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Balanço Zona Sul

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Balanço Zona Sul (1959) (samba bossa, 1963) - Tito Madi
Sylvia Telles

Introdução: A7+ Bm7 A7+ Bm7 A7+ Bm7 E7

A7+ Bm7
Balança toda pra andar
E7 A7+ Bm7
Balança até pra falar
E7 A7+ Bm7 C#m7 Em7/9 A7/13
Balança tanto que já balançou meu coração

D7+ G7/9
Balança mesmo que é bom,
C#m7 F#7/5+
Do Leme até o Leblon
B7/9
E vai juntando um punhado de gente
Bm7 E7
Que sofre com seu andar

A7+ Bm7
Mas ande bem devagar
E7 A7+ Bm7
Que é pra não se cansar
E7 A7+ Bm7 C#m7 Em7/9 A7/13
Vai caminhando, balan balançando sem parar

D7+ G7/9
Balança os cabelos seus
C#m7 F#7/5+
Balança cai mas não cai
B7/9 Bm7
E se cair vai caindo, caindo
E7 A7+
Nos braços meus


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Senhorita

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Senhorita (valsa, 1956) - Tito Madi

Vamos sair outra vez, senhorita,
A bailar, senhorita,
Vamos sair outra vez, senhorita,
A bailar, senhorita.

Tudo em redor nos convida,
Senhorita, a valsar,
Valsa que nos faz sentir, felizes,
Valsa que nos faz sonhar,
Sonhar, sonhar,
Deixo o seu rosto no meu,
Senhorita,
Só assim,
Apertarei sua mão,
Senhorita,
Contra mim,
Faça de conta que eu,
Sou o maior sonho seu,
Que nunca, se acaba,
Eternamente a sonhar,
Senhorita.

Valsa que nos faz sentir, felizes,
Valsa que nos faz sonhar,
Sonhar, sonhar,
Deixo o seu rosto no meu,
Senhorita,
Só assim,
Apertarei sua mão,
Senhorita,
Contra mim,
Faça de conta que eu,
Sou o maior sonho seu,
Que nunca, se acaba,
Eternamente a sonhar,
Senhorita.
A bailar....

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Tito Madi

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Tito Madi

Tito Madi (Chauki Maddi), compositor e cantor nasceu em Pirajuí/SP em 18/7/1929. Começou a interessar-se por música por influência do pai, tocador de alaúde, e dos irmãos, que tocavam violão e bandolim. Aos seis anos, dedilhava violão e aos dez já tocava e cantava nas festas do grupo escolar de Pirajuí.
Por essa época, criou, com os irmãos, o serviço de alto-falantes A Voz de Pirajuí e quando da inauguração da rádio local, foi chamado a colaborar, junto com os irmãos. Aos 18 anos já era um dos diretores da Rádio Pirajuí, onde fazia de tudo um pouco: era locutor, escrevia textos de programas, criava textos de publicidade e, de vez em quando, cantava.
Em 1949 compôs sua primeira música, Eu espero você, e no ano seguinte organizou, ainda na cidade natal, o conjunto de amadores Estudantes Alegres. Na mesma época, servindo no tiro-de-guerra, organizou dois shows musicais e desde então começou a se dedicar à música.
Durante dois anos, a partir de 1952, atuou como cantor na Rádio e TV Tupi, de São Paulo/SP, e em 1953 teve sua primeira composição gravada, a valsa Eu e você, interpretada pelo conjunto vocal Os Quatro Amigos, liderado por Sidney Morais, que depois dirigiu o conjunto Os Três Morais.
Em 1954 gravou Não diga não e Pirajuí (ambas com Georges Henri), pela Continental, com arranjo do maestro Luís Arruda Pais, recebendo por esse disco o título de Cantor Revelação do Ano. Transferiu-se para o Rio de Janeiro/RJ, ainda nesse ano, passando a cantar com o pianista Ribamar, no ano seguinte, em diversas boates cariocas, como Jirau, Little Club, Texas e Cangaceiro.
Por intermédio de Teófilo de Barros Filho, conseguiu um contrato com a Rádio Tupi, do Rio de Janeiro, e continuou gravando pela Continental, lançando, em 1956, Senhorita e Eu voltei, acompanhado pelos Garotos da Lua e As Três Marias.
Convidado, em 1957, para participar dos festejos de aniversário da Rádio Farroupilha, em Porto Alegre/RS, compôs lá uma música de inspiração local, Gauchinha bem querer, que gravou a seguir com Chove lá fora, composição de sua autoria que atingiu as paradas de sucesso e que lhe assegurou quase todos os prêmios de melhor compositor daquele ano, tendo recebido, entre outros, o Disco de Ouro oferecido pelo jornal carioca O Globo, medalhas dos Diários Associados e da Revista do Rádio, esta recebida diretamente das mãos do presidente Juscelino Kubitschek.
Chove lá fora, com o titulo It’s Raining Outside, destacou-se também nos EUA, tendo sido gravada por Della Reese e The Platters, conjunto norte-americano que lançou num LP (um milhão de cópias vendidas) duas outras músicas suas: Quero-te assim (I Wish) e Rio triste (Sad River), todas com letras em inglês de Buck Ramm.
Tendo rescindido, em 1956, o contrato com a Rádio e TV Tupi, passou a trabalhar como cantor independente e, em 1957, gravou Fracassos do amor (com Milton Silva) e Cansei de ilusões. Dois anos depois, quando gravou o LP Sua voz.., suas composições, deixou a Continental, transferindo-se sucessivamente para a Columbia (onde gravou cinco LPs até 1964), Odeon, onde gravou um de seus maiores êxitos, Balanço Zona Sul, RCA e Odeon novamente, onde gravou uma série de LPs de sucesso, A Fossa, em quatro volumes.
Entre os seus maiores sucessos destacam-se ainda Menina moça (Luís Antônio) êxito em 1964, Carinho e amor, Canção dos olhos tristes, Sonho e saudade, Amor e paz e Chove outra vez (com Romeu Nunes). Em 1987 fez temporada no restaurante Via Brasil, em New York, EUA. Gravou 34 LPs e 10 CDs, o último disco em 1996.
Letras e cifras:
Balanço Zona Sul, Cansei de ilusões, Carinho e amor, Chove lá fora, Gauchinha bem querer, Menina moça, Não diga não, Quero-te assim, Senhorita.
Obras:
Amor e paz, samba, 1964; Balanço Zona Sul, samba, 1965; Cansei de ilusões, samba, 1957; Canto do engraxate, samba, 1957; Carinho e amor, samba, 1960; Chove lá fora, samba, 1957; Encontro no sábado (c/ Georges Henri), valsa, 1955; Eu e você, valsa, 1953; Fracassos de amor (c/Milton Silva), samba, 1957; Gauchinha bem-querer, samba, 1957; Não diga não (c/Georges Henri), samba, 1954; Olhe-me, diga-me, samba-canção, 1958; Pirajuí (c/Georges Henri), samba, 1954; Senhorita, valsa, 1956. CDs: Brasil samba-canção (c/Dóris Monteiro). 1996, Sony 479357; Tito Madi, 1996, Sony 866190.

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Dóris Monteiro

Ora, acho que vou me embora - Sidney Miller

Fiz um samba de primeira
Pra lhe dar em serenata
Ensaiei a tarde inteira
Pra cantar da forma exata
Nem ouviu, não disse nada
Me deixou ficar de fora
Inda pede agora pra voltar
Ora, acho que vou me embora
Convidei para o cinema
Ela disse: vou agora
Precisei de uma cadeira
Pra aturar sua demora
Até hoje estou esperando
Brincadeira assim tem hora
Inda pede agora pra voltar
Ora, acho que vou me embora
Vaidade não sossega
Quando a sorte anda por perto
Mas o tempo se encarrega
De mostrar quem esteve certo
Fez de mim o que queria
E hoje vem como quem chora
Me pedindo pra lhe perdoar
Ora, acho que vou me embora
Ora, acho que vou me embora
Ora, acho que vou me embora
Ora, acho que vou me embora...

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É isso aí

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Dóris Monteiro

É isso aí - Sidney Miller

Preparei uma roda de samba só pra ela
Mas se ela não sambar
Isso é problema dela
Entreguei um palpite seguro só pra ela
Mas se ela não jogar
Isso é problema dela
Esse problema é só dela

Tô cansado de andar por aí
Curtindo o que não é
Preocupado em pintar na jogada que dá pé
Só que tem que eu tô numa tão certa
Que ninguém me diz
Quem eu sou, o que devo fazer
E o que eu não fiz

Separei um pedaço de bolo só pra ela
Mas se ela não provar
Isso é problema dela
Inventei na semana um domingo só pra ela
Se ela for trabalhar
Isso é problema dela
Esse problema é dela

Comprei roupa, sandália e sapato só pra ela
Mas se ela não usar isso é problema dela
Aluguei uma roda-gigante só pra ela
Mas se ela não rodar
Isso é problema dela

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Olhou pra mim

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Dóris Monteiro

Olhou pra mim (1963) - Ed Lincoln e Sílvio César

Olhou pra mim / Sorriu pra mim
Fez tanta coisa pra chamar a minha atenção


Mandou dizer / Fingiu sofrer
Fez tudo, tudo para ter meu coração


Eu quis olhar / Eu quis sorrir
Eu quiz dizer tanta coisa bonita de agradar


Porém não sei / Me atrapalhei
Perdi a voz perdi até o coração


Perdi a voz / perdi o coração
Olhou pra mim

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Alô fevereiro

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Dóris Monteiro

Alô fevereiro (1972) - Sidney Miller
Tom: A


A7+ F#5+/7 Bm7
Tamborim avisou, cuidado
E7/9 A7+
Violão respondeu, me espera
F#5+/7 Bm7
Cavaquinho atacou, dobrado
E7/9 A7+
Quando o apito chegou, já era
F#5+/7 Bm7
Veio o surdo e bateu, tão forte
E7/9 A7+
Que a cuíca gemeu, de medo
F#5+/7 Bm7
E o pandeiro dançou, que sorte
E7/9 A7+
Fazer samba não é brinquedo
F#7 Bm7
Todo mês de fevereiro, morena
E7/9 A7+
Carnaval te espera
F#5+/7 Bm7
Querem te botar feitiço, morena
E7/9 A4/7 A7
Mas também pudera
D4/7 D7 A4/7 A7
Se ele pega no teu corpo
D4/7 D7 A7+
Vai ter gente enlouquecida
F#5+/7 Bm7
Querendo entender a tua dança
E7/9 A7+
Querendo saber da tua vida

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Mudando de conversa

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A personagem indaga sobre “aquela velha amizade, aquele papo furado todo fim de noite num bar do Leblon”, lamentando a ausência dessas amenidades em sua vida atual. Este é o tema de “Mudando de Conversa”, um samba moderno, romântico, um pouco nostálgico e tipicamente carioca.

Só que a composição nasceu, não em um bar do Leblon, mas, na legendária Taberna da Glória, no bairro homônimo. Conta Hermínio que ele e o parceiro, Maurício Tapajós, haviam passado a noite trabalhando, em seu apartamento, em cima de uma sugestão de Cacaso que resultaria na ópera popular “João-Amor e Maria”. De manhã cedinho, a dupla desceu para o desjejum na Taberna, sendo o café-com-leite logo substituído pelo chope gelado, no momento em que surgiu a idéia do samba. “A ópera foi um fiasco”, informa o poeta, “mas ‘Mudando de Conversa’, um grande sucesso”.

Tanto sucesso, que daria nome a um musical com Clementina de Jesus, Nora Ney, Ciro Monteiro, Jards Macalé, o conjunto Os Cinco Crioulos e um regional comandado pelo Mestre Dino. Embora destinado a Ciro Monteiro, que àquela época tinha uma preguiça enorme para aprender músicas novas, o samba acabou sendo gravado por Dóris Monteiro, em atenção a um pedido de Milton Miranda, diretor da Odeon (A Canção no Tempo – Vol. 2 – Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello – Editora 34).

Mudando de conversa (1969) - Maurício Tapajós e Hermínio Bello de Carvalho
Tom: G
Intr.:
C7+/9 Cm7/9 G7/13 E7 A7 D7 G7+

A7 D7
Mudando de conversa onde foi que ficou
E7 A7
Aquela velha amizade
D7/9 Dm7/9 G7/13
Aquele papo furado todo fim de noite
C7+/9
Num bar do Leblon

Meu Deus do céu, que tempo bom!

C#°
Tanto chopp gelado, confissões à bessa
G7+ F#5+/7 F7/13
Meu Deus, quem diria que isso ia se acabar
E7 A7
E acabava em samba
D7 G7+
Que é a melhor maneira de se conversar
F#7/13 Bm C#m5-/7 F#7 Bm
Mas tudo mudou, eu sinto tanta pena de não ser a mesma
C#m5-/7 F#7 Bm
Perdi a vontade de tomar meu chopp,
C#m5-/7
de escrever meu samba
F#7 Bm C#m5-/7
Me perdi de mim, não achei mais nada
F#7 Bm C#m5-/7
O que vou fazer?
F#7 Bm C#m5-/7 F#7 Bm
Mas eu queria tanto, precisava mesmo de abraçar você
C#m5-/7 F#7 Bm
De dizer as coisas que se acumularam
C#m5-/7 F#7 Bm
Que estão se perdendo sem explicação
C#m5-/7 F#7 Bm E7
E sem mais razão e sem mais porque
A7+ B7 E7 A7+
Mudando de conversa onde foi que ficou
F#7 B7
Aquela velha amizade
E7/9 Em7/9 A7/13
Aquele papo furado todo fim de noite
D7+/9
Num bar do Leblon

Meu Deus do céu, que tempo bom!

D#°
Tanto chopp gelado, confissões à bessa
A7+ G#5+/7 G7/13
Meu Deus, quem diria que isso ia se acabar
F#7 D7
E acabava em samba
E7 G7/13 (A7+)
Que é a melhor maneira de se conversar

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Dóris Monteiro

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Dóris Monteiro

Dóris Monteiro (Adelina Dóris Monteiro), cantora, nasceu no Rio de Janeiro RJ em 21/10/1934. Começou cantando fados em programas infantis, estreando como intérprete a 31 de outubro de 1949 no programa de calouros Papel Carbono, de Renato Murce, na Rádio Nacional, do Rio de Janeiro, onde interpretou Bolero, imitando Lucienne de Lille.
Em 1951, quando estudava no Colégio Pedro II, foi convidada pelo cantor Orlando Correia para cantar na Rádio Guanabara, permanecendo um mês nessa emissora, passando em seguida, graças a Alcides Gerardi, para a Rádio Tupi, onde trabalhou oito anos. Nesse mesmo ano, começou a cantar na boate do Copacabana Palace Hotel e fez sua primeira gravação, pela Todamérica, interpretando Se você se importasse (Peterpan), que foi também seu primeiro sucesso.
Em 1952, eleita Rainha dos Cadetes, gravou outro sucesso: Fecho meus olhos, vejo você (José Maria de Abreu). No ano seguinte, convidada por Alex Viany, estrelou o filme Agulha no palheiro, cantando a música do mesmo nome e sendo premiada por sua atuação como atriz.
Casou, em 1954, com Carlos Rui Meneses e, nesse mesmo ano, gravou seu primeiro LP, Vento soprando, na Continental, interpretando, entre outras, Graças a Deus (Fernando César) e Joga a rede no mar (Fernando César e Nazareno de Brito). Uma das músicas mais marcantes de seu repertório foi Mocinho bonito (Billy Blanco), gravada em 1956.
Gravou mais dez LPs, destacando-se Gostoso é sambar, de 1963, na Philips, com a faixa-título de João Melo, O que eu gosto de você (Sílvio César) e Olhou pra mim (Ed Lincoln e Sílvio César); Dóris Monteiro, de 1964, na Philips, com Samba de verão (Marcos Vale e Paulo Sérgio Vale); Mudando de conversa, de 1969, na Odeon, em que cantou dois dos maiores sucessos de sua carreira, Mudando de conversa (Maurício Tapajós e Hermínio Bello de Carvalho) e Dó-ré-mi (Fernando César); e o disco Odeon, de 1970, cujo destaque principal foi Coqueiro verde (Roberto e Erasmo Carlos). Lançou, ainda na Odeon, LPs nos anos de 1972, 1973 e 1974.
Na década de 80 gravou na Copacabana o LP Dóris Monteiro (1981) e participou do LP da Continental Dóris, Elisete, Helena e Ângela Maria, (1986). Em 1990, a convite de Lisa Ono, viajou ao Japão e realizou shows em Tóquio, Osaka e Nagóia.
No ano seguinte a Sony lançou Dóris e Tito Madi, na série Academia Brasileira de Música. No cinema, trabalhou também em Rua sem sol, de Alex Viany (1954), Tudo é música, de Luís de Barros (1957) e De vento em popa, de Carlos Manga (1957).
Algumas letras e cifras:
A banca do distinto, Alô fevereiro, Coqueiro verde, De conversa em conversa, Dó-ré-mi, É isso aí, Fim de caso, Graças a Deus, Joga a rede no mar, Mocinho bonito, Mudando de conversa, Olhou pra mim, Ora, acho que vou me embora, Ronda, Samba de verão, Se você se importasse, Vingança.

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Anda, vem cá

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Mário Reis e Francisco Alves

Anda, vem cá (samba, 1932) - Buci Moreira

Anda, vem cá
Se tu soubesses
Os carinhos de amor
Que eu tenho pra te dar
Se você provar
Cairá vencida
E minha será, pra toda vida

Eu gosto muito de você
Eu tenho mesmo um certo que
Não sei como explicar
Já modifiquei a minha vida
Com você minha querida
Sou capaz de me casar

És para mim uma uvinha
Uma linda moreninha
Que eu quero guardar
Anda, assim não me arrependo
Acho bom aproveitar.

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Buci Moreira

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Buci Moreira, compositor e instrumentista, nasceu no Rio de Janeiro RJ, em 1/8/1909 e faleceu em 1982. Neto da famosa Tia Ciata (em cuja casa, perto da Praça Onze, se reuniam pioneiros do samba), seu pai, Guilherme Eduardo Moreira, tocava violão e ele, desde pequeno, mostrou vocação para ritmista.
Em 1917, sem deixar sua casa em São Cristóvão, passou a viver também com outra família, no mesmo bairro, fazendo companhia a um menino da casa. Nessa época começou a estudar. Em 1922 foi morar com a avó, até a morte desta em 1924, e de 1925 a 1927 estudou na Escola Bom Jesus, na ilha de Paquetá.
Com a morte do pai em 1928, foi viver com os tios na Praça Onze, ingressando no Colégio Benjamim Constant. No ano seguinte desfilou pela única vez na hoje extinta escola de samba Deixa Falar.
Em 1930 foi descoberto na Praça Onze, por Francisco Alves, que gravou sua primeira música na Odeon, o samba Palhaço (com Nelson Gomes). Por essa época começou a atuar como ritmista em gravações na Odeon, formando dupla com Valdemar Silva e, depois, com Arnô Canegal.
De 1936 a 1940 desfilou (e era diretor de harmonia) na hoje extinta escola de samba Vê Se Pode, do morro de São Carlos. Em seguida trabalhou com o cineasta Moacir Fenelon, continuando a atuar como ritmista em gravações.
Em 1943 participou, com outros sambistas, do filme inacabado de Orson Welles Jangada. Em parceria com Arnô Canegal e Mutt, compôs o samba Anda, vem cá, gravado por Francisco Alves e Mário Reis e Não põe a mão, sua música mais conhecida, que ele mesmo, além de outros intérpretes, gravou com êxito na Star em 1951.
Outros sucessos seus foram Quem pode, pode e Por que é que você chora. Obras: Anda, vem cá, samba, 1932; Em uma linda tarde, samba, 1935; Não põe a mão (c/Mutt e Arnô Canegal), samba, 1951; Quem pode, pode (c/Haroldo Torres), samba, 1950.

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Foi somente uma vez

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Núbia Lafayette

Foi somente uma vez (Solamente una vez) (bolero)
- Agustín Lara - versão de Rossini Pinto
  F
Foi somente uma vez
Gm
Que amei na vida
C7
Foi somente uma vez
F
E nunca mais
Uma vez nunca mais em meu peito
D7 Gm
Guardei a esperança
C7 Gm C7
A esperança que é luz do caminho
F C7
Desta solidão


F
Uma vez nada mais
Gm
A gente ama
C7
Com loucura total
F
E emoção
E quando esse milagre acontece
D7 Gm
Tudo é diferente
C7 Gm C7
Toca os sinos e um coro de anjos
F
Canta uma canção.

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Esta noite eu queria que o mundo acabasse (bolero, 1963) - Silvinho
Silvinho

Am A7 Dm G7 C F E7 F E7 


Am Am7M Am7
Esta noite eu queria
Dm Dm7M Dm7
que o mundo acabasse
G7/5+ C C7M
E para o inferno o Senhor me mandasse
F F#º E7 F E7
Para pagar todos os pecados meus


Am Am7M Am7
Esta noite eu queria
Dm Dm7M Dm7
que o mundo acabasse
G7/5+ C C7M
E para o inferno o Senhor me mandasse
F F#º E7 F7M F#º E7/9-
Para pagar todos os pecados meus


G7/13 G7/5+ C9 C
Eu fiz sofrer a quem tanto me quis
F7M F#º Dm Dm7M Dm7
Fiz de ti meu amor infeliz
F7M F#º E7 E7/9-
Esta noite eu queria morrer


Am Am7M Am7
Perdão
A7 A7/4 Dm Dm7M Dm7
Quantas vezes tu me perdoaste
G7/5+ C C7M
Quanto pranto por mim derramaste
F F#º E7 F E7
Hoje o remorso me faz padecer


G7/13 G7/5+ C9 C
Esta é a noite da minha agonia
F7M F#º Dm Dm7M Dm7
É a noite da minha tristeza
E7 E7/9- Am Am7M Am7 F E7
Por isso eu quero morrer


Introdução


G7/13 G7/5+ C9 C
Eu fiz sofrer a quem tanto me quis.....

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Casa e comida

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Núbia Lafayette

Casa e comida - Rossini Pinto
Introdução: Am  Em  F#7  B7  Em  B7 


Em B7 Em
Desculpe, meu amor, o que eu lhe digo
D
Mas meu bem, nao é comigo
C B7 E7
Que você deve lamentar
Am Em
Você nunca foi um bom marido
D
Não cumprindo o prometido
C B7 E7
Que jurou aos pés do altar
Am Em
É triste confessar, mas é preciso
D C
Você não teve juízo, em dizer
B7 E7
Que não me quis
Am Em
Perdoa, meu amor, não sou fingida
F#7
Não é só casa e comida
B7 Em
Que faz a mulher feliz
Am Em
Noites, quantas noites eu passava
D
Por você abandonada
C B7 E7
A chorar na solidão
Am Em
E quando eu reclamava, você ria
D
Me dizendo que ficava
C B7 E7
No escritório, no serão
Am Em
Agora você tenha paciência
F#7
Eu lhe peço por clemência
B7 E7
Deixa em paz meu coração
Am Em
Repito o que todo mundo diz:
F#7
Não é só casa e comida
B7 Em
Que faz a mulher feliz.

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Núbia Lafayette

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Núbia Lafayette (Idemilde Araújo), cantora, nasceu em Açu/RN, em 21/1/1937. Aos três anos de idade, viajou com a avó para o Rio de Janeiro/RJ, onde passou a residir. Ainda criança, foi participante assídua do programa Clube do Guri, na Rádio Tupi, cantando o repertório de Vicente Celestino . Depois, na década de 1950, recebeu forte influência de Dalva de Oliveira, identificando-se com seu estilo.
Em 1958, quando trabalhava nas Casas Pernambucanas, resolveu participar do concurso A Voz de Ouro ABC, na televisão. Não ganhou o primeiro prêmio, mas despertou a atenção de um dos jurados, Jordão de Magalhães, que a convidou a se apresentar na Cave, boate paulistana da qual era proprietário. Aí conheceu o compositor Adelino Moreira, que lhe proporcionou a oportunidade de gravar na RCA.
Assim, já com o nome artístico de Núbia Lafayette, gravou em 1960 o disco de estréia, que registrava os sambas Devolvi, seu primeiro sucesso, e Nosso amargor, ambos de Adelino Moreira. Em fevereiro de 1961, saiu o segundo disco, ainda com músicas de Adelino, Preciso chorar e Solidão, sendo esta sua canção favorita. Consolidou então o estilo próprio, cantando temas românticos com voz pungente, a maioria em ritmo de bolero ou samba-canção.
Com o predomínio da Jovem Guarda no meio fonográfico, sua carreira entrou em declínio, só retornando às paradas radiofônicas no início da década de 1970, quando lançou novos sucessos, como Casa e comida, de Rossini Pinto.
CDs Brasil sentimental, 1991, Columbia 852-01912-484232; Núbia Lafayette - 20 super sucessos, 1993, Polydisc 470049. Fontes: Enciclopédia da música brasileira: erudita, folclórica e popular. São Paulo, Art Editora, 2000.
Algumas cifras:
Casa e comida, Devolvi, Esta noite eu queria que mundo acabasse, Foi somente uma vez, Fracasso, Lama, Quem eu quero não me quer.

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Cantor, integrante do Trio de Ouro por vários anos e compositor, com mais de duzentas músicas gravadas, Raul Sampaio viveu a sua melhor fase no início dos anos sessenta. Em 1962, por exemplo, ele emplacou dois grandes sucessos, o samba-canção “Lembranças”, cantado pelo amigo Miltinho, e o bolero “Quem Eu Quero Não me Quer”, em gravação sua, lançada no final de 61, mas que estourou nas paradas depois do carnaval de 62.

Embora autor de repertório eclético, que vai do carnaval (“Eu Chorarei Amanhã”) ao mais intenso romantismo, é neste último estilo que melhor se exprime a ele pertencendo “Lembranças” (“Lembro um olhar / lembro um lugar / teu vulto amado / lembro um sorriso / e o paraíso! que tive ao teu lado”) e “Quem Eu Quero Não me Quer
Raul Sampaio
(“Quem eu quero não me quer / quem me quer mandei embora / e por isso eu já não sei! o que será de mim agora”), sua canção mais gravada, inclusive com uma versão mexicana de Agustín Lara, que saiu inicialmente sem o seu nome.

Capixaba de Cachoeiro de Itapemirim, Raul Sampaio homenagearia a sua cidade na composição “Meu Pequeno Cachoeiro”, oficializada em 66 como hino do município, e que, além de sua gravação (em 63), foi sucesso na voz de Roberto Carlos (em 70), outro ilustre cachoeirense (A Canção no Tempo - Vol. 2 - Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello - Editora 34).

