sábado, 26 de agosto de 2006

Olha o Padilha

Olha o Padilha (samba, 1959) - Ferreira Gomes, Bruno Gomes e Moreira da Silva



Tom: C  

Intr:  Ab  Fm  C  Am  D7  D79 Gaug C9+

                     C                   G7
Prá se topar numa encrenca, basta andar distraído,
               C                             C
Que ela um dia aparece - não adianta fazer prece.
                            C7                    F
Eu vinha anteontem, lá da gafieira, com minha nega Cecília.
- Quando gritaram - Olha o Padilha!
                                   Fm
Antes que eu me desguiasse, um tira forte e aborrecido
    C
Me abotoou, e disse: - Tu és o nonô! Heim?
                    Dm                    G7
“Mas eu me chamo Francisco, trabalho como mouro,
         C
Sou estivador - Posso provar ao senhor.”
                            E7
Nisso o moço de óculos 'Raibam’,
                       Am
Me deu um pescoção: - bati com a cara no chão.
      A7
E foi dizendo, “Eu só queria saber
                                  Dm
Quem disse que és trabalhador. - Tu és salafra, achacador
       F                               G6
Esta macaca ao teu lado, é uma mina mais forte
                      C
Que o Banco do Brasil - Eu manjo ao longe este tiziu”
              Dm                        G7
E jogou uma melancia, pela minha calça adentro,
                       C
A =      Que engasgou no funil, - Eu bambeei, ele sorriu.
             Dm               G7
Apanhou uma tesoura, e o resultado
          C
Desta operação: - É que a calça virou calção
        C7
Na chefatura um barbeiro sorridente
                F
Estava à minha espera. - Ele ordenou: “Raspa o cabelo desta fera”
           Fm
“Não está direito, seu Padilha, me deixar
                   C
Com o coco raspado - Eu já apanhei um resfriado
                Dm                       G7
Isto não é brincadeira, pois o meu apelido era
                  C
Chico Cabeleira.” - Não volto mais à gafieira.

(solo) C  G7  C  C7  F  Fm  C  B  Bb  A7  Dm  G7  C  (A)

(Ele quer ver minha caveira. Eu, heim? Se eu não me desguio a tempo
Ele me raspa até as axilas. O homem é de morte…)  Dm  G7  C9+


Na subida do morro

Clássico do samba de breque, de autoria de Geraldo Pereira, que o compôs especialmente para uma peça teatral apresentada no Morro de Mangueira, onde Geraldo então morava, escrita, dirigida e interpretada por ele mesmo, como número de encerramento. Anos mais tarde, Moreira da Silva comprou de Geraldo Pereira os direitos autorais e de gravação da música por um conto e trezentos.

O lançamento se deu pela Continental, em maio-junho de 1952, disco 16553-B, matriz C-2816, mas no selo original e na edição impressa apareceram apenas os nomes de Moreira da Silva e Ribeiro Cunha (fabricante dos chapéus do cantor), sendo o de Geraldo Pereira omitido.

O próprio Moreira reconhecia ser Geraldo o verdadeiro e único autor de "Na subida do morro", e regravaria a música em outras oportunidades, além de interpretá-la no filme "Maria 38" (1959), de Watson Macedo, estrelado pela sobrinha do cineasta, Eliana (Fonte: Samuel Machado Filho - Youtube).

