domingo, 30 de julho de 2006

Cifras de Alceu Valença


A foca
Agalopado
Ai de ti, Copacabana
Anjo avesso
Amor covarde
Anunciação
Arreio de prata
Belle du jour
Borboleta
Cabelo no pente
Cabelos longos
Caravana
Cavalo-de-pau
Como dois animais
Coração bobo
Dia branco
Dolly
Espelho cristalino
Estação da Luz
Girassol
Meu forró é meu canto
Moinhos
Molhado de suor
Morena tropicana
Na melodia de pisa na fulô
Na primeira manhã
No balanço da canoa
O P da paixão
Papagaio do futuro
Pelas ruas que andei
Perfídia
Pétalas
Pombo correio
Recado falado
Romance da bela Inês
Rouge carmin
Sete desejos
Sol e chuva
Solidão
Táxi lunar
Te amo, Brasília
Tesoura do desejo
Vem, morena
Voltei, Recife

Voltei, Recife

Alceu Valença
Alceu Valença

Tom: C
  

    Am
Voltei, Recife
Foi a saudade
                   Dm
Que me trouxe pelo braço
      Dm      C         Bm
Quero ver novamente "Vassoura"
   Am     E
Na rua abafando
             Bm7(b5)
Tomar umas e outras
    E          Am
E cair no passo
         C
Cadê "Toureiros"?
              G
Cadê "Bola de Ouro"?
                   F
As "pás", os "lenhadores"
         G                C
O "Bloco Batutas de São José"?
         A7
Quero sentir
                Dm
A embriaguês do frevo
               Bm7(b5)
Que entra na cabeça
              E
Depois toma o corpo
           Am
E acaba no pé

Vem, morena

Alceu Valença
Alceu Valença
Tom: Em

(Em    A7                Em )
VEM MORENA PROS MEUS BRAÇOS
VEM MORENA, VEM DANÇAR
QUERO VER TU REQUEBRANDO
QUERO VER TU REQUEBRAR
QUERO VER TU REMEXENDO
NO RESFOLÊGO DA SANFONA
ATÉ O SOL RAIAR
ESSE TEU FUNGADO QUENTE
BEM NO PÉ DO MEU PESCOÇO
ARREPIA O CORPO DA GENTE
FAZ O VELHO FICAR MOÇO
E O CORAÇÃO DA GENTE

Dm7       B7         Em
BOTA O SANGUE EM ALVOROÇO
(Em    A7        Em )
ESSE TEU SUOR SALGADO 
É GOSTOSO E TEM SABOR
POIS O TEU CORPO SUADO
COM ESSE CHEIRO DE FULÔ
TEM O GOSTO TEMPERADO

Dm7   B7       Em
DO TEMPERO DO AMOR

Tesoura do desejo

Alceu Valença
Alceu Valença
Intr.: (A F7+)

   F7+              
Você atravessando 
                          A
   aquela rua vestida de negro
  F7+              
E eu te esperando 
                              A
   em frente a um certo bar, Leblon
   F#m
Você se aproximando e eu morrendo de medo
  B                                          A
Ali, bem mesmo em frente a um certo bar, Leblon

(A F7+)

       F7+                                   A
Quando eu atravessava aquela rua, morria de medo
    F7+                                        A
De ver o teu sorriso e começar um velho sonho bom
     F#m
E o sonho fatalmente viraria um pesadelo
  B                                          A
Ali, bem mesmo em frente a um certo bar, Leblon

(A F7+)

            F7+
- Vamos entrar...
                    A
- Não tenho tempo!

- O que é que houve?
               F7+
- O que é que há?
               F#m
- O que é que houve, meu amor, você cortou os seus cabelos?
           B                                  A
- Foi a tesoura do desejo, desejo mesmo de mudar

(A F7+)

Táxi lunar

Taxi lunar - Geraldo Azevedo, Zé Ramalho e Alceu Valença
Alceu Valença
Tom: Bm

Intr.: Bm7 C#m7 D7+ C#m7 Bm7
C#m7 D7+ C#m7 Bm7

 G/E  Em9/D C7+        Bm7
Ela  me    deu o seu amor eu tomei
A       G   F#m
No dia dezesseis de maio viajei
G/E    Em9/D C7+ Bm7
Espaçonave   atropelado procurei
A      G     F#m
O meu amor aperreado

  Bm7              C#m7
Apenas apanhei na beira mar
D7+    C#m7    Bm7
Um táxi    pra estação lunar
Bm7              C#m7
Apenas apanhei na beira mar
D7+    C#m7    Bm7
Um táxi

 G/E  Em9/D  C7+ Bm7
Bela linda  criatura bonita
A      G           F#m
Meio menina meio mulher
G/E Em9/D C7+         Bm7
Tem um espelho no seu rosto de neve
A      G           F#m
Meio menina meio mulher

  Bm7              C#m7
Apenas apanhei na beira mar
D7+    C#m7 Bm7
Um táxi pra estação lunar
Bm7              C#m7
Apenas apanhei na beira mar
D7+     C#m7   Bm7
Um táxi

 G/E  Em9/D C7+ Bm7
Pela sua   cabeleira vermelha
A     G           F#m
Pelos raios desse sol lilás
G/E  Em9/D C7+    Bm7
Pelo fogo  do seu corpo centelha
A     G           F#m
Pelos raios desse sol

  Bm7              C#m7
Apenas apanhei na beira mar
D7+    C#m7   Bm7
Um táxi   pra estação lunar
Bm7              C#m7
Apenas apanhei na beira mar
D7+      C#m7  Bm7
Um táxi 

Solidão

Alceu Valença
Alceu Valença

Tom: A
  

Intro 2x: E  A/F#  E  A/F#

E                 A/F#        E
A solidão é fera a solidão devora
                          A/F#    E
É amiga das horas prima irmã do tempo
                          A/F#     E
E faz nossos relógios caminharem lentos
                            A/F#    E
Causando um descompasso no meu coração