Quem eu quero não me quer (bolero, 1962) - Benil Santos e Raul Sampaio
  Am
Quem eu quero não me quer
Dm
Quem me quer mandei embora
E7
E por isso eu já nem sei
Am
O que será de mim agora
Passo as noites recordando
Dm
Revivendo o meu castigo
E7
No meu quarto de saudade
Am
Solidão mora comigo

Dm
Por onde anda quem me quer?
G7 C
Quem não me quer onde andará?
Am Dm
Que será de suas vidas
E7 Am
Da minha vida o que será

Dm
Não sou capaz de ser feliz
G7 C
Ao lado de um amor qualquer
Am Dm
Ah! Se este fosse o outro
E7 Am
Que eu amo tanto e não me quer.

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Raul Sampaio

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Raul Sampaio (Raul Sampaio Cocco), cantor e compositor, nasceu em Cachoeiro de Itapemirim em 06 de julho de 1928. É filho de Fanny Sampaio Cocco e José Cocco. Foi aluno dos colégios Liceu Muniz Freire, Bernardino Monteiro e Escola Técnica de Comércio, todos em Cachoeiro.
Sua vida artística começou na ZYL-9, Rádio Cachoeiro, como solista do conjunto Dois Valetes e uma Dama. Em 1949 mudou-se para o Rio de Janeiro, dedicando-se ao comércio até 1952, quando passou a integrar o conjunto Trio de Ouro.
Sua primeira música de sucesso foi Guarda-chuva de pobre. Autor de mais de 200 composições musicais, teve como parceiros Herivelto Martins, Benil Santos, e outros. Raul Sampaio atuou na Rádio Nacional e, pela sua projeção no Rio de Janeiro, principalmente com as músicas Rio Quatrocentão e Rio eterna Capital, recebeu o título de Cidadão do Estado da Guanabara.
Recebeu o título de Cachoeirense Ausente em 1969. O título é a honra máxima de Cachoeiro. Só é concedido uma única vez por ano, ao cidadão nascido nesta cidade que, deixando sua terra, lá fora, tenha prestado relevantes serviços como foi torná-la mais conhecida no Brasil e no Mundo.
É o autor da letra e música do Meu pequeno Cachoeiro. A canção, depois interpretada por Roberto Carlos, em gravação do ano de 1969, é um dos grandes sucessos nacionais de todos os tempos. Outros sucessos de sua autoria: A carta (com Benil Santos), Canção da rua (c/Benil Santos), Estou pensando em ti (c/Benil Santos), Lembranças (com Benil Santos), Meu pranto rolou (com Benil Santos e Ivo Santos), Onde estás agora? (com Benil Santos), Quem eu quero não me quer (com Benil Santos), Revolta (com Nelson Gonçalves).
Fonte: Prefeitura Municipal de Cachoeiro de Itapemirim-ES.

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Benil Santos

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Benil Santos (Benil dos Santos), compositor, nasceu em Cabo Frio/RJ, em 20/11/1931. De família numerosa (22 irmãos), começou a trabalhar aos nove anos, numa farmácia. Com 19 anos, foi trabalhar na Rádio Mayrink Veiga, do Rio de Janeiro RJ, tendo sido depois locutor e produtor. Formou-se pela Faculdade de Ciências Econômicas do Rio de Janeiro como técnico de contabilidade.
Criou o programa Manhã de Grande Gala, na Rádio Mayrink Veiga, em 1958, ano em que passou a exercer a função de diretor artístico da RGE, permanecendo no cargo durante sete anos. Incentivado por Marijó, cronista do jornal carioca Última Hora, e por Héber Lobato, locutor e descobridor de talentos, começou a compor, tendo sua primeira composição gravada ainda em 1958, Noites cruéis com Raul Sampaio, seu parceiro mais constante.
Em 1960, compôs com Enrico Simoneti Canção de ninar mamãe, gravada por Gilberto Milfont na RGE. No mesmo ano, conheceu um de seus maiores sucessos, parceria com Raul Sampaio, Estou pensando em ti, gravada por Anísio Silva na Odeon. Em 1961, dois novos sucessos, parcerias com Raul Sampaio, Estou só e Lembranças gravadas por Miltinho na RGE. Em 1962, Roberto Luna gravou Fingimento; Miltinho, Confidência, estes na RGE e Gilvan Chaves, gravou na Victor Protesto (Praga de amor), parcerias com Raul Sampaio.
Em 1963, obteve o primeiro lugar no Festival de Música do Brasil, da TV-Rio, do Rio de Janeiro, com a música Distância (com Raul Sampaio), gravada por Miltinho e Rosana Toledo. Entre suas composições gravadas, destacam-se as marchas A serenata (com Raul Sampaio), de 1966, e Eu compro essa mulher (com Raul Sampaio e Ivo Santos), de 1967. Exerce também atividade de empresário artístico.
Algumas obras:
Canção de ninar mamãe (c/Enrico Simonetti), 1960; Confidência (c/Raul Sampaio), 1962; Distância (c/Raul Sampaio), 1963; Estou pensando em ti (c/Raul Sampaio), bolero, 1960; Estou só (c/Raul Sampaio), 1961; Eu compro essa mulher (c/Raul Sampaio e Ivo Santos), marcha, 1967; Fingimento (c/Raul Sampaio), 1962; Lembranças (c/ Raul Sampaio), 1961; Meu pranto rolou (c/Raul Sampaio), marcha, 1965; A serenata (c/Raul Sampaio), marcha, 1966; Protesto (Praga de amor) (c/Raul Sampaio), 1962.

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Arnaldo Pescuma

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Arnaldo Pescuma, tenor e compositor, nasceu em 29/1/1903, em São Paulo/SP, e faleceu na mesma cidade em 13/1/1968. Em 1920 participou, como tenor, de uma companhia de óperas, que se apresentou em Recife/PE e Aracaju/SE; em 1923 aparecia como cantor de operetas no Teatro Boa Vista, de São Paulo, e, durante dez anos, em outros locais.
Em 1933 viajou para o Rio de Janeiro/RJ e assinou um contrato de seis meses na Rádio Mayrink Veiga. No filme Alô, alô, Brasil (1935, co-direção de João de Barro e Alberto Ribeiro), cantou a marcha de sua autoria Muita gente tem falado de você, com o conjunto Os Quatro Diabos (que, com ele, passou a se chamar Os Cinco Diabos).
Em 1935 voltou a São Paulo como contratado da Rádio Difusora, e no ano seguinte foi para Buenos Aires, Argentina, contratado pela Radio Belgrano. Em 1937, já em São Paulo, fundou a escola de canto Apebar. Quatro anos depois voltou a cantar ópera no Teatro Municipal, de São Paulo, onde mais tarde seria diretor de cena.
Gravou vários discos, destacando-se os que fez em dupla com Januário de Oliveira, com seis músicas premiadas no Carnaval paulista, entre as quais duas marchas de muito sucesso: Mulatinha da caserna (Martinez Grau e Capitão Furtado) e Paulistinha querida (Ary Barroso).

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Arnaldo Amaral

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Arnaldo Amaral (Arnaldo Augusto do Amaral Filho), cantor, ator, locutor e produtor, nasceu no Rio de Janeiro/RJ em 05/08/1912. Começou a cantar para o público na Rádio Guanabara levado por Cristóvão de Alencar. Em seguida, passou a se apresentar no Programa Casé, na Rádio Philips.
Gravou o primeiro disco em 1933: Fita os meus olhos, de Cartola e Oswaldo Vasques. No mesmo ano grava Por que será (Buci Moreira e Osvaldo Vasques), Se passar da hora (Osvaldo Vasques e Boaventura dos Santos) e Rindo e chorando (Osvaldo Vasques e Buci Moreira). De 1934 são os sucessos Questão de raça (Francisco de Freitas e Zeca Ivo) e Lili (Kid Pepe e Benedito Lacerda).
Em 1935 faz sucesso com Vou fazer uma pergunta (Cristóvão de Alencar e Nássara). Nesse mesmo ano, assinou contrato com a Rádio Cruzeiro do Sul onde permaneceu até 1938, quando fez uma excursão a São Paulo apresentando-se na Rádio Cosmos e seguindo depois para Minas Gerais, onde apresentou-se na Rádio Inconfidência. Trabalhou também nas Rádios Educadora e Mayrink Veiga. Ainda nesse ano, gravou os sambas Saudade (Cristóvão de Alencar e Pedro Pinto) e Remexe as cadeiras baiana (Cristóvão de Alencar e Sílvio Pinto).
Em 1937, seriam gravadas as marchas Eu vou mandar fazer (Mário Lago e Martinez Grau) e Quem é o homem (Ary Barroso), esta em dueto com Alzirinha Camargo . Em 1939, gravou os sambas Ela foi e não voltou (Zé Pretinho e César Brasil) e Estou sentido com você (Zé Pretinho e Romeu Gentil). No mesmo ano, gravou de Ary Barroso a valsa Amar (Mentira de amor).
São de 1941 as gravações de Quem sabe não és a colombina (marcha de Pedro Caetano e Alcir Pires Vermelho) e do samba Com você e sem você (Amaro Silva e Nelson Teixeira). Em 1942, conquistou grande sucesso no carnaval com a marcha Eu quero ver é a pé (Mário Lago e Roberto Roberti), gravada em novembro do ano anterior em disco, no qual constava ainda o samba Bota a Maria na roda (Roberto Martins e Cristóvão de Alencar). Em 1943, seriam gravadas a marcha Conversa pra siri e o samba Do mundo nada se leva, ambas de Russo do Pandeiro e Valfrido Silva. Em 1944, gravou de Sá Róris e Valfrido Silva a marcha Filha do cacique.
Participou dos filmes Futebol em família (cantando a valsa Sonho de amor não morre), Bonequinha de seda, Jangada, Laranja da China, Entra na farra e de números musicais no filme Abacaxi azul.
Em 1946, resolveu parar de cantar e seguiu com a carreira de radialista, tornando-se locutor e produtor de programas na Rádio Clube. Atuou, ainda, como locutor esportivo. Sua produção radiofônica mais famosa foi o programa "Pescador de estrelas", onde foram revelados nomes como Zezé Gonzaga, Jamelão, Ângela Maria, Dóris Monteiro, Norma Suely, Altamiro Carrilho, Miriam de Souza, Alaíde Costa, Marisa, Dalva de Andrade, Ellen de Lima, Humberto Martins, Marilena Cairo e os locutores Jair Amorim, Oswaldo Sargenteli, Américo Vilhena, Décio Luiz e Walter Luiz. Encerrou sua carreira como diretor da Rádio Mundial, antiga Rádio Clube.

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Linda flor que morreu

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Linda flor que morreu (samba, 1940) - Capitão Furtado (Ariovaldo Pires) e Jota Soares

Tú que es o meu bem querer
A alegria do meu viver,
Porque estranha razão
Tens tal prazer em me ver penar
E viver sempre a mendigar
Teu cruel coração,
Sim, é loucura, eu bem sei !
Eu te amar tanto, tanto assim,
Se não gostas de mim,
Mas te dei minha vida e é bem,
Pouco o que eu te dei,
Pois embora só me causes dor,
É só teu o meu amor.

Óh, eu quisera viver feliz,
Só viver da saudade,
Sim, da sublime ilusão,
Que é igual,
A uma flor que nasceu,
Porém logo após feneceu,
Tal qual minha felicidade,
Tu és o sonho fugaz que passou,
Linda flor que morreu
E o vento levou.

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E o vento levou

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E o vento levou (valsa, 1940) - Capitão Furtado (Ariovaldo Pires)

Na estrada da vida
De quem muito amou
A folha caída
Morreu e secou
E assim ressequida
A folha rolou
Sozinha, esquecida,
" E o vento levou "

Meu destino também é o mesmo
Dessa folha que o vento levou
Porque vive a vagar sempre a esmo
Recordando um amor que passou

Esperança... carinho... promessa...
Mil venturas minh'alma sonhou
Porém tudo passou tão depressa,
E somente a saudade ficou.

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Mulatinha da caserna

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Mulatinha da caserna (marcha, 1936) - Martinez Grau e Capitão Furtado (Ariovaldo Pires)clique para ouvir amostra da música

Antigamente a mulatinha
Fazia corso lá no quintal
Mas com o tempo ficou por cima
Foi promovida a general

Alerta! Alerta!
Vamos fazer revolução
Nossa trincheira vamos ter, mulata
Na avenida São João

A Benedita já fez progresso
Tirou o corpo lá do fogão
Vive na seda, tem um V-8
E sai de braço com o capitão

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Capitão Furtado

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Capitão Furtado (Ariovaldo Pires), compositor, nasceu em Tietê SP em 31/8/1907, e faleceu em São Paulo SP, em 10/11/1979. Sobrinho de Cornélio Pires, em 1928 foi levado pelo tio ao então diretor da Columbia, Wallace Downey, passando a trabalhar como seu secretário em 1929, em São Paulo SP
Em seguida, participou do programa inaugural da Rádio Cruzeiro do Sul, que estava sendo organizada por Wallace Downey, substituindo um artista que havia faltado, no papel de um fazendeiro caipira, tendo sido logo contratado.
Ainda em 1929 estreou como compositor, com a toada Coração, em parceria com seu conterrâneo Marcelo Tupinambá, gravada por Januário de Oliveira. Dois anos depois, colaborou como assistente no filme Coisas nossas, produzido e dirigido por Wallace Downey, e, em 1932, ano da Revolução Constitucionalista, adotou o pseudônimo de Capitão Prudêncio Pombo Furtado, depois abreviado para Capitão Furtado.
Em 1934, transferiu- se para a recém-inaugurada Rádio São Paulo junto com os componentes do programa Cascatinha do Genaro. A mudança foi ótima para todos, pois o programa aí alcançou sucesso absoluto. Em 1935 atuou como coordenador artístico do filme Fazendo fita, de Vitório Capelaro, em que foi incluída sua toada Coração. Nesta ocasião, conheceu a dupla Alvarenga e Ranchinho, convidando-os a participar do filme.
No ano seguinte, obteve o primeiro prêmio em um concurso de música carnavalesca organizado pela prefeitura de São Paulo com a marcha Mulatinha da caserna (com Martinez Grau). Com o dinheiro do prêmio foi para o Rio de laneiro RJ com Alvarenga e Ranchinho, levando um sucesso da dupla, a moda-de-viola Itália e Abissínia (com a dupla), e que seria gravada na Odeon. Visitou a Rádio Tupi, onde fez um programa improvisado com Alvarenga e Ranchinho, a convite do diretor artístico da emissora. Ouvidos por Assis Chateaubriand, os três foram contratados e passaram a se apresentar como a Trinca do Bom Humor, três vezes por semana.
Gravaram vários discos pela Odeon, os primeiros intercalando piadas com números musicais, como Futebol (moda-de-viola), Meu coração (rancheira), A baixa do café (toada). Com a atriz Jurema de Magalhães, gravou a poesia Adoração (Campos Negreiros), sendo apelidado por Tia Chiquinha (Sílvia Autuori) de “o caipira que fala com o coração”, slogan que adotou para sua carreira.
Ainda no Rio, foi assistir à prova automobilística Circuito da Gávea e um dos locutores passou-lhe o microfone, depois dos comentários. Improvisando versos humorísticos, imediatamente agradou o público, formando uma multidão de ouvintes junto ao palanque da Rádio Tupi. Ouvido pelo diretor da Victor, Mr Evans, foi contratado pela gravadora, lançando com a Trinca do Bom Humor o disco Liga dos bichos e Vida do Zé Luís (ambas com Alvarenga e Ranchinho).
Teve outros discos lançados pela Odeon em 1936, como Caipira em Hollywood, cateretê de sua autoria gravado em dupla com Alda Garrido, e a moda-de-viola Calango (com Alvarenga e Ranchinho), no qual a menina Gilda Magalhães contava anedotas. No ano seguinte, gravou na Victor Natal do sertão (Lucilia Guimarães Villa-Lobos e Luís Guimarães), com a participação de Tia Chiquinha e o Coro dos Apiacás, formado por crianças, entre os quais dois meninos que se tornariam famosos, Luiz Bonfá e Lúcio Alves.
Em 1939, seu amigo Palmeirim Silva inscreveu sua peça O tesouro do sultão no concurso promovido pelo Serviço Nacional de Teatro, sob o patrocínio do Ministério da Educação. Vencedora, a peça foi montada por Jardel Jércolis, com música de Radamés Gnattali, cumprindo temporada de sucesso no Teatro João Caetano, do Rio de Janeiro, e depois em outros Estados e países vizinhos. Nesse mesmo ano, retornou a São Paulo, onde se fixou definitivamente. Criou na Rádio Difusora o programa Arraial da Curva Torta, que revelou artistas como a dupla Tonico e Tinoco (batizada por ele), Blecaute e a futura apresentadora Hebe Camargo, que na época formava com sua irmã a dupla caipira Rosalinda e Florisbela.
Em 1940, Orlando Silva gravou na RCA Victor a valsa E o vento levou, de sua autoria, e Gilberto Alves gravou Linda flor que morreu (com Jota Soares). Durante a década de 1940, realizou numerosas versões de sucessos internacionais. Em 1948, em Salvador BA, dirigiu por algum tempo a Rádio Excelsior local. Voltou a São Paulo em fins de 1949 e, no ano seguinte, começou a trabalhar na Rádio Cultura.
De 1952 a 1956 voltou a atuar na Rádio Difusora, que deixou para coordenar programas de música caipira patrocinados pela Alpargatas. Passou a viajar por todo o Brasil para divulgar Roda de Violeiros, programa que promoveu o primeiro campeonato de amadores, reunindo 3.250 grupos de 512 cidades do país, e revelando diversas duplas de cantores.
Em 1963 foi para a Rádio Bandeirantes, de São Paulo, e aí permaneceu até 1966, quando se aposentou. Na época, sua marcha Mulatinha de caserna foi oficializada pelo então prefeito de São Paulo, Faria Lima, como hino do Carnaval paulista. Em 1967, embora aposentado, exerceu por algum tempo as funções de coordenador de música e versões da Editora Fermata, mas logo se afastou do meio artístico. CD : Ao Capitão FurtadoMarvada viola, 1997, Funarte/ Atração Fonográfica ATR 32019 (Série Acervo da Música Brasileira, n 2).

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Olha o Padilha

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Moreira da Silva
De: Ferreira Gomes, Bruno Gomes e Moreira da Silva

Tom: C
Introd: Ab Fm C Am D7 D7/9 G5aug C7M9

C G7
Prá se topar numa encrenca, basta andar distraído,
C C
Que ela um dia aparece - não adianta fazer prece.
C7
Eu vinha anteontem, lá da gafieira,
F
com minha nega Cecília.
- Quando gritaram - Olha o Padilha!

Antes que eu me desguiasse,
Fm
um tira forte e aborrecido
C
Me abotoou, e disse: - Tu és o nonô! Heim?
Dm G7
“Mas eu me chamo Francisco, trabalho como mouro,
C
Sou estivador - Posso provar ao senhor.”
E7
Nisso o moço de óculos ‘Raibam’,
Am
Me deu um pescoção: - bati com a cara no chão.
A7
E foi dizendo, “Eu só queria saber
Dm
Quem disse que és trabalhador.
- Tu és salafra, achacador
F G6
Esta macaca ao teu lado, é uma mina mais forte
C
Que o Banco do Brasil
- Eu manjo ao longe este tiziu”
Dm G7
E jogou uma melancia, pela minha calça adentro,
C
Que engasgou no funil,
- Eu bambeei, ele sorriu.
Dm G7
Apanhou uma tesoura, e o resultado
C
Desta operação: - É que a calça virou calção
C7
Na chefatura um barbeiro sorridente
F
Estava à minha espera.
- Ele ordenou: “Raspa o cabelo desta fera”
Fm
“Não está direito, seu Padilha, me deixar
C
Com o coco raspado
- Eu já apanhei um resfriado
Dm G7
Isto não é brincadeira, pois o meu apelido era
C
Chico Cabeleira.” - Não volto mais à gafieira.


(solo) C G7 C C7 F Fm C
B Bb A7 Dm G7 C (A)


(Ele quer ver minha caveira. Eu, heim?
Se eu não me desguio a tempo
Ele me raspa até as axilas.
O homem é de morte…)


Dm G7 C7M9



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Na subida do morro

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Na subida do morro - Moreira da Silva e Geraldo Pereiraclique para ouvir amostra da música
Introdução: Gm  Cm  F7  Bb  D#  D#m  Bb
Cm F7 Bb Edim F7


Na subida do morro, me contaram,
Bb
Que você bateu na minha nega
Bb7 D#
Isso não é direito, bater numa mulher, que não é sua,
D#m
-Deixou a nega quase nua, no meio da rua,
Bb
A nega quase que virou presunto,

Eu não gostei daquele assunto.

Cm
Hoje venho resolvido,
F7 Bb
Vou lhe mandar para a cidade-de-pés-juntos.

Vou lhe tornar em um defunto.
Am D7 Gm
Você mesmo sabe, que eu já fui um malandro malvado,

Somente estou regenerado.
G G7 Cm
Cheio de malícia, dei trabalho à polícia, prá cachorro.

Dei até no dono do morro.

Mas nunca abusei,
F7 Bb
De uma mulher que fosse de um amigo,

Agora me zanguei consigo.
Cm F7
Hoje venho animado, a lhe deixar todo cortado,
Bb
Vou dar-lhe um castigo.

-Meto-lhe o aço no abdômen e tiro fora o seu umbigo.

Aí meti-lhe o aço, hum –
Quando ele ia caindo ele disse:
“Ei Morengueira, você me feriu!”
Eu então disse-lhe:
“É claro, você me desrespeitou,
mexeu com a minha nega,
Você sabe que em casa de vagabundo
malandro não pede emprego.
Como é que você vem com chavecagem?
Está armado! Eu quero ver gordura,
que a banha está cara.”

Aí meti a mão lá na aduana, na peixeira.
Porque eu sou de Pernambuco,
cidade pequena porém decente.
Peguei o Vargulino pelo abdômen,
Desci pelo duodeno, vesícula biliar,
e fiz-lhe uma tubagem.

Ele caiu: bum, todo ensangüentado.
E as senhoras, como sempre nervosas:
“Meu Deus, esse homem morre, moço,
Coitado, olha aí, está se esvaindo em sangue.”
-Ora minha senhora, dê-lhe um óleo acanforado,
Penicilina, Estreptomicina, Crebiose, Hidrazida,
E até vacina Saur.
Mas o homem já estava frio.
Agora, o malandro que é malandro não denuncia o outro.
Espera prá tirar a forra, então diz o malandro:


Cm
“Vocês não se afobem,
D7 Gm
que o homem desta vez não vai morrer,

Se ele voltar dou prá valer.
G
Vocês botem terra neste sangue,
G7 Cm
não é guerra, é brincadeira.

Vou desguiando na carreira.

A jungusta já vem, e vocês
D7 Gm
digam que eu estou me aprontando,

Enquanto eu vou me desguiando.
Cm F7 Bb
Vocês vão ao distrito, ao delerusca se desculpando…

- Foi um malandro apaixonado,

Que acabou se suicidando.”


Gm Cm F7 Bb



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Margarida

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Moreira da Silva
De: Zózimo Ferreira e Moreira da Silva clique para ouvir amostra da música

Tonalidade: F
Introdução: Bb C7 Am7 D7 Bb Am Gm C9


Gm C7 F
Eu preciso consertar a minha vida,
Am Gm C7 F Dm7
Que ficou arruinada quando a Margarida me deixou.
Gm C7 F
Eu, que nunca havia ido ao pesado,
Bdim E7 Am E Am
Desta vez fui obrigado a enfrentar o batedor
C7
- mas que calor


Gm C7 F
Fui trabalhar dentro de uma cervejaria,
Dm Gm C7 F
E, em poucos dias, dei o fora no patrão.
F7 Bb
Trabalhei tanto, que quase levei a breca,
Bdim F7 D7 Gm C7 F A7
Cheguei a ficar careca de tanto chifrar caixão.


Dm Dm/C Bb
Meu Deus, eu vou me acabar,
A7 Dm Dm/C
se a Margarida não voltar.
A7
Eu não sei como vai ser,
D7 Gm
a minha canja de galinha se acabou.
C7 F
Eu estou cansado de enfrentar o batedor
A7 Dm
- eu vou morrer.


Dm/C Bb A7 Dm
Fui trabalhar num restaurante prá poder comer bastante.
A7 D7
Numa vaga de caixeiro, em pouco tempo,
Gm C7
Promovido a secretário, porque o proprietário
F A7
Não conhecia dinheiro - era um fuleiro


Dm Dm/C Bb A7 Dm
Ele tinha confiança na minha sinceridade,
Dm/C A7
E eu trabalhava à vontade.
D7 Gm Dm
É, mas se a polícia não descobre, eu ficava rico,
A7 Dm
E o meu patrão ficava pobre.

Bb C7 Am7 D7 Gm Am Gm C9



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Jogando com o capeta

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Moreira da Silva

De: Moreira da Silva e Ribeiro Cunha 

Tonalidade: G
Introdução: C7M C#° G7M E7
Am D7 G7M D7


G7M D7
Jogando baralho, no terreiro grande
G7M
No meio de homens fortes
- eu estava jogando com a sorte
G7
Um desconhecido chegou, bem vestido
C7M
E me pediu o corte
- eu disse-lhe “Jogo até com a morte.
C#dim
Mas se acaso ganhar, não vá sorrir e nem zombar,
G7M
Que hoje é meu companheiro
E7
- não vá levar o meu dinheiro
Am7 D7
Não sou brigador, mas se perder e não pagar,
G7M
Eu vou bater no senhor”
- ele me disse ‘és um terror’


Am7 D7 G7M
Fiz um macete de valete e dama
- o Vargo perde e não reclama

E diz ‘que lama’
G7 C7M
Puxou de uma bolada e me desacatou,
- depois a sorte me deixou.

Ele tomou do lesco, e desfolhou
C#dim G7M
Fiquei sozinho, sem um companheiro
E7
- porque perderam o seu dinheiro
Am7
Depois ele sorrindo me disse:
D7 G7M
‘desista porque eu sou trigueiro.
Am7
Eu sou o Chico Tintureiro, o Zé Carneiro’. Fiz
D7 G7M
Umas paradas mais eu tinha um peso
- eu já estava quase pronto,
G7 C7M
Acabei teso. Puxei minha solinje e fiz o “pelo-sinal”

Ele me disse: ‘isto é que é mal’

“Deus me defenda do senhor”,
C#dim G7M
falei em Deus mas sem má intenção.
E7
Mas para mim foi muito bom,
Am7
porque deu um estouro e sumiu,
D7 G7M
Era o capeta, mete cabelão
- mas que cheirinho de alcatrão.



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Fui ao dentista

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Moreira da Silva

Fui ao dentista - Sebastião Fonseca e Cícero Nunesclique para ouvir amostra da música
Tonalidade: A
Introdução: D Ebdim A7M Gb7 Bbm E7 A7M E7

A7M Cdim Bbm
Fui ao dentista, prá chumbar uma panela,
E7 A7M G7M
Mais o gajo achou que ela, não podia obturar.
Ab7M A7M Bm Cm E
Ele me disse, “Vou mudar toda a mobília,
Dbm Gbm B7 E7
Tu vais ver que maravilha, Morengueira vai ficar.


