terça-feira, 22 de agosto de 2006

Fechei meu jardim

Catulo da Paixão
Fechei o meu Jardim - Catulo da Paixão Cearense - Interpretação de Orestes de Matos - Disco Odeon - Gênero musical seresta - Nº Álbum 137000 - Data lançamento 1912-1914 - Lado único -

Tu me perguntas por que, solitário
Inda mais vário sou que um beija-flor
Ai, quantas vezes cumprindo o fadário
Fui ao calvário do falsário amor!


Eu te respondo mesmo assim cantando
Exacerbando os sonhos meus de então:
Lágrimas frias, creias ou não creias
Tantas chorei-as que fiz um Jordão

Quando a primeira confessei que amava
E ela jurava eterno afeto a mim
Senti minh’alma tão feliz, vaidosa
Mais orgulhosa que a de um querubim
Para ofertar-lhe desprendi a rosa
A mais formosa do espiritual jardim

Rosas, camélias, dálias, açucenas
Lírios, verbenas, cravos, resedás
Íris, violetas, manacás, mil flores
Tantos primores dispensei em vão
Jardim não teve nenhuma rainha
Como a que eu tinha no meu coração

Vieste tarde! Nem agora existe
Um golvo triste de funéreo dó
De tantas flores que eram meus carinhos
Só vejo espinhos, folhas secas só

O amor-perfeito que eu tinha em meu peito
Perdeu a vida, emurcheceu por fim
Mas essa flor modou-se, emurchecida
Numa ferida que viceja em mim
Eis minha vida, a minha história é esta
Nada mais resta, fecho o meu jardim

Caboca bunita

Catulo da Paixão
Caboca Bunita (canção, 1920) - Catulo da Paixão Cearense - Interpretação de Patrício Teixeira, acompanhado por Rogério Guimarães ao violão - Data de gravação 1927 - Disco Odeon - Gênero musical canção sertaneja - Nº Álbum 10064 - Data lançamento 1927 - Lado A -

Quando tu passa nus mato, meu bem
Cantando pulos caminho
Vai seguindo atrás de ti, meu bem
Um bando di passarinho

Ai, caboca bunita / Mi da um beijinho!

Quando tu inda vem de longe, meu bem
Eu já di longe adivinho
Eu sinto istremecê, meu bem
As corda desse meu pinho

Ai, caboca facera / Mi dá um beijinho!

Quando tu samba nus samba, meu bem
Parece um beija-frozinho
Qui avoa di frô in frô, meu bem
Cumo a percura di um ninho

Ai, caboca dengosa / Mi dá um beijinho!

Versão de Patrício Teixeira:

Quando tu passa no mato, meu bem
Cantando pelo caminho
Quando tu passa no mato, meu bem
Cantando pelo caminho
Por onde tu vai passando, meu bem
Vai gorjeando um passarinho

Ai, caboca bunita / Mi da um beijinho!
Ai, caboca bunita / Mi da um beijinho!

Tu inda vem muito longe, meu bem
Eu já di longe adivinho

Tu inda vem muito longe, meu bem
Eu já di longe adivinho
Eu sinto istremecê, meu bem
As corda desse meu pinho

Ai, caboca bonita / Mi dá um beijinho!
Ai, caboca bonita / Mi dá um beijinho!

Si Deus mi desse a ventura, meu bem
De tu me dá um beijinho
Si Deus mi desse a ventura, meu bem
De tu me dá um beijinho 
Eu seguia (tão feliz?), meu bem
Qual se fosse um cachorrinho

Ai, caboca bonita / Mi dá um beijinho!
Ai caboca bonita / Mi dá um beijinho!

Até as flores mentem

Catuloo da Paixão
Até as flores mentem (modinha, 1928) - Catulo da Paixão Cearense - Interpretação de Francisco Alves - Disco Parlophon - Gênero: modinha - Nº Álbum 12823 - Data lançamento 1928 - Lado B -

Em um jardim à beira-mar
(fazia um luar de níveo albor
E o céu sem véu tinha o fulgor
Da cor do meu primeiro amor)
Estava ali a meditar
A meditar pensando em ti
Quando uma flor estando a sonhar
Do nosso amor falar ouvi

Compaixão! À flor eu disse então:
Ó tu que o coração conheces dela
Dize a mim se é vero o seu amor!
E a flor sonhando ainda
Assim me diz, assim:

"Ó feliz, tu és poeta!
A tua mais dileta flor
A nossa irmã de mais candor
Tem amor a ti ardente
Somente vive por te amar
E morrerá por te adorar!"

E a rosa ouvindo assim falar
Senti minh’alma a Deus voar
E de prazer, cheio de amor
Ia na flor um beijo dar…
E ouvi então a flor dizer:
"Eu quis magoar teu coração
Eu quis zombar da tua dor
A ti não tem, não tem amor!"

Ao luar

Ao luar (modinha, 1880) - Catulo da Paixão Cearense

Vê que amenidade,
que serenidade
tem a noite, em meio,
quando, em brando enleio,
vem lenir o seio
de algum trovador!
O luar albente
que do bardo a mente
no silêncio exalta,
chora a tua falta
rutilante estrela
de eteral candor!

Minha lira geme
no concento extreme
que a Saudade inspira!
Vem ouvir a lira,
que, sem ti, delira
nesta solidão!
Vem ouvir meu canto
no fluir do pranto,
com que a dor rorejo!
Lacinante harpejo,
que das fibras tanjo
deste coração!
nosso amor fanado,
quando, eu, a teu lado,
mais que aventurado
por te amar vivi!
Quero a fronte tua
ver à luz da lua
resplandente e bela!
Descerra a janela
que eu durmo as noites,
só pensando em ti!

Dá-me um teu conforto,
que este afeto é morto
que me consagravas...
quando protestavas,
quando me juravas
eviterno amor!
Vem um só momento
dar ao pensamento
radiosa imagem
depois, na miragem,
deixa, eu tua ausência,
cruciar-me a dor!

