quarta-feira, 9 de agosto de 2006

Coisas nossas

Noel Rosa
Com a gradual implantação do som no cinema brasileiro, Wallace Downey, um americano ligado à nossa indústria fonográfica, percebeu que a produção de filmes musicais poderia ser um negócio muito lucrativo. Assim apoiado pela empresa Byington & Cia., de São Paulo, realizaria em 1931 o curta-metragem “Mágoa Sertaneja” e o longa “Coisas Nossas”, os musicais pioneiros do nosso cinema.

Inspirado, talvez, pelo título deste último, Noel Rosa compôs o samba homônimo (também conhecido por “São coisas nossas”), em que “filosofa” espirituosamente sobre hábitos, manias e “outras bossas” tipicamente brasileiras — “O samba, a prontidão e outras bossas / são nossas coisas, são coisas nossas...”. “Coisas Nossas” e mais outros quatro sambas foram lançados por Noel em discos Columbia, empresa que na época havia instalado um estúdio de gravação no Rio de Janeiro (A Canção no Tempo - Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello - Editora 34).

Coisas nossas (samba, 1932) - Noel Rosa

Disco 78 rpm / Título: Coisas nossas / Autoria: Rosa, Noel, 1910-1937 (Compositor) / Rosa, Noel, 1910-1937 (Intérprete) / Imprenta [S.l.]: Columbia, 1931-1932 / Nº Álbum 22089 / Gênero: Samba /
E               B7               E            E7
Queria ser pandeiro    /  Pra sentir o dia inteiro
A            Am6      E     E7
A tua mão na minha pele a batucar
A          B7          Abm7   Db7/-9
Saudade do violão e da palhoça
Gb7       B7           E
Coisa nossa   /       Muito nossa
Bb7/-5 A      Am6            Abm7
O samba, partidão e outras bossas
Db7/-9      Gb7       B7         E
São nossas coisas / São coisas nossas
E           B7          E               E7
Menina que namora na esquina /   e no portão
A             Am6                E
Rapaz casado com dez filhos   /  sem tostão
E7    A                  B7           Abm7   Db7/-9
Se o pai descobre  /   o truque dá uma coça
Gb7      B7               E
Coisa nossa  /             Muito nossa  
Bb7/-5
O samba, partidão . . . .  
   E           B7         E          E7             A
Baleiro, jornaleiro, motorneiro  /  Condutor e motorista
Am6           E  
Prestamista, vigarista /
E7    A          B7      Abm7   Db7/-9
E o carro que parece uma carroça
Gb7      B7               E
Coisa nossa  /          Muito nossa
Bb7/-5
O samba, partidão . . . . . 
  E               B7             E
Malandro que não bebe, que não come
E7       A            Am6          E     E7
Que não abandona o samba / Pois o samba mata a fome
A        B7            Abm7  Db7/-9
Morena bem bonita lá na roça
Gb7     B7                 E
Coisa nossa  /            Muito nossa

Boa viagem

Noel Rosa
Boa viagem - Ismael Silva e Noel Rosa

Disco 78 rpm / Título da música: Boa viagem / Autoria: Rosa, Noel, 1910-1937 (Compositor) / Silva, Ismael (Compositor) / Aurora Miranda (Intérprete) / Turma da Serenata (Acompanhante) / Imprenta [S.l.]: Odeon, 1934 / Nº Álbum 11187 / Lado B / Lançamento: Janeiro/1935 / Gênero musical: Samba /
C          A7         D7    
Se não mandei você embora, enfim,
G7                  C
foi porque me faltou a coragem
A7           Dm      F/A
Mas se você vai dar o fora, então,
Fm/Ab  C/G  A7 D7     C
passe  bem,   boa  viagem!
C          A7         D7
Se não mandei você embora,
G7                  C
enfim, foi porque me faltou a coragem
A7           Dm
Mas se você vai dar o fora,
F/A  Fm/Ab  C/G A7 D7 G7  C
então, passe  bem,   boa  viagem!
         A7     Dm             G7            C
O amor é como a chama, tem princípio, meio e fim
A7           Dm        G7           C/Bb
Se você já não me ama, para que fingir assim?
C7/E       F/A         Fm/Ab      C/G
Não mandei você embora porque sou  benevolente
A7        D7          G7       C    A7 D7 G7
Para que você agora quer sair ocultamente

C          A7         D7       
Se não mandei você embora, enfim,
G7                 C
foi porque me faltou a coragem
A7           Dm      F/A
Mas se você vai dar o fora, então,
Fm/Ab  C/G A7 D7 G7  C
passe  bem,   boa  viagem!
           A7      Dm          G7           C
Seu desejo não me assombra, ofereço o meu auxílio
A7           Dm         G7             C/Bb
Passa bem, vá pela sombra, acabou-se o nosso idílio
C7/E        F/A         Fm/Ab         C/G
Seu amor e o seu nome, eu também  vou esquecer
A7              D7            G7        C
Desta vez juntou-se a fome com a vontade de comer!
 

Fonte: Samuel Machado Filho - Youtube.

Araruta

Araruta (samba, 1932) - Orestes Barbosa e Noel Rosa

Disco 33 1/3 rpm / Título: Araruta / Autoria: Barbosa, Orestes (Compositor) / Rosa, Noel, 1910-1937 (Compositor) / Conjunto Coisas Nossas (Intérprete) / Imprenta [S.l.]: Estudio Eldorado, 1983 / Álbum: Noel Rosa - Inédito e Desconhecido / Nº Álbum: LP 79.83.0408 / Lado B / Faixa 5 / Gênero musical: Samba /
Intr.: Ab / / C / A7 A/G D7/F# D/C G7/B 
G7 A7 Bb7 A7 / Ab / / C / A7 A/G D7/F# 
D/C G7/B G7 C G7 C

C     C/E G7 C                A7  Bb7
Tu pedes     mandando, "faça o favor" 
A7         Dm  A7
a tua boca nunca diz
Dm      G7
Tu cedes negando,
com esses olhos que pra mim são dois fuzis
C    C/E G7 C  
Sou mole,    ma_nhoso
A7     Bb7  A7          Dm
Teus impropérios retribuo com brandura
C7 F    Fm/Ab      C/G  A7 
Pois       água mole 
D7         G7           C    G7 C
na pedra dura tanto bate até que fura!,/pre>
Ab / / C / A7 A/G D7/F# D/C G7/B G7 A7 Bb7 A7 /
Ab / / C / A7 A/G D7/F# D/C G7/B G7 C G7 C

C/E G7 C            A7   Bb7
Tu beijas     mentindo, a tua boca  
A7           Dm  A7
beija e mente sem sentir
Dm       G7
Desejas sorrindo que o teu perdão humildemente eu vá pedir
C    C/E G7 C          A7     Bb7   A7           Dm
Não peço,    es_pero ainda ver-te entre lágrimas bem mal
C7 F   Fm/Ab   C/G  A7 
Meu bem, escuta: 
D7           G7        C
A araruta tem seu dia de mingau!