Arranco tudo, arranco até o maxilar…”
- Mas doutor, o que está me doendo é o primolar.
Eu acho que vou ter um atrito com o senhor… -

A7M Cdim Bbm
Mas quando eu vi o boticão que ele trazia,
E7 A7
Minha tripa ficou fria, começou a tremedeira.
D G Dbm7
Quem foi que disse que o papai a boca abria,
Gb Bm7 E7 A7M
Prá espetar a anestesia, na gengiva do Moreira.


Mas tem que ser, queira ou não queira.
Db7 Gbm
Em vista disso, prá acabar com o meu berreiro,
Db7 Gbm
O doutor me deu um cheiro, e eu ferrei numa soneca
Db7 Db/B Gbm
E quando acordo, nem te conto camarada,
Gbm/A Dbm Ab7 Db7
Minha boca está chupada, e a gengiva está careca.


Meu panelão levou a breca…
Db7 Gbm
Enquanto espero, se a gengiva murcha e seca,
Db7 Gb Gb7
Prá mudar a perereca, provisória no bocão.
Bbm E7 A7M
Tudo o que é efe, sai comprido, sai soprado,
Gbm D7 Db7 Gbm
Que até fico encabulado, com tamanha assopração:


Farora fofa faz fofoca no feijão.







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Fenômeno

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Moreira da Silva
De: Joaquim Domingos e Nilton Moreira

Tonalidade: C
Introdução: F7 Ebdim C A7 D7 G7 C


Dm G7 C
Doutor des’que nasci, que vivo adoentado.
E7 Am C7
Tenho um nariz um tanto avantajado.
F Ebdim C
A minha cara é larga prá chuchu,
A7 D7 G7
o meu queixo até parece uma castanha de cajú.
Nerusca de ai lóve iou…


Dm G7 C
É, a minha boca é grande demais,
E7 Am C7
e sendo assim, eu sou muito infeliz,
F Ebdim C
Doutor, veja por quanto faz,
A7 D7 G7 C E7
uma intervenção, em meu nariz.


E7 Am
E o doutor olhou prá mim, deu um sorriso,
e disse assim:
A7 Dm
“Você precisa é tomar juízo, vá por mim.
Bdim E7 Am
Você é forte e tem muita saúde,
Am/ B7 E7
Você até parece um astro lá de roliúdi…”


B7 E7 Am
Acreditei no lero deste cientista de valor.
A# A7 Dm Dm/C
Meti o peito e fui fazer uma conquista de amor,
Bdim E7 Am
Logo a primeira que chamei de flor,
Am/G F E7 Am
me deu um catiripapo e um contra-à-vapor…
C7
Ai, ai, que dor, ai, ai…


Dm G7 C
Eu vi anunciado, um tal de seu Macário,
E7 Am C7
que tem três filhas em estado precário.
F Ebdim C
Meti o peito, e mudei prá lá.
A7 D7 G7
fui conhecer Maricota, Mariquinha e Maricá


-É que o velho tem uma nota preta prá gastar,
e eu estou entusiasmado.
Desta vez eu vou ficar com aquela
faca de (cortar) água morna,
esterilizada e tudo o mais.


Dm G7 C
Mas seu Macário usou de franqueza:
E7 Am C7
“as minhas filhas não querem beleza,
F Ebdim C
Mas você com esta cara que me traz,
A7 D7 Db7
eu tenho visto gente feia, mas assim
C
Já é demais…Desguia Satanás. Que funeragem”


F7 Ebdim C A7 D7 G7 C C7
F7 Ebdim C A7 D7 G7 C6



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Dormi no molhado

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Moreira da Silva
De: Moreira da Silva e Ribeiro Cunha 

Tonalidade: C
Introdução: F Ebdim C Am7 Dm7 G7 C Am7 Dm7 G7 C

C G7 C
Eu quando vejo um rapaz, da sua idade estendendo a mão –
Dele não tenho compaixão
C C7
Porque não me conformo ver um homem de talento
F
não querer trabalhar

Sente, meu velho, tou mais duro do que beira de sino,
Vê se tu me arranja uma nota aí prá pegar um prato feito
É, um P. F. um aparelho da zona acumulada.
F Fm
Eu também já passei fome, já sofri e não morri,
C Am7
Estou aqui de lição - e ninguém vai dizer que não.
Dm7 G7
Eu já dei atrapalhado, eu já andei afanado,
C
Mas nunca pedi tostão - acho que estou com a razão.
G7
Eu enfrentei uma marreta, na pedreira São Diogo,
C
Quebrando pedra roliça - passando a pão e a lingüiça.
C7
Dormia no cais do porto, no meio da sacaria,
F
onde o rato dormia –
Fm
Onde ventava e chovia. Quando o dia amanhecia,
vinha o chefe da limpeza,
C Am7
Jogando água fria - vejam só como eu saía.
Dm7 G7
Sem café e sem cigarro, sem saber prá onde ia,
C
Sem tostão e sem vintém - mas nunca pedia a ninguém.
G7
Cortei asfalto na linha, fui vendedor de galinha,
C
Carreguei cesto na feira - eu fui garçom de gafieira.
C7
Comia numa vendinha, que só fritavam sardinha,
F
Com azeite de lamparina - eu só cheirava a gasolina.
Fm
Fui peixeiro, carvoeiro, fui carteiro, fui bicheiro
C Am7
Apanhei como ladrão - mas não mudei de opinião.
Dm7 G7
E como sou caprichoso, hoje me sinto outro homem,
C
Até já mudei meu nome
- oi, já me disseram até que eu virava lobisomem.
F Ebdim C Am7 Dm7 G7 C Am7 Dm7 G7 C




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Cidade lagoa

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Moreira da Silva

Cidade lagoa - Sebastião Fonseca e Cícero Nunesclique para ouvir amostra da música
Tonalidade: A
Introdução: Db7M Gb7 Cm7 F7 Bbm7 Eb7 Ab Ab7
Db7M Gb7 Cm7 F7 Bbm7 Eb7 Ab7M


Ab7M Bdim Bbm
Esta cidade, que ainda é maravilhosa,
Bbm/Ab Eb7
Tão cantada em verso e prosa,
Ab7M Gb7M
Desde os tempos da vovó.
G7M Ab7M Cm7 Eb7
Tem um problema, crônico renitente,
Cm7 Fm
Qualquer chuva causa enchente,
Bb7 Eb7
Não precisa ser toró.
Ab7M Bdim Bbm
Basta que chova, mais ou menos meia hora,
Bbm/Ab Eb7 Ab7M Ab7
É batata, não demora, enche tudo por aí.
Db7M Gb7 Cm7
Toda a cidade é uma enorme cachoeira,
F7 Bbm7
Que da Praça da Bandeira,
Eb7 Ab7M C7
Vou de lancha a Catumbi.
Fm Ab Bbm7
Que maravilha, nossa linda Guanabara,
Bbm7/Ab C7
Tudo enguiça, tudo pára,
Fm
Todo o trânsito engarrafa.
G7 Cm7
Quem tiver pressa, seja velho ou seja moço,
Eb7 D7
Entre n’agua até o pescoço,
G7 C7
E peça a Deus prá ser girafa.
Fm Ab Bbm7
Porisso agora já comprei minha canoa,
Bbm7/Ab C7 F F7
Prá remar nessa lagoa, toda a vez que a chuva cai,
Bbm C7 Fm
E se uma boa me pedir uma carona,
Fm/Eb Db7
Com prazer eu levo a dona,
C7 Fm
Na canoa do papai.


Db7M Gb7 Cm7 F7 Bbm7 Eb7 Ab Ab7
Db7M Gb7 Cm7 F7 Bbm7 Eb7 Ab7M


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Chave de cadeia

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Moreira da Silva
De: Moreira da Silva e Geraldo Gomes clique para ouvir amostra da música

Tonalidade: G
Introdução: G Am D7 Bbm E7 Am D7 G

G C#dim G
Vamos, não me faça desacato,
C#dim G
Gosto das coisas claras,
Em Am
não vê que sou bom mulato
Am/G B7 Am
Anda me malhando, não sou palhaço
D7 G
Vou mandar tirar seu nome tatuado no meu braço.
D7 G Edim G
Aquele terno branco, que eu dei duro prá fazer
G7 C
Você botou no prego e a cautela foi vender
Cm G
O relógio de ouro não estava perdido,
Em Am D7 G
Só agora estou sabendo, também foi vendido
B7 Em
Pode se abrir, prá minha malandragem
B7 Em E7 Am
Conte a todo mundo como eu fiquei
B7 Em G C
Está tirando a desforra, das dezenas de palhaços
B7
Que eu marretei.
Em
Você, mulher, é uma chave de cadeia
B7 E7
Me paga a ceia prá depois propalar
Am D7 G
Você sabia, que eu era da orgia,
Em Am D7 G
Quem entra na chuva é prá se molhar.

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Chang-Lang

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Moreira da Silva
De: Moreira da Silva e Ribeiro Cunha 

Tom:F
Intr.: Bb Bbm F D7 Gm C7 F F7
Bb Bbm F D7 Gm C7 F C7

F
Eu fui ao restaurante chinês,
D7 Gm
e peguei o gordurame, sem ter o arame.
C7 Gm
E disse ao China, “prá semana pagarei” –
C7 F
O Chang-Lang se queimou comigo sem ter razão.
F7
É, na durindana disse: “Aqui não é pensão,
D7 Gm
se você quer comer de graça, você tem que trabalhar.
Bb Bdim F/C
Ou deixe em depósito seu chapéu de palha.
D7 Gm C7 F
Vá se embora por favor, que eu não sou seu pai”

A7 Dm D7
Na alta roda de malandros sempre fui considerado,
Gm
um batuqueiro respeitado.
Dm
Me queimei com a ignorância do chinês,
E7 A7
e dei-lhe uma fritada prá servir de lição.

E disse: “Chang, se agüenta.
Vá por mim que eu sou direito.
Dm D7 Gm
Se eu me agarro com você derrubo todas prateleiras.
Dm
‘Time is money’ quer dizer ‘tempo é dinheiro’,
E7 A7 Dm
o velho tempo é grana e eu estou na durindana.

Eu pago a conta prá semana. Agüenta aí”.
A7 Dm
Dificilmente o malandro perde o controle.
D7 Gm
Eu disse: “Está bem, vou pagar”, meti a mão lá na aduana.
Dm
Mas ao invés de grana puxei da minha navalha.
E7 A7
Tomei o meu chapéu de palha prá poder me desguiar

“Mas Chang, o que é que há?
Tá desconfiando do seu camarada?
Dm D7 Gm
Se eu me agarro com você derrubo todas prateleiras.
Dm
‘Time is money’ quer dizer Tempo é dinheiro,
E7 A7 Dm
o velho tempo é grana e eu estou na durindana.

Eu pago a conta prá semana. Agüenta aí”


(solo): F D7 Gm C7 F D7 Gm Bb Bdim F/C D7 Gm C7 F


A7 Dm
Dificilmente o malandro perde o controle.
D7 Gm
Eu disse: “Está bem, vou pagar”, meti a mão lá na aduana.
Dm
Mas ao invés de grana puxei da minha navalha.
E7 A7
Tomei o meu chapéu de palha prá poder me desguiar

E disse: “O Chang, o que é que há?
Eu conheço a tua terra, hein?
Dm D7 Gm
Se eu me agarro com você derrubo todas prateleiras.
Dm
‘Time is money’ quer dizer Tempo é dinheiro,
E7 A7 Dm
o velho tempo é grana e eu estou na durindana.

Eu pago a conta prá semana” - Neca.


Gm A7 D

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Cassino de malandro

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Moreira da Silva

De: Raul Marques - Tancredo Silva 

Tonalidade: F
Introdução: Bb Bdim F D7 Gm C7 F

F Bdim F
Lá no meu cassino, tipo mal acabado,
D7 Gm
desengonçado pela ventania
C7 Gm
Lá não cessa o vira-baixo noite e dia,
C7 F
dando trabalho à delegacia
Bdim F
Se o otário ganha, vai sair daquele jeito,
D7 Gm
Porque entre malandros isto é falta de respeito
Bb Bdim F
Tem peteleco, teco-teco, solinjada
D7 Gm C7 F
Quando a jungusta chega nunca houve nada

Aqui são todos camaradas
- Pode entrar, doutor. A casa é sua.
São estivadores, trabalhadores da borracha -
C7
Na ronda sou rei, vou lhe explicar porque falei,
F
Muito considerado, escutem só o meu babado…
D7
Mata, estripa, esfolha, e assim fico
Gm Adim Gm
Esperando o freguês, porque o otário não tem vez.
Bbm
Tenho um bom golpe, e no baralho
F D7
Conheço todos os cortes. Não admito
Gm C7
Que algum Vargulino vá lá no meu cassino
F
Soltar o fricote - Eu pulo logo no cangote
C7
Tenho bons parceiros, sempre cheios de dinheiro
F
No meu famoso cassino, lá também dá bom grã-fino.
D7
Promovo a bebida, e no final da partida
Gm F#dim Gm
O otário é quem perdeu, e quem ganhou tudo fui eu.
Bbm F
Tenho licença, faço e desfaço tudo com inteligência.
D7 Gm
Tenho um criado, que fica a noite inteira
C7 F
no alto da pedreira fazendo o sinal:


“Fiiiii - Corre pessoal! E vem a turma da Central!”

Que quando chega baixa o pau.


Bb Bdim F D7 Gm C7 F

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Bamba de Caxias

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Moreira da Silva
De: Moreira da Silva e Ribeiro Cunha

Tonalidade: Eb
Introdução: Eb7 Ab Bb7 Eb Eb7 Ab Bb7 Eb


Fm Bb7
Sou nordestino, um homem fino,
Eb
com diploma de doutor –
Sou deputado, sim senhor.
Eb Eb7
Palavra inflamada, orgulho da bancada,
Ab
da qual sou grande valor –
E também grande orador.
Ab Adim
Fico enfezado, quando alguém em mal estado,
Eb
vem a mim prá revelar:

- “Doutor Tenório, o seu comissa quer me arrebentar,
Será que o doutor não vai providenciar…”
Fm
Que me queimo de estalo,
Bb7 Eb
e lá da tribuna solto o meu vocabulário:

- Senhor Presidente, protesto contra certa autoridade,
Que anda dando em homem de idade,
em pleno coração da cidade.
G Cm7
Arranjo emprego prá quem está desempregado.
Bb7 Eb
Arranjo água prá quem tem cano furado.
D7 Gm
Sou pistolão e amigão de qualquer um,
D7 Gm
Mesmo de quem tem dinheiro, mesmo de quem vive a vida
Bb Bb7 Eb
Sem nenhum. Eu sou protetor de quem é fraco e oprimido.
G Cm7 C7
Eu nunca fui fingido como alguns colegas meus.

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Que bate fundo é esse?

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Que bate fundo é esse? (samba, 1940) - Bide e Marçal
Jorge Veiga

Intro: D7 G D7 G D7 G D7 G C Cm G Em Am D7  G

D7 D7/9/E D7/F#
Que bate-fundo é esse escute aqui
D7/9/E G
Que você vive a fazer
Mas isto assim não pode ser
D7
Vejo-lhe sempre zangada, mal-humorada
G7
Maldizendo o que vê


Chego em casa cansado
G7/B
E não posso dormir
C Cm
Com o falatório seu
G
E todo dia um lê-lê-lê
D7
E não me explica por que
G
Que bate-fundo, meu Deus

(Que bate-fundo é este, que bate-fundo é este)


D7
Que bate-fundo é esse escute aqui (...)


B7
Eu não posso mais suportar essa vida,
Em
isso não é viver

A vida assim não dá prazer
E7 Am
Procurei o céu e foi no inferno que fui me meter

Mas isto assim não pode ser
Em
Você se lamenta e vem todo dia com a mesma manha
C
Diz que não tem sorte
B7 Em Em7M Em7
e que a desgraça é que lhe acompanha

D7
Que bate-fundo é esse daqui (...)

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Bahia, oi!... Bahia

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Bahia, oi!... Bahia (samba-canção, 1939) - Vicente Paiva e Augusto Mesquita
Anjos do Inferno

Bahia, oi!... Bahia
Terra que Cristo criou
E o Senhor do Bonfim adotou
Baiano nasceu encantado
E aproveitou o ditado
"plantando dá" e plantou

Depois de ouvir um samba
Que lá da Bahia vem
Na voz da baiana bamba
Que ginga como ninguém
E saber que a Bahia
Tem os encantos que tem
Quem é que não gostaria
De ser baiano também?

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Anjos do Inferno

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Anjos do Inferno - Conjunto vocal e instrumental organizado no Rio de Janrio/RJ em dezembro de 1934, teve sua fase de maior popularidade, como sexteto, na primeira década de 1940. Liderado pelo carioca Oto Alves Borges (Rio de Janeiro 1913—), que atuava como crooner, incluía inicialmente os violonista Moacir Bittencourt e Filipe Brasil, os irmãos Antonio Barbosa (pandeiro) e José Barbosa (violão tenor), além de Milton Campos, um dos primeiros instrumentistas brasileiros a utilizar o pistom nasal (imitação do som de pistom comprimindo as fossas nasais).
O grupo, cujo nome foi escolhido numa alusão a orquestra de estúdio Diabos do Céu, de grande renome na época, sob a direção de Pixinguinha, estreou profissionalmente nas rádios Cajuti e Cruzeiro do Sul, gravando pela primeira vez, na Columbia, o disco Morena complicada (Kid Pepe) e Amei demais (Kid Pepe e Siqueira Filho), sem no entanto alcançar repercussão.
Em 1936 Oto Borges desligou-se do grupo para retomar suas atividades de funcionário público, sendo substituído pelo cantor Léo Vilar. Recém-chegado de uma excursão pelos EUA, como integrante da orquestra de Jonas Silva, o carioca Léo Vilar cujo verdadeiro nome era Antônio Fuína (1914—1969) — assumiu a liderança do conjunto, que ainda em 1936 passou a apresentar-se no Cassino Icaraí e na Rádio Mayrink Veiga, gravando na Columbia Maria foi à fonte (Kid Pepe).
Em 1938 Milton Campos e os irmãos Barbosa foram substituídos por Alberto Paz (Rio de Janeiro 1920—) (pandeiro), Aluísio Ferreira (morto no Rio de Janeiro em 1980) (violão tenor) e Harry Vasco de Almeida (pistom nasal). Com essa formação estreou na Rádio Tupi e exibiu-se no Cassino da Urca, alcançando seu primeiro grande êxito com o lançamento do samba-canção Bahia, oi!... Bahia (Vicente Paiva e Augusto Mesquita), gravado na Columbia em dezembro de 1939, para o carnaval do ano seguinte.
Como artistas exclusivos dessa gravadora lançaram, em 1940 e 1941, diversos discos de grande sucesso, entre os quais os sambas Helena, Helena (Secundino e Antônio Almeida), Que bate fundo é esse? (Bide e Armando Marçal), Brasil pandeiro (Assis Valente), Você já foi à Bahia?, Requebre que eu dou um doce (ambos de Dorival Caymmi) e a batucada Nega do cabelo duro (Rubens Soares e David Nasser).
Em 1942, com a saída de Alberto Paz, Moacir Bittencourt e Filipe Brasil, entraram para o conjunto Hélio Verri (pandeiro), Roberto Medeiros, conhecido como Paciência (violão), e Walter Pinheiro (violão). No mesmo ano Renato Batista, irmão da cantora Marília Batista, substituiu durante alguns meses o violonista Walter Pinheiro.
Em 1944 participaram do filme Abacaxi azul, de J. Rui. No mesmo ano transferiram-se par a Victor, e entre os maiores êxitos gravados nesse selo estao o samba Bolinha de papel (Geraldo Pereira) e a marcha O cordão dos puxa-sacos (Eratóstenes Frazão e Roberto Martins).
Em 1946, com o pandeirista Russinho (Jose Ferreira Soares) substituindo Hélio Verri, o conjunto excursionou pela Argentina e de lá seguiu para o México, em cuja capital permaneceu de 1947 a 1951, atuando em shows e clubes noturnos e participando de onze filmes mexicanos, oito dos quais ao lado de Ninon Sevilla, grande estrela da época. Durante esse período, em 1948, Aluísio Ferreira, Walter Pinheiro, Harry Vasco de Almeida e Russinho transferiram-se para os EUA, passando a integrar o conjunto Bando da Lua. Para substituí-los, Léo Vilar convidou os ex-integrantes do conjunto Os Namorados, o violonista Nanai (Arnaldo Humberto de Medeiros, Rio de Janeiro 1923-São Paulo SP 1990), o violão-tenor Chicão (Francisco Guimarães Coimbra), que também tocava tanta e participava do grupo Quitandinha Serenaders, e o pandeirista e cantor Miltinho, que mais tarde faria carreira individual como intérprete. Com esses novos elementos, o conjunto viajou pelos E.U.A., apresentando-se em Los Angeles ao lado de Carmen Miranda, e durante dois anos manteve na cidade do México um programa radiofônico intitulado Coisas e Aspectos do Brasil.
Em 1951, depois de uma tournée pelo Chile e Argentina, retornaram ao Brasil, contratados pela Rádio Jornal do Comércio, de Recife/PE. Nos dois anos seguintes atuaram no Rio de Janeiro e em São Paulo SP, apresentando-se nas rádios Tupi, Excelsior e Nacional, e realizando temporadas nas boates Monte Carlo e Óasis.
Desfeito o grupo em 1953, por problemas financeiros, o conjunto reapareceria em 1959 novamente liderado por Léo Vilar — que atuava como crooner e ritmista e mais o violonista Gaúcho, o pandeirista Miguel Ângelo, e o ritmista Paulo César no tantã. Durante seis meses apresentaram-se como atração da revista De Cabral a JK, de Max Nunes, J. Maia e José Mauro, encenada no Teatro João Caetano, no Rio de Janeiro.
Finalmente, em 1967, os membros antigos do sexteto de Léo Vilar, Walter Pinheiro, Aluísio Ferreira, Roberto Medeiros, Harry Vasco de Almeida e Russinho reuniram se para tocar as segundas-feiras no Arena Clube de Arte, no Rio de Janeiro, realizando uma série de shows em que relembravam os velhos tempos, contando a história de seu conjunto e de outros de sua época.
Apesar das numerosas alterações em toda a sua longa existência de aproximadamente 30 anos de atividades no Brasil e no exterior, constituíram-se num dos conjuntos vocais mais facilmente identificáveis, em parte pela utilização do pistom nasal. CD: Samba da minha terra (c/Bando da Lua, Grupo X Quatro Ases e Um Curinga), 1991, Revivendo CD-019

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Alzirinha Camargo

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Alzirinha Camargo (Alzira Camargo), cantora. São Paulo/SP 10/12/1915-. Nascida no bairro do Brás, iniciou-se como amadora na Rádio Record. Em seguida, foi contratada pela Rádio Cruzeiro do Sul, e mais tarde atuou na Rádio Difusora.
Em fins de 1935, foi levada por Sílvia Autuori, conhecida por Tia Chiquinha, para a Rádio Tupi, do Rio de Janeiro RJ, onde começou a fazer sucesso. No ano seguinte, gravou seu primeiro disco, um 78 rpm, na Victor, que incluía a marcha Cinqüenta por cento (Lamartine Babo) e o samba Você vai se arrepender (Kid Pepe, Germano Augusto e Alberto Fadel). Nessa mesma época, foi descoberta por Alberto Quatrini Bianchi, que a convidou para cantar em sua cadeia de cassinos, espalhados por todo o país.
Ainda em 1936 trabalhou no filme Alô, alô, Carnaval, de Ademar Gonzaga. Também nesse ano ocorreu seu desentendimento com Carmen Miranda: imediatamente após a gravação de Querido Adão (Benedito Lacerda e Osvaldo Santiago), Carmen foi para Buenos Aires, Argentina, sem ter tido tempo de lançar a música, que os autores então lhe ofereceram; e ela, que fazia o mesmo gênero de Carmen, tanto na roupa como no repertório, lançou-a com sucesso absoluto. A rivalidade entre as duas prolongou-se durante toda sua carreira.
Em 1937 atuou no filme O grito da mocidade, de Raul Roulien. Em 1938 apresentou-se, com o conjunto de Benedito Lacerda, em temporada na Rádio El Mundo, de Buenos Aires. De volta ao Brasil, Benedito Lacerda compôs para ela a marcha Meu Buenos Aires querido e o samba Ritmo do coração (com Herivelto Martins), ambos gravados na Odeon.
Em fins de 1939, apresentou-se no Cassino Atlântico com a orquestra norte-americana, regida pelo peruano Ciro Rimac, que em julho de 1940 embarcou no vapor Uruguai, levando-a para cumprir um contrato de seis meses. Ficou nos E.U.A. até 1949, e nos três anos seguintes, percorreu a Espanha e Portugal, apresentando-se no Cassino Estoril.
Em novembro de 1953 regressou ao Brasil, sendo contratada pela Rádio Nacional para fazer o programa Gente que Brilha, de Paulo Roberto. Em seguida atuou esporadicamente em televisão e rádio, no Rio de Janeiro e em São Paulo, tendo também gravado na Polydor.

