segunda-feira, 23 de outubro de 2006

Na cadência do samba (Que bonito é)

O compositor pernambucano Luiz Bandeira lançou alguns sucessos nos anos 50, entre os quais sua composição mais conhecida, "Na Cadência do Samba", utilizada como tema do cinejornal Canal 100, sobre futebol. Também conhecida como "Que Bonito É", um dos versos, a música tornou-se sinônimo de futebol, apesar de não ter sido composta com essa intenção (Figura: o jogador Garrincha em mais um cinejornal do Canal 100).

Na cadência do samba (Que bonito é)
Luis Bandeira

Que bonito é
Ver um samba no terreiro
Assistir a um batuqueiro
Numa roda improvisar

Que bonito é
A mulata requebrando
Os tambores repicando
Uma escola desfilar

Que bonito é
Pela noite enluarada
Numa trova apaixonada
Um cantor desabafar

Que bonito é
Gafieira salão nobre
Seja rico, seja pobre
Todo mundo a sambar

O samba é romance
O samba é fantasia
O samba é sentimento
O samba é alegria

Bate que vá batendo
A cadência boa que o samba tem
Bate que repicando
Pandeiro vai, tamborim também

Luiz Bandeira

Luiz Bandeira, cantor, músico e compositor, nasceu a 25 de dezembro de 1923, no Recife/PE, onde iniciou a carreira artística em 1939, em um programa de calouros da Rádio Clube de Pernambuco, que o contratou em seguida.

Foi também violonista, radio-ator e cantor de orquestra. Ainda no Recife, em 1948 participou da inauguração da Rádio Jornal do Commercio.

Considerado um dos maiores compositores de frevo, autor, entre outros, dos frevos-canções Voltei, Recife e É de Fazer Chorar (mais conhecida como Quarta-Feira Ingrata).

Além de músicas carnavalescas, também é autor de sucessos gravados por Luiz Gonzaga (Onde Tu Tá, Nenem), Clara Nunes (Viola de penedo) e outros grandes nomes da música popular brasileira. Sua música Na cadência do samba (também conhecida como Que Bonito É) por muitos anos foi tema dos jogos de futebol exibidos pelo jornal do cinema.

Em 1950 mudou-se para o Rio de Janeiro, onde trabalhou como crooner no Copacabana Palace e na Rádio Nacional. Nessa década sua atuação como compositor se destaca como no baião Maria Joana (1952).

Em 1977, participou, no Japão, do Festival Internacional da Canção, com a música Bia. Em 1984, retornou ao Recife, onde morreria, a 22 de fevereiro de 1998, um domingo de carnaval.

Lolita França

Lolita França, cantora, estreou em disco em 1939 na Victor, gravando o samba Olha lá um balão, de Murilo Caldas e a marcha O que é da chave?, de Murilo Caldas e Luiz Bittencourt.

No mesmo ano, gravou com Murilo Caldas o samba Nega, de Heitor dos Prazeres e ainda a marcha Praia de Copacabana, de Antônio Caldas, o samba Darei um prêmio, de Raul Marques e César Brasil e a marcha Vale mais, de Wilson Batista e Marino Pinto.

São de 1940 as gravações das marchas Casinha pequenina, de Wilson Batista e Murilo Caldas e Namoro no portão, de André Filho e dos sambas Nego bamba, de Raul Marques, V. Silva e S. Rodrigues e Mulher exigente, de Murilo Caldas, em dueto com o próprio autor.

Ainda em 1940, gravou com Murilo Caldas as marchas Torcidas renitentes, de Murilo Caldas e O papai e a filhinha, de Caldas e Miguel Lima.

Em 1942, gravou pela Colúmbia a marcha Passarinho piupiu, de Murilo Caldas.

Suas gravações obtiveram algum sucesso na Argentina.

Lolita França e Murilo Caldas - Foto: A Cena Muda, de10 de Março de 1942.

Lírio Panicali

Lírio Panicali, regente, arranjador compositor e instrumentista, nasceu em Queluz/SP em 26/6/1906 e faleceu em Niterói/RJ em 29/11/1984. Filho de imigrantes italianos, aos 12 anos transferiu-se para São Paulo SP, ingressando no Liceu Coração de Jesus e depois no Conservatório Dramático e Musical de São Paulo.

