domingo, 3 de dezembro de 2006

César de Alencar


César de Alencar (1917-1990), apresentador brasileiro de rádio e televisão foi uma das peças fundamentais para o sucesso de nossa música popular apresentando os futuros "monstros" da MPB, na época calouros ou já famosos.

Com voz e estilo cativantes, foi campeão de audiência no rádio por mais de 15 anos, popularizando, no Brasil, fórmulas que faziam sucesso nos Estados Unidos, como a parada de sucessos, em Parada dos maiorais, e o programa de calouros, em Cantinho dos novos.

Entre as inovações que trouxe para o rádio brasileiro está a entrevista ao vivo por telefone, recurso usado até hoje. Fez a transição para a TV logo nos primeiros momentos do novo veículo, no início da década de 1950, mas nunca conseguiu igualar o imenso sucesso de seus programas de rádio.

Desde 1993, com a publicação do livro César de Alencar: a voz que abalou o rádio, de Jonas Vieira, vem sendo lembrado mais por sua colaboração com os órgãos de repressão a partir do golpe militar de 1964 do que por seus feitos no rádio.

Vassourinha

O cantor Vassourinha (Mano Ramos) nasceu em São Paulo SP 16/5/1923, e faleceu na mesma cidade em 3/8/1942. A origem de seu apelido é confusa, mas já era assim conhecido quando foi registrado como contínuo da Rádio Record, de São Paulo, em 1935, onde iniciou também carreira de cantor, no horário noturno.

Ainda nesse ano, participou do filme Fazendo fita, dirigido por Vittorio Capellaro. Na Rádio Record formou dupla com a cantora Isaura Garcia, apresentando-se em shows e circos. Em 1941 foi para o Rio de Janeiro, onde gravou na Columbia e atuou na Rádio Clube do Brasil.

Nos anos de 1941 e 1942, gravou os seis únicos discos que deixou. O primeiro incluía Juracy (Antônio Almeida e Ciro de Sousa) e Seu Libório (João de Barro e Alberto Ribeiro), que fez grande sucesso e o projetou nacionalmente como herdeiro do sambista Luís Barbosa.

Entre os demais, destaca-se o samba Emília (Haroldo Barbosa e Wilson Batista), que ratificou seu êxito inicial, Amanhã tem baile (Haroldo Lobo e Milton de Oliveira) e Olga (Alberto Ribeiro e Sátiro de MeIo).

Morreu com apenas 19 anos, ao que parece de uma osteomielite, deixando nessa diminuta díscografia (reeditada mais tarde num LP da Musicolor) o suficiente para ser tido como um dos maiores sambistas brasileiros.

Trio Nagô

O conjunto vocal e instrumental Trio Nagô foi formado em Fortaleza CE em 1950 por Evaldo Gouveia, Mário Alves (Fortaleza 1914—), e Epaminondas de Sousa (Fortaleza 1928—).

Com repertório folclórico e temas nordestinos, Evaldo Gouveia e Mário Alves, ao violão, e Epaminondas, no atabaque, apresentaram-se inicialmente com o nome de Trio Iracema, na Rádio Clube do Ceará, fazendo programas também nas Rádio Poti, de Natal RN, Araripe, do Crato CE, Borborema, de Campina Grande PB, e na Rádio Tamandaré, de Recife PE.

O trio recebeu convite para participar dos festejos de aniversário da TV Tupi, de São Paulo SP, representando o Ceará, permanecendo na cidade por um mês, seguindo depois para uma temporada na Rádio Farroupilha, de Porto Alegre RS.

De volta ao Ceará, passou pelo Rio de Janeiro, onde cantou no programa de César de Alencar, com grande êxito. Terminando o contrato que o prendia à Rádio Clube do Ceará, o trio se estabeleceu no Rio de Janeiro, onde foi contratado pela Rádio Jornal do Brasil e pela gravadora Sinter.

Apresentou-se nas boates Vogue, do Rio de Janeiro, e Oásis, de São Paulo. Gravou no primeiro disco o rasqueado Moça bonita (Gilvan Chaves e Alcir Pires Vermelho) e o maracatu Paisagem sertaneja (Hortênsio Aguiar).

Em 1952 iniciou programa semanal na Rádio Record, de São Paulo, que ficou no ar até 1957. Em 1953 o conjunto foi contratado pela Rádio Tupi, do Rio de Janeiro, prosseguindo as gravações na Sinter, destacando-se o baião Mulatinha sarará (Walter Tourinho e Isaias Ferreira) e a toada Aquarela cearense (Valdemar Ressurreição).

Na Continental, gravou Aquarela cearense em ritmo de samba e Boiadeiro (Armando Cavalcanti e Klécius Caldas). Para a Victor, gravou os LPs Um passeio com o Trio Nagô e Ouvindo o Trio Nagô.

Em 1956, o trio excursionou pela Europa, representando o Brasil na festa do conhaque e do café em Paris, França. Com a saída de Mário Alves, em 1962, o conjunto se desfez, sendo reorganizado meses depois, com a entrada de Manuel Batista.

