segunda-feira, 9 de julho de 2007

Luiz Vicentini


O cantor, compositor e violonista Luiz Vicentini nasceu na cidade de Itajaí – SC em 16/08/1962. Autodidata, aprendeu a tocar violão aos doze anos de idade, em um colégio interno, onde ficou por quatro anos e onde compôs suas primeiras canções. Quando deixou o colégio, no final do ano de 1978, com dezessete anos de idade, participou de vários festivais em sua cidade e região, recebendo destaque por suas composições, conquistando assim sua melhor premiação: a confiança para compor cada vez mais, aprimorando seus versos com histórias cantadas com paixão e cercadas de poesia.

Nas duas décadas posteriores têm contato com os músicos Zé Geraldo, Alceu Valença, Oswaldo Montenegro, Belchior, Zé Ramalho, Fagner e outros dessa geração de grandes compositores. Nestas canções que Vicentini recebe toda a influência musical e encontra sua identidade. Toda sua inspiração vem à tona, num ímpeto de criação musical, compondo canções em vários estilos, buscando o seu caminho.

Em 1999, entre 140 composições de sua autoria, escolhe algumas para gravar seu primeiro CD, "Styllos", (produção independente), o qual tem a música Meu violão e eu, classificada na fase estadual, para o Programa "Novos Talentos", do programa do Faustão (Rede Globo).

Incentivado por inúmeros elogios recebidos por esse primeiro trabalho, reúne treze canções de seu vasto repertório e parte para o segundo CD, também independente, intitulado Um dia a gente se vê.

Em 2000 conhece pessoalmente dois de seus maiores ídolos da MPB: Oswaldo Montenegro e Zé Geraldo, pra quem mostra algumas de suas canções, convidando-os a participarem de seu novo CD, o que de fato acontece, tendo a belíssima interpretação de Oswaldo na canção Que eu ame, e o carisma de Zé Geraldo em Um dia a gente se vê, ambas de autoria de Luiz Vicentini. Este CD também conta com a participação da cantora e compositora Nana Toledo, talento regional, em Sem medo, e o Coral da Fundação Universitária de Blumenau - FURB, em Passarinhos, sob a regência do maestro Eusébio Kohler.

Lançado no ano de 2002 , Um dia a gente se vê contém um clip com Luiz e Zé Geraldo, bem como o making-off da gravação. Neste CD, percebe-se ainda mais sua afinidade e perseverança com as raízes daqueles que o influenciaram, tornando presente em suas canções aquela que seria sua marca mais forte: o conteúdo expressivo de suas letras em melodias simples, traduzindo a vida em seu cotidiano, com o requinte da poesia em sua essência.

Em 2004, lança o DVD do show Um dia a gente se vê, gravado ao vivo no Galpão das Artes, em Itajaí - SC.

No dia 31 de Maio de 2007, no palco do Teatro Carlos Gomes, em Blumenau - SC apresenta para seu público seu mais recente trabalho, intitulado Novas Canções, um CD que reúne quatorze músicas de sua autoria, incluindo duas 'faixas interativas', nas quais participam o exímio guitarrista Jean Trad e a intérprete Nana Toledo. Para valorizar ainda mais esse novo trabalho e deixá-lo mais eclético, é que apresenta também, grandes talentos como Louise Lucena, Renato Borghetti e coral da Univali.

CDs

Styllos (1999); Um dia a gente se vê (2002); Novas Canções (2007).



(Publicação dedicada a todos os fãs deste grande artista itajaiense, em especial a Larissa Carla Coelho pela sugestão).

Toda vez que canto

Luiz Vicentini

C
Cantar,
E
Se canto é porque preciso
F
Deixar que minha alma beba
C
Um pouco de cada canto,
G
Um pouco dessa magia,
F
Que habita em cada verso,
C
Confesso que me fascina
G             C
Toda vez que canto.

Expresso todo o sentimento que há,

Que existe em tantas melodias,

Em cada pauta que a orquestra

Com maestria vai compondo

No que ainda resta do silêncio,

A mais bela das sinfonias,

Toda vez que canto,

Toda vez que...

Luzes de neon

Luiz Vicentini
       D
Quero saber se você vem, se voce vai,
E-
Sei que preciso desse amor.
G
Quero saber se você vem ficar comigo,
D
Que me venha como for.
       F#
Quero saber se você vem de manhanzinha,
B-
Pra gente ganhar a rua e ver o sol nascer;
E                
Quero saber se você tem tanta coragem
A
Pra  seguir viagem e sair por aí.
          G
Vou aprender a te gostar de qualquer jeito,
D
Tiro os defeitos, fico só com o que é bom.
E
Vou apagar todas as luzes da cidade,
A
E escrever teu nome em luzes de néon.

Côco de Maracatú

Luiz Vicentini
   D
E leva o côco de maracatú,
E-
E leva a dança do Pernambucano.
G
E o trem que passa pelo trilho
D
Conduzindo todo o pessoal.
    D
Se fosse levar com um caminhão,
E-
Ou a cavalo, pelas campinas,
G
Não se chegaria a tempo não,
D
Pois não haveria tempo pra mais uma corrida.
E o trem no matagal entrou sozinho,
E o teu olhar, num brilho se fechou.
O apito e a fumaça negra
Saindo da boca...
E nisso o trem já desaparecia,
E a espora no cavalo se ferrava,
E o cavaleiro que andava solto
Não viu mais o trem que subia a colina.
E finalmente o trem entra no Mato Grosso,
Trazendo o côco de maracatú,
E no canto e na dança do Pernambucano
Se canta e se dança com todo o pessoal.
De norte a sul se leva o côco de maracatu,
Se traz o canto do pernambucano;
E o trem lotado que chegou do Mato Grosso, assim,
Trazendo de longe os meninos do canto.

