                  F
Sonhava com a casa de barro, a do joão-de-barro, e ficava triste
Bb                A7                 Eb°
Tão triste assim como tu, querendo ser o sinistro urubu
D7                                Gm
E quando queria causar estorvo então imitava o sombrio corvo
A7                 D
E até hoje ainda se discute se é mesmo verdade que virou abutre

REFRÃO

Dm             Am               Gm            F
E quando já estava querendo aquela paz dos sabiás
Bb                A7                               Eb°
Cansado de viver na sombra, voar, revoar feito a linda pomba
D7                                Gm
E ao sentir a falta de um grande carinho 
                     então cantava feito um canarinho
A7                 D
E assim o passarinho feio quis ser até pombo-correio
Dm             Am               Gm                  F
Aí então Deus chegou e disse: Pegue as mágoas
Bb                A7                 Eb°
Pegue as mágoas e apague-as, tenha o orgulho das águias
D7                                Gm
Deus disse ainda: é tudo azul, e o passarinho feio
A7                 D
Virou cavalo voador, esse tal de Pégaso

Acabou chorare



Tudo começou com “O Desembarque dos Bichos Depois do Dilúvio Universal”, espetáculo de estréia do grupo, em 1968. Um ano depois, os Novos Baianos desembarcariam, literalmente, em São Paulo para participar do V Festival de MPB da TV Record, defendendo a música “De Vera”, de Moraes e Galvão.

Em seguida, viriam o primeiro elepê (Ferro na boneca), a mudança para o Rio e o encontro com João Gilberto, que lhes “apresentou o samba de verdade de Assis Valente” e os “aconselhou a se voltarem para dentro de si mesmos”, segundo Luiz Galvão, letrista, biógrafo e mentor intelectual do grupo.

Moraes Moreira
A influência do João foi decisiva para o sucesso, que chegaria com o elepê seguinte, Acabou chorare, lançado no final de 72 e que permaneceria entre os primeiros colocados no hit parade por mais de trinta semanas. Não é assim à toa que a canção “Acabou Chorare” tem muito a ver com João Gilberto, na forma, no estilo e até no próprio título: quando ainda criança, Bebel, filha de João e Miúcha, confundia freqüentemente o português com o castelhano, em razão do período em que os três viveram no México. Um dia, ao levar um tombo e ver o João aproximar-se aflito para socorrê-la, a menina exclamou, engolindo o choro: “acabou chorare, papai.”

Então, conhecendo o episódio contado pelo cantor, Galvão resolveu incluir a expressão numa canção que fez com Moraes, inspirada em uma abelhinha solitária que certa manhã lhe invadira o quarto: “Acabou chorare / ficou tudo lindo / de manhã cedinho / tudo cá-cá-cá / na fé-fé-fé...” Destacam-se ainda no segundo elepê dos Novos Baianos o samba rasgado “Besta É Tu”, a pitoresca “Preta Pretinha” e o antigo sucesso “Brasil Pandeiro”, de Assis Valente, em boa hora resgatado do esquecimento.

Rejeitado por Carmen Miranda, “Brasil Pandeiro” fora lançado originalmente em 1941 pelo conjunto Anjos do Inferno, na época em grande evidência (A Canção no Tempo – Vol. 2 – Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello – Editora 34).

Acabou chorare (1972) - Moraes Moreira e Galvão
Intro: ( A7+  E/G#  G6 D/F#)

(A7+ E/G# G6 D/F#)
Acabou chorare, ficou tudo lindo

De manhã cedinho, tudo cá cá cá, na fé fé fé

No bu bu li li, no bu bu li lindo
      2 vezes 
      E7
No bu bu bolindo,

  Bm7    E7/9     C#m7/5b    F#m7     Bm7
 talvez pelo buraquinho, invadiu-me a casa
    E7/9      A7M Bbº
 Me acordou na cama
  Bm7   E7/9    A7M      F#m7 Bm7 E7/9    (A7M Bbº)
 tomou o meu coração e sentou     na minha mão

 2 vezes

(A7+ E/G# G6 D/F#)
Abelha, abelhinha

Acabou chorare, faz zunzum pra eu ver, faz zunzum pra mim
                                 E7
Abelha, abelhinha escondido faz bonito, faz zunzum e mel

 Bm7  E7/9      C#m7/5b       F#m7   Bm7  E7/9   A7M Bbº
 Inda de lambuja tem um carneirinho, presente na boca
 Bm7  E7/9      A7M        F#m7  Bm7 E7/9 (A7M Bbº)
 Acordando toda gente, tão suave me´que suavemente

 2 Vezes

(A7+ E/G# G6 D/F#)
Acabou chorare no meio do mundo

Respirei eu fundo, foi-se tudo pra escanteio

Vi  o sapo na lagoa, entre nessa que é boa

Repete várias vezes              Fiz zunzum e pronto


De noite e de dia

De noite e de dia - Moraes Moreira e Fausto Nilo
     Fm                Bbm
De noite e de dia, madrugada fria
 C7                Fm
Quando a natureza sonha
                 Bbm
Será que seria, miragem e poesia
 C7               Fm
Tua imagem me acompanha

Meu estandarte do planeta azul
           Bbm
Você faz parte do planeta anil
    C7                Fm7
É quase o Cruzeiro do Sul
 G7                C7
Céu das noites de abril
             F
Se o teu amor demora
                     F#º      Gm
Agora ou nunca você pode acreditar
               C7
Nossa saudade chora
       Gm             C7          F
Num coração que vai bater noutro lugar
        C7          F
Onde o luar ficou jogado fora
          Cm                   F7       Bb
Como um jardim que o mar de cinzas quer secar
   Bbm7
O tempo corre, corre
      Am7          D7
A correnteza te trazendo
        Gm7           C7         F    (F7)(F C Bb F)
Ai que beleza se a tristeza não voltar

Chame gente

Moraes Moreira
E                                       F#m  B7
La laia laia, la laia laia, la laia laia laia
E                                       F#m  B7
La laia laia, la laia laia, la laia laia laia 
E           C         D7           G
Ah! imagina só que loucura essa mistura
Em                      C          B7      E
Alegria, alegria é o estado, que chamamos Bahia
              C                 D7     G
De Todos os Santos, encantos e Axé, sagrado e 
             Em   C        B7
profano, o Baiano é, carnaval!
E                                    C        
Do corredor da história, Vitória, Lapinha, Caminho 
       D7
de Areia
G                   Em                         
Pelas vias, pelas veias, escorre o sangue e o 
C                          B7
vinho, pelo mangue,Pelourinho
E                                      C
A pé ou de caminhão não pode faltar a fé, o 
               D7
carnaval vai passar
G               Em                         C
Da Sé ao Campo-Grande somos os Filhos de Gandhi, de 
         B7
Dodô e Osmar
 D7                                   G
Por isso chame, chame, chame, chame gente!
B7                         Em                   C
Que a gente se completa enchendo de alegria a praça 
       B7
e o poeta
D7                                    G
É um verdadeiro enxame, chame chame gente
B7                         Em                   C
Que a gente se completa enchendo de alegria a praça 
       B7
e o poeta
E         C         B7
Ah!...a praça e o poeta.