sábado, 27 de janeiro de 2007

O amor é o meu país

Ivan Lins e Ronaldo Monteiro
O amor é o meu país (1970) - Ivan Lins e Ronaldo Monteiro de Souza
[Intro:] E9 D9 C9 D9
       E         E7M    E7M(6) E7M
Eu queria, eu queria, eu queria
D9/F#   E7     B/A A A#º
Um segundo lá no fundo de você
E/B   C#m7(9)        E/D D D/E E7
Eu queria me perder, ah! me perdoa
F7M(9)  F/G  G7     C9
Porque eu ando a toa sem chegar
G/C  C   F/G    G7(13)            C7M G/C C
Quão mais longe se torna o cais, lindo é voltar
F/G     G7(13)     C7M
É difícil meu caminhar, mas vou tentar
B7(4)   B7
Não importa qual seja a dor,
E7M/B
Nem as pedras que eu vou pisar
Bbm7(b5)        D#7(b9)
Não me importa se pra chegar
G#m7M G#m7/F#
Eu sei, eu sei
Fm7(b5)    E7M
De você fiz o meu país
B9/D#   C#m7     B9/D#  E7M E/F#
Vestindo, festa e final feliz
    B9 F#/B A/B B7
Eu vi, eu vi
E7M B9/D# C#m7
O amor
E/F# F#9/Bb
É o meu país
B9 F#/B A/B B7
Sim, eu vi
E7M B9/D# C#m7
O amor
E/F# B9 A9 G9 A9 B9
É o meu país

Somos todos iguais nesta noite

Somos todos iguais nesta noite (1977) - Ivan Lins e Vítor Martins
Tom: F#7/9+
F#7/9+        Bm7/9          Am7/9
Somos todos iguais nesta noite
D7/9      G7+     C7+    F#7/9+
Na frieza de um riso pintado
Gm7/9    C7/13   C#m7/5-
Na certeza de um sonho acabado
F#7/9-   Bm7/9   F#7/9+
É o circo de novo
Bm7/9          Am7/9
Nós vivemos debaixo do pano
D7/9    G7+      C7+    F#7/9+
Entre espadas e rodas de fogo
Gm7/9     C7/13   C#m7/5-
Entre luzes e a dança das cores
F#7/9-  Bm7/9   B7/5+
Onde estão os atores
Em7/9     A7   D7+          B7/5+
Pede a banda pra tocar um dobrado
Em7/9     A7    D7+         B7/5+
Olha nós outra vez no picadeiro
Em7/9     A7   D7+          B7/5+
Pede a banda pra tocar um dobrado
Em7/9     A7     D7/4    F#7/9+
Vamos dançar mais uma vez
Bm7/9             Am7/9
Somos todos iguais nesta noite
D7/9   G7+        C7+    F#7/9+
Pelo ensaio diário de um drama
Gm7/9      C7/13   C#m7/5-
Pelo medo da chuva e da lama
F#7/9-   Bm7/9   F#7/9+
É o circo de novo
Bm7/9          Am7/9
Nós vivemos debaixo do pano
D7/9      G7+       C7+    F#7/9+
Pelo truque malfeito dos magos
Gm7/9   C7/13   C#m7/5-
Pelo chicote dos domadores
F#7/9-     Bm7/9   B7/5+
E o rufar dos tambores
Em7/9     A7   D7+          B7/5+
Pede a banda pra tocar um dobrado
Em7/9     A7    D7+         B7/5+
Olha nós outra vez no picadeiro
Em7/9     A7   D7+          B7/5+
Pede a banda pra tocar um dobrado
Em7/9      A7     D7/4    F#7/9+
Vamos entrar mais uma vez

Meu país

Meu país (1993) - Ivan Lins e Vítor Martins
Intro: ||A E7/4|A E7/4|A E7/4|A E7/4||