Na subida do morro (samba, 1952) - Moreira da Silva e Ribeiro Cunha

Disco 78 rpm / Título da música: Na subida do morro / Autoria: Silva, Moreira da (Compositor) / Cunha, Ribeiro (Compositor) / Silva, Moreira da (Intérprete) / Orquestra Tabajara (Acompanhante) / Araújo, Severino (Acompanhante) / Imprenta [S.l.]: Continental, 1951-1952 / Nº Álbum 16553 / Lado B / Lançamento: 1952 / Gênero musical: Samba /
  (A)
Na subida do morro, me contaram   (breque)
  A         E7          A       
Que você bateu na minha nega  
             A7 
Isto não é direito
                        ( D )             
Bater numa mulher que não é sua  (breque) 
                   ( D )
Deixou a nega quase crua (breque)
             Dm                           ( A )
 No meio da rua / A nega quase que virou presunto (breque)
                       ( A )                             Bm
Eu não gostei daquele assunto (breque) / Hoje venho resolvido
                        E7        ( A )
Vou lhe mandar para a cidade de pé junto (breque) 
                      ( A ) 
Vou lhe tornar em um defunto
            Db7                          (Gbm) 
Você mesmo sabe que já fui um malandro malvado (breque)
                  (Gbm)                            Gb7
Somente estou regenerado (breque) /  Cheio de malícia
                           ( Bm )          
Dei trabalho à polícia pra cachorro (breque) 
                    (Bm)
Dei até no dono do morro(breque)
             Bm           Db7                  (Gbm)
Mas nunca abusei de uma mulher que fosse de um amigo (breque)
                   (Gbm)                         Bm  
Agora me zanguei consigo(breque) / Hoje venho animado  
                    E7                    ( A )
A lhe deixar todo cortado / Vou dar-lhe um castigo (breque)
Meto-lhe o aço no abdome e tiro fora
 o seu umbigo (breque)
 
“Aí meti-lhe o aço, hum! Quando ele ia caindo disse: 
Moringueira você me feriu; Eu então disse-lhe: É claro,
você me desrespeitou, mexeu com a minha nega. Você sabe 
quem em casa de vagabundo malandro não pede emprego; 
Como é que você vem com xavecada, está armado; eu quero 
é ver gordura que a banha está cara. Aí meti a mão lá 
na duana, na peixeira, é porque eu sou de Pernambuco, 
cidade pequena, porém decente, peguei o Vargolino 
pelo abdome, desci pelo duodeno, vesícula biliar e 
fiz-lhe uma tubagem; ele caiu, bum, todo ensanguentado; 
E as senhoras como sempre nervosas: Meu Deus esse homem 
morre, moço. Coitado olha aí está se esvaindo em
sangue; Ora minha senhora, dê-lhe óleo canforado, 
penicilina, estreptomicina crebiosa, engrazida e até
 vacina Salk; Mas o homem já estava frio; Agora o 
malandro que é malandro não denuncia o outro, espera 
para tirar a forra. Então diz o malandro:”
 
              Db7                                 (Gbm)
Vocês não se afobem que o homem desta vez não vai morrer (breque)
                       (Gbm)          
Se ele voltar dou pra valer (breque) 
              Gb7
Vocês botem terra nesse sangue
                     ( Bm )           
Não é guerra / É brincadeira (breque) 
                    ( Bm )
Vou desguiando na carreira (breque)
               Bm   
A jungusta já vem 
          Db7                  ( Gbm )
E vocês digam que eu estou me aprontando ( breque)
                     ( A )              
Enquanto eu vou me desguiando (breque) 
                  Bm
Vocês vão ao distrito
    E7            (  A )
Ao delerusca, se desculpando (breque)  
Foi um malandro apaixonado
                 ( A )
Que acabou se suicidando.

Margarida

Margarida (samba, 1961) - Zózimo Ferreira e Moreira da Silva

Disco LP / Título da música: Margarida / Autoria: Ferreira, Zózimo (Compositor) / Silva, Moreira da (Compositor) / Silva, Moreira da (Intérprete) / Imprenta [S.l.]: Odeon, 1961 / Álbum: Malandro em Sinuca / Nº Álbum: MOFB3207 / Lado B / Faixa 06 / Gênero musical: Samba de breque /
Tonalidade: F
Introdução: Bb  C7  Am7 D7  Bb  Am  Gm  C9

       Gm         C7          F
Eu preciso consertar a minha vida,
    Am       Gm   C7            F          Dm7
Que ficou arruinada quando a Margarida me deixou.
         Gm          C7       F
Eu, que nunca havia ido ao pesado,
    Bdim    E7  Am           E         Am
Desta vez fui obrigado a enfrentar o batedor
          C7
- mas que calor

        Gm              C7        F
Fui trabalhar dentro de uma cervejaria,
Dm        Gm          C7        F      
E, em poucos dias, dei o fora no patrão.
F7                       Bb
Trabalhei tanto, que quase levei a breca,
Bdim    F7   D7    Gm    C7      F   A7
Cheguei a ficar careca de tanto chifrar caixão.

