quarta-feira, 13 de setembro de 2006

Dupla Preto e Branco

Francisco Sena e Herivelto Martins
Dupla Preto e Branco - Dupla vocal formada por Herivelto Martins e Francisco Sena seu colega no Conjunto Tupy . Inicialmente ensaiaram a música Preto e Branco, e em 1933 fizeram uma apresentação no Cine Odeon chamando a atenção de todos, sendo contratados logo em seguida pelo diretor do cinema, que escolheu o nome para a dupla: A Dupla Preto e Branco.

Em 1934, a dupla gravou o primeiro disco, pela Odeon interpretando os sambas Quatro horas e Preto e branco, de Herivelto Martins e Francisco Sena, com acompanhamento de Bonfiglio de Oliveira e sua embaixada. No mesmo ano, a dupla gravou a marcha Vamos soltar balão, de Herivelto Martins e Francisco Sena, e o samba Como é belo, de Gastão Viana e Pereira Filho, que também contou com acompanhamento de Bonfíglio de Oliveira e sua embaixada.

Apesar das gravações e apresentações solo a dupla continuou atuando no Conjunto Tupy, em locais como o circo Dudu, na Praça da Bandeira, Rio de Janeiro. Em 1935, a dupla gravou as marchas Bronzeada, de Moisés Friedman e Pedro Paraguassu, e Passado, presente, futuro, de Herivelto Martins e Francisco Sena com acompanhamento da Orquestra Odeon.

Ainda em 1935, a dupla gravou na Columbia as marchas Um pouquinho só e Bela morena, ambas de Príncipe Pretinho, com acompanhamento da Orquestra Columbia, naquele que seria o último disco com a participação de Francisco Sena, que faleceria no mesmo ano, o que acarretou no fim da dupla.

Dora Lopes

Dora Lopes ou Dora Lopes de Freitas (Rio de Janeiro, 06/11/1922 - 24/12/1983), cantora e compositora, fugiu de casa aos 14 anos para cantar no rádio. Em 1949 foi descoberta no programa de calouros de Ary Barroso e não parou mais de cantar e se apresentar, freqüentemente ao lado de Dalva de Oliveira, Marlene e Emilinha Borba.

Trabalhou nas rádios Nacional e Mayrink Veiga, fez turnês pela Europa e mais tarde radicou-se em São Paulo, onde morou até morrer. Algumas de suas músicas mais conhecidas foram Amor Proibido, Pó-de-Mico, Ponto de Encontro, Velório de Sambista e Samba da Madrugada. Faleceu em 24/12/1983. (Fonte: CliqueMusic)

Enciclopédia da Gíria (o Disco)

Raramente lembrada entre as cantoras/autoras da MPB, a carioca Dora Lopes de Freitas teve prestígio na época áurea do rádio e emplacou alguns sucessos de sua lavra, os sambas Toalha de Mesa, Ponto de Encontro e Samba na Madrugada e a marchinha carnavalesca Pó de Mico ("Vem cá seu guarda/ bota para fora esse moço/ que está no salão brincando/ com pó de mico no bolso").

Depois desviou-se para a área brega compondo para Agnaldo Timóteo, Edith Veiga e Waldik Soriano e participando como jurada do programa Raul Gil (a exemplo de Araci de Almeida no Sílvio Santos).

Dora, que em seu disco Testamento, de 1975 como um Nelson Cavaquinho de saias tematizava principalmente a morte, morreu praticamente esquecida (e endividada) em 1983, aos 62 anos. Nos seus epitáfios jornalísticos ninguém mencionou esse inacreditável disco, proveniente do selo Mocambo que deve ter sido gravado por volta de 1959 (não há qualquer informação na ficha técnica).

Do contrário, a cantora teria de ser incluída entre os primeiros militantes da bossa nova, especialmente pela faixa Tostão Não É Troco. De arquitetura dissonante, costura de violão, um breve scat singing e quebrada rítmica típica, a letra (e música) da cantora dispara: "você é quadrado/ você não casa no meu sincopado/ você é todo na pauta/ eu sou improviso/ eu sou bossa nova/ você é muito implicante/ o meu beijo é dissonante".

Além disso, na faixa título ela também injeta bossa nova no Dicionário de Gíria. No mais, o repertório diferentaço (que inclui outros autores obscuros como Ary Monteiro, Cesar Cruz, Zeca do Pandeiro, Arthur Montenegro, Franco Ferreira e o único razoavelmente conhecido, Aldacir Louro) traz o requebro dos sambas de gafieira coalhados de gírias de época.

"Manera a raça e joga recuado/ tenteia que afobado come cru/ vai ao local do desacerto e diz a umas e outras", aconselha Bom Mulato. "Micha essa banca de galã continental/ você não é baton pra estar em tudo que é boca", cobra Galã Continental. Em Falso Cabrito, a abertura é um boogie woogie cortado pela cantora irada: "neca de transviado, neca de rock’n’roll, isso tudo é de araque, o negócio é teleco-teco".

E engata um samba onde um certo Arnaldo é criticado por andar atrás das ninfetas. "Quem gosta de broto é cabrito", manda Dora com sua voz rasgada. Na Baiúca do Leleco quem faz gracinha "leva um teco". Ela confere a outro personagem o Diploma de Otário: "No seu bolso falta sempre 90 centavos pra um cruzeiro".

Já Conversando na Gíria demanda um Aurélio datado do ramo: "uns e outros não gostam da sua chinfra/ pode ser mão de cinza/ aperta seu passo major/ vá lá na muvuca/ faz a pedida na hora maior". (De)Morô, malandro?

(Fonte: Tárik de Souza - CliqueMusic)

Dilu Melo

Dilu Melo (Maria de Lourdes Argolo Oliver), cantora, compositora e instrumentista, nasceu em Viana/MA, em 25/9/1913 e faleceu em no Rio de Janeiro/RJ, em 27/4/2000. Criada em Porto Alegre/RS, aos 13 anos ganhou medalha de ouro num concurso de piano, autando depois em algumas rádios.

Em 1938 foi para o Rio de Janeiro, estreando na Rádio Cruzeiro do Sul, surgindo então convite para apresentar-se na Rádio Kosmos de São Paulo. No mesmo dia da estréia, gravou um disco na Colúmbia, cantando as músicas Engenho d’água (com Santos Meira) e Coco babaçu (sua autoria). Depois, a serviço do Ministério da Educação, apresentou nossa música folclórica em vários Estados, bem como na Argentina, onde morou 2 anos.

Em 1944 gravou na Continental o segundo disco, também com músicas suas, o coco Sapo cururu e o xótis Fiz a cama na varanda (com Ovídio Chaves), esta o seu maior sucesso, regravada também em outros países. Atuou no Cassino Atlântico e foi contratada da Rádio Nacional, do Rio de Janeiro. Como compositora, editou 98 músicas.

Em 1947 seu corrido Meu cavalo trotador (com Ademar Pimenta), gravado pelos Trigêmos Vocalistas, também fez sucesso no exterior. Em 1949 obtiveram êxito a canção Rolete de cana (com Osvaldo Santiago), o xote Qual o valor da sanfona (com J. Portela) e o jongo Conceição da praia (com Oldemar Magalhães), gravado por Marlene.

No total, gravou dez discos em 78 rpm, com 20 músicas, mais o LP Quadros brasileiros (1955, Odeon). Foi professora de dicção, empostação, danças folclóricas e história da música. Também escritora de peças infantis.

CDs: Músicas brasileiras vol. 3, 1994, Revivendo RVCD 075; Marlene, meu bem, 1996, Revivendo RVCD 107.

Fonte: Enciclopédia da Música Brasileira - Art Editora e Publifolha.

Devaneio

Djalma Ferreira
Este belo fox surgiu em 1959 como faixa do LP "Drink no Rio de Janeiro", gravado pelo organista Djalma Ferreira, seu co-autor, com seu grupo Milionários do Ritmo, do qual Miltinho era crooner e pandeirista. Este registro é de 1961 (LP "Os grandes sucessos de Miltinho", RGE XRLP-5135), com destaque para a participação do cantor, que na primeira gravação aparecia só na metade da música (Fonte: Samuel Machado Filho, comentando no Youtube).

Devaneio (fox, 1959) - Luís Antônio e Djalma Ferreira - Intérprete: Miltinho



C9        E/G#       F7M  F#º Em9 A7/13 A7/5+
Era a saudade do passado,
Dm7       G/B          C9      G7/13   G7/5+
Era um olhar em meu caminho.
Cm7      F/A          Bb6   Bbº  Bb7/13   Bb7/5+
Agora a sombra do passado
A7/5-     A4    D7/4   D7
É uma sombra de lado,
D7/9-  Fm7  G7
Já não vivo sozi- nho. 
C9        E/G#          F7M  Gº Bbº Gº Eº
É minha crença no que creio,
Dm7     G7            C9     Fº Abº  Fº Dº
É a certeza de que é minha,
Em7/5-    A7         Fm7    Bb7
Meu sonho lindo, devaneio,
Fº     C7M
Amanhã é você,
Dm7   G7        C9
Só você,   vida inteirinha. 
Solo sobre a primeira parte 
C9            E7            F    Em7  A7
É, é  minha crença no que creio,
Dm7     G7            C9      Dm7
É a certeza de que é minha,
Em7/5-    A7         Fm7    Bb7
Meu sonho lindo, devaneio,
C7M
Amanhã é você,
Dm7   G7        C9
Só você,   vida inteirinha.

Murmúrio

Djalma Ferreira
Murmúrio (samba, 1961) - Luís Antônio e Djalma Ferreira - Intérprete: Miltinho



Vai, nessa canção
Meu último adeus
Coração, sonha em vão
Com os beijos teus

Foi essa canção
Que eu murmurei
Tu também, longe além
Murmuraste, eu sei

Há nesse murmúrio uma saudade
Há vontade louca, de voltar
Ser como era antes, mesmo por instantes
E depois morrer, pra não chorar

Há nesse murmúrio uma saudade
Há vontade louca, de voltar
Ser como era antes, mesmo por instantes
E depois morrer, pra não chorar

Vai, nessa canção
Meu ultimo adeus,
Coração, sonha em vão
Com os beijos teus

Foi essa canção
Que eu murmurei
Tu também, longe além
Murmuraste, eu sei ...

Lamento

Djalma Ferreira
Lamento (samba, 1959), Djalma Ferreira e Luís Antônio - Intérprete: Vocalistas Modernos


Ai, só você não vê
Na minha vida, falta você

(repete)

Nos meus olhos
Está faltando a luz do seu olhar
No meu peito está morando
Uma saudade em teu lugar

(repete a primeira)

Escuta meu lamento
Sob a forma de canção
Lamento sim
E é de coração !

Djalma Ferreira



Djalma Ferreira (Djalma Neves Ferreira), compositor, regente e instrumentista, nasceu no Rio de Janeiro/RJ em 5/5/1914 e faleceu em Los Angeles, EUA, em 28/9/2004. Começou a estudar música aos 12 anos. Seguiu para a Itália, onde aprendeu piano e violino. Ainda adolescente, desistiu, passando a tocar de ouvido, voltando para o Rio de Janeiro com 18 anos.

Em 1938 fez sua primeira composição, Longe dos olhos (com Cristóvão de Alencar), gravada por Francisco Alves e Sílvio Caldas. A partir de 1940, foi pianista do Cassino da Urca e de várias outras casas de jogo do Rio de Janeiro, tocando ainda durante alguns anos na boate do Hotel Quitandinha, em Petrópolis/RJ, com Chuca-Chuca (vibrafone), Oscar Belandi (percussão) e José Meneses (violão). Por intermédio de Henrique Batista estreou no rádio no programa Samba e Outras Coisas, ao lado de Henrique e Marília Batista.

Em 1945 organizou o conjunto Os Milionários do Ritmo e gravou seu primeiro disco como executante, Bicharada, um 78 rpm em que tocava solovox, imitando sons de animais. Em 1946, com o fechamento dos cassinos, excursionou durante quatro anos pela América do Sul, acompanhado de seu conjunto, e chegou a abrir a boate Embassy, em Lima, Peru.

De volta ao Brasil em 1951, apresentou- se no Norte com Helena de Lima e o organista Nestor, instalando-se depois no Rio de Janeiro, onde abriu a boate Drink, que lançou, no período de 1954 a 1960, Miltinho, Ed Lincoln, Helena de Lima e Sílvio César. Dessa época são seus maiores sucessos como compositor, Lamento, Murmúrio, Devaneio (todos com Luís Antônio) e Volta (com Luís Bandeira).

Em 1956 gravou com seu conjunto o LP Combinação insuperável (Djalma Discos), incluindo de sua autoria Dançando no espaço e, três anos depois, pela mesma fábrica, o LP Drink no Rio de Janeiro, com Cheiro de saudade (com Luis Antônio), talvez sua composição mais difundida.

Em 1960 abriu em São Paulo a boate Djalma, onde tocou com Rubinho (bateria) e Luís Chaves (contrabaixo), e lançou Jair Rodrigues como Crooner. No mesmo ano gravou dois LPs: Djalma Ferreira, pelo selo Drink, com Miltinho como crooner, destacando-se Lamento e Se todos fossem iguais a você (Tom Jobim e Vinícius de Moraes), e Drink, pela Continental, com Samba fantástico (P. Mendes, Toledo, Manzon e Autuori) e Nosso samba (de sua autoria).

Em 1963 vendeu a boate e fixou residência nos EUA, apresentando-se em hotéis e cassinos em Las Vegas e na Califórnia, ao lado de Star Dust, Sahara e Silver Slipper; nesse período, compôs em parceria com Leonard Feather You Can’t Go Home, My Place, I’m Happy Now, It’s My Turn to Swing. Esteve no Rio de Janeiro por um ano em 1965, só voltando em 1973 para uma temporada na boate carioca Le Roi.

Obras: Bicharada, baião, 1945; Cheiro de saudade (c/Luís Antônio), samba, 1959; Devaneio (c/Luís Antônio), fox, 1960; Lamento (c/Luís Antônio), samba, 1959; Murmúrio (c/Luís Antônio), samba, 1960; Recado (c/Luís Antônio), samba, 1959; Samba que eu quero ver (c/João de Barro), samba, 1952; Volta (c/Luís Bandeira), samba, 1960.

Fonte: Enciclopédia da Música Brasileira - Art Editora

Na aldeia

Sílvio Caldas
Na aldeia (samba, 1934) - Sílvio Caldas, Carusinho e De Chocolat

Disco 78 rpm / Título da música: Na aldeia / Autoria: Caldas, Sílvio (Compositor) / Caruzinho (Compositor) / De Chocolat (Compositor) / Caldas, Sílvio (Intérprete) / Diabos do Céu (Acompanhante) / Imprenta [S.l.]: Victor, 1933 / Nº Álbum 33727 / Gênero: Samba


Na aldeia
Na aldeia
Quero ver o teu vestido
Arrastando-se na areia.

Morena, meu doce encanto
Pra matar minha saudade
Que te ver bem distante
Do bulício da cidade

Alegrando nossa aldeia
Quero te ver como dantes
Com o teu vestido de renda
Arrastando-se na areia.

Quero te ver bem faceira
Na porta da capelinha
Escrevendo o nosso amor
Com a ponta da sombrinha

Quero que a vida nos seja
De venturas, sempre cheia
Com o teu vestido de renda
Arrastando-se na areia.

Falando ao teu retrato

De Chocolat
Falando ao teu retrato (valsa-canção, 1935) - Meira e De Chocolat - Intérprete: Augusto Calheiros, acompanhado pela Orquestra Copacabana - Gênero musical: valsa canção - Disco 78 rpm.



Na ilusão de um novo amor
Deixaste o nosso lar
Enquanto eu, louco sonhador
Busquei-te sem cessar

Voltando ao lar abandonado
Apaixonado, eu juro, sem querer chorei
E ao ver o teu retrato amado
Num desvario louco
Tudo lhe falei

Contei-lhe então que tu partiste
Me deixando triste na desilusão
E o retrato amigo
Disse a chorar comigo
Que tu não tens mais coração

Formoso, o teu retrato insiste
Em me fazer mais triste
Nesta solidão
Dizendo que o meu peito
Em dor vive desfeito
Porque não tens mais coração

De Chocolat

De Chocolat
De Chocolat (João Cândido Ferreira), cantor, compositor e revistógrafo, nasceu em Salvador/BA em 18/5/1887 e faleceu no Rio de Janeiro/RJ em 27/12/56. Cançonetista do início do século, nos primeiros anos de carreira apresentava-se em casa de chope, cabarés e teatrinhos de variedade do Rio de Janeiro, sob o pseudônimo de Jocanfer.

Em fins de 1909, o cinematógrafo Santana, localizado na rua do mesmo nome, em seu programa de filmes e variedades, anunciava Jocanfer como sucesso do Éden Cosmopolita, de Buenos Aires, Argentina. No mesmo ano, transferiu-se para o cine-teatro da Rua Visconde do Rio Branco e, em 1910, apresentou-se com Lilia Móntez, célebre cantora espanhola, no Chope Palácio Popular, mais conhecido como ABC, passando depois a atuar no Teatrinho do Passeio Público, do Rio de Janeiro, fazendo dueto com o cançonetista Boneco.

Excursionou pela França, Portugal, Espanha e outros países europeus. Em Paris, França, atuou em cabarés e cafés-cantantes, e como era mulato recebeu o apelido de Monsieur De Chocolat, depois abreviado para De Chocolat. Após vários meses na Europa, retornou ao Brasil, passando a apresentar-se sob o novo pseudônimo, sendo convidado em 1920 para atuar no cabaré High-Life, de Porto Alegre RS. Voltou para o Rio de Janeiro, cumprindo temporadas nos cines-teatros Íris e Central, com bastante sucesso.

Em 1926 formou a Companhia Negra de Revistas, a primeira do gênero no Brasil, convidando Jaime Silva, o único branco, para empresário. Estrearam no Teatro Rialto com a revista Tudo preto, no dia 31 de julho do mesmo ano. Dividindo a direção com Alexandre Montenegro, foi também um dos intérpretes, com Jandira Aimoré (mulher de Pixinguinha), Rosa Negra, Osvaldo Viana, Dalva Espíndola, Mingote, Guilherme Flores. A orquestra, cujos componentes também eram negros, foi regida por Pixinguinha, com música de Sebastião Cirino.

Apresentaram-se depois em Minas Gerais e São Paulo, com grande sucesso. Retornando ao Rio de Janeiro em 1927, a companhia passou a apresentar-se no Teatro república, com a revista Café torrado (Rubem Gil e João d’Aqui). No ano seguinte compôs, em parceria com Donga, a canção Meu Brasil, gravada por Alfredo Albuquerque na Odeon, mesma etiqueta em que foi lançado seu maxixe Baianinha, interpretado por Laís Arede.

Ainda na Odeon, foi gravado em 1929, por Francisco Alves, seu samba Mulata; três anos depois, pela Victor, sua versão do fox-trot Boa noite, querida, lançado por Castro Barbosa. Em 1932 ainda, Harry Murarim gravou sua versão de Guarde a última valsa para mim, na Victor, sendo lançados no mesmo ano, pela Columbia, mais duas músicas suas, Olhos passionais (com Gastão Bueno Silva), interpretada por Moacir Bueno da Rocha em disco Columbia, e a valsa A ventura de um beijo (com Guilherme Pereira), gravada por Jorge Fernandes na Victor.

Foi ainda autor da burleta Porque bebes tanto assim?, com oito quadros; Ritmos do Brasil, show de parceria com Maurício Santhos, com fez a revista Bazar de brinquedos, lançando depois a revista Deixa o velho trabalhar, escrita com Roberto Ruiz.

Continuando a compor, fez Na aldeia (com Carusinho e Sílvio Caldas), gravada pelo último na Victor em 1934, lançando no mesmo ano a marcha Nego também é gente (com Ary Barroso), interpretada em disco Odeon por Francisco Alves.

Em 1935 seu samba-canção Meu branco (com Benedito Lacerda), foi gravado na Odeon por Aurora Miranda, e Augusto Calheiros lançou em disco, no mesmo ano, também pela Odeon, Falando ao teu retrato (com Meira). Dois anos mais tarde, ainda pela Odeon, foi lançada a canção Felicidade (com J. C. Rondon), interpretada por Gastão Formenti. Sua última composição de sucesso foi Não tem perdão (com Sílvio Caldas), que a gravou na Victor em 1940.

Elisa Coelho

Elisa Coelho - 1930
Elisa Coelho (Elisa de Carvalho Coelho), cantora, nasceu em Uruguaiana/RS em 1/3/1909. Seu pai foi tenente do Exército e sua mãe, Acy Carvalho, escritora e jornalista, responsável pela seção feminina de O Jornal, do Rio de Janeiro/RJ.

Elisinha, como era conhecida, costumava cantar acompanhando-se ao piano em reuniões na casa da família, no Rio de Janeiro. Em 1929, um coronel amigo de seu pai e diretor da Rádio Clube do Brasil (hoje Mundial) convidou-a para cantar na emissora.

Em 1930, levada por Josué de Barros, gravou seu primeiro disco na Victor, com A minha viola é de primeira e Capelinha de melão, sambas de Tia Amélia. Seu segundo disco continha os sambas Escrita errada (Joubert de Carvalho) e Iaiazinha (Plinio Brito). Em fins de 1930, convidada por Hekel Tavares, interpretou canções do compositor numa série de recitais na Bahia e outros Estados do Nordeste.

Em 1931, Ary Barroso convidou-a para gravar seu samba-canção No Rancho Fundo. Essa gravação, realizada nos estúdios da RCA Victor com o próprio Ary Barroso ao piano e Rogério Guimarães no violão, projetou nacionalmente a intérprete. Gravou mais músicas de Ary Barroso: em 1931, Terra de iaiá e Batuque, em dueto com Sílvio Caldas, e Tenho saudade e É bamba; em 1932, a canção Primeiro amor e o samba-canção Palmeira triste, entre outras.

Atuando em diversas emissoras, para o Carnaval de 1933 gravou as marchas Coração de picolé (Paulo Neto de Freitas) e Fon-fon (Heitor dos Prazeres). Em 1934 fez suas últimas gravações, com destaque para um disco na RCA Victor em que, acompanhada dos Irmãos Tapajós. interpretou Dança negra (Hekel Tavares e Sodré Viana) e, do outro lado, Humaitá, folclore recolhido por Hekel Tavares, e Biá-tá-tá (Hekel Tavares e Jaime D’Altavilla), e para outro clássico: o samba-canção Caco velho (Ary Barroso), seu único disco na Odeon.

Sua discografia compõe-se de 15 discos com 30 músicas, sendo 11 de autoria de Ary Barroso. Em 1935 e 1936, apresentou-se no Uruguai e na Argentina. Em 1938 foi atriz e cantora na peça Malibu, de Henrique Pongetti, encenada pela Companhia de Raul Roulien.

Apresentou-se no Cassino da Urca, onde também fez duetos com astros internacionais como Pedro Vargas e Jean Sablon e onde, em 1939, ensinou Josephine Baker a cantar em português o samba O que é que a baiana tem? (Dorival Caymmi). Logo depois, deixou a carreira artística.

Em 1989, a gravadora Revivendo lançou o LP No rancho fundo, com interpretações de Elisa Coelho, Jesy Barbosa, Sílvio Caldas e Breno Ferreira.

CDs: Brasil, canto de amor, 1991. Revivendo RVCD 015; Ari Barroso, o mais brasileiro dos brasileiros, 1993, Revivendo RVCD-040.

Fonte: Enciclopédia da Música Brasileira - Art Editora e Publifolha.

Dilermando Reis

Dilermando Reis, instrumentista e compositor, nasceu em Guaratinguetá/SP em 22/9/1916 e faleceu no Rio de Janeiro/RJ em 2/1/1977. Estudou violão inicialmente com o pai, o violonista Francisco Reis. Em 1933, após assistir a um recital do violonista cego Levino da Conceição, que se apresentava em Guaratinguetá, entusiasmou-se e passou a acompanhá-lo em suas atuações pelo interior do país.

No Rio de Janeiro, começou a ganhar a vida ensinando violão em casas de música da época, como a Bandolim de Ouro e a Guitarra de Prata, na Rua da Carioca. Em 1935, conheceu Renato Murce, que o levou para a Rádio Clube do Brasil.

Companheiro de boêmia de Francisco Alves, João Petra de Barros e outros, tornou-se um dos mais famosos violonistas do rádio carioca, atuando principalmente na Rádio Nacional, de cujo elenco participou até 1969.

Em 1941 a Columbia lançou seu primeiro disco, que incluía a valsa Noite de lua e o choro Magoado (ambos de sua autoria). Em 1941 e 1942, integrou uma orquestra de 12 violões que atuou no Cassino da Urca e na Rádio Clube do Brasil. Gravou ainda com sucesso, em discos de 78 rpm, o bolero Penumbra, o calango Calanguinho (ambos de sua autoria), o jongo Interrogando (João Pernambuco) e a valsa Alma nortista (de sua autoria).

Em 1953, excursionou pelos EUA, atuando na CBS, de New York. Desde a década de 1950 até meados dos anos de 1960, lançou vários LPs na Continental, como solista de violão, entre os quais Sua Majestade o violão, Melodias da alvorada, Abismo de rosas e Presença de Dilermando Reis.

Teve muitos alunos famosos, como Bola Sete, Darci Vilaverde e, como amador, o presidente Juscelino Kubitschek. Em 1972 gravou o LP Dilermando Reis interpreta Pixinguinha e, em 1975, lançou O violão brasileiro de Dilermando Reis, ambos pela Continental.

Fonte: Enciclopédia da Música Brasileira - Art Editora

Dante Santoro

Dante Santoro, instrumentista e compositor, nasceu em Porto Alegre/RS em 18/6/1904 faleceu no Rio de Janeiro/RJ em 12/8/1969. Foi para o Rio de Janeiro em 1919, onde mais tarde ingressou na Rádio Educadora, passando depois para a Vera Cruz e finalmente para a Nacional, como líder e flautista do Regional de Dante Santoro, trabalhando nessa emissora durante 33 anos, 30 dos quais à frente do Regional.