 A      E7/4  A  E7/4
Aqui é o meu país
    A     E7/4    A   E7/4
No seio da minha amada
    A    E7/4   A E7/4
Nos olhos da perdiz
   G#m7(5b)   C#7(b9)      E/D D7M
Na lua    na in-------vernada
     Ebm7(5b)    G#7/13-     C#m7        F#7/13-  
Nas trilhas,  estradas  e veias que vão
   Bm7    E7/4    A E7/4 
Do céu ao cora---ção
 A      E7/4  A E7/4
Aqui é o meu país
   A      E7/4       A    E7/4
De botas, cavalos, estórias
   A    E7/4    A E7/4
De yaras e    sacis
 G#m7(5b)     C#7(b9) E/D    D7M
Violas    cantando  glórias
  Ebm7(5b)     G#7/13-    C#m7     F#7/13-  
Vitórias,  ponteios  e desa---fios
   Bm7     E7/4    A E7/4
No peito   do  Brasil
 A      E7/4  A E7/4
Aqui é o meu país
     A        E7/4    A   E7/4
Dos sonhos sem cabi---mento
 A         E7/4 A   E7/4 
Aqui sou um passarim
       G#m7(5b) C#7(b9)  E/D   D7M
Que as penas estão por dentro
    Ebm7(5b)   G#7/13-    C#m7       F#7/13-  
Por isso aprendi   a cantar,  cantar
 Bm7    E7/4  A  E7/4
Voar, voar, voar
   Dm7(9)    Dm7/9/E 
Me diz,    me diz
     F7M    G7/4    Bm7(9)    A/C# D7M E7/4  bis
Como ser  feliz em outro     lugar

Novo tempo

Novo tempo (1998) - Ivan Lins e Vítor Martins
Tom: (A9 A7+ G/A D9/F#) 2x

         A9      A7+          G/A
No novo tempo, apesar dos castigos
  D9/F#    A7+     
Estamos crescidos, 
          C#m7/9               F#m7/9
 estamos atentos, estamos mais vivos
           Bm7     G#m5-/7  C#7/9-   F#m    D#m5-/7 D9/F#
Pra nos socorrer, pra nos socorrer, pra nos socorrer
         A9      A7+        G/A
No novo tempo, apesar dos perigos
  D9/F#        A9                 C#m7/9             F#m7/9
Da força mais bruta, da noite que assusta, estamos na luta
         Bm7     G#m5-/7  C#7/9-  F#m  D#m5-/7 D9/F#
Pra sobreviver, pra sobreviver, pra sobreviver

| D/E   E/D         D7+    E/D               D7   A/C#
| Pra que nossa esperança seja mais que a vingança
|                   F#4/7  F#7    B/A       (C#7+ F#/C#) E7+ D/E
| Seja sempre um caminho que se deixa de herança

         A9      A7+          G/A
No novo tempo, apesar dos castigos
         A/E                C#m7/9             F#m7/9
De toda fadiga, de toda injustiça, estamos na briga
           Bm7     G#m5-/7  C#7/9-   F#m    D#m5-/7 D9/F#
Pra nos socorrer, pra nos socorrer, pra nos socorrer
         A9      A7+        G/A
No novo tempo, apesar dos perigos
D/A           A/E             C#m7/9             F#m7/9
De todos os pecados, de todos enganos, estamos marcados
         Bm7     G#m5-/7  C#7/9-  F#m  D#m5-/7 D9/F#
Pra sobreviver, pra sobreviver, pra sobreviver

         A9      A7+          G/A
No novo tempo, apesar dos castigos
D/A         A/E             C#m7/9             F#m7/9
Estamos em cena, estamos nas ruas, quebrando as algemas
           Bm7     G#m5-/7  C#7/9-   F#m    D#m5-/7 D9/F#
Pra nos socorrer, pra nos socorrer, pra nos socorrer
         A9      A7+        G/A
No novo tempo, apesar dos perigos
             A/E               C#m7/9           F#m7/9
A gente se encontra cantando na praça, fazendo pirraça
         Bm7     G#m5-/7  C#7/9-  F#m  D#m5-/7 D9/F#
Pra sobreviver, pra sobreviver, pra sobreviver