Da semente à raiz

Luiz Vicentini
              C
Eu agora vou cantar em verso e prosa,
G
As coisas boas que a natureza nos diz;

O bem que nos faz as folhas, frutos e rosas,
C
As ervas que vêm e vão da semente à raiz.
Essa história começa há muito, muito tempo atrás,
G
Quando a água e o solo somente supriam o homem.

Quando ainda nem havia farmácia com PH,
C
E nem, sequer, se ouvia notícia de gente morrendo de fome.
                                 D
No tempo que os índios curavam usando poções e mistérios,
F                                  G
E toda a tribo falava com Deus, fazendo sinais de fumaça.
C                               D
Momento que a história preserva e conta através dos milênios,
F                          G
Em cada grão, cada semente, todo o segredo que a vida guarda.
 C                    D
Hoje a ciência já está bem mais consciente de que há
F                           G
Razão pra medicina popular, andar lado a lado, sempre mais;
C                                D
Com a tecnologia há de criar uma parceria pra se encontrar
F                            G
Em cada povo, em cada praça, em cada rosto, em cada raça,
F                     
E cultivar toda a cultura,
G                  C
a pura essência das ervas medicinais.
F                    
E cultivar toda a cultura,
G                       C
a pura essência que há nas ervas medicinais.

Tio Duda

Luiz Vicentini
                  C
Sob a sombra da figueira apeava da égua Pampa;
G
Preparava a fogueira, enquanto a tarde ainda caía.
F                                    C
Reunia a peãozada ao som de moda de viola,
G
Contava boas e velhas histórias,
F          G          C
Nas tantas cavalgadas que fazia.
Em sua simplicidade e com alma de um poeta,
Quis bondade e alegria transformada em verso e prosa.
Fez da vida sua escola, e sua casa : a natureza,
Como a luz de um lampião com sua beleza,
Mantém acesa a chama vida afora.
F                                            C
Este homem ainda hoje é quem conduz toda a boiada,
G
É quem está com as mãos nas rédeas, nessa estrada,
F            G       C       C7
Que somente os olhos da alma podem perceber agora...
F                                            C
E onde houver boas histórias e peões de boiadeiro
G
Ao redor de uma fogueira, cavalgadas, violeiros,
F         G        C           C7
Tio Duda vai estar pra sempre.
(Tio Duda vai estar com a gente).

Sem eira, nem beira

Luiz Vicentini
  C                      G           F     G      C
Água mole em pedra dura, tanto bate até que fura.
C                G 
Não se dá murro em ponta de faca,
Gº                 A-
nem se cutuca onça com vara curta,
F            C 
Nem se dá nó em pingo d’água,
G                  C
o que arde cura, o que aperta segura.
C              G  
Quem cochicha o rabo espicha,
Gº             A-
pra quem vê cara, não vê coração,
F               C  
Quem não arrisca, não petisca,
G             C
a pressa é inimiga da perfeição.
Pobre é cachimbo, só leva fumo,
é como parafuso, só vive apertado,
Só vai pra frente quando tropeça,
enche a barriga se morre afogado.
Não há bem que pra sempre dure,
nem há mal que nunca se acabe,
Nem sempre, quem cala consente,
quem semeia vento colhe tempestade.
Quem não tem cão, caça com gato,
e quem espera sempre alcança,
É tudo farinha do mesmo saco,
relógio que atrasa não adianta.
Aqui se faz, aqui se paga,
toda cara feia, pra mim, é só fome,
Pois se correr o bicho pega,
mas se ficar o bicho também come.
Tu nunca viu, cara de pavio?

A saudade

Luiz Vicentini
    C                       C7
Às vezes a saudade mata,
F
Às vezes, a saudade engana.
G
Quando bate em nossa porta,
F
A gente vê que ainda ama.
C C7
Quando a saudade vai embora,
F
E nem sequer nos telefone,
G
Daí, então, a gente grita e chora,
F
Rolam as lágrimas e o coração reclama.
Às vezes a saudade aperta,
Outras vezes, nos parece estranha,
Quase sempre chega em hora incerta,
Desperta o sono e nos tira da cama.
Quando a saudade, à noite, aflora,
E traz à tona todas as boas lembranças,
Daí, então, a gente vê velhas histórias,
O tempo pára lá nos bons tempos de criança.
Às vezes a saudade é boa,
Quando parte, sem levar sua bagagem,
A gente então fica sorrindo à toa,
Porque percebe que será breve essa viagem.
Saudade vai e vem a todo instante,
Há quem cante pra espantar toda saudade;
Não tem jeito, vai estar sempre presente.
A gente bem sabe, não dá pra viver sem ter saudade.

Essa menina

Luiz Vicentini
E                      B
É cor de rosa o cheiro que tu espalha,
B7
Tão quente que nem fornalha,
E
Tão prosa que nem jasmim.
E                         B
É flor dengosa, que passa e nem me dá bola,
B7
Me olha e nem me namora,
E      E7
Me deixa só mais a fim.

