sexta-feira, 20 de outubro de 2006

José Menezes



José Menezes (José Menezes França), instrumentista, compositor, nasceu em Jardim/CE em 6/9/1921. Criança comprou de um amigo um cavaquinho de uma corda e começou a tirar de ouvido as músicas em voga. Aos oito anos foi convidado pelo maestro Arlindo Cruz para tocar como profissional no cinema de Juazeiro do Norte/CE, sendo logo apelidado de Zé Cavaquinho.

Compôs então sua primeira música Meus Oito anos. Apresentou-se depois com a orquestra do maestro Arlindo Cruz no teatro da cidade do Crato/CE, e já em 1932, com 11 anos, tocava na Banda Municipal de Juazeiro. Seguiu então com o primo Luís Rosi para Fortaleza-CE, onde trabalhou um ano no serviço de alto-falantes de João Dumman. De volta a Juazeiro, retomou as atividades de músico de cinema e bailes.

Em 1938 reencontrou o primo, de passagem pela cidade e liderando uma jazz-band; entusiasmado, acompanhou-o novamente à capital do Estado e durante dois anos dedicou-se ao aprendizado de alfaiate. Foi então contratado pela Ceará Rádio Club como segundo violonista, e rapidamente formou seu próprio regional, que trabalhou na emissora durante quatro anos.

Em 1943 o radialista carioca César Ladeira visitou Fortaleza para inaugurar as ondas curtas da Ceara Rádio Club e ofereceu-lhe um contrato para a Rádio Mayrink Veiga, do Rio de Janeiro, onde manteve dois programas semanais, adquirindo grande prestígio como solista. Atuou na boate do Hotel Quitandinha, em Petrópolis-RJ, ao lado de Djalma Ferreira (piano), Oscar Belandi (percussão) e Chuca Chuca (vibrafone), passando, em 1945, a integrar o Conjunto Milionários do Ritmo, com essa mesma formação.

Atuou em 1946 na boate Casablanca e na Rádio Globo, do Rio de Janeiro, ingressando em 1947 na Rádio Nacional, onde se apresentou inclusive em dupla com Garoto, no programa Nada Além de Dois Minutos. Permaneceu nessa emissora até a década de 1960.

Compondo sempre em parceria com Luis Bittencourt, sua primeira música gravada foi Nova ilusão, lançada por Os Cariocas em 1948, que acabou tornando-se prefixo desse conjunto. No ano seguinte, gravou como solista o choro Sereno, na Todamérica, enquanto a Musidisc lançava Mais uma ilusão, na voz de Nuno Roland; de 1950 é Comigo é assim, lançado por Os Cariocas na Continental bem como a gravação do grande sucesso de Joubert de Carvalho e Olegário Mariano, De papo pro ar, feita por ele na Sinter.

No ano seguinte, seu baião Não interessa não (com Luis Bittencourt) foi registrado em disco Sinter por César Ladeira e Heleninha Costa, enquanto gravava em solo de cavaquinho os choros Vitorioso e Encabulado na mesma fábrica; também de 1951 são os seguintes lançamentos: Tudo azul, choro gravado nor Zezé Gonzaga e As moreninhas, selo Sinter; Viola do Zé, polca interpretada por ele na Sinter e por Carmélia Alves em disco Continental, e Castigo, samba cantado por Gilberto Milfont em gravação da Victor.

Em 1952 novas composições suas em parceria com Luis Bittencourt tornaram-se conhecidas: Cinzas, com o cantor Ernani Pilho, na Sinter; Caititu, choro gravado em solo de flauta por Ari Ferreira, na Sinter; Pau-de-arara, baião interpretado por Carmélia Alves, na Continental, Polquinha do pica-pau, por Luís Bittencourt e seus solistas, na Sinter.

No mesmo ano, utilizando o play-back gravou Copacabana (João de Barro e Alberto Ribeiro) e Um domingo no Jardim de Alá (Lirio Panicalli). Sua composição Caixinha de música saiu em disco Continental em 1954, interpretada pelo autor, que deixou ainda na Sinter dois LPs de 10 polegadas: Dançando com José Menezes e seu Quarteto e A voz do violão, com solos desse instrumento.

Seguiu com o Sexteto de Radamés Gnatalli para a Europa em 1959, apresentando-se em Paris, França, Londres e Oxford, Grã-Bretanha, Roma, Itália, Lisboa e Porto, Portugal, ao lado de Nelsinho do Trombone, Chiquinho do Acordeom, Gilberto do Pandeiro e Pereirinha, contrabaixo.

No mesmo ano formou o conjunto Velhinhos Transviados, que gravou 13 LPs na RCA até 1971, entre os quais Velhinhos transviados, Velhinhos transviados embalados, Velhinhos transviados na paquera, Velhinhos transviados tropicalissimos, Velhinhos transviados pra frente, sempre com sucessos do momento.

Participou tocando guitarra em algumas das primeiras gravações de Roberto Carlos, The Fevers e outros. Em 1995 lançou o disco Chorinho in Concert, pela CID, incluindo um choro inédito de sua autoria, Tô querendo.

Jorge Goulart

Jorge Goulart, nome artístico de Jorge Neves Bastos, nasceu em vila Isabel, na Rua Araripe Junior, cidade do Rio de Janeiro, em 16.1.1926, filho do conhecido jornalista Iberê Bastos e de Arlete Neves Bastos, cantora, que ao casar-se deixou de cantar.

É neto do Visconde de Niterói e fez o curso ginasial no Colégio Pedro II, onde começou sua participação política. Decidiu-se nessa época pela carreira artística.

Desde garotinho vinha cantando. Nessa fase, no programa Escada de Jacó, do Prof. Zé Bacurau, ganhou o 1º prêmio. Começou antes dos 18 anos, aumentando por isso a idade, em circos e dancings.

Através do pai, que escrevia sobre o mundo dos espetáculos, teve contato com os nomes em evidência. Conheceu, em 1943, o compositor Custódio Mesquita e passou a divulgar com exclusividade suas músicas. Conheceria também o cantor João Petra de Barros e por ele seria levado à Rádio Tupi. É quando passa a adotar o Goulart, por sugestão da atriz Heloísa Helena, tirado de um fortificante, o Elixir de Inhame Goulart, bem de acordo com sua voz possante.

Entre as músicas de Custódio que divulgava, estava o samba Saia do caminho, em parceria com Evaldo Rui, que gravaria, em 1945, na RCA-Victor, mas não chegou a ser lançada. Custódio faleceu e Evaldo preferiu destiná-la a Araci de Almeida, com alterações pequenas na letra para que pudesse ser cantado por mulher.

Devido a compromisso com a gravadora, lançaria, nesse ano, dois discos, que foram fracasso de vendas, não devido à qualidade das músicas ou deficiência do acompanhamento: A Volta / Paciência / Coração e Nem Tudo É Possível / Feliz Ilusão. É que, sem nenhuma necessidade, fez um decalque absoluto de Nelson Gonçalves, que também era da RCA-Victor.

Durante quatro anos ficou longe do disco. Se a atuação nas rádios (Tupi, Globo, Tamoio) não rendia muito, no espetáculo Um Milhão de Mulheres, no Teatro Carlos Gomes, durante dois anos, foi figura destacada e com rendimentos muitas vezes superiores. Findo o mesmo, voltaria às casas noturnas, até ser levado pelo compositor Wilson Batista a gravar duas músicas dele na Continental, para o carnaval de 1950: Miss Mangueira (com Antônio Almeida) e Balzaquiana (Com Nássara), esta uma marcha que o Brasil inteiro cantou e foi 2º lugar, na categoria, no concurso oficial de músicas carnavalescas.

Daí em diante, torna-se rapidamente um grande astro. Realiza um de seus sonhos, atuar no cinema, quando participa do filme Também Somos Irmãos, da Atlântica, dirigido por José Carlos Burle. É contratado pela Rádio Nacional e atua em grande número de filmes musicais: Carnaval no Fogo (1949), Não É Nada Disso (1950), Aviso Aos Navegantes (1951), Tudo Azul (1952) e muitos outros.

No disco marca êxitos memoráveis: Mundo de zinco, Cais do porto, Samba fantástico, Laura, Cabeleira do Zezé, A voz do morro, e inclusive versões, Dominó, Jezebel, Smile. É eleito o Rei do Rádio de 1952.

Em 1958, a convite do presidente Juscelino Kubitschek, acompanhado de Nora Ney e outros artistas, organizou uma caravana artística com a finalidade de preparar a reaproximação com a U.R.S.S. e a China Popular. Os resultados são excelentes, tanto que nos dez anos seguintes retornariam seguidamente aos países socialistas, aí gravam vários LPs., bem como estenderiam suas excursões à Bélgica, Áustria, França, Portugal e África.