De saudade o dardo
vem ferir do bardo
o coração silente!
Esta dor latente
só na campa algente
poderá findar!
Mas se ainda o peito
palpitar no leito
de eternal abrigo,
hei de só, contigo,
sob a lousa, em sono
funeral, sonhar. 

Ai de mim!

Catulo da Paixão
Ai de Mim! (modinha) - Catulo da Paixão Cearense - Interpretação de Mário Pinheiro - Disco Odeon - Álbum 40565 - Lançamento 1904-1907 -

Foi um sonho te querer com doido amor
Foi loucura penhorar-te o coração
Dá-me mesmo assim ferido esse penhor
Não te peço nem te imploro gratidão
Guardo dentro deste peito por te amar
Uma dor que sempre e sempre cresce mais
Nem a tua ingratidão me vem matar
Nem a tua ingratidão me abranda os ais

Ai de mim! Ai de mim!
Por que matar-me assim?
Por que matar-me assim?

Este amor, ó este amor, me foi fatal
Nunca mais o meu sossego encontrarei
Tu, travessa, sorridente e jovial
Eu, em busca de minh’alma que te dei
Mas não posso te dizer por que razão
É mais doce o azedume desta dor
Serei teu e teu será meu coração
Não te posso, ó não, negar tão santo amor!

Ataulfo Alves

Ataulfo Alves inaugurou um novo estilo de fazer samba. Com seu jeito manso e sua tranqüilidade mineira, ele emprestou cores diferentes à música que brotava dos morros e dos subúrbios cariocas na década de 30.

A história do compositor Ataulfo é mais que o relato simples de um artista de grande talento e capacidade criativa. É também a trajetória de um filósofo popular, verdadeiro mestre em criar provérbios que atravessam gerações. O mito da Amélia, idealização da mulher que aceita tudo por amor, popularizou-se a partir de uma das músicas mais famosas de Ataulfo, composta na década de 1940, em parceria com Mário Lago.


Ataulfo Alves de Sousa nasceu em Miraí, MG, em 2 de maio de 1909. Com oito anos fazia versos para responder aos improvisos do pai, que era violeiro e repentista. Aos 10 anos perde o pai, e sua mãe, Maria Rita de Jesus, com um porção de filhos, sai da fazenda e vai morar no centro da cidade de Miraí, que ficava próximo.Passa Ataulfo a freqüentar o grupo escolar e a desempenhar os serviços que apareciam. Uma existência pobre, mas tranqüila e feliz, que registraria no samba Meus tempos de criança. (Foto: Mário Lago, parceiro de muitas músicas com Ataulfo). Aos 18 anos, aceitou o convite do Dr. Afrânio Moreira Resende, médico de Miraí, para acompanhá-lo ao Rio de Janeiro, onde fixaria residência.

Durante o dia, trabalhava no consultório, entregando recados e receitas, e, à noite, fazia limpeza e outros serviços domésticos na casa do médico. Insatisfeito com a situação, conseguiu uma vaga de lavador de vidros na Farmácia e Drogaria do Povo. Rapidamente aprendeu a lidar com as drogas e tornou-se prático de farmácia. Depois do trabalho voltava para casa no bairro de Rio Comprido, onde costumava freqüentar rodas de samba. Já sabia tocar violão, cavaquinho e bandolim, e organizou um conjunto que animava as festas do bairro.
Em 1928, com apenas 19 anos, casou-se com Judite. Em 1929 trabalhou por algum tempo numa outra farmácia, mas logo voltou ao emprego anterior. Nessa época, em que já começara a compor, tornou-se diretor de harmonia de Fale Quem Quiser, bloco organizado pelo pessoal do bairro. Ainda em 1929, nasceu Adélia, sua primeira filha.

Em 1933, Bide (Alcebíades Barcelos), que viria a fazer sucesso com o samba Agora é cinza (com Marçal), ouviu algumas composições suas no Rio Comprido, e resolveu apresentá-lo a Mr Evans, diretor americano da Victor. Foi então que Almirante gravou o samba Sexta-feira, sua primeira composição a ser lançada em disco. Dias depois, Carmen Miranda, que ele havia conhecido antes de ser cantora, gravou Tempo perdido, garantindo sua entrada no mundo artístico. (Foto: roda de samba)

Em 1935, através de Almirante e Bide, conseguiu seu primeiro sucesso com Saudade do meu barracão, gravado por Floriano Belham. Ainda nesse ano, o Bando da Lua gravou a marcha Menina que pinta o sete, feita em parceria com Roberto Martins. Seu nome cresceu muito quando apareceram as gravações do samba Saudade dela, em 1936, por Sílvio Caldas e da valsa A você (com Aldo Cabral) e do samba Quanta tristeza (com André Filho), em 1937, por Carlos Galhardo, que se tornaria um dos seus grandes divulgadores. Passou a compor com Bide, Claudionor Cruz, João Bastos Filho e Wilson Batista, com quem venceu os Carnavais de 1940 e 1941, com Ò seu Oscar e O bonde de São Januário.

