segunda-feira, 19 de junho de 2006

Anos dourados

Chico Buarque
Anos dourados - Chico Buarque e Tom Jobim
A7M 
Parece que dizes      
  F#m7    Bm7  E7(b9)   A7M  F#m7  Bm7
Te amo,        Maria
   E7(b9)     A7M  F#m7
Na foto____grafia       
   Bm7   E7(b9)   A7/4(9)
Estamos        felizes
A7(b9/13)            D7M 
          Te ligo afobada 
   D#m7        G#7(b9)   C#m7
E deixo confissões   no gravador
D#m7     G#7(b13)     C#m7 
     Vai ser     engraçado 
   D#7     G#7(b9)   C#7(13)  F#7(b9/b13)  Bm7
  Se tens um no_____vo amor

   E7(b9)      A7M  F#m7 
Me vejo  a teu lado      
   Bm7  E7(b9)     A7M    F#m7  Bm7
 Te amo?        Não lembro
  E7(b9)  A7M    F#m7       Bm7 E7(b9)    A7/4(9)
Parece  dezembro      De um ano        dourado
A7(b9/13)          D7M 
          Parece bolero 
     C#7/4(9) C#7(b9)    F#m7
  Te quero,           te quero
Dm6/F               A7M   F#m7 
      Dizer que não quero         
 B7(13) B7(b13) E7/4(9) E7(b9) C#7(13)  F#7(b9)
Teus bei____jos     nun_____ca     mais
     B7(13) B7(b13) E7/4(9) E7(b9) A6   E7(b9)
Teus bei____jos     nun_____ca     mais            

               A7M  F#m7 
Não sei se eu ainda      
     Bm7   E7(b9)    A7M  F#m7  Bm7
 Te esqueço        de fato
   E7(b9)  A7M   F#m7   Bm7  E7(b9)     A7/4(9)
No nosso retrato      Pareço        tão linda
A7(b9/13)            D7M     D#m7      G#7(b9)   C#m7
          Te ligo ofegante E digo confusões   no gravador
D#m7   G#7(b13)    C#m7  
     É descon___certante 
   D#7   G#7(b9)    C#7(13)  F#7(b9/b13)  Bm7
    Rever o gran___de amor

     E7(b9)  A7M    F#m7   Bm7   E7(b9)   A7M     F#m7  Bm7
Meus olhos molhados      Insanos,       dezembros
    E7(b9)    A7M    F#m7     Bm7  E7(b9)    A7/4(9)
Mas quando me lembro      São anos        dourados
A7(b9/13)          D7M  
          Ainda te quero 
    G#m7(b5)       C#7(b9)     F#m7
Bolero,   nossos ver_____sos são banais
Dm6/F               A7M   F#m7
      Mas como eu espero       
      B7(13) B7(b13) E7/4(9) E7(b9) C#7(13)  F#7(b9)
Teus bei____jos     nun_____ca     mais
     B7(13) B7(b13) E7/4(9) E7/4(b9) Gm7(9)
Teus bei____jos     nun_____ca       mais

C7(13) / F7M / Bb7M / E7(13) / Em7(b13) / A6(9)/E

Brejo da Cruz

Brejo da Cruz (1984) - Chico Buarque
Tom: D
Intro: D6

D6
A novidade
                      F6 F6/11+ F°
Que tem no Brejo da Cruz
E7/9           G/A
É a criançada
     A7          D6 
Se alimentar de luz
D6
Alucinados
                  Bb7/F
Meninos ficando azuis
E7/9
E desencarnando
G/A        A7        D6  
    Lá no Brejo da Cruz
D6
   Eletrizado
                      G  G#°
Cruzam os céus do Brasil
    Bb/C       C7
Na rodoviária
               F7+ G/A A7
Assumem formas mil
D6
Uns vendem fumo
                   F6   F6/11+ F° 
Tem uns que viram Jesus
E7/9              G/A
Muito sanfoneiro
        A7      D6
Cego tocando blues
D6
   Uns têm saudade
                Bb7/F
E dançam maracatus
E7/9              G/A
Uns atiram pedra
           A7     D6
Outros passeiam nus
          D6
Mas há milhões desses seres
                      G  G#°
Que se disfarçam tão bem
     Bb/C             C7
Que ninguém pergunta
                   F7+  G/A A7 
De onde essa gente vem
D6
São jardineiros
                     F6  F6/11+ F°
Guardas-noturnos, casais
 E7/9           G/A
São passageiros
    A7         D6  
Bombeiros e babás
D6
   Já nem se lembram
                        Bb7/F
Que existe um Brejo da Cruz
     E7/9          G/A  
Que eram crianças
    A7        D6
E que comiam luz
D6
   São faxineiras
                    F6   F6/11+ F° 
Balançam nas construções
 E7/9           G/A
São bilheteiras
   A7          D6 
Baleiros e garçons
D6
   Já nem se lembram
                         Bb7/F
Que existe um Brejo da Cruz
    E7/9           G/A 
Que eram crianças
    A7         D6
E que comiam luz