A.b.surdo

A-b-surdo (marcha, 1931) - Lamartine Babo e Noel Rosa

Disco 78 rpm / Título da música: A-b-surdo / Autoria: Babo, Lamartine, 1904-1963 (Compositor) / Rosa, Noel, 1910-1937 (Compositor) / Jacobino, Olga (Intérprete) / Babo, Lamartine, 1904-1963 (Intérprete) / Rosa, Noel, 1910-1937 (Intérprete) / Imprenta [S.l.]: Odeon, 1931 / Nº Álbum 13273 / Lado A / Gênero musical: Marcha /
Intr.:(C7  F  Fm/Ab  C/G  A7  D7  G7  C) 2 Vezes

         G7                         C
Nasci na Praia do Vizinho oitenta e seis
             G7                C
Vai fazer um mês (Vai fazer um mês)
        G7                         C
A minha tia me emprestou cinco mil-réis
               G7                   C
Pra comprar pastéis (Pra comprar pastéis)

      E7                   Am
É futurismo, menina, É futurismo, menina
           C            D7      G7    C
Pois não é marcha, nem aqui nem lá na China
      E7                   Am
É futurismo, menina, É futurismo, menina
           C            D7      G7    C
Pois não é marcha, nem aqui nem lá na China

Solo.:(F  Fm/Ab  C/G  A7  D7  G7  C  C7
       F  Fm/Ab  C/G  A7  D7  G7  C)

         G7                        C
Depois mudei-me para a Praia do Caju
           G7              C
Para descansar (Para descansar)
       G7                     C
No cemitério toda gente pra viver
            G7               C
Tem que falecer (Tem que falecer)
 
      E7                   Am
É futurismo, menina, É futurismo, menina
           C            D7      G7    C
Pois não é marcha, nem aqui nem lá na China
      E7                   Am
É futurismo, menina, É futurismo, menina
           C            D7      G7    C
Pois não é marcha, nem aqui nem lá na China

Solo.:(F  Fm/Ab  C/G  A7  D7  G7  C  C7
       F  Fm/Ab  C/G  A7  D7  G7  C)

         G7                    C
Seu Dromedário é um poeta de juízo
            G7                 C
É uma coisa louca (É uma coisa louca)
            G7                        C
Pois só faz versos quando a lua vem saindo
             G7                 C
Lá do céu da boca (Lá do céu da boca)

      E7                   Am
É futurismo, menina, É futurismo, menina
           C            D7      G7    C
Pois não é marcha, nem aqui nem lá na China
      E7                   Am
É futurismo, menina, É futurismo, menina
           C            D7      G7    C
Pois não é marcha, nem aqui nem lá na China

Eu sei sofrer

Aracy de Almeida
Eu sei sofrer (samba, 1937) - Noel Rosa

Disco 78 rpm / Título da música: Eu sei sofrer / Autoria: Rosa, Noel, 1910-1937 (Compositor) / Araci de Almeida, 1914-1988 (Intérprete) / Conjunto Boêmios da Cidade (Acompanhante) / Imprenta [S.l.]: Victor, 1937 / Nº Álbum 34176 / Lado A / Gênero musical: Samba /

Quem é que já sofreu mais do que eu?
Quem é que já me viu chorar? 
Sofrer foi o prazer que Deus me deu 
Eu sei sofrer sem reclamar
Quem sofreu mais do que eu não nasceu 
Com certeza Deus já me esqueceu 

Mesmo assim, não cansei de viver 
E na dor eu encontro prazer
Saber sofrer é uma arte 
E pondo a modéstia de parte 
Eu posso dizer que sei sofrer 

(repete a 1a. estrofe) 

Quanta gente que nunca sofreu 
Sem sentir, muitos prantos verteu 
Já fui amado, enganado 
Senti quando fui desprezado 
Ninguém padeceu mais do que eu 

(repete a 1a. estrofe)

De babado

Marília Batista
De babado (samba, 1936) - João Mina e Noel Rosa

Disco 78 rpm / Título da música: De babado / Autoria: Mina, João (Compositor) / Rosa, Noel, 1910-1937 (Compositor) / Rosa, Noel, 1910-1937 (Intérprete) / Marília Batista, 1918-1990 (Intérprete) / Imprenta [S.l.]: Odeon, 1936 / Nº Álbum 11337 / Lado A / Gênero: Samba /

De Babado sim,
Meu amor ideal
Oi de babado, não

Seu vestido de babado
Que é de fato alta costura
Me fez sábado passado
Ir até a Cascadura

(breque:) E voltei com a perna dura


Com vestido de babado
Eu comprei lá em Paris
Eu sambei num batizado
Não dei palpite infeliz

(breque:) Você não viu porque não quis

Quando eu ando a seu lado
Você sobe de valor

Seu vestido de babado
É você sem meu amor

(breque:) Eu acho bombom sem doçura

Quando andei pela Bahia
Pesquei muito tubarão
Mas pesquei um bicho, um dia
Que comeu a embarcação

(breque:) Não era peixe, era dragão

Brasileiro diz, "Meu Bem "
E Francês diz, Mon Amour
Você diz, "Vale quem Tem "
Muito dinheiro pra pagar seu ponto "ajour"

(breque:) Eu ando sem "I'argent toujours"

Tu me diz um verso agora
Que eu já vou me mandar
Não vou dizer porque tenho respeito
Estou com o verso aqui no peito

(breque:) Oi, você vai me desculpar

Você vai se quiser

Você vai se quiser (samba, 1936) - Noel Rosa - Intérprete:

Disco 78 rpm / Título da música: Você vai se quiser / Autoria: Rosa, Noel, 1910-1937 (Compositor) / Marília Batista, 1918-1990 (Intérprete) / Rosa, Noel, 1910-1937 (Intérprete) / Imprenta [S.l.]: Odeon, 1936 / Nº Álbum 11422 / Lado B / Gênero musical: Samba /

Você vai se quiser,
Pois a mulher,
Não se deve obrigar,
A trabalhar,
Mas não vá dizer depois,
Que você não tem vestido,
Que o jantar não dá pra dois.
(bis)

Todo o trato masculino,
Desde o grande ao pequenino,
Hoje em dia é pra mulher,
E por causa dos palhaços,
Ela esquece que tem braços,
Nem cozinhar ela quer !