Em 1938, Orlando Silva, outro grande intérprete de suas músicas, gravou Errei, erramos. Em 1941, fez sua primeira experiência como intérprete, gravando seus sambas Leva meu samba (Mensageiro) e Alegria na casa de pobre (com Abel Neto). Em 1942 a situação financeira difícil e a hesitação dos cantores em gravar sua última composição fizeram com que ele próprio lançasse, para o Carnaval do ano, Ai, que saudades da Amélia; gravado com acompanhamento do grupo Academia do Samba e abertura de Jacó do Bandolim, (Na foto: Ataulfo com suas pastoras e Jamelão) o samba, feito a partir de três quadras apresentadas por Mário Lago para serem musicadas, resultou em grande sucesso popular. Juntos fizeram ainda Atire a primeira pedra, para o Carnaval de 1944, e em 1945 lançaram Capacho e Pra que mais felicidade . Resolvido a continuar interpretando suas músicas, juntou-se a um grupo de cantoras, organizando um conjunto que, por sugestão de Pedro Caetano, foi chamado de Ataulfo Alves e suas Pastoras. Inicialmente formado por Olga, Marilu e Alda, lançaram sucessos como Inimigo do samba (com Jorge de Castro), em 1943; Todo mundo enlouqueceu (com Jorge de Castro), Boêmio sofre mais (com Floriano Belham) e Vá baixar noutro terreiro (com Raul Marques), em 1945; e Infidelidade (com Américo Seixas), em 1947.

Representativas da década de 1950, quando faziam sucesso músicas de fossa e de amores infelizes, são suas composições Fim de comédia e Errei, sim, gravadas por Dalva de Oliveira. Em 1954 participou do show "O Samba nasce no coração", realizado na boate Casablanca, quando lançou o samba Pois é.... O pintor
Pancetti gostou muito da música e, inspirado nela, fez um quadro com o mesmo nome, que ofereceu ao compositor. Compôs então Lagoa serena (com J. Batista), dedicando-a a Pancetti, que, novamente, o homenageou com a tela Lagoa serena. Pois é... foi gravado somente em 1955, pela Sinter, pois o compositor havia sido despedido da Victor. Na nova gravadora lançou em 1956 o "LP Ataulfo Alves e suas pastoras" (Foto:A elegância nos trajes e nos gestos foi uma das características que marcaram a figura de Ataulfo Alves).

Em 1957 fez Vai, mas vai mesmo, samba muito cantado no Carnaval de 1958. Ainda em 1957 compôs o lírico Meus tempos de criança, que, relembrando sua infância e as personagens de sua cidade natal, é um dos mais característicos de seu estilo nostálgico. Convidado por Humberto Teixeira, em 1961 participou de uma caravana de divulgação da música popular brasileira na Europa, para onde levou Mulata assanhada e Na cadência do samba (com Paulo Gesta), que acabara de lançar. Retornou no mesmo ano e fundou a ATA (Ataulfo Alves Edições), tornando-se editor de suas músicas. Por essa época, desligou-se de suas pastoras - na ocasião Nadir, Antonina, Geralda e Geraldina -, passando a se apresentar sozinho, esporadicamente.


(Foto: Ataulfo Alves e suas Pastoras interpretam Você passa e eu acho graça, acompanhados por Jacob do Bandolim).

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Depois de realizar em 1964 uma temporada no Top Club, do Rio de Janeiro, como sentisse piorar a úlcera no duodeno, em 1965 decidiu passar o seu título de General do Samba para seu filho, Ataulfo Alves Júnior. Em 1966 fez nova viagem ao exterior, como representante do Brasil no I Festival de Arte Negra, em Dacar, Senegal.
Em 1967 voltou a aparecer em paradas de sucesso, com inúmeras gravações do samba Laranja madura. Nesse mesmo ano, Roberto Carlos gravou Ai, que saudades da Amélia. Compôs ainda, com Carlos Imperial, os sambas Você passa, eu acho graça, Você não é como as flores e sua última música, Mandinga, concluída pelo parceiro e gravada na Odeon por Clara Nunes. Em decorrência do agravamento da úlcera, morreu após uma intervenção cirúrgica (Foto acima: Com Roberto Carlos).

Algumas letras e cifras:


Obra completa:

