terça-feira, 3 de outubro de 2006

José Barros

José Barros (José Benito Barros Palomino), compositor, nasceu em 21 de março de 1915 em El Banco, Magdalena, Colômbia. Seu pai era o comerciante português José Maria Barros Traviseido (segundo outras fontes, era brasileiro) e sua mãe Eustácia Palomino. Foi o caçula de cinco irmãos e criado por sua irmã Clara, pois seus pais que faleceram na sua infância.

Para ajudar a sustentar sua família cantava na praça do mercado, no porto ou perto das casas de famílias abastadas do povoado. Com o tempo foi aprendendo a tocar vários instrumentos musicais entre os quais o violão e se dedicou a oferecer serenatas às jovens do local.

Aos 17 anos de idade se mudou para Santa Marta e ali tentou viajar para outros locais, mas o serviço militar obrigatório o impediu. Ao seu regresso à terra natal mantinha o desejo de conhecer terras distantes e em uma madrugada embarcou como passageiro em um barco que chegava de Barranquilla.

Foi barrado no porto de Barrancabermeja e isto o levou a conhecer, nessa cidade, músicos que estavam por ali por circunstâncias parecidas e então se integrou a conjuntos que tocavam nos bares. Daí partiu para Segovia e Antioquia, em busca de sucesso.

Após um ano participou de um concurso musical em Medellín e o ganhou com a canção “El minero”. Viajou para Bogotá (década de 1950), onde morou com outro músico chamado Jesús Lara Pérez. Nessa época compôs sua célebre El gallo tuerto. Paulatinamente adquiriu prestígio que lhe levaram para fora do país até Panamá, México e Argentina, quando conheceu vários compositores que o conduziram a compor rancheiras e tangos.

Entre seus boleros mais conhecidos estão: A la orilla del mar, Busco tu recuerdo e Carnaval.


Humberto Suárez

Humberto Suárez, pianista, teatrólogo, compositor e diretor. Nasceu em Havana em 20 de novembro de 1920 e faleceu em Porto Rico, em nove de abril de 1991.

Fez estudos de piano já com nove anos com sua mãe e depois com uma professora em Pinar del Río, onde viveu sua adolescência. Participou como pianista em programas de rádio. Graduou-se em Direito Civil na Universidade de Havana e exerceu por algum tempo sua profissão.

Em 1940 integrou como pianista a orquestra Cosmopolita, que mais tarde a conduziu. Compôs canções como Ahora, Yo no sé qué pasa contigo, Sombras y más sombras, Atardecer e Con mi corazón te espero. Casou-se em 1947 com a cantora Elizabeth del Río. Realizou um importante trabalho na orquestração e direção musical de numerosas gravações em Havana nos anos 50.

Fonte: SonCubano

Esteban Taronjí

Esteban Taronjí, compositor, nasceu em Arecibo, Porto Rico, em 31 de dezembro de 1909, e faleceu em San Juan, aos 16 de março de 1986. Diferente da maioria dos compositores da música popular porto-riquenha, Esteban Taronjí não foi um autor prolífico.

Seu legado musical é pequeno se compararmos com um Rafael Hernández, Pedro Flores, Bobby Capó, Tite Curet Alonso e outros nomes famosos. Seu caso se constitui no exemplo que diz “que quantidade não significa qualidade”.

Porque esse talentoso compositor não necessitou criar uma vasta obra para merecer um lugar entre os grandes de seu país. Seu nome está muito ligado a de Felipe Rodríguez «La Voz» – o cantor de mais sucesso em Porto Rico e Nova York durante a década de 50 e início dos anos 60.

Entre suas obras destacam-se: Los Reyes no llegaron (1952); Amor robado (1953); Beso borracho e Perderte y morir (1954); Me salvas o me hundes (1955); Te voy a hacer llorar (1956); Insaciable (1957); Debo y pagaré (1959); Marejada (1961) e Cataclismo (1963).