    Dm       Dm/C      Bb  
Meu Deus, eu vou me acabar,
A7          Dm   Dm/C
se a Margarida não voltar.
                  A7               
Eu não sei como vai ser,
        D7                     Gm
a minha canja de galinha se acabou.
         C7                      F   
Eu estou cansado de enfrentar o batedor
  A7    Dm
- eu vou morrer.

        Dm/C           Bb          A7           Dm
Fui trabalhar num restaurante prá poder comer bastante.
      A7                         D7
Numa vaga de caixeiro, em pouco tempo,
                 Gm                     C7
Promovido a secretário, porque o proprietário
                F                A7     
Não conhecia dinheiro - era um fuleiro

Dm  Dm/C       Bb        A7         Dm
Ele tinha confiança na minha sinceridade,
Dm/C                A7
E eu trabalhava à vontade.
D7                         Gm               Dm
É, mas se a polícia não descobre, eu ficava rico,
            A7          Dm
E o meu patrão ficava pobre.

Bb  C7  Am7 D7  Gm  Am  Gm  C9

Jogando com o capeta

Jogando com o capeta (samba, 1959) - Moreira da Silva e Ribeiro Cunha

Disco LP / Título da música: Jogando com o capeta / Autoria: Silva, Moreira da (Compositor) / Cunha, Ribeiro (Compositor) / Silva, Moreira da (Intérprete) / Imprenta [S.l.]: Fama/CID, 1989 / Álbum: 50 Anos de Samba de Breque / Nº Álbum: 90070 / Lado B / Faixa 06 / Gênero: Samba de breque /
Tonalidade: G

Introdução: C7M  C#° G7M  E7 Am  D7  G7M  D7

          G7M                D7
Jogando baralho, no terreiro grande
               G7M
No meio de homens fortes
- eu estava jogando com a sorte
           G7
Um desconhecido chegou, bem vestido
        C7M
E me pediu o corte
- eu disse-lhe “Jogo até com a morte.
             C#dim
Mas se acaso ganhar, não vá sorrir e nem zombar,
                  G7M     
Que hoje é meu companheiro
                 E7
- não vá levar o meu dinheiro
          Am7                        D7
Não sou brigador, mas se perder e não pagar,
            G7M
Eu vou bater no senhor”
- ele me disse ‘és um terror’

         Am7       D7     G7M
Fiz um macete de valete e dama
- o Vargo perde e não reclama

E diz ‘que lama’
G7                           C7M
Puxou de uma bolada e me desacatou,
- depois a sorte me deixou.

Ele tomou do lesco, e desfolhou
C#dim              G7M  
Fiquei sozinho, sem um companheiro
E7
- porque perderam o seu dinheiro
Am7           
Depois ele sorrindo me disse:
D7                     G7M
‘desista porque eu sou trigueiro.
                 Am7
Eu sou o Chico Tintureiro, o Zé Carneiro’. Fiz
     D7                     G7M
Umas paradas mais eu tinha um peso
- eu já estava quase pronto,
        G7                                C7M
Acabei teso. Puxei minha solinje e fiz o “pelo-sinal”

Ele me disse: ‘isto é que é mal’

“Deus me defenda do senhor”,
   C#dim                G7M  
falei em Deus mas sem má intenção.
          E7     
Mas para mim foi muito bom,
       Am7
porque deu um estouro e sumiu,
    D7             G7M
Era o capeta, mete cabelão
- mas que cheirinho de alcatrão.