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Valsa do assobio

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Alvarenga e Ranchinho

Nós vai agora cantar
Pedimos pra quem não gostar
Não liga não, faz assim

Se você ta pra beijar
E o pai da moça chegar
Não liga não, faz assim

Se tarde em casa chegar
E a mulher quiser brigar
Não liga não, faz assim

O senhor eu vem cobra
Você não tem pra pagar
Não liga não, faz assim

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Moda das línguas

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Alvarenga e Ranchinho

É verdade matemática
Que ninguém pode negar
Que essa história de gramática
Só serve é pra atrapaiar
Ainda vem língua estrangeira
Pra ajudar a compricar
É mior nóis cabar com isso
Pra nós todos poder falar

Na Inglaterra eu vi dizer
Que um pé de sapato é chu
Sendo assim logo se vê
Dois pés tem que ser chuchu
Chuchu pra nóis é legume
No duro, não é boato
Os ingreis que lá se arrume
Mas nóis num come sapato

Na América corpo é bode
Veja que bode vai dar
Encontrei uma americana
Louca pro bode entregar
Fiquei meio atrapaiado
E disse pra me safar
Óia dona, eu não sou cabra
Sai com esse bode pra lá

Em Chile, cueca é dança
Pra se cantar e bailar
Lá se toca e baila cueca
Asta la fiesta acabar
Mas se acaso algum chileno
Vier pro Brasil dançar
Que tente mostrar a cueca
Pra ver ondé que vai parar

Na Itália eu vi dizer
E não sei por que razão
Que manteiga lá é burro
Se passa burro no pão
Desse jeito pra mim chega
Viva nóis lá do sertão
Onde manteiga é manteiga
Nós não come burro, não

Uma gravata esquisita
Um certo franceis me deu
Perguntei onde botar
Ele então me arrespondeu
Mas num gostei da resposta
Isso é que não faço eu
Seu franceis mal educado
Ponha a gravata no seu

Na Argentina ouvi dizer
Que saco é paletó
Lá se o gringo toma chuva
Tem que pôr o saco no sor
E se acaso o dito encóie
A muié lhe diz a pior
Tu saco está mui tiquito
Vá arranjar um saco maior

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Horóscopo

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Alvarenga e Ranchinho

Quem ainda não casou
Não se case em janeiro
Que a desgraça desse mês
Se arrepete o ano inteiro
Não se case em fevereiro
Fevereiro é mês faiado
Quem se casa nesse mês
Os fios nascem pelados

Não se case no mês de março
Nem que seja por decreto
Criança do mês de março
Nasce tudo analfabeto
Não se case no mês de abril
Nem que seja pra ter gozo
Quem se casa nesse mês
Nasce os fios mentiroso

Cuidado com o mês de maio
Não se case nem a muque
Criança do mês de maio
Já vem dançando botuque
Criança do mês de junho
Nasce tudo com mau cheiro
Já nasce soltando bomba
Desde o berço é fogueiro

Não se case no mês de julho
Esse mês é perigoso
Criança do mês de julho
Nasce tudo revoltoso
Agosto mês do desgosto
Principalmente para quem ama
Quem nasce no mês de agosto
Faz pipi na cama

Quem casa em setembro
Precisa ter muita sorte
Que as crianças mal dá as caras
Querem independência ou morte
Em outubro seu Colombo
Descobriu um mundo novo
Quem nasce no mês de outubro
Acaba botando ovo

Em novembro seu Deodoro
Provou que tinha tutano
As crianças de novembro
Já nasce republicano
Quem chegou inté dezembro
Vivendo sempre solteiro
Não vai estragar no fim
a sorte de um ano inteiro

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Êh São Paulo

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Alvarenga e Ranchinho

Êh, São Paulo
Êh São Paulo
São Paulo da garoa
São Paulo que terra boa

São Paulo da noite fria
Ao cair da madrugada
As campinas verdejantes
Coberta pela geada

São Paulo do céu anil
Da noite enluarada
Da linda manhã de sol
No raiar da madrugada

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Alvarenga e Ranchinho

Cumpadre como é que ta tu
Cumpadre como é que tu ta
Não tão bem quanto vancê
Mas vo indo devagar

To com tudo, to com tudo
Eu sou mesmo felizardo
To com tudo meu cumpadre
To com tudo empenhado

Cumpadre como é que ta tu
Cumpadre como é que tu ta
Não tão bem quanto vancê
Mas vo indo devagar

Casamento e loteria
Vou dizer, sou muito franco
Me casei, fui conferir
O bilhete tava branco

Cumpadre como é que ta tu
Cumpadre como é que tu ta
Não tão bem quanto vancê
Mas vo indo devagar

Roubaram minha muié
Só pra me fazer sofrer
Eu procuro o ladrão
Quero lhe agradecer

Cumpadre como é que ta tu
Cumpadre como é que tu ta
Não tão bem quanto vancê
Mas vo indo devagar

Minha casa pegou fogo
Ardeu tudo de repente
Minha sogra tava dentro
Veja como to contente

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Casa de páia

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Alvarenga e Ranchinho

Ó que saudade que eu tenho,
Que doce recordação
Da minha casa de páia
Que eu deixei lá no sertão

Neste tempo eu fui amado
Por um anjo divinar
Minha casinha de páia
Era meu doce idear.

Parecia uma frô de taipa,

sonhando no matagar
Parecia uma frô de taipa,
sonhando no matagar

Ó que saudade que eu tenho,
Que doce recordação
Da minha casa de páia
Que eu deixei lá no sertão

Na casinha pequenina
Não houve nunca lamento
Suportou a chuva forte,
Suportou os pé de vento.

Era pequenina por fora mas muito
maior por dentro
Era pequenina por fora

mas muito maior por dentro

Ó que saudade que eu tenho,
Que doce recordação
Da minha casa de páia
Que eu deixei lá no sertão

Lá dentro dessa casinha
Viveu meu amor profundo
Lá viveu a minha bela,
Fia do Chico Raimundo

A casa menor da terra, o amor maior do mundo
A casa menor da terra o amor maior do mundo

Ó que saudade que eu tenho,
Que doce recordação
Da minha casa de páia
Que eu deixei lá no sertão

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Calango

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Alvarenga e Ranchinho

É do calango
É do calango do joá

Aprendi a cantar calango
Numa noite de Natá
Bebendo café com leite
E bolinho de fubá

É do calango
É do calango do joá

Bebi leite de cem vacas
Na porteira do curral
Não bebi de 120
Porque não quiseram dar

É do calango
É do calango do joá

Que eu andei 50 léguas
No lombo de uma preá
Mandioca no tipiti
Dá farinha e dá jubá

É do calango
É do calango do joá

Esta moda do calango
Vou cantando sem parar
Canto a moda do calango
Até o canto melhorar

É do calango
É do calango do joá

Menina de 11 anos
Chora pra me acompanhar
Quem não tem peneira fina
Não pode coar fubá

É do calango
É do calango do joá

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Aquela flor

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Alvarenga e Ranchinho

Aquela flor que você me deu
Eu guardo ainda no peito meu
Aquela flor conserva ainda
O perfume que é todo seu

Sinto me feliz ao relembrar
Quanto amei e fui amado
Hoje guardo essa flor
O que resta do nosso amor

Aquela flor
Me faz chorar
Me faz lembrar
O nosso encontro
Ao luar
Nas linda noites
De verão

Daquele beijo de final
Sem igual
Que eu roubei
Dos lábios teus
Prendeu meu coração

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Adeus Mariazinha

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Alvarenga e Ranchinho

Adeus Mariazinha
Eu vou me embora
Pois chegou a hora
De cumprir obrigação
Defender nosso torrão

O Brasil esta chamando
Sou brasileiro já vou chegando
O Brasil esta chamando
Sou brasileiro já vou chegando

Ai o meu Brasil
Este Brasil
Que eu quero tanto bem
Que no passado
Brigou um bocado
E nunca perdeu pra ninguém

Mariazinha, meu botão de rosa
Minha flor mimosa
Meu maracujá
Não fique
triste, oh Mariazinha
Que um dia eu volto
Para te buscar

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Gabriela

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Alvarenga e Ranchinho

Eu conheci Gabriela
Na festa da casa do seu Serafim
Quando eu olhei pra ela
Ela olhava pra mim
Moço fiquei vermelho
E ela mais crenca do que um jasmim
E eu olhava pra ela
Torci a gravata sorrindo assim

Depois eu vi Gabriela
Comprando na feira lá de Bom Jardim
Eu fui chegando pra ela
E fui dizendo assim
Minha flor Gabriela
Eu gosto de tu e tu gosta de mim
Ela baixou a cabeça
Com um dedo na boca sorrindo assim

Eu casei com Gabriela
E a festa foi paga por seu Serafim
Eu dei um beijoi pra ela
Ela deu beijo pra mim
Quando já era bem tarde
Que a festa já tava até dando fim
Os convidado passava
Olhando pra gente sorrindo assim

Eu garrei com Gabriela
Rumamo pra casa sozinho em fim
Quando pegamo no sono
O galo cantou assim
Quando acordei Gabriela
Já tava acordada olhando pra mim
E eu olhando pra ela
Os dois bem vermelho sorrimo assim

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Drama da Angélica

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Alvarenga e Ranchinho

Drama da Angélica (toada, 1943) - Alvarenga e M. G. Barretoclique para ouvir amostra da música

Ouve meu cântico / Quase sem ritmo
E a voz de um tísico / Magro e esquelético
Poesia ética / Em forma esdrúxula
Feita sem métrica / Com rima rápida.

Amei Angélica / Mulher anêmica
De cores pálidas / E gestos tímidos
Era maligna / E tinha ímpetos
De fazer cócegas / No meu esôfago.

Em noite frígida / Fomos ao lírico
Ouvir o músico / Pianista célebre
Soprava o zéfiro / Ventinho úmido
E então Angélica / Ficou asmática.

Fomos ao médico / De muita clínica
Com muita prática / E preço módico
Depois do inquérito / Descobre o clínico
Um mal atávico / Mal sifilítico.

Mandou-me célere / Comprar noz-vômica
E ácido cítrico / Para o seu fígado
E o farmacêutico / Mocinho estúpido
Errou na fórmula / Fez de propósito.

Não teve escrúpulo / Deu-me sem rótulo
Ácido fênico / E ácido prússico
Corri mui lépido / Mais de um quilômetro
Num bonde elétrico / De força múltipla.

O dia cálido / Deixou-me tépido
Achei Angélica / Já toda trêmula
A terapêutica / Dose alopática
Lhe dei em xícaras / De ferro ágape.

Tomou num fôlego / Triste e bucólica
Essa estrambólica / Droga fatídica
Caiu no esôfago / Deixou-a lívida
Dando-lhe cólica / E morte trágica.

O pai de Angélica / Chefe do tráfego
Homem carnívoro / Ficou perplexo
Por ser estrábico / Usava óculos
Um vidro côncavo / E outro convexo.

Morreu Angélica / De um modo lúgubre
Moléstia crônica / Levou-a ao túmulo
Foi feita autópsia / E todos os médicos
Foram unânimes / No diagnóstico.

Fiz um sarcófago / Assaz artístico
Todo de mármore / Na cor do ébano
E sobre o túmulo / Uma estatística
Coisa metódica / Como os Lusíadas.

E numa lápide / Paralelepípedo
Pus este dístico / Terno e simbólico
Cá jaz Angélica / Moça hiperbólica
Beleza helênica / Morreu de cólica !....

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Alvarenga e Ranchinho

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Alvarenga e Ranchinho

Alvarenga e Ranchinho - Dupla sertaneja formada em 1929 por Murilo Alvarenga (Itaúna/MG 22.05.1912 - 18.01.1978) e Diésis dos Anjos Gaia, o Ranchinho (Jacareí/SP 23.05.1913 - 05.07.1991). Através do tio, que era empresário de circo, Alvarenga começou a trabalhar aos 11 anos como trapezista e malabarista, passando depois a se apresentar como cantor de tangos. Conheceu Ranchinho numa serenata em Santos/SP, em 1928. Resolveram, então, cantar juntos em circo, interpretando, desde o início, o gênero caipira, que os caracterizou e que era uma novidade na época.
Apresentaram-se em São Paulo/SP, em 1933, com a Companhia Bataclã e, no ano seguinte, foram convidados por Breno Rossi, maestro da orquestra da Rádio São Paulo, para cantar nessa emissora. Ainda em 1934, forma com Silvino Neto o trio Os Mosqueteiros da Garoa, que, apesar do sucesso obtido, durou pouco.
Formada novamente, a dupla começou a se destacar em 1935, com a marcha Sai, feia (Alvarenga), que venceu o concurso de músicas carnavalescas de São Paulo. Ainda em 1935, a convite do Capitão Furtado, compositor sertanejo, trabalhou no filme Fazendo fita, de Vittorio Capellaro, em São Paulo, e, em 1936, foi para o Rio de Janeiro/RJ, para uma temporada na Casa de Caboclo, de Duque. Embora já tivesse certo nome em São Paulo, a dupla teve que recomeçar praticamente a carreira no Rio de Janeiro, iniciando por se apresentar na Hora do Guri, programa vespertino da Rádio Tupi, passando para a programação noturna só depois de obter sucesso.
A boa aceitação conseguida através do rádio fez que conseguisse gravar o primeiro disco, pela Odeon, ainda em 1936, a moda-de-viola Itália e Abissínia (parceria com Capitão Furtado) e o cateretê Liga das Nações (de sua autoria). Em novembro de 1936, apresentou-se no teatro Smart, em Buenos Aires, Argentina, e, no ano seguinte, passou a fazer parte do elenco do Cassino da Urca, onde trabalhou até o seu fechamento, dez anos depois. Foi lá que a dupla começou a fazer sátiras políticas, que se tornaram um dos seus pontos fortes e, em 1938 lançou a marcha Seu condutor (em parceria com Herivelto Martins), que constituiu o maior sucesso carnavalesco da dupla.
Nesse mesmo ano, Ranchinho afastou-se pela primeira vez de seu companheiro, e Alvarenga, então, gravou, pela Odeon, em dupla com Bentinho (da dupla Xerém e Bentinho) e com o grupo chamado Alvarenga e Sua Gente. Essa separação temporária de Ranchinho voltaria a ocorrer outras vezes nos 27 anos seguintes e nessas ocasiões seria substituído por outros, como Bentinho ou Delmare de Abreu.
Em 1939, Ranchinho voltou à dupla e novas gravações foram feitas pela Odeon, inclusive algumas gravações com o Capitão Furtado. Até então, a dupla vinha tendo muitos problemas com a censura oficial, por suas sátiras políticas, mas em 1939 a questão foi resolvida da seguinte maneira: Alzira Vargas, filha do presidente Getúlio Vargas, convidou a dupla para tocar no Palácio das Laranjeiras para seu pai; Getúlio, depois de ouvir todas as músicas, inclusive algumas que se referiam a ele, deu ordens para que as composições da dupla fossem liberadas em todos o território nacional. Ainda em 1939, excursionou pelo Rio Grande do Sul e passou a se apresentar na Rádio Mayrink Veiga, ganhando o slogan de Os Milionários do Riso.
Lançou, em 1940, a valsa Romance de uma caveira (com Chiquinho Sales), em disco Odeon, que se tornou um dos maiores sucessos de seu repertório, e, três anos depois gravou Drama da Angélica (Alvarenga e M. G. Barreto), cujo gênero foi definido no selo do disco como "canto tétrico".
Com o fechamento dos cassinos, em 1946, Alvarenga abriu uma boate no Posto Seis, em Copacabana, mantendo-a durante dois anos. A dupla apresentou-se, em 1950, durante um mês, no Cassino Estoril, em Lisboa, Portugal, e, em 1952, lançou com destaque a marcha de sua autoria Cordão japonês.
Em toda sua carreira, o duo participou de mais de 30 filmes, incluindo Carnaval em lá maior, de 1955, dirigido por Ademar Gonzaga. Com seu repertório de sátiras política, participou também de campanhas eleitorais, como as de Ademar de Barros, Juscelino Kubitschek, e Lucas Nogueira Garcez. Ficaram célebres ainda suas paródias de músicas de sucesso, como as que foram feitas sobre o tango Adíos muchachos (Julio C. Sanders e César Vedani), Nervos de Aço (Lupicínio Rodrigues) e de Disparada (Geraldo Vandré e Teo de Barros).
Em 1959, a dupla deixou o rádio, para trabalhar apenas na televisão, e, em 1965, Diésis foi substituído por Homero de Sousa Campos, que passou a ser o Ranchinho efetivo. Nos anos 70 apresentaram-se principalmente em cidades do interior do país. Em 1997 a BMG lançou Os Milionários do Riso, reedição de um LP ao vivo gravado em 1973.
Algumas músicas:
Fonte: - Enciclopédia da música brasileira: erudita, folclórica e popular. São Paulo, Art Editora

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Canção de amor cubano

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Alda Verona

Canção de amor cubano (valsa, 1932) - Fields, McHugh e Sothart
(versão de Ari Kerner)

Querida, só quero o teu amor,
E o mágico esplendor,
Do teu olhar,
Querida,
Teu sorriso encantador,
Me fez um sonhador,
Por te amar.

Feliz,
É quem pode enfim,
Amar assim, ao luar,
Sobre as vagas a cantar, no mar,
Querida,
Teu sorriso encantador,
Me fez um sonhador,
Por te amar !

Querida, só quero o teu amor,
E o mágico esplendor,
Do teu olhar,
Querida,
Teu sorriso encantador,
Me fez um sonhador,
Por te amar.


Feliz,
É quem pode enfim,
Amar assim, ao luar,
Sobre as vagas a cantar, no mar,
Querida,
Teu sorriso encantador,
Me fez um sonhador,
Por te amar !...

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Alda Verona

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Alda Verona (Celeste Coelho Brandão), cantora e radiatriz, nasceu no Rio de Janeiro/RJ em 10/10/1898, e faleceu na mesma cidade em ?/1989. Nasceu no bairro da Tijuca e foi educada nos melhores colégios. Destacava-se nas festas escolares e mostrava grande desejo de ser artista, tendo estudado canto com Eloísa Mastrangioli e outros professores.
Em 1925 sua família mudou-se para Recife, onde teve a oportunidade de cantar pela primeira vez uma opereta, Berenice, de Nelson Paixão e Valdemar de Oliveira. Na volta ao Rio de Janeiro, começou a se apresentar na Rádio Sociedade, cantando músicas de câmara, sua especialidade.
Em agosto de 1929, foi lançado seu primeiro disco pela Parlophon, com as valsas Melodia do amor (Nelson Ferreira) e Veneno louro (Nelson Ferreira e Osvaldo Santiago), junto de outro disco pela Odeon, com as canções Caboca cherosa (Valdemar de Oliveira e Raimundo Brito) e Maracatu (Valdemar de Oliveira e Ascenso Ferreira), estas da opereta citada. Até o ano seguinte gravou outros discos, adquirindo prestígio com sua belíssima voz de soprano e dicção perfeita.
Voltou a gravar na Victor em 1932, na qual permaneceu até 1934. No primeiro disco registrou a versão de um sucesso internacional, a valsa Canção de amor cubano (Fields, McHugh, Sothart, versão de Ari Kerner), que se tornou sua interpretação mais famosa.
Em 1933 gravou em dueto com César Pereira Braga Canção do abandono (Joubert de Carvalho e Olegário Mariano) e encerrou a carreira discográfica com as canções Diga-me uma vez (Gentner e Sivan) e Tão fácil a felicidade (Valdemar de Oliveira). Gravou um total de 21 discos com 40 músicas.
Tendo certo dia faltado no Programa Casé uma radioatriz, foi chamada para substituí-la, daí por diante acumulando as funções de cantora e radioatriz. Atuou como intérprete nos filmes Cisne branco, de Luís de Barros, em 1940, e O dia é nosso, de Milton Rodrigues, em 1941. Em 1942, a Rádio Nacional contratou-a para seu radioteatro, aí permanecendo por exatos 30 anos, tanto representando papéis dramáticos como humorísticos.

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Alcides Gerardi

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Alcides Gerardi (João Alcides Gerardi) nasceu no Rio Grande/RS em 15.05.1918. Cantor e compositor, ainda criança mudou de Porto Alegre/RS para o Rio de Janeiro/RJ, onde terminou o curso primário e começou a trabalhar com o pai. Continuou seus estudos, trabalhando ao mesmo tempo no comércio até 1935, quando começou a carreira de cantor, como crooner numa orquestra de dancing. Na mesma época tentou o rádio, candidatando-se como calouro num programa da Rádio Nacional, do Rio de Janeiro, mas não conseguiu ser contratado.
Em 1939 atuou no conjunto Namorados ao Luar como vocalista, época em que sua voz começou a se destacar. Nesse ano gravou, em edição particular, o samba de Nelson Cavaquinho Não faça vontade a ela. Em 1941 foi convidado a formar o conjunto Os Três Marrecos, com Marília Batista e seu irmão Henrique, de curta carreira.
Três anos depois, como crooner da orquestra de danças de Simon Bountman, foi convidado para trabalhar na Rádio Transmissora, pelo seu diretor Arnaldo Sampaio. Com a música Lourdes (George Brass e Mário Rossi), gravou comercialmente pela primeira vez, em 1946, na Odeon. Três anos depois foi para a Rádio Tupi, onde ficou até 1953, quando se transferiu para a Rádio Nacional.
Em 1955 foi contratado pela Organização Victor Costa (depois extinta), tendo três anos mais tarde lançado sua primeira composição, Filha do coronel (com Irani de Oliveira), interpretada por ele mesmo, CBS. É letrista e em outras composições teve como parceiros principais Ernâni Campos, Othon Russo, Antônio Soares, Lázaro Martins e Nilo Barbosa.
Seus maiores sucessos como cantor foram as gravações de Antonico (Ismael Silva), Baião de Copacabana (Haroldo Barbosa e Lúcio Alves), Castelo de areia (Geraldo Jacques, Isaías Freitas e Moreirinha), Brotinho maluco (Aníbal Cruz) e E eu sem Maria (Alcir Pires Vermelho e Dorival Caymmi), pela Odeon, e Tudo foi ilusão (Laert Santos e Arcilino Tavares), pela CBS. Alcides morreu em 01.03.1978 por complicações decorrentes de um acidente de carro, quando voltava de um show pela Via Dutra.
Fonte: Enciclopédia da música brasileira: erudita, folclórica e popular. São Paulo, Art Editora, 1977.

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A vigília da lâmpada

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Albenzio Perrone

A vigília da lâmpada (valsa, 1939) - Gastão Lamounier e Mário Castelar

Meu amor, eu confesso que não posso
Esquecer o romance que viveu
No alegre apartamento que era nosso
E agora vazio, é apenas meu

Sinto esmagar-me uma saudade estranha
Nesta noite de insônia e de tristeza
Em que fielmente apenas me acompanha
O abat-jour, que existe sobre a mesa

Há uma penumbra mítica de prece
A luz sobre o abt-jour, pouco ilumina
Meu abt-jour de seda ele parece
A saia de uma louca bailarina

A sombra do abt-jour, macia e doce
Recordo tristemente nosso amor
Vendo a lâmpada arder como se fosse
Meu coração ardendo em teu louvor.

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Albenzio Perrone

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Albenzio Perrone (Albenzio Gaspare Raffaele Perrone), cantor, nasceu em Marselha, França, em 1/9/1900, e faleceu no Rio de Janeiro RJ, em 7/7/1974. Filho de italianos, veio para o Brasil com seis anos. Desde muito jovem dedicou-se ao bel-canto, interpretando canções napolitanas, árias e operetas, tendo viajado com companhias por vários Estados do país. Fez parte do Orfeão Português.
Em 1927 começou no rádio, como cantor e locutor da Rádio Clube do Brasil. No ano seguinte, foi para a Rádio Educadora do Brasil, em que desempenhou durante muitos anos as mesmas e também outras funções, motivo pelo qual deixou o curso de medicina. Começou a gravar na Odeon em 1927. O primeiro disco trazia os tangos Paraguaita (Marcelo Tupinambá) e Pecado (Joubert de Carvalho).
Em 1929 foi para a Victor que se iniciava, gravando primeiramente o choro Meu bem (Rogério Guimarães). Em 1930 gravou a canção Rancho abandonado (Pixinguinha e Índio). Seu maior sucesso foi a valsa Se esses olhos falassem (Gastão Lamounier e Mário Rossi), em 1938. Deste mesmo ano também e a valsa Apoteose de estrelas (dos mesmos autores da anterior), muito apreciada. Em 1939 igualmente foi sucesso a valsa A vigília da lâmpada(Gastão Lamounier e Mário Castelar), após o que sua carreira retraiu-se.
Na década de 1940, lançou apenas dois discos; na de 1950 voltou para o rádio e gravou três discos na Odeon e um no selo Serenata. De 1929 a 1955 deixou 21 discos de 78 rpm com 40 músicas. Por fim, gravou pela Itamarati um LP chamado Revendo o passado, com sucessos antigos. Foi um cantor essencialmente de valsas, canções e tangos-canções, tendo recebido do locutor e amigo Saint-Clair Lopes o slogan de “A Voz Cariciosa e Bonita”.
CDs : Músicas brasileíras vol. 4, 1995, Revivendo RVCD 088; No tempo da seresta vol. 2, 1995, Revivendo RVCD 095; Valsas brasi/eiras vo/. 2, 1995, Revivendo RVCD 094

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Isaura Garcia

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Isaura Garcia, cantora, nasceu em São Paulo-SP em 26/2/1919 e faleceu em 30/7/1993. Nasceu na rua da Alegria, no Brás. No final de 1936, com a mãe (Amélia, irmã do pintor José Pancetti), inscreveu-se no programa de calouros A Hora da Peneira Rhodine, da Rádio Cultura, de São Paulo, mas nenhuma das duas chegou a se classificar.
Um ano depois, porém, obteve o primeiro lugar em concurso do programa de calouros Clube Quá-Quá Quarenta, apresentado por Otávio Gabus Mendes, na Rádio Record, de São Paulo, com o samba Camisa listrada (Assis Valente). O êxito deu-lhe oportunidade de participar de um programa especial que reunia calouros selecionados.
Em 1938 foi contratada pela Rádio Record, na qual permaneceu durante toda a carreira. No início, formou dupla com o cantor Vassourinha, tambem da Record, para shows e apresentações em circos. Em seu repertório, predominavam criações de Carmen Miranda e Araci de Almeida, duas cantoras que influenciaram seu estilo. Sua primeira gravação, um jingle para o saponáceo Radium, despertou atenção para seu estilo de Cantar.
Na Columbia, do Rio de Janeiro, gravou em 1941 o primeiro disco, com Chega de tanto amor (Mário Lago) e Pode ser (Geraldo Pereira e Marino Pinto). No mesmo ano, lançou outros discos com A baratinha (Antônio Almeida), Eu não sou pano de prato (Mano Lago e Roberto Martins), Aproveita beleléu (Marino Pinto e Murilo Caldas) e O telefone esta chamando (Benedito Lacerda e Popeye do Pandeiro).
Em 1942, na Victor, obteve os primeiros sucessos em disco, com Aperto de mão (Meira, Dino e Augusto Mesquita), Teleco-teco (Murilo Caldas e Marino Pinto) e Sorriso de Paulinho (Gastão Viana e Mário Rossi), lançados no ano seguinte. Ainda em 1943, gravou Duas mulheres e um homem (Ciro de Sousa e Jorge de Castro). Em 1945 lançou Barulho no morro (Roberto Martins) e, no ano seguinte, o samba de Aldo Cabral e Cícero Nunes Mensagem, que se tornaria um dos clássicos de seu repertório.
Em 1947 interpretou, com Os Namorados da Lua, o samba de Lúcio Alves e Haroldo Barbosa De conversa em conversa, outro grande êxito. Nessa época, tinha popularidade nacional e era uma das estrelas da Rádio Record. Costumava apresentar-se também no Copacabana Palace Hotel e no programa César de Alencar, da Rádio Nacional, do Rio de Janeiro, além de realizar excursões por outros Estados. Tambem grande era o êxito que alcançava com as gravações na Victor: a toada Marrequinha (Denis Brean e Raul Duarte), o choro Velho enferrujado (Gadé e Valfrido Silva) e o baião Pé de manacá (Hervé Cordovil e Marisa Pinto Coelho), cantado em dupla com Hervé, foram os sucessos de 1950.
Em 1953 foi eleita a primeira Rainha do Rádio Paulista. Continuou na Victor até 1956 e, nesse ano, transferiu-se para a Odeon, estreando com o samba Mocinho bonito, de Billy Blanco. No ano seguinte, gravou seu primeiro LP (10 polegadas), A personalíssima, com arranjos de Luís Arruda Pais; o título do LP aludia ao cognome que recebera de Blota Júnior, animador da Record. Entre outras faixas, estavam no LP Mocinho bonito (Billy Blanco), Deixa pra lá (Vinícius de Moraes), Contra senso (Antônio Bruno), Se Deus me desse (Alfredo Borba) e Contando estrelas (Alfredo Borba e Edson Borges).
Numa excursão a Recife PE, em meados da década de 1950, conheceu o organista Walter Wanderley, com quem se casou e gravou alguns LPs, entre eles Sempre personalíssima, com Feiúra não é nada (Billy Blanco) e E daí? (Miguel Gustavo); Saudade querida, que incluia Ninho do Nonô (Denis Brean) e Corcovado (Tom Jobim); A pedida é samba, com destaque para Palhaçada (Haroldo Barbosa e Luiz Reis) e Que é que eu faço (Ribamar e Dolores Duran); Sambas da madrugada, incluindo Ah! Se eu pudesse (Roberto Menescal e Ronaldo Bôscoli ); e Atualíssima, com Errinho à-toa (Ronaldo Bôscoli e Roberto Menescal), este de 1963.
Em 1969 gravou, na Continental, dois LPs: Martinho da Vila e Dolores Duran na voz de Isaura Garcia e Ary Barroso e Billy Blanco na voz de Isaura Garcia. Nesse ano participou do V FMPB, da TV Record, de São Paulo, defendendo a canção Primavera (Lupicínio Rodrigues e Hamilton Chaves). Em 1970 lançou Chico Buarque e Noel Rosa na voz de Isaura Garcia, e aposentou-se da Rádio Record.
Continuou a apresentar-se em shows na Igrejinha, na Casa de Badalação e no Tédio, em São Paulo. Em 1973 gravou para a Continental o LP Isaura Garcia, em que se destacavam as faixas Desmazelo (Antônio Carlos e Jocafi), De conversa em conversa e Mensagem, estas duas em sua terceira gravação. Sempre morou em São Paulo. CD: Mensagem — Isaura Garcia e Nelson Gonçalves, 1993, Revivendo CD-042.