A você (c/Aldo Cabral), valsa-canção, 1937; Aconteça o que acontecer (c/Felisberto Martins), samba, 1940; Ago-iê, samba, 1955; Agradeça a sua amiga, samba, 1957; Agradeço a Deus, samba, 1951; Ai. ai, meu Deus (c/Wilson Batista), samba, 1951; Ai, amor, samba, 1957; Ai, Aurora, samba, 1963; Ai, que dor (c/J. Batista), samba, 1951; Ai, que saudades da Amélia (c/Mário Lago), samba, 1942; Ainda sei perdoar, bolero, 1952; Alegria na casa de pobre (c/Abel Neto), samba, 1941; Alma perdida (c/Elpídio Viana), samba, 1944; Amor de outono (c/Artur Vargas Júnior), samba, 1969; Amor é mais amor... depois da separação, samba-canção, 1939; Amor perfeito (c/Wilson Batista), marcha, 1951; Ana (c/Orlando Monelo e Antônio Elias), samba, 1945; Antes só do que mal acompanhado (c/Benedito Lacerda), samba, 1945; Aproveita a mocidade, samba, 1964; Arrasta o pé, moçada (c/Maria Elisa), marcha, 1952; As árvores morrem de pé, samba, 1965; Assunto velho (c/Wilson Falcão), samba, 1940; Até breve (c/Cristóvão de Alencar), samba, 1937; Até ela (c/J. Pereira), marcha, 1938; Até Jesus (c/Wilson Batista), samba, 1952; Atire a primeira pedra (c/Mário Lago), samba, 1944; Atraso de vida, samba, 1948; Balança mas não cai, samba, 1953; Batuca no chão (c/Assis Valente), batucada, 1945; Bem que me dizem, samba, 1958; Boca de fogo (c/J. Batista), marcha, 1949; Boêmio (c/J. Pereira), samba, 1937; Boêmio sofre mais (c/Floriano Belham), samba, 1945; O bonde de São Januário (c/Wilson Batista), samba, 1940; Brado de Alerta, samba, 1955; Cabe na palma da mão (c/Artur Vargas Júnior), samba, 1968; Cadê Dalila, marcha, 1952; Calado venci (c/Herivelto Martins), samba, 1947; Caminhando, samba, 1957; Canção do nosso amor, valsa-romance, 1939; Cansei, samba, 1952; Capacho (c/Mário Lago), samba, 1945; Capital de Noel, samba, 1968; A cara me cai (c/Alberto Jesus), samba, 1953; A carta, samba, 1958; Castelo de Mangueira (c/Roberto Martins), samba, 1956; O castigo que te dei (c/Geraldo Queirós), samba, 1949; O Catete vai passar, samba, 1952; Cheque ao portador (c/J. Barcelos), marcha, 1941; Chorar pra quê? (c/Alcides Gonçalves), samba, 1942; Choro (c/Roberto Martins), samba, 1936; Colombina do amor (c/Alberto Ribeiro), marcha, 1937; Com o pensamento em ti (c/Ari Monteiro), samba, 1952; Como a vida me bate, samba, 1965; Como é seu nome? (c/Marino Quintanilha), samba, 1944; Conceição (c/Ari Monteiro), samba, 1953; Continua (c/Marino Pinto), samba, 1940; O coração não envelhece, samba, 1950; Covardia (c/Mário lago), samba, 1938; Cuidado com essa mulher (c/Antônio Almeida), samba, 1941; De janeiro a janeiro, samba, 1958; De onde veio a Eva? (c/Rogério Nascimento), marcha, 1961; Deixa essa mulher pra lá, samba, 1953; Deixa o toró desabar, samba, 1972; Desaforo eu não carrego, samba, 1962; Desta vez não (c/Alcides Gonçalves), samba, 1943; Devagar, morena, samba, 1958; Dia final, samba, 1964; Diga-me com quem andas, samba, 1965; Dilema (c/Aldo Cabral), samba, 1952; Dinheiro pra festa (c/Marino Quintanilha), samba, 1944; Diz o teu nome (c/José Gonçalves), samba, 1945; Dizem, samba, 1952; Dulcinéia (c/Antônio Almeida), samba, 1946; É hoje (c/Dunga), samba, 1954; É negócio casar (c/Felisberto Martins), samba, 1941; E um quê que a gente tem (c/Torres Homem), samba, 1941; É verdade, samba, 1958; É você (c/Aldo Cabral), valsa, 1937; Ela é boa mas é minha (c/Roberto Roberti e Arlindo Marques Júnior), samba, 1942; Ela não quis, samba, 1944; Ela, sempre ela (c/César Brasil), samba, 1950; Endereço (c/Mário Lago), samba, 1956; Errei (c/Claudionor Cruz), samba, 1939; Errei, erramos, samba, 1938; Errei, sim, samba, 1950; Escravo da saudade, samba, 1944; Está tudo errado (Voltei ao que era), samba, 1949; Eu conheço você (c/Roberto Martins), marcha, 1939; Eu que não quero, samba, 1951; Eu não sabia (c/Jorge de castro), samba, 1943; Eu não sei (c/Sílvio Caldas), samba, 1937; Eu não sei por que é (c/Zé Pretinho), batucada, 1941; Eu não sou daqui (c/Wilson Batista), samba, 1941; Eu sou de Niteróí (c/Wilson Batista), samba, 1941; Eu também sou general, samba, 1950; ExaItação à cor (c/J. Audi), samba, 1953; Fala, mulato (c/Alcibíades Nogueira), samba, 1956; Fala, Pedro, samba, 1946; Falem mal, mas falem de mim (c/Marino Pinto), samba, 1939; Falei demais (c/Claudionor Cruz), samba, 1940; Faz um homem enlouquecer (c/Wilson Batista), samba, 1941; Félix (c/Aldo Cabral), samba, 1950; Fidalgo, choro-canção, 1954; Fim de comédia, samba-canção, 1951; Fogueira do coração (c/Torres Homem), canção, 1945; Foi covardia, samba, 1943; Foi você (c/Roberto Martins), samba, 1937; Gastei tudo num dia (c/Jorge Murad), marcha, 1960; Geme, negro (c/Sinval Silva), samba, 1946; Gente, samba, 1967; Gente bem também samba, samba, 1968; Guarda essa arma (c/Roberto Martins), marcha, 1938; Hei de me vingar (c/Osvaldo Guedes), samba, 1938; Herança do desgosto, samba, 1956; O homem e o cão (c/Artur Vargas Júnior), samba, 1968; Índia do Brasil (c/Aldo Cabral), marcha, 1947; Infidelidade (c/Américo Seixas), samba, 1947; Inimigo do samba (c/Jorge de Castro), samba, 1943; Intriga, samba, s.d.; Irajá, batucada, 1948; Ironia (c/Bide e Mário Nielsen), samba, 1938; Isto é que nós queremos, samba, 1946; Já sei sorrir (c/Claudionor Cruz), samba, 1939; João pouca roupa (c/Arlindo Marques Júnior, Roberto Roberti, Haroldo Lobo e Nássara), marcha, 1942; Jubileu, 1959; Juvenal, samba, 1957; Lá na quebrada do monte (c/Felisberto Martins), valsa, 1941; Lagoa serena (c/J. Batista), samba-canção, 1955; Lar antigo (c/Conde), samba, 1956; Laranja madura, samba, 1967; Larga meu pé, reumatismo, samba, 1972; Laura, samba,1944; Lenço branco, samba, 1967; Leonor (c/Djalma Mafra), samba, 1943; Leva meu samba..., samba, 1941; Lírios do campo (c/Peterpan), samba, 1950; Livro aberto, samba, 1965; Macumbê-macumba, samba, 1965; Madalena (c/Adeilton Alves de Sousa), samba, 1973; Madame Garnizé (c/Américo Seixas), samba, 1950; Mais amor para você, samba, 1962; O mais triste dos mortais, samba, 1956; Mal-agradecida (c/Jardel Noronha), samba, 1941; Mal de raiz (clAmérico Seixas), samba, 1950; Malvada, samba, 1962; Mamãe Eva, marcha, 1966; Mandinga (c/Carlos Imperial), samba, 1971; Maneiroso, choro, 1948; Mania da falecida (c/Wilson Batista), samba-batuque, 1939; Marcha da noiva (c/Aldo Cabral), marcha, 1949; Marcha pro oriente (c/Lamartine Babo), marcha, 1957; Maria da Conceição, samba, 1958; Maria Nazaré (c/José Inácio de Castro), marcha, 1967; Mártir no amor (c/Davi Nasser), samba, 1945; Mas que prazer (c/Felisberto Martins), samba, 1941; Me dá meu chapéu, samba, 1963; Me dá meu paletó (c/José Bispo dos Santos), samba, 1964; Me deixa sambar (c/Nelson Trigueiro), samba, 1943; Me queira agora, samba, 1973; Menina que pinta o sete (c/Roberto Martins), marcha, 1935; Mensageiro da dor, samba, 1960; Mensageiro da saudade (c/J. Batista), samba-canção, 1950; Mentira do povo (c/Elpídio Viana), samba, 1951; Mentira pura, samba, 1956; Mentira só, samba, 1964; Meu drama (c/Wilson Batista), samba, 1951; Meu lamento (c/Jacó do Bandolim), samba, 1956; Meu papel (c/Osvaldo França), samba, 1945; Meu pranto ninguém vê (c/José Gonçalves), samba, 1938; Meu protetor (c/Odilon Noronha), batucada, 1944; Meus tempos de criança, samba, 1957; Mil corações (c/Jorge Faraj), valsa, 1938; Minha infância, samba, 1965; Minha mãezinha, samba, 1957; Minha sombra (c/Davi Nasser), valsa, 1940; Minhas lágrimas (c/Conde), samba, 1953; Miraí, marcha, 1962; Morena faceira, samba, 1937; Um motivo, samba, 1947; Mulata assanhada, samba, 1956; Mulher do seu Oscar (c/Wilson Batista), samba, 1940; A mulher dos sonhos meus (c/Orlando Monello), samba, 1941; A mulher fez o homem (c/Roberto Martins), samba, 1941; Mulher fingida (c/Bide), samba, 1937; Mulher, toma juízo (c/Roberto Cunha), samba, 1938; O mundo está errado, samba, 1965; Na cadência do samba (c/Paulo Gesta), samba, 1961; Na ginga do samba, samba, 1964; Na hora da partida (c/Alberto Montalvão), samba, 1946; Não amou, não sofreu, não viveu (c/Luís Bandeira), samba, 1973; Não irei lhe buscar, samba, 1944; Não mando em mim (c/Bide), samba, 1938; Não posso acreditar, samba, 1973; Não posso crer, samba, 1936; Não posso resistir, samba, 1935; Não quero opinião de mulher (c/Newton Teixeira), samba, 1942; Não sei dar adeus (c/Wilson Batista), samba, 1939; Não tenho pressa, samba, 1963; Não vai, Zezé, batucada, 1940; Não volto mais (c/Bide), samba, 1936; Nego, tá se acabando (c/Vítor Bacelar), samba-maracatu, 1946; O negro e o café (c/Orestes Barbosa), samba 1945; Nem que chova canivete, samba, 1968; Nessa rua (c/J. Pereira), marcha, 1937; No apartamento discreto (c/Arlindo Marques Júnior), valsa, 1937; No meu sertão, samba-canção, 1937; Nós das Américas, samba, 1942; Noutros tempos era eu, samba, 1943; Nunca mais, samba, 1964; O que é que eu vou dizer em casa? (c/Miguel Gustavo), samba, 1948; O que que há?, samba, 1962; O ódio não destrói o ódio, samba, 1962; Oh!, seu Oscar (Wilson Batista), samba, 1941; Olha a saúde, rapaz (c/Roberto Roberti), samba, 1945; Ordem do rei, samba, 1960; Pago pra ver, batucada, 1972; Pai Joaquim da Angola, batuque, 1955; Palavra do rei, samba, 1956; Papai não vai (c/Wilson Batista), samba, 1942; Papai Noel (clBide), marcha, 1935; O pavio da verdade (c/Américo Seixas), samba, 1949; A pedida é essa, samba, 1961; Pela luz divina (c/Mário Travassos), samba, 1945; Pelo amor de Deus (c/Luís de França), samba, 1964; Pelo amor que eu tenho a ela (c/Antônio Almeida), samba, 1936; Perdi a confiança (c/Rubens Soares), samba, 1937; Pico a mula (c/José Batista), marcha, 1949; Pois é..., samba, 1955; Por amor ao meu amor, samba, 1937; Positivamente não (c/Marino Pinto), samba, 1940; Pra esquecer uma mulher (c/Claudionor Cruz), samba, 1940; Pra que mais felicidade (c/Mário Lago), samba, 1945; O prazer é todo meu (c/Claudionor Cruz), samba-canção, 1937; Primeiro de maio, marcha, 1962; Primeiro nós (c/Peterpan), batucada, 1941; Protesto, samba, 1965; Quando dei adeus (c/Wilson Batista), samba, 1941; Quando eu morrer, samba, 1958; Quanta tristeza (c/André Filho), samba-canção, 1937; Quantos projetos (c/Antônio Domingues), samba, 1961; Quem bate? (c/Max Bulhões), samba, 1937; Quem é que não sente? (c/Afonso Teixeira), samba, 1950; Quem é você (c/Dunga), samba, 1940; Quem mandou laiá (c/Roberto Martins), samba de partido-alto, 1942; Quem mandou você errar (c/Augusto Garcez), samba, 1940; Quem me deve me paga, samba-batucada, 1956; Quem não quer sou eu (c/Edvaldo Vieira), samba, 1963; Quem quiser que se aborreça, samba, 1962; Quero o meu pandeiro (c/Mário Lago), samba, 1944; Quinta raça (c/Antônio Domingues), marcha, 1967; Rabo de saia (c/Jorge de Castro), samba, 1955; Rainha da beleza (c/Jorge Faraj), samba, 1937; Rainha do mar, samba, 1958; Rainha do samba, samba, 1955; Receita (c/João Bastos Filho), samba, 1939; Rei vagabundo (c/Roberto Martins), samba, 1936; Reminiscências, samba, 1939; Represália, samba, 1942; Requebrado da mulata, samba, 1968; Um retrato de Minas, samba, 1957; Retrato do Rio, samba, 1965; Réu confesso, samba, 1954; Rio, cidade bendita (c/Francisco Caldas), marcha, 1965; Sai do meu caminho, samba, 1956; Salve a Bahia (c/Nelson Trigueiro), samba, 1943; Salve ela (c/Alberto Ribeiro), samba-batucada, 1937; Samba, Brasil (c/Aldo Cabral), samba, 1950; Samba de Bangu, 1957; Samba em Brasília, 1957; Sambou de pé no chão (c/Augusto Garcez), 1951; Santos Dumont (c/Aldo Cabral), marcha, 1957; Saudade da saudade, samba, 1958; Saudade dela, samba, 1936; Saudades da mulata, samba, 1952; Saudades do meu barracão, samba-canção, 1935; Se a saudade me apertar (c/Jorge de Castro), samba, 1955; Se eu fosse pintor, (c/Wilson Batista), samba, 1965; Sei que é covardia mas... (c/Claudionor Cruz), samba, 1939; Semeia mas não cresce, samba, 1960; Será... (c/Wilson Batista), samba, 1939; Seresta, samba, 1960; Sexta-feira, samba, 1933; Sim, foi ela (Darci de Oliveira), samba, 1942; Sim, sou eu, samba, 1940; Sim, voltei, samba, 1957; Sinhá Maria Rosa (c/Roberto Martins), toada-cateretê, 1935; Sinto-me bem, samba, 1941; Só me falta uma mulher (c/Felisberto Martins), samba, 1942; Solidão (c/Aldo Cabral), choro, 1953; Solitário, choro-canção, 1946; Sonhei com ela, samba, 1947; Sonho, samba, 1933; Talento não tem idade, samba, 1958; Tempo perdido, samba, 1934; Tenho prazer, samba, 1936; Terra boa (c/Wilson Batista), samba, 1942; O teu pranto é mentira, samba, 1965; Teus olhos (c/Roberto Martins), samba-choro, 1939; Tô ficando velho, marcha, 1960; Todo mundo enlouqueceu (c/Jorge de Castro), samba, 1945; Trovador não tem data (c/Wilson Falcão), marcha, 1939; Tu és esta canção, valsa-canção, 1940; Vá baixar noutro terreiro (c/Raul Marques), samba, 1945; Vai levando (c/José Batista), samba-batucada, 1953; Vai, Madalena, samba, 1972; Vai, mas vai mesmo, samba, 1958; Vai na paz de Deus (c/Antônio Domingues), samba, 1953; Vassalo do samba, samba, 1967; Velha Guarda, marcha, 1968; Vem amor (c/Raul Longras), samba, 1939; O vento que venta lá, batucada, 1957; Vestiu saia fá pra mim (c/José Batista), samba, 1953; Vida da minha vida, samba, 1949; Você é o meu xodó (c/Wilson Batista), samba, 1942; Você me deixou (c/Arnaldo Vieira Marçal), samba, 1939; Você não é como as flores (c/Carlos Imperial), samba, 1971; Você não nasceu pra titia, samba, 1964; Você não quer, nem eu, samba, 1955; Você não sabe, amor (c/Bide), samba, 1936; Você não tem palavra (c/Newton Teixeira), samba, 1941; Você nasceu pro mal, samba, 1960; Você passa e eu acho graça (c/Carlos Imperial ), samba, 1971; Vou buscar minha Maria (c/Claudionor Cruz), marcha, 1939; Vou tirar meu pé do lodo (c/Conde), batucada, 1953; Zé da Zilda, samba, 1955.