A                        E
Essa menina é fogo de lenha em brasa,
B7                        E
Quando me abraça, aperta mais que nó de laço.
A                        E
Essa menina tem jogo, jeito e pirraça,
B7                          E
Cheia de graça, beija e me deixa em pedaços.
A  E  B7  E

Lua velha

Luiz Vicentini
       D                        
A lua velha no sertão é bem melhor
A
que um lampião de aguardente;
G    
Aquece o coração,
Gº             D
iluminando a vastidão dessa planície.
B-   
Lá vem o caminhão,
A
tão conhecido pau-de-arara, com aqueles homens;
F#                            
Lá vai o sol, levando o céu pra escuridão,
B-
por quê de mim se esconde.
F#                
Traga amanhã de manhanzinha
um pouco dessa água corrente,
B-
Vê se me acorda bem mais cedo,
pra que eu toque pra essa gente
A        
Uma canção antiga, minha,
F#               B-
mais que predileta do eterno poeta.
        F#                         
Faça de conta que o Nordeste é forte,
B-
tem mata verde e água em abundância,
A                                    D
Laço vermelho pras moças que gostam de cabra-macho,
cavalo e arreio.
F#                      
A noite é festa ao redor da fogueira,
B-
a prenda dança até raiar o dia,
A                                 D
Bota a sanfona no lombo da velha e cai na folia.
              F#              
A lua velha do sertão faz parte,
B-
como a aguardente ta pro boiadeiro,
A       
Se o trovador tem sua viola,
D
meu coração tem seus segredos,
F#         
E não tem medo de chorar baixinho,
B-
quando o sertão inteiro silencia,
A                                D
Pra contemplar no céu o sol da noite: a velha lua.

Antes que o sol desapareça

Luiz Vicentini
     C               A#
Eu quero falar, manifestar os meus desejos,
F                           C
Fazer minhas vontades mesmo em sonhos.
C                     A#                  F
Andar de carro zero importado, jantar à luz de velas,
C
Caviar e outros babados.
     G                   F
Eu quero aprender a falar inglês e espanhol,
C                  G
Pois português, dizem que eu já sei...
G                  F
Eu quero aprender a dançar tango,
C                   G
Um bolero assim mais ou menos, só pra dizer que sei...
F                                    C     F      C
Daí então eu vou passar na sua casa pra gente sair...
F                                         Fº
Mas depois de madrugada, vê se me agarra e não me arranha,
G
Na hora de dormir.
Eu quero aprender a tocar sax,
Pra ficar numa sacada,
décimo-sexto andar, em noite de lua...
Eu quero acordar lá pelas quatro,
E no silêncio do meu quarto fazer poesia.
Eu quero hoje discutir política
E amanhã jogar conversa fora com os amigos,
Numa mesa de bar.
Eu quero poder sentar com meus filhos,
Netos, bisnetos e tantos etos
que a vida me quiser dar.
Daí então posso dizer a todo mundo
Que eu já fiz de tudo um pouco...
E aconteça o que aconteça,
eu vou mergulhar nessa de cabeça,
Antes que o sol desapareça.

Passarinhos

Luiz Vicentini
Introdução: Introdução:  D  A  Bm  F  Bm  E  A
(Tocar as cifras entre parênteses na repetição)
   D (E)    A (B)
O sabiá, o Curió
D (E)                  F# (G)
Será que cantam em RÉ ou DÓ maior
Bm (C#m)            E (F#)
Será quem dorme numa perna só
A (E)    G (A)
O Sabiá, o Curió
D (E)          A (B) D (E)    Bm     E    A
Encantam com seu canto só        (C#m) (F) (B)
   D (E)      A (B)
O Colibri ou Beija-flor
D (E)                F# (G#)
Será que voa com vento a favor
Bm (C#m)            E (F#)
Sabe o sabor que tem o mel da flor
A (B)      G (A)
O Colibri ou Beija-flor
D (E)       A (B)   D (E)
Voa com o vento que for

Bola sete

Luiz Vicentini
(Tocar cifras entre parênteses na repetição)
Cm (Dm)
Pega no taco, bate com o taco na bola,
G# (A#)
Oh meu, vê se mata essa bola
Fm (Gm)
Senão te quebro esse taco nessa cachola vazia,
G (A)
Tem dia que não tem jeito, a gente diz que é defeito,

A caçapa é torta, não presta.
Cm (Dm)
Bota essa bola branca no ponto, parceiro,
G# (A#)
Que eu dou um efeito ciclone, mato esse sete no meio,
Fm (Gm)
Não sou Gerboni mas tenho métodos infalíveis,
G (A)
Se dou uma porrada

Não penso em suicídio.
Cm (Dm)
Conto com a sorte eu vou sair dessa,
G# (A#)
Vou na tabela direto não passa,
Fm (Gm)
Passo uma graxa no taco, sem pressa,
G (A)
E espero que a bola caia na caçapa...
Cm (Dm)
E mato a primeira, a segunda e a terceira,
G# (A#)
Dou uma tragada e um golinho na cerveja
Fm (Gm)
Estilo Chimello no jogo da vida,
G (A)                       Cm(Dm)
Espero pra ver e encerro a partida.

Laços e nós

Luiz Vicentini
Introdução: Am  G  Am  G
A-                       G
Não pertenço ao passado, tudo o que sei vi na TV
A#                                    Am
Velhos livros, pergaminhos, pedacinhos de jornais
A-
Não caminho disfarçado
G
Se não devo nada, nada tenho a esconder
A#                                              Am
Sou permanentemente transparente, pedacinhos de cristais
 C                             G
Vivo o sol e o som do meu coração, eu sei
A-                     G
Que não serei eu quem irá pilotar os aviões
C                                G
Digo sempre sim à voz da minha intuição,
A-
Pra que amanhã eu possa ser
F
Um pouco não, mas muito mais feliz
 C                                       G
Não navego em mar que não me leve a um lugar seguro
A-                                   G
Não existem muros que possam aprisionar minhas canções
C                                       G
Não espero por ninguém, quando quero eu mesmo faço
A-                                 F
Desato meus laços e nós, traço os planos pelos sonhos

Que me invadem a cabeça,
C      G
deixo que amanheça pra me aventurar
Solo:  C  G  Am  F  C  G  F

Sem medo

Luiz Vicentini
      C                                         C7
Você pode amar sem medo, porque amor nunca é demais
F
Deve se olhar no espelho, se amar cada vez mais
G             Gº           Am         F
Isso faz com que o coração abra portas e janelas
C             G               F       G
E guarde em si      tudo o que é bom
      C                    
Você pode acreditar sem medo,
C7
porque a fé está em todos nós
F
Não existe nenhum segredo, basta acreditar que você tem
G                   Gº         Am        F
Eu duvido que haja quem duvide com total convicção
C              G           F     G
Que não há motivo algum pra tanta perfeição
      C                     
Você pode até chorar sem medo
C7
não há quem diga que um dia nunca chorou
F
Quando a voz aqui dentro do peito diz a nós:
é de alegria ou dor
G                     Gº        
E é assim que a gente vai levando a vida,
Am                            F
e é assim que a vida sempre nos conduz
C      
Sem medo de ser feliz,
G             F        C       F   G   F
e acreditando no amor, sem medo

Pode crer

Luiz Vicentini
Introdução: D  C  G  D  D  C  G  A
       D                                  C
Pode crer, de hoje em diante sou um cara sério
G
Não bebo e nem mais fumo, apenas tolero
D
Quem fala pelos "cutuvelo", é chato, puta que o pariu
D C
Pode crer, toda essa bandalheira que assola o país
G
Faz bem só para quem tem bem muito mais e diz
D
Que o caso não é sério, isto é Brasil
       D                                C
Pode crer, do jeito que avança a tecnologia
G
Não haverá ciclone, se clonará comida
D
A fome será tema e peça rara de museu, e eu, e eu, e eu
C D
E eu, o que posso fazer, me diz, pra amenizar a dor
C G D
E nós, o que vamos fazer, me diz, por todos nós
C G D
Se a paz é tudo o que afinal sempre se quis
C G
Tá mais bem mais do que na hora
D
Da gente ser feliz

Bicho da paz

Luiz Vicentini
Introdução: Am  F  E  Am 
Am                                        F
Toda mentira há de morrer sob a luz da verdade.
Am F
Todo escuro há de ceder espaço pra claridade.
Dm Am
Todo amor será platônico, não haverá dor e lamento,
G
E todos teremos um só desejo:
E Am E Am E Am
Que neste momento nos morda o Bicho da Paz.
Am                                          F
Toda esperança há de ampliar o que parece absurdo.
Am F
Todo progresso há de provar que nunca fomos os únicos
Dm Am
Neste universo sem limite, não há lugar que não se habite.
G
Pena que não haverá mais tempo
E Am E Am E Am F Am F E
Pra ver com alegria quando esse dia chegar.
Am                         F
Toda mentira, todo escuro, todo amor, todo desejo,
Am
Toda esperança, todo progresso,
F Dm
Todo absurdo, em todo universo há de existir bem mais
E E7 Am
Que possa conceber o pensamento.
G
É pena que não haverá mais tempo
E Am F Am F E F Am
Pra ver com alegria quando esse dia chegar.

Bons tempos

Luiz Vicentini
Introdução:   E  A  E  B7  E  B7  E  A  E  B7  E  B7
   E
O sabiá na goiabeira cantou chamando o bemmtemvi,
E7 A
Anunciando um novo dia de saudade...
Am E C#m
Do violeiro na janela, da moça bela no jardim,
F#m B7 E B7
Da molecada que brincava pela manhã.
        E
E da varanda eu via a praça, e o meu velho pé de figueira,
E7 A
Cobrindo um pedaço da história da cidade
Am E C#m
Do sanfoneiro já cansado, da roupa velha no varal,
F#m B7 E E7
Do vagabundo que sonhava acordado.
        A               Am
Queria ver de perto a poeira
E C#m
Que o gado faz quando passa nas ruas,
F#m B7
Queria ver de perto a lua cheia
A E
Com a minha namorada.
A Am
Queria ter nas mãos a poesia
E C#m
Do trovador que já não canta mais,
F#m B7
Queria ter nas mãos a ousadia
A B7 A
De um dia ainda poder voltar.
Solo:  A  B7  E  C#m  A  B7  E