Os direitos são iguais,
Mas até nos tribunais,
A mulher faz o que quer,
Cada qual fica com o seu,
Pois o homem já nasceu,
Dando a costela, à mulher !...

Maria Fumaça

Almirante foi um dos nossos vários historiadores da MPB. Foi compositor, cantor, bibliotecário que foi guardando com carinho as lembranças e registros do que ele passou, cantou, dos amigos Noel Rosa, Braguinha, Nássara e outros mais.

Maria Fumaça (samba, 1935) - Noel Rosa

Disco 78 rpm / Título da música: Maria Fumaça / Autoria: Rosa, Noel, 1910-1937 (Compositor) / Almirante, 1908-1980 / (Intérprete) / Regional RCA Victor (Acompanhante) / Imprenta [S.l.]: Victor, 1936 / Nº Álbum 34086 / Lado B / Gênero musical: Samba /

Maria Fumaça,
Fumava cachimbo, bebia cachaça...
Maria Fumaça,
Fazia arruaça, quebrava vidraça,
E só de pirraça,
Mata as galinhas, de suas vizinhas,
Maria Fumaça,
Só achava graça na própria desgraça.

Dez vezes por dia, a delegacia,
Mandava um soldado, prender a Maria,
Mas quando se via na frente do praça,
Maria sumia, tal qual a fumaça.

Maria Fumaça,
Não diz mais chalaça, não faz mais trapaça...
Somente ameaça que acaba com a raça,
Bebendo potassa,
Perdeu o rompante,
Foi presa em flagrante, roubando um baralho,
Não faz mais conflito,
Está no distrito, lavando o assoalho...

Cem mil réis

Noel Rosa
Cem mil réis (samba, 1934) - Noel Rosa e Vadico

Disco 78 rpm / Título: Cem mil réis / Autoria: Rosa, Noel, 1910-1937 (Compositor) / Vadico (Compositor) / Marília Batista, 1918-1990 (Intérprete) / Rosa, Noel, 1910-1937 (Intérprete) / Imprenta [S.l.]: Odeon, 1936 / Nº Álbum 11337 / Lado B / Gênero: Samba /

Você me pediu cem mil réis,
Pra comprar um soirée,
E um tamborim,
O organdi anda barato pra cachorro,
E um gato lá no morro,
Não é tão caro assim.


Não custa nada,
Preencher formalidade,
Tamborim pra batucada,
Soirée pra sociedade,
Sou bem sensato,
Seu pedido atendi,
Já tenho a pele do gato,
Falta o metro de organdi.

Sei que você,
Num dia faz um tamborim,
Mas ninguém faz um soirée,
Com meio metro de cetim,
De soirée,
Você num baile se destaca,
Mas não quero mais você,
Porque não sei vestir casaca....

Quem ri melhor

Samba do carnaval de 1937, o último em vida de Noel Rosa, que o gravou em dueto com Marília Batista na Victor em 18 de novembro de 36, com lançamento ainda em dezembro, disco 34140-A, matriz 80258. Acompanhamento do grupo Reis do Ritmo (Fonte: Samuel Machado Filho, no Youtube).

Quem ri melhor... (samba, 1934) - Noel Rosa

Disco 78 rpm / Título da música: Quem ri melhor / Autoria: Rosa, Noel, 1910-1937 (Compositor) / Marília Batista, 1918-1990 (Intérprete) / Rosa, Noel, 1910-1937 (Intérprete) / Reis do Ritmo (Acompanhante) / Imprenta [S.l.]: Victor, 1936 / Nº Álbum 34140 / Lado A / Lançamento: Dezembro/1936 / Gênero musical: Samba /

Pobre de quem já sofreu neste mundo
A dor de um amor profundo
Eu vivo bem sem amar a ninguém
Ser infeliz é sofrer por alguém
Louco de quem faz assim
Quem me fez chorar
Hoje chora por mim
Quem ri melhor
É quem ri no fim.

Felicidade, é o vil metal quem dá
Honestidade, ninguém sabe onde está
Acaba mal quem é ruim
Quem me fez chorar
Hoje chora por mim
Quem ri melhor
É quem ri no fim.

Sabendo disso
Eu não quero rir primeiro
Pois o feitiço
Vira contra o feiticeiro
Eu vivo bem
Pensando assim,
Pois quem me fez chorar
Hoje chora por mim
Quem ri melhor
É quem ri no fim !

O maior castigo que eu te dou

O maior castigo que eu te dou (samba, 1934) - Noel Rosa

Disco 78 rpm / Título da música: O maior castigo que eu te dou / Autoria: Rosa, Noel, 1910-1937 (Compositor) / Araci de Almeida de, 1914-1988 (Intérprete) / Conjunto Boêmios da Cidade (Acompanhante) / Imprenta [S.l.]: Victor, 20/04/1937 / Nº Álbum 34176 / Lado B / Lançamento: Junho/1937 / Gênero musical: Samba /

O maior castigo que eu te dou
É não te bater
Pois sei que gostas de apanhar
Não há ninguém mais calmo do que eu sou
Nem há maior prazer
Do que te ver
Me provocar

Não dar importância
A tua implicância
Muito pouco me custou
Eu vou cantar em versos
Os teus instintos perversos
É esse o maior castigo que eu te dou

(bisa a 1a. parte)

A porta sem tranca
Te dá carta branca
Para ir onde eu não vou
E eu juro que desejo
Fugir do teu falso beijo
É esse mais um castigo que eu lhe dou

(bisa novamente a 1a. parte)

Positivismo

Positivismo (samba, 1933) - Noel Rosa e Orestes Barbosa

Disco 78 rpm / Título da música: Positivismo / Autoria: Rosa, Noel, 1910-1937 (Compositor) / Barbosa, Orestes (Compositor) / Rosa, Noel, 1910-1937 (Intérprete) / Orquestra (Acompanhante) / Pixinguinha (Acompanhante) / Imprenta [S.l.]: Columbia, Setembro/1933 / Nº Álbum 22240 / Lado A / Gênero musical: Samba /
D           A7        D      D7
A verdade meu amor mora num poço
G           D7               G
É Pilatos, lá na Bíblia, quem nos diz
Gm                D      C
E também faleceu por ter pescoço
B      E7        
O (infeliz) autor
A7         D      G    D
da guilhotina de Paris
 D7
Vai orgulhosa, querida
G
Mais aceita esta lição
Gm                    D B7
No câmbio incerto da vida
E7         A7      D    G    D
A libra sempre é o coração
  D                A7                 D      D7
O amor vem por princípio, a ordem por base.
G                D7          G
Bis       O progresso é que deve vir por fim
Gm                        D   C  B
Desprezastes esta lei de Augusto Conté
E7          A7         D      G    D
E fostes ser feliz longe de mim
 D7
Vai coração que não vibra
G
Com teu juro exorbitante
Gm                      D B7
Transformar mais outra libra
E7    A7     D    G    D
Em dívida flutuante
   D                A7       D           D7
A intriga nasce num café pequeno
G            D7                      G
Bis       Que se toma para ver quem vai pagar
Gm                             D C B
Para não sentir mais o teu veneno
E7             A7          D        G    D
Foi que eu já resolvi me envenenar