Inicialmente o conjunto era formado por ele (flauta), Carlos Lentine (violão), Valdemar (cavaquinho), Joca (pandeiro), mais tarde substituído por Jorginho (Jorge José da Silva), Norival Guimarães, Rubens Bergman, Valzinho (violões). Posteriormente o regional sofreu modificações, com a saida de Rubens Bergman e o ingresso de César Moreno e César Faria (violões).

Gravou seu primeiro disco como solista em 1934, um 78 rpm, pela Victor, com as valsas de Otávio Dutra Saudades do Jango e Beatriz. Nessa primeira gravação, foi acompanhado por Luperce Miranda, no bandolim, Tute e Manuel Lima, ao violão. Lançou, em julho do ano seguinte, sua primeira gravação como compositor, Betinho, choro por ele mesmo interpretado na flauta.

Seus maiores sucessos foram Lágrimas de rosa (com Kid Pepe), gravado na Victor por Orlando Silva em 1937, a valsa- canção Olhos magos (com Godofredo Santoro), lançada por Orlando Silva, na Odeon, em 1943, e a valsa Vidas mal traçadas (com Cila Gusmão), gravada na Odeon por Francisco Alves, em 1948, que serviu de tema para uma novela de Ghiaroni. Usava também do anagrama pseudônimo Etnad em algumas composições.

Vidas mal traçadas

Francisco Alves
Vidas mal traçadas (valsa, 1948) - Dante Santoro e Cila Gusmão

Disco 78 rpm / Título da música: Vidas mal traçadas / Autoria: Santoro, Dante (Compositor) / Gusmão, Sila (Compositor) / Francisco Alves (Intérprete) / Panicali, Lírio (Acompanhante) / Orquestra Odeon (Acompanhante) / Imprenta [S.l.]: Odeon, 1948 / Nº Álbum 12881 / Gênero musical: Valsa /

Sim, eu sei porque fugi dos braços teus
E não pude escravizar a minha sorte
Ninguém sabe além de Deus
Que meu destino ingrato
Me negou o direito de te adorar
Tens tudo que eu não pude te ofertar

Tens riqueza e mocidade eu bem sei
Mas não tens no coração
Qualquer recordação,
Dos beijos que te dei
Odeias sem saber
Que por te querer
Os sonhos meus crucifiquei
E nunca te direi
Se o arrependimento, feriu meu coração

Dois anos se passaram
De tristeza e dor
E sem queixumes eu sofri
Sinto saudades de um amor,
Que tive em minhas mãos e perdi.

Tens tudo que eu não pude te ofertar,
Tens riqueza e mocidade eu bem sei,
Mas não tens no coração,
Qualquer recordação,
Dos beijos que te dei....

Lágrimas de rosa

Orlando Silva
Lágrimas de rosa (valsa-canção, 1937) - Dante Santoro e Kid Pepe

Disco 78 rpm / Título da música: Lágrimas de rosa / Autoria: Santoro, Dante (Compositor) / Pepe, Kid (Compositor) / Orlando Silva (Intérprete) / Orquestra Victor Brasileira (Acompanhante) / Imprenta [S.l.]: RCA Victor, 09/07/1937 / Nº Álbum 34213 / Lado B / Lançamento: Outubro/1937 / Gênero musical: Valsa /

Sim eu sofro e ninguém sabe
Esta dor que já não cabe
Dentro em meu coração
Na sua inquietação
Por saber que alguém
Já sofreu também
Com resignação.

E as lágrimas que eu choro
Na dor em que me deploro
São lágrimas sem fim
Que brotaram dentro de mim
Ao ver despetalar-se num lacrimário divino
Aquela flor que era o meu destino.


Não... Jamais a minha vida
Se sentirá florida
Sob o perfume de outras falsas flores
Que possam vir
Pois a ilusão das flores
Jamais me fará sorrir
Cada pétala caída
É um pedaço de vida
Que sinto me fugir do coração

E assim
Verei meu triste fim
Sob o perfume da recordação
Daquela flor
Que foi meu santo amor