Fui ao dentista

Fui ao dentista (samba, 1964) - Sebastião Fonseca e Cícero Nunes

Disco LP / Título da música: Fui ao dentista / Autoria: Fonseca, Sebastião (Compositor) / Nunes, Cícero (Compositor) / Moreira da Silva (Intérprete) / Imprenta [S.l.]: Odeon, 1964 / Álbum: Morengueira 64 / Nº Álbum: MOFB 3385 / Lado A / Faixa 1 / Gênero musical: Samba /
Tonalidade: A
Introdução: D  Ebdim  A7M  Gb7  Bbm  E7  A7M  E7
          A7M            Cdim      Bbm
Fui ao dentista, prá chumbar uma panela,
E7                 A7M  G7M
Mais o gajo achou que ela, não podia obturar.
Ab7M   A7M           Bm    Cm     E
Ele me disse, “Vou mudar toda a mobília,
Dbm         Gbm         B7           E7
Tu vais ver que maravilha, Morengueira vai ficar.
Arranco tudo, arranco até o maxilar…”
- Mas doutor, o que está me doendo é o primolar.
Eu acho que vou ter um atrito com o senhor… -
              A7M      Cdim           Bbm
Mas quando eu vi o boticão que ele trazia,
E7                   A7
Minha tripa ficou fria, começou a tremedeira.
D             G           Dbm7
Quem foi que disse que o papai a boca abria,
Gb          Bm7         E7        A7M
Prá espetar a anestesia, na gengiva do Moreira.
Mas tem que ser, queira ou não queira.
Db7                            Gbm
Em vista disso, prá acabar com o meu berreiro,
Db7                        Gbm
O doutor me deu um cheiro, e eu ferrei numa soneca
Db7           Db/B      Gbm
E quando acordo, nem te conto camarada,
Gbm/A        Dbm          Ab7         Db7
Minha boca está chupada, e a gengiva está careca.
Meu panelão levou a breca…
Db7                         Gbm
Enquanto espero, se a gengiva murcha e seca,
Db7                   Gb    Gb7
Prá mudar a perereca, provisória no bocão.
Bbm         E7           A7M
Tudo o que é efe, sai comprido, sai soprado,
Gbm        D7          Db7          Gbm
Que até fico encabulado, com tamanha assopração:
Farora fofa faz fofoca no feijão.

Fenômeno

Fenômeno (samba, 1989) - Joaquim Domingos e Nilton Moreira

Disco LP / Título da música: Fenômeno / Autoria: Moreira, Nilton  (Compositor) / Domingos, Joaquim (Compositor) / Moreira da Silva (Intérprete) / Imprenta [S.l.]: Fama/CID, 1989 / Álbum: 50 Anos de Samba de Breque / Nº Álbum: 90070 / Lado A / Faixa 03 / Gênero: Samba de breque /
Tonalidade: C  
Introdução: F7  Ebdim  C  A7  D7  G7  C  

                  Dm            G7  C           
Doutor des’que nasci, que vivo adoentado.  
           E7                 Am     C7 
Tenho um nariz um tanto avantajado. 
        F      Ebdim        C 
A minha cara é larga prá chuchu,  
      A7           D7                     G7 
o meu queixo até parece uma castanha de cajú. 
Nerusca de ai lóve iou… 

           Dm     G7       C 
É, a minha boca é grande demais,  
          E7                    Am   C7 
e sendo assim, eu sou muito infeliz, 
   F             Ebdim  C 
Doutor, veja por quanto faz,  
A7          D7 G7         C    E7 
uma intervenção, em meu nariz. 

       E7                           Am 
E o doutor olhou prá mim, deu um sorriso, e disse assim: 
          A7             Dm 
 “Você precisa é tomar juízo, vá por mim.  
       Bdim        E7      Am 
Você é forte e tem muita saúde, 
  Am/      B7                      E7 
Você até parece um astro lá de roliúdi…” 

      B7          E7        Am 
Acreditei no lero deste cientista de valor.  
       A#            A7         Dm         Dm/C 
Meti o peito e fui fazer uma conquista de amor, 
          Bdim         E7     Am 
Logo a primeira que chamei de flor,  
       Am/G     F            E7      Am 
me deu um catiripapo e um contra-à-vapor… 
                     C7 
Ai, ai, que dor, ai, ai… 

            Dm      G7           C 
Eu vi anunciado, um tal de seu Macário,  
             E7                  Am     C7 
que tem três filhas em estado precário. 
       F          Ebdim   C        
Meti o peito, e mudei prá lá.  
         A7      D7                     G7 
fui conhecer Maricota, Mariquinha e Maricá 

-É que o velho tem uma nota preta prá gastar,  
e eu estou entusiasmado. 
Desta vez eu vou ficar com aquela faca de (cortar) água morna,  
esterilizada e tudo o mais. 