Começar de novo

Cantora Simone
Convidados a criar um tema musical para a série “Malu Mulher”, estrelada por Regina Duarte, na TV Globo, Ivan Lins e Vitor Martins compuseram “Começar de Novo”, uma grande canção. O assunto liberação, vida nova de uma mulher recém-separada que tenta sair de uma condição de dependência, foi habilmente desenvolvido por Vitor, podendo ser aplicado a qualquer pessoa, independendo de sexo: “Começar de novo e contar comigo / vai valer a pena ter amanhecido / ter me rebelado, ter me debatido / ter me machucado, ter sobrevivido / ter virado o barco, ter me conhecido...”

Ivan completou a música em menos de duas horas, sobre uma letra que o parceiro ainda pretendia alongar, mas teve que deixar como estava, em virtude da data de estréia da série. Faltava então escolher a cantora: Nana Caymmi acabara de gravar “Velas Içadas”, Elis pretendia gravar “Moças” (o que acabou não acontecendo) e Simone gravara “Saindo de Mim”, num disco praticamente concluído, sendo todas essas músicas de Ivan e Vitor.

Ao ser procurada, Maria Bethânia não quis nem ouvir “Começar de Novo”, pois, estando com o repertório de seu novo disco definido, “não podia se arriscar à tentação de ter que mudá-lo”. O jeito foi retornar a Simone e convencê-la a gravar às vésperas da estréia de “Malu Mulher”. Graças à mencionada sutileza do tratamento dado por Vitor Martins, a canção teve êxito tanto na interpretação de Simone (disco Pedaços), como na do próprio Ivan Lins, gravadas quase que simultaneamente, com arranjos diferentes de um mesmo músico, o tecladista Gilson Peranzzetta.

Foi também gravada no exterior por Patti Austin e Sarah Vaughan, com o título de “Island”. Ao ouvir “Começar de Novo” na voz de Simone, Maria Bethânia confessou aos autores que, a partir de então, “jurava jamais considerar fechado o repertório de um disco seu” (A Canção no Tempo – Vol. 2 – Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello – Editora 34).

Começar de novo (1979) - Ivan Lins e Vítor Martins
   Em7/9
Começar de novo
 G/A        A7/13
E contar comigo
C/D           Cm/D
Vai valer a pena
G7+/9      C7+/9 
Ter amanhecido
F#7/9/11+     Bb7/9/11+ 
 Ter me rebelado
Fm7/9        Bb7/9/11+
Ter me debatido
Eb7+        Dm7/9 G5+/7
Ter me machucado
Cm7+/9 Cm7/9 Eb/F F7/9
 Ter sobrevivido
G#/Bb         C#/Eb   Eb7/9-
Ter virado a mesa
G#7+/9 C7/9+ Fm7/9 C#m7/9
Ter me conhecido
Dm7/9        G5+/7
 Ter virado o barco
C7+/9          E/F# B7/9-
 Ter me socorrido
Em7/9
Começar de novo
 G/A        A7/13
E contar comigo
C/D           Cm/D
Vai valer a pena
G7+/9      C7+/9
Ter amanhecido
F#7/9/11+     B6/9-
 Sem as tuas garras
Fm7/9        Bb7/9/11+
Sempre tão seguras
 Eb7+      Dm7/9 G5+/7
Sem o teu fantasma
Cm7+/9 Cm7/9 Eb/F F7/9
Sem tua moldura
 G#/Bb      C#/Eb Eb7/9-
Sem tuas escoras
 G#7+/9 C7/9+ Fm7/9 C#m7/9
Sem o teu domínio
Dm7/9      G5+/7
Sem tuas esporas
C#7+/9        F/G C7/9-
Sem o teu fascínio
 Fm7/9
Começar de novo
 G#/Bb        Bb7/13
E contar comigo
 C#/Eb         C#m/Eb
Vai valer a pena
G#7+/9       C#7+/9
Ter amanhecido
 G7/9/11+     C6/9-
Sem as tuas garras
F#m7/9        B7/9/11+
Sempre tão seguras
E7+        Ebm7/9 G#5+/7
Sem o teu fantasma
C#m7+/9 C#m7/9 E/F# F#7/9
Sem tua moldura
A/B    D/E E7/9-
Sem tuas escoras
A7+/9 C#7/9+ F#m7/9 Dm7/9
Sem o teu domínio
Ebm7/9       G#5+/7
Sem tuas esporas
D7+/9        F#/G# C#7/9-
Sem o teu fascínio
 F#m7/9
Começar de novo
 A/B     B7/13
E contar comigo
 D/E      Dm/E
Vai valer a pena
A7+/9          D6/9 Dm6/9
Já ter te esquecido
A/E C#/F   F#m7/9
Começar de novo...