Quem não quer sou eu

Quem não quer sou eu (samba, 1933) - Ismael Silva e Noel Rosa

Disco 78 rpm / Título: Quem não quer sou eu / Autoria: Rosa, Noel, 1910-1937 (Compositor) / Silva, Ismael (Compositor) / Francisco Alves (Intérprete) / Imprenta [S.l.]: Odeon, 03/08/1933 / Álbum 11057 / Lado A / Lançamento: 09/1933 / Gênero: Samba /
Tom: F
Intro: Am G F E7 Dm Dm/F Am/E F7 E7 Am

                   F7  E7  Am      
Quando eu queria o teu a...mor     
              F7  E7  Am           
Não davas atenção ao  meu           
                    F7   E7   Am    
Pra mim tu não tens mais va...lor   
               F7   E7  Am         
Agora quem não quer sou eu      

                    B7
Observo que hoje em dia
         E7              Am
Quem não quis diz que me quer
                  Dm6/F    E7            Am
Cabe muita hipocrisia  num capricho de mulher
                B7
Vou viver disiludido
     E7          Am
Sem amor, sem ideal
                 Dm6/F     E7         Am
Pra não ser submetido  a desejo tão banal

*REPETE INTRODUÇÃO

                 B7
Ao ouvir tuas propostas
    E7                Am
Com tão falsas frases juntas
                Dm6/F     E7              Am
Achei uma só resposta que responde mil perguntas
                  B7
Hás de ter em tua vida 
      E7            Am
Um destino igual ao meu
               Dm6/F      E7                Am
Podes ir desiludida, hoje quem não quer sou eu

*REPETE INTRODUÇÃO

Para me livrar do mal

Francisco Alves
Para me livrar do mal (samba, 1932) - Ismael Silva e Noel Rosa

Disco 78 rpm / Título: Para me livrar do mal / Autoria: Silva, Ismael, 1905-1978 (Compositor) / Rosa, Noel, 1910-1937 (Compositor) / Francisco Alves (Intérprete) / Gente Boa (Acompanhante) / Imprenta [S.l.]: Odeon, 1932 / Nº Álbum 10922 / Gênero: Samba /

Estou vivendo com você
Num martírio sem igual
Vou largar você de mão
Com razão
Para me livrar do mal.

Supliquei humildemente
Pra você se endireitar

Mas agora, infelizmente
Nosso amor vai se acabar.

Vou embora afinal
Você vai saber porque
É pra me livrar do mal
Que eu fujo de você.

Você teve a minha ajuda
Sem pensar em trabalhar
Quem se zanga é quem se muda
E eu já tenho onde morar.

Nunca mais você encontra
Quem te faça o bem que eu fiz
Levei muito golpe contra
Passe bem, seja feliz.

Eu vou pra Vila

Noel podia, perfeitamente, ter inspirado o desenhista que imaginou a capa ao lado do samba "Eu vou pra Vila", pois nela aparecem, além dos Tangarás voando em torno do título, os tipos mais explorados pelo compositor em suas obras: o policial, o tipo de chapéu de palha, o seresteiro, a mulata (ilustração extraída da Revista da Semana, de 08/11/1952).

Eu vou pra Vila (samba, 1931) - Noel Rosa

Disco 78 rpm / Título: Eu vou pra Vila / Rosa, Noel, 1910-1937 (Compositor) / Almirante, 1908-1980 (Intérprete) / Bando de Tangarás (Intérprete) / Imprenta [S.l.]: Parlophon, 1930 / Álbum 13256 / Lanç.: 1931 /

Não tenho medo de bamba
Na roda do samba

Eu sou bacharel... Sou bacharel...
Andando pela batucada
Onde eu vi gente levada
Foi lá em Vila Isabel.

"Na Pavuna tem ternura..."
"Na Gamboa, gente boa..."

Eu vou pra vila,
Onde o samba é de coroa

Já mudei de Piedade,
Já saí de Cascadura,
Eu vou pra vila,
Pois quem é bom não se mistura.

Quando me formei em samba,
Recebi uma medalha,
Eu vou pra vila,
Pro samba de chapéu de palha,
A policia, em todo canto,
Proibiu a batucada.
Eu vou pra vila,
Onde a policia é camarada.

Cordiais saudações

Cordiais saudações (samba, 1931) - Noel Rosa

Disco 78 rpm / Título: Cordiais saudações / Autoria: Rosa, Noel, 1910-1937 (Compositor) / Bando de Tangarás, 1929-1931 (Intérprete) / Rosa, Noel, 1910-1937 (Intérprete) / Imprenta [S.l.]: Parlophon, 1931 / Nº Álbum 13327 / Lado A / Gênero: Samba /
Intr.:(F Fm C A7 D7 G7 C7)

F Fm C   A7 D7 G7 C 
(Cordiais saudações...)
G7                       Am
Estimo que este maltraçado samba
E7             Am
Em estilo rude, na intimidade
A7         Dm   G7        C
Vá te encontrar gozando saúde
A7         D7    G7     C
Na mais completa felicidade
(Junto dos teus, confio em Deus)
C7          F             Fm             C
Em vão te procurei, notícias tuas não encontrei
C7 B7  Bb7  A7            Dm
Eu   hoje sinto saudades
G7                                  C
Daqueles dez mil réis que eu te emprestei
C7             F
Beijinhos no cachorrinho
Fm             C     
Muitos abraços no passarinho
C7 B7  Bb7  A7            Dm
Um   chute na empregada
G7                       C
Porque já se acabou o meu carinho