Em 1922, já no Rio de Janeiro/RJ, estudou no I.N.M. e foi maestro e pianista da Companhia Negra de Revista. Nessa cidade, conheceu Lamartine Babo, com quem escreveu o fox Saias curtas. Por razões familiares, precisou voltar à cidade natal, lá tendo desenvolvido intensa atividade musical, organizando bandas e coros.

De volta a São Paulo, começou a trabalhar na Rádio São Paulo, passando, em 1938, para a Rádio Nacional, do Rio de Janeiro, onde participou do programa Canção Antiga, de Almirante. Nesse ano organizou a Orquestra Melódica Lírio Panicali e, desde então, começou a escrever temas para novelas da Rádio Nacional, destacando-se nesse gênero suas valsas Encantamento, Magia (com Raimundo Lopes) e Ternura (com Amaral Gurgel).

Em 1939 estreou no cinema, compondo para o filme Aves sem ninhos, dirigido por Raul Roulien seguindo-se as trilhas sonoras para os filmes: em 1943, Moleque Tião, de José Carlos Burle; em 1947, Este mundo é um pandeiro, de Watson Macedo; em 1953, Dupla do baralho, e em 1954 Nem Sansão nem Dalila, ambos de Carlos Manga.

Foi um dos fundadores da gravadora Sinter (1950), onde permaneceu como diretor do setor artístico e gravou, em 1950, seu primeiro LP, Orquestra melódica de Lírio Panicali. Nessa fábrica, gravou inúmeros sucessos carnavalescos. Idealizou com Paulo Roberto o famoso programa Lira de Xopotó, na Rádio Nacional, sobre bandas do interior, de que resultou o LP do mesmo nome com músicas regionais.

Foi maestro contratado da Rádio M.E.C. e fez arranjos para quase todas as gravadoras do país, tendo-se destacado na Columbia, orquestrando discos de artistas como Cauby Peixoto, Tito Madi e Sérgio Murilo. Fez também arranjos para diversas orquestras, entre as quais a de Zacarias. Com o aparecimento das telenovelas, na década de 1960, foi convidado a escrever algumas trilhas sonoras e, mais tarde, em 1972, resumiu esse seu trabalho no LP Odeon Panicali e as novelas.

Linda Rodrigues

Linda Rodrigues (Sofia Gervazone), compositora e intérprete, nasceu provavelmente no estado do Rio de Janeiro em 11 de agosto de 1919, e faleceu em novembro de 1997. Foi uma das cantoras que mais celebraram a dor-de-cotovelo. Gravou pela primeira vez em 1945, pela Continental, os sambas Enxugue as lágrimas (Elpídeo Viana e Correia da Silva) e Abaixo do nível (Osvaldo dos Santos e Odaurico Mota).

Em 1946 gravou a marcha Atchim (J. Piedade e Príncipe Pretinho) e o samba Claudionor (Cândido Moura e Miguel Bauso).

Em 1948 gravou a rumba Jack! Jack! Jack! (Haroldo Barbosa e Armando Castro) e o samba Mais um amor, mais uma desilusão (José Maria de Abreu).

Em 1951 gravou pela Star o samba canção Os dias que lhe dei (Newton Teixeira e Airton Moreira) e o samba Raça negra (Ailce Chaves e Paulo Gesta). Em 1952 gravou o samba Lama (Paulo Marques e Alice Chaves), que veio a ser não apenas seu maior sucesso como um dos sambas-canções mais celebrados no repertório de fossa, e o bolero Nossos caminhos (Aírton Amorim e Nogueira Xavier).

Em 1953 gravou pela Sinter o samba Sombra e água fresca (Geraldo Mendonça e Russo do Pandeiro) e a marcha Bambeio mas não caio (Elvira Pagã, Ailce Chaves e Paulo Marques). Em 1954 gravou o samba Sereno cai (Raul Sampaio e Ricardo Galeno) e a marcha Tá tão bom (Três Amigos).