Canções de Raimundo

Luiz Vicentini
Introdução: E  B7  E  B7  E  B7 C* C#m  A  E  B7  E
       E
No FORRÓ DO GONZAGÃO
É PROIBIDO COCHILAR
Sob a LUA DO LEBLON
E7 A
ME DIZ o SABIÁ:
F#m
ME LEVE na CONTRAMÃO,
B
Repare o SINAL FECHADO,
C* C#m
Pelo RETROVISOR vejo o ASTRO VAGABUNDO,
A
NOTURNO AMOR ESCONDIDO,
E
CONFLITO ALÉM DO CANSAÇO,
B
SAUDADE COMO SE FOSSE
E
PROMESSA EM CORDA DE AÇO
            B
POBRE SANFONEIRO, AMANHÃ EU VOU
E
Vou pra JUAZEIRO, eu vou, eu vou
B A
De SORRISO NOVO, CHAMEGO CIGANO,
E
SÓ VOCÊ no PENSAMENTO.
            B
POBRE SANFONEIRO, AMANHÃ EU VOU
E
Vou pra JUAZEIRO ver UM GRANDE AMOR,
B
DONA DA MINHA CABEÇA,
A
MULHER, SINA E BELEZA
E
De um CABOCLO SONHADOR.
Introdução
É, a saudade é feito faca, morena,
Machuca o coração e fere a alma.
Mas, se devagar se vai ao longe
Donde a vista não avista,
Eu não vou me apressar, vou com calma,
Pra modo da gente se namorar.
Tenho todo o tempo do mundo,
Não tenho dia e nem hora pra voltar
É, AMANHÃ EU VOU pra JUAZEIRO.
CUSTE O QUE CUSTAR,
ESPERE POR MIM, MORENA,
Por que AMANHÃ EU VOU.

Que eu ame

Luiz Vicentini
Introdução:  C  G  Am  G  F  C  D7  G
     C              G                   Am                G
Caminhei como caminharia qualquer um que viva nessa confusão
C G
Esbarrei naquele que dormia,
Am G
enquanto a mãe fazia a cama pelo chão
F G
Não olhei pra aquele que corria,
C Am
sangrando e gritando: "Pega esse ladrão!"
F D7 G
Nem parei pro velho que morria, pedindo minha mão
       C                  G
Me sentei como quem sentaria,
Am G
pensando na vida, será que é em vão
C G Am G
E chorei por tudo que havia, tantas alegrias, risos sem razão
F G
Me afastei de tudo que era belo,
C Am
com medo de ficar só, com a solidão
F D7 G
E acabou ficando sem saída o meu coração
       C                G               Am                   G
Vou fazer uma viagem, quero saber na verdade tudo o que não sei
F D7
Aprender que ter uma amizade
G
e não se ter coragem de ferir alguém
C G
Vou levar de volta pra cidade
Am G
uma felicidade que não tem mais fim
F D7
E acabar de vez com essa vaidade,
G
que não tem piedade do que faz em mim
C G
Vou voltar a ser o que era antes,
Am F
alguém que só cante por simples prazer
C G F G
E pedir a DEUS que me acompanhe, e toda vez que ande por aí
C
Que eu ame

Fim do mundo

Luiz Vicentini
Introdução: C  G  Am  F  C  G  Am  F
 C
Se o fim do mundo é amanhã,
G
Eu tenho que acordar bem cedo, amigo,
F C G
Fazer em 24 horas o que não fiz nos meus trinta e seis.
C
Levar meu filho ao cinema,
G
Cantar uma canção antiga do Raul,
F C G
Aposentar os meus problemas e viajar pro Sul
 E
Hoje não quero compromisso,
Am
Não tenho tempo pra isso,

Preciso mais é viver...
D7
Tive o tempo todo do mundo,
G
Meu coração lá no fundo só agora percebeu,

E
Que existem bancos de praças,
Am
Ser feliz é de graça, basta você querer,
D7
E que a vida passa num segundo,
G
Amigo, eu sei que no fundo
F
Você sabe que a gente
C
Geralmente vai levando a vida
G F C
Sem saber viver.

Inspiração

Luiz Vicentini
Introdução:  Dm  C  Dm  C  Dm  C  A#  A  F  C  A# A7
F                                 C
Era uma noite escura, sem lua, segunda-feira
F C
Peguei a viola, como sempre faço e fui pra rua
Dm
Desliguei a chave de contato
C
Que mantém acesa a chama
Dm
E acendi as luzes
C
Dentro do meu pensamento
   F                                    C            C7
E foi neste momento que a inspiração bateu à porta
F
E eu, como quem não soubesse quem era
C
Pedi que entrasse
Dm
Sentou-se ao meu lado como sempre
C
E pediu-me com seus olhos
G G7 C C7
Permissão pra vasculhar minhas lembranças
   F                                     C             C7
E foi então, que fui parar sem perceber na infância
F
Num tempo em que pra se brincar
C
Usava-se a imaginação
Dm
Quando ainda havia nos olhares
C
Os anjos da inocência
G G7 C C7
E foi, então, que perguntei ao coração
F                                C              C7
Onde estão essas crianças que corriam por aí
F C
Onde estão as borboletas que pousavam em meu jardim
Dm C
Onde estão essas meninas que brincavam de bonecas
Dm C C7
Onde estão esses meninos que pedalavam suas bicicletas
F
Onde estão os trens e os trilhos
C C7
e as velhas canções e as serenatas
F C
Onde estão todas as pipas, petecas, piões, carrinhos de lata
Dm C
Onde estão as tardes de domingo, à espera do filme,
na fila do cinema
G G7 C
Hoje a vida faz outros caminhos