          Dm     G7         C 
Mas seu Macário usou de franqueza:  
           E7                  Am    C7 
“as minhas filhas não querem beleza, 
      F           Ebdim       C 
Mas você com esta cara que me traz,  
         A7          D7          Db7 
eu tenho visto gente feia, mas assim 
       C  
Já é demais…Desguia Satanás. Que funeragem” 

F7  Ebdim  C  A7  D7  G7  C  C7 F7  
Ebdim  C  A7  D7  G7  C6 

Dormi no molhado

Dormi no molhado (samba, 1942) - Moreira da Silva, Tancredo Silva e Ribeiro Cunha

Disco 78 rpm / Título da música: Dormi no molhado / Autoria: Silva, Moreira da (Compositor) / Cunha, Ribeiro (Compositor) / Silva, Tancredo (Compositor) / Silva, Moreira da (Intérprete) / Imprenta [S.l.]: Odeon, 1942 / Nº Álbum 12144 / Lado A / Gênero musical: Samba choro /
Tonalidade: C

Introdução: F Ebdim C Am7 Dm7 G7 C Am7 Dm7  G7  C

                    C            G7                C
Eu quando vejo um rapaz, da sua idade estendendo a mão –
Dele não tenho compaixão
              C                       C7  
Porque não me conformo ver um homem de talento
                F
não querer trabalhar

Sente, meu velho, tou mais duro do que beira de sino,
Vê se tu me arranja uma nota aí prá pegar um prato feito
É, um P. F. um aparelho da zona acumulada.
        F                       Fm
Eu também já passei fome, já sofri e não morri,
               C                             Am7
Estou aqui de lição - e ninguém vai dizer que não.
                Dm7                   G7
Eu já dei atrapalhado, eu já andei afanado,
                   C
Mas nunca pedi tostão - acho que estou com a razão.
                                    G7
Eu enfrentei uma marreta, na pedreira São Diogo,
                           C
Quebrando pedra roliça - passando a pão e a linguiça.
                        C7                        
Dormia no cais do porto, no meio da sacaria,
              F
onde o rato dormia –
                   Fm
Onde ventava e chovia. Quando o dia amanhecia,
vinha o chefe da limpeza,
          C                         Am7
Jogando água fria - vejam só como eu saía.
         Dm7                       G7
Sem café e sem cigarro, sem saber prá onde ia,
                     C
Sem tostão e sem vintém - mas nunca pedia a ninguém.
                      G7
Cortei asfalto na linha, fui vendedor de galinha,
                      C
Carreguei cesto na feira - eu fui garçom de gafieira.
                          C7    
Comia numa vendinha, que só fritavam sardinha,
                    F
Com azeite de lamparina - eu só cheirava a gasolina.
                      Fm
Fui peixeiro, carvoeiro, fui carteiro, fui bicheiro
                C                            Am7
Apanhei como ladrão - mas não mudei de opinião.
                 Dm7                        G7
E como sou caprichoso, hoje me sinto outro homem,
                  C
Até já mudei meu nome
- oi, já me disseram até que eu virava lobisomem.
F  Ebdim  C  Am7  Dm7  G7  C  Am7  Dm7  G7  C

Cidade lagoa

Cidade lagoa (samba, 1959) - Sebastião Fonseca e Cícero Nunes

Disco LP / Título: Cidade lagoa / Autoria: Fonseca, Sebastião (Compositor) / Nunes, Cícero (Compositor) / Moreira da Silva (Intérprete) / Imprenta [S.l.]: Imperial, 1959 / Álbum: A Volta do Malandro / Nº Álbum: IMP 30175 / Lado B / Faixa 01 / Gênero: Samba de breque /
Tonalidade: A

Intro: 