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Aldacir Louro

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Aldacir Louro

Aldacir Louro (Aldacir Evangelista de Mendonça), compositor, cantor e instrumentista nasceu no Rio de Janeiro-RJ em 22/4/1926 e faleceu em15/6/1996. Nascido no bairro de Botafogo, viveu em diversos outros subúrbios cariocas, freqüentando desde criança as escolas de samba Unidos da Tijuca, Depois te Explico e Braço a Braço, onde tocava tamborim.

Bom intérprete de sambas, começou como apresentador de músicas, contratado por compositores para mostrar produções destes a cantores. Como essa atividade rendesse pouco, decidiu tentar a sorte como autor, lançando em 1946 o samba Onde vamos morar (com Antônio Valentim dos Santos), gravado por Zilá Fonseca. Na época, a música rendeu (cerca de 20 cruzeiros) bem mais do que conseguia como apresentador.

Embora não tivesse estudado música, iniciou assim uma carreira de compositor, cujo maior sucesso foi o samba Recordar (com Aluísio Marins e Adolfo Macedo), que, premiado em concurso carnavalesco de 1955, se tornou peça antológica e obrigatória em muitos Carnavais. Outros êxitos foram o samba Cabeça prateada (com Edgar Cavalcanti e Anício Bichara) e a marcha Trrim-Trrim (com Santos Garcia), ambos lançados no Carnaval de 1956.

Como cantor, atuou em rádio e televisão, apresentando-se na década de 1950 em vários programas das rádios Nacional e Mayrink Veiga, exibindo-se com ritmistas e passistas. Na TV Globo carioca apresentou-se com sua escola de samba. De 1960 a 1973 participou de programas da TV Tupi, do Rio de Janeiro: Bibi ao Vivo e Programa Flávio Cavalcanti, entre outros.

Obras: Cabeça prateada (c/Edgar Cavalcanti e Anício Bichara), samba, 1955, Garota sapeca (c/Fernando Martins), marcha, 1951; Onde vamos morar (c/Antônio Valentim dos Santos), samba, 1946; Recordar (Aluísio Marins e Adolfo Macedo), samba, 1954; Refúgio (c/Linda Rodrigues), bolero, 1959; Trrim-Trrim (c/Santos Garcia), marcha, 1955.

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João Petra de Barros

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João Petra de Barros, cantor, nasceu no Rio de Janeiro RJ em 23/6/1914, e faleceu em 11/1/1947. Estreou como cantor no início da década de 1930, participando do Programa Casé, na Rádio Philips. Logo tornou-se conhecido no rádio como “a voz de 18 quilates”, de timbre muito parecido com o de Francisco Alves.
Freqüentador das rodas de Noel Rosa, Luís Barbosa e Custódio Mesquita, alcançou grande sucesso no Carnaval de 1933 com a gravação, na Odeon, do samba Até amanhã (Noel Rosa), seu disco de estréia. Ao lado de Custódio Mesquita e Carmen Miranda, participou de várias apresentações no rádio e em teatros.
Foi um dos principais artistas do elenco da Rádio Globo. Deixou gravados 48 discos com 94 músicas. Entre suas gravações de maior sucesso estão o samba-canção Palacete de malandro (Custódio Mesquita), Victor, 1933; o fox Cantor de rádio (Custódio Mesquita e Paulo Roberto), Odeon, 1933; Caixa Econômica (Nássara e Orestes Barbosa), Victor, 1933; a marcha Chegou Papai Noel (Roberto Martins e Kid Pepe), Odeon, 1934; o samba Feitiço da Vila (Noel Rosa e Vadico), Odeon, 1934; a marcha Professora da saudade (André Filho e Orestes Barbosa), Odeon, para o Carnaval de 1935; o samba Foi no teu olhar (André Filho), Odeon, para o Carnaval de 1935; a canção Beijo mascarado (Gadé e Almanir Greco), Odeon, 1935; o fox O que o teu piano me revelou (Custódio Mesquita e Orestes Barbosa), Odeon, 1935; Em cima da hora (Russo do Pandeiro e Valfrido Silva), Victor, 1939; Última inspiração (Peterpan), Victor, 1940; Flor do lodo (Guilherme Pereira), Victor, 1940; o samba Santo Antônio amigo (Zé da Zilda, Marino Pinto e J. Cascata), Victor, para as festas juninas de 1941; o fox Mais um minuto apenas (Newton Teixeira e Mário Lago), Victor, 1942; a marcha Quem é o tal? (Ubirajara Nesdan e Afonso Teixeira), Victor, para o Carnaval de 1943.
Foi também o responsável pelo lançamento, em 1934, de Linda pequena (João de Barro e Noel Rosa), primeira versão da marcha Pastorinhas. Teve sua carreira interrompida por um acidente, do qual resultou a amputação de uma perna e seu falecimento prematuro.

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Januário de Oliveira

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Januário de Oliveira (Januário de Oliveira Chirico), cantor e humorista, nasceu no Rio de Janeiro RJ, em 24/3/1902, e faleceu em São Paulo SP, em 22/2/1963. Carioca do Catumbi, seu primeiro emprego foi como caixeiro. Depois alfaiate, fazia serestas e brilhava nas festas do Clube Ginástico Português antes de estrear na Rádio Sociedade.
Sinhô tirou-o da Rádio Clube do Brasil, em 1929, para um espetáculo no Teatro Municipal de São Paulo, promovido pelo Clube de Antropofagia em apoio a candidatura de Júlio Prestes à presidência. Gravou então em São Paulo seus primeiros discos na Columbia, com Chequerê, Nossa Senhora do Brasil (homenagem a Tarsila do Amaral), Minha branca e Como se gosta, todas de Sinhô, de quem gravaria 13 composições. Resolveu ficar em São Paulo e Sinhô conseguiu que cantasse na Radio Educadora Paulista (hoje Gazeta). Tornou-se um dos principais artistas da Columbia e gravou 80 músicas numa primeira fase.
Em 1930 fez sucesso com Dança de caboclo e Engenho novo, de Hekel Tavares, Cauã, valsa de Sinhô, e Quebra, quebra gabiroba, marcha carnavalesca de Plínio Brito. No final de 1931, foi para a modesta gravadora Arte-Fone e atuou na Rádio Record. César Ladeira apelidou-o então de A Voz de Veludo.
Em 1933 passou para a RCA Victor e, no ano seguinte, fez sucesso com a valsa Meu destino (José Maria de Abreu e Carlos Rego Barros de Sousa). Nesse ano, começou a cantar na nova Rádio Difusora, de São Paulo, e a atuar no Programa da Saudade, criado em 1935, que se constituiu no mais ouvido do rádio paulista. Em 1935 cantou e fez o papel de galã no filme Fazendo fita, de Vitorio Capelaro, e participou da inauguração da Radio Farroupilha, de Porto Alegre RS, com grande sucesso.
No Carnaval de 1936, em dueto com Arnaldo Pescuma, destacou-se com Mulatinha da caserna (Martinez Grau e Ariovaldo Pires) e Paulistinha querida (Ary Barroso), primeiro e segundo prêmios na categoria de marcha do concurso da Prefeitura de São Paulo. Em 1936 voltou à Columbia e obteve dois sucessos num mesmo disco: Saudades da minha terra (Décio Pacheco da Silveira), valsa, e Alma de violeiro (Décio Pacheco da Silveira e J. Meio Macedo), toada.
Sua discografia, de 1929 a 1938, totaliza 64 discos com 113 músicas. Ao deixar a Rádio Difusora, excursionou pelo Sul com o cantor italiano Carlo Butti e acabou ficando por dois anos na Rádio Farroupilha. Voltou em 1938 para São Paulo e resolveu explorar seu talento humorístico. Passou a ser grande atração em cassinos, teatros e boates de todo o Brasil, ficando conhecido como o Humorista das Quatro Vozes. Fez imitações de Nelson Eddy, Marta Eggerth, Jean Sablon e principalmente Carmen Miranda. Interrompeu sua carreira em 1949, tornando-se empresário de artistas.
CDs: Carnaval vol. 4, 1991, Revivendo RVCD 022; Carnaval vol. 9, 1993, Revivendo RVCD 034; Valsas brasileiras vol. 1, 1993, Revivendo RVCD 048.

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Dalva de Oliveira

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Dalva de Oliveira

Dalva de Oliveira (Vicentina de Paula Oliveira), cantora, nasceu em Rio Claro-SP, em 5/5/1917, e faleceu no Rio de Janeiro-RJ, em 31/8/1972. Filha do carpinteiro, saxofonista e clarinetista Mário Oliveira, desde pequena acompanhava o conjunto amador do pai, os Oito Batutas, nas serenatas e festas de clubes em que se apresentava. Aos oito anos, quando ele morreu, foi mandada com as três irmãs para um orfanato, o Colégio Tamandaré, onde aprendeu piano, órgão e canto coral.
Três anos depois, largou os estudos, por causa de uma doença nos olhos. Foi para São Paulo, onde a mãe já trabalhava como governanta, e empregou-se como babá, arrumadeira, ajudante de cozinheira e, mais tarde, cozinheira do Hotel Metrópole. Em seguida, passou a fazer limpeza numa escola de dança, em que, após o serviço, costumava cantar e improvisar músicas ao piano. Ouvida por um dos professores, foi convidada para participar de uma tournee com o grupo de Antônio Zovetti.
Em 1933, acompanhada da mãe, viajou por várias cidades do interior e chegou a Belo Horizonte, mas Zovetti adoeceu e o grupo se desfez. Sem dinheiro, fez um teste na Rádio Mineira e, aprovada, passou a cantar com o nome de Dalva de Oliveira. No ano seguinte, foi para o Rio de Janeiro e empregou-se como costureira numa fábrica de chinelos, da qual Mílton Guita (Milonguita) — um dos diretores da Rádio Ipanema (hoje Mauá) — era um dos proprietários. Milonguita levou-a para fazer um teste em sua rádio, sendo aprovada.
Mudou-se depois para a Rádio Sociedade e Rádio Cruzeiro do Sul (nesta cantando ao lado de Noel Rosa e, finalmente, para a Rádio Philips. Entre o trabalho em uma e outra emissora, fez temporada popular na Casa de Caboclo, do Teatro Fenix, com Jararaca e Ratinho, Alvarenga e Ranchinho, Ema d’Avila e Antônio Marzullo, atuando como atriz. Ainda no Teatro Fênix, apresentou-se como cantora e atriz de pequenas cenas cômicas entre os números.
Em 1936 conheceu Herivelto Martins, da Companhia Pascoal Segreto, que então atuava no Cine Pátria. Juntou-se a Dupla Preto e Branco, formada por Herivelto Martins e Nilo Chagas, formando um trio que foi batizado por César Ladeira como Trio de Ouro. Foram contratados pela Radio Mayrink Veiga e gravaram em 1937, na Victor, as músicas Itaguari e Ceci e Peri (ambas de Príncipe Pretinho). Casou-se com Herivelto, com quem teve dois filhos: o cantor Peri Ribeiro e Ubiratã.
Em 1938 foram para a Rádio Tupi e, dois anos depois, para a Rádio Clube. Gravou com Francisco Alves, na Columbia, o samba Brasil (Benedito Lacerda e Aldo Cabral) e Valsa da despedida (Robert Burns). A partir dessa data, exibiram-se no Cassino da Urca, ao lado de Grande Otelo e outros artistas, até o encerramento das atividades dessa casa sob o governo Dutra, em 1946.
Com o Trio de Ouro, gravou dois grandes sucessos, os sambas: Praça Onze (Herivelto Martins e Grande Otelo), na Columbia, em 1942, e Ave Maria do morro (Herivelto Martins), na Odeon, em 1943. No ano seguinte participou do filme Berlim na batucada, dirigido por Luís de Barros, e, dois anos depois, em Caídos do céu, do mesmo diretor.
Gravou na Continental em 1945, com Carlos Galhardo e Os Trovadores, a adaptação de João de Barro para a história infantil Branca de Neve e os sete anões, em dois discos, com músicas de Radamés Gnattali. Em 1947 conseguiu Outro grande êxito com o samba-canção Segredo (Herivelto Martins e Marino Pinto), gravado na Odeon. Em 1949 deixou o trio, quando excursionavam pela Venezuela com a Companhia de Derci Gonçalves.
Em 1951 retomou a carreira solo, lançando os sambas Tudo acabado (J. Piedade e Osvaldo Martins) e Olhos verdes (Vicente Paiva) e o samba-canção Ave Maria (Vicente Paiva e Jaime Redondo), sendo os dois últimos grandes sucessos da cantora. No ano seguinte foi eleita Rainha do Rádio, e excursionou pela Argentina, apresentando-se na Rádio El Mundo, de Buenos Aires, na qual conheceu Tito Clemente, que se tornou seu empresário e depois marido. Ainda em 1951, filmou Maria da praia, dirigido por Paulo Wanderley, e Milagre de amor, dirigido por Moacir Fenelon.
Em 1952 realizou temporada com Walter Pinto, no Teatro Santana, em São Paulo, e participou do filme Tudo azul, dirigido por Moacir Fenelon. Viajou para a Europa, tendo-se apresentado em Portugal e Espanha e gravado vários discos com Roberto Inglês, em Londres (Inglaterra), destacando-se entre as faixas o baião Kalu (Humberto Teixeira).
Fixou residência na Argentina, vindo ao Rio de Janeiro e São Paulo para curtas temporadas, até 1963, quando então regressou ao Brasil. Separada de Tito Clemente, casou-se com Manuel Nuno Carpinteiro. Em 1965 sofreu acidente automobilístico, e foi obrigada a abandonar a carreira por algum tempo.
Em 1970 lançou a marcha-rancho Bandeira branca (Max Nunes e Laércio Alves), que fez sucesso no Carnaval. No ano seguinte, apresentou-se no Teatro Teresa Raquel, no Rio de Janeiro. No fim da carreira, novamente em evidência, apresentou-se em televisão, shows e casas noturnas.
Em 1997, Roberto Menescal produziu o álbum Tributo a Dalva de Oliveira, reunindo nomes como Elba Ramalho, Sidney Magal, Joanna, Caubi Peixoto, Lucho Gatica e Eduardo Dusek. No mesmo ano, foi lançado pela EMI o álbum A rainha da voz, com quatro CDs, contendo as suas gravações consideradas mais expressivas, num total de 80 músicas. Ver TRIO DE OURO. CDs Dalva de Oliveira: Saudade..., 1993, Revivendo RVCD 050; A rainha da voz (4 CDs), 1997, EMI 854933-2.

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Odete Amaral

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Odete Amaral, cantora, nasceu em Niterói RJ, em 28/4/1917 e faleceu no Rio de Janeiro RJ, em 11/10/1984. Filha caçula de um lavrador, em 1918 a família transferiu-se para o Rio de Janeiro, onde o pai se tornou chofer de caminhão. Ela começou a trabalhar como bordadeira, estudando a noite no Colégio Uruguai.
Aos 16 anos, fez um teste na Rádio Guanabara, interpretando Minha embaixada chegou (Assis Valente), e foi convidada pelo diretor da emissora, Alberto Manes, para apresentar-se no programa Suburbano, levado ao ar aos domingos. Por intermédio de Almirante, que a conhecera na Rádio Guanabara, apresentou-se na Rádio Clube do Brasil, Radio Philips, Rádio Sociedade e numa revista musical no Teatro João Caetano.
Ainda em 1933, gravou de Ary Barroso, a seu pedido, Foi de madrugada e Colibri, começando a aparecer no coro de diversos discos, o que faria até a década de 1960, em gravações de Carlos Galhardo, Sílvio Caldas, Francisco Alves, Carmen Miranda, Almirante, Dircinha Batista, entre outros.
Em 1935 apresentou-se na inauguração do Cassino Atlantico e na Rádio Ipanema. Levada por Casar Ladeira, que a batizara de A Voz Tropical, em 1936 assinou seu primeiro contrato, na Rádio Mayrink Veiga. Transferiu-se para a Rádio Nacional em 1937 e, no ano seguinte, casou com o cantor Ciro Monteiro, de quem se separou em 1949.
Em 1939, no mesmo ano em que se mudou para São Paulo SP, contratada pela Rádio Cultura, participou do filme da Cinédia O samba da vida, de Luís de Barros. Retornou ao Rio de Janeiro em fins de 1941, quando assinou novo contrato com a Rádio Mayrink Veiga, onde permaneceu ate 1947. Seu maior sucesso, o choro Murmurando (Fon-Fon e Mário Rossi), foi lançado em 1945.
Atuou na Rádio Mundial de 1947 a 1951, ano em que, contratada pela Rádio Tupi, se apresentou no programa matutino O Rio se Diverte e, à noite, no Rádio Seqüência G-3. Contratada pela Odeon em 1954, gravou para o Carnaval os sambas Vem, amor (Chocolate e Jorge de Castro) e Nasci para sofrer (Chocolate e Oldemar Magalhães). Ainda nesse ano lançou o samba canção Quando eu falo com você (Mário Rossi e Gadé); o choro Girassol (Mário Rossi); o ritmo afro Pai Benedito e Iemanjá (Henrique Gonçalves); o samba-canção Divina visão (Vargas Júnior); e Cruz para dois (Chocolate e Jorge de Castro), além da regravação do samba- canção Carteiro (Lupicínio Rodrigues e Felisberto Martins).
Uma das cantoras populares brasileiras de voz mais pessoal e afinada, não sem motivo foi chamada a atuar em inúmeros coros de gravação para outros cantores. CD: Jornal de ontem (c/Orlando Silva), 1994, Revivendo RVCD-072.

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Marlene

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Marlene (Vitória Bonaiutti De Martino), cantora, nasceu em São Paulo-SP, em 18/11/1924. Dos quatro aos 17 anos foi interna no Colégio Batista Brasileiro, em São Paulo. Começou a cantar, ainda como amadora, em 1941, no programa Hora do Estudante, na Rádio Bandeirantes.
Estreou como profissional no ano seguinte, na Rádio Tupi, adotando o nome artístico de Marlene, escolhido pelos estudantes e inspirado em Marlene Dietrich, que estava em evidência na época. Em 1943 mudou-se para o Rio de Janeiro, conseguindo logo um lugar no Cassino Icaraí, de Niterói RJ, por dois meses passando a seguir para o Cassino da Urca, onde trabalhou até o seu fechamento, em abril de 1946.
Nesse ano, foi contratada pelo Rádio Mayrink Veiga e gravou o primeiro disco, pela Odeon, com o acompanhamento da orquestra Brazilian Serenaders, cantando o samba-choro Swing no morro (Felisberto Martins e Amado Régis) e o samba Ginga, ginga, morena (João de Deus e Hélio Nascimento). Passou para a Rádio Globo, no ano seguinte, , atuando também na boate carioca Casablanca, como cantora de um conjunto formado por Benê Nunes (piano), Abel Ferreira (clarineta), Vidal (contrabaixo), Meneses (guitarra), Chevalier (pandeiro), Carequinha (bateria) e Chuca-chuca (vibrafone).
Gravou para o Carnaval de 1947, na etiqueta Odeon, a marcha Coitadinho do papai (Henrique de Almeida e M. Garcez), com os Vocalistas Tropicais, e o samba Um ano depois (Valdomiro Pereira e Valentina Biosca).
Em 1948 assinou contrato com a Rádio Nacional, passando a participar dos programas de auditório de César de Alencar, e foi também contratada pela boate do Copacabana Palace Hotel. Gravou, nesse mesmo ano, pela Continental, disco que fez muito sucesso, com os choros Toca, Pedroca (Pedroca e Mário Morais) e Casadinhos (Luís Bittencourt e Tuiú), este último cantado em dueto com César de Alencar.
Em 1949 veio a consagração: depois de gravar, pela Star (atual Copacabana), a guaracha Candonga (Felisberto Martins e Fernando Martins) e o jongo Conceição da praia (Aldemar Brandão e Dilu Melo), foi eleita Rainha do Rádio, título que manteve no concurso seguinte, em 1951 (o concurso não foi realizado em 1950), quebrando assim o ciclo de vitórias das irmãs Linda e Dircinha Batista. Por essa época, surgem os fã-clubes, suas disputas com Emilinha Borba, estimuladas e promovidas pela imprensa e a própria Rádio Nacional passa a explorar a rivalidade entre as duas, transformando Emilinha em cantora exclusiva do Programa César de Alencar e transferindo Marlene para o programa de Manuel Barcelos.
Em setembro do mesmo ano gravou, com Os Cariocas, pela Continental, os baiões Macapá e Qui nem jiló (Humberto Teixeira e Luiz Gonzaga), dois de seus grandes êxitos. Junto com Emilinha, gravou no final do ano, para o carnaval de 1950, o samba Já vi tudo (Peterpan e Amadeu Veloso) e a marcha Casca de arroz (Arlindo Marques Jr. e Roberto Roberti). O disco foi um sucesso e as duas voltaram a se reunir no início de 1950, gravando para o carnaval a marcha A bandinha do Irajá (Murilo Caldas).
Outros sucessos seus em 1950 foram o choro Dona Vera tricotando (Humberto Teixeira e Luiz Gonzaga); o maxixe Nego, meu amor (José Maria de Abreu e Luiz Peixoto), este em dueto com Ivon Curi; Casamento de Rosa (Luiz Gonzaga e Zé Dantas); o maracatu Cabrinda Briante (Fernando Lobo e Evaldo Rui); o choro Esposa modelo (José Maria de Abreu e Carlos Barros de Sousa) e a polca Tome polca (José Maria de Abreu e Luiz Peixoto).
No Carnaval de 1951, destacou-se com o samba Sapato de pobre (Luís Antônio e Jota Júnior), e, depois de gravar mais de 13 músicas em 1951, lançou no ano seguinte um dos seus grandes êxitos, o samba Lata d'água (Luís Antônio e Jota Júnior). Gravando também a marcha Eva (Haroldo Lobo e Milton de Oliveira) transformou-se numa das cantoras mais populares em todo o Brasil. Nesse período fez sucesso também no cinema, onde havia estreado em 1944, em Corações sem piloto, de Luis de Barros, seguido de Pif-paf, de Ademar Gonzaga e Luís de Barros, em 1945; Caídos do céu, de Luís de Barros, em 1946; Esta é fina, de Luís de Barros e Moacir Fenelon, em 1947; e Tudo azul, de Moacir Fenelon, em 1952. Durante as filmagens do último, conheceu o ator Luís Delfino, com quem casou, passando a dedicar-se, em seguida, ao teatro: estreou na peça Depois do casamento, em 1952. No ano seguinte, recebeu do jornal carioca O Diário da Noite diploma de Maior Figura do Rádio Brasileiro, e gravou mais alguns sucessos: Tenho um negócio para te contar (Silvino Neto) e a versão de Jambalaya (Hank Williams).
Como pretendia seguir carreira teatral, começou a estudar balé, em 1954, e no mesmo ano se apresentou em Angelina e o dentista. Gravou ainda em 1954 mais dez musicas, pela Continental, entre elas Toma jeito, João (Luís Bandeira) É sempre o papai (Miguel Gustavo) e Mora na filosofia (Monsueto e Arnaldo Passos).
Atuou em outra peça em 1955 — Maya — e em seguida reduziu sua atividade artística até afastar-se totalmente, entre 1965 e 1968, reaparecendo nesse ano, a convite de Paulo Afonso Grisolli e Sidney Miller, como estrela de Carnavália, antologia de músicas de Carnaval, com texto de Eneida e participação de Blecaute e Nuno Roland, no Teatro Casa Grande, do Rio de Janeiro.
Em 1970, Hermínio Belo de Carvalho chamou-a para fazer o show É a maior, em que interpretava autores da época (Caetano Veloso, Gilberto Gil, Milton Nascimento) Outras apresentações em teatro foram: Alice no pais do Divino maravilhoso, com Sidney MilIer, Sueli Costa, Marcos Flaksmann, Paulo Afonso Grisolli, Tite de Lemos e Luís Carlos Maciel, em 1969, no Teatro Casa Grande; Marlene ole, olá, dirigida por Haroldo Costa, em 1972, no Teatro Glória; O botequim, de Gianfrancesco Guarnieri, dirigido por Antônio Pedro, em 1973, no Teatro Princesa Isabel; e Te pego pela palavra, em 1974, show levado, a princípio, na boate Number One, e depois no Teatro João Caetano.
Em 1977 saiu, pela Polygram, o LP Antologia da marchinha. Atuando na carreira com menos freqüência, participou em 1996 do show em homenagem aos 90 anos de João de Barro, apresentado no Centro Cultural Banco do Brasil, no Rio de Janeiro.
Em 1997, depois de 20 anos, voltou aos estúdios para gravar um CD com músicas de Chico Buarque, João Bosco e outros, e uma inédita, Estrela da vida, que compôs em parceria com Paulo Baiano, o produtor do disco. CD: Marlene, meu bem, 1996, Revivendo RVCD-107

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Louro

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Louro (Lourival Inácio de Carvalho), instrumentista e compositor, nasceu em Niterói RJ, em 22/4/1894, e faleceu no Rio de Janeiro RJ, em 17/6/1956. Residindo no Barreto, em Niterói, revelou desde cedo interesse pela música. Pelos oito anos, com caixa-de-fósforos, improvisou um precário instrumento de sopro, executando os sucessos da época. Pouco depois, os pais arranjaram-lhe um emprego na fábrica de tecidos local, a Companhia Manufatora Fluminense.
Ali o garoto, conhecido por Louro, devido ao alourado dos cabelos, entrou para a banda da fábrica, chamada Centro Musical Fluminense, onde começou a estudar música. Em pouco tempo aprendeu a tocar clarineta, passando a apresentar-se com a banda em coretos ou festas públicas, sendo sua música de estréia o dobrado Coronel Barbedo. Progredindo rapidamente em seus conhecimentos musicais, logo que deixou a banda foi procurado por um senhor de Rio Bonito RJ, que lhe ofereceu o posto de regente da banda Euterpe Rio-Bonitense. Reorganizando-a, com pouco mais de 16 anos regia 70 músicos profissionais, tendo ocupado o posto até que uma desavença com o tocador de pratos o levou a abandoná-la.
Retornou a Niterói, onde logo recebeu convite para ser mestre da banda do Grupo Vinte e Um de Abril, de Capivari, perto de Campos RJ. Datam dessa época suas variações sobre o tema popular do Urubu malandro, que ficariam famosas. Deixando a banda mais tarde, passou a atuar em festas e bailes no Rio de Janeiro e Niteroi, além de cinemas e circos, acabando por se tornar popular.
Em 1913, resolveu gravar discos (conhecidos como “chapas”) para gramofone. Dirigiu-se a Casa Edison com sua clarineta e ofereceu-se para uma gravação, o que começou a fazer com a ajuda de Chiquinha Gonzaga. Formou o Grupo do Louro para acompanhá-lo, e suas gravações do Urubu malandro e de Moleque vagabundo, esta de sua autoria, fizeram grande sucesso no Rio de Janeiro.
Em 1919 apresentou-se com seu grupo musical no Teatro João Caetano, durante as representações de A juriti (Viriato e Chiquinha Gonzaga) e As pastorinhas (Abadie Faria Rosa e Paulino Sacramento). Dois anos depois, tocavam na sala de espera do Teatro Carlos Gomes executando os sucessos da época.
Freqüentando todos os anos as festas da Penha realizadas sempre no mês de outubro, em 1925 ali encontrou outro clarinetista famoso, o Alfredinho. Estabeleceram uma disputa, e, para demonstrar o fôlego, tocou sua composiçao Choro do galo subindo e descendo os 365 degraus da escadaria, sem interromper a música.
Dois anos mais tarde resolveu ir à Europa, reunindo dois cavaquinhos, dois violões, um pandeiro e um ganzá. Depois de tocar na Bahia e em Pernambuco, apresentou-se em Portugal, atuando no Teatro Olímpia, de Lisboa. Retornando ao Brasil, em 1931, gravou na Victor seu choro Osvaldina, e, tocando sax-alto e clarineta, integrou várias orquestras.
A 9 de Janeiro de 1945 o cantor e radialista Almirante realizou na Rádio Nacional, do Rio de Janeiro, um programa sobre o artista e seu grupo, contando sua vida e relembrando seus sucessos na série A Historia das Orquestras e Músicos do Rio, dirigida pelo proprio Almirante.

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Ivon Curi

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Ivon Curi

Ivon Curi (Ivon José Curi), cantor e compositor, nasceu em Caxambu MG, em 5/6/1928 e faleceu no Rio de Janeiro RJ, em 24/6/1995. Irmão de locutores da Rádio Nacional Alberto e Jorge Curi —, começou a cantar, por volta de 1944, sambas-canções e cançonetas francesas em festas e shows, depois na rádio da sua cidade.
No Rio de Janeiro, teve sua primeira oportunidade através de Caribé da Rocha, que o contratou como crooner da Orquestra Zacarias, do Copacabana Palace Hotel, onde entrou em contato com os maiores astros da época. Era então muito influenciado pelo cantor francês Jean Sablon, criador do sucesso J’attendrais.
Em 1947 conseguiu seu primeiro contrato com a Rádio Nacional, para apresentar-se como convidado nos programas de Emilinha Borba, Marlene, Dalva de Oliveira e Ângela Maria. Transferiu-se em seguida para a Rádio Tupi.
Em 1949 gravou em dupla com Carmélia Alves, pela Continental, o baião Me leva (Hervé Cordovil e Rochinha). Em 1950 participou do filme Aviso aos navegantes, de Watson Macedo, e no ano seguinte apareceu em Ai vem o barão, do mesmo diretor, atuando ainda em 1952 em Barnabé, tu és meu, de José Carlos Burle. Gravou seu primeiro disco na Continental, com as músicas La vie en rose e Nature boy (Eden Abhez), seguindo-se C’est si bon (Charles Trenet), Obrigado (sua autoria), Ta fartando coisa em mim (com Humberto Teixeira), 1950, Humanidade (sua autoria), Margarida (Humberto Teixeira e Copinha), 1952, e Orquídeas ao luar (Gus Khan, Vincent Youmans e Eliscu, versão de Cristóvão de Alencar), 1952. Nessa época modificou seu estilo, passando a fazer mímicas e piadas, tornando-se cançonetista, com repertório nordestino.
Em 1953 lançou, pela Victor, Amor de hoje (Ari Monteiro e Bruno Marnet), música que havia interpretado no filme É fogo na roupa (Watson Macedo, 1952). Gravou Baião das velhas cantigas (Jair Amorim), Caxambu (Zé Dantas e David Nasser), Farinhada (Zé Dantas) e o O xote das meninas (Zé Dantas e Luiz Gonzaga), além da valsa de sua autoria João Bobo e da canção israelita Beija- flor (versão de Caribé da Rocha).
Depois de excursionar pelo Brasil, fez tournée pela Europa em 1956-1957, apresentando-se em Portugal, onde adotou pela primeira vez o estilo one-man-show e foi considerado o melhor intérprete de música brasileira. Em 1961 casou com lvone.
Com o aparecimento da Jovem Guarda, afastou-se temporariamente da vida artística, reaparecendo em 1971 com o show Ivon Curi em todos os tempos, no Teatro Casa Grande, onde se apresentou como show-man e fez uma retrospectiva de sua carreira, lançando então o LP de mesmo nome. Seus maiores sucessos foram João Bobo, Tá fartando coisa em mim, Retrato de Maria (sua autoria), Farinhada, Escuta (sua autoria), Casar é bom (com Meira Guimarães), Amor naquela base (Moura Júnior e Zé Araújo) e Me leva.
Em 1977, a gravadora Continental lançou o LP Ivon Curi, volume 26 da serie Ídolos MPB. Em 1984 voltou a vida artística, festejando 40 anos de carreira, em 1987, com o disco Ivon Curi ontem e hoje. Em 1993, além de ter comandado o programa Show da Manchete, estreou o espetáculo A França e quinze saudades, em que interpretou canções francesas e que deu origem ao disco Douce France, seu último trabalho solo. Sua última gravação foi a faixa Forró do beliscão (Ari Monteiro, João do Vale e Leoncio), incluida, no início de 1995, no disco João Batista do Vale (BMG), tributo ao compositor João do Vale.

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Luís Americano

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Luís Americano (Luís Americano Rego), instrumentista e compositor, nasceu em Aracaju SE, em 27/2/1900, e faleceu no Rio de Janeiro RJ, em 29/3/1960. Começou os estudos de clarineta aos 13 anos com o pai, Jorge Americano, mestre-de-banda em Aracaju. Ingressando no Exército, tornou-se músico do 20º Batalhão de Caçadores, sediado em Maceió AL. Transferido em 1921 para o Rio de Janeiro para servir no 3º Regimento de Infantaria, deu baixa no ano seguinte.
Já dominando o sax-alto e a clarineta, passou a atuar como músico profissional. Integrou diversas orquestras, entre as quais as de Justo Nieto, Raul Lipoff, Simon Bountman e Romeu Silva. No início da década de 1920 participou com destaque de gravações realizadas na Odeon, ainda pelo processo mecânico: Coração que bate, bate..., maxixe (Freire Júnior), gravado em 1922, traz no selo seu nome e do Grupo de Donga.
Em 1928 viajou para a Argentina, levado pelo norte-americano Gordon Stretton, baterista e chefe de orquestra, com quem trabalhou três meses. Integrou em seguida a orquestra do argentino Adolfo Carabelli, regressando em 1930 ao Rio de Janeiro, onde formou o conjunto de danças American Jazz, que gravou na Victor.
Em 1932 passou a integrar o Grupo da Guarda Velha e a partir do mesmo ano foi relançado pela Odeon, revelando-se nessa nova fase como grande compositor e um dos maiores clarinetistas brasileiros. São dessa época os lançamentos de É do que há, choro, e Lágrimas de virgem, valsa, ambos de sua autoria.
Em agosto de 1940 fez parte do grupo de músicos e compositores brasileiros escolhidos por Pixinguinha, a pedido do maestro Villa-Lobos, para realizarem gravações para o maestro Leopold Stokowski (1882—1976), que visitava o Brasil.
Além de atuar por muitos anos no teatro musicado e em dancings, participou como músico de estúdio das orquestras da Rádio Mayrink Veiga — de fins da década de 1930 ate 1950 — e da Rádio Nacional, de 1950 até a morte.

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Lágrimas de virgem

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Lágrimas de virgem (valsa, 1932) - Luís Americano

Meiga flor,
Na luz do teu olhar nasceu,
Um lacrimário de dor,
Porque teu coração,
De pesar reviveu,
O amor,
Que alucinou, teu meigo ser,
Num róseo sonho em flor,
deixando-te no mundo sofrer.

Em fráguas doloridas,
A rolar,
As lágrimas sentidas
Vão levar,
Cheias de suavidade,
Um alívio imenso,
Ao pobre coração,
Que sofre de paixão,
Um pranto torturado,
A correr,
Dois olhos macerados,
De sofrer,
Cheios de poesia,
Dão alívio ao ser,
Que morre de agonia.

Da imensidão do céu a rir,
Suprema luz bendita vi,
Entrelaçar teus olhos,
Perdidos de afeto,
E os anjos liriais meu bem,
Em cantos divinais no além,
Glorificando a dor,
Do teu sonho dileto,
O teu olhar porém chorou,
Serena a luz enfim ficou,
Rebrilhando,
Em ditosa ternura,
Teu coração sossegou,
Doce amor,
Bem feliz de ventura.

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Vai ò meu Amor, ao Campo Santo - Catulo da Paixão Cearense e Irineu de Almeida

Tu, tu não queres crer como eu te quero!
Venero o teu amor, que é minha vida
Tudo nesta dor do mundo espero
Sou poeta e sou cantador, ó alma infinda!
Sobre o coração que me consome
A rutilar luz diamante do teu nome
Sei que o meu penar será infindo
Irei cumprindo o que Deus determinar

Hás de chorar a minha desventura
Quando eu repousar na gelidez da sepultura
Hás de lamentar os sofrimentos
Tantos tormentos que sofri
Enquanto vivo aqui por ti

Vai, vai ó meu amor ao campo santo
Verás a minha cruz lá num recanto!
Vai, que lá verás cheias de odores
Numa genuflexão algumas flores
Vai e uma por uma sem ter medo
Colhe essas flores – a meiguice de um segredo
São os versos d’alma que eu não disse
E enfim dizer, dizê-los só, quando eu morrer

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U poeta do sertão

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U Poeta du Sertão - Catulo da Paixão Cearense

Si chora o pinho
Im desafio gemedô
Não hai poeta cumo os fio
Du sertão sem sê doutô
Us óio quente
Da caboca faz a gente
Sê poeta di repente
Que a puisia vem do amor

Não há poeta, não há
Cumo os fio do Ceará!

Dotô fromado, home aletrado
Lá da Côrte
Se quisé mexê comigo
Muito intoncê tem qui vê
Us livro da intiligença
I dá sabença
Mas porém u mato virge
Tem puisia como quê!

Poeta eu sô sem sê dotô
Sou sertanejo
Eu sô fio lá dus brejo
Du sertão do Aracati
As minha trova
Nasce d’arma sem trabaio
Cumo nasce na coresma
Nu seu gaio a frô de Abri

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Tu Passaste por este Jardim - Catulo da Paixão Cearense e Alfredo Dutra

Tu passaste por este jardim!
Sinto aqui certo odor merencório
Desse branco e donoso jasmim
Num dilúvio de aromas pendeu
Os arcanjos choraram por mim
Sobre as folhas pendidas do galho
Que a luz de seus olhos brilhantes verteu

Tu passaste, que de quando em quando
Vejo as rosas no hastil lacrimado
Das corolas de todas as flores
As minhas angústias, abertas em flores
Neste ramo que ainda se agita
Uma roxa saudade palpita
E esse cravo, no ardor dos ciúmes
Derrama os perfumes num poema de amor

De um suspiro deixaste o calor
Neste cálix de neve, estrelado
Neste branco e gentil monsenhor
Vê-se o íris de um beijo esmaltado
Tu deixaste num halo de dor
Nas violetas magoadas, sombrias
A tristeza das ave-marias
Que rezam teus lábios à luz do Senhor

Vejo a imagem da minha ilusão
Nessa rosa prostrada no chão
Meus afetos descansam nos leitos
Destes lindos amores-perfeitos
Como chora o vernal jasmineiro
Que me lembra o candor de teu cheiro!
Este cravo sangüíneo é uma chaga
Que se alaga no rubor da cor

As gentis magnólias em vão
Muito invejam teu rosto odoroso
Rosto que tem a conformação
De um suspiro adejando saudoso
E esses lírios têm a presunção
De imitar em seus níveos brancores
Esses dois ramalhetes de amores
Andores de flores num seio em botão

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Templo ideal

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Templo ideal - Catulo da Paixão Cearense e Albertino Pimentel

Olha estes céus, ó anjo, iluminados
De corações sofrentes e magoados
E o teu candor na tela cérula a brilhar
sob um trasflor de madrepérola
De versos consagrados
Com camafeus, opalas e turquesas
E as ametistas que tu exalas no falar
Com o éter da saudade, eterno marmor do sofrer
Um templo ideal eu vou te erguer

A teus pés terás a hiperdúlia da poesia
Ave-Maria dos meus ais!
Consagração do pranto deste santo coração
Virgíneo escrínio da ilusão

Ó, teus pés florei!
Com os meus extremos
Que são fluidos crisântemos
Deste amor com que te amei
Mandei a minha dor soluçar
Num resplendor de diademar

Do coração de essências lacrimosas
Que eu marchetei de rimas dolorosas
Fiz um missal espiritual que adiamantei
Filigranei com os alvos lírios
Destas lágrimas saudosas
O teu altar num pedestal de mágoas
Eu fiz das águas do Jordão do meu penar
Tens uma grinalda em tua fronte constelei

Versos passionais
Meigas violetas, borboletas
Das idéias, orquídeas dos meus ais
Voai, saudosos, primorosos
Dulçorosos beija-flores
Dos tristores que eu lhe fiz dos amargores
Doces hóstias multicores
E um turíbulo de dores
Cujo incenso é a inspiração
Com amor e pura santidade
Guardo o culto da saudade
No meu coração

Eis o teu templo de aurirais fulgores
Que eu perfumei só com o ideal das flores
Arcanjos de ouro tendo às mãos ebúrneas liras
E a teus pés cantando em coro
Sobre um trono de safiras
Nos pedestais dos róseos alabastros
Verás dois astros: Tasso e Dante a soluçar!
Sobre o teu altar e debruçado em áurea cruz
Meu coração numa explosão de luz

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Sertaneja - Catulo da Paixão Cearense e Ernesto Nazareth

Sestrosa, dengosa
Derriçosa, odorosa flor
Maldosa, formosa
Sertaneja, meu lindo amor!
Anjinho, benzinho
Meu carinho, meu beija-flor
Condena sem pena
Que minh’alma te adora o rigor

Quando tu passas na orla do monte
Caminho da fonte, da tarde ao morrer
Meu pranto rola por sobre a viola
Que a noite consola no seu gemer

Provocante, radiante
Fascinante, ondulante
Num teu fado ritmado
Tu nos fazes até chorar
Logo a gente, a gente sente
Uns desejos dos teus beijos
Uns desejos dos teus beijos
Que até nos fazem delirar

Ingrata, ingrata
Volve a mim um teu doce olhar
Teu riso me mata
Me maltrata, me faz banzar
Desata, desata
Esse olhar do meu coração
Ingrata, ingrata
Suspirosa irerê do sertão

Também se passas
Formosa e tirana
Por minha choupana
Da tarde ao cair
Vou te seguindo
Na estrada arenosa
Qual rola saudosa
A carpir, carpir

Na dança deslizas
E assim pisas mil corações
Teu peito é o leito
Doce leito das tentações
Teus olhos, teus olhos
Vaga-lumes de ingratidões
Teus olhos, teus olhos
Os queixumes das nossas paixões

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Recorda-te de mim

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Recorda-te de Mim - Catulo da Paixão Cearense

Recorda-te de mim quando de tarde
Gloriosa a morrer na luz do dia
E nos seios da noite a serrania
Em candores de neve se ocultar
Recorda-te de mim nesse momento
As estrelas saudosas do penar

Recorda-te de mim quando alta noite
Escutares um canto de tristeza
Descantado por toda a natureza
Nos formosos harpejos do luar
Recorda-te de mim quando acordares
E sentires no peito do adolescente
Um espírito em mágoa florescente
Uma hora em teu peito a suspirar

Recorda-te de mim quando no templo
Numa prece serena, doce e fina
Sob o altar florescido de Maria
Teus segredos à Virgem confiar
Recorda-te de mim nesse momento
Para que minha dor tenha um alento
E me deixe morrer com o pensamento
De que morro feliz só por te amar

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Quando ela passa

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Quando Ela Passa - Catulo da Paixão Cearense e Mário Alves

Quando ela passa
A caminho da choça do monte
Lá no horizonte
A ascensão do luar
Pela aldeia vem se derramar
Geme a fonte
E as minhas mágoas vêm vê-la passar
Passar cantando
Com a flor brincando
De quando em quando a suspirar

Vai bandoleira
A faceira que de mim se esquece
Até parece uma flor
Que ao luar, ao luar
Irrorada de orvalho
Do galho se desprendesse
E lá fosse a ondular
E ondulando fosse voando
De quando em quando a suspirar

Deixa em seu rastro o odor
Do rescendente sassafrás em flor
Deixa onde passa o olvido
O aroma de um coração ferido
Geme a viola então
Em meio da solidão do sertão calado
Um canto apaixonado, aveludado
De suspiros do coração

Se ao longe um lacrimal
Desliza sobre a areia de cristal
Descalça o pé dengoso
E o riozinho estremece airoso
E todo dia a se arrufar
Não quer mais deslizar
No planger fluente
Quer essa flor virente
Nas madeixas da corrente
Leva, levar

Quando amanhece
E à porta da choça aparece
Acorda a flor que umedece
O frescor que é tão grato
Acorda o regato e no mato
Acorda a rola em seu ninho de amor
Acorda a fonte, o horizonte
E lá no monte o trovador

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Palma do martírio

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Palma do Martírio (canção) - Catulo da Paixão Cearense e Anacleto de Medeiros

Quando um deus cruento
Vem sangrar meu sentimento
E do meu tormento
Põe as cordas a vibrar
Solto o pensamento
Que se perde no infinito
Desse azul bendito
Que te luz no olhar

Se teu nome pulcro
Em devoção desfio em prece
Frio em seu sepulcro
Me estremece o coração
Pedras de cristal sentimental
Correm fugazes
Pelas minhas faces
A brilhar, rolar

Brilhas entre as gemas
Dos poemas dos meus prantos
Choras nos quebrantos
Destas lágrimas supremas
Tu sorris das rosas
Policromas nos aromas
Fulges no cismar
Da minha dor, do meu penar

Cantas nos enleios
Dos gorjeios mais insones
Corres pelos veios
Da campina esmeraldina
Gemes pelos seios
Esteríssimos das fontes
Pelos horizontes
No arrebol ao pôr-do-sol

Em vestes celestes
Nos ciprestes de minh’alma
Ergues uma palma
De martírio a meu penar
Brilhas como um círio
Iluminando sobre flores
Minhas agras dores
Cor do azul do mar

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Fechei meu jardim

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Fechei meu Jardim - Catulo da Paixão Cearense

Eu te respondo mesmo assim cantando
Exacerbando os sonhos meus de então:
Lágrimas frias, creias ou não creias
Tantas chorei-as que fiz um Jordão

Tu me perguntas por que, solitário
Inda mais vário sou que um beija-flor
Ai, quantas vezes cumprindo o fadário
Fui ao calvário do falsário amor!

Quando a primeira confessei que amava
E ela jurava eterno afeto a mim
Senti minh’alma tão feliz, vaidosa
Mais orgulhosa que a de um querubim
Para ofertar-lhe desprendi a rosa
A mais formosa do espiritual jardim

Rosas, camélias, dálias, açucenas
Lírios, verbenas, cravos, resedás
Íris, violetas, manacás, mil flores
Tantos primores dispensei em vão
Jardim não teve nenhuma rainha
Como a que eu tinha no meu coração

Vieste tarde! Nem agora existe
Um golvo triste de funéreo dó
De tantas flores que eram meus carinhos
Só vejo espinhos, folhas secas só

O amor-perfeito que eu tinha em meu peito
Perdeu a vida, emurcheceu por fim
Mas essa flor modou-se, emurchecida
Numa ferida que viceja em mim
Eis minha vida, a minha história é esta
Nada mais resta, fecho o meu jardim

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Caboca bunita

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Caboca Bunita (canção, 1920) - Catulo da Paixão Cearense

Quando tu passa nus mato, meu bem
Cantando pulos caminho
Vai seguindo atrás de ti, meu bem
Um bando di passarinho

Ai, caboca bunita
Mi da um beijinho!

Quando tu inda vem de longe, meu bem
Eu já di longe adivinho
Eu sinto istremecê, meu bem
As corda desse meu pinho

Ai, caboca facera
Mi dá um beijinho!

Quando tu samba nus samba, meu bem
Parece um beija-frozinho
Qui avoa di frô in frô, meu bem
Cumo a percura di um ninho

Ai, caboca dengosa
Mi dá um beijinho!

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Até as flores mentem

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Até as Flores Mentem (canção) - Catulo da Paixão Cearense

Em um jardim à beira-mar
(fazia um luar de níveo albor
E o céu sem véu tinha o fulgor
Da cor do meu primeiro amor)
Estava ali a meditar
A meditar pensando em ti
Quando uma flor estando a sonhar
Do nosso amor falar ouvi

Compaixão! À flor eu disse então:
Ó tu que o coração conheces dela
Dize a mim se é vero o seu amor!
E a flor sonhando ainda
Assim me diz, assim:

"Ó feliz, tu és poeta!
A tua mais dileta flor
A nossa irmã de mais candor
Tem amor a ti ardente
Somente vive por te amar
E morrerá por te adorar!"

E a rosa ouvindo assim falar
Senti minh’alma a Deus voar
E de prazer, cheio de amor
Ia na flor um beijo dar…
E ouvi então a flor dizer:
"Eu quis magoar teu coração
Eu quis zombar da tua dor
A ti não tem, não tem amor!"

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Ao luar

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Ao luar (canção) - Catulo da Paixão Cearense

Vê que amenidade
Que serenidade
Tem a noite em meio
Quando em brando enleio
Vem lenir o seio
De algum trovador!
O luar albente
Que do bardo a mente
No silêncio exalta
Chora tua falta
Rutilante estrela
De eteral candor

Vem meu anjo agora
Recordar nest’hora
Nosso amor fanado
Quando eu a teu lado
Mais que aventurado
Por te amar vivi!
Quero a fronte tua
Ver à luz da lua
Resplendente e bela
Descerra a janela
Que eu não durmo as noites
Só pensando em ti!

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Ai de mim!

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Ai de Mim! (canção) - Catulo da Paixão Cearense

Foi um sonho te querer com doido amor
Foi loucura penhorar-te o coração
Dá-me mesmo assim ferido esse penhor
Não te peço nem te imploro gratidão
Guardo dentro deste peito por te amar
Uma dor que sempre e sempre cresce mais
Nem a tua ingratidão me vem matar
Nem a tua ingratidão me abranda os ais

Ai de mim! Ai de mim!
Por que matar-me assim?
Por que matar-me assim?

Este amor, ó este amor, me foi fatal
Nunca mais o meu sossego encontrarei
Tu, travessa, sorridente e jovial
Eu, em busca de minh’alma que te dei
Mas não posso te dizer por que razão
É mais doce o azedume desta dor
Serei teu e teu será meu coração
Não te posso, ó não, negar tão santo amor!

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Ataulfo Alves

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Ataulfo Alves inaugurou um novo estilo de fazer samba. Com seu jeito manso e sua tranqüilidade mineira, ele emprestou cores diferentes à música que brotava dos morros e dos subúrbios cariocas na década de 30. A história do compositor Ataulfo é mais que o relato simples de um artista de grande talento e capacidade criativa. É também a trajetória de um filósofo popular, verdadeiro mestre em criar provérbios que atravessam gerações. O mito da Amélia, idealização da mulher que aceita tudo por amor, popularizou-se a partir de uma das músicas mais famosas de Ataulfo, composta na década de 1940, em parceria com Mário Lago.


Ataulfo Alves de Sousa nasceu em Miraí, MG, em 2 de maio de 1909. Com oito anos fazia versos para responder aos improvisos do pai, que era violeiro e repentista. Aos 10 anos perde o pai, e sua mãe, Maria Rita de Jesus, com um porção de filhos, sai da fazenda e vai morar no centro da cidade de Miraí, que ficava próximo.Passa Ataulfo a freqüentar o grupo escolar e a desempenhar os serviços que apareciam. Uma existência pobre, mas tranqüila e feliz, que registraria no samba Meus tempos de criança. (Foto: Mário Lago, parceiro de muitas músicas com Ataulfo). Aos 18 anos, aceitou o convite do Dr. Afrânio Moreira Resende, médico de Miraí, para acompanhá-lo ao Rio de Janeiro, onde fixaria residência. Durante o dia, trabalhava no consultório, entregando recados e receitas, e, à noite, fazia limpeza e outros serviços domésticos na casa do médico. Insatisfeito com a situação, conseguiu uma vaga de lavador de vidros na Farmácia e Drogaria do Povo. Rapidamente aprendeu a lidar com as drogas e tornou-se prático de farmácia. Depois do trabalho voltava para casa no bairro de Rio Comprido, onde costumava freqüentar rodas de samba. Já sabia tocar violão, cavaquinho e bandolim, e organizou um conjunto que animava as festas do bairro.