Em 1955 gravou pela Continental o samba Ninguém me compreende" de Peterpan e o samba-canção Vício de sua autoria e José Braga, com acompanhamento de Guaraná e sua Orquestra, que também se tornou um grande sucesso de sua carreira. No mesmo ano gravou pela Todamérica a marcha Rico é gente bem (Rebelo, Rupp e Ari Monteiro) e o samba Folha de papel (Paulo Marques, Sílvio Barcelos e Ari Monteiro).

Em 1956 gravou os sambas-canções Farrapo humano de sua autoria e Ailce Chaves e Queimei teu retrato (Noel Rosa e Henrique Brito). Em 1957 gravou os sambas Violeta (Mirabeau e Dom Madrir) e Recompensa (Tito Mendes, Nilo Silva e Osvaldo França). No mesmo ano gravou os sambas-canções Pianista, (Irani de Oliveira e Ari Monteiro) e Comentário barato (Jaime Florence e J. Santos).

Em 1958, gravou os sambas Chorar pra que (Aldacir Louro e Silva Jr.) e Quando o sol raiar (Mirabeau, Sebastião Mota e Urgel de Castro). No mesmo ano registrou ainda o samba Sereno no samba (Aldacir Louro e Dora Lopes) e o bolero Nada me falta de sua autoria e Aldacir Louro.

Em 1959 gravou pela RCA Victor o samba Tem areia de sua autoria e José Batista e a marcha Marcha da folia de sua autoria, Aldacir Louro e Silva Jr. Em 1960 gravou os sambas-canções Negue (Adelino Moreira e Enzo de Almeida Passos) e Tenho moral de sua autoria e Castelo. No mesmo ano gravou Companheiras da noite samba-canção de sua autoria, Ailce Chaves e William Duba.

Leonel Faria

Leonel Faria - 1935
Leonel Faria (Leonel Neves de Faria), cantor, nasceu em 15/1/1908 no Rio de Janeiro e faleceu em 27/12/1935 nesta mesma cidade. Estreou, em 1930, como "crooner" no Brasil Danças e, logo em seguida, passou a cantar na Rádio Clube do Brasil e no Cassino da Urca com a orquestra de Simon Bountman.

Em 1931 gravou na Columbia seu primeiro disco, interpretando os sambas Maria e Cavanhaque, de Ary Barroso com acompanhamento da Orquestra Columbia de Simon Bountman.

No mesmo ano, gravou um série de mais onze discos na Columbia num total de 20 músicas a maioria com acompamento da orquestra de Simon Bountman com destaque para os sambas Eu sou gozado assim e O meu conselho, ambos de Pixinguinha.

Em 1932 gravou os sambas Sonho de amor, de Simon Bountman e Que se dane, de Noel Rosa e J. Machado. Em 1934, gravou com acompanhemento da Orquestra da Rádio Clube do Brasil as marchas Acabou-se o que era doce, de Sain-Clair Sena e Mal de amor, de Freitinhas.

Suas últimas gravações em 1935 foram o samba Deve ser azar e a marcha É hora..., ambas de Saint Clair Sena, pela gravadora Odeon.

Fonte: Revivendo Músicas - Biografias.

Leo Peracchi

Leo Peracchi nasceu em 30/9/1911 na cidade de São Paulo-SP e faleceu em 16/1/1993 no Rio de Janeiro-RJ. Foi regente, arranjador, pianista, professor, compositor, mestre da instrumentação moderna brasileira e destacado orquestrador da Música Popular Brasileira. Durante sua vida profissional teve enorme importância também como formador de músicos e incentivador de jovens artistas como Toquinho, Tom Jobim e do pianista Arthur Moreira Lima.

Primeiro filho de Memore e Ada Peracchi, seu pai foi professor de música e diretor do Conservatório Benedetto Marcello, depois Conservatório Carlos Gomes. Teve quatro irmãos, três dos quais também musicistas: Henriqueta Elda, pianista, Eldo, violoncelista e Gemma Rina, pianista e professora do conservatório Carlos Gomes, e Tina, secretária e estenógrafa.

Formou-se em piano e composição no conservatório do pai, onde, ainda de calças curtas, passou a dar aula de teoria e solfejo (1927). Começou sua carreira dirigindo pequenas orquestras (1928), acompanhando filmes nos cinemas da cidade, e tornou-se concertista clássico de piano.

Casou-se (1932) com sua primeira mulher, Sofia Giordani, com quem viveu durante 18 anos e teve dois filhos, Márcia e Adriano Lúcio, e passou a trabalhar como pianista e maestro da Rádio Kosmos, de São Paulo (1936). Passado pela Rádio Bandeirantes e pela Rádio Educadora Paulista, seguiu para o Rio de Janeiro (1941), a convite da Rádio Nacional, à época a maior emissora do país, onde participou de vários programas como orquestrador, regente e compositor.

Foi o criador, juntamente com Haroldo Barbosa e José Mauro, do programa Dona Música, que apresentava músicas de todas as partes do mundo. Entre muitas outras atividades, dirigiu a orquestra da Rádio Nacional no programa A história das orquestras do Brasil (1944), também lançado por Almirante.

Passou a viver (1950) com sua segunda mulher, a cantora lírica Lenita Bruno (1929-1987), com quem teve uma filha, a cantora Míriam. Escreveu partituras musicais para diversos filmes da Atlântida e Flama, como a chanchada Tu és Meu (1952), de José Carlos Burle e incontáveis arranjos para discos e regeu várias orquestras.

Foi nomeado (1965) diretor musical da Orquestra Sinfônica de Altoona, na Pensilvânia, cargo no qual permaneceu por dois anos. Lá também dirigiu conjuntos corais e lecionou nas escolas Nossa Senhora de Lourdes e Montessori, além da Universidade da Pensilvânia.

Com a terceira mulher, Nina Campos, mudou-se para Belgrado, antiga Iugoslávia (1968), onde trabalhou com a Orquestra Filarmônica da cidade e escreveu o ballet Stâmena. Voltou para o Brasil (1970), estabelecendo-se em São Paulo, trabalhando nas gravadoras Copacabana e Arlequim, da qual foi diretor musical, e na Editora Vitale e dava aulas particulares de música para jovens interessados, além de aulas de Composição e Conjunto de Câmara no Conservatório Carlos Gomes.

Nessa mesma época, faz trabalhos de regência para o Estúdio Gazeta e para a Orquestra da Rede Globo e adaptou arranjos para teatros e orquestras. Vítima de um princípio de derrame que o impediu de continuar escrevendo partituras, foi morar no Rio de Janeiro (1989) viver sob os cuidados dos filhos, onde faleceu três anos depois, a 16 de janeiro.

Leo Albano

Leo Albano (Albano Piccinini), cantor, nasceu em São Paulo/SP em 27/9/1913. Iniciou a carreira em 1935, na Rádio Cultura, de São Paulo, passou pela Educadora Paulista, onde trabalhou nos dois anos seguintes, indo depois para a Bandeirantes.

Em 1938 tornou-se crooner e apresentador da orquestra Gaó, na Rádio Cruzeiro do Sul, mudando-se para o Rio de Janeiro/RJ um ano mais tarde, para cantar nas rádios Ipanema, Transmissora e Nacional.

Gravou seu primeiro disco em 1939, na Columbia, com as músicas Boa noite, Colombina, de Ari Machado, e Três coisas que eu deixei, de Manuel Dias, apresentando-se no mesmo ano no Cassino da Urca. Além de cantor, foi diretor artístico do cassino no período 1940-1946, saindo para assumir as mesmas funções no Cassino Atlântico, onde ficou seis meses.

Trabalhou em teatro de revista e figurou como galã-cantor na opereta da Companhia Iglésias-Freire Júnior, O cantor da cidade, nome pelo qual passou a ser conhecido no Rio de Janeiro. Cantou ao lado de Alda Garrido, Eva Tudor e Oscarito, em produções de Walter Pinto, e participou dos filmes Samba em Berlim (1942) e Berlim na batucada (1944), dirigidos por Luís de Barros. Em 1945 foi o galã-cantor, ao lado de Marlene, do filme Pif-paf, direção de Ademar Gonzaga e Luís de Barros.