D7M  G7  C#m7  F#7  Bm7  E7  A  A7
 D7M  G7  C#m7  F#7  Bm7  E7  A7M 
 
    A7M             C°        Bm 
Esta cidade, que ainda é maravilhosa,
Bm/A           E7 
Tão cantada em verso e prosa,
A7M   G7M
Desde os tempos da vovó.
   G#7M     A7M   C#m7         E7 
Tem um problema, crônico renitente,
    C#m7               F#m
Qualquer chuva causa enchente,
B7         E7 
Não precisa ser toró.
     A7M          C°              Bm 
Basta que chova, mais ou menos meia hora,
     Bm/A      E7                A7M  A7 
É batata, não demora, enche tudo por aí.
  D7M         G7            C#m7
Toda a cidade é uma enorme cachoeira,
       F#7           Bm7 
Que da Praça da Bandeira, 
E7               A7M   C#7 
Bis       Vou de lancha a Catumbi.
       F#m            A         Bm7 
Que maravilha, nossa linda Guanabara,
 Bm7/A     C#7 
Tudo enguiça, tudo pára, 
                   F#m 
Todo o trânsito engarrafa.
  G#7             C#m7 
Quem tiver pressa, seja velho ou seja moço,
E7                 Eb7 
Entre n’agua até o pescoço, 
   G#7                  C#7 
E peça a Deus prá ser girafa.
    F#m              A             Bm7 
Porisso agora já comprei minha canoa,
     Bm7/A     C#7                             F#       F#7
Prá remar nessa lagoa, toda a vez que a chuva cai,
  Bbm           C7          Fm 
E se uma boa me pedir uma carona,
 F#m/E           D7
Com prazer eu levo a dona,
    C#7         F#m
Na canoa do papai.
 
D7M  G7  C#m7  F#7  Bm7  E7  A  A7   
D7M  G7  C#m7  F#7  Bm7  E7  A7M 

Chave de cadeia

Chave de cadeia (samba, 1963) - Moreira da Silva e Geraldo Gomes

Disco LP / Título: Chave-de-cadeia / Autoria: Silva, Moreira da (Compositor) / Gomes, Geraldo (Compositor) / Silva, Moreira da (Intérprete) / Imprenta [S.l.]: Odeon, 1963 / Álbum: Moreira da Silva - O Último dos Moicanos / Nº Álbum: MOFB3351 / Lado B / Faixa 01 / Gênero: Samba de breque /
Tom: G  

Intro: G  Am  D7  Bbm  E7  Am  D7  G

G             C#dim    G
Vamos, não me faça desacato,
C#dim          G
Gosto das coisas claras,
Em               Am
não vê que sou bom mulato
Am/G      B7                Am
Anda me malhando, não sou palhaço
D7                  G
Vou mandar tirar seu nome tatuado no meu braço.
D7          G                  Edim       G
Aquele terno branco, que eu dei duro prá fazer
G7                       C
Você botou no prego e a cautela foi vender
Cm                 G
O relógio de ouro não estava perdido,
Em           Am            D7     G
Só agora estou sabendo, também foi vendido
B7                            Em
Pode se abrir, prá minha malandragem
B7              Em    E7   Am
Conte a todo mundo como eu fiquei
B7         Em           G          C
Está tirando a desforra, das dezenas de palhaços
B7
Que eu marretei.
Em
Você, mulher, é uma chave de cadeia
B7                   E7
Me paga a ceia prá depois propalar
Am          D7       G
Você sabia, que eu era da orgia,
Em            Am          D7   G
Quem entra na chuva é prá se molhar.