Foi um longo e importante trabalho de divulgação da música brasileira, com a preocupação em muitas ocasiões, de levar outros cantores, instrumentistas, dançarinas e passistas. Colaborou por seis anos com o Império Serrano. Puxava seus sambas só com o megafone, dispensando quaisquer pagamentos em favor da mesma e contribuindo para a divulgação dos compositores do morro. Fez o mesmo na Imperatriz Leopoldinense e na Unidos de Vila Isabel.

Por causa de sua participação no Sindicato dos Radialistas, foi impedido, pelo movimento de 1964, de continuar na Rádio Nacional, tendo a única saída de atuar no exterior: Portugal, Israel e outros países da Europa.

Em 1983 teve de extrair a laringe. Ficou curado, mas sem "seu instrumento de trabalho". Chegava ao fim sua notável carreira. Ficaram, porém, os discos para perenizar sua arte. Casou-se muito jovem, com 18 anos, e teve uma filha, Maria Célia. Já estava desquitado, quando conheceu Nora Ney no camarim do Copacabana Palace Hotel, numa data que não esquece: 1º. 5.1952.

Nora Ney, já estrela ascendente, vivia tumultuada separação de seu marido, que repercutia na imprensa, por causa do inconformismo e das concretas ameaças do mesmo. Nora tinha dois filhos, Hélio e Vera Lúcia, mais tarde eleita Miss Brasil, em 1963.

Um casamento perfeito, que viriam a formalizar, no civil e no religioso, em 1992, na Igreja Presbiteriana Unida, conforme o convite, "consagrando 39 anos de longa e feliz união". Jorge Goulart conta que um dos segredos está em dormir em camas e quartos separados. Assim de manhã os dois "estão sempre bonitos".

Jorge Fernandes


Jorge Fernandes (Jorge de Oliveira Fernandes), cantor, nasceu no Rio de Janeiro/RJ em 5/6/1907 e faleceu em 19/3/1989. De família tradicional, cresceu em ambiente artístico e desde pequeno cantava musicas francesas, aprendendo piano e violão com os pais.

Quando começou a cantar músicas brasileiras, caracterizou seu estilo pela dicção cuidadosa, especializando-se em canções de inspiração folclórica. Apresentou-se pela primeira vez em público em 1929, cantando e acompanhando-se ao violão, no salão do Hotel Silva, em Cambuquira/MG, interpretando canções de Eduardo Souto, Denza e Tosti.

Em fevereiro do ano seguinte, começou a atuar na Rádio Sociedade, do Rio de Janeiro, onde também se apresentavam Inácio Guimarães, Ana de Albuquerque Melo, Gastão Formenti, Sílvio Salema e Paulo Rodrigues.

Em fins de 1929 gravou seu primeiro disco, na Odeon, A cabocla do arraiá (Pachequinho) e Amô de caboclo (Edite Lacerda e Celeste Gomes Filho), acompanhado ao violão por Tute e Luperce Miranda.

Formado em arquitetura em 1930, trabalhou como funcionário público até montar escritório com um amigo. Sem abandonar a carreira, em janeiro do ano seguinte deu seu primeiro recital, com Sônia Barreto e Homero Dornellas, acompanhado ao piano por Arnaldo Estrela.

Em 1932 lançou com sucesso e gravou na Columbia a canção Pierrot (Joubert de Carvalho e Pascoal Carlos Magno). A música foi apresentada como prólogo da peça de mesmo nome, de Pascoal Carlos Magno, estreada no Teatro João Caetano, do Rio de Janeiro. Nesse ano gravou várias músicas na Columbia, entre as quais os foxes-canção O dia em que te conheci (Aluísio da Silva Araújo) e Querer bem (Silvan Castelo Neto), as canções Dor (Joubert de Carvalho) e Pestinha (Silvan Castelo Neto), a valsa-canção Eu tinha um beijo para sua boca (Joubert de Carvalho e Cleomenes Campos).

Ainda nesse ano transferiu-se para a Victor, onde gravou, entre outras, a canção Caboclinho (Joubert de Carvalho e Olegário Mariano). No mesmo ano foi convidado a participar, como destaque, do Broadway Cocktail, no Cine Broadway, ao lado de Ary Barroso e Marília Batista. Apresentava-se também nas rádios Philips e Clube do Brasil.

Em 1933 casou e foi para São Paulo, gravando novamente na Odeon, onde ficou cinco anos, O que eu queria dizer ao teu ouvido (Hekel Tavares e Mendonça Júnior) e Minha terra (Valdemar Henrique).