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Fonte: Traduzido parcialmente do espanhol e reduzido. Autor: Miguel López Ortiz (Fonte: Fundación Nacional para la Cultura Popular - Puerto Rico)

O Cordão da Bola Preta

Foto: Chico Brício, um dos fundadores do Cordão da Bola Preta.

"Quem não chora, não mama / Segura meu bem, a chupeta
Lugar quente é na cama / Ou então, no Bola Preta.
Vem pro Bola, meu bem / Com alegria infernal
Todos são de coração / Todos são de coração
Foliões do Carnaval / Sensacional!"

(Nelson Barbosa / Vicente Paiva - 1962)

Enquanto os versos famosos do hino do Cordão da Bola Preta não forem entoados, no centro do Rio de Janeiro, ao meio-dia do Sábado Gordo, precedidos das tradicionais clarinadas, o carnaval carioca não estará oficialmente aberto. O que acaba sendo mais uma ironia da mui heróica e leal cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro, famosa por seu bom humor.

Acontece que o Bola Preta nasceu para brigar com as autoridades e mesmo sem abrir mão de sua posição, contestando e protestando a cada carnaval, por meio de suas fantasias, desfiles e músicas, acabou sendo escolhido para abrir, a cada ano, o carnaval oficial da cidade. Não importa que, já há muito tempo, a folia comece até quinze dias antes da data marcada no calendário, ela só vale oficialmente depois que o Cordão da Bola Preta desfilar.

Estudiosos garantem que cordão (cuja primeira citação na imprensa aparece em 1886) surge como uma sátira popular, desabafo anônimo e coletivo contra o estabelecimento de fatos que desagradem ou prejudiquem o povo. No caso da origem, foram o vice-reinado português e depois o próprio D. João VI e sua corte, os alvos das brincadeiras dos cordões.

Dentro dessa filosofia, surgiu o que viria a ser o mais famoso deles, o Cordão da Bola Preta. Álvaro de Oliveira era o que se chamava na época — final dos anos 20 — de um folião de quatro costados. Soube pelos jornais que o chefe de polícia, Dr. Aurelino Leal (o mesmo que com sua ordem contra os cassinos clandestinos, em 1916, dera origem ao samba Pelo telefone), baixara uma portaria determinando que “os grupos e cordões que perturbarem a ordem pública terão suas licenças cassadas, sendo os perturbadores presos e processados, na forma da lei”.

Foi o que bastou para que o corajoso K. Veirinha (apelido de Álvaro, também conhecido como Trinca Espinha) se dispusesse a topar a parada contra o chefão. Reuniu os amigos de sempre — Chico Brício, Vaselina, Pato Rebolão, Fala Baixo, Porrete e outros, a turma do chope —, nos bares da Galeria Cruzeiro, e planejaram a desobediência ao mandachuva. Alugaram a sede do Clube dos Políticos, na rua do Passeio, e no reveillon de 1918, com um “maxixético e rebolativo baile”, como explicitava o convite, consumaram a provocação.

Era a primeira festa das milhares que se seguiriam. O sucesso animou a turma a criar o clube e a data de 31 de dezembro de 1918 ficou definida como a da fundação. O sobradão da rua da Glória, 88, foi alugado e as festas ali jamais terminavam no mesmo dia. Começavam sábado à tarde e prosseguiam até a manhã de segunda-feira.

O clube, que não tem sócios, mas “irmãos”, ficou conhecido como reduto de artistas, ou “recanto de inspiração”. Ali compareciam nomes famosos da música popular, Ary Barroso, ou Mário de Azevedo e Patrício Teixeira.

Cordão da Bola Preta

Uma outra versão conta que no ano de 1917, um grupo de associados se desligou do Clube dos Democráticos passando a se encontrar no Bar Nacional (atual Edifício Avenida Central) e, entre chopes e conversas de aventuras carnavalesca, resolveu fundar um "Cordão".

