quinta-feira, 19 de julho de 2007

Tenho ciúme de tudo

Orlando Dias
Até o final dos anos cinqüenta, havia em nossa música popular cantores ecléticos, que gravavam para todos os gostos, dos mais refinados aos menos exigentes. Foi nessa ocasião que começaram a surgir os primeiros especialistas num tipo de música popularesca, de sentimentalismo exagerado que, tempos depois, passou a ser rotulada de brega-romântico.

Entre eles salientou-se a figura do pernambucano José Adauto Michiles, que com o nome artístico de Orlando Dias tornou-se um dos mais populares cantores bregas de sua geração. Com voz, físico e postura cênica ideais para o gênero — canto emocionado, mímica espalhafatosa, roupas em desalinho —, Orlando apresentava-se em toda parte, vendendo aos milhares discos em que interpretava composições como “Tenho Ciúme de Tudo” — “Sou louco por ti / eu sofro por ti / te amo em segredo (...) Tenho ciúme do sol, do luar, do mar / tenho ciúme de tudo” — e num rompante: “tenho ciúme até da roupa que tu vestes...”.

Um dos quinze ou vinte boleros que Valdir Rocha fez para o seu repertório, “Tenho Ciúme de Tudo” era o carro-chefe de Orlando Dias em 1961 (A Canção no Tempo - Vol. 2 - Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello - Editora 34).

Tenho ciúme de tudo (bolero, 1961) - Valdir Rocha - Intérprete: Orlando Dias


(intro) F Gm C F Dm Gm C F Bb C

   F                   Dm                         Gm
Tu és a criatura mais linda que os meus olhos já viram
    C                                          F
Tu tens a boca mais linda que a minha boca beijou
                                Dm     
São meus os teus lábios, esses lábios 
                          Gm
   que os meus desejos mataram
     C                                                  F
São minhas tuas mãos, essas mãos que as minhas mãos afagaram
Dm            Gm               C                F
Sou louco por ti, eu sofro por ti, te amo em segredo
                     Gm  
Adoro o teu corpo divino 
                         C              F
   que pelas mãos do destino a mim tu viestes
Dm              Gm                C                   F
Tenho ciúme do sol, do luar e do mar, tenho ciúme de tudo
                  Gm    C         (C)
    Tenho ciúme até da roupa
            F        Bb       F
    Que tu vestes

Índio quer apito

Inspirado em uma anedota irreverente, meio escatológica, Haroldo Lobo escreveu a marcha “Índio Quer Apito”: “Ê ê ê ê / índio quer apito / se não der / pau vai comer...” Como a anedota era muito conhecida e se referia a um político famoso, “Índio Quer Apito” fez sucesso e acabou entrando para o rol das marchinhas que são repetidas em todos os bailes de carnaval.

Bom conhecedor do gosto popular, Haroldo tinha a capacidade de transformar em músicas de sucesso fatos do cotidiano brasileiro, reinando por quase trinta anos como compositor carnavalesco.

Índio quer apito (marcha/carnaval, 1961) - Haroldo Lobo e Milton de Oliveira - Intérprete: Walter Levita



Dm      F              Gm 
Ê ê ê ê ê índio quer apito
      A7            Dm    A7  
Se não der pau vai comer
Dm      F              Gm 
Ê ê ê ê ê índio quer apito
      A7            Dm      
Se não der pau vai comer

                          F
Lá no bananal mulher de branco
         Gm      A7       Dm 
Levou pra índio colar esquisito
                           F
Índio viu presente mais bonito
             Gm    A7
Eu não quer colar
             Dm
Índio quer apito