sexta-feira, 29 de fevereiro de 2008

Tormento

Francisco Alves
Tormento (canção, 1931) - Francisco Alves e Luiz Iglésias

Disco 78 rpm / Título da música: Tormento / Autoria: Alves, Francisco (Compositor) / Iglésias, Luiz (Compositor) / Alves, Francisco (Intérprete) / Luperce (Acompanhante) / Tute (Acompanhante) / Imprenta [S.l.]: Odeon, 1931 / Álbum 10825 / Gênero: Canção


Mulher
O teu amor maltrata tanto
Que às vezes
Quando a rir doido me ponho
O riso se transforma como um sonho
Em lágrimas sem fim
De um longo pranto


Por isso
Quantas vezes nas noitadas
Escondo sob a face
O riso e a graça
Pois temo que o meu riso se desfaça
Em lágrimas febris e angustiadas

Mas este amor penoso e torturado
Com cheiro de tristezas, prantos e ais
Me faz cada vez mais apaixonado
De ter que a mulher cada vez mais

Me sinto numa orgia turbulenta
A luz do cabaré e a alma ferida
Pois tenho nos meus olhos refletida
A imagem da mulher que me atormenta

Se busco na champagne embriagado
O bálsamo sutil
Do esquecimento
Na taça vejo sempre
Que tormento
Aquele rosto em forma retratado

Mulata fuzarqueira

Mulata fuzarqueira (samba, 1931) - Noel Rosa

Disco 78 rpm / Título da música: Mulata fuzarqueira / Autoria: Rosa, Noel, 1910-1937 (Compositor) / Rosa, Noel, 1910-1937 (Intérprete) / Bando de Tangarás (Intérprete) / Imprenta [S.l.]: Parlophon, 1931 / Nº Álbum 13327 / Lado B / Gênero musical: Samba


Mulata fuzarqueira, artigo raro
Que samba de dar rasteira
E passa as noite inteira em claro

Não quer mais saber de preparar as gordura
Nem usar mais das costura
O bom exemplo já te dei

Mudei a minha conduta
Mas agora me aprumei

Mulata fuzarqueira da gamboa
Só anda com tipo à toa
Embarca em qualquer canoa

Mulata, vou contar as minhas mágoa
Meu amor não tem R
Mas é amor debaixo d'água
Não gosto de te ver sempre a fazer certos papel
A se passar pros coronel
Nasceste com uma boa sina
Se hoje andas bem no luxo
É passando a beiçolina

Mulata, tu tem que te preparar
Pra receber o azar
Que algum dia há de chegar
Aceita o meu braço e vem entrar nas comida
Pra começar outra vida
Comigo tu podes viver bem
Pois aonde um passa fome
Dois podem passar também

Deusa

Francisco Alves
Deusa (canção-modinha, 1931) - Freire Júnior

Disco 78 rpm / Título da música: Deusa / Autoria: Freire Junior (Compositor) / Francisco Alves (Intérprete) / Orquestra Copacabana (Acompanhante) / Imprenta [S.l.]: Odeon, 12/06/1931 / Nº Álbum 10815 / Gênero musical: Modinha


Deusa
Visão no céu que me domina
Luz de uma estrela que ilumina
Um coração pobre de amor
Teu trovador
Chorando as mágoas ao luar
Vem aos teus pés para implorar
As tuas graças divinais
Consolação e nada mais


Deusa
Anjo do céu, meu protetor
Nas alegrias e na dor
Sagrado ser a quem venero
Nada mais quero
Se não puder esquecer
Alguém que não mais quero ver
Visão fatal, que foi meu ideal

Deusa
Inspiração celestial
Sincera musa divinal
A quem confio meu segredo
Eu tenho medo
De não poder me dominar
Alguém no mundo ainda amar
Para evitar tal traição
Deixo contigo o coração

Deusa
Eu tenho em ti a minha esperança
Tu és a paz, és a bonança
A minha Santa Padroeira
Dá-me a cegueira
Não quero ver a mais ninguém
Nas trevas só me sinto bem
Na escuridão
Viver sem coração