Se acaso

Luiz Vicentini
Introdução: Dm  Gm  C  F  A7

Tocar as cifras entre parênteses na repetição
Dm
Olha você aí o que eu vou dizer agora
Gm
Pode escrever, porque pode acontecer
C
Amanhã de manhã
C7 F A7
Quando o sol bater em sua janela
     Dm (F)
Se acaso o chão tremer e se a casa balançar
Gm (C)
Não perca tempo, não vá se maquiar
C (Gm)
Nem tire o seu pijama
C7
Nem faça a sua cama
F (Dm)
Simplesmente deixe tudo, tudo, tudo
A7 (C7)
Como está
     Dm (F)
Se acaso não chover e se a coisa desandar
Gm (C)
Não perca tempo, não tranque a porta, atenda o celular
C (Gm)
Sou eu quem tá chamando: "Alô"
C7
Estou lhe esperando amor
F (Dm) A7 (C)
Por favor, atenda
F C Gm Dm C   (2x)

Um dia a gente se vê

Luiz Vicentini
Introdução: D (E)
  D (E)
A vida guarda milhões de mistérios

Que há milhões de anos
Em (F#m)
Todo ser humano quer desvendar
A7 (B7)
A vida parece que desconhece

O enorme desejo aqui dentro do peito,
Em (F#m) A (B) D (E)
Que todo aquele que a gente mais ama nunca se vá
         D (E)
Mas é preciso que a gente perceba

Que DEUS é perfeito
D7 (E7)
E que tudo acontece de um jeito que a vida
G (A)
Possa renascer
Gm (Am)
Tantas perguntas sem muitas respostas
D (E) Bm (C#m)
Isso pra mim amigo, pouco importa
Em (F#m) A (B) D (E) D7 (E7)
Minha alegria é saber que um dia a gente se vê

Meu coração

Luiz Vicentini
         D          A              Bm
Meu coração é um balaio de recordações
G D
É um barco cheio de boas lembranças
A D D7
Nunca se cansa de sonhar
         G                             D
Meu coração é um avião veloz e sem destino
A
Bicho feroz, capaz de ser menino
G A D D7
Chorando às vezes, pra sorrir depois
        G                                 D
Meu coração é uma paixão que eu trago no peito
Em
Sem ele eu sei, seria de outro jeito
A G D
Jamais seria do jeito que sempre foi

O sapo

Luiz Vicentini

G                        C
E quando a fome aperta o sapo na garganta
D G
Ele não coaxa e nem canta, dói a pança e fica aflito
G C
E sai o sapo magro pro meio da mata
D G
Pedindo pra santa sapa, um pedaço de mosquito
F C
E é esquisito que um bicho lento e pequeno
D G
Fica lendo a "Sapo Rodas" toda manhã de domingo
F C
De pingo em pingo essa estória enche o saco
D G
Não tão somente do sapo, mas também de todo mundo


Quando amanhecer

Luiz Vicentini
 G    D       Em     D        C    G       D
Nada foge do olhar quando em tudo se vê beleza
G D Em D C D G
É tão fácil se ter o que se quer é só acreditar
 G    D      Em           Am      C           D
Vou assim que amanhecer, viajar, ficar contigo
G D Em C D G D
Despedida sem chorar (sofrer), porque amor, cê vai comigo
C D G
Porque amor cê vem comigo
G         D   Em    C      G           D
Espero o sol cair, vem chegando as estrelas
G D Em D C D G D
Parece que o tempo não quer deixar meu coração sem vê-la

Namoro em prestação

Luiz Vicentini

E
Eu não me amarro faz tempo, namoro em prestação
B
Guardo uma em cada canto do meu coração

Eu nem sei se ele tem canto, se não tem fica melhor
A E
Então posso dar um beijo em todas de uma vez só.

E é por isso que eu não caso, não crio caso nem filho
E7 A
Não tenho casa, me abrigo nos braços de uma mulher
E
E quando a coisa começa a ficar meio perigosa
B
Mudo logo de conversa, falo só em verso e prosa
A B E B7
E quando ela se descuida eu pico a mula e dou no pé


Eu quero

Luiz Vicentini
Introdução: A  G  Bm  A  G  D
     D                  C                  
Eu quero falar, manifestar os meus desejos,
G D
fazer minhas vontades mesmo em sonhos.
C G
Andar de carro zero importado, jantar à luz de vela,
D
caviar e outros babados.
A G
Eu quero aprender a falar inglês e espanhol,
D A
Pois português, dizem que eu já sei...
A G
Eu quero aprender a dançar tango,
D
um bolero assim mais ou menos,
A
Só pra dizer que sei...
G D
Daí então eu vou passar na sua casa pra gente sair...
G
Mas depois de madrugada,
vê se me agarra e não me arranha,
A
Na hora de dormir.
     D                     C 
Eu quero aprender a tocar sax,
G
pra ficar numa sacada décimo-sexto andar,
D C
Em noite de lua...eu quero acordar lá pelas quatro,
G D
E no silêncio do meu quarto fazer poesia.
A G
Eu quero hoje discutir política
D
e amanhã jogar conversa fora com os amigos
A G
Numa mesa de bar. Eu quero poder sentar com meus filhos,
D A
Netos, bisnetos e tantos etos que a vida me quiser dar.
       G                                 
Daí então posso dizer a todo mundo
D
que eu já fiz de tudo um pouco...
G
E aconteça o que aconteça, eu vou mergulhar nessa de cabeça,
A G D
Antes que o sol desapareça.