Em 1928, com apenas 19 anos, casou-se com Judite. Em 1929 trabalhou por algum tempo numa outra farmácia, mas logo voltou ao emprego anterior. Nessa época, em que já começara a compor, tornou-se diretor de harmonia de Fale Quem Quiser, bloco organizado pelo pessoal do bairro. Ainda em 1929, nasceu Adélia, sua primeira filha.
Em 1933, Bide (Alcebíades Barcelos), que viria a fazer sucesso com o samba Agora é cinza (com Marçal), ouviu algumas composições suas no Rio Comprido, e resolveu apresentá-lo a Mr Evans, diretor americano da Victor. Foi então que Almirante gravou o samba Sexta-feira, sua primeira composição a ser lançada em disco. Dias depois, Carmen Miranda, que ele havia conhecido antes de ser cantora, gravou Tempo perdido, garantindo sua entrada no mundo artístico. (Foto: roda de samba)
Em 1935, através de Almirante e Bide, conseguiu seu primeiro sucesso com Saudade do meu barracão, gravado por Floriano Belham. Ainda nesse ano, o Bando da Lua gravou a marcha Menina que pinta o sete, feita em parceria com Roberto Martins. Seu nome cresceu muito quando apareceram as gravações do samba Saudade dela, em 1936, por Sílvio Caldas e da valsa A você (com Aldo Cabral) e do samba Quanta tristeza (com André Filho), em 1937, por Carlos Galhardo, que se tornaria um dos seus grandes divulgadores. Passou a compor com Bide, Claudionor Cruz, João Bastos Filho e Wilson Batista, com quem venceu os Carnavais de 1940 e 1941, com Ò seu Oscar e O bonde de São Januário.
Em 1938, Orlando Silva, outro grande intérprete de suas músicas, gravou Errei, erramos. Em 1941, fez sua primeira experiência como intérprete, gravando seus sambas Leva meu samba (Mensageiro) e Alegria na casa de pobre (com Abel Neto). Em 1942 a situação financeira difícil e a hesitação dos cantores em gravar sua última composição fizeram com que ele próprio lançasse, para o Carnaval do ano, Ai, que saudades da Amélia; gravado com acompanhamento do grupo Academia do Samba e abertura de Jacó do Bandolim, (Na foto: Ataulfo com suas pastoras e Jamelão) o samba, feito a partir de três quadras apresentadas por Mário Lago para serem musicadas, resultou em grande sucesso popular. Juntos fizeram ainda Atire a primeira pedra, para o Carnaval de 1944, e em 1945 lançaram Capacho e Pra que mais felicidade . Resolvido a continuar interpretando suas músicas, juntou-se a um grupo de cantoras, organizando um conjunto que, por sugestão de Pedro Caetano, foi chamado de Ataulfo Alves e suas Pastoras. Inicialmente formado por Olga, Marilu e Alda, lançaram sucessos como Inimigo do samba (com Jorge de Castro), em 1943; Todo mundo enlouqueceu (com Jorge de Castro), Boêmio sofre mais (com Floriano Belham) e Vá baixar noutro terreiro (com Raul Marques), em 1945; e Infidelidade (com Américo Seixas), em 1947.
Representativas da década de 1950, quando faziam sucesso músicas de fossa e de amores infelizes, são suas composições Fim de comédia e Errei, sim, gravadas por Dalva de Oliveira. Em 1954 participou do show "O Samba nasce no coração", realizado na boate Casablanca, quando lançou o samba Pois é.... O pintor
Pancetti gostou muito da música e, inspirado nela, fez um quadro com o mesmo nome, que ofereceu ao compositor. Compôs então Lagoa serena (com J. Batista), dedicando-a a Pancetti, que, novamente, o homenageou com a tela Lagoa serena. Pois é... foi gravado somente em 1955, pela Sinter, pois o compositor havia sido despedido da Victor. Na nova gravadora lançou em 1956 o "LP Ataulfo Alves e suas pastoras" (Foto:A elegância nos trajes e nos gestos foi uma das características que marcaram a figura de Ataulfo Alves).
Em 1957 fez Vai, mas vai mesmo, samba muito cantado no Carnaval de 1958. Ainda em 1957 compôs o lírico Meus tempos de criança, que, relembrando sua infância e as personagens de sua cidade natal, é um dos mais característicos de seu estilo nostálgico. Convidado por Humberto Teixeira, em 1961 participou de uma caravana de divulgação da música popular brasileira na Europa, para onde levou Mulata assanhada e Na cadência do samba (com Paulo Gesta), que acabara de lançar. Retornou no mesmo ano e fundou a ATA (Ataulfo Alves Edições), tornando-se editor de suas músicas. Por essa época, desligou-se de suas pastoras - na ocasião Nadir, Antonina, Geralda e Geraldina -, passando a se apresentar sozinho, esporadicamente.
(Foto: Ataulfo Alves e suas Pastoras interpretam Você passa e eu acho graça, acompanhados por Jacob do Bandolim).
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Depois de realizar em 1964 uma temporada no Top Club, do Rio de Janeiro, como sentisse piorar a úlcera no duodeno, em 1965 decidiu passar o seu título de General do Samba para seu filho, Ataulfo Alves Júnior. Em 1966 fez nova viagem ao exterior, como representante do Brasil no I Festival de Arte Negra, em Dacar, Senegal.
Em 1967 voltou a aparecer em paradas de sucesso, com inúmeras gravações do samba Laranja madura. Nesse mesmo ano, Roberto Carlos gravou Ai, que saudades da Amélia. Compôs ainda, com Carlos Imperial, os sambas Você passa, eu acho graça, Você não é como as flores e sua última música, Mandinga, concluída pelo parceiro e gravada na Odeon por Clara Nunes. Em decorrência do agravamento da úlcera, morreu após uma intervenção cirúrgica (Foto acima: Com Roberto Carlos).
Algumas letras e cifras:
A você, Ai, que saudades da Amélia, Atire a primeira pedra, Errei, erramos, Fim de comédia, Infidelidade, Laranja madura, Leva meu samba (Mensageiro), Meus tempos de criança, Mulata assanhada, Na cadência do samba, O bonde de São Januário, Ò seu Oscar, Pois é..., Saudade dela, Saudade do meu barracão, Sei que é covardia, Vai, mas vai mesmo, Vida de minha vida, Você passa, eu acho graça.
Obra completa:
A você (c/Aldo Cabral), valsa-canção, 1937; Aconteça o que acontecer (c/Felisberto Martins), samba, 1940; Ago-iê, samba, 1955; Agradeça a sua amiga, samba, 1957; Agradeço a Deus, samba, 1951; Ai. ai, meu Deus (c/Wilson Batista), samba, 1951; Ai, amor, samba, 1957; Ai, Aurora, samba, 1963; Ai, que dor (c/J. Batista), samba, 1951; Ai, que saudades da Amélia (c/Mário Lago), samba, 1942; Ainda sei perdoar, bolero, 1952; Alegria na casa de pobre (c/Abel Neto), samba, 1941; Alma perdida (c/Elpídio Viana), samba, 1944; Amor de outono (c/Artur Vargas Júnior), samba, 1969; Amor é mais amor... depois da separação, samba-canção, 1939; Amor perfeito (c/Wilson Batista), marcha, 1951; Ana (c/Orlando Monelo e Antônio Elias), samba, 1945; Antes só do que mal acompanhado (c/Benedito Lacerda), samba, 1945; Aproveita a mocidade, samba, 1964; Arrasta o pé, moçada (c/Maria Elisa), marcha, 1952; As árvores morrem de pé, samba, 1965; Assunto velho (c/Wilson Falcão), samba, 1940; Até breve (c/Cristóvão de Alencar), samba, 1937; Até ela (c/J. Pereira), marcha, 1938; Até Jesus (c/Wilson Batista), samba, 1952; Atire a primeira pedra (c/Mário Lago), samba, 1944; Atraso de vida, samba, 1948; Balança mas não cai, samba, 1953; Batuca no chão (c/Assis Valente), batucada, 1945; Bem que me dizem, samba, 1958; Boca de fogo (c/J. Batista), marcha, 1949; Boêmio (c/J. Pereira), samba, 1937; Boêmio sofre mais (c/Floriano Belham), samba, 1945; O bonde de São Januário (c/Wilson Batista), samba, 1940; Brado de Alerta, samba, 1955; Cabe na palma da mão (c/Artur Vargas Júnior), samba, 1968; Cadê Dalila, marcha, 1952; Calado venci (c/Herivelto Martins), samba, 1947; Caminhando, samba, 1957; Canção do nosso amor, valsa-romance, 1939; Cansei, samba, 1952; Capacho (c/Mário Lago), samba, 1945; Capital de Noel, samba, 1968; A cara me cai (c/Alberto Jesus), samba, 1953; A carta, samba, 1958; Castelo de Mangueira (c/Roberto Martins), samba, 1956; O castigo que te dei (c/Geraldo Queirós), samba, 1949; O Catete vai passar, samba, 1952; Cheque ao portador (c/J. Barcelos), marcha, 1941; Chorar pra quê? (c/Alcides Gonçalves), samba, 1942; Choro (c/Roberto Martins), samba, 1936; Colombina do amor (c/Alberto Ribeiro), marcha, 1937; Com o pensamento em ti (c/Ari Monteiro), samba, 1952; Como a vida me bate, samba, 1965; Como é seu nome? (c/Marino Quintanilha), samba, 1944; Conceição (c/Ari Monteiro), samba, 1953; Continua (c/Marino Pinto), samba, 1940; O coração não envelhece, samba, 1950; Covardia (c/Mário lago), samba, 1938; Cuidado com essa mulher (c/Antônio Almeida), samba, 1941; De janeiro a janeiro, samba, 1958; De onde veio a Eva? (c/Rogério Nascimento), marcha, 1961; Deixa essa mulher pra lá, samba, 1953; Deixa o toró desabar, samba, 1972; Desaforo eu não carrego, samba, 1962; Desta vez não (c/Alcides Gonçalves), samba, 1943; Devagar, morena, samba, 1958; Dia final, samba, 1964; Diga-me com quem andas, samba, 1965; Dilema (c/Aldo Cabral), samba, 1952; Dinheiro pra festa (c/Marino Quintanilha), samba, 1944; Diz o teu nome (c/José Gonçalves), samba, 1945; Dizem, samba, 1952; Dulcinéia (c/Antônio Almeida), samba, 1946; É hoje (c/Dunga), samba, 1954; É negócio casar (c/Felisberto Martins), samba, 1941; E um quê que a gente tem (c/Torres Homem), samba, 1941; É verdade, samba, 1958; É você (c/Aldo Cabral), valsa, 1937; Ela é boa mas é minha (c/Roberto Roberti e Arlindo Marques Júnior), samba, 1942; Ela não quis, samba, 1944; Ela, sempre ela (c/César Brasil), samba, 1950; Endereço (c/Mário Lago), samba, 1956; Errei (c/Claudionor Cruz), samba, 1939; Errei, erramos, samba, 1938; Errei, sim, samba, 1950; Escravo da saudade, samba, 1944; Está tudo errado (Voltei ao que era), samba, 1949; Eu conheço você (c/Roberto Martins), marcha, 1939; Eu que não quero, samba, 1951; Eu não sabia (c/Jorge de castro), samba, 1943; Eu não sei (c/Sílvio Caldas), samba, 1937; Eu não sei por que é (c/Zé Pretinho), batucada, 1941; Eu não sou daqui (c/Wilson Batista), samba, 1941; Eu sou de Niteróí (c/Wilson Batista), samba, 1941; Eu também sou general, samba, 1950; ExaItação à cor (c/J. Audi), samba, 1953; Fala, mulato (c/Alcibíades Nogueira), samba, 1956; Fala, Pedro, samba, 1946; Falem mal, mas falem de mim (c/Marino Pinto), samba, 1939; Falei demais (c/Claudionor Cruz), samba, 1940; Faz um homem enlouquecer (c/Wilson Batista), samba, 1941; Félix (c/Aldo Cabral), samba, 1950; Fidalgo, choro-canção, 1954; Fim de comédia, samba-canção, 1951; Fogueira do coração (c/Torres Homem), canção, 1945; Foi covardia, samba, 1943; Foi você (c/Roberto Martins), samba, 1937; Gastei tudo num dia (c/Jorge Murad), marcha, 1960; Geme, negro (c/Sinval Silva), samba, 1946; Gente, samba, 1967; Gente bem também samba, samba, 1968; Guarda essa arma (c/Roberto Martins), marcha, 1938; Hei de me vingar (c/Osvaldo Guedes), samba, 1938; Herança do desgosto, samba, 1956; O homem e o cão (c/Artur Vargas Júnior), samba, 1968; Índia do Brasil (c/Aldo Cabral), marcha, 1947; Infidelidade (c/Américo Seixas), samba, 1947; Inimigo do samba (c/Jorge de Castro), samba, 1943; Intriga, samba, s.d.; Irajá, batucada, 1948; Ironia (c/Bide e Mário Nielsen), samba, 1938; Isto é que nós queremos, samba, 1946; Já sei sorrir (c/Claudionor Cruz), samba, 1939; João pouca roupa (c/Arlindo Marques Júnior, Roberto Roberti, Haroldo Lobo e Nássara), marcha, 1942; Jubileu, 1959; Juvenal, samba, 1957; Lá na quebrada do monte (c/Felisberto Martins), valsa, 1941; Lagoa serena (c/J. Batista), samba-canção, 1955; Lar antigo (c/Conde), samba, 1956; Laranja madura, samba, 1967; Larga meu pé, reumatismo, samba, 1972; Laura, samba,1944; Lenço branco, samba, 1967; Leonor (c/Djalma Mafra), samba, 1943; Leva meu samba..., samba, 1941; Lírios do campo (c/Peterpan), samba, 1950; Livro aberto, samba, 1965; Macumbê-macumba, samba, 1965; Madalena (c/Adeilton Alves de Sousa), samba, 1973; Madame Garnizé (c/Américo Seixas), samba, 1950; Mais amor para você, samba, 1962; O mais triste dos mortais, samba, 1956; Mal-agradecida (c/Jardel Noronha), samba, 1941; Mal de raiz (clAmérico Seixas), samba, 1950; Malvada, samba, 1962; Mamãe Eva, marcha, 1966; Mandinga (c/Carlos Imperial), samba, 1971; Maneiroso, choro, 1948; Mania da falecida (c/Wilson Batista), samba-batuque, 1939; Marcha da noiva (c/Aldo Cabral), marcha, 1949; Marcha pro oriente (c/Lamartine Babo), marcha, 1957; Maria da Conceição, samba, 1958; Maria Nazaré (c/José Inácio de Castro), marcha, 1967; Mártir no amor (c/Davi Nasser), samba, 1945; Mas que prazer (c/Felisberto Martins), samba, 1941; Me dá meu chapéu, samba, 1963; Me dá meu paletó (c/José Bispo dos Santos), samba, 1964; Me deixa sambar (c/Nelson Trigueiro), samba, 1943; Me queira agora, samba, 1973; Menina que pinta o sete (c/Roberto Martins), marcha, 1935; Mensageiro da dor, samba, 1960; Mensageiro da saudade (c/J. Batista), samba-canção, 1950; Mentira do povo (c/Elpídio Viana), samba, 1951; Mentira pura, samba, 1956; Mentira só, samba, 1964; Meu drama (c/Wilson Batista), samba, 1951; Meu lamento (c/Jacó do Bandolim), samba, 1956; Meu papel (c/Osvaldo França), samba, 1945; Meu pranto ninguém vê (c/José Gonçalves), samba, 1938; Meu protetor (c/Odilon Noronha), batucada, 1944; Meus tempos de criança, samba, 1957; Mil corações (c/Jorge Faraj), valsa, 1938; Minha infância, samba, 1965; Minha mãezinha, samba, 1957; Minha sombra (c/Davi Nasser), valsa, 1940; Minhas lágrimas (c/Conde), samba, 1953; Miraí, marcha, 1962; Morena faceira, samba, 1937; Um motivo, samba, 1947; Mulata assanhada, samba, 1956; Mulher do seu Oscar (c/Wilson Batista), samba, 1940; A mulher dos sonhos meus (c/Orlando Monello), samba, 1941; A mulher fez o homem (c/Roberto Martins), samba, 1941; Mulher fingida (c/Bide), samba, 1937; Mulher, toma juízo (c/Roberto Cunha), samba, 1938; O mundo está errado, samba, 1965; Na cadência do samba (c/Paulo Gesta), samba, 1961; Na ginga do samba, samba, 1964; Na hora da partida (c/Alberto Montalvão), samba, 1946; Não amou, não sofreu, não viveu (c/Luís Bandeira), samba, 1973; Não irei lhe buscar, samba, 1944; Não mando em mim (c/Bide), samba, 1938; Não posso acreditar, samba, 1973; Não posso crer, samba, 1936; Não posso resistir, samba, 1935; Não quero opinião de mulher (c/Newton Teixeira), samba, 1942; Não sei dar adeus (c/Wilson Batista), samba, 1939; Não tenho pressa, samba, 1963; Não vai, Zezé, batucada, 1940; Não volto mais (c/Bide), samba, 1936; Nego, tá se acabando (c/Vítor Bacelar), samba-maracatu, 1946; O negro e o café (c/Orestes Barbosa), samba 1945; Nem que chova canivete, samba, 1968; Nessa rua (c/J. Pereira), marcha, 1937; No apartamento discreto (c/Arlindo Marques Júnior), valsa, 1937; No meu sertão, samba-canção, 1937; Nós das Américas, samba, 1942; Noutros tempos era eu, samba, 1943; Nunca mais, samba, 1964; O que é que eu vou dizer em casa? (c/Miguel Gustavo), samba, 1948; O que que há?, samba, 1962; O ódio não destrói o ódio, samba, 1962; Oh!, seu Oscar (Wilson Batista), samba, 1941; Olha a saúde, rapaz (c/Roberto Roberti), samba, 1945; Ordem do rei, samba, 1960; Pago pra ver, batucada, 1972; Pai Joaquim da Angola, batuque, 1955; Palavra do rei, samba, 1956; Papai não vai (c/Wilson Batista), samba, 1942; Papai Noel (clBide), marcha, 1935; O pavio da verdade (c/Américo Seixas), samba, 1949; A pedida é essa, samba, 1961; Pela luz divina (c/Mário Travassos), samba, 1945; Pelo amor de Deus (c/Luís de França), samba, 1964; Pelo amor que eu tenho a ela (c/Antônio Almeida), samba, 1936; Perdi a confiança (c/Rubens Soares), samba, 1937; Pico a mula (c/José Batista), marcha, 1949; Pois é..., samba, 1955; Por amor ao meu amor, samba, 1937; Positivamente não (c/Marino Pinto), samba, 1940; Pra esquecer uma mulher (c/Claudionor Cruz), samba, 1940; Pra que mais felicidade (c/Mário Lago), samba, 1945; O prazer é todo meu (c/Claudionor Cruz), samba-canção, 1937; Primeiro de maio, marcha, 1962; Primeiro nós (c/Peterpan), batucada, 1941; Protesto, samba, 1965; Quando dei adeus (c/Wilson Batista), samba, 1941; Quando eu morrer, samba, 1958; Quanta tristeza (c/André Filho), samba-canção, 1937; Quantos projetos (c/Antônio Domingues), samba, 1961; Quem bate? (c/Max Bulhões), samba, 1937; Quem é que não sente? (c/Afonso Teixeira), samba, 1950; Quem é você (c/Dunga), samba, 1940; Quem mandou laiá (c/Roberto Martins), samba de partido-alto, 1942; Quem mandou você errar (c/Augusto Garcez), samba, 1940; Quem me deve me paga, samba-batucada, 1956; Quem não quer sou eu (c/Edvaldo Vieira), samba, 1963; Quem quiser que se aborreça, samba, 1962; Quero o meu pandeiro (c/Mário Lago), samba, 1944; Quinta raça (c/Antônio Domingues), marcha, 1967; Rabo de saia (c/Jorge de Castro), samba, 1955; Rainha da beleza (c/Jorge Faraj), samba, 1937; Rainha do mar, samba, 1958; Rainha do samba, samba, 1955; Receita (c/João Bastos Filho), samba, 1939; Rei vagabundo (c/Roberto Martins), samba, 1936; Reminiscências, samba, 1939; Represália, samba, 1942; Requebrado da mulata, samba, 1968; Um retrato de Minas, samba, 1957; Retrato do Rio, samba, 1965; Réu confesso, samba, 1954; Rio, cidade bendita (c/Francisco Caldas), marcha, 1965; Sai do meu caminho, samba, 1956; Salve a Bahia (c/Nelson Trigueiro), samba, 1943; Salve ela (c/Alberto Ribeiro), samba-batucada, 1937; Samba, Brasil (c/Aldo Cabral), samba, 1950; Samba de Bangu, 1957; Samba em Brasília, 1957; Sambou de pé no chão (c/Augusto Garcez), 1951; Santos Dumont (c/Aldo Cabral), marcha, 1957; Saudade da saudade, samba, 1958; Saudade dela, samba, 1936; Saudades da mulata, samba, 1952; Saudades do meu barracão, samba-canção, 1935; Se a saudade me apertar (c/Jorge de Castro), samba, 1955; Se eu fosse pintor, (c/Wilson Batista), samba, 1965; Sei que é covardia mas... (c/Claudionor Cruz), samba, 1939; Semeia mas não cresce, samba, 1960; Será... (c/Wilson Batista), samba, 1939; Seresta, samba, 1960; Sexta-feira, samba, 1933; Sim, foi ela (Darci de Oliveira), samba, 1942; Sim, sou eu, samba, 1940; Sim, voltei, samba, 1957; Sinhá Maria Rosa (c/Roberto Martins), toada-cateretê, 1935; Sinto-me bem, samba, 1941; Só me falta uma mulher (c/Felisberto Martins), samba, 1942; Solidão (c/Aldo Cabral), choro, 1953; Solitário, choro-canção, 1946; Sonhei com ela, samba, 1947; Sonho, samba, 1933; Talento não tem idade, samba, 1958; Tempo perdido, samba, 1934; Tenho prazer, samba, 1936; Terra boa (c/Wilson Batista), samba, 1942; O teu pranto é mentira, samba, 1965; Teus olhos (c/Roberto Martins), samba-choro, 1939; Tô ficando velho, marcha, 1960; Todo mundo enlouqueceu (c/Jorge de Castro), samba, 1945; Trovador não tem data (c/Wilson Falcão), marcha, 1939; Tu és esta canção, valsa-canção, 1940; Vá baixar noutro terreiro (c/Raul Marques), samba, 1945; Vai levando (c/José Batista), samba-batucada, 1953; Vai, Madalena, samba, 1972; Vai, mas vai mesmo, samba, 1958; Vai na paz de Deus (c/Antônio Domingues), samba, 1953; Vassalo do samba, samba, 1967; Velha Guarda, marcha, 1968; Vem amor (c/Raul Longras), samba, 1939; O vento que venta lá, batucada, 1957; Vestiu saia fá pra mim (c/José Batista), samba, 1953; Vida da minha vida, samba, 1949; Você é o meu xodó (c/Wilson Batista), samba, 1942; Você me deixou (c/Arnaldo Vieira Marçal), samba, 1939; Você não é como as flores (c/Carlos Imperial), samba, 1971; Você não nasceu pra titia, samba, 1964; Você não quer, nem eu, samba, 1955; Você não sabe, amor (c/Bide), samba, 1936; Você não tem palavra (c/Newton Teixeira), samba, 1941; Você nasceu pro mal, samba, 1960; Você passa e eu acho graça (c/Carlos Imperial ), samba, 1971; Vou buscar minha Maria (c/Claudionor Cruz), marcha, 1939; Vou tirar meu pé do lodo (c/Conde), batucada, 1953; Zé da Zilda, samba, 1955.
Fontes: MPB Compositores - Ed. Globo; Enciclopédia da Música Brasileira - PubliFolha.

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Sei que é covardia

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Sei que é covardia (samba) - Ataulfo Alves
Cm                G7              Cm
Sei que é covardia um homem chorar
G7 Cm G7 Cm
Por quem não lhe quer
G7 Cm
Sei que é covardia um homem chorar
G7 Cm C7
Por quem não lhe quer
Fm
Não descanso um só momento
G7
Não me sai do pensamento
Cm
Essa mulher
Eb7 Ab
Que eu quero tanto bem
G7 Cm
E ela não me quer!
Eb7 Ab
Que eu quero tanto bem
G7 Cm
E ela não me quer!
G7 Cm
Outro amor
C7 Fm
Não resolve a minha dor!
G7 Cm Ab
Só porque o meu coração
G7
Já não quer outra mulher
Cm
Pois é...

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Vida de minha vida

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Vida de minha vida (samba) - Ataulfo Alves
Ataulfo Alves

      Dm           E7    A7
Minha musa inspiradora
Dm
Minha noite de luar
C7
Agradeço ao Criador

Que me fez um sonhador
F D7
Pra melhor te exaltar

Gm C7
Rima rica do meu verso
F
Minha canção preferida
Eb A7
Melodia do meu samba
Dm Gm
Vida da minha própria vida

Dm
Estrela que brilha mais
A7
Que uma constelação
D7
Nestas noites de verão
Dm Gm
Ilumina os dias meus
A7
Minha querida
Dm Gm Dm
Vida da minha própria vida

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Laranja madura

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Laranja madura (samba, 1967) - Ataulfo Alves

G
Você diz
A
Que me dá casa e comida
D A
Boa vida e dinheiro pra gastar
Dm D
O que é que há minha gente
G A
O que é que há

Tanta bondade
Dm Dm7
Que me faz desconfiar


Dm A
Laranja madura

Na beira da estrada
D
Tá bichada, Zé
Dm Dm7
Ou tem marimbondo no pé


G A
Santo que vê muita esmola

Na sua sacola
D
Desconfia
A
E não faz milagres, não
Dm D
Gosto da Maria Rosa
G A
Quem me dá prosa

É Rosa Maria
Dm Dm7
Vejam só que confusão



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Na cadência do samba

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Existem dois sambas com o título de “Na Cadência do Samba”. O primeiro, de Luiz Bandeira, foi por ele lançado em junho de 56, sem maior sucesso. Tempos depois, adotado como prefixo e fundo musical para cenas de futebol no jornal cinematográfico Canal 100, de Carlos Niemeyer, popularizou-se, tornando-se conhecido pelo verso inicial “Que Bonito É”.
Novos Baianos

Já o segundo, seis anos mais novo, é um dos melhores da última fase de Ataulfo Alves, impressionando pelo curioso estribilho: “Sei que vou morrer não sei o dia / levarei saudades da Maria / sei que vou morrer não sei a hora / levarei saudades da Aurora / eu quero morrer numa batucada de bamba / na cadência bonita do samba.” Além da versão de Ataulfo, “Na Cadência do Samba” fez sucesso cantado por Elisete Cardoso, que por coincidência gravou também samba do Luís Bandeira (A Canção no Tempo - Vol. 2 - Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello - Editora 34) .