Trio Nagô - Jornal das Moças de 1954


Fonte: Enciclopédia da Música Brasileira - Art Editora; Jornal das Moças, 1954.

Trio Surdina

O Trio Surdina surgiu em 1952, produzido por Paulo Tapajós, então diretor artístico da Rádio Nacional. Formado por Fafá Lemos (violino e solos de assobio), Chiquinho (acordeom) e ele próprio (violão), o trio gravou dois LPs de 10 polegadas, a convite de Nilo Sérgio, pela Musidisc.

Realizadas no próprio estúdio da Rádio Nacional, nessas gravações foram incluídos mais dois elementos no grupo, o contrabaixista Vidal e o ritmista Bicalho.

Lançado em 1953, o primeiro LP, Trio Surdina, trazia, entre outras, suas músicas O relógio da vovó (com Fafá Lemos e Chiquinho do Acordeom) e Duas contas (Garoto), e ainda Na madrugada (Nilo Sérgio).

Trio Mocotó


O conjunto instrumental Trio Mocotó foi formado em São Paulo SP por Fritz Escovão (Luís Carlos de Sousa, Rio de Janeiro RJ 1943—), Nereu Gargalho (Nereu de São José, Rio de Janeiro 1945—) e Joãozinho Paraíba (João Carlos Fagundes Gomes, São Paulo 1951—).

Fritz Escovão tocava cuíca desde menino e participara de regionais e escolas de samba; Nereu Gargalho começou a tocar pandeiro aos cinco anos foi componente do G.R.E S Império Serrano; Joãozinho Paraíba chegou a bateria através do jazz, embora também integre o Império Serrano, no Rio de Janeiro.

O trio organizou-se quando os sambistas se conheceram na boate Jogral, acompanhando outros artistas, mas a carreira começou mesmo ao lado de Jorge Ben, com o grande sucesso da apresentação de Charles Anjo 45, no IV FIC, da TV Globo, do Rio de Janeiro, em 1969.

O trio gravou, então, um compacto com a música Coqueiro verde (Roberto Carlos e Erasmo Carlos), partindo logo depois para Cannes, França, onde acompanhou Jorge Ben em sua apresentação no MIDEM. Seguiu para a Itália e em 1972 excursionou pelo Japão com grande sucesso.

De volta ao Brasil, acompanhou Vinícius de Moraes, Toquinho e Marília Medalha no circuito universitário por estes organizado, e depois seguiu para o México, onde fez temporada de dois meses.

O conjunto gravou, em 1973, um LP na RGE que incluía Maior é Deus (Felisberto Martins e Fernando Martins) e Desapareça (Fritz Escovão), realizando a partir de então numerosas apresentações em shows de boate ou com o cantor Jorge Ben.

Trio Melodia

O conjunto vocal Trio Melodia foi formado na Rádio Nacional do Rio de Janeiro RJ em 1943, a fim de suprir as necessidades do programa Um Milhão de Melodias. Era constituído por Paulo Tapajós, chefe de departamento da emissora e ex-integrante do duo Irmãos Tapajós, e pelos cantores Nuno Roland e Albertinho Fortuna, que continuaram suas carreiras paralelamente.

O trio gravou apenas na Continental e estreou em disco em 1945, com a toada De papo pro á (Joubert de Carvalho e Olegário Mariano) e o samba Pregões cariocas (João de Barro ).

Nuno Roland e Albertinho Fortuna também cantaram solos nas gravações do conjunto, caso de Nuno Roland no grande sucesso Lancha nova, marcha de João de Barro e Antônio Almeida, no Carnaval de 1950.

Entre os sucessos do trio, destacou-se o rojão Catirina (Jararaca), no mesmo ano. Até 1955 gravaram, em 78 rpm, 37 discos com 62 músicas.

Trio Madrigal

Edda, Lolita e Magda - 1950
O conjunto vocal Trio Madrigal era formado pelo maestro Alceu Bocchino na Rádio Mayrink Veiga, em 1946, com Edda Cardoso (Rio de Janeiro RJ 1925—), Magda Marialba (Rio de Janeiro 1921—), ex-integrante do coro clássico do Cassino da Urca, e Margarida Oliveira, irmã de Dalva de Oliveira, que, seis meses depois, retirou-se para casar, substituída por Lolita Koch Freire (Pernambuco 1915—), cantora de música sacra e de câmara.

Capaz de interpretar os mais difíceis e sugestivos arranjos, em 1947 o trio foi convidado pela Rádio Nacional a ocupar o lugar das Três Marias, que tinham se transferido para a Rádio Tupi. Em 1949 estrearam em disco, gravando na Continental com Ivon Curi a valsa Mademoiselle Hortensia (Louiguy e Jacques Plante). Em 1951 obtiveram sucesso com o baião Chuva miudinha (Manezinho Araújo e Fernando Lobo).