Teu perfume

Luiz Vicentini
E                                     A            G#m
O teu perfume está sempre comigo, tô doido, sim
F#m D B7
Espero que essa loucura não tenha mais fim
E A
Juro que brindo a todo instante esse amor
F# B7
Bebo, sentindo sabor do amor que tem você
  E
Quero saber se você me ama
C#m
Espero você, coração reclama
A
Desligo a TV, me ligo no fim de semana
B7
Vejo você dentro do cinema
 E
Segunda-feira, lá na escola
C#m
A gente se vê, vê se me dá bola
A
Espero você na hora de ir embora
B E
Já disse a todo mundo meu amor, que você me namora
C#m A B7

Vício

Luiz Vicentini
E                     E7
Bem mais que isso o meu amor é um vício
A E
E não deixo de lado, tô envelhecendo
B7 E
Mas não tomo jeito, morro apaixonado

E
Quem dera me fosse meu amor um doce
B7
Da fruta mais doce com gosto de mel

Uma gata manhosa, meu botão de rosa
A E
Quando me namora me leva pro céu

Ah! Mas que delícia ter suas carícias
E7 A
Ser tua ametista feito jóia rara
E B7
Sou teu louco desejo, és meu primeiro beijo
E
Não troco por nada

Paraíso

Luiz Vicentini
Introdução: E  B7  E  B7  E  B7  E  A  B7
E               C#m        G                      D
Vejo assim o meu paraíso: bate-bola na areia da praia Atalaia
E B7
Bebo uma bem gelada, caminho à beira-mar
 E                 B7                 E        B7
No bar do Cao, um papo legal com os amigos
E B7 E B7
No farol da Barra, sinal de navio que vem vindo
E B7 E B7
Bico do Papagaio, para-pentes no céu, Cabeçudas
E B7 E A B7
Loiras e morenas com sabor de mel, absurdas
 E              B7               E      B7
No bar do Zizo perco o juízo e viajo
E B7 E B7
Balanço na rede e bebo um coco verde gelado
E B7 E B7
Frescobol na Brava, o sol tava pra lá de mil
E B7
Bronze, batons, biquínis
E A B7
Itajaí, Brasil

Como um punhal

Luiz Vicentini
Introdução: E  A  E  A

E     A   E
Me faz feliz,

Me dê uma chance apenas
B
Pra que eu possa lhe mostrar como eu te amo

Não faz assim,

Você machuca o meu coração que luta
E E7
Por você em desespero.
A
O que será de mim,

Se nos teus olhos a verdade aparecer
E A E
Como um punhal,

Vejo em meus olhos o desejo em ter você
B
Em meu lençol,
A B7
Eu só sei que sem você na minha vida
E E7
Não sou ninguém


Acredito em ETs

Luiz Vicentini
Introdução:  D  Bm  A#  A   A#  A
             D
Se eu lhe disser que vi um disco voador
Bm
Pousar num fim de tarde no quintal da minha casa,
G A A# A
Será que você vai acreditar, será...
D
E se eu ainda lhe disser que uns homenzinhos verdes
Bm
Me convidaram pra umas voltas por aí,
G A G#
Será que você vai acreditar, será...
     G
E enquanto você pensa, já fui ao Pólo Norte,
D
Passei por Nova Iorque, assisti tango em Paris,
G
Não fui a nenhuma agência, nem tirei o passaporte,
E A
Foi a sorte que pousou no meu nariz.
G
Vi de perto a lua cheia, voei sobre o Saara,
D
Sobre a China, as muralhas, andei com os canibais.
G
Escalei o Aconcágua, vi Matusalém mais velho,
E A
Na Europa vi castelos, na América os Moais, mas...
REFRÃO
          G
E enquanto ainda você pensa mergulhei nas Cataratas,
D
Pelas matas do Amazonas vi Xavantes no Xingu,
G
Pingüins na Patagônia, Babilônia é um labirinto,
E A
Fui à cidade perdida dos Incas, no Peru.
G
Num segundo fui a Marte, a nave-mãe que me conduz,
D
E essa foi a melhor parte, à velocidade da luz,
       G
E encontrei a Apollo 11 transformada em restaurante,
E A
E um pouco mais adiante um céu azul...
D Bm G
Mas e você aí, enquanto ainda pensa, eu já tô de volta,
A D Bm
Tô cheio de respostas, amanhã quero saber de você
G
O que será que ainda pensa,
A D
Você tem a sua crença, eu acredito nos ET`s.

Diamantina brasileira

Luiz Vicentini
           E            B
Plantei um pé de Jacarandá
A E
No sertão da Paraíba,
B
Pra modo de poder agasalhar
A E
O coração das meninas.
                            B7
Pintei a pincel um pé de araçá,
A E
E a feroz jaguatirica,
B
Num brejo coberto de samambaia
A E
Ao som de águas cristalinas.
                  B         A           E
Subi o morro do Baú e a Serra da Mantiqueira,
A B E
Descobri Diamantina puramente Brasileira.
B A E
Comi paçoca e caruru nos terreiros da Bahia,
A B E
Conheci Luiz Vieira num pagode à luz do dia.