Na cadência do samba (samba, 1962) - Paulo Gesta e Ataulfo Alves
Dm                             Gm    A7
Sei que vou morrer, não sei o dia
Dm
Levarei saudades da Maria
D7 Gm C7
Sei que vou morrer, não sei a hora
F A7
Levarei saudades da Aurora

Dm A7
Quero morrer numa batucada de bamba
Dm
Na cadência bonita de um samba
C7 F
Mas o meu nome ninguém vai jogar na lama
A7
Diz o dito popular
Dm A7
Morre o homem fica a fama
Dm A7
Quero m orrer numa batucada de bamba
Dm
Na cadência bonita de um samba

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Vai, mas vai mesmo

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Vai, mas vai mesmo (samba, 1959) - Ataulfo Alves
Ataulfo Alves

Vai, vai mesmo
Eu não quero você mais
Nunca mais
Tenha a santa paciência
Ponha a mão na consciência
Deixe-me viver em paz
Vai ou não vai ?

Sai de vez do meu caminho
De a outro o seu carinho
Me abandone, por favor
Ai, que dor,
Você machucou meu peito,
Não tem mais o direito
De mandar no meu amor.
Vai, ou não vai ?

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Infidelidade

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Infidelidade (samba, 1947) - Ataulfo Alves e Américo Seixas
Ataulfo Alves

Aquele que considera,
O amor uma quimera,
Vive longe do sofrer,
Tem sempre os olhos enxutos,
Crê no amor de dez minutos,
E nelas não deve crer,
São falsas, na maioria,
E quando o homem confia,
Em tudo o que a mulher diz,
Heis a traição consumada
Uma vida desgraçada,
Um lar a mais infeliz.

Gostei de uma criatura,
Sem moral, sem compostura,
Sem coração, sem pudor,
Era o dono, do negócio,
Sem saber que havia um sócio
Na firma, do nosso amor,
Felizmente ainda alegra,
Saber-se que em toda regra,
Tem sempre a sua exceção,
Não julgo todas, por uma,
Pode ser que haja alguma
Com pudor e coração...

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Quanta tristeza

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Quanta tristeza (samba, 1937) - Ataulfo Alves e André Filho

Quanta tristeza
Eu trago dentro do meu coração
A vida é mesmo assim
Eu amo alguém que não gosta de mim.

Coração, para de bater,
É demais tanto padecer
Choro pra esquecer,
Este amor infeliz
Que me faz sofrer.

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A você

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A você (valsa, 1937) - Ataulfo Alves e Aldo Cabral
Carlos Galhardo

Em você
Tudo é encantamento
Em você
Tudo é deslumbramento
Você traduz
Sonhos de luz
Anjo divino
Qual uma dádiva do céu
No meu destino.

Em você eu encontrei, querida
A realização
Do que sonhei na vida
É você, na expressão da verdade
A minha apoteose de felicidade.

Seu olhar me fascina
Seu olhar me domina
Seu sorriso é um sorriso de santa
Seu andar macio, nos encanta
Nas linhas do seu corpo
Há um perfume de amor, embriagador
Enfim, você pra mim
É a encarnação desta canção!

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Saudade dela

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Saudade dela (samba, 1936) - Ataulfo Alves

Vai, vai saudade
A casa daquela ingrata
Que deixou você pra mim,
Você vai dizer a ela
Que eu agora sou feliz
Que você está no lugar
Da mulher que não me quis.

Vai, vai saudade
Vai depressa por favor
Se você gosta de mim
Volta e vem morar comigo
Naquela casa amarela
Só porque, saudade eu sei,
Você é saudade dela.

Ela foi,
Não sei se volta mais,
Que falta de consciência
Ela não tem pena dos meus ais,
( ai, ai, meu Deus)
A minha felicidade
É findar minha existência
Com você, saudade

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Saudade do meu barracão (samba, 1935) - Ataulfo Alves


Hoje choro com saudade do meu barracão
Toda riqueza que havia era um violão
E uma morena faceira me desprezou, ô, ô ô,
Só me deixou tristeza a alegria levou.

Hoje mora na cidade
Essa morena bonita
Toda cheia de vaidade,
Não usa mais chita
Procura tudo esquecer,
Volta pro teu barracão,
E ouve o que eu vou te dizer
Tudo isso é ilusão.

Hoje a morena faceira
Mora num arranha-céu
E eu passo a noite inteira
Cantando ao léo,
Pobre do meu violão
Já não tem mais alegria
Triste no meu barracão
Que, é só nostalgia.

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Carolina (marcha/carnaval, 1934) - Bonfiglio de Oliveira e Hervé Cordovil
Carlos Galhardo

Carolina
Carolina
Vai dizendo, por favor
Carolina
Carolina
Que você me tem amor

Carolina por você
Muita gente vai brigar
Você tem não sei o quê
E quem passa tem que olhar

Desde quando vi você
Nunca mais vivi em paz
Você tem não sei o quê
E quem passa olha pra trás

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Glória

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Glória (valsa, 1918) - Bonfiglio de Oliveira e Branca M. Coelho

Quando a brisa espalha
A essência de uma flor
Bela imagem surge no meu coração !
És tu...
Vem lembrar-me a quadra
Do primeiro amor...
Vem prender mais ainda
As algemas desta escravidão

Tu és a gloria de Satã,
No reino da traição
E tens no peito rubra pedra
Em forma de coração
Tua boca, linda de maçã
É o fruto da tentação

Tu és a rocha, eu sou o mar,
A te beijar...
Mas a vida é cárcere divino
Temos o destino, branco ou purpurino
Escrito lá nos céus !...


Deus, ó, Deus,
Tendo por caridade compaixão,
Piedade da infelicidade
Que se abriga em mim
Enviai um raio de esperança
De rósea bonança
Para quem não cansa de gemer assim,
Pelo amor que tive na vida
Leva a passageira de um pálido jasmim...

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Partituras no formato pdf

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Algumas partituras, a seguir, no formato PDF se encontram zipadas.

Anônimo: Feliz Aniversário / Modinha
Baden Powell : Retrato Brasileiro / Valsa sem Nome
Carlos Gardel: Adios Muchachos / Sus Ojos se cerraron
Dilermando Reis: Subindo ao Céu
Ernesto Nazareth: Odeon
Heitor Villa Lobos: Choros no.1 / Preludio no. 1 / Samba Lelê / Suite Popular Brasileira
João Pernambuco: Sons de carrilhão
Laurindo Almeida: Destino
Luiz Bonfá: Ilha de Coral / Manhã de Carnaval / Samba de duas notas /Samba Negro / Sambalamento
Tom Jobim: Esperança Perdida / Garota de Ipanema / Samba do Avião /Solidão
Zequinha Abreu: Tico Tico no Fubá


Disseram que voltei americanizada

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Carmen Miranda color

Carmen Miranda

Disseram que voltei americanizada (samba, 1940) - Vicente Paiva e Luiz Peixoto

Disseram que voltei americanizada
Com o burro do dinheiro
Que estou muito rica
Que não suporto mais o breque de um pandeiro
E fico arrepiada ouvindo uma cuíca


E disseram que com as mãos estou preocupada
E corre por aí
Que eu sei
Certo zum-zum
Que já não tenho molho, ritmo, nem nada


E dos balangandãs
Já nem existe mais nenhum
Mas para cima de mim
Pra que tanto veneno?
Eu posso lá ficar americanizada?


Eu que nasci com o samba
E vivo no sereno
Tocando a noite inteira a velha batucada
Nas rodas de malandro, minhas preferidas
Digo mesmo ‘eu te amo’ e nunca ‘I love you’
Enquanto houver Brasil na hora da comida
Eu sou do camarão, ensopadinho com chuchu

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Bambo de bambu

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Carmen Miranda

Bambo de bambu (samba, 1939) - Donga, Almirante, V. Abreu e P. Teixeira.

(Refrão:)

Olha o bambo de bambu, bambu, bambu
Olha o bambo de bambu, bambulelê
Olha o bambo de bambu, bambulalá
Eu quero ver dizer três vezes
Bambulelê, bambulalá


Fui a um banquete na casa do Zé Pequeno
A mesa tava no sereno pra todo mundo caber
Tinha de toda qualidade de talher
Tinha mais homem que mulher
Mas só não tinha o que comer, bambu


(Refrão)

No tal banquete dito-cujo referido
Mulher que tinha marido
Não passou aperto, não
Pois as danadas, para não morrer de fome
Cada qual comeu seu homem
Não tiveram indigestão, bambu


(Refrão)

Conheço um homem que tem 17 filhos
Que pôs tudo no desvio
Pra polícia empregar
A mulher dele, de beleza ainda promete
Dar a luz a 17
Pra depois então parar


(Refrão).

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Carmen Miranda Coração (samba, 1934) - Synval Silva
Carmen Miranda

Coração,
Governador da embarcação do amor,
Coração,
Meu companheiro na alegria e na dor,
A felicidade procurada corre,
E a esperança é sempre a última que morre.
(bis)

Coração que não descansa noite e dia,
Sempre aguardando uma alegria,
Esperando no mar desta vida,
Embarcação à procura,
De um porto feliz de salvação....

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Mulher de malandro

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Mulher de malandro (samba, 1932) - Heitor dos Prazeres e Francisco Alves
Francisco Alves

Mulher de malandro sabe ser,
Carinhosa de verdade
Ela vive com tanto prazer
Quanto mais apanha, a ele tem amizade,
(longe dele tem saudade)

Ela briga com o malandro
Enraivecida manda ele andar
Ele se aborrece e desaparece
Ela sente saudade, vai procurar,
(há um ditado muito certo: pancada de amor não dói)

Muitas vezes ela chora
Mas não despreza o amor que tem
Sempre apanhando e se lastimando
Perto do malandro se sente bem,
(êh! meu bem, o malandro também tem seu valor)

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Favela (Hekel Tavares)

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Favela (samba, 1933) - Hekel Tavares e Joraci Camargo
Raul Roulien

No carnaval me lembro tanto da favela
Onde ela morava
Tudo o que eu tinha era
Uma esteira e uma panela
E ela gostava

Por isso eu ando pelas ruas da cidade
Vendo que a felicidade
Foi aquilo que passou
E a favela, que era minha
E que era dela,
Só deixou muita saudade
Porque o resto ela levou.

Inda outro dia,
Eu fui lá em cima na favela,
E ela não estava
Onde era a casa
Encontrei uma chinela
Que ela sambava

Me lembro tanto do café numa tigela
Que ela me dava
E de umas rezas
Que por mim,
Lá na capela
Só ela rezava.

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Não me abandones nunca

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Não me abandones nunca (valsa, 1938) - Joubert de Carvalho

Sem teu amor
Não sei viver,
Rogo a teus pés:
Não me abandones nunca.
O teu carinho é tudo
Que eu tenho na vida.
É a chama que ilumina
Minh'alma enternecida.

Quem me dera
Que fosses tão minha
Quanto o meu coração
Te pertence
Há nele a ilusão
De cantar
Este amor
Que o embala e o faz sonhar.

Quem me dera
Que te embriagasses
No licor deste anseio
Eu não diria em vão:
Não me abandones nunca.
É teu o meu coração.

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A flor e a vida

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A flor e a vida (valsa, 1970) - Joubert de Carvalho e Ieda Fonseca

Eu jamais pensei em te deixar.
Sucedesse não te ver, um dia,
Pudesse tal coisa acontecer,
De mim o que seria?
Talvez aquela flor que não enfeita mais,
A que deixara a graça no abandono,
E, sem dono, fôra o seu destino,
Jogada fora ou esquecida.
E assim tem sido a vida, vou sofrendo.
E a flor de outrora perfumada, vai morrendo.
E vendo pétalas no chão da flor caída,
Tive inveja então...
Quisera ser a terra
Que em seu seio encerra
A flor e a vida.

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Silêncio do cantor

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Silêncio do cantor (bolero, 1952) - Joubert de Carvalho e David Nasser

Quando eu deixar de cantar
Quando eu nunca mais gravar
Meus sambas, minhas canções,
Quando calar na garganta
Esta voz que hoje canta
Para os vossos corações.

Quando o meu canto esquecido
For pássaro ferido
Que já não pode voar
Tu, só tu, meu violão,
Amigo na solidão
Saberás me suportar.

Iremos lembrar juntinhos
Eu e tu, ambos velhinhos,
Nossos fracassos de amor
Tu, só tu, madeira fria
Sentirás toda a agonia
Do silêncio do cantor.

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Nunca soubeste amar

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Nunca soubeste amar (valsa, 1946) - Joubert de Carvalho

Não vejo a minha luz
o meu luar amigo de sempre
Não queria ver na vida
um céu sem estrelas
Meu amor não me compreende
porque as noites que se escoam
são longas, são noites de pranto
Ah! Eu Lamento tanto...
na tristeza dos céus
carregados de nuvens,
que são um presságio
erguidas na imensidão sem destino
Mas oh! meu grande amor
eu preciso, entretanto, dizer-te:
nunca soubeste amar
um beijo iluminar
que me mostrasse um céu eterno
Nunca soubeste amar
sem nuvens pelo azul
vivo a esperar a noite de luar.

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Em pleno luar

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Em pleno luar (fox-canção, 1940) - Joubert de Carvalho

Depois que o sol no céu se escondeu
A noite, então desceu,
E sobre mim debruçou
O seu negro manto
Pontilhado de outra luz
De muito mais encanto,
Em pleno luar, eu perguntei
Entre as mulheres
Uma que dissesse
Qual a razão
Do amor ser diferente
Ao prender o coração da gente


Em pleno luar me respondeu:
Que as ilusões
Variavam, como a lua.
Do crescente ao minguante
É assim nosso amor
Vive a glória de um instante.

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Maria Maria

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Maria Maria (valsa, 1940) - Joubert de Carvalho

Eu sinto que em tua alma,
Há restos de amargura,
Um pingo d'agua brilha nos teus olhos,
É por que tu não tivestes,
Uma aventura.


O teu mal é acreditar,
Em palavras vãs de amor,
Maria Maria, não creias,
Em juras de eterno amor.

Sonho nasceste, na esperança
Sentirás o frio dos desenganos,
Maria, Maria, o mundo,
É uma felicidade,
Sonhar com ela, Maria,
Com ela, felicidade.

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Dor (canção, 1932) - Joubert de Carvalho e Cleómenes Campos
LP Paulo Tapajós 1972

Dor
que trucida minh'alma
e que faz-me chorar
sufocas na garganta
meu soluçar


És companheira sombria
do prazer que floresce
também do amor que não se esquece


Disse alguém que não tens morada
que andas aqui e acolá
tal qual uma abandonada


Onde moras dor cruel, pungente
É na casa da saudade
onde vive tanta gente


Onde moras dor cruel, pungente
É na casa da saudade
onde vive tanta gente

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Juriti

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Juriti (canção, 1927) - Joubert de Carvalho

Juriti que arrulha triste,
Põe tristeza na amplidão,
E minh'alma não resiste,
Chora com meu coração.

Juriti, que tanto arrulhas,
Por que choras tanto assim,
Se são mágoas que debulhas,
Vem chorar, junto de mim.

Juriti... Juriti,
Onde vai teu arrulhar,
E a saudade que maltrata,
De que vale soluçar,
Deixa o ninho, deixa a mata,
Vem aqui me consolar,
Juriti... Juriti,
Vem aqui me consolar.

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Quá, quá, quá

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Mário Reis e Francisco Alves

Quá, quá, quá (samba, 1930) - Lauro dos Santos

Ri, quá, quá, quá,
Oi, desse alguém que tanto chora
Desse alguém que tanto chora por mim
Não posso ter amizade
Porque tenho em quem pensar
Deixa esta mulher chorar ( de saudade )

De saudade, esta mulher vive a chorar
De saudade, ela anda a soluçar
Não faz mal, pois o mundo é mesmo assim
Eu também gosto de alguém
Que não tem pena de mim !

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Deixa essa mulher chorar (samba, 1931) - Sílvio Fernandes

Deixa essa mulher chorar
Deixa essa mulher chorar
Francisco Alves
e Mário Reis
Pra pagar o que me fez
Pra pagar o que me fez
Zombou de quem soube amar, por querer
Hoje toca a tua vez de sofrer

Não te lamentes
O mundo é mesmo assim
Chora, que eu já chorei
E tu zombaste de mim
Amei e não venci
Outro não amou, venceu
Foi protegido da sorte
Foi mais feliz do que eu
Oi, deixa essa mulher chorar

Estou bem feliz
Não me fazes mais sofrer
Agora sou eu quem diz
Que não quero mais te ver
Amar como eu te amei
Era para enlouquecer
Juro que nunca pensei
Que pudesse te esquecer
Oi, deixa essa mulher chorar

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Em 1929, retornando ao Rio de uma temporada em Santos e Poços de Caldas, Ary Barroso deixou suas músicas na casa editora Carlos Wehrs, de onde duas - Vamos deixar de intimidade e Vou à Penha - foram levadas por Olegário Mariano e Luiz Peixoto para serem incluídas na revista Laranja da China, que era apresentada no Teatro Recreio. Vamos deixar de intimidade acabou sendo gravada por seu amigo e colega de faculdade Mário Reis, transformando-se no primeiro sucesso de Ary.

Vamos deixar de intimidade (samba, 1929) - Ary Barroso
Mário Reis

Mulher
Vamos deixar de intimidade
Entre nós mais nada existe
Nem o amor nem a saudade
Mulher
Vamos deixar de intimidade
Entre nós mais nada existe
Nem o amor nem a saudade

Tu juraste certo dia
Aos meus pés cinicamente
Que o amor não morreria
Ele foi, zombou da gente
Mas veio outro
Me puseste na rua
Eu também não me incomado
Minha vida continua

Mulher
Vamos deixar de intimidade
Entre nós mais nada existe
Nem o amor nem a saudade
Mulher
Vamos deixar de intimidade
Entre nós mais nada existe
Nem o amor nem a saudade

Um amor que a gente perde
É semente de outro amor
Se pra tudo tem remédio
Também tem remédio a dor
Mas o meu santo que me
guarda é muito forte
Se me livro dos teus olhos
Também me livra da morte

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Amigo infiel

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Amigo infiel (samba, 1938) - Benedito Lacerda e Aldo Cabral
   Dm         C7
Escute amigo leal
Bb7 A7
Teu sofrimento é igual
Dm Dm/F A7 Dm
Ao que hoje trago comigo

C7
Usaste de lealdade
Bb7 A7
Dentro de nossa amizade
D D/Gb Em A7 D
Mas eu não fui teu amigo

A7 D
Numa paixão incontida
A7 D
Roubei-te a mulher querida
F° Em C7 B7 Em
Sem que soubesses talvez
A7
Com dinheiro e falsidade
Em A7
Por minha felicidade
F° D B7 E7 A7 D
Fiz a desgraça de três

A7 D
Perdoa-me bom amigo
A7 D
Teu perdão será o abrigo
D7 G
do remorso deste drama
Gm D C7
Meu desengano eu já tive
B7 E7
Hoje ela comigo vive
A7 Dm
Mas é a ti que ela ama.

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Bamboleô

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Bamboleô (samba, 1931) - André Filho

Bamboleô, bamboleá
A vida eu levo cantando
Pra não chorar


Todos se queixam da sorte
Quase sempre reclamando
Mas eu que conheço a escrita
Deixo tudo e vou girando


Bamboleô...

Todo mundo vive triste
Fala, fala, o dia inteiro
O mal de toda essa gente
É a falta de dinheiro


Bamboleô...

Neste mundo de ilusão
Só não goza quem não quer
Pois a vida só consiste
No dinheiro e na mulher


Bamboleô...

Tudo passa nessa vida
Nada fica pra semente
Não se matando a tristeza
A tristeza mata a gente

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Uva de caminhão

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Uva de caminhão (samba, 1939) - Assis Valente
Carmen Miranda

Já me disseram que você andou pintando o sete
Andou chupando muita uva
E até de caminhão
Agora anda dizendo que está de apendicite
Vai entrar no canivete, vai fazer operação

Oi que tem a Florisbela nas cadeiras dela
Andou dizendo que ganhou a flauta de bambu
Abandonou a batucada lá na Praça Onze
E foi dançar o pirolito lá no Grajaú

Caiu o pano da cuíca em boas condições
Apareceu Branca de Neve com os sete anões
E na pensão da dona Estela foram farrear
Quebra, quebra gabiroba quero ver quebrar

Você no baile dos quarenta deu o que falar
Cantando o seu Caramuru, bota o pajé pra brincar
Tira, não tira o pajé, deixa o pajé farrear
Eu não te dou a chupeta, não adianta chorar

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O dinheiro que ganho

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O dinheiro que ganho (samba, 1951) - Assis Valente
4 Ases e 1 Coringa

O dinheiro que ganho
Não dá pra ficar no meio da rua
Pra cá e pra lá, pra lá e pra cá
O dinheiro que ganho só dá pra viver
No meu barracão, sentado no chão
Comendo de mão farinha, feijão
Olhando a cabrocha mexendo o legume
Pra não azedar

O dinheiro que ganho ...

Se fico na rua lá vem um amigo
E eu sou obrigado a lhe convidar
Tomar um traguinho, bater um papinho
Dar uma voltinha pro tempo passar
Depois do passeio, lá vem o jantar
E também o café
Lá se vai meu dinheiro
E eu vou pro Salgueiro a pé
Meu dinheiro não dá

O dinheiro que ganho ...

Se fico na rua lá vem um amigo ...

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Minha Embaixada chegou

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Minha Embaixada chegou (samba, 1934) - Assis Valente
  C        G7       C
Minha embaixada chegou
G7 C
Deixa meu povo passar
F Fm C
Meu povo pede licença
A7 D7 G7 C
Pra na batucada desacatar

C Bb7 A7
Vem vadiar no meu cordão
Dm
Cai na folia meu amor
G7 C
Vem esquecer tua tristeza
A7 D7
Mentindo a natureza
G7 C
Sorrindo a tua dor

C Bb7 A7
Eu vi o nome da favela
Dm
Na luxuosa academia
G7 C
Mas a favela pro doutô
A7 D7
É morada de malandro
G7 C
E não tem nenhum valor

Vem vadiar no meu cordão...

C Bb7 A7
Não tem doutores da favela
Dm
Mas na favela tem doutores
G7 C
O professor se chama bamba
A7 D7
Medicina na macumba
G7 C
Cirurgia lá é samba

Vem vadiar no meu cordão...

C Bb7 A7
Já não se ouve a batucada
Dm
A serenata não há mais
G7 C
E o violão deixou o morro
A7 D7
E ficou pela cidade
G7 C
Onde o samba não se faz

Vem vadiar no meu cordão...


C G7 C
Minha embaixada chegou
G7 C
Meu povo deixou passar
F Fm C
Ela agradece a licença
A7 D7
Que o povo lhe deu
G7 C
Para desacatar

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Este samba foi feito pra você (samba, 1935) -
Assis Valente e Humberto Porto
Mário Reis

Este samba foi feito pra você
Pra você numa noite de luar
Na noite em que eu fiquei sem o teu amor
Sozinho pelas ruas a vagar

Noite em que você de mim se afastou
Tendo no riso uma condenação
Noite em que você sorrindo matou
Toda a esperança do meu coração

Este samba foi feito pra você...
E pela rua este samba a cantar
Vi um alguém na tristeza gemer
Era o amor que você quis matar
Meu coração que você fez sofrer
Este samba foi feito pra você...

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Cai, cai, balão

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Aurora Miranda e Francisco Alves

Cai, cai, balão (marcha junina, 1932) - Assis Valente

( Gm, D, D7, G )
Cai, cai, balão!
Você não deve subir
Quem sobe muito
Cai depressa sem sentir
A ventania
De sua queda vai zombar
Cai, cai, balão!
Não deixe o vento te levar

Numa noite na fogueira
Enviei a São João
O meu sonho de criança
Num formato de balão
Mas o vento da mentira
Derrubou sem piedade
O balão do meu destino
Da cruel realidade

Atirada pelo mundo
Eu também sou um balão
Vou subindo de mentira
No azul da ilusão
Meu amor foi a fogueira
Que bem cedo se apagou
Hoje vivo de saudade
É a cinza que ficou!

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Tem marujo no samba

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Tem marujo no samba (samba, 1949) - João de Barro

clique para ouvir amostra da música

Chegou a primeira escola de samba
Escola que não tem rival
Pelo som da bateria
Até parece o Batalhão Naval


Neste mundo só há duas coisas
Que balançam o meu coração
É a ginga da minha cabrocha
E a cadência do meu Batalhão


Duas coisas somente no mundo
Fazem meu corpo balancear
A cadência de um samba de morro
E o balanço das ondas do mar


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Tem gato na tuba

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Tem gato na tuba (marcha, 1948) - João de Barro e Alberto Ribeiro
Nuno Roland

Todo domingo
Havia banda
No coreto do jardim
E já de longe
A gente ouvia
A tuba do Serafim


Porém um dia
Entrou um gato
Na tuba do Serafim
E o resultado
Dessa "melódia"
Foi que a tuba
Tocou assim:


Pum, pum, pum - miau
Pum, pururum, pum, pum - miau
Pum, pum, pum - miau
Pum, pururum, pum, pum - miau

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A mulata é a tal

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A mulata é a tal (marcha, 1948) - João de Barro e Alberto Ribeiro
Ruy Rey

Branca é branca, preta é preta
mas a mulata é a tal, é a tal!
Quando ela passa todo mundo grita:
Estou aí nessa marmita?


Quando ela bole com os seus quadris
eu bato palmas e peço bis
Ai, mulata, cor de canela!
Salve, salve, salve, salve ela!

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Pirata

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Pirata (marcha, 1936) - João de Barro e Alberto Ribeiro
Diricinha Batista

Pirata
Pirata da areia
Que não rouba embarcações
Que fica nas praias serenas
Avançando nas pequenas
E assaltando corações!


Pirata, você não me engana
Pirata da areia de Copacabana
Cuidado linda sereia
E apanhar não se deixe
Que ele diz de boca cheia
Que quem cai na rede é peixe!


A prometer casamento
Passa a noite e passa o dia
E até hoje ainda não sabe
Onde fica a Pretoria!

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Cadê Mimi?

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Cadê Mimi? (marcha, 1936) - João de Barro e Alberto Ribeiro
Mário Reis

Cadê Mimi? Cadê Mimi?
Mimi que fugiu pra Xangai
Mimi que partiu me deixando aqui
Do meu pensamento não sai


Cadê Mimi? Cadê Mimi?
O meu bibelô japonês
Que ainda espero encontrar e amar
Amar mais uma vez


Perguntei a todos por Mimi
O meu bibelô que eu encontrei e perdi
Mas ninguém, ninguém soube dizer
Onde é que Mimi foi viver


Se algum dia eu encontrar Mimi
O meu bibelô que eu achei e perdi
Vou guardar Mimi n