Mas ó mulher
Pensas talvez que me enganavas
Quando a sorrir tu me beijavas
Dizendo, só me pertencer
A mim somente até morrer
Todas iguais
Tu és mulher, e nada mais
Não amarei no mundo, a mais ninguém
A ti somente eu quero bem

Cor de prata

Braguinha
Cor de prata (samba/carnaval, 1931) - Lamartine Babo

Disco 78 rpm / Título da música: Cor de prata / Autoria: Babo, Lamartine, 1904-1963 (Compositor) / Braguinha (Intérprete) / Orquestra Guanabara (Acompanhante) / Imprenta [S.l.]: Parlophon, Indefinida / Nº Álbum 13272 / Gênero musical: Samba


A lua vem saindo
Cor de prata
Cor de prata
Cor de prata
Que saudades da mulata


Minha mulata
Foi-se embora da cidade

Vejam só que crueldade
Foi com outro e me deixou
Abandonado
Pela estrada do passado
Vou perdendo a mocidade
Na saudade que ficou

Eu fui pra roça
Construir minha palhoça
Lá no alto da montanha
Perto de Nosso Senhor
E quando a lua
Lá na mata me acompanha
Sinto o cheiro da mulata
Na montanha tudo é flor

Batucada

Eduardo Souto
Batucada (marcha/carnaval, 1931) - João de Barro e Eduardo Souto

Disco 78 rpm / Título da música: Batucada / Autoria: João de Barro, 1907-2006 (Compositor) / Eduardo Souto (Compositor) / Almirante, 1908-1980 (Intérprete) / Bando de Tangarás, 1929-1931 (Intérprete) / Imprenta [S.l.]: Parlophon, 1930 / Álbum 13256 / Gênero: Marcha


Ô, ô
Nós semo é memo do amô (x2)

Mulatinha frajola
Entra aqui no cordão (cordão)
Que a fuzarca consola
As mágoa que a gente
Traz no coração

(refrão)

Mulata, benzinho
Vem pra mim de uma vez
Dou-te amor e carinho
Dinheiro não tenho
Não sou português

(refrão)

Vou comprá uma redoma
Nela eu vou te guardá (guardá)
Que os malandros te oiando
Meu bem, são capaz
De te profaná

(refrão)

Vem, meu bem, pro Salgueiro
Leblon não vale nada
Pois nos bairros de lá
Mulata, meu anjo
Não tem batucada

(refrão)

Batente

Batente (samba/carnaval, 1931) - Almirante

Disco 78 rpm / Título da música: Batente / Autoria: Almirante, 1908-1980 (Compositor) / Almirante, 1908-1980 (Intérprete) / Bando de Tangarás, 1929-1931 (Intérprete) / Imprenta [S.l.]: Parlophon, 1930 / Nº Álbum 13242 / Gênero musical: Samba


Queria te ver no batente
Sambando com a gente
Do Morro do Salgueiro
Queria te ver sem orgulho
Fazendo barulho
Batendo pandeiro (x2)


Sobe lá no morro
Para ver o que é orgia
Ver a bateria
Ver o tamborim
Ver o cavaquinho
Que só faz é din-din-din
Ver o violão
Como faz bem a marcação

(refrão)

Samba só é samba
Com batuque verdadeiro
Quando tem pandeiro
Marcando a cadência
Quando o centro é feito
Por chocalho e por barrica
Veja como fica
Acompanhado pela cuíca

(refrão)

Apanhando papel

Francisco Alves
Apanhando papel (samba, 1931) - Getúlio Marinho e Ubiratan Silva

Disco 78 rpm / Título da música: Apanhando papel / Autoria: Marinho, Getúlio (Compositor) / Silva, Ubiratã (Compositor) / Francisco Alves (Intérprete) / Bambas do Estácio (Acompanhante) / Imprenta [S.l.]: Odeon, 1931 / Nº Álbum 10767 / Gênero: Samba


Nem queiras saber
Como a vida do homem é cruel
Se ele é fraco de ideia

Acaba apanhando papel

Mas eu tenho fé
No meu orixá
Que não há de deixá
A esse ponto chegá

(Nem queiras saber) (x2)