Sinfonia dos bichos

Luiz Vicentini
Introdução: G   F  C  G  C  D  G  D
    G                                               D
Eu moro onde a natureza mantém sua beleza desde o início

Eu bebo d'água de cascata, ando só pela mata,
G
Observando os bichos
G7
Assim que o sol vai se escondendo
C
sento na varanda e pego minha viola
Cm G
Assim que nasce a poesia que nesses
D G C G
versos tô cantando agora
    G
Eu gosto de tocar viola, amor,
D
vem me namora, vem cantar comigo

Gosto quando a viola chora e vai noite afora,
G
sonhar é preciso

Mais uma vez o sol me chega,
D
vem de manhãzinha e diz que tá na hora
C G
De ouvir o som da sinfonia
D G
que os bichos na mata tão compondo agora

Meu violão e eu

Luiz Vicentini
Introdução: Bm  G  Bm  E  Bm  G  Bm  F#
      Bm                      G
Meu violão fala comigo feito gente,
Bm
entendo ele, ele me entende
A
E a gente se dá bem demais...
Bm G
Eu canto aquilo que ele canta e vice-versa,
Bm
e a gente vai nessa conversa,
F# Bm
Até que um dos dois não agüenta mais.

A                    D                   F#
Meu violão é um sujeito viajado, acompanhou saxofone,
Bm G D
Violoncelo e bandolim...Tocou seresta, festa de aniversário,
G A
Já se apresentou em vários cabarés e botequins.
G D
Meu violão tem os nervos de aço,
F# Bm
Pena que só tem um braço pra um abraço me dar.
G D
Quando ele toca encosta o corpo no meu peito,
E A
E a gente assim arruma um jeito de estar juntos pra cantar.
G D
Quando ele toca encosta o corpo no meu peito,
E A D A D
E isso é só mais um pretexto pra gente se conversar.
Solo: A  Bm  A  Bm  G  D  E  A


Francis Hime


Rio de Janeiro, 31 de agosto de 1939. Foi nesse dia que nasceu Francis Victor Walter Hime. Neto de pianista e filho de pintora, o carioca teria mesmo que ser artista. Tanto que aos seis anos de idade começou a fazer aulas de piano. Com 16 foi pra Suíça, onde estudou música durante quatro anos.

Francis Hime começou a despontar no cenário musical brasileiro na década de 60. Logo de cara, o artista teve um importante parceiro: Vinícius de Moraes. A primeira composição de Francis com o Poetinha foi "Sem Mais Adeus", em 1962. Nessa mesma época, Francis conhecia uma moça muito especial, que anos mais tarde passou a se chamar Olívia Hime.

Música era a sua paixão. Apesar disso, o artista resolveu cursar engenharia. E seguiu assim, dividindo o tempo entre a faculdade e os shows. Participou de festivais, sempre como compositor, tendo como intérpretes de suas músicas Elis Regina (Por um Amor Maior, com Ruy Guerra), MPB-4 (Anunciação, com P. C. Pinheiro), Jair Rodrigues (Samba de Maria, com Vinícius de Moraes).

Nos anos 70 suas parcerias com Chico Buarque o fizeram mais conhecido. São da dupla alguns clássicos da MPB, como Trocando em miúdos, Passaredo, Meu caro amigo, Vai passar, Quadrilha, Atrás da porta e Pivete.

Sempre atual, Francis está presente na carreira de importantes intérpretes brasileiros, de várias gerações.Sob forte influência de música clássica, é reconhecido também como excelente arranjador. Aproveitando os diversos talentos, lançou o primeiro disco individual, em 1973.

Na mesma época atuava ainda em cinema. Aliás, na década de 70, era um dos compositores preferidos dos cineastas brasileiros. Compôs trilhas para diversas produções nacionais, entre elas “Dona Flor e Seus Dois Maridos”.

Nelson Mota

Nelson Mota (Nelson Cândido Motta Filho), compositor, nasceu em São Paulo SP em 29/10/1944. Fez estudos no Rio de Janeiro, para onde se mudou com a família aos seis anos. Chegou a cursar a Faculdade de Direito e a Escola Superior de Desenho Industrial.

Aos 20 anos ligou-se ao pessoal da bossa nova, amigo de compositores de sucesso como Edu Lobo, Francis Hime, Luís Eça, Sérgio Mendes e Dori Caymmi. Nessa época trabalhava como jornalista no Jornal do Brasil.

Em 1966 classificou em primeiro lugar, na fase nacional do 1 FIC, da TV-Rio do Rio de Janeiro, a composição Saveiros (com Dori Caymmi). Foi então convidado por Flávio Cavalcanti para integrar o júri do programa Um Instante, Maestro, o que lhe valeu grande popularidade.

Em 1967, inscreveu no III FMPB, da TV Record, de São Paulo, a composição O cantador (com Dori Caymmi), que se tornou outro grande sucesso. Convidado a assinar a coluna “Roda viva” no jornal Última Hora, nele permaneceu até 1969 passando no ano seguinte a trabalhar no jornal O Globo e na Rede Globo de Televisão.

Fez durante muito tempo o programa diário Papo Firme e depois o programa semanal Sábado Som. Criador da primeira trilha sonora especial para novelas (Pigmalião 70), foi também produtor de discos da fábrica Philips.

Em 1973 casou com a atriz Marília Pêra, produzindo no ano seguinte a peça Apareceu a Margarida, de Roberto Ataíde, que foi grande sucesso da atriz. Em seguida, escreveu e produziu especialmente para Marília Pêra a peça Feiticeira, cujas músicas são também de sua autoria e de Guto Graça Melo.

Grande incentivador do rock no Brasil produziu o festival Hollywood Rock, no Rio de Janeiro.

Obras: O cantador (c/Dori Caymmi), 1967; De onde vens (c/Dori Caymmi), s.d.; Saveiros (c/Dori Caymmi), 1966.

Fonte: Enciclopédia da Música Brasileira - Art Editora e PubliFolha.