Fontes: MPB Compositores - Ed. Globo

Sei que é covardia

Ataulfo Alves
Sei que é covardia, mas ... (samba, 1938) - Ataulfo Alves e Claudionor Cruz

Disco 78 rpm / Título da música: Sei que é covardia, mas... / Autoria: Alves, Ataulfo, 1909-1969 (Compositor) / Cruz, Claudionor (Compositor) / Carlos Galhardo, 1913-1985 (Intérprete) / Imprenta [S.l.]: Victor, 1938 / Nº Álbum 34401 / Gênero musical: Samba /
Cm                G7              Cm
   Sei que é covardia um homem chorar
    G7           Cm    G7   Cm
Por quem não lhe quer
               G7              Cm
Sei que é covardia um homem chorar
    G7           Cm      C7
Por quem não lhe quer
                     Fm
Não descanso um só momento
                   G7
Não me sai do pensamento
       Cm
Essa mulher
       Eb7         Ab
Que eu quero tanto bem
      G7     Cm
E ela não me quer!
       Eb7         Ab
Que eu quero tanto bem
      G7     Cm
E ela não me quer!
G7     Cm
Outro amor
C7            Fm
Não resolve a minha dor!
G7    Cm            Ab
Só porque o meu coração
              G7
Já não quer outra mulher
     Cm
Pois é...