E                 A/F#        E
A solidão é fera, solidão devora
                          A/F#    E
É amiga das horas prima irmã do tempo
                          A/F#     E
E faz nossos relógios caminharem lentos
                            A/F#    E
Causando um descompasso no meu coração

    A/F#  E
Solidão

E            A/F#   E
A solidão é fera
             A/F#   E
É amiga das horas
                 A/F#   E
É prima irmã do tempo
                          A/F#     E
E faz nossos relógios caminharem lentos
                            A/F#    E
Causando um descompasso no meu coração

               A/F#   E
A solidão dos astros
              A/F#   E
A solidão da lua
              A/F#   E
A solidão da noite
              A/F#   E
A solidão da rua

Intro 2x: E  A/F#  E  A/F# 

Te amo, Brasília

Alceu Valença
Alceu Valença

Tom: D
  


Into: Gbm Dbm Bm A (4x)

      Bm                Gbm
Eu estava tão lobo nos bares da vida 
     Bm               Gbm
Sangrava a ferida do meu coração 
   Bm                  Gbm
E uma doida dona, charmosa e tão linda 
      G7+              Gbm
Com tudo de cima me botou no chão 
     Bm                Gbm
Qual é o seu nome? Me chamo Brasília 
   Bm                Gbm
Sabia que um dia ia te encontrar 
  Bm                Gbm
Ela só queria, eu quase acredito, 
    G7+                   Gbm
Quebrar o meu mito e me abandonar 
         Gbm           Dbm
Se teu amor foi hipocrisia 
           Bm
Adeus, Brasília, 
                     A
Eu vou morrer de saudade 
         Gbm           Dbm
Se teu amor foi hipocrisia 
a           Bm
Adeus, Brasília, 
                    A
Eu vou pra outra cidade 
  Bm                   Gbm
Agora conheço sua geografia 
   Bm             Gbm
A pele macia, cidade morena 
      Bm             Gbm
Teu sexo, teu lago, tua simetria 
  G7+                Gbm
Até qualquer dia, te amo, Brasília

Sol e chuva

Alceu Valença
Alceu Valença
(E D)
Não não quero mais  
Brincar de sol e chuva com você  
Não suporto mais  
Brincar de sol e chuva com você  
E              A
Para seu dedo tenho um dedal  
E                 A
Pro seu conselho cara de pau  
E                 A
Tenho dezembro e tenho janeiro  
   E              A
E se não me engano tenho fevereiro  
E              A
Se essa vida é um desmantelo  
    E           A            E
Me mate que eu sou muito vivo 

Sete desejos

Alceu Valença
Intro.: (D D7+)
(D D7+ C Em Bb F G A D)

  D             D7+
Recomeçando das cinzas
   C               Em
Eu faço versos tão claros
   Bb          F
Projeto sete desejos
     G    A    D
Na fumaça do cigarro
            D7+
Eu penso na blusa branca
   C                  Em
De renda, que dei pra ela
   Bb            F
Na curva de suas ancas
G           A        (D   D7+)
Quando escanchada na sela
          D             D7+
Lembro um flamboyant vermelho
   C             Em
No desmantelo da tarde
  Bb             F
A mala azul, arrumada
G        A        D
Que projetava a viagem
     D7+         C
Recomeçando das cinzas
                    Em
Vou recompondo a paisagem
Bb                      F
Lembro um flamboyant vermelho
G        A       D    (D D7+)
No desmantelo da tarde
   D             D7+
E agora penso na réstia
  C            Em
Daquela luz amarela
Bb                F
Que escorria do telhado
       G      A     D
Pra dourar os olhos dela
      D7+       C
Recomeçando das cinzas
                   Em
Vou renascendo pra ela
   Bb             F
E agora penso na réstia
  G      A      D
Daquela luz amarela
   D                  D7+
E agora penso que a estrada
   C               Em
Da vida, tem ida e volta
   Bb              F
Ninguém foge do destino
     G        A       (D D7+)
Esse trem que nos transporta
   D                  D7+
E agora penso que a estrada
    C              Em
Da vida, tem ida e volta
   Bb              F
Ninguém foge do destino
     G        A       D
Esse trem que nos transporta

D D7+ C Em Bb F G A

Rouge carmin

Alceu Valença
Alceu Valença

Dm   A7          Gm
Meu amor tem um beijo 
      A7        Dm  A7 Dm A7 Dm
guardado pra mim
A7       Gm      A7        Dm  A7 Dm A7 Dm
E a cor do batom é vermelho carmim
A7            Gm      A7      Dm  A7 Dm A7 Dm
Meu amor tem dez dedos cravados em mim
A7         Gm         A7      Dm  A7 Dm A7 Dm
Que me rasga me arranha e me deixa assim
F
Assim que eu te vi muito louca
Olhei tua boca e ficamos a fim
Gm       A7         Dm
A fim de fazer um pecado
E7      A7      Dm
A cor do pecado é rouge carmim 

Romance da bela Inês

Alceu Valença
Alceu Valença
Intro (D   G/E)  

     D                     G/E     
Uma musa matriz de tantas músicas 
                             D 
Melindrosa mulher e linda e única    
Como o lado da lua que se oculta 
Escondia o mistério e a sedução    
Comovida com a revolução 
De Guevara, Camilo e Sandino    
Escutou meu Espelho Cristalino 
Viajou nosso sonho libertário    
Bela Inês, com seu peito de operário 
A burguesa que amava o Capitão    
  
     D                           G/E   
Acontece que a história não tem pressa 
                               D 
E o amor se conquista passo a passo    
O ciúme é a véspera do fracasso 
E o fracasso provoca o desamor    
Bela Inês teve medo do "condor" 
Queimou cartas, lembranças do passado    
E nessa guerra de Deus e do diabo 
Entre fogo cruzado desertou    
Bela Inês, com seu peito de operário 
Não me esconde seu ar conservador    
  
Refrão 
  
 D      G/E                  D  
Mas eu tenho um espelho cristalino    
Que uma baiana me mandou de Maceió    
Ele tem uma luz que me alumia    
Ao meio dia, clareia a luz do sol  

 D          G/E                  D  
Oha que eu tenho um espelho cristalino    
Que uma baiana me mandou de Maceió    
Ele tem uma luz que me alumia    
Ao meio dia, clareia a luz do sol  

     D                           G/E   
Acontece que a história não tem pressa 
                               D 
E o amor se conquista passo a passo...    