Chang-Lang

Chang-Lang (samba, 1959) - Moreira da Silva e Ribeiro Cunha

Disco LP / Título da música: Shang-Lang / Autoria: Silva, Moreira da (Compositor) / Cunha, Ribeiro (Compositor) / Silva, Moreira da (Intérprete) / Imprenta [S.l.]: Odeon, 1959 / Álbum: O Último Malandro / Nº Álbum: MOFB3058 / Lado B / Faixa 06 / Gênero: Samba de breque /
Tom:F

Intr.: Bb  Bbm  F  D7  Gm  C7  F F7
Bb  Bbm  F  D7  Gm  C7  F  C7

      F                        
Eu fui ao restaurante chinês, 
                              F#°    Gm
e peguei o gordurame, sem ter o arame.
   C7                                     
E disse ao China, “prá semana pagarei” - 
                                    F
O Chang-Lang se queimou comigo sem ter razão.
                      D7                  
É, na durindana disse: “Aqui não é pensão, 
          Gm
se você quer comer de graça, você tem que trabalhar.
 Bb        B°           F/C          D7  
Ou deixe em depósito seu chapéu de palha. 
         Gm                      C7         F
Vá se embora por favor, que eu não sou seu pai”

A7                    Dm                D7      
Na alta roda de malandros sempre fui considerado, 
             Gm
  um batuqueiro respeitado.
                           Dm          
Me queimei com a ignorância do chinês, 
               E7                 A7
e dei-lhe uma fritada pra servir de lição.
 
E disse: “Chang, se aguenta. 
Vá por mim que eu sou direito.
   Dm               D7                    Gm
Se eu me agarro com você derrubo todas prateleiras. 
‘Time is money’ quer dizer 
          Dm     
Tempo é dinheiro, 
            E7                A7        Dm
o velho tempo é grana e eu estou na durindana.
 
Eu pago a conta prá semana. Agüenta aí”. 
     A7                          Dm       
Dificilmente o malandro perde o controle. 
                           D7
Eu disse: “Está bem, vou pagar”, 
        Gm              
Meti a mão lá na aduana. 
                                     Dm
Mas ao invés de grana puxei da minha navalha.
   E7                              A7
Tomei o meu chapéu de palha prá poder me desguiar
 
“Mas Chang, o que é que há? Tá desconfiando do seu camarada? 
     Dm           D7                     Gm
Se eu me agarro com você derrubo todas prateleiras. 
‘Time is money’ quer dizer 
          Dm     
Tempo é dinheiro, 
                E7          A7          Dm
o velho tempo é grana e eu estou na durindana.
 
Eu pago a conta prá semana. Agüenta aí”
 
(solo):  

F  F#°  Gm  C7   F  D7  Gm  Bb  B°  F/C  D7  Gm  C7  F

    A7                                  
Dificilmente o malandro perde o controle. 
     Dm                    D7
Eu disse: “Está bem, vou pagar”, 
        Gm                
Meti a mão lá na aduana. 
                                          Dm
Mas ao invés de grana puxei da minha navalha.
   E7                                   A7
Tomei o meu chapéu de palha prá poder me desguiar
 
E disse: 
“O Chang, o que é que há? Eu conheço a tua terra, hein? 
Dm                  D7                    Gm
Se eu me agarro com você derrubo todas prateleiras.
                              Dm              
 ‘Time is money’ quer dizer tempo é dinheiro, 
                 E7        A7           Dm
o velho tempo é grana e eu estou na durindana.
Eu pago a conta prá semana” - Neca.

Gm  A7 D

Cassino de malandro

Cassino de malandro (samba, 1961) - Raul Marques e Tancredo da Silva

Disco LP / Título da música: Cassino de malandro / Autoria: Marques, Raul (Compositor) / Silva, Tancredo da (Compositor) / Moreira da Silva (Intérprete) / Imprenta [S.l.]: Odeon, 1961 / Álbum: Malandro em Sinuca / Nº Álbum: MOFB3207 / Lado B / Faixa 07 / Gênero musical: Samba de breque /
Tonalidade: F

Intro:  Bb  Bo  F  Dm  Gm  C7  F

            F              Bo      
Lá no meu cassino, tipo mal acabado, 
F                     D7    Gm
  desengonçado pela ventania
      C7                       Gm     
Lá não cessa o vira-baixo noite e dia, 
            C7            F
    dando trabalho à delegacia
                 B°              F
Se o otário ganha, vai sair daquele jeito,
              D7                         Gm
Porque entre malandros isto é falta de respeito
      Bb            Bo        F
Tem peteleco, teco-teco, solinjada
    D7              Gm        C7         F
Quando a jungusta chega nunca houve nada
 