Vida de minha vida

Ataulfo Alves
Vida da minha vida (samba, 1949) - Ataulfo Alves

Disco 78 rpm / Título: Vida da minha vida / Autoria: Alves, Ataulfo, 1909-1969 (Compositor) / Alves, Ataulfo, 1909-1969 (Intérprete) / Conjunto (Acompanhante) / Cesar, Silvio (Acompanhante) / Imprenta [S.l.]: Star, 1947-1949 / Nº Álbum 132 / Gênero: Samba /
Dm           E7    A7
Minha musa inspiradora
                 Dm
Minha noite de luar
              C7
Agradeço ao Criador
 
Que me fez um sonhador
                 F       D7
Pra melhor te exaltar
                  Gm     C7
Rima rica do meu verso
                   F   
Minha canção preferida
               Eb       A7
Melodia do meu samba
                      Dm    Gm
Vida da minha própria vida
                  Dm
Estrela que brilha mais
             A7
Que uma constelação
                    D7
Nestas noites de verão
              Dm    Gm
Ilumina os dias meus
       A7
Minha querida
                     Dm    Gm   Dm
Vida da minha própria vida

Laranja madura

Laranja madura (samba, 1967) - Ataulfo Alves - Intérprete: Ataulfo Alves - "Eternamente Samba" (LPNG-44.002 Polydor 1966) -
Tom: D  

Dm
Você diz           A7
Que me dá casa e comida
                           Dm
Boa vida e dinheiro pra gastar
A7          Dm
O que é que há minha gente
            Am
O que é que há
         E7
Tanta bondade
                 A7   D7
Que me faz desconfiar

          Gm
Laranja madura
C7            F    Bb7
Na beira da estrada
     A7
Tá bichada, Zé
                     Dm7
Ou tem marimbondo no pé

A7
Santo que vê muita esmola
         Dm
Na sua sacola

Desconfia
A7                  Dm
E não faz milagres, não
A7
Gosto da Maria Rosa
             Dm
Quem me dá prosa

É Rosa Maria
A7                Dm7
Vejam só que confusão

Na cadência do samba

Ataulfo Alves
Existem dois sambas com o título de “Na Cadência do Samba”. O primeiro, de Luiz Bandeira, foi por ele lançado em junho de 56, sem maior sucesso. Tempos depois, adotado como prefixo e fundo musical para cenas de futebol no jornal cinematográfico Canal 100, de Carlos Niemeyer, popularizou-se, tornando-se conhecido pelo verso inicial “Que Bonito É”.

Já o segundo, seis anos mais novo, é um dos melhores da última fase de Ataulfo Alves, impressionando pelo curioso estribilho: “Sei que vou morrer não sei o dia / levarei saudades da Maria / sei que vou morrer não sei a hora / levarei saudades da Aurora / eu quero morrer numa batucada de bamba / na cadência bonita do samba.” Além da versão de Ataulfo, “Na Cadência do Samba” fez sucesso cantado por Elizeth Cardoso, que por coincidência gravou também samba do Luís Bandeira (A Canção no Tempo - Vol. 2 - Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello - Editora 34).



Na cadência do samba (samba, 1962) - Paulo Gesta e Ataulfo Alves - Intérprete: Jorge Veiga (RCA Victor, 78 rpm, 1962) -
Dm                             Gm    A7
Sei que vou morrer, não sei o dia
                      Dm
Levarei saudades da Maria
               D7             Gm        C7
Sei que vou morrer, não sei a hora
                        F        A7
Levarei saudades da Aurora

Dm                      A7
Quero morrer numa batucada de bamba
                          Dm
Na cadência bonita de um samba
             C7                       F
Mas o meu nome ninguém vai jogar na lama
               A7
Diz o dito popular
                       Dm   A7
Morre o homem fica a fama
    Dm                    A7
Quero m orrer numa batucada de bamba
                           Dm
Na cadência bonita de um samba
 
 

Vai, mas vai mesmo




Vai, mas vai mesmo (samba, 1959) - Ataulfo Alves

Disco 78 rpm / Título da música: Vai, mas vai mesmo / Autoria: Alves, Ataulfo, 1909-1969 (Compositor) / Nora Ney, 1922-2003 (Intérprete) / Bandinha (Acompanhante) / Imprenta [S.l.]: Rca victor, 06/06/1958 / Nº Álbum 801973 / Gênero musical: Samba /

Vai, vai mesmo
Eu não quero você mais
Nunca mais
Tenha a santa paciência
Ponha a mão na consciência
Deixe-me viver em paz
Vai ou não vai ?

Sai de vez do meu caminho
De a outro o seu carinho
Me abandone, por favor
Ai, que dor,
Você machucou meu peito,
Não tem mais o direito
De mandar no meu amor.
Vai, ou não vai ?



Infidelidade

Ataulfo Alves
Infidelidade (samba, 1947) - Ataulfo Alves e Américo Seixas 

Disco 78 rpm / Título: Infidelidade / Autoria: Alves, Ataulfo, 1909-1969 (Compositor) / Seixas, Américo (Compositor) / Alves, Ataulfo, 1909-1969 (Intérprete) / Pastoras (Acompanhante) / Imprenta[S.l.]: RCA Victor, 1947 / Nº Álbum 800532 / Gênero musical: Samba /

Aquele que considera,
O amor uma quimera,
Vive longe do sofrer,
Tem sempre os olhos enxutos,
Crê no amor de dez minutos,
E nelas não deve crer,
São falsas, na maioria,
E quando o homem confia,
Em tudo o que a mulher diz,
Heis a traição consumada
Uma vida desgraçada,
Um lar a mais infeliz.

Gostei de uma criatura,
Sem moral, sem compostura,
Sem coração, sem pudor,
Era o dono, do negócio,
Sem saber que havia um sócio
Na firma, do nosso amor,
Felizmente ainda alegra,
Saber-se que em toda regra,
Tem sempre a sua exceção,
Não julgo todas, por uma,
Pode ser que haja alguma
Com pudor e coração...

Quanta tristeza

André Filho
Quanta tristeza (samba, 1937) - Ataulfo Alves e André Filho

Disco 78 rpm / Título da música: Quanta tristeza / Autoria: André Filho (Compositor) / Alves, Ataulfo, 1909-1969 (Compositor) / Carlos Galhardo, 1913-1985 (Intérprete) / Luperce (Acompanhante) / Pixinguinha (Alfredo da Rocha Vianna Filho), 1897-1973 (Acompanhante) / Regional (Acompanhante) / Imprenta [S.l.]: Odeon, 02/10/1936 / Nº Álbum 11458 /

Quanta tristeza
Eu trago dentro do meu coração
A vida é mesmo assim
Eu amo alguém que não gosta de mim.

Coração, para de bater,
É demais tanto padecer
Choro pra esquecer,
Este amor infeliz
Que me faz sofrer.

A você

Carlos Galhardo
A você (valsa, 1937) - Ataulfo Alves e Aldo Cabral

Disco 78 rpm / Título da música: A você / Autoria: Cabral, Aldo (Compositor) / Alves, Ataulfo, 1909-1969 (Compositor) / Carlos Galhardo, 1913-1985 (Intérprete) / Orquestra Copacabana (Acompanhante) / Imprenta [S.l.]: Odeon, 08/10/1936 / Álbum 11458 / Gênero: Valsa /

Em você
Tudo é encantamento
Em você
Tudo é deslumbramento
Você traduz
Sonhos de luz
Anjo divino
Qual uma dádiva do céu
No meu destino.

Em você eu encontrei, querida
A realização
Do que sonhei na vida
É você, na expressão da verdade
A minha apoteose de felicidade.

Seu olhar me fascina
Seu olhar me domina
Seu sorriso é um sorriso de santa
Seu andar macio, nos encanta
Nas linhas do seu corpo
Há um perfume de amor, embriagador
Enfim, você pra mim
É a encarnação desta canção!

Saudade dela

Ataulfo Alves
Saudade dela (samba, 1936) - Ataulfo Alves

Disco 78 rpm / Título da música: Saudade dela / Autoria: Alves, Ataulfo, 1909-1969 (Compositor) / Sílvio Caldas (Intérprete) / Imprenta [S.l.]: Odeon, 1936 / Nº Álbum 11409 / Gênero musical: Samba


Vai, vai saudade
A casa daquela ingrata
Que deixou você pra mim,
Você vai dizer a ela
Que eu agora sou feliz
Que você está no lugar
Da mulher que não me quis.

Vai, vai saudade
Vai depressa por favor
Se você gosta de mim
Volta e vem morar comigo
Naquela casa amarela
Só porque, saudade eu sei,
Você é saudade dela.

Ela foi,
Não sei se volta mais,
Que falta de consciência
Ela não tem pena dos meus ais,
( ai, ai, meu Deus)
A minha felicidade
É findar minha existência
Com você, saudade

Saudade do meu barracão

Ataulfo Alves
Saudade do meu barracão (samba, 1935) - Ataulfo Alves

Disco 78 rpm / Título da música: Saudades do meu barracão / Autoria: Alves, Ataulfo, 1909-1969 (Compositor) / Floriano Belham (Intérprete) / Imprenta [S.l.]: Victor, 1935 / Nº Álbum 33951 / Gênero: Samba /

Hoje choro com saudade do meu barracão
Toda riqueza que havia era um violão
E uma morena faceira me desprezou, ô, ô ô,
Só me deixou tristeza a alegria levou.

Hoje mora na cidade
Essa morena bonita
Toda cheia de vaidade,
Não usa mais chita
Procura tudo esquecer,
Volta pro teu barracão,
E ouve o que eu vou te dizer
Tudo isso é ilusão.

Hoje a morena faceira
Mora num arranha-céu
E eu passo a noite inteira
Cantando ao léo,
Pobre do meu violão
Já não tem mais alegria
Triste no meu barracão
Que, é só nostalgia.

Carolina (Bonfiglio de Oliveira)

Bonfiglio de Oliveira
Carolina (marcha/carnaval, 1934) - Bonfiglio de Oliveira e Hervé Cordovil

Disco 78 rpm / Título da música: Carolina / Autoria: Oliveira, Bonfiglio de (Compositor) / Cordovil, Hervé (Compositor) / Carlos Galhardo, 1913-1985 (Intérprete) / Imprenta [S.l.]: Victor, 1933 / Nº Álbum 33729 / Lado A / Gênero musical: Marcha


Carolina
Carolina
Vai dizendo, por favor
Carolina
Carolina
Que você me tem amor

Carolina por você
Muita gente vai brigar
Você tem não sei o quê
E quem passa tem que olhar

Desde quando vi você
Nunca mais vivi em paz
Você tem não sei o quê
E quem passa olha pra trás

Glória

Bonfiglio de Oliveira
Glória (valsa, 1918) - Bonfiglio de Oliveira e Branca M. Coelho

Disco 78 rpm / Título da música: Glória / Autoria: Oliveira, Bonfiglio de (Compositor) / Coelho, Branca M (Compositor) / Gastão Formenti (Intérprete) / Orquestra (Acompanhante) / Imprenta [S.l.]: Columbia, 1931 / Nº Álbum 22025 / Lado A / Gênero: Valsa canção /

Quando a brisa espalha
A essência de uma flor
Bela imagem surge no meu coração !
És tu...
Vem lembrar-me a quadra
Do primeiro amor...
Vem prender mais ainda
As algemas desta escravidão

Tu és a gloria de Satã,
No reino da traição
E tens no peito rubra pedra
Em forma de coração
Tua boca, linda de maçã
É o fruto da tentação

Tu és a rocha, eu sou o mar,
A te beijar...
Mas a vida é cárcere divino
Temos o destino, branco ou purpurino
Escrito lá nos céus !...


Deus, ó, Deus,
Tendo por caridade compaixão,
Piedade da infelicidade
Que se abriga em mim
Enviai um raio de esperança
De rósea bonança
Para quem não cansa de gemer assim,
Pelo amor que tive na vida
Leva a passageira de um pálido jasmim...