   
   D                     G/E   
Apesar dos pesares não esquece 
                      D 
Nosso sonho real e atrevido    
Bela Inês tem o peito dividido 
Entre um porto seguro e o além-mar   
  
(Volta ao Refrão e finaliza) 

Recado falado

Alceu Valença
Alceu Valença
Tom: G  

Intro: A C A G
 G        D                 Em7       D        A
Haverá sempre, sempre entre nós esse digo não digo
 G        D          Em7     D       A
Esse T de tensão, esse A de amor ressentido
           C      A           C (Cº) A
Qualquer coisa no ar, esse desassossego (2x)
G          D         Em7       D            A
Um recado falado, um bilhete guardado, um segredo
G             D          Em7      D         A
Um desejo no lábio, um carinho travado, um azedo
           C      A           C (Cº) A
Qualquer coisa no ar, esse desassossego (2x)
G             D      Em7     D        A
No metrô da saudade seremos fiéis passageiros
G            D         Em7       D           A
Um agosto molhado, um dezembro passado, um janeiro
           C      A           C (Cº) A
Qualquer coisa no ar, esse desassossego (2x)
G           D            Em7       D         A
Cessará finalmente entre nós esse mito, não minto
G           D          Em7   D      A
Esse I de ilusão, esse T de tesão infinito
           C      A           C (Cº) A
Qualquer coisa no ar, esse desassossego (2x)

Pétalas

Pétalas - Herbert Azul e Alceu Valença
Alceu Valença
Tom: G  

Intro:

E|----------------------------|
B|3-15-13-13-13-12-12-12-10-10|
G|----------------------------|
D|----------------------------|
A|----------------------------|
E|----------------------------|



E|----------------------------|
B|-8-8-8--7-5-0-3-------------|
G|----------------------------|
D|----------------------------|
A|----------------------------|
E|----------------------------| (2x)



E|----------------------------|
B|-5-3------------------------|
G|----555555-4-2-5-4----------|
D|----------------------------|
A|----------------------------|
E|----------------------------|



E|----------------------------|
B|-5-3------------------------|
G|-----555555-4-2-0-----------|
D|----------------------------|
A|----------------------------|
E|----------------------------|


         G
As borboletas voam sobre o meu jardim
           Em7                          G
São cores vivas, pousam sobre as "onze horas"
           Em7                   G
Nas rosas claras, violetas e jasmins
      G
Um beija-flor traindo a rosa amarela
      Em7                   G
Beijou a bela margarida infiel
             Em7
Papoula e dália estão cravadas de ciúmes
                                 G
E o beija-flor beijando flores a granel

G
Pétalas, asas amareladas

Pétalas, espinho seco

Folha, flor, lagarta
  Em7
Pétalas
                            C
As flores voam e voltam na outra estação
                           D         G
Só serei flor quando tu flores no verão

Perfídia (Alceu Valença)

Alceu Valença
Alceu Valença
    C    Am  Dm
TE AMEI,
   G              C      Am    Dm
COMO NINGUÉM TE AMOU, QUERIDA
   G         C        Am            
DE TI O MENOR GESTO ADOREI
     Dm              E     G
ESQUECIDO DA PRÓPRIA VIDA
    C   Am  Dm
PERFÍDIA,
   G                    C       Am    Dm
MANDASTE EM TROCA E EU NÃO ESQUECI
    G             C          Am   Dm  
DAS ROSAS, DAS ORQUÍDEAS, DAS VIOLETAS
              E
QUE EU DAVA À TI
     F                
DISTRAIDA NO AMBIENTE LUXUOSO
                E
QUE TU SEMPRE VIVIAS 
       F                                 
TU DEIXASTES QUE MURCHASTES MINHAS FLORES
                 E     G
MEU BUQUÊ DE FANTASIAS
   C  Am  Dm
E AGORA,
     G            C     Am  Dm
QUE ADORAS À QUEM TE MAGOAS
    G        C          Am     
PERDOAS PELO BEM QUE TE FIZ
    Dm       G    C
PERDOAS E SERÁS FELIZ

Pelas ruas que andei

Alceu Valença
Alceu Valença
Tom: D  

Intro: (Bm C#m D A)/(A D)

        D             A
Na madalena revi teu nome
        D                   A
Na Boa Vista quis te encontrar
        D          C
Rua do Sol da Boa Hora
          G             A
Rua da Aurora, vou caminhar
         C#m               D
Rua das Ninfas, matriz saudade
      F#m             C#m
Na soledade de quem passou
                   D
Rua Benfica, Boa Viagem
       E          A
Na Piedade tanta dor
                 D          A
Pelas ruas que andei, procurei
                D            A
Procurei, procurei te encontrar

Papagaio do futuro

Alceu Valença
Alceu Valença
Tom: D
( D   A  )
Estou montado no futuro indicativo
já não corro mais perigo e nada tenho a declarar
Terno de vidro costurado a parafuso
papagaio do futuro num paragaio ao luar
Eu fumo e tusso fumaça de gasolina
olha que eu fumo e tusso  (2X)
Quem sabe, sabe, quem não sabe, sobra
Cobra caminha sem ter direção
Quem sabe a cabra das barbas do bode
A ave avoa sem ser avião    (2X)
>INÍCIO  até "tusso"
( D C A )
Vamos visitar a Lua num foguete americano (4X)
Vem gente lá de São Paulo - quer dizer que é paulistano
Vem gente das Alagoas - quer dizer alagoano
Oi gente da Paraíba - quer dizer paraibano
Vem gente de Pernambuco - quer dizer pernambucano
2X > Vamos vistar a lua...
Nas horas premeditadas / eu vou cantar prá você
Com primir com proceder / lá vou eu continuar

Olha a defesa é natural / cada qual para o que nasce
Cada qual com sua classe / seus estilos de agradar

Olha eu nasci prá trabalhar / outros nascem para a briga
Outro vive de intriga / outro vive a cruciar

Outros vivem de enganar / olha o mundo só presta assim
É um bom outro ruim / e não tem jeito prá dá!