G7                      Am
A vida cá em casa está terrível
E7                     Am
Ando empenhado nas mãos de um judeu
A7        Dm  G7         C
O meu coração vive amargurado
A7         D7    G7           C
Pois minha sogra ainda não morreu
(Tomou veneno, e quem pagou fui eu)
C7            F              Fm
Sem mais, para acabar, um grande abraço
C
Queira aceitar
C7 B7  Bb7   A7                Dm
De  alguém que está com fome
G7                           C
Atrás de algum convite pra jantar
C7              F          Fm              C
Espero que notes bem, estou agora sem um vintém
C7 B7  Bb7  A7                Dm
Po...dendo, manda-me algum...
G7                           C
Rio, sete de setembro de trinta e um

Coração

Coração (samba, 1932) - Noel Rosa

Disco 78 rpm / Título: Coração / Autoria: Rosa, Noel, 1910-1937 (Compositor) / Rosa, Noel, 1910-1937 (Intérprete) / Imprenta [S.l.]: Odeon, 1932 / Nº Álbum 10931 / Lado B / Gênero: Samba /
Gm             C6        F
Coração grande órgão propulsor
Ab°       Gm        C7         F
Distribuidor do sangue venoso e arterial
Gm        A7        Dm     
Coração não és sentimental 
      Dm6        Am
Mas entretanto dizem
E7           Am   
Que és o cofre da paixão
Gm          C7              F
Coração não está do lado esquerdo
Ab°        Gm     
Nem tão pouco do direito
C7                 F       F7
Ficas no centro do peito, eis a verdade
Bb         Bbm             F
Tu és pro bem estar do nosso sangue
D7            Gm             C7            F
O que a casa de correção / É para o bem da humanidade
Gm        D7         Gm             Bbm        F
Coração de sambista brasileiro / Quando bate no peito
D7      Gm   C7    F         D7   
Faz a batida do pandeiro, eu afirmo
Gm
Sem nenhuma pretensão
Bbm              F          D7    Gm   C7    F
Que a paixão faz dor no crânio / Mas não ataca o coração
Gm         D7         F          Ab°             Gm
Conheci um sujeito convencido  / com mania de grandeza
C7             F
E instinto de nobreza
Gm            A7           Dm
Que por saber que o sangue azul é nobre
Dm6           Am
Gastou todo seu cobre
E7                 Am
Sem pensar no seu futuro
Gm               C7           F
Não achando quem lhe arrancasse as veias
Ab°              Gm
Onde corre o sangue impuro
C7           F              F7
Viajou a procurar de norte a sul
Bb            Bbm                 F
Alguém que conseguisse encher-lhe as veias
D7         Gm         C7                 F
Com azul de metileno para ficar com sangue azul
Gm         D7           Gm
Coração de sambista brasileiro
Bbm       F         D7       Gm          F
Quando bate no peito  /  Faz a batida do pandeiro
D7                     Gm
Eu afirmo sem nenhuma pretensão
Bbm                F
Que a paixão faz dor no crânio
D7      Gm     C7  F
Mas não ataca o coração.

Minha viola

Primeira composição de Noel Rosa, uma embolada, com nítida influência dos Turunas da Mauricéia, grupo pernambucano que se apresentou no Teatro Lírico do Rio de Janeiro, em 1927, com grande sucesso. Foi também a primeira gravação do Poeta da Vila, editada pela Parlophon em agosto de 1930, disco 13185-B, matriz 3320 (Fonte: Samuel Machado Filho - Youtube).

Minha viola (embolada, 1929) - Noel Rosa

Disco 78 rpm / Título da música: Minha viola / Autoria: Rosa, Noel, 1910-1937 (Compositor) / Rosa, Noel, 1910-1937 (Intérprete) / Grupo Regional (Acompanhante) / Imprenta [S.l.]: Parlophon, 1930 / Nº Álbum 13185 / Lado B / Gênero musical: Embolada /

Minha viola,
Tá chorando com razão,
Por causa d'uma marvada,
Que roubou meu coração.

Eu não respeito cantadô que é respeitado,
Que no samba improvisado, me quisé desafiá,
Inda outro dia, fui cantá no galinheiro,
O galo andou o mês inteiro, sem vontade de cantá.

Nesta cidade todo mundo se acautela,
Com a tal de febre amarela, que não cansa de matá,
E a dona Chica, que anda atrás de mal conselho,
Pinta o corpo de vermelho,
Pro amarelo, não pegá....

Eu já jurei, não jogá com seu Saldanha,
Que diz sempre que me ganha,
No tal jogo do bilhar,
Sapeca o taco nas bola de tal maneira,
Que eu espero a noite inteira, pras bola carambolá,
Conheço um véio, que tem a grande mania,
De fazê economia, pra modelo de seus filho,
Não usa prato, nem moringa, nem caneca,
E quando senta, é de cuéca,
Prá não gastá os fundilho.

Eu tenho um sogro cansado dos regabofe,
Que procurou o Voronoff, doutô muito creditado,
E andam dizendo que o enxerto foi de gato,
Pois ele pula de quatro, miando pelos telhado,
Aonde eu moro, tem o Bloco dos Filante,
Que quase, a todo instante,
Um cigarro vem filá,
E os danado, vem bancando inteligente,
Diz que tão com dor de dente,
Que o cigarro faz passá...

Tarzan (O filho do alfaiate)

Vadico
Este samba satiriza a moda dos paletós com enchimentos, que faziam aumentar a musculatura de qualquer fracote... Incluída no filme "Cidade-mulher", de Humberto Mauro, "Tarzan, o filho do alfaiate" (o subtítulo é uma réplica a "O filho das selvas") foi gravado na Victor por Almirante em 4 de agosto de 1936, com lançamento em setembro seguinte (34086-A, matriz 80189), tendo no verso "Maria Fumaça", samba de Noel sem parceria (Fonte: Samuel Machado Filho, no Youtube).