Enquanto o cordão não acontecia, o grupo que se compunha de Gomes de Oliveira, "o Caveirinha", Francisco Brício, João Torres, Eugênio Ferreira, Joel de Oliveira Roxo, Jair de Oliveira Roxo, Arquimedes Guimarães e outros, denominava-se, ironicamente, de "Só se bebe água" - única bebida que não ingeriam ao se reunirem. O nome foi trocado logo depois por "Cordão da Bola Preta" em homenagem a uma "mulher bonita com um vestido colante branco de bolas pretas” que passou pela calçada do Bar Nacional , parou, sentou à mesa e fez parte do grupo.

Surgiu assim, a 31 de dezembro de 1918, o Cordão da Bola Preta. Devido a problemas financeiros, apenas alugavam lugares para bailes carnavalescos, sendo o primeiro deles o Cabaré dos Políticos (atual Cinema Palácio). Outros se seguiram, como o antigo Cassino Beira-Mar, onde hoje é o chafariz da Praça Paris.

Com a Lei de 1904, que obrigam os clubes a terem um endereço social, o "Cordão da Bola Preta, alugou a sua primeira sede na Rua Bittencourt da Silva, 26-B, sobrado. Foi então mais fácil reunir associados, que abandonaram o Bar Nacional. Com os próprios barris que eram consumidos pelos integrantes do "Cordão", pois a fama do "Só se bebe água" continuava, era recolhida uma contribuição da sede própria.

Em 1947, com Wolney Braune na presidência do clube, lançou-se a idéia da compra do terceiro pavimento do Edifício Darke de Matos , então em construção. O que pareceu" loucura", do início, a custa de muito sacrifícios tornou-se realidade. Antes do dia 31 de Dezembro de 1949, o "Cordão" anunciava sua instalação em sede própria.

Atualmente no terceiro pavimento encontram-se o salão de festas e o restaurante, na sobre-loja, a secretaria e sala de diversões, com jogos permitidos por lei e no 15º pavimento, um conjunto de salas. O clube, situado à Rua 13 de Maio, 13, compõe-se de 13 salas, correspondente a 553 m2 e o 3º pavimento da edifício da sede ocupando 1010 m2 abrange uma área de 1563 m2. Possui o "Cordão" uma sede campestre no km 31 da Rio-Petrópolis, inaugurada em outubro de 1973, com objetivo de proporcionar um local de lazer às crianças e aos mais idosos .

Inicialmente, o grupo, ou seja, o "Cordão", precisava de um "xerife", tendo sido escolhido o Álvaro Caveirinha. Já em 1941, com uma sede, elegeu-se a primeira diretoria do Cordão da Bola Preta. Muitos candidatos ao "Cordão" foram eliminados por não possuírem os requisitos exigidos: ser "bom no copo", (o candidato era testado em uma chopada), ser alegre (condição primordial e eliminatória; tinha que ser um bom carnavalesco); ser maior de 21 anos; apresentar provas de que trabalhava (os integrantes eram e são empregados, comerciantes ou industriais; "vagabundo não era admitido").

Desde 1941, desfila o Cordão da Bola Preta, que "abre" o carnaval com sua alegria contagiante, às 10 horas do sábado de carnaval, tremulando o estandarte branco com uma bola preta dentro de um desenho em forma de ogiva.

Satirizando o representante do carnaval carioca, sua Majestade Rei Momo I, o grupo carnavalesco criou a "Rainha Moma", representada por um "homem", intitulada: Sua Majestade Frederica Augusta coração de Leda, escolhido entre os próprios foliões, com obrigação de desfilar em carro alegórico no sábado de carnaval.

Em 1960, a Secretaria de Turismo propôs à diretoria do Cordão da Bola Preta a substituição da Rainha, homem, por uma mulher, a "Rainha Moma do carnaval Carioca". A partir de 1961, tradicional desfile de domingo de carnaval se realiza com todas as pompas de um "desfile de rainha", com cortejo, carros alegóricos, cavalos, comissão de frente e, como não poderia faltar a tradicional "Bola Preta".

É famoso o caso de um comandante de aviação que na Europa ficou sem seus documentos, restando-lhe apenas a carteira de sócio do Bola Preta. Que foi reconhecida pelas autoridades e serviu para trazê-lo de volta ao Brasil.

Fontes: Ruas e Praças e História do Samba - Editora Globo.