Feliz de quem
Não se passa pra carinho
Não tem o dissabor
De andar pelas ruas
Falando sozinho

Meu santo é forte
É do bom e com ele é assim
Não dará ousadia
De ver ela rir
Ou zombarem de mim

(refrão)

Por isso é que fiz
A Deus uma oração
Pra não ter por mulher
Aquilo que se diz
Amor ou paixão

Desejo gostar
E quero delas todas zombar
Sem meu sacrifício
Pra meu benefício
A vida gozar

(refrão)

Abandonado

Castro Barbosa
Abandonado! (samba, 1931) - Jonjoca (João de Freitas)

Disco 78 rpm / Título: Abandonado! / Autoria: Jonjoca, 1911- (Compositor) / Almirante, 1908-1980 (Intérprete) / Castro Barbosa (Intérprete) / Jonjoca, 1911- (Intérprete) / Canhoto (Tramontano, Waldiro), 1908-1987 (Acompanhante) / Grupo (Acompanhante) / Imprenta [S.l.]: Victor, 13/10/1931 / Nº Álbum 33481


Abandonado!
Vou vivendo sem você
Para nunca mais sofrê,
Meu bem
Sua amizade
Nunca me deixou saudade
Você pode até morrê

(Abandonado eu vivo)(x2)

Eu por você não vou chorar
Não precisa consolar
Que eu também ia deixar
O amor
Que nos uniu por tanto tempo
E depois
Graças a Deus que acabou
Sem eu sentir que estava

Abandonado!
Vou vivendo sem você
Para nunca mais sofrê,
Meu bem
Sua amizade
Nunca me deixou saudade
Você pode até morrê
(Abandonado eu vivo)(x2)

Eu de você
Já estava cheio
Digo isto sem receio
Porque nunca de mulher
Que nem mesmo
E lastimo em me lembrar
Francamente
Não ter sido isso mais cedo

No bico da chaleira II

Durante 20 anos, de 1895 a 1915, o general José Gomes Pinheiro Machado, líder do Partido Republicano Conservador, senador pelo Rio Grande do Sul, foi o homem forte do Legislativo e a eminência parda de muitos governos. Todos pensavam que um dia ele seria presidente da República, mas nunca chegou lá. Foi assassinado em 1915, por um desequilibrado mental.

Gaúcho, Machado não passava sem seu chimarrão. E bastava a cuia de mate esvaziar para os bajuladores correrem atrás de água quente. Era a "turma do pega na chaleira". Como o senador morava no alto do Cosme Velho, a música fala em "subir esta ladeira". E menciona também “Os Democratas”, uma das mais populares sociedades carnavalescas do Rio na época, que exibia em seu estandarte uma águia de prata.

A polca fez tanto sucesso no carnaval de 1909 que deu motivo para a peça de teatro-revista, de Raul Perderneiras e Ataliba Reis, intitulada Pega na chaleira. E mais: foram compostas duas outras músicas sobre o mesmo tema. A primeira, mais picante e maliciosa, de Eustórgio Wanderley, igualmente chamava-se No bico da chaleira; a segunda, Pega na chaleira, de Eduardo das Neves, fazia crítica genérica aos aduladores (“Neste século de progresso / Nesta terra interesseira / Tem feito grande sucesso / O tal “pega na chaleira”).

No bico da chaleira (polca, 1909)- Eustórgio Wanderley

Título: No bico da chaleira / Gênero musical: Humor / Intérpretes: Os Geraldos / Compositor: Eustórgio Vanderley / Gravadora Odeon / Número do Álbum: 108341 / Data de Gravação: 1907-1912 / Data de Lançamento: 1907-1912 / Lado único / Acervo Humberto Franceschi / Disco 78 rpm:


Menina eu quero só por brincadeira
Pegar no bico da sua chaleira
Ela está quente e se você segura
Fica com uma grande queimadura.

É moda agora e eu justifico
(Com que eu implico)
Pegar no bico de uma chaleira
Muita senhora nos engrossando
Leva pegando a vida inteira.