Prá acabar de completar / quem tem o mel dá o mel
Quem tem o fel, dá o fel / e quem nada tem nada dá!
B G# A     C      B G# A    D  C
Tribobó, hei!  / Caruru, cabou! 

O P da paixão

Alceu Valença
Alceu Valença
Tom: C  

Introdução: B7  Em  B7  Em (2 vezes) 

         B7              Em 
O P da paixão provoca o poema 
          B7                    Em 
E o P do poema é um parto, é um parto 
             Am                   Em 
São poucas pegadas nas pedras do porto 
      Em/D  B7                   Em 
E um poema torto persegue teus passos 
          B7                Em 
O P do passado provoca o presente 
           Am                        Em 
É o P do presente que importa, que importa 
             Am                  Em 
São poucas palavras que batem no peito 
   Em/D      B7                 Em 
No fundo da alma na porta, na porta 

No balanço da canoa

Alceu Valença
Alceu Valença
Tom: G  

Intro  A# A G C 2X (C D G)


             A#     A          G
     Dona Maria cuidado com a saia
                      C                      G
     No balanço da canoa o vento pode alevantar
           C         D          G
     O canoeiro só rema com a proa
                  C                   G
     Cuidado canoeiro pra canoa não virar


     No alto mar tem muita coisinha boa
     Tem jangada e tem canoa pra quem quiser passear
     O canoeiro só rema na proa
     Cuidado canoeiro pra canoa não virar
     Meu navio de um bambo ele cambiou
     Bambeou mais não virou lá no auto mar

Na primeira manhã

Alceu Valença
Alceu Valença
Tom: C
Intro: C


Na primeira manhã que te perdi
F                           C
Acordei mais cansado que sozinho
Como um conde falando aos passarinhos
F                               C
Como uma Bumba-Meu-Boi sem capitão
Eb                      C
E gemi como geme o arvoredo
Eb                           C
Como a brisa descendo das colinas
F                  
Como quem perde o rumo e desatina
Fm                           C
Como um boi no meio da multidão

Na segunda manhã que te perdi
F                           C
Era tarde demais pra ser sozinho
Cruzei ruas, estradas e caminhos
F                               C
Como um carro correndo em contramão
Eb                         C
Pelo canto da boca num sussurro
Eb                        C
Fiz um canto demente, absurdo
F
O lamento noturno dos viúvos
Fm                         C
Como um gato gemendo no porão
Solidão.

Na melodia de pisa na fulô

Alceu Valença
Alceu Valença
Tom: G
  

Em      Bm  C   D   G     A 
Ai, ai, ai, ô, iô, iô, iô
Em      Bm 
Ai, ai, ai, 
             C           D          G  A
 eu também quero, quero pisar na fulô
         Em                     Bm
Andei pisando pelas ruas do passado
         C           D         G
Criando calo no meu pé caminhador
    A     Em
Dançando xote, tropeçei com harmonia
        C7     B7        Em
Na melodia de pisa na fulô
          D                           G
Andei passando como as águas, como o vento
                A7                      D
Como todo sofrimento que enfim me caleijou
         C7        B7             Em
Terei futuro rebuscando o meu presente
                  A            B7          Em
Como o cabelo no pente que penteia o meu amor | 4x
      :           A   B7      Em
refrão:Pisa na fulô, pisa na fulô
      :           A           B7          Em
      :Pisa na fulô, não maltrate o meu amor
        Em
Um dia desse eu fui dançar lá em terreira
               C7       B7           Em
Na rua da embolada, gostei da brincadeira
         A B7         Em
Zé Caxangá era o tocador
          A     B7        Em  
Mas só tocava "Pisa na fulô"
(repete refrão)
         Em
Eu vi menina que nem tinha doze anos
             A       B7          Em
Agarrar seu par, também sair dançando
      A        B7          Em
Satisfeita, dizendo "Meu amor,
               A      B7       Em
Ai, como é gostoso pisar na fulô"
(repeet refrão)
        A           B7          Em
Inté vovó "garrou" na mão de vovô
                      A           B7       Em
E disse "umbora meu veinho, vamo pisar na fulô"
(repete refrão)

Morena tropicana


Em seguida ao sucesso de “Como Dois Animais”, aconteceu o de “Tropicana”, outra faixa do elepê Cavalo de pau. Essa letra foi composta em questão de minutos no Hotel Firenze, de São Paulo, aonde o violonista Vicente Barreto, autor da melodia, fôra mostrá-la a Alceu.

Na ocasião, de saída para um compromisso, este ouviu-o rapidamente e, com uma sensação de que estava psicografando as palavras, escreveu num pedaço de papel uns versos sobre frutas, sem a menor expectativa de um resultado aproveitável. Mas quando voltou, gostou e concluiu que a inspiração vinha de sua admiração pelos quadros do ex-cunhado Sérgio D. Lemos, que gostava de pintar naturezas mortas.

A combinação “salada de frutas / morena linda” está na canção muito bem integrada, em ritmo de xote (“Da manga-rosa quero o gosto e o sumo / melão maduro, sapoti, joá...”), sendo o duplo emprego da verbo “desfrutar” (“Linda morena / fruta de vez temporana / caldo de cana-caiana / vem me desfrutar” e “vou te desfrutar”) um feliz achado, tanto ao ser associado às frutas, quanto ao funcionar como um convite para o amor.

Entretanto a força de “Tropicana”, também chamada de “Morena Tropicana”, está principalmente no curto refrão: “Morena tropicana, eu quero o teu sabor...” É, na verdade, o tipo de música que conquista de imediato a participação popular, como acontecia às marchinhas de antigamente (A Canção no Tempo – Vol. 2 – Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello – Editora 34).