Trampolim

Trampolim - Caetano Veloso e Maria Bethânia
Tom: E

Intro: F#m B7


E    E7     A     A#º
Sem olhar, sem respirar
E        C#7          F#m
Sem rir, sem pensar, sem falar
B7      E    B7
Só te provo um lugar
E          E7            A    A#º
Qualquer piscina ou mar de Amaralina
E         C#7          F#m
O amor não é mais do que o ato
B7     E7
Da gente ficar
A          A#º    E
No ar antes de mergulhar
C#7    F#7  B7  E B7
Antes de mergulhar
E      E7     A
Dance, dance, cante, cante
A#º        E       C#7
Muito alto, sem medo de tudo
F#m      B7        E   B7
De nada, sem medo de errar
E        E7      A       A#º
Vejo uma boca vermelhar galhar
E           C#7          F#m
A paixão não é mais do que o ato
B7     E
Da gente ficar
A          A#º    E
No ar antes de mergulhar
C#7    F#7  B7  E
Antes de mergulhar

Sol negro

Maria Bethânia

Sol negro - Caetano Veloso
Tom: Gm
Intro: Cm C7 Gm C7 Cm7

Gm      C7   Gm                C7
Na minha voz trago a noite e o mar
Cm                     Cm7 Bb7  Gm
O canto é a luz de um sol negro e dor
C7          Gm       C7      Gm C7
É o amor, que morreu na noite do mar
Gm             C7
Valha Nossa Senhora
Gm               C7
Há quanto tempo ele foi-se embora
Gm                F
Para bem longe, pra além do mar
Cm                    D7/9-
Para além dos braços de Iemanjá
Gm  C7   Gm
Adeus, adeus

É de manhã

Maria Bethânia

É de manhã - Caetano Veloso

Tom: G
  

Intro: (Em7 A7) Am7 D7/9 Em7

C7/9    Am7      B7/9+      Em7 A7
É de manhã, vou buscar minha fulô
A barra do dia vem
O galo cocorocô, é de manhã
Vou buscar minha fulô
Em7      A7           Em7
É de manhã, é de madrugada
        A7
É de manhã
                  Em7         A7
Não sei mais de nada, é de manhã
             Em7 E7/9-
Vou ver meu amor
  Am7  D7/9-               Am7
É de manhã, vou ver minha amada
        D7/9
É de manhã
              Am7          D7/9
Flor da madrugada, é de manhã
                B7
Vou ver minha flor
Em7    A7    Em7
Vou pela estrada
 A7       Em7     A7   Em7
E cada estrela é uma flor
Am7    D7/9   Em7
Mas a flor amada
  C7/9          F#m5-/7
É mais que a madrugada
 D7/9     Em7             A7    Em7 A7 Em7
E foi por ela que o galo cocorocô
            A7    Em7
Que o galo cocorocô

Carcará

João do Vale
João do Vale já tinha mais de dez anos de Rio de Janeiro e várias músicas gravadas — algumas em seu nome, outras em nomes de terceiros quando Cartola o convidou a frequentar o Zicartola. Era uma oportunidade para ele mostrar seu repertório, pois lá os compositores podiam cantar à vontade.

E foi naquele ambiente que surgiu a idéia do “Opinião”, um musical de protesto contra a ditadura recém-instalada. O espetáculo — cuja autoria era de Paulo Pontes, Ferreira Guliar, Armando Costa e Oduvaldo Viana Filho e a direção de Augusto Boal — juntava um compositor urbano (Zé Keti), um nordestino (João do Vale) e uma moça da alta classe média (Nara Leão), três personagens bem diferentes e uma só opinião.

Encenado no então Teatro de Arena, em Copacabana, a partir de 10.12.64, mostrava canções contestadoras, como “Carcará”, lançada por Nara, mas que acabaria consagrando a estreante Maria Bethânia, que assumiu o seu papel em 13.2.65, permanecendo até o final da temporada.

“Carcará” é a mais conhecida composição da obra impregnada de realismo do rude maranhense João do Vale, um observador profundo da paisagem e da vida nordestina. Um tipo de gavião (“grande, do tamanho de um galo”, assegura João), o carcará, ou caracará, sabe superar os problemas de sobrevivência, porque ao sentir fome “pega, mata e come”, e quando em perigo “avoa que nem avião”. Valente e decidido, “mais coragem do que home”, o carcará simboliza o ideal libertário da canção.

Um dos momentos mais explosivos do número era o trecho discursivo, com informações sobre dados estatísticos de caráter social, exaltado numa crescente e proposital agressividade de Bethânia, que produzia um efeito ameaçador. Isso prenunciava seu pendor para a declamação de textos dramáticos, uma característica marcante de seu estilo.

Detalhe: o tal trecho declamado — “1950, mais de dois milhões de nordestinos viviam fora de seus estados natais. 10% da população do Ceará emigrou; 13% do Piauí; 15% da Bahia; 1% de Alagoas...” — foi copiado de um relatório da Sudene. Outro enxerto utilizado no arranjo é um pequeno trecho da “Missa Agrária”, de Carlos Lira e G. Guarnieri (A Canção no Tempo – Vol. 2 – Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello – Editora 34).



Carcará (canção, 1965) - João do Vale e José Cândido - Interpretação de Maria Bethânia
Tom: D  

Em
Carcará / Lá no sertão
É um bicho que avoa que nem avião
                A7
É um pássaro malvado
               B7                Em
Tem o bico volteado que nem gavião
Carcará
       A7             Em7
Quando vê roça queimada
                A7
Sai voando, cantando,
      Em
Carcará
       A7        Em
Vai fazer sua caçada
               A7          Em
Carcará come inté cobra queimada
                 A7           Em
Quando chega o tempo da invernada
                   A7           Em
O sertão não tem mais roça queimada
                A7           Em
Carcará mesmo assim num passa fome
                 A7           Em
Os burrego que nasce na baixada
Carcará
A7           Em
Pega, mata e come
Carcará
A7                  Em
Num vai morrer de fome
Carcará
A7                   Em
Mais coragem do que home
Carcará
A7             Em
Pega, mata e come
              A7           Em
Carcará é malvado, é valentão
              A7           Em
É a águia de lá do meu sertão
               A7              Em
Os burrego novinho num pode andá
            A7           Em
Ele puxa o umbigo inté matá
Carcará
A7             Em
Pega, mata e come
Carcará
        A7           Em
Num vai morrer de fome
Carcará
          A7           Em
Mais coragem do que home
Carcará
 A7             Em
Pega, mata e come
 
 

Trocando em miúdos

Trocando em miúdos (1978) - Francis Hime e Chico Buarque
Intro: A7+ A7/5+ D7+ Dm7 A7+ (A7/6 D6 Dm6)
                                      