Aqui são todos camaradas 
- Pode entrar, doutor. A casa é sua.
São estivadores, trabalhadores da borracha -
             C7
Na ronda sou rei, vou lhe explicar porque falei,
          F
Muito considerado, escutem só o meu babado…
                            D7
Mata, tripa, esfolha, e assim fico 
            Gm                A°            Gm
Esperando o freguês, porque o otário não tem vez.
            Bbm
Tenho um bom golpe, e no baralho 
                  F           D7
Conheço todos os cortes. Não admito 
             Gm                    C7
Que algum Vargulino vá lá no meu cassino 
           F
Soltar o fricote - Eu pulo logo no cangote
              C7
Tenho bons parceiros, sempre cheios de dinheiro
               F
No meu famoso cassino, lá também dá bom grã-fino.
           D7
Promovo a bebida, e no final da partida 
                 Gm            F#°             Gm
O otário é quem perdeu, e quem ganhou tudo fui eu. 
       Bbm                                    F
Tenho licença, faço e desfaço tudo com inteligência. 
            D7                     Gm    
Tenho um criado, que fica a noite inteira 
               C7                 F
  no alto da pedreira fazendo o sinal:
 
“Fiiiii - Corre pessoal! E vem a turma da Central!”

Bb  Bo   F   D7   Gm  C7  F
Que quando chega baixa o pau.

Bamba de Caxias

Bamba de Caxias (samba, 1955) - Moreira da Silva e Ribeiro Cunha

Disco 78 rpm / Título da música: Bamba de Caxias / Autoria: Silva, Moreira da (Compositor) / Cunha, Ribeiro (Compositor) / Silva, Moreira da (Intérprete) / Astor (Acompanhante) / Conjunto (Acompanhante) / Imprenta [S.l.]: Continental, 1953-1954 / Nº Álbum 16949 / Lado A / Lançamento: 1954 / Gênero musical: Samba de breque /
Tonalidade: E

Intro:  E7  A  B7  E E7  A  B7  E

        F#m              B7   
Sou nordestino, um homem fino, 
                  E
com diploma de doutor – 
Sou deputado, sim senhor.
            E                   E7      
Palavra inflamada, orgulho da bancada, 
                    A
da qual sou grande valor – E também grande orador.
        A                           Bb°    
Fico enfezado, quando alguém em mal estado, 
                 E
vem a mim pra revelar:

- “Doutor Tenório, o seu comissa quer me arrebentar,
Será que o doutor não vai providenciar…”

                F#m    
Que me queimo de estalo, 
           B7                      E
e lá da tribuna solto o meu vocabulário:

 
- Senhor Presidente, protesto contra certa autoridade, 
Que anda dando em homem de idade, 
em pleno coração da cidade.

         G#                          C#m7
Arranjo emprego prá quem está desempregado.
        B7                      E
Arranjo água prá quem tem cano furado.
       Eb7                        G#m
Sou pistolão e amigão de qualquer um, 
                   Eb7                            G#m
Mesmo de quem tem dinheiro, mesmo de quem vive a vida 
B      B7                                     E
Sem nenhum. Eu sou protetor de quem é fraco e oprimido. 
              G#                          C#m7    C#7
Eu nunca fui fingido como alguns colegas meus. 
        F#m                        C#m7   
Graças a Deus, eu sou um homem respeitado, 
                  A7
glória do meu estado, 
   G#7             C#m7  
O maior e sem igual - 
E qualquer um quer ser meu cabo eleitoral.
 
- Se não votar por bem…vota por mal…
              G#                      C#m7
A minha capa preta não tem medo de careta,
             C#7                           F#m
Não dispenso parada, nem por nada deste mundo,
                                         C#m
Se alguém folga comigo, me avexo ou perco a linha,
            A          G#7         C#m7
Aí eu taco o dedo no gatilho da Lurdinha…Brrrr
 
- Que tosse que é uma belezinha. Brrrr.
                        
E tem fogo prá dez dias. 
                                      E
Eu sou o revertério ad locum tum lá de Caxias.