Tropicana (1982) - Alceu Valença e Vicente Barreto
Tom: Bm
Intro: (Bm F#m Em F#7 Bm)

Bm                                F#m
Da manga rosa quero o gosto e o sumo
Em        F#7  Bm
Melão maduro, sapoti, juá
F#m
Jaboticaba, teu olhar noturno
Em        F#7 Bm
Beijo travoso de umbú cajá
A       G        D
Pele macia é carne de caju
A          G            D
Saliva doce, doce mel, mel de uruçú

     C#m7(b5)         F#7         Bm     :
Linda morena, fruta de vez temporana     : 2x
Bm/F#    C#m7(b5) F#7          Bm :
Caldo de cana caiana, vem me desfrutar   :

           Bm                     F#m  :
Morena tropicana, eu quero o teu sabor   : refrão
Em  F#7     Bm                           :   2x
oi, oi, oi, oi,                          :

Molhado de suor

Alceu Valença
Alceu Valença
Tom: A  

(intro) E


E |---------------------------|
B |-4/5-4-4/5-4-4/5-4-5-7-5-4-|
G |---------------------------|
D |---------------------------|
A |---------------------------|
E |---------------------------|


E
Eu gosto
É de ter ver bonita
          A
Com aquele vestido
Que eu acho que era branco
         E
E que no fim do ano
E     A         E
Você tingiu de azul
E      A         E
Você tingiu de azul

E
Eu gosto
É de olhar teus olhos
           A
Se espalhando na tarde

Em busca de miragens
           E
De bolas coloridas
     E   A      E
Que desciam do céu
     E   A      E
Que desciam do céu


B |-5-3-2--------------|
G |-------4-2-1--------|



 (E A)
B |------3-2-----------3-2-|
G |--1-4-----4-1---1-4-----|
D |2-------------2---------|


(E A)
Eu gosto
É de morrer de sede
E é de beber teu beijo
É de tocar teu corpo
Molhado de suor
Molhado de Suor...

B |-5-5-4-4-2-2-------------------------------------------------|
G |-------------4-4-2-2-1-1-------4-4-2-2-1-1-------------------|
D |-------------------------4-4-2-------------4-4-2-2-0-0-------|
A |-------------------------------------------------------4-4-2-|

Moinhos

Alceu Valença
Alceu Valença
Tom: A  

E9        Bm4/7
Moinhos, moinhos
              E9
Moinhos de Holanda
             Bm4/7        E9
Moinhos das Índias Ocidentais
           G#m7              C#m7/9
Moinhos de vento, moinhos de água
            D         A            C#m7/9
Moinhos que sopram a dor dos meus ais
               F#m7
Coqueiros de Olinda
             C#m7/9
Moinhos de Holanda
             F#m7             C#m7/9
Girando nos ventos, chamados terrais
           G#m7                C#m7/9
Moinhos de Haia, meus olhos de águia
            D      A       C#m7
De longe enxergam os canaviais

Meu forró é meu canto

Alceu Valença
Alceu Valença
Tom: A#
  

(intro 2x) Gm Cm Gm Eb D7 Gm G7

G7                                      Cm
Meu coraÇão faz dum dum dum dum dum dum dum
                             Gm
é o zabumba batucando no forro
        G7                               Cm
Meu coração faz dum dum dum dum dum dum dum

         Cm                      Gm
como do jeito vai batendo satifeito
                    D7                    Gm
no compasso do meu peito fazendo forrogodó

        F7                       Bb
agente vai vivendo assim no tororó
           D7                   Gm
levando a vida no balaço do forró

 Eb
meu forró é meu canto
               D7
que canta meu povo
                Gm
os segredos da vida

Gm           D7            Gm
quem nào amou, quem não viveu
              D7              G7
quem não chorou, quem nào sofreu
            Cm
quem dessa vida nunca teu seu xodó
       Gm
uma saldade que amargo qui nem giló
      D7
um coração que beteu tanto que fez dó
        Cm              D7         G7
a nossa vida é como se fosse um forró

Girassol

Alceu Valença
Alceu Valença
Tom: C  

(intro) ( C Em )

 C     Em
Mar e Sol
 C
Gira, gira, gira
                              Em
Gira, gira, gira, gira, girassol       (2x)

C                    Em
 Um girassol nos teus cabelos
C                      Em
 Batom vermelho, girassol
  Am              Em
Morena flor do desejo
 F       G               C
Há teu cheiro em meu lençol           (2x)

( C Em )

(2ª parte)
 Am             Em
Desço pra rua, sinto saudade
 Am             Em
Gata selvagem, sou caçador
 F                Em
Morena flor do desejo
F          G        C
Ah! Teu cheiro matador!

( C Em )

(repete 2ª parte)

 C     Em
Mar e Sol
 C
Gira, gira, gira
                              Em
Gira, gira, gira, gira, girassol

Estação da Luz

Alceu Valença
Alceu Valença

Tom: A
Intro: A

 A
Lá vem chegando o verão  
                     C#m      D  
No trem da Estação da Luz  
                 C#m  
É um pintor passageiro  
                 Bm  
Colorindo o mundo inteiro  
     E7          A 
Derramando seus azuis  
Lá vem chegando o verão  
                     C#m      D  
No trem da Estação da Luz  
                  C#m
Com seu fogo de janeiro  
                    Bm
Colorindo o mundo inteiro  
     E7          A 
Derramando seus azuis  
          D      A  
Pintor chamado verão  
           D        A  
Tão nobre é sua aquarela  
   Bm                 F#m  
Papoulas vermelhas, a rosa amarela  
   Bm                 F#m  
O verde dos mares, as cores da terra  
    A        D                  A                 
Me faz bem moreno para os olhos dela

Espelho cristalino

Alceu Valença
Alceu Valença

Tom: D  

(intro) G D A

     G        D            A
Essa rua sem céu, sem horizontes
        G      D          A
Foi um rio de águas cristalinas
       G        D         A
Serra verde molhada de neblina
       G        D          A
Olho d'água sangrava numa fonte
     G        D            A
Meu anel cravejado de brilhantes
        G        D         A
São os olhos do capitão Corisco
     G            D        A
É a luz que incendeia meu ofício
       G        D         A
Nessa selva de aço e de antenas
       G             D          A
Beija-flor estou chorando suas penas
     G           D            A     B A
Derretidas na insensatez do asfalto

        G         D            A
Mas eu tenho um espelho cristalino
           G          D          A
Que uma baiana me mandou de Maceió
     G       D            A
Ele tem uma luz que me alumia
         G      D             A
Ao meio-dia clareia a luz do sol...

       G      D           A
Que me dá o veneno e a coragem
     G            D          A
Pra girar nesse imenso carrossel
     G        D          A
Flutuar e ser gás paralisante
     G           D            A
E saber que a cidade é de papel
     G          D            A
Ter a luz do passado e do presente
     G        D          A
Viajar pelas veredas do céu
        G          D            A
Pra colher três estrelas cintilantes
     G        D            A
E pregar nas abas do meu chapéu
     G           D            A
Vou clarear o negror do horizonte
           G        D            A  (G D A)
É tão brilhante a pedra do meu anel

        G         D            A
Mas eu tenho um espelho cristalino
           G          D          A
Que uma baiana me mandou de Maceió
     G       D            A
Ele tem uma luz que me alumia
         G      D             A
Ao meio-dia clareia a luz do sol...

Dia branco

Alceu Valença
Pertencente a um grupo que incluía Naná Vasconcelos, Teca Calazans e Alceu Valença (com quem chegou a gravar em dupla em 1972), o compositor/músico/cantor Geraldo Azevedo tomou o caminho do Sul em 1968, convidado por Eliana Pittman, que o descobrira na noite de Recife.

Daí, então, até gravar o seu primeiro disco solo, passaram-se nove anos em que viveu do trabalho de músico e dos direitos de algumas canções. Mas Geraldinho, que é tão bom músico quanto compositor, ao mesmo tempo nordestino e universal, lançou no elepê Inclinações musicais, em 81, a canção “Dia Branco”, de grande importância para a sua obra.

Esta composição revela em sua linha melódica, seqüência harmônica e até no arranjo e inflexões da gravação original uma influência dos Beatles, particularmente da fase do “álbum branco”, que parece ter inspirado o seu título. Esta influência é mesclada com uma melancolia bem nordestina, que pode ser percebida em versos como: “Se você vier / pro que der e vier comigo / eu lhe prometo o Sol / se hoje o Sol sair / ou a chuva...”

Cantada pelo autor despojadamente, com o acompanhamento básico de dois violões, “Dia Branco” tornou-se peça freqüente em reuniões musicais informais. Outros sucessos de Geraldo Azevedo são “Táxi Lunar” (com Zé Ramalho e Alceu Valença), “Moça Bonita” (com Capinan), “Canção da Despedida” (com Geraldo Vandré) e “Bicho de Sete Cabeças” (A Canção no Tempo – Vol. 2 – Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello – Editora 34).

Dia branco (1981) - Geraldo Azevedo e Renato Rocha

(F# G# F#) 
e|-9-11-12-s14-12-11-12-11-9-s11-9-7-9-7-6---6-9-8---6-| 
B|-----------------------------------------7-------9---| 
G|-----------------------------------------------------| 
D|-----------------------------------------------------| 
A|-----------------------------------------------------| 
E|-----------------------------------------------------| 
 
   (F# G# F#) 
e|-9-11-12-s14-12-11-12-11-9-s11-9-7-9-7-6---6-9-8-----| 
B|-----------------------------------------7-------9-7-| 
G|-----------------------------------------------------| 
D|-----------------------------------------------------| 
A|-----------------------------------------------------| 
E|--------------------------------------
F# 
Deusa da noite 
 
Sangrenta e fria 
         E 
Irmã da lua 
           C#         F# 
Mulher da noite e do dia 
 
Eu vim de longe 
 
Atrás de brisa 
          E 
Com sete pedras 
          C#      F# 
Bordei a minha camisa 
           B5             F#5 
Pra ver a doida das lantejoulas 
            B5             F#5 
Dos lábios verdes de purpurina 
           B5               F#5 
Dançar na noite nos quatro cantos 
           B5            F#5 
Com seu vestido de bailarina 
         B              F# 
Fazer o riso, tremer o medo 
         B             F# 
Fazer o medo, virar sorriso 
             B                  F#   
Fazer da noite  dos quatro cantos 
         B     C#      F#5 
Um dia branco feito domingo 


Dolly

Alceu Valença
Alceu Valença

Tom: A

Intro: ( A9  A9/F A9/F# A9/F)

( A9  A9/F A9/F# A9/F)
Corra ponha os pés nessa estrada
Que não vai dar em nada
Que não adianta fingir
Seja boba. bem debochada
Uma pessoa clonada ovelha Dolly, dolly

( A9  A9/F A9/F# A9/F)
Corra ponha os pés nessa estrada
Que não vai dar em nada
Que não adianta fingir
Seja tola, mal educada
Uma pessoa gelada ovelha Dolly, dolly

F#m                 C#m
Andar, andar, fugir assim
F#m                 C#m
Andar, andar, volta pra mim

D7                 C#m
Seja boba, bem debochada
Bm                   F#m
Diga que chegamos ao fim
D7                      C#m
Fale que vai bem, muito amada
Bm
E vive um conto de fadas
E               A
Nem se lembra mais de mim

Arreio de prata

Alceu Valença
Alceu Valença

Intro: (B7/Eb B7 Em E/G C B7 Em E/G) 