Bilhete

Bilhete (1980) - Ivan Lins e Vítor Martins

A7+                   D/E
Quebrei o teu prato, tranquei o meu quarto
C#5+/7     F#m7+ F#m7 F#m6
Bebi teu licor
D/E              E/G
Arrumei a sala, já fiz tua mala
B/C#  F#m7
Pus no corredor
F#m/E       D7+                   D#m7/9
Eu limpei minha vida, te tirei do meu corpo
G#5+/7      A/C#   F/C
Te tirei das entranhas
C7+       Bm7/9
Fiz um tipo de aborto
D6/7      G#m5-/7  C#5+/7       F#m7+ F#m7 Fm7
E por fim nosso caso acabou-se, está morto
A7/9     F#/D D              D#m7/9
Jogue a cópia da chave por debaixo da porta
G#5+/7         A/C# F/C
Que é pra não ter motivo
C7+        Bm7/9
De pensar numa volta
D6/7      G#m5-/7
Fique junto dos teus
C#5+/7  F#m7+ F#m7
Boa sorte, adeus

Abre alas

“Divido a minha carreira em duas fases, antes e depois de Vitor Martins”, costuma dizer Ivan Lins a respeito do parceiro, com quem passou a compor a partir de 1974. A verdade é que ele vinha de uma crise séria, quando descobriu Martins e readquiriu o entusiasmo para prosseguir em sua carreira.

Causara a crise as críticas que recebera por sua atuação no programa “Som Livre Exportação”, da TV Globo, considerado alienante numa época de forte patrulhamento ideológico. “Abre Alas” foi assim a primeira canção da dupla, lançada em maio de 74 no elepê Modo livre, que marcou a estréia do compositor na RCA.

Tudo começou quando, ao procurar aliviar suas tensões, Ivan passou a pescar com Martins, um entendido em pescarias, que trabalhava em editoras musicais. Um dia, sabendo-o letrista esporádico, Ivan entregou-lhe uma melodia gravada em fita cassete, pedindo-lhe para letrá-la, sem maior compromisso. Devia-se a proposta ao fato de Ronaldo Monteiro de Souza, seu parceiro original, não gostar de fazer versos para melodias prontas, preferindo ter os seus poemas musicados.

Superando a expectativa do amigo, Vitor Martins compôs então uma bela letra contra a repressão política vigente, poeticamente disfarçada em versos de impressionante maturidade, que complementaria a melodia de Ivan, concebida como sempre sobre originais concepções harmônicas: “Abre alas pra minha folia / já está chegando a hora / abre alas pra minha bandeira / já está chegando a hora / apare teus sonhos / que a vida tem dono / ela vem te cobrar / a vida não era assim / (...) / não corra o risco / de ficar alegre / pra nunca chorar...”