De volta a São Paulo, passou a trabalhar como cantor e diretor artístico da Rádio Excelsior, e esteve, mais tarde, na TV Paulista. Gravou, na Columbia, a valsa Renúncia e o samba-canção Destinos (Edgar Cardoso); na Continental, a valsa Ao cair de uma estrela e o samba Cabrochinha (ambos de Laurindo de Almeida e Edgar de Almeida); o samba Dona Dora (Sílvio Mazzuca e Teófilo de Barros Filho) e o samba-canção Foi você (Sílvio Mazzuca); na RCA, a marcha Tarantela (Clóvis Mamede e Pedro Molina), o samba Nunca mais direi adeus (Valdemar Costa e Clóvis Mamede), o fox Tudo é Brasil (Vicente Paiva e Sá Róris) e o samba Minha jangada (com Chiquinho Sales).

Deixou a carreira artística em 1959.

Fonte: Enciclopédia da Música Brasileira: erudita, folclórica e popular. São Paulo, Art Ed., 1977.

Careca

Careca (Luis Nunes Sampaio), pianista e compositor, nasceu no Rio de Janeiro/RJ em 18/2/1886 e faleceu na mesma cidade em 21/5/1953. Morador do bairro do Catumbi foi um grande animador do carnaval carioca na década de 1920.

Esteve ligado ao Clube dos Fenianos e ao Clube dos Zuavos, dos quais participava das festas tocando ao piano choros "convidativos" e "desengonçados" maxixes, conforme palavras de Jota Efegê. Participou também da criação de alguns blocos carnavalescos.

Em 1919, organizou o Bloco dos Almofadinhas e que fez sucesso nos desfiles carnavalescos. Em 1920, teve o samba-carnavalesco Bá bé bi e o tango Sapequinhas gravados na Odeon pelo Grupo do Além. No mesmo ano o samba carnavalesco Bê-a-bá foi regravado por Bahiano, constituindo-se o primeiro sucesso do compositor, música também conhecida como Deixa as cadeiras da nega buli ou então como Babá do Careca.

Ainda nesse ano, fundou com o jornalista e cronista carnavalesco da revista A Vanguarda, Jaime Correia, também conhecido como Bicanca, o Bloco carnavalesco "Foi ela ela que me deixou", para o qual compôs samba com o mesmo título.

O Bloco desfilou em 1921 com homens travestidos de mulheres e cantando o samba composto especialmente para o grupo carnavalesco que saiu do Catumbi e estendeu seu desfile até as Ruas Salvador de Sá e Machado Coelho. Esse Bloco, ao que parece, desfilou regularmente até meados da década de 1920.

Destacou-se em 1922 com o samba-carnavalesco Ai, seu Mé, parceria com Freire Júnior, que satirizava o candidato à presidência da República Artur Bernardes apelidado popularmente de "Carneiro", "Rolinha" e "Seu Mé", gravada na Odeon pelo Bahiano. Artur Bernardes venceu as eleiões e os autores da marcha, grande sucesso no carnaval daquele ano, embora sob o pseudônimo de "Canalhas da rua", acabaram perseguidos. Freire Júnior acabou preso e o parceiro teve que se esconder fora do Rio de Janeiro.

No mesmo ano, seu samba As meninas de hoje foi gravado na Odeon pela Orquestra Augusto Lima e a marcha Com esta figa e a canção Foi ela quem me deixou foram lançadas pelo cantor Bahiano.

Em 1923, teve o samba-carnavalesco Um, dois, três e os sambas Ceroula não é cueca e Iaiá me leva pra cadeirinha gravados por Bahiano, que firmou-se como seu principal intérprete. Em 1924, teve gravado seu maior sucesso o samba O casaco da mulata, também conhecido como O casaco da mulata é de prestação, grande êxito carnavalesco gravado quase simultâneamente pelo Orquestra Brasil-América e pelo cantor Bahiano em dueto com Maria Marzulo.

Obteve novo êxito carnavalesco em 1925 com a marcha Os passarinhos da Carioca gravado pelo Grupo do Pimentel e logo em seguida pelo cantor Fernando. No final desse ano, o cantor Fernando gravou a marcha Oh! Serafina e os sambas Ela disse uma vez pra mim e Mulata, sai do portão, com vistas ao carnaval do ano seguinte. Em 1927, teve duas obras gravadas por Francisco Alves na Odeon, a marcha Ai Lelé lé lé e o samba Foi você quem me deixou.