         D7/A       D/F#      E/G
O meu cavalo dos arreios prateados
         Em           C         B7        Em
E a namorada, muito amada, agarrada na garupa
         D7/A        D/F#        E/G
Me protegendo dos malefícios da vida
       Em           C          B7        Em
E agarrada, muito amada, na garupa do cavalo
 E/G  B7/Eb   B7       Em    E/G  C       B7       Em
Iê,  iê... arreio de prata, uou, uou meu todo prateado
         D7/A        D/F#      E/G
Muita boiada, muita cerca colocada
        Em        C          B7           Em
E as meninas proibidas de fazer amor mais cedo
           D7/A      D/F#       E/G
E o meu cavalo e a sua égua malhada
        Em          C          B7         Em
Fazendo amor no terreiro da morada das meninas
         D7/A          D/F#       E/G
E relinchavam, pois gozavam liberdade
        Em          C          B7        Em
E as meninas não podiam nem gozar da vaidade
        D7/A       D/F#          E/G
E as meninas peçonhavam com a cidade
Em          C             B7           Em
E com os rapazes que por ventura encontrassem
           D7/A  D/F#         E/G
E olhavam tanto para o meu cavalo            
         Em       C           B7       Em       2x
Que se imaginavam éguas, meu todo prateado

Coração bobo

Alceu Valença
Depois de gravar três elepês na Som Livre, Alceu Valença sentia não ter mais ambiente para dar continuidade à sua carreira no Brasil e resolveu passar uns tempos na Europa. Fixou-se então em Paris, onde realizou shows, em dupla com o violonista Paulo Rafael, e até um disco, Saudade de Pernambuco, inédito no Brasil. Este disco era reflexo de uma aproximação muito forte com as raízes nordestinas, que sentiu rebrotar no exterior.

Foi nessas condições que compôs no apartamento da Avenue Gobelin a canção “Coração Bobo”, dedicada a Jackson do Pandeiro, de quem recebera inestimáveis lições sobre os ritmos do Nordeste. A composição é dividida em duas partes distintas, sendo a primeira lenta, uma toada quase ad libitum, que começa com os seguintes versos: “Meu coração tá batendo / como quem diz não tem jeito / zabumba, bumba esquisito / batendo dentro do peito...” Já a segunda parte, a ritmo, é um baião: “Coração bobo, coração bola / coração balão, coração São João / a gente se ilude dizendo / já não há mais coração...”

Os sons onomatopaicos que se encaixam no ritmo desta segunda parte, contrastam com o andamento e a sonoridade de uma reza de procissão da primeira. Retornando ao Brasil, Alceu inscreveu “Coração Bobo” no mencionado Festival 79 da TV Tupi, convidando o próprio Jackson a defendê-lo em dupla. Embora não tenha sido sequer classificada para a final, o que foi corretamente lamentado na imprensa por jornalistas como José Nêumane Pinto, do Jornal do Brasil, a canção serviu para que Alceu Valença retomasse a sua carreira no Brasil, despertando o interesse da gravadora Ariola, que o contratou. Por sinal, o início das atividades dessa gravadora no país, em novembro de 79, revolucionou o meio fonográfico, levando para o seu elenco artistas como Toquinho e Vinicius, MPB 4, Marina, Elba Ramalho, Kleiton e Kledir, Ney Matogrosso, Moraes Moreira, Milton Nascimento e Chico Buarque, os dois últimos contratados a peso de ouro.

Alceu lançou “Coração Bobo”, em seu disco de estréia na Ariola, o primeiro em que ultrapassou a marca de cem mil cópias vendidas (A Canção no Tempo – Vol. 2 – Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello – Editora 34).

Coração bobo (1980) - Alceu Valença

Em                G
Meu coração tá batendo
  Em                   G  
Como quem diz não tem jeito
 Em                 G
Zabumba, bumba esquisito
 A/Db    Ab/C  G/B   G
Batendo dentro do peito


 Em                G
Teu coração tá batendo
 Em                   G
Como quem diz não tem jeito
    Em7          G
O coração dos aflitos
A/Db     Ab/C G/B  G
Pipoca dentro do peito


         Bm            Em
Coração bobo, coração bola
          Bm                G
Coração balão, coração São João
     C             G      
A gente se ilude dizendo
   A     C          G
Já não há mais coração

Como dois animais

A letra de “Como Dois Animais” foi usada por Alceu Valença duas vezes. A primeira foi num frevo de Zé da Flauta, um dos músicos que atuou em seu grupo anos seguidos. Gravado pela cantora Teca Calazans, que estabeleceu sua carreira na França, o frevo não fez sucesso.

Tempos depois, os versos, que celebram a realização de um romance desigual por meio de uma alegoria — tendo como personagens uma onça-pintada e um cachorro vagabundo —, reapareceriam na forma desta toada, que Alceu lançou no elepê Cavalo de pau: “Uma moça bonita / de olhar agateado / deixou em pedaços o meu coração / uma onça pintada / e seu tiro certeiro / deixou os meus nervos / de aço no chão...”

Sua interpretação sensual, mais a introdução de contrabaixo de Jorge Degas e o arranjo de Jaques Morelenbaum (combinando saxofone e violoncelo num timbre peculiar) resultaram numa sonoridade bluesy, que aproxima a obra de Alceu ao pop, sem tirar-lhe as raízes pernambucanas. Este álbum, com apenas oito faixas, alcançou vendagem superior a meio milhão de cópias, consolidando em termos nacionais a carreira de Alceu Valença (A Canção no Tempo – Vol. 2 – Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello – Editora 34).

Como dois animais (1982) - Alceu Valença
E   Bm      E        D       E
Uma moça bonita de olhar agateado
  Bm         E     D      E   Bm  E  D
Deixou em pedaços meu coração
E    Bm     E           D       E
Uma onça pintada e seu tiro certeiro
 Bm             E        D       E  Bm   E   D
Deixou os meus nervos de aço no chão

E      C#m  G#m  C#m  G#m  C#m  G#m
Foi mistério e segredo e muito mais
      C#m  G#m  C#m G#m C#m  G#m
Foi divino brinquedo e muito mais
    E         D  A    E   Bm  E  D
Se amar como dois animais

E    Bm       E           D       E
Meu olhar vagabundo de cachorro vadio
  Bm        E             D       E  Bm   E   D
Olhava a pintada e ela estava no cio
E      Bm      E            D       E
Era um cão vagabundo e uma onça pintada
   Bm          E        D      E  Bm   E   D   E
Se amando na praça como os animais