 A7+          A7/5+              D7+
Eu vou lhe deixar a medida do Bonfim
 Dm7
Não me valeu
 A7+            A7/6         D6
Mas fico com o disco do Pixinguinha, sim?
 Dm6
O resto é seu
 Am9         Am/G           F#m7/5+
Trocando em miúdos, pode guardar
              F7+             Am
As sobras de tudo que chamam lar
              Am/G            F#m7
As sombras de tudo que fomos nós
              B7                E7+
As marcas de amor nos nossos lençóis
             E7/9-       A7+
As nossas melhores lembranças
          A7/5+                D7+
Aquela esperança de tudo se ajeitar
         Dm7
Pode esquecer
 A7+       A7/6               D6
Aquela aliança, você pode empenhar
       Dm6
Ou derreter
Am9        Am/G                 F#m7/5-
Mas devo dizer que não vou lhe dar
           F7+              Am
O enorme prazer de me ver chorar
             Am/G              F#m7  B7
Nem vou lhe cobrar pelo seu estrago
     F#m7 B7 Bm7  E7 Bm7 E7
Meu peito tão dilacerado
 A7+
Aliás
             A7/5+              D7+
Aceite uma ajuda do seu futuro amor
       Dm7
Pro aluguel
 A7+        A7/6               D6
Devolva o Neruda que você me tomou
    Dm6
E nunca leu
 Am9        Am/G              F#m7/5-
Eu bato o portão sem fazer alarde
             F7+           Am
Eu levo a carteira de identidade
       Am/G            F#m7/5-
Uma saideira, muita saudade
             F7+                   Am9
E a leve impressão de que já vou tarde...

Tarde em Itapoã



A parceria Toquinho & Vinicius iniciou-se com a canção “Como Dizia o Poeta”, apresentada pela primeira vez em setembro de 1970, durante uma temporada dos dois no Teatro Castro Alves, em Salvador. Na época foi realizada uma gravação improvisada para execução exclusiva na Rádio Difusora de São Paulo, tendo a música alcançado uma animadora repercussão entre os ouvintes.

Depois de fazerem mais duas composições, Toquinho conseguiu convencer Vinícius, com a ajuda de Gesse, mulher do poeta, a entregar-lhe uma letra que ele pretendia que fosse musicada por Dorival Caymmi. Então o compositor trabalhou dois meses para considerar pronta “Tarde em Itapoã”. “Quando ele ouviu, a princípio ficou meio indeciso. Achou boa, com uma certa dúvida. Começamos a cantá-la e as pessoas se apaixonavam pela música. Foi aí que ganhei Vinicius”, revela Toquinho no livro Vinicius sem ponto final, de seu irmão João Carlos Pecci.

Na verdade, a melodia do violonista caiu como uma luva na letra de Vinicius: “Um velho calção de banho / o dia pra vadiar / um mar que não tem tamanho / e um arco-íris no ar / depois, na Praça Caymmi / sentir preguiça no corpo / e numa esteira de vime / beber uma água de coco.” “Tarde em Itapoã” abriu o elepê Como dizia o poeta... música nova, que revelou o primeiro lote de canções interpretadas pelos dois e a cantora Marília Medalha.

Com a inclusão do Trio Mocotó foi criado o respectivo espetáculo, que depois da estréia em São Paulo, projetou pelo país o repertório da dupla, mantida em atividade até a morte do poeta em 1980.

Autor de extensa obra, Vinicius de Moraes adorava compor com figuras ilustres da MPB, tendo sido Toquinho o seu último parceiro fixo. Em que pese a existência de ótimas canções assinadas pelos dois — como “Regra Três”, “Testamento” e o grande sucesso “Tarde em Itapoã” —, é evidente uma queda de qualidade na produção de Vinícius nos anos setenta. Principalmente se comparada com a do esplendoroso período por ele vivido nas duas décadas anteriores (A Canção no Tempo - Vol. 2 - Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello - Editora 34).

Tarde em Itapoã (1971) - Toquinho e Vinícius de Moraes
Introdução:

   Am7  D7/9                    Am7  D7/9
                

|--5-7-8-7-5-8-8-7-8 ---|---5-7-8-7-5-8-7-8-7-5--|
|-7---------------------|-7----------------------|
|-----------------------|------------------------|
|-----------------------|------------------------|
|-----------------------|------------------------|
|-----------------------|------------------------|
  

Am7                 D7/9      Am7   Am7/G F#m7(5b)  B7
Um velho calção de banho /   o   dia prá vadiar
  Em                  A7         Dm7  Bm7(5b)  E7
um mar que não tem tamanho / um arco-íris no ar.
Am7               D7/9   Am7     Am7/G     F#m7(5b)   B7
Depois da praça Caymi / sentir preguiça no corpo
  Em               A7     Dm7             Bm7(5b)   E7
e numa esteira de vime / beber uma água de côco.
(**Refrão**)

           A7M        Bm7      C#m7               Bm7     C7M
É bom... passar uma tarde em Itapoã / ao sol que arde em Itapoã
        C6/9      Bm7              E7       Am7  D7/9
ouvir o mar de Itapoã / falar de amor em Itapoã. 
 