Grande folião, destacou-se nas batalhas de confete famosas na época que eram as das ruas Santa Luísa, no Centro da cidade e Dona Zulmira, bairro de Vila Isabel, chegando a receber diversos prêmios como taças e estátuas que chegaram a ser expostas por ele em vitrine da Rua Gonçalves Dias, no Centro da então Capital Federal, o Rio de Janeiro.

Fonte: Dicionário Cravo Albin da MPB

Covarde

Getúlio -Cinelândia - Rio
Covarde (bolero, 1958) - Getúlio Macedo e Lourival Faissal - Interpretação de Fernando Barreto



Introdução: E B7 E B7 
 
    E 
 Covarde 
 Eu sei que sou covarde 
 Por não fazer alarde 
        C#7               F#m 
 Deste amor que sinto por ti 
 Covarde 
 É triste a realidade 
 O medo me invade 
          B7           E  B7 
 Quando chego perto de ti 
    E 
 Covarde 
 Talvez já seja tarde 
 Mas a arma de um covarde 
     C#7  F#m 
 É renunciar 
           A 
 Como o calor que se afasta 
      Am 
 Pro vento passar 
          G#m 
 Igual a sombra que morre 
      C#m 
 Se a luz não brilhar 
       F#m             B7 
 Um covarde assim como eu 
            Bm7  E7 
 Não deve amar 
           A 
 Como o calor que se afasta 
      Am 
 Pro vento passar 
          G#m 
 Igual a sombra que morre 
      C#m 
 Se a luz não brilhar 
       F#m             B7 
 Um covarde assim como eu 
            E 
 Não deve amar. 

A canção do Jerônimo

A canção do Jerônimo (toada, 1954) - Getúlio Macedo e Lourival Faissal - Interpretação de Emilinha Borba (1955)



Quem passar pelo sertão
Vai ouvir alguém falar
No herói desta canção,
Que eu venho aqui cantar.

Se é pro bem vai encontrar
Um Jerônimo protetor
Se é pro mal vai enfrentar
Um Jerônimo lutador.

Filho de Maria Homem, nasceu
Serro Bravo foi seu berço natal
Entre tiros e tocaias cresceu
Hoje luta pelo bem contra o mal.

Galopando está em todo lugar
Pelos pobres a lutar sem temer
Com o moleque Saci pra ajudar
Ele faz qualquer valente tremer.

Quem passar pelo sertão
Vai ouvir alguém falar
No herói desta canção,
Que eu venho aqui cantar.

Se é pro bem vai encontrar
Um Jerônimo protetor
Se é pro mal vai enfrentar
Um Jerônimo lutador.

Aliança

Getúlio Macedo
Aliança (bolero-mambo, 1961) - Getúlio Macedo

A aliança,
Que tú devolveste
Trazendo um bilhete
Dando fim ao nosso amor
Aliança
Pois faltava um dia
O casamento sería
Nosso sonho de amor.

A aliança
Porque recusaste
Se num gesto jogaste
Meu orgulho no chão.
Nada representava
Nosso namoro e o noivado
Porque mais tarde deixavas
Tua aliança de lado
Entrego à Deus pra te julgar
Se mereces castigo
Peço a Deus pra te perdoar.

Getúlio Macedo

Getúlio -Cinelândia - Rio de Janeiro
Getúlio Macedo (Getúlio Benício), compositor e produtor, nasceu em 13/11/1922 na cidade de Sabino Pessoa - ES. Em 1938 mudou-se para o Rio de Janeiro e em 1942, ingressou na UBC, da qual ocupou entre outros, o cargo de conselheiro.

Com um repertório predominantemente romântico, compôs boleros, samba-canção, fox, mambo, samba e rumba. Um de seus principais parceiros foi Lourival Faissal, com quem compôs mais de vinte músicas. Entre outras, o bolero Covarde, o mambo A louca, o bolero Intenção, o ragtime Ano novo, ano bom e a marcha Nosso Natal.

