sexta-feira, 27 de outubro de 2006

Antônio Carlos e Jocafi


Antônio Carlos e Jocafi - Dupla vocal formada pelos compositores Antônio Carlos Marques Pinto (Salvador/BA 1945-) e José Carlos Figueiredo (Salvador 1944—). Atuaram isoladamente até 1968, tendo Antônio Carlos composto Festa no terreiro de Alaketu, que foi apresentada por Maria Creusa, em 1967, no III FMPB da TV Record, de São Paulo SP.

Em 1969, já como parceiros, inscreveram no V FMPB a música Catendê, interpretada por Maria Creuza, que a gravou em 1971. Com a mesma música, participaram em 1970 de um festival do Nordeste.

No Rio de Janeiro, a dupla foi logo contratada pela RCA, gravando, ainda em 1971, Você abusou (várias vezes regravada), Mudei de idéia e Desacato, que obtiveram grande sucesso. Desde então a dupla participou de vários festivais e apresentou-se com êxito no Brasil e no exterior.

Em 1974, além da repercussão de suas músicas Toró de lágrimas (com Calazans) e Dona Flor e seus dois maridos, classificou-se em segundo lugar no primeiro World Popular Song Festival, de Tóquio, Japão, com a música Diacho de dor.

A dupla continua realizando shows e gravando. Entre seus discos mais recentes destaca-se Samba, prazer e mistério (selo RCA, 1994), relançado pela etiqueta Sky Blue, em 1997, e que reúne regravações de sucessos antigos e músicas novas como Vá brincando e Negócio de cumadre.


Obras: Desacato, 1971; Desmazelo (c/Tavares e Ildázio), 1972; Dona Flor e seus dois maridos, samba, 1974; Mas que doidice, 1971; Mudei de idéia, 1971; Negócio de cumadre, 1994; Perambulando, 1972; Super-Manoela (c/Heitor Valente), samba, 1974; Toró de lágrimas (c/Calazans), 1974; Vá brincando, 1994; Você abusou, 1971.

_____________________________________________________________________ Fonte: Enciclopédia da Música Brasileira - Art Editora e Publifolha.

Normélia

Roberto Silva
Roberto Silva

Normélia - Norberto Martins/Raymundo Olavo

Eu ando quase louco de saudade
É grande a minha amizade
É bem triste o meu viver

Normélia, vem matar minha saudade
Peço-te por caridade
Que amenizes o meu sofrer

Eu ando quase louco de saudade
É grande a minha amizade
É bem triste o meu viver

Normélia, vem matar minha saudade
Peço-te por caridade
Que amenizes o meu sofrer

Eu não condenei o teu ciúmes
Gosto do teu perfume
Quero sempre te adorar

Volta
Lembra-te daquele dia
Perante Santa Maria
Prometeste não me deixar.

Roberto Silva

Sua voz desliza numa implausível frequência entre a síncope maliciosa de Ciro Monteiro e o romântico veludo de Orlando Silva. Na síntese, está no timbre de nobreza desse que, num dia perdido dos anos 40, foi ungido pelo locutor oficial da Rádio Tupi do Rio, Carlos José, como "O Príncipe do Samba" e que entre os plebeus Roberto e Silva esconde o imperial Napoleão de batismo.

Carioquíssimo, Roberto Silva nasceu no dia 9 de abril de 1920 e já aos 18 anos tentava a sorte no programa Canta Moçada, da Rádio Guanabara. Mas, só dois anos depois, teve sua chance na Mauá, de onde foi levado para a Nacional, o equivalente, hoje, à Rede Globo, pelas mãos dos compositores Evaldo Rui e Haroldo Barbosa.

Foi quando gravou seu primeiro disco, um 78 rpm, com os sambas O Errado Sou Eu (E. Andrade e Djalma Mafra), de um lado; de outro, Ele É Esquisito, de L. Guilherme, Walter Teixeira e R. Lucas. O grande sucesso, porém, viria um pouco mais tarde, quando já integrava o elenco da Tupi, a convite de Paulo Gracindo: Mandei Fazer um Patuá, de Raimundo Olavo e Norberto Martins, dupla que o abasteceria com outros êxitos, como Normélia, no qual Roberto brinca com as modulações no estilo que seria sua marca inconfundível.

Discreto, um tanto sisudo, Roberto Silva sempre se manteve à margem dos modismos, preferindo eternizar seus poucos sucessos e fazer uma releitura precisa dos clássicos, impressas na série antológica Descendo o Morro (dez elepês irrepreensíveis) que se iniciou em 1958 e varou as décadas de 60 e 70.

Ouvi-lo é o mesmo que abrir um baú de relíquias e surpreender-se com o frescor e a riqueza tão variada que dele exalam.

Alberto Helena Junior - ENSAIO - 27/12/1990

Mágoas

Paraguassu
"Essa canção, quando gravei, fez um sucesso de arromba, vendeu milhares e milhares de discos. Acontece que o sucesso foi tão grande que até ao suicídio chegou. Ouvindo essa música, suicidaram-se cinco apaixonados. Escrito por jornais e dito por cartas que esses apaixonados tocaram esse disco e depois liquidaram com a vida.

O nome dessa gente eu não sei, não, mas tem um que chama-se Ramiro e a pequena (tratamento dado às mocinhas, na primeira metade do século) chamava-se Lídia, mais ou menos isso, eu não me lembro bem, o nome certo não me lembro. Um foi em Campinas, outro foi em Limeira, outro foi em Curitiba, outro foi em Rio Bonito.

O ano foi de 1929, 1930, os suicídios foram em diversas épocas diferentes de um e de outro. Tanto é que a Carioca (revista que já não existe), do Rio, dá essa nota que está no meu álbum. E de Limeira estão até os dois, tem a fotografia, uma reportagem da Gazeta, os dois mortos na cama, ele com o revólver no peito".

(Paraguassu entrevistado pela TV Cultura, de São Paulo, para o programa MPB Especial, em 1974).

Mágoas - Paraguassu

Nunca mais um verso meu terás.
Nunca mais, oh, nunca mais.
Jurei matar esta cruel paixão fatal
Que tem feito tanto mal.
Eu não quero mais o teu amor,
Que tornou-me um sofredor,
Ensinou-me por maldade
A sofrer tanta saudade,
Tanta mágoa e tanta dor.
E por tudo quanto eu já sofri,
Pelos versos que eu te dei,
Adorar-te para sempre eu quis,
Mas fizeste-me infeliz.
Por que não tem dó de mim?