sábado, 1 de setembro de 2007

Tetê Espíndola


Tetê Espíndola (Teresinha Maria Miranda Espíndola), cantora, compositora e instrumentista, nasceu em Campo Grande MS, em 11/3/1954. Originária de família de artista teve sua primeira craviola (instrumento de 12 cordas inventado por Paulinho Nogueira) em 1974. Iniciou-se musicalmente tocando esse instrumento no conjunto Luz Azul, em Campo Grande.

Lançou seu primeiro disco, Tetê e o lírio selvagem, em 1978 pela Polygram trazendo composições próprias e de seus irmãos Alzira, Geraldo e Celito. No disco seguinte, Piraretã (Polygram, 1980), trabalhou com Arrigo Barnabé.

Em 1981 defendeu a valsa Londrina (Arrigo Barnabé) no Festival MPB Shell, música que recebeu o prêmio de melhor arranjo, feito por Cláudio Leal. Fascinado com o timbre de voz da cantora, o poeta Augusto de Campos batizou o terceiro álbum, Pássaros na garganta (Som da Gente, 1982).

Em 1985 venceu o Festival dos Festivais, da TV Globo, com a canção Escrito nas estrelas, que se tornou um grande sucesso de execução e vendagem. Seguiu- se o LP Gaiola (Polygram, 1986), cuja música de maior sucesso foi Na Chapada (com Carlos Rennó), em dueto com Ney Matogrosso.

Como representante brasileira, participou em 1988 do festival The Concert Voice, em Roma, Itália. Em 1989 cantou no festival New Morning (Paris, França) e no Festival de Jazz da Bélgica. Posteriormente, recebeu uma bolsa da Fundação Vitae, para desenvolver projeto sobre a instrumentalidade da voz humana e a musicalidade dos pássaros da Amazônia e do Pantanal, que resultou no disco Ouvir (independente, 1991).

Em 1993 lançou o CD interpretativo Só Tetê (Camerati), que traz músicas de compositores como Djavan e Tom Jobim, e viajou por todo o país fazendo shows. Em 1995 foi lançado o CD Canção do amor (Luz Azul/JHO/Movieplay), totalmente acústico, no qual toca craviola em todas as faixas, trazendo convidados especiais, como seus irmãos Humberto, Geraldo e Alzira, o grupo instrumental Duofel, o trombonista Bocato e Chico César, que toca violão e assina com parcerias três faixas do CD. Neste CD, regravou alguns de seus sucessos que se encontravam fora de catálogo, como Na Chapada, Escrito nas estrelas e Vida cigana.

Com voz de timbre e extensão incomuns, é uma artista que tem orientado seu trabalho através de incursões pela vanguarda, praticando experimentalismos com sons de pássaros, regionalismos e fusões do acústico com o eletrônico.

Obras:

É demais (c/Chico César), 1995; Na Chapada (c/Carlos Rennó), 1984; Pássaros na garganta (c/Carlos Rennó), 1982; Sertão (c/Arrigo Barnabé), 1982.

CDs:

Só Tetê, 1993, Camerati TCD 1010-2; Canção do amor, 1997, Movieplay BS 276.

Fonte: Enciclopédia da Música Brasileira - Art Editora e PubliFolha.

Escrito nas estrelas

Os irmãos Espíndola — Tetê, Alzira, Geraldo e Celito — cantam e compõem, tendo estreado em disco em 1977, com o álbum Tetê e o lírio selvagem. Matogrossenses-do-sul, eles formam Juntamente com o violeiro/cantor/compositor Almir Sater o contingente mais expressivo de seu Estado na música brasileira.

A grande oportunidade de Tetê Espíndola chegaria com a sua vitória, em 26.10.85, no Festival dos Festivais, ocasião em que defendeu a composição “Escrito nas Estrelas”. Curiosamente, esta seria a primeira vez que interpretava uma canção de amor. Até então, já com três discos gravados, sua voz peculiarmente aguda a levaria a cantar um repertório influenciado pelos ritmos paraguaios, concentrado em temas da natureza e que refletia a exuberância da região do Pantanal.

A melodia de “Escrito nas Estrelas”, de autoria de Arnaldo Black, tem uma primeira parte muito simples, em contraste com a segunda que se desenvolve sobre uma escala pentatônica, oferecendo alguma dificuldade a cantores medianos. A letra de Carlos Rennó, feita sobre a melodia pronta, é uma declaração de amor total: “Você para mim foi o sol / de uma noite sem fim / que acendeu o que sou / e renasceu tudo em mim...”

Ao inscrevê-la no festival, os autores chegaram a temer uma rejeição da censura, pois, na repetição da primeira parte, há um verso que diz, “pois sem você, meu tesão, não sei o que eu vou ser”. Embora já usado por Caetano Veloso (em “O Quereres”) e Chico Buarque (em “Bye Bye, Brasil”), a palavra “tesão” não chamava a atenção nas duas canções, em razão de serem suas letras enormes, o que não era o caso de “Escrito nas Estrelas”.

Mas a censura não se manifestou e a composição pôde ser cantada por Tetê, numa sensual apresentação, trajando um provocante macacão de rede branca, vazada. No final, ela conquistou o público com uma interpretação não-convencional, vencendo brilhantemente. O título “Escrito nas Estrelas” foi inspirado a Rennó por “It Was Written in the Stars”, canção escrita em 1939 por Cole Porter para o musical “Du Barry Was a Lady” (A Canção no Tempo – Vol. 2 – Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello – Editora 34).

Escrito nas estrelas (1985) - Arnaldo Black e Carlos Rennó
Tom: E  

Introdução: E F# A E B7

E
Você pra mim foi um sol
                   A   F#m
De uma noite sem fim
                    B4/7    B7
Que ascendeu o que sou
                   E
E renasceu tudo em mim
Agora eu sei muito bem
                     A    F#m
Que eu nasci só pra ser
                 B4/7    B7
Sua parceira seu bem    
                 E      B7
E só morrer de prazer
E
Caso do acaso bem marcado em
          F#
   cartas de tarô
A
Meu amor esse amor de cartas claras
         E       B7
Sobre a mesa é assim
E
Signo destino que surpresa ele
          F#
     nos preparou
A
Meu amor nosso amor estava 
                     E
     escrito nas estrelas
                     B7
           tava sim
E
Você me deu atenção
                  A   F#
E conta de mim
                    B4/7   B7
Por isso minha intenção
                        E
É prosseguir sempre assim
Pois sem você meu tesão
                      A   F#
Não sei o que eu vou ser
                B4/7    B7
Agora preste atenção
                   E   B7
Quero casar com você
                  ____________    
E
Caso do acaso bem marcado em 
          F#
   cartas de tarô
A
Meu amor nosso amor de 
    cartas claras
          E      B7         
Sobre a mesa é assim 
E
Signo destino que surpresa
            F#
    ele nos preparou
A
Meu amor nosso amor estava 
                 E          B7
  escrito nas estelas Tava sim ...
E F# A  
F#m B7/4 B7

Me chama

Recebido com incomum repercussão, o segundo elepê de Lobão (Ronaldo foi pra guerra) teve duas faixas que despertaram a atenção da crítica e se projetaram nas rádios: “Me Chama” (só de Lobão) e “Corações Psicodélicos” (Lobão, Júlio Barroso e Bernardo Vilhena), que procuravam apresentar uma proposta mais radical do que as dos outros grupos.

“Me Chama” possui uma linha melódica acima da média, superior, inclusive, à de “Corações Psicodélicos”, a preferida pela gravadora para divulgar o disco. Sua letra focaliza a aflição de quem espera um telefonema (que nunca vem) da pessoa amada. É a angústia de músicas dos anos cinqüenta em tempo de rock, daí, talvez, a citação no primeiro verso de uma canção de fossa da época: “Chove lá fora / e aqui... / tá tanto frio / me dá vontade de saber / aonde está você / me telefona / me chama / me chama / me chama...”

Bom músico, ex-baterista do Vímana, da Blitz (da qual foi fundador), da Gang 90 & As Absurdettes e de vários cantores — Luiz Melodia, Lulu Santos, Ritchie e Marina, que também gravaria “Me Chama” —, bem articulado, Lobão (João Luís Woenderbarg) é considerado um dos principais responsáveis pelo boom do rock nacional nos anos oitenta (ao lado dos grupos Paralamas do Sucesso, Titãs e Legião Urbana).

“Me Chama” receberia uma inesperada gravação de João Gilberto, incluída na trilha sonora da telenovela “Hipertensão”, em 1986 (A Canção no Tempo – Vol. 2 – Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello – Editora 34).

Me chama (1984) - Lobão

Introd.: (Bm A) G

D         D7+     D7            G7+
Chove lá fora e aqui faz tanto frio
Bm       A        G7+
Me dá vontade de saber
D       D7+ D7        G7+
Aonde está você me telefona
Bm            A       G7+
Me chama me chama me chama
Bm     A          B
Nem sempre se vê mágica no absurdo
A           Bm       A
Mágica no absurdo, mágica
G7+
Cadê você
D       D7+       D7          G7+
Tá tudo cinza sem você tá tão vazio
Bm         A         G7+
E a noite fica sem porque
D     D7+  D7        G7+
Aonde está você me telefona
Bm           A        G7+
Me chama me chama me chama
Bm     A        Bm
Nem sempre se vê lágrimas no escuro
A           Bm         A
Lágrimas no escuro, lágrimas
G7+
Cadê você