sexta-feira, 23 de junho de 2006

Vila Esperança

Vila Esperança (marcha / carnaval) - Marcos César e Adoniran Barbosa



Bm            
Vila Esperança,
Em    Gb7
foi lá que eu passei
Bm
O meu primeiro carnaval
B7                       Em
Vila Esperança, foi lá que eu conheci
Db7                Gb7
Maria Rosa, meu primeiro amor Bm Em Como fui feliz, naquele fevereiro Gb7 Em B7 Pois tudo para mim era primeiro Em F° Bm Primeira rosa, primeira esperança (Bm) Em Gb7 Bm Primeiro carnaval, primeiro amor criança A7 D Numa volta no salão ela me olhou Gb7 C7 B7 Eu envolvi seu corpo em serpentina Em Bm E tive a alegria que tem todo Pierrot Db7 G7 Gb7 Ao ver que descobriu sua Colombina A7 D O carnaval passou, levou a minha rosa Gb7 B7 Levou minha esperança, levou o amor criança Em F° Bm Levou minha Maria, levou minha alegria (Bm) Em Gb7 Bm Levou a fantasia, só deixou uma lembrança.

Rancho de amor a Ilha

Cláudio Alvim Barbosa, o Zininho, ilustre poeta e personalidade florianopolitana, compôs um poema que se transformou, logo em seguida, no Hino Oficial da Cidade de Florianópolis. Estas letras que você vai ler agora, resumem a beleza desta cidade com uma natureza ímpar e povo hospitaleiro.

Rancho de amor a Ilha (marcha-rancho) - Zininho
(Hino da cidade de Florianópolis)

Em               Am   B7      Em
Um pedacinho de terra perdido no mar
Am     B7         Em 
Um pedacinho de terra belezas sem par

Am                Em
Jamais a natureza reuniu tanta beleza
Gb                B
Jamais algum poeta teve tanto pra cantar
Em         Am      B7        E
Um pedacinho de terra belezas sem par


B                 A
Ilha da moça faceira da velha rendeira
Ab        A                 E
Tradicional / Ilha da velha figueira
Gb                 B
Onde em tarde fagueira vou ler meu jornal

E             B                 A
Tua lagoa formosa / Ternura de rosa
Ab      A                    E
Poema ao luar / Cristal onde a lua vaidosa
Am   B7         Em
Sestrosa, dengosa vem se espelhar

O rancho da goiabada


O rancho da goiabada (marcha-rancho, 1976) - Aldir Blanc e João Bosco
Em        
Os bóias-frias  quando tomam 
       Am    
Umas biritas espantando a tristeza 
                    B7 
Sonham com bife a cavalo, batata frita 
          Em      B7 
E a sobremesa 
 
  Em                E7        Am 
É goiabada-cascão, com muito queijo 
  B7     Em               Em/D           Gb7 
Depois café, cigarro e um beijo de uma mulata 
   B7               B7 E  B7    
Chamada Leonor, ou Dagmar 
 
  E 
Amar, o rádio de pilha, o fogão jacaré 
                Db7     Gbm 
A marmita, o domingo, o bar 
                   B7           
Onde tantos iguais se reúnem contando mentira 
                C7  B7 
Pra poder suportar, 
 
            Em                              Em/D 
São pais-de-santos, paus-de-araras / São passistas 
          C            B7            E 
São flagelados, são pingentes, balconistas 
   Db7                   Gbm 
Palhaços, marcianos, canibais, lírios, pirados 
   Am                D 
Dançando dormindo de olhos abertos 
   E           Db7       C      B7        Em 
À sombra da alegoria /  Dos faraós embalsamados 

Noite de São João

Lamartine
Ao contrário dos balões - que, mesmo proibidos, continuam subindo -, as marchas juninas desapareceram do repertório musical. Mas, para animar os festejos dos três santos (Pedro, Antônio e João), restaram os clássicos, na maioria lançados na década de 1930, que eram assinados por compositores como João de Barro, Alberto Ribeiro, Benedito Lacerda, Ary Barroso e Lamartine Babo, este último o mais prolífico no gênero.

Dele é "Chegou a Hora da Fogueira" ("Chegou a hora da fogueira / é noite de São João..."), gravado inicialmente pela dupla Carmen Miranda e Mário Reis, sustentada por um arranjo excepcional de Pixinguinha.

Chegou a Hora da Fogueira (marcha, 1933) - Lamartine Babo
- Intérpretes: Carmen Miranda e Mário Reis

Tom: D  

D                 C
Chegou a hora da fogueira
G7              C
É noite de São João

O céu fica todo iluminado
D
Fica o céu todo estrelado
                C
Pintadinho de balão..
A7
Pensando na cabocla a noite inteira
D                                A7    D
também fiz uma fogueira dentro do meu coração..


A7                            D
Quando eu era pequenino de pé no chão
C                               D
Eu cortava papel fino pra fazer balão..
A7                                       D
E o balão ia subindo lá no azul da imensidão..

A7                                     D
Hoje em dia o meu destino não vive em paz..
 C                                 
O balão de papel fino
 A7         D
já não sobe mais..
A7            D     
O balão da ilusão
         D7    A7    D
levou pedra e foi ao chão...

Máscara negra

Zé Kéti
Ainda prestigiado pelo sucesso do show “Opinião”, Zé Kéti ganhou o carnaval de 67 com a marcha-rancho “Máscara Negra”. Reproduzindo o lirismo suave que caracteriza o gênero, a composição trata do reencontro de um Pierrô com uma Colombina que conhecera no carnaval anterior.

E, ao contrário de outras canções inspiradas na commedia dell’arte, aqui é o Arlequim quem chora pelo amor de colombina: “Tanto riso / oh, quanta alegria / mais de mil palhaços no salão / arlequim está chorando pelo amor da Colombina / no meio da multidão.” Tendo acontecido numa época em que a música carnavalesca tradicional saía de moda, o sucesso de “Máscara Negra” pode ser considerado uma façanha.

A propósito, este sucesso chegou a gerar uma polêmica sobre a co-autoria da composição, que seria de Deusdedith Pereira Matos e não de seu irmão Hildebrando, conforme consta na edição. Mas, como os dois já haviam morrido na ocasião, a questão não teve maiores consequências, entrando “Máscara Negra” para o repertório de Dalva de Oliveira como um de seus últimos sucessos (A Canção no Tempo – Vol. 2 – Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello – Editora 34).



Máscara negra (marcha / carnaval, 1967) - Zé Keti e Pereira Matos
Tom: G  

         G       C#dim     G
Tanto riso, oh quanta alegria
              G#dim       Am
Mais de mil palhaços no salão
   C              D7           G           E7  
Arlequim está chorando pelo amor da Colombina 
       Am    D7  G  ( D7 )
No meio da multidão

G          G#dim    Am                  D7
Foi bom te ver outra vez está fazendo um ano
                     G
Foi no carnaval que passou
      Bbº     Am               D7  
Eu sou aquele Pierrot que te abraçou 
          G        D7
   que te beijou, meu amor

G        G#dim       Am                  D7  
A mesma máscara negra que esconde o teu rosto 
                    Dm6 G E7
    eu quero matar a saudade
 Am     D7      G      E            Am     D7     E7
Vou beijar-te agora não me leve a mal hoje é carnaval
Am     D7       G      E           Am     D7         G
Vou beijar-te agora não me leve a mal hoje é carnaval
 
 

Lancha nova

Lancha nova (marcha / carnaval) - João de Barro e Antônio Almeida

Disco 78 rpm / Título: Lancha nova / Autoria: Almeida, Antônio (Compositor) / João de Barro, 1907-2006 (Compositor) / Nuno Roland, 1913-1975 (Intérprete) / Trio Melodia (Intérprete) / Orquestra Continental (Acompanhante) / Imprenta [S.l.]: Continental, 1949 / Álbum 16132 / Lado A /

    Dm 
Ô! Ô! Ô! Ô! 
       A7           Dm 
Lancha nova no cais apitou 
               Bb7 
E a danada da saudade 
       A7        Dm 
No meu peito já chegou 
          C7      Dm 
Adeus oh! Linda morena 
     Bb7    A7     Dm 
Não chores mais por favor 
           C7        F 
Partindo eu morro de pena 
  E7                A7 
Ficando eu morro de amor. 

