segunda-feira, 6 de agosto de 2007

Quantas lágrimas

Em setembro de 1970, a RGE lançou o antológico elepê Portela, passado de glória, produzido por Paulinho da Viola, no qual a Velha Guarda de Portela registrou uma seleção de composições de seus mais ilustres integrantes. Uma das faixas do disco era o samba “Quantas Lágrimas”, de Manacéia (Manacéia José de Andrade), que com os irmãos Aniceto e Mijinha, também sambistas históricos, pertenceu ao núcleo que fundou o Grêmio Recreativo Escola de Samba da Portela.

Quatro anos depois, incluído pela cantora Cristina, irmã de Chico Buarque, em seu elepê de estréia, “Quantas Lágrimas” tornou-se o grande sucesso do disco. Com sua letra romântico-ingênua (“Ai, quantas lágrimas eu tenho derramado / só em saber que não posso mais / reviver o meu passado...”) e uma melodia bem ao estilo da dupla Alcebíades Barcelos-Armando Marçal, que representa o que de melhor se fez em matéria de samba na década de trinta, a composição ficou conhecida do público “uns vinte anos depois de pronta”, segundo o autor.

A boa gravação de Cristina tem no acompanhamento músicos como César Faria e trio de percussionistas Elizeu, Luna e Marçal. Manacéia morreu em 10 de novembro de 1995 (A Canção no Tempo – Vol .2 – Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello – Editora 34).

Quantas lágrimas (samba, 1974) - Manacéia
G                                E7
Ah, quantas lágrimas eu tenho derramado
Am               D        Am   D           G   G7
Só em saber que não posso mais reviver    o meu passado
E7                   Am      G°        G     E7
Eu vivia cheio de esperança   e de alegria
Am     D      G
Eu cantava,  eu sorria
G7                 C
Mas hoje em dia eu não tenho mais
Am    D7               G
A alegria dos tempos atrás
G7                 C
Mas hoje em dia eu não tenho mais
Am   D7                 G
A alegria dos tempos atrás

D                    G
Só melancolia os meus olhos trazem
D                Bm
Ai, quanta saudade a lembrança faz
F           E7         Am
Se houvesse retrocesso na idade
A7                D7
Eu não teria saudade da minha mocidade
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