Cantavam em todos os programas da Rádio Nacional, sozinhas, acompanhando cantores ou junto com o Trio Melodia, com o qual gravaram 38 músicas. Os dois trios reunidos lançaram pela Continental seleções de grande sucesso: Cantigas de roda, Cantigas de São João e Cantigas de Natal (1951); Festa de São João (1952), com Almirante e Jorge Goulart Cantigas populares (1952) e Tudo é baião (1954). Cantigas de roda ganhou o prêmio de honra da Associação Brasileira de Discos.

No ano seguinte, o Trio Madrigal obteve o mesmo prêmio com o fox Bom-dia Mister Eco (Bill Pitman e Belinda Pitman), cuja gravação exigiu muitos ensaios e a criatividade do técnico Norival Reis, que idealizou uma câmara de eco. A partir da gravação da valsa Lili (Deutsche e Kaper), em 1953, Magda foi substituída por Yelda Tavares Gomes da Silva (Niterói RJ 1929—), soprano, que mais tarde cantaria óperas e daria recitais.

Gravaram até 1955, em 78 rpm, um total de 49 discos com 81 músicas, dentro de um repertório bem variado, que incluiu canções folclóricas, regionais e internacionais, bem como jingles. Em 1956 participaram do filme Tira a mão daí, de J. Rui. Nesse ano, o conjunto dissolveu-se.

Trio de Ouro

O conjunto vocal Trio de Ouro originou-se da Dupla Preto e Branco, formada em 1934 por Herivelto Martins e Francisco Sena (? - Rio de Janeiro RJ 1935), depois substituído por Nilo Chagas (Barra do Piraí RJ 1917 - Rio de Janeiro RJ 1973).

Em 1936 conheceram a cantora Dalva de Oliveira, quando ensaiavam para se apresentar no Cine Pátria, em São Cristóvão. Passaram, então, a se apresentar como Dupla Preto e Branco com a cantora Dalva de Oliveira, embora mantendo o nome da dupla.

Depois foram batizados por César Ladeira de Trio de Ouro, que lançou, em 1937, o primeiro sucesso, com o batuque Itaquari e a marchinha Ceci e Peri (ambas de Príncipe Pretinho), gravadas na Victor. Nesse ano, contratado pela Radio Mayrink Veiga, o trio atuou no programa de César Ladeira.

Em 1938, cantou na Rádio Tupi, do Rio de Janeiro. Nesse mesmo ano, casavam-se Dalva e Herivelto. Em 1940, o conjunto transferiu se para a Rádio Clube do Brasil, atingindo nessa década o auge do sucesso, com o lançamento de músicas como Ave Maria do morro (Herivelto Martins), em 1942, na Odeon, e Praça Onze (Herivelto Marfins e Grande Otelo), gravada para o Carnaval de 1942, na Columbia, com o cantor Castro Barbosa.

Em 1950, com o desquite do casal, o trio se desfez. Herivelto refez o trio com a cantora Noemi Cavalcanti (Cachoeiro de Itapemirim ES 1926 ), mas no ano de 1952 Noemi e Nilo Chagas passaram a atuar em dupla. Nesse ano, o Trio de Ouro reapareceu com nova formação: Herivelto, Raul Sampaio (Raul Coco, Cachoeiro de Itapemirim 1928—) e Lourdinha Bittencourt (Lourdes Bittencourt, Campinas SP 1928—Rio de Janeiro RJ 1979).

Sua estréia foi marcada pela regravação de antigo sucesso, Ave Maria no morro, na Victor. Assinou contrato com a Rádio Nacional, do Rio de Janeiro, onde permaneceu por dois anos. Excursionou pelo Norte do país, Minas Gerais e São Paulo. Fez temporadas na Argentina, Chile, Uruguai e Peru.

O trio atuou também, por longo tempo, como atração da Rádio Clube de Pernambuco e lançou, na Victor, musicas carnavalescas, como os sambas Noite enluarada (Herivelto Martins e Heitor dos Prazeres) e Sereno (Herivelto Martins e Nelson Gonçalves), gravado na Victor, em 1952, ao lado do cantor Nelson Gonçalves.

Gravou ainda a guarânia Índia (J. A. Flores e M. O Guerrero, versão de José Fortuna); o baião Caboclo abandonado (Herivelto Martins e Benedito Lacerda), a catira História cabocla (Herivelto Martins e Jose Messias), a rancheira Festa no Sul (Raul Sampaio e Rubens Silva), Negro telefone (Herivelto Martins e David Nasser), todos na Victor, em 1953; Saudades de Mangueira (Nelson Trigueiro e Bartolomeu Silva), Me deixa em paz (Jovelino Marques), ambas na Victor, para o Carnaval de 1954, e Boca fechada (Lupicínio Rodrigues), também na Victor em 1954.

Em 1957 o trio foi novamente dissolvido, por problemas de saúde da cantora.

CD Trio de Ouro, 1994, Revivendo RVCD 054.