Tarzan (O filho do alfaiate) (samba, 1936) - Noel Rosa e Vadico

Disco 78 rpm / Título da música: Tarzan (O filho do alfaiate) / Autoria: Rosa, Noel, 1910-1937 (Compositor) / Vadico (Compositor) / Almirante, 1908-1980 (Intérprete) / Regional RCA Victor (Acompanhante) / Imprenta [S.l.]: Victor, 1936 / Nº Álbum 34086 / Lado A / Gênero musical: Samba /
Intr.: F Ab C/G A7 Dm G7 C Fm/C C G7

C             G/B        Gm6/Bb
Quem foi que disse que eu era forte?
A7          Dm           G7        C
Nunca pratiquei esporte, nem conheço futebol...
E7                      Am
O meu parceiro sempre foi o travesseiro
D7                       G7
E eu passo o ano inteiro sem ver um raio de sol
C           G/B     Gm6/Bb
A minha força bruta reside
A7         Dm          G7        C
Em um clássico cabide, já cansado de sofrer
E7                 Am
Minha armadura é de casimira dura
F#°       C/G           G7           C
Que me dá musculatura, mas que pesa e faz doer

C7          C#°                     Dm
Eu poso pros fotógrafos, e destribuo autógrafos
F/Eb         F7         Bb
A todas as pequenas lá da praia de manhã
D7                       Gm
Um argentino disse, me vendo em Copacabana:
Db             F/C        C7            F
'No hay fuerza sobre-humana que detenga este Tarzan'
 
G7   C           G/B      Gm6/Bb
De lutas não entendo abacate
A7              Dm          G7           C
Pois o meu grande alfaiate não faz roupa pra brigar
E7                     Am
Sou incapaz de machucar uma formiga
D7                       G7
Não há homem que consiga nos meus músculos pegar
C           G/B      Gm6/Bb
Cheguei até a ser contratado
A7          Dm            G7          C
Pra subir em um tablado, pra vencer um campeão
E7                       Am
Mas a empresa, pra evitar assassinato
F#°           C/G          G7            C
Rasgou logo o meu contrato quando me viu sem roupão

C7          C#°                     Dm
Eu poso pros fotógrafos, e destribuo autógrafos
F/Eb         F7         Bb
A todas as pequenas lá da praia de manhã
D7                       Gm
Um argentino disse, me vendo em Copacabana:
Db             F/C        C7            F
'No hay fuerza sobre-humana que detenga este Tarzan' 

     C             G/B        Gm6/Bb
Quem foi que disse que eu era forte?
A7          Dm           G7        C
Nunca pratiquei esporte, nem conheço futebol...
E7                      Am
O meu parceiro sempre foi o travesseiro
D7                       G7
E eu passo o ano inteiro sem ver um raio de sol
C           G/B     Gm6/Bb
A minha força bruta reside
A7         Dm          G7        C
Em um clássico cabide, já cansado de sofrer
E7                 Am
Minha armadura é de casimira dura
F#°       C/G           G7           C
Que me dá musculatura, mas que pesa e faz doer

Só pode ser você

Vadico
Samba cético e amargo da parceria Noel-Vadico, originalmente chamado "Ilustre visita". Foi composto em 1935, após Noel voltar de uma viagem que fizera a Belo Horizonte para tratamento de saúde, já doente. Sua mãe, a dona Marta, recebeu a visita da então namorada Ceci, que procurava saber como ia a saúde do amado, mas preferiu esconder seu nome (mas ele descobriu tudo!). Gravação da "Araca" na Victor, em 11 de agosto de 1936, lançada em março de 37, disco 34152-A, matriz 80199 (Fonte: Samuel Machado Filho, no Youtube).

Só pode ser você (samba, 1935) - Noel Rosa e Vadico

Disco 78 rpm / Título da música: Só pode ser você / Autoria: Rosa, Noel, 1910-1937 (Compositor) / Vadico (Compositor) / Araci de Almeida, 1914-1988 (Intérprete) / Imprenta[S.l.]: Victor, 1936 / Nº Álbum 34152 / Lado A / Gênero musical: Samba /
C6/9                 
Compreendi seu gesto
C6/9        A7/b13  
Você entrou naquele
Dm7/9             Dm/C
meu chalé modesto
Bm7/b5            E7  Am7
Porque pretendia somente saber
Em7  
Qual era o dia
B7     Em7 A7/b13 Dm7 G7/13
em que eu deixaria de viver
C6/9               
Mas eu estava fora
C6/9         A7/b13            Dm7/9         Dm/C
Você mandou lembranças e foi logo embora
Bm7/b5          E7 Am7
Sem dizer qual o primeiro nome
Em7
De tal visita
B7          Em7 A7/b13 Dm7 G7/13
Mais cruel, mais bonita que sincera
Dm7                 Dm/C     Bm7/b5  E7
E pelas informações que recebi já vi
A7                   A7/b9       D7/9
Que essa ilustre visita era você
Dm7/9       G7/13 G7/b13       E7/+5  E7/6  E7
Porque não existe nessa vida
A7/b13             Dm7     G7
Pessoa mais fingida
C6/9
Do que você

Quantos beijos

Vadico
Quantos beijos (samba, 1936) - Noel Rosa e Vadico

Disco 78 rpm / Título da música: Quantos beijos / Autoria: Rosa, Noel, 1910-1937 (Compositor) / Vadico (Compositor) / Marília Batista, 1918-1990 (Intérprete) / Rosa, Noel, 1910-1937 (Intérprete) / Reis do Ritmo (Acompanhante) / Imprenta [S.l.]: Victor, 1936 / Nº Álbum 34140 / Lado B / Gênero musical: Samba /

Não andava com dinheiro todo dia
Para sempre dar o que você queria
Mas quando eu satisfazia os teus desejos
Quantas juras... quantos beijos...

Quantos beijos
Quando eu saía
Meu deus, quanta hipocrisia!
Meu amor fiel você traía
Só eu é quem não sabia
Ai ai meu deus mas quantos beijos...

Não esqueço aquelas frases sem sentido
Que você dizia sempre ao meu ouvido
Você porém mentia em todos os ensejos
Quantos juras... quantos beijos...

Provei

Vadico
Provei (samba, 1937) - Noel Rosa e Vadico

Disco 78 rpm / Título da música: Provei / Autoria: Rosa, Noel, 1910-1937 (Compositor) / Vadico (Compositor) / Marília Batista, 1918-1990 (Intérprete) / Rosa, Noel, 1910-1937 (Intérprete) / Imprenta[S.l.]: Odeon, 1936 / Nº Álbum 11422 / Lado A / Gênero musical: Samba /

Provei
Do amor todo amargor que ele tem
Então jurei
Nunca mais amar ninguém
Porém, eu agora encontrei alguém
Que me compreende
E que me quer bem

Nunca se deve jurar
Não mais amar a ninguém
Não há quem possa evitar
De se apaixonar por alguém

Quem fala mal do amor
Não sabe a vida levar
Pois quem maldiz a própria dor
Tem amor mas não sabe amar

Cifras e letras de Vicente Celestino

Sangue e areia

Vicente Celestino
Sangue e areia (valsa, 1933) - Vicente Celestino e Mário Rossi

Disco 78 rpm / Título: Sangue e areia / Autoria: Rossi, Mário, 1911-1981 (Compositor) / Celestino, Vicente (Intérprete) / Orquestra (Acompanhante) / Imprenta [S.l.]: RCA Victor, 08/11/1933 / Nº Álbum 34738 / Dt. lançamento: Janeiro/1934 / Lado B /

Manolo quando entrou na arena,
Na tarde serena,
De sol e verão,
Sentiu um olhar,
Orvalhar !
As flores de sonho do seu coração.

Feliz, para a luta vivendo,
Guardando nos lábios um beijo de amor,
Não viu o destino tecendo:
A história sentida de mais uma dor,
Ao surgir o feroz animal,
Belo touro de muito valor,
Uma forte canção triunfal,
Envolveu o gentil toureador,
No balcão, na penumbra de um véu,
Um sorriso de amor e paixão,
Transportou para perto do céu,
Um amante e feliz coração.

Mas, a morte chegou numa flor,
Uma rosa vermelha e fatal,
Escrevendo um romance de dor,
Fim de festa cruel e mortal,
Pois, Manolo a rolar pelo chão,
Sobre a areia, sangrando ficou...

E no cofre da rosa em botão,
O seu último beijo guardou....

Rasguei o teu retrato

Vicente Celestino, em 1935, após breve temporada lírica no Teatro Santana de São Paulo (onde se apresentava ao lado de Gilda de Abreu, sua esposa, na ópera "Aida", de Verdi), deixou a Columbia (na qual, ao todo, fizera cinco discos) ligando-se à RCA. A primeira gravação na nova fábrica foi "Ouvindo-te", de sua autoria e "Rasguei o Teu Retrato" (tango-canção de Cândido das Neves).

Rasguei o teu retrato (tango-canção, 1935) - Cândido das Neves

Disco 78 rpm / Título da música: Rasguei o teu retrato / Autoria: Neves, Cândido das, 1899-1934 (Compositor) / Celestino, Vicente (Intérprete) / Orquestra Victor Brasileira (Acompanhante) / Imprenta [S.l.]: Victor, 1935 / Nº Álbum 33969 / Gênero musical: Tango canção /

Tu disseste em juramento
Entre o véu do esquecimento
Que o meu nome é uma visão
Tu tiveste a impiedade
De sorrir desta saudade
Que me mata o coração !

Se um retrato, tu me deste
Foi zombando, tu disseste
Do amor que te ofertei.
E eu, em lágrimas desfeito
Quantas vezes, junto ao peito
Teu retrato conservei.

Eu sei também ser ingrato,
Meu coração, bem, vês, já não te quer:
Eu ontem, rasguei o teu retrato
Ajoelhado aos pés de outra mulher !

Eu que tanto te queria
Eu que tive a covardia
De chorar este amargor
Trago aqui despedaçado
O teu retrato, pois vingado
Hoje está, o meu amor


As sentenças, são extremas
Faço o mesmo, aos meus poemas
Rasgue os versos que te fiz
Não te comova, o meu pranto
Pois quem te amou, tanto e tanto,
Foi um doido, um infeliz !

Cifras e letras de Wilson Batista

Nega Luzia

Ciro Monteiro
Nega Luzia (samba, 1957) - Jorge de Castro e Wilson Batista

Disco 78 rpm / Título da música: Nega Luzia / Autoria: Castro, Jorge de (Compositor) / Batista, Wilson, 1913-1968 (Compositor) / Ciro Monteiro (Intérprete) / Conjunto (Acompanhante) / Imprenta [S.l.]: Todamérica, 02/08/1956 / Nº Álbum 5630 / Lançamento 01/1957 / Lado B / Gênero: Samba /

Lá vem a nega Luzia
No meio da cavalaria
Vai correr lista lá na vizinhança
Pra pagar mais uma fiança
Foi cangebrina demais
Lá no xadrez
Ninguém vai dormir em paz

Vou contar pra vocês
O que a nega fez
Era de madrugada
Todos dormiam
O silêncio foi quebrado
Por um grito de socorro
A nega recebeu um Nero
Queria botar fogo no morro

Louco (Ela é seu mundo)

Araci de Almeida
Louco (Ela é seu mundo) - Wilson Batista e Henrique de Almeida

Disco 78 rpm / Título da música: Louco (ela é o seu mundo) / Autoria: Almeida, Henrique de, 1917-1985 (Compositor) / Batista, Wilson, 1913-1968 (Compositor) / Araci de Almeida, 1914-1988 (Intérprete) / Lacerda, Benedito, 1903-1958 (Acompanhante) / Conjunto (Acompanhante) / Imprenta [S.l.]: Odeon, 11/10/1946 / Nº Álbum 12742 / Gênero musica: Samba /

Louco, pelas ruas ele andava
E o coitado chorava
Transformou-se até num vagabundo
Louco, para ele a vida não valia nada
Para ele a mulher amada
Era seu mundo

Conselhos eu lhe dei
Pra ele esquecer
Aquele falso amor
Ele se convenceu
Que ela nunca mereceu
Nem reparou
Sua grande dor
Que louco!

Deus no céu, ela na terra

Carlos Galhardo
Deus no céu e ela na terra (samba, 1940) - Wilson Batista e Marino Pinto

Disco 78 rpm / Título da música: Deus no céu e ela na terra / Autoria: Pinto, Marino (Compositor) / Batista, Wilson, 1913-1968 (Compositor) / Carlos Galhardo, 1913-1985 (Intérprete) / Regional (Acompanhante) / Imprenta [S.l.]: Victor, 1940 / Nº Álbum 34643 / Gênero musical: Samba /

Eu sei
Que outra no meu lar
Não vai viver bem
Só ela
Conhece os meus defeitos
E as virtudes também
Por isso já mandei construir
Uma casinha na serra
Pra ela
É Deus no céu e eu na terra

Não existe ninguém perfeito
Quando se tem amizade
Desaparece o defeito
Eu finjo não saber que ela erra
Pra poder dizer:
Deus no céu e ela na terra

Rosalina

Jorge Veiga
Rosalina (samba, 1945) - Wilson Batista e Haroldo Lobo

Disco 78 rpm / Título da música: Rosalina / Autoria: Lobo, Haroldo (Compositor) / Batista, Wilson, 1913-1968 (Compositor) / Jorge Veiga (Intérprete) / Lacerda, Benedito, 1903-1958 (Acompanhante) / Conjunto (Acompanhante) / Imprenta [S.l.]: Continental, 1944 / Nº Álbum 15249 / Gênero musical: Samba /

Sou eu, sou eu que vou batendo surdo
De porta-estandarte, é Rosalina quem vai
Mas já vou prevenir
Se eu não sair
Rosalina, também não sai

Fizeram veneno de mim, lá na Escola
Que eu já não dou mais no couro
Que ando batendo surdo, mal
Mas Rosalina, que é minha do peito
Diz que é falta de respeito
Que vai protestar, no jornal!