Ao revelar um entrosamento só alcançado em raras parcerias, o texto desta canção, e de outras que se seguiram, mostra uma identificação perfeita do poeta com o compositor. Gravada com o característico piano percutido de Ivan Lins, “Abre Alas” puxou o sucesso desse disco, tendo recebido, ainda em 74, uma boa versão do Quarteto em Cy. Com o título de “Smiling Hours”, foi uma das nove composições escolhidas por Sarah Vaughan para o seu álbum Brasil exclusivamente (A Canção no Tempo – Vol. 2 – Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello – Editora 34).

Abre alas (1974) - Ivan Lins e Vítor Martins
F#m            B7
Abre alas pra minha folia
   C#m 
Já está chegando a hora
F#m            B7
Abre alas pra minha bandeira
   C#m
Já está chegando a hora
 A7+           Bb7                   G#m
Apare os teus sonhos que a vida tem dono
               C#m
E ela vem te cobrar
             F#m     B7        E7+
A vida não era assim, não era assim
A7+          Bb7       G#m
Não corra o risco de ficar alegre
           C#m
Pra nunca chorar
            F#m       B7        E7+
A gente não era assim, não era assim
...
A7+            Bb7                 G#m
Encoste essa porta que a nossa conversa
          C#m
Não pode vazar
           F#m       B7        E7+
A vida não era assim, não era assim
 A7+       Bb7             G#m
Bandeira arriada, folia guardada
            C#m
Pra não se usar
             F#m     B7          E7+
A festa não era assim, não era assim

Ivan Lins

Ivan Guimarães Lins nasceu no Rio de Janeiro RJ em 16 de Junho de 1945. Filho do militar Geraldo Lins e de Leia Guimarães Lins. Aos dois anos de idade, mudou-se com a família para Massachusetts, EUA, ai permanecendo por três anos.

De volta ao Brasil, foi matriculado no Colégio Militar, onde, aos 12 anos, teve seu primeiro contato com a música, por intermédio da banda do colégio. Aos 18 anos, aprendeu piano de ouvido, passando a tocar jazz e bossa nova.

Em 1968, chegou a final do Festival Universitário da TV Tupi com a musica Até o amanhecer (com Valdemar Correia). Formou-se em química industrial pela UFIU em 1969. Nesse mesmo ano, Elis Regina gravou com enorme êxito a canção Madalena (com Ronaldo Monteiro); e, em 1970, obteve o segundo lugar no V FIC cantando O amor é o meu país (com Ronaldo Monteiro), música usada nos aviões da Varig na subida a bordo dos passageiros de vôos internacionais. Por essa época, foi convidado, com Aldir Blanc, Gonzaguinha e outros, para comandar o programa Som Livre Exportação, da TV Globo.

Em 1974 lançou o álbum Modo livre, pela RCA, com o sucesso Abre alas, que inaugurava a parceria com o letrista Víctor Martins. No ano seguinte, ainda pela RCA, lançou Chama acesa. Em 1977 conseguiu outro grande sucesso com a música Somos todos iguais nesta noite (com Víctor Martins), lançada em disco homônimo pela Odeon.

No ano seguinte, lançou o LP Nos dias de hoje e, em 1979, A noite, ambos pela Odeon. No inicio da década de 1980, sua música Começar de novo (composta em 1979, com Víctor Martins) obteve êxito na interpretação de Simone. Na mesma ocasião, fez sucesso com o LP Novo tempo (Odeon). Transferiu-se em 1981 para a Polygram e lançou o disco Daquilo que eu sei. Dois anos depois, gravou o LP Depois dos temporais (Polygram).

A partir de 1985, passou a gravar nos EUA e a realizar tournées internacionais. A repercussão alcançada o levou a criar uma editora nos EUA, a Dinorah Music, ligada a produtora de Quincy Jones. Com o reconhecimento internacional, suas músicas foram gravadas por George Benson, Sarah Vaughan, Ella Fitzgerald, entre outros.

Em 1989 gravou pela WEA o disco Love dance, todo em inglês. Nesse mesmo ano, lançou no Brasil o disco Amar assim (Polygram). Ao comemorar 20 anos de carreira, em 1990, realizou uma tourneé pelo Brasil e lançou o disco Ivan Lins: 20 anos (Som Livre).

Criou em 1991 a gravadora Velas, graças ao amigo, parceiro e sócio Victor Martins, com o objetivo exclusivo de lançar novos talentos e de resgatar as raízes da musica brasileira. Como produtor e empresário, lançou cantores como Chico César, Lenine e Belô Veloso.

Em 1993 lançou no Brasil e nos EUA, Japão e Europa, o CD Awa Yio, todo em parceria com Victor Martins, tendo a música Meu país obtido grande sucesso. Em 1995 lançou o CD Anjo de mim (Velas), uma vez mais com músicas em parceria com Victor Martins. No ano seguinte, gravou com a banda Irakere o disco Ao vivo em Cuba. Em 1997 lançou o CD duplo Vivanoel - Tributo a Noel Rosa (Velas), com a participação de diversos convidados.

Algumas músicas cifradas:


Fonte: Enciclopédia da Música Brasileira - Art Editora e PubliFolha

Lúcio Cardim

Houve um tempo no qual as madrugadas paulistanas tinham mais estrelas na terra que no céu. A música - sempre de qualidade - temperava a alegria das pessoas e a felicidade se traduzia em sorrisos, amores, amigos.

As portas eram sempre abertas pela simpatia do Souza (casa de qualidade tinha que tê-lo na recepção) e vozes como as de Pedro Miguel, Fabião, Geraldo Cunha, Adauto Santos, Luiz Carlos Paraná, Roberto Luna, José Domingos, Noite Ilustrada, Cláudia Barroso, Ana Maria Brandão, Ellen Blanco - entre tantas - tornavam as conquistas mais fáceis, os romances mais bonitos.

O violão de Makumbinha; os pianos de Mário Edson e Moacir Peixoto; o pistão de seu irmão Araken; o contrabaixo de mil histórias de Xu Viana, representavam os músicos que sublinhavam talentos com seus sons.

De Santos - nas pegadas de Mauricy Moura - subiu um rapaz, compositor e cantor, que somaria seu brilho às vozes noturnas. Romântico e boêmio, como de lei, Lúcio Cardim era dono de uma história pitoresca.

Autor de Matriz e filial, composta na linha dor-de-cotovelo de Lupicínio Rodrigues ("Quem sou eu / pra ter direitos exclusivos sobre ela ? / se eu não posso sustentar os sonhos dela / se nada tenho, e cada um vale o que tem…"), dizia sempre que ganhava mais dinheiro com apostas, que com direito autoral. Acontece que os leigos acreditavam piamente ser a música de Lupicínio e só acreditavam ser Lúcio o autor depois de conferir nos discos. Aí era tarde, tinham que pagar a aposta.

Mas Lúcio tinha um sem número de coisas bonitas, uma bagagem que fazia dele um dos principais compositores românticos de sua geração. Êta Dor de Cotovelo é um dos melhores exemplos, sempre na linha lupiciniana, somava-se aos versos clássicos de Obra Prima (Levar você de mim é muito fácil / Difícil é fazer você feliz…"), entre tanta coisa que fazia a delícia da boêmia, embora não o transformasse em grande vendedor discos.

Suas tiradas filosóficas, suas soluções harmônicas, seus versos certeiros como flechas, garantiram a ele um lugar permanente não apenas entre os notívagos, mas na própria história da música popular brasileira, naquilo que lhe foi tão característico entre os anos 50 e 70.

Arley Pereira - MPB ESPECIAL - 12/3/1975

“Aqui em São Paulo havia um dos maiores letristas que já conheci, mas não era muito boêmio. Bebia café, água mineral, outras perfumarias. De não beber, morreu de cirrose. Este é o meu catecismo: quem bebe morre, quem não bebe morre também. Por isso de vez em quando dou um tapa no beiço.” Jamelão falando do seu amigo, parceiro e compositor, antes de interpretar Matriz e Filial, composição de Cardim.