Am7                       D7/9   Am7         Am7/G   F#7/5b  B7
Enquanto o mar inaugura / um verde novinho em folha
Em                        A7       Dm             Bm7(5b) E7
argumentar com doçura / com uma cachaça de rolha.
Am7                      D7/9   Am7  Am7/G          F#7/5b  B7
E com o olhar esquecido / no encontro de céu e mar
Em                      A7     Dm        Bm7(5b)  E7
bem devagar e sentindo / a terra toda rodar.
(**Refrão**)

Am7               D7/9       Am7      Am7/G    F#m7(5b)   B7
Depois sentir o arrepio / do vento que a noite traz
Em                A7         Dm7        Bm7(5b)   E7
e o diz-que-diz macio / que brota dos coqueirais.
Am7             D7/9          Am7  Am7/G  F#m7(5b)  B7
E nos espaços serenos / sem ontem nem amanhã
Em                 A7     Dm7      Bm7(5b)  E7
dormir nos braços morenos / da lua de Itapoã.
(**Refrão**)
 
 

Sonho meu

Ivone Lara
Compositora formada na tradição do jongo e do partido alto, que aprendeu com os sambistas da Serrinha, subúrbio do Rio, Dona Ivone Lara entrou, como foi dito, em 1965 para a ala de compositores de uma escola de samba, setor até então restrito à participação masculina. A partir de então ela ganhou prestígio como autêntica personagem da história do samba, autora e cantora não somente de sambas-enredo, mas de outras modalidades do gênero, figurando entre suas criações “Acreditar”, “Liberdade” e este excelente “Sonho Meu”, premiado como melhor música do ano.

“Sonho Meu” é um samba de melodia e versos apurados, cujo refrão surgiu de repente, numa ocasião em que Dona Ivone estava arrumando a casa: “Sonho meu, sonho meu / vai buscar quem mora longe, sonho meu...” Então, durante uns quinze dias não foi capaz de avançar com a composição, resolvendo convidar o parceiro Délcio Carvalho a fazer o resto da letra, mesmo sem a música. Porém, novamente de forma inesperada, a inspiração voltou, desencantando-se a seqüência da melodia. Em seguida, Délcio completou a letra: “Vai mostrar esta saudade / sonho meu / com a sua liberdade / sonho meu...”

Quando, num clima de mútua admiração, conheceu Maria Bethânia e soube de sua intenção de regravar algum samba seu, ofereceu-lhe vários inéditos, entre as quais “Sonho Meu”, que deveriam ser-lhes mostrados na casa da violonista Rosinha de Valença. Gal Costa também deveria ir a esse encontro, mas faltou, e Bethânia cantou “Sonho Meu”, em dupla com Zizi Possi. Menos de um mês depois, Dona Ivone ouviu surpreendida o seu samba cantado por Bethânia e Gal no rádio. É que ao conhecer “Sonho Meu”, Gal se antecipou a Zizi e o gravou com Bethânia no elepê Álibi (A Canção no Tempo – Vol. 2 – Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello – Editora 34).

Sonho meu (samba, 1979) - Dona Ivone Lara e Délcio Carvalho - Interpretação de Gal Costa e Maria Bethânia



Tom: A
  

Intro: A  A6

       A   F#7        Bm7
Sonho meu,     sonho meu
        E7
Vai buscar que mora longe
       A
Sonho meu

        F#7                      Bm7
Vai mostrar esta saudade, Sonho meu
       E7                   A
Com a sua liberdade, Sonho meu

        F#7                      Bm7
No meu céu a estrela guia se perdeu
             E7                     A
A madrugada fria só me traz melancolia
       E7
Sonho meu

  Bm7             E7
Sinto o canto da noite
             A
Na boca do vento
 Bm7                E7
Fazer a dança das flores
             A
No meu pensamento

 A7                   D
Traz a pureza de um samba
            Dm                C#m7
Sentido, marcado de mágoas de amor
              F#7              Bm7
Um samba que mexe o corpo da gente
            E7               A
E o vento vadio embalando a flor
       E7
Sonho meu