Mania da falecida

Ataulfo Alves
Mania da falecida (samba, 1939) - Ataulfo Alves e Wilson Batista

Disco 78 rpm / Título da música: Mania da falecida / Autoria: Alves, Ataulfo, 1909-1969 (Compositor) / Batista, Wilson, 1913-1968 (Compositor) / Ciro Monteiro (Intérprete) / Imprenta [S.l.]: Victor, 1939 / Álbum número 34470 / Gênero musical: Samba /

Não quero que você beba,
Quem bebe não tem juízo,
Tome cuidado com a sua vida,
Eu não quero ver você,
Com a mesma mania da falecida,
Mulher. (bis)

Você tem o direito, meu bem,
Pode ir brincar,
Pode entrar no samba,
E ficar até o sol raiar,
Eu só não quero,
Que perca a linha,
Tome cuidado,
Com a língua da vizinha....

Terra de cego

Terra de cego (samba, 1935) - Wilson Batista

Intérprete: Jorge Veiga ( Noel Rosa x Wilson Batista - Série Temas e Figuras da Música Popular Brasileira - Volume 1 - Roberto Paiva e Jorge Veiga - Studio Hara - 1974) -

Perde a mania de bamba
Todos sabem qual é
O teu diploma no samba
És o abafa da Vila, eu bem sei
Mas na terra de cego
Quem tem um olho, é rei !

Para terminar a discussão
Não deves apelar
Para um baralho à mão
Em versos podes bem abafar
Pois não fica bonito
Um bacharel brigar.

Frankenstein da Vila

Frankenstein da Vila (samba, 1935) - Wilson Batista

Intérprete: Jorge Veiga ( Noel Rosa x Wilson Batista - Série Temas e Figuras da Música Popular Brasileira - Volume 1 - Roberto Paiva e Jorge Veiga - Studio Hara - 1974) -

Boa impressão nunca se tem
Quando se encontra um certo alguém
Mas como diz o refrão,
"Por uma cara feia
Perde-se um bom coração "

Entre os feios,
Estás na primeira fila
Eu te batizo,
Fantasma da Vila

Esta indireta é contigo
E depois não vás dizer
Que eu não sei o que digo
Sou teu amigo...

Conversa fiada

Desde que sua canção "Mocinho da Vila" fora ignorada por Noel Rosa, Wilson Batista estava fora de cena. Ainda fiel ao sonho de ser famoso e sabedor de que nenhum compositor popular brasileiro estava tão em evidência quanto Noel, Wilson não perdeu tempo e escreveu "Conversa Fiada". 

Noel não podia ignorar a nova canção. O ajustamento de ritmo e a bela melodia já continham elementos que permitiam antever o grande sambista que Wilson Batista seria. A música era indiscutivelmente bem-feita, e o bairro de Vila Isabel tinha sido debochadamente atacado. O contra-ataque tinha que ser definitivo, mortal e em grande estilo. Veio na forma de um samba intitulado "Palpite Infeliz" - um dos mais populares e bem elaborados de toda a obra de Noel (Fonte: Portal Vermelho). 

Conversa fiada (samba, 1934) - Wilson Batista

Intérprete: Jorge Veiga ( Noel Rosa x Wilson Batista - Série Temas e Figuras da Música Popular Brasileira - Volume 1 - Roberto Paiva e Jorge Veiga - Studio Hara - 1974) -

É conversa fiada 
Dizerem que os sambas
Na Vila têm feitiço,
Eu fui ver para crer
E não vi nada disso.

A Vila é tranqüila 
Porém é preciso cuidado:
Antes de irem dormir
Dêem duas voltas no cadeado.

Eu fui lá na Vila ver o arvoredo se mexer
E conhecer o berço dos folgados...
A luz nessa noite demorou tanto,
Me assassinaram uma samba,
Veio daí o meu pranto.

Rapaz folgado

Wilson Batista, um jovem compositor de 20 anos de idade, lançou um samba chamado Lenço no pescoço, gravado por Sílvio Caldas (''Meu chapéu de lado / Tamanco arrastando / Lenço no pescoço / Navalha no bolso (...) / Eu tenho orgulho de ser vadio''.

Orestes Barbosa espinafrou o samba em sua coluna no jornal A hora: ''Causou má impressão o novo samba de Sílvio Caldas 'Lenço no pescoço, navalha no bolso'. O malandro, hoje, não usa mais lenço no pescoço, como nos tempos dos Nagoas e Guaximi. Além disso, no momento em que se faz a higiene do samba, a nova produção de Sílvio Caldas, pregando o crime por música, não tem perdão.''

Noel Rosa, provavelmente, influenciado por Orestes Barbosa, compôs Rapaz folgado, como uma resposta a Wilson Batista. Este, por sua vez, replicou e estabeleceu-se a famosa polêmica entre os dois compositores.

Rapaz folgado (samba, 1933) - Noel Rosa

Disco 78 rpm / Título da música: Rapaz folgado / Autoria: Rosa, Noel, 1910-1937 (Compositor) / Araci de Almeida, 1914-1988 (Intérprete) / Conjunto Regional RCA Victor (Acompanhante) / Imprenta [S.l.]: Victor, 1938 / Nº Álbum 34368 / Lado B / Gênero musical: Samba /

Intr.:(F Fm/Ab C/G A7 D7 G7 C C/Bb
F/A Fm/Ab C/G A7 D7 G7 C)
C               D7    G7  C
Deixa de arrastar o teu tamanco
G7           E7
Pois tamanco nunca foi sandália
A7                           Dm
E tira do pescoço o lenço branco
D7
Compra sapato e gravata
G7               Fm6/Ab  G7
Joga fora essa navalha que te atrapa......lha
C                D7   G7    C
Com chapéu do lado deste rata
G7          E7
Da polícia quero que escapes
A7                  Dm         F     F#°    C/G
Fazendo samba-canção, já te dei papel e lápis
A7        D7    G7     C    C/Bb
Arranja um amor e um violão
F/A       Fm/Ab        C/G
Malandro é palavra derrotista
Dm7           G7       Gm6/Bb  A7
Que só serve pra tirar todo o valor do sambis.....ta
Dm/F           D7/F#  C/G
Proponho ao povo civili..zado
A7       D7
Não te chamar de malandro
G7     C
E sim de rapaz folgado


Fontes: Instituto Moreira Salles - Acervo musical; A Canção no Tempo - Volume 1 - Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello - Editora 34.