Fez varias apresentações no Norte do país e em 1935 viajou para a Argentina, atuando na Rádio Stentor e em recitais em Buenos Aires. Retornou ao Rio de Janeiro para estrear na Rádio Tupi, gravando no ano seguinte, ainda na Odeon, as canções Querer bem não é pecado e Pingo d’água (ambas de Osvaldo de Sousa) e Pregões cariocas (João de Barro).

Em 1938 deixou a Rádio Tupi, do Rio de Janeiro, para trabalhar na emissora do mesmo nome, de São Paulo, transferindo-se depois para a Rádio Cultura. Por essa época resolveu mudar seu nome artístico para George Fernandes e no ano seguinte, 1939, gravou na Columbia um de seus maiores êxitos, Meu limão, meu limoeiro (do folclore), em arranjo de Gaó.

Em 1942 gravou para a Columbia outro êxito, a canção Rolete de cana (Osvaldo Santiago e Dilu Melo). Deixou a Rádio Cultura dois anos depois e foi para a Rádio Globo, do Rio de Janeiro, transferindo-se mais tarde para a Rádio Nacional.

Em 1954 excursionou, a convite do Itamarati, por alguns países da América Latina, ao lado de Valdemar Henrique. No mesmo ano gravou para a Sinter o LP Essa nega fulô (sobre texto de Jorge de Lima e em parceria com Valdemar Henrique).

Quatro anos mais tarde lançou na Columbia outro LP Momentos românticos, no qual interpretava composições de seu irmão Armando Fernandes. Em 1959 percorreu vários paises da Europa, apresentando-se na televisão em Portugal e U.R.S.S., gravando canções brasileiras.

Fonte: Enciclopédia da Música Brasileira - Art Editora e PubliFolha.

Jonjoca

Jonjoca ( João de Freitas Ferreira ), cantor e compositor, nasceu na cidade de Rio de Janeiro (RJ), no bairro de Botafogo no dia de 16 de Setembro de 1911, sendo o único dos nove filhos de um português comandante do Lóide a manifestar inclinação musical.

No curso ginasial, formou uma espécie de regional, que tinha apenas dois violonistas, um deles irmão do cantor Jorge Fernandes. Com 18 anos foi à Odeon, na Casa Edison, e perguntou a seu diretor-artístico Eduardo Souto como se fazia para gravar um disco. Souto mandou que cantasse, acompanhando-o ao piano, e disse que dentro de alguns dias podia gravar.

Esse disco, lançado em fevereiro de 1930, saiu com os sambas Não te dou perdão (Ismael Silva) e Não fui eu (Caninha). Gravou nesse ano mais dois discos pela Parlophon, antes de se encontrar com o cantor novato Castro Barbosa numa festa na casa de Jorge Fernandes, onde, por sugestão do cantor e compositor Paulo Neto de Freitas, cantaram em dupla.

Tendo dado certo a experiência, gravaram na Victor um disco, que saiu em Julho de 1931 com os sambas Sinto falta de você e A cana está dura, ambos de Jonjoca. Era a resposta que a Victor dava à Odeon, que desde setembro do ano anterior fazia enorme sucesso com o duo Francisco Alves e Mário Reis.

Até novembro de 1933, da nova dupla foram lançados 11 discos com 22 músicas, dentre elas os sambas Abandonado (Jonjoca), 1931, Adeus (Francisco Alves, Ismael Silva e Noel Rosa), 1932, Dona do Lugar (Francisco Alves e Ismael Silva), 1932, Cinco partes principais do mundo (Benedito Lacerda e Gastão Viana), 1933.

Paralelamente ambos desenvolveram suas carreiras solos como cantores. Sozinho, gravou o samba Rosalina (J. Tomás e Orestes Barbosa), 1931, e Azul e branco (Benedito Lacerda e Osvaldo Silva), 1932, numa discografia de 1930 a 1934, com cerca de 23 discos e 43 músicas, 13 das quais de sua autoria.

Em 1931, Carmen Miranda, sua amiga, gravou seus sambas Não tens razão e E depois. Interrompeu a carreira em 1934. Em 1937 voltou como locutor da Rádio Mayrink Veiga. Em 1938 ingressou na Rádio Nacional e, no ano seguinte na Rádio Clube do Brasil, na qual ficou até 1953, como locutor, apresentador e produtor de programas.

Fonte: Enciclopédia da Música Brasileira - Art Editora - PubliFolha.