Entre seus intérpretes estão Emilinha Borba, Marlene, Gilda de Barros, Alzirinha Camargo, Ângela Maria, Carlos Galhardo, Adelaide Chiozzo e Ellen de Lima, entre outros.

Em 1952, Carlos Galhardo gravou na RCA Victor a valsa Mãezinha querida, pioneira nas homenagens às mães e que se tornou um clássico do cancioneiro popular e que vendeu cerca de 6 milhões de cópias ao longo dos anos com diferentes intérpretes.

No mesmo ano, Linda Batista gravou também na RCA o samba-canção Divórcio, parceria com Lourival Faissal. Ainda neste ano, Chiquinho do Acordeom   grava o mambo Mambo Caçula  (com  Bené Alexandre)  e o choro Rua do Passeio.

Em 1953, Fafá Lemos gravou pela RCA o baião ABC do amor, parceria com Augusto Alexandre, Gilberto Milfont gravou o samba-canção Confissão e Francisco Carlos o samba-canção Primeiro amor e o samba A saudade eu vou levar, os três da parceria com Lourival Faissal. No mesmo ano, Carlos Galhardo gravou a valsa Tanta mentira parceria com Mário Lago e Emilinha Borba e Trio Madrigal gravaram o mambo É o maior, parceria com Bené Alexandre.

Em 1954, Orlando Melo gravou pela Odeon, de sua parceria com Lourival Faissal, a toada A canção do Jerônimo, abertura da famosa novela de rádio "Jerônimo, o herói do sertão" e o baião Apanha flor, sá Nanci. No mesmo ano Nelson Gonçalves gravou na RCA Victor o samba-canção Como eu previa, parceria com Lourival Faissal.

Em 1955, Jorge Veiga gravou de sua parceria com Lourival Faissal o Hino da torcida do Flamengo e Chiquinho do Acordeom o bolero Horas íntimas, parceria com Oscar Maneck. Em 1956, o Trio Itapoan gravou o beguine Praia Vermelha, com Lourival Faissal, Hélio Chaves gravou na Mocambo o samba Este é o samba, parceria com Almeida Batista e Gilberto Milfont na Continental o fox trot Até a lua se escondeu.

Em 1957, Cauby Peixoto gravou o samba-canção Onde ela mora, com Lourival Faissal, e o bolero O louco. No mesmo ano, Adelaide Chiozzo gravou a marcha Tua companhia e os Vocalistas Modernos o bolero Covarde, ambos com Lourival Faissal.

Em 1958, Emilinha Borba gravou na Continental Botões de laranjeira, parceria com Lourival Faissal. Ângela Maria pela Copacabana gravou o samba-canção Voltei, parceria com Irani de Oliveira e Gilda de Barros pela Sinter o fox Trágica mentira, parceria com Ilza Silveira.

Em 1959, Os Cariocas gravaram pela Columbia o Cha cha cha baiano e Agnaldo Rayol regravou na Copacabana o bolero Trágica mentira. Em 1960, Carlos Galhardo gravou pela RCA Victor o samba-canção Presença viva do amor, com Lourival Faissal, e o Trio Nagô gravou também na RCA o samba Meu apelo, parceria com Irani de Oliveira.

No mesmo ano, o palhaço de circo Carequinha gravou na Copacabana o fox É mamãe, parceria com Irani de Oliveira. Em 1961, Leo romano gravou na Odeon o bolero Aliança. No mesmo ano produziu e compôs com Hamilton Sbarra as músicas para o disco Carequinha no Parque Xangai, que foi um grande sucesso.

Em 1962, Ellen de Lima gravou na RCA Victor o samba-canção Meu amor lhe acompanhará e Carlos Galhardo o bolero Tu e eu, parceria com Irani de Oliveira. Em 1963, Dalva de Andrade gravou na odeon o bolero Cigana.

Teve mais de 50 composições gravadas. Atuou durante trinta anos como produtor e diretor de televisão, tendo trabalhado nas TVs Tupi, Excelsior e Globo. Compôs vinhetas e jingles. Compôs cerca de 400 músicas.

Algumas músicas

A canção do Jerônimo
Aliança
Covarde
Intenção
Mãezinha querida
Mambo Caçula
Rua do Passeio

Fonte: Dicionário Cravo Albin da MPB.