E Bm D C#m G#m A

Cavalo-de-pau

Cavalo de pau (1982) - Alceu Valença
Tom: A
  
Gm         C7     Gm
De puro éter assoprava o vento
                     C7    Gm
Formando ondas pelo milharal
                   C7     Gm
Teu pêlo claro boneca dourada
                     C7     Gm
Meu pêlo escuro, cavalo-de-pau
        Bb          Eb    Gm
Cavalo doido por onde trafegas
               Bb           Eb  Gm
Depois que eu vim parar na capital
         Cm          D/F#   Gm 
Me derrubaste como quem me nega
        Eb        Cm     Gm
Cavalo doido, cavalo-de-pau (2x)
        Bb           Eb   Gm
Cavalo doido em sonho me levas
            Bb            Eb   Gm
Teu nome é tempo, vento, vendaval
         Cm          D/F#   Gm 
Me derrubaste como quem me nega
        Eb        Cm     Gm
Cavalo doido, cavalo-de-pau (2x)
 
Cavalo-de-pau (Outro 

Intro: F#m6   B7(9)   F#m6   B7(9)   F#m6   B7(9)
        F#m6     B7(9)   F#m6    B7(9)
De puro éter assoprava o vento
         F#m6       B7(9)     F#m6     B7(9)
Formando ondas pelo mi.....lharal
         F#m6      B7(9)     F#m6     B7(9)
Teu pêlo claro boneca ... dourada
           F#m6      B7(9)     F#m6     B7(9)
Meu pêlo escuro, cavalo....-de-pau
       A           D     F#m
Cavalo doido por onde trafegas
              A            D   F#m
Depois que eu vim parar na capital
        Bm         C#7/G#  F#m
Me derrubaste como quem me nega
       D          B7(9)     F#m6
Cavalo doido, cavalo....-de-pau (2x)
       A           D     F#m
Cavalo doido em sonho me levas
           A             D    F#m
Teu nome é tempo, vento, vendaval
        Bm         C#7/G#  F#m
Me derrubaste como quem me nega
       D          B7(9)     F#m6
Cavalo doido, cavalo....-de-pau (2x).

Cabelos longos

Alceu Valença
Alceu Valença

Tom: D
(intro) E A

          A                E
Eu desconfio dos cabelos longos
         A
De sua cabeça
           E
Se você deixou crescer
       A       E  A  E
De um ano pra cá
      A                   E     A  E
Eu desconfio dos cabelos longos

          A                E
Eu desconfio dos cabelos longos
         A
De sua cabeça
           E
Se você deixou crescer
       A       E  A  E
De um ano pra cá
         A              E  A  E
Eu desconfio de sua cabeça

           A                E
Eu desconfio no sentido estrito
           A             E
Eu desconfio no sentido lato
           A              E
Eu desconfio dos cabelos longos
           A                E
Eu desconfio é do diabo a quatro


e|9/10-9-7-9/10-9-7-4/5-4---4/5------|
B |------------------------7-----3/5-5|


(E)
Eu desconfio dos cabelos longos
De sua cabeça
Se você deixou crescer
De um ano pra cá
Eu desconfio dos cabelos longos

eu desconfio dos cabelos longos
De sua cabeça
Se você deixou crescer
De um ano pra cá
Eu desconfio de sua cabeça

Eu desconfio no sentido estrito
Eu desconfio no sentido lato
Eu desconfio dos cabelos longos
                                 E
Eu desconfio é do diabo a quatro
              E                E
Do diabo a quatro, do diabo a quatro
            G          F#         E
Do diabo a quatro, do diabo a quatro

Cabelo no pente

Alceu Valença
Alceu Valença

Tom: Em                                          


Em                Em/G      Bm      Bm/F#
Andei pisando pelas ruas do passado
C          D7          G
criando calo no meu pé caminhador
A7       Em        B7           Em  Em/G
dançando um xote, tropeçei com harmonia
C        B7      Em  Em/G
ne melodia de "Pisa na Fulô"
D               D/C          G
Andei passando como as águas, como o vento
G/B       A7        A/G        D
como todo sofrimento que enfim me calejou
C     B7            Em
terei futuro deslizando no presente
Em/G     C           B7        Em
como cabelo no pente, que penteia meu amor.

Borboleta

Alceu Valença
Alceu Valença

Em      Am
Ela é uma borboleta
      B7          Em
Pequenina e feiticeira
                  Am
Anda no meio da noite
      B7              Em
Procurando quem lhe queira

        B7
Minha camisa
                     Em
Foi manchada de vermelho
                   B7
Tem um beijo desbotado
                  Em
De batom ou de carmim

         B7
E a feiticeira
                Em
Tem a boca encarnada
                      B7
Tem um beijo e uma dentada
                      Em
Sempre guardados pra mim
         B7
Ai, feiticeira
                Em
Tem a boca encarnada
                      B7
Tem um beijo e uma dentada
                      Em
Sempre guardados pra mim
                      B7
Um beijo e uma dentada
                      Em
Sempre guardados pra mim

(B7 Em)
Feiticeira...

        B7
Minha camisa
                     Em
Foi manchada de vermelho
                   B7
Tem um beijo desbotado
                  Em
De batom ou de carmim

         B7
E a feiticeira
                Em
Tem a boca encarnada
                      B7
Tem um beijo e uma dentada
                      Em
Sempre guardados pra mim
         B7
Ai, feiticeira
                Em
Tem a boca encarnada
                      B7
Tem um beijo e uma dentada
                      Em
Sempre guardados pra mim
                      B7
Um beijo e uma dentada
                      Em
Sempre guardados pra mim

      Em           Am
Eu procuro a borboleta
      B7           Em
Feiticeira, descarada
                 Am
Pelo batom na camisa
       B7          Em  E7
Pela marca da dentada
      Em           Am
Eu procuro a borboleta
      B7           Em
Feiticeira, descarada
                 Am
Pelo batom na camisa
       B7          Em  (B7 Em)
Pela marca da dentada