Eu, você e o luar

Eu, você e o luar (marcha / carnaval) - Hilário Washington e Celso Garcia
  (Em)        Gbm7  B7
Passeando à beira mar
Em       Gbm7 B7
Eu você e o luar
B°       E7        Am
Tinha um vento que soprava forte
 Db°    Gb7       (B7)
Tinha a onda que quebrava
                 Em
Num convite para amar

          Gbm7   B7
E o amor você jurou
 Em      Gbm7    B7
Quando o coração bateu
 B°     E7        Am
Tantos beijos e abraços
   Am6        Em  (Gb7) (B7) (Em) Em7/9
De vergonha a lua   se   escondeu

Estão voltando as flores

Helena de Lima
Apesar de ser uma marcha-rancho, “Estão Voltando as Flores” não foi feita para carnaval. Surgiu num momento de euforia de Paulo Soledade em dezembro de 1960, quando, após ter estado convalescente de uma cirurgia de alto risco, sentiu-se completamente recuperado.

Vinte e dois anos depois, em depoimento concedido ao Arquivo da Cidade do Rio de Janeiro, Paulo afirmou: “Foi uma composição que fiz em quinze minutos, sem violão, sem nada, e que representa para todos que a ouvem um hino de recuperação.” Daí os versos e a melodia vibrantes, otimistas que na realidade eram dirigidos à sua mulher: “vê, estão voltando as flores / vê, nessa manhã tão linda / vê, como é bonita a vida / vê, há esperança ainda.”

Mas, como já acontecera a outras canções de sucesso, foi difícil encontrar quem quisesse gravá-la, “Não é comercial”, disseram diretores de gravadoras e cantores a quem a música foi mostrada. O curioso é que todos eram amigos do compositor. Por fim, já desanimado e disposto a bancar o disco, Paulo procurou mais um amigo, o Valtinho da Tonelux, na época dirigindo a gravadora Mocambo, que aceitou o projeto, desde que o autor providenciasse uma cantora sem contrato com outra empresa.

Então, indicada por Marino Pinto, Helena de Lima teve a primazia de lançar “Estão Voltando as Flores”, a melhor canção de Paulo Soledade, segundo ele mesmo (A Canção no Tempo – Vol. 2 – Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello – Editora 34).



Estão voltando as flores (marcha-rancho, 1962) - Paulo Soledade - Intérprete: Helena de Lima

C                      Bb7   A7
Vê, estão voltando as flo....res
Dm                 Ab7    G7
Vê, nessa manhã tão lin....da
C7                F7M
Vê, como é bonita a vi.....da
D7               G7
Vê, há esperança ain......da

C                    Bb7      A7
Vê, as nuvens vão passan......do
Dm                  Ab7      G7
Vê, um novo céu se abrin......do
C7            F7M
Vê, o sol iluminan.....do

Dm        G7        C
Por onde nós vamos indo
Ab                   C7M
Por onde nós vamos indo. 
 
 

Enfeite de Carnaval

Enfeite de carnaval (marcha/ carnaval) - Walter Pimenta
Introd.: (A) (B7)  (E)
      Ab7                       Dbm
O meu amor cortou o laço da amizade
Db7                    Gbm
Brigou comigo sem motivo e compaixão
A            Bb°           E
Só porque passei três dias na cidade
B7                          (E)
Expulsou-me do meu quarto e fui pro chão
(E7)    A               E
Ai, ai, ai, que triste sina
B7         E
Oh que luta desigual
A          E        Gb             B7
Só porque a Colombina enfeitou meu carnaval
A               E
Ai, ai, ai, que triste sina
E7
Oh que luta desigual
A          E         Gb             E
Só porque a Colombina enfeitou meu carnaval

A lua é camarada



Ângela Maria
A lua é camarada (marcha / carnaval, 1963) - Klecius Caldas e Armando Cavalcanti - Interpretação de Ângela Maria
(Em)         Gb7    B7
A noite é linda
           Em
Nos braços teus
        B7
É cedo ainda
           Em
Pra dizer adeus

E
Vem,
                 Ab7
Não deixes pra depois, depois
 Dbm
Vem,
                     Ab7
Que a noite é de nós dois, nós dois
A    Bb°
Vem,
                 E        Db7
Que a lua é camarada
                     Gbm     B7
Em teus braços quero ver
        ( E )
O sol nascer.
 
 

Acorda Maria Bonita



Acorda Maria Bonita (marcha, 1967) - Volta Seca (Antônio dos Santos) - Interpretação de Ary Cordovil
D              
Acorda Maria Bonita 
   D7                  G
Levanta vai fazer o café
    D              A7   
Que o dia já vem raiando
                        D
E a polícia já está de pé


A7                   D        A7            D
Se eu soubesse que chorando / Empato a tua viagem
A7                   D          A7               D
Meus olhos eram dois rios / Que não te davam passagem


A7               D           A7              D
Cabelos pretos anelados / Olhos castanhos delicados
A7                 D        A7               D
Quem não ama a cor morena / Morre cego e não vê nada
 
 

Bandeira branca



A era da canção carnavalesca começa em 1917, com o samba “Pelo Telefone”, e termina em 1970 com a marcha-rancho “Bandeira Branca”. Depois desse ano, somente o samba-enredo faria sucesso, limitando-se o repertório tradicional a algumas marchinhas que são revividas pelas orquestras em meio aos bailes de carnaval.

Assim, “Bandeira Branca”, uma composição romântica, de melodia e versos tristes, tornou-se paradoxalmente o último clássico do repertório carnavalesco: “Bandeira branca, amor / não posso mais / pela saudade que me invade / eu peço paz...” Foi também o último sucesso de Dalva de Oliveira (A Canção no Tempo – Vol. 2 – Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello – Editora 34).

Bandeira branca (marcha/carnaval, 1970) - Max Nunes e Laércio Alves
Em                             Am
Bandeira branca, amor /  Não posso mais
        Em              B7             Em
Pela saudade que me invade  / Eu peço paz

                Am            B7
Saudade mal de amor, de amor / Saudade
        Em                    Am
Dor que dói demais / Vem meu amor
           B7                 Em
Bandeira branca  /   Eu peço paz
 
 

Mulata Bossa Nova

Emilinha Borba
Mulata bossa nova (marcha/carnaval, 1965) - João Roberto Kelly



G
mulata bossa nova   caiu no huly-guly
BIS     Am   C               G       D7      G
e só dá ela  iê-iê-iê iê-iê-iê iê-iê na passarela
Am               G                              C
a boneca está  cheia de fiu-fiu  esnobando as louras
       A7          D7
e as morenas do Brasil

Marcha do remador



Emilinha Borba
Marcha do remador (Se a canoa não virar) (marcha/carnaval, 1964) - Antônio Almeida e Oldemar Magalhães

------ A
Se a canoa não virar
Olê-olê-olá

E7----------A
Eu chego lá


---- D
Rema, rema, rema, remador

------A
Quero ver depressa o meu amor

----------D
Se eu chegar depois do sol raiar

------E7
Ela bota outro em meu lugar 


Cabeleira do Zezé

Jorge Goulart
O uso masculino do cabelo comprido ainda não era de todo aceito no Brasil em 1964. Daí o surgimento de composições, como “Cabeleira do Zezé”, colocando em dúvida a masculinidade do usuário da nova moda. “Olha a cabeleira do Zezé / será que ele é... / será que ele é...”, dizia a marchinha, adiante arrematada com a repressiva sugestão, “corta o cabelo dele... / corta o cabelo dele...”

Mas logo mais, na segunda metade da década, estaria todo o mundo (principalmente a moçada da música popular) exibindo vastas cabeleiras, numa boa, livre de críticas ou preconceitos.

Especialista em marchinhas e vinhetas musicais para programas de televisão, João Roberto Kelly seria o último bom compositor a se dedicar à canção de carnaval tradicional sendo “Cabeleira do Zezé” lançada por Jorge Goulart, o seu abre-alas curando de uma numerosa série de sucessos carnavalescos (A Canção no Tempo – Vol. 2 – Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello – Editora 34).



Cabeleira do Zezé (marcha de carnaval, 1964) - João Roberto Kelly e Roberto Faissal - Intérprete: Jorge Goulart
D
Olha a cabeleira do Zezé.
              A7              D    A7
Será que ele é?  Será que ele é?
D
Olha a cabeleira do Zezé.
              A7              D    D7
Será que ele é?  Será que ele é?

   G                  D       F#7             Bm
Será que ele é bossa nova? Será que ele é Maomé
   A7               D        E7                     A7
Parece que é transviado. Mas isso eu não sei se ele é

 D              G
Corta o cabelo dele
 A7             D
Corta o cabelo dele

 D              G
Corta o cabelo dele
 A7             D   A7
Corta o cabelo dele