Se você vai apertar-me no bico
Não imagina como eu logo fico
Não, eu seguro assim desta maneira
Lá no biquinho da sua chaleira.

Agora é moda / Com o que eu implico
Pegar no bico / De uma chaleira
Moço da roda / É gente fina
Tem esta sina / A vida inteira.

Ai, se eu consigo pegar de bom jeito
Você vai ver como eu pego direito
Sem ser no bico / Quer pegar na asa?
Talvez consinta, passa lá em casa.

Vamos depressa tomar um chazinho
Enquanto esquenta mais que um tempinho
Ela também está como eu fico
Quando um chazinho toma-se no bico.



Fonte: Franklin Martins - Site Oficial - Conexão Política

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2008

Eustórgio Wanderley

Eustórgio Wanderley nasceu no dia 5 de setembro de 1882, na cidade do Recife, PE, onde estudou e morou durante quase toda sua vida. Adulto, dedicou-se ao jornalismo, atuando no Diário da Manhã e no Jornal do Recife.

Dando vazão aos seus pendores musicais, foi parceiro de Nelson Ferreira em diversas valsas e canções, sendo um dos primeiros pernambucanos a participar, pelo selo da RCA – Victor, da discografia brasileira, através de suas cançonetas que fizeram muito sucesso, como A pianista, O almofadinha e A melindrosa.

Durante o tempo que morou no Rio escreveu no Correio da Manhã, em A Noite Ilustrada, no Jornal do Brasil e em O Malho.

Em 1909 compôs a versão mais e picante e maliciosa da polca No bico da chaleira (a primeira versão foi escrita por Juca Storoni também no mesmo ano), gravada na Casa Edison pelos Os Geraldos.

Poeta, teatrólogo, foi membro da Academia Pernambucana de Letras e do Instituto Arqueológico, Histórico e Geográfico de Pernambuco.

Quando residia no Recife, publicou em dois volumes, Tipos Populares do Recife Antigo (1953/54).

Faleceu no dia 31 de maio de 1962, no Rio de Janeiro.

Fonte: Dicionário de Folcloristas Brasileiros.

Faz-me rir

Edith Veiga

Faz-me rir (Me dá riza) (bolero, 1961) - F. Yoni e E. Arias

Como podes pensar que te quero?
Como podes sonhar com o meu amor?
Se uma vez eu te dei meu carinho
E a tua ilusão, encheu-me de dor
Não é dizer que eu sou vaidosa
Mas, estou orgulhosa de ser.
A mulher que outros homens pretendem
E a ti não quero voltar a querer

Faz-me rir o que andas dizendo
Que te adoro, que morro por ti
Não te enganes dizendo mentiras
Não te enganes, não te faças rir

Até parece impossível que um dia
Foste o homem sonhado por mim
Esta cínica farsa de agora
Faz-me rir, ai...faz-me rir...

terça-feira, 26 de fevereiro de 2008

Dança chinesa

Dança Chinesa (marcha, 1953) - Haroldo Lobo e Nestor de Holanda - Interpretação: Olivinha Carvalho

A dança que o china dança,
É gozada de se dançar,
Ele dá um pulinho,
Prá lá e pra cá,
E não sai do lugar.

A dança que o china dança,
É gozada de se dançar,
Ele dá um pulinho,
Prá lá e pra cá,
E não sai do lugar.

Oi, vale tudo lá em Pequim,
Dança chinesa com chinesa,
E chim com chim,
É chim prá lá, é chim pra cá,
É chim prá lá, é chim pra cá,
E fica nesse lero-lero, até o fim...

sábado, 23 de fevereiro de 2008

Sarambá


Disco 78 rpm / Título da música: Sarambá / Autoria: Duque (Compositor) / Thomaz, J (Compositor) / Anjos do Inferno (Intérprete) / Imprenta [S.l.]: Rca victor, 1945 / Nº Álbum 800318 / Gênero musical: Samba


Olha o sarambá
Ô tia
Olha o sarambá
Olha o sarambá
Ò nega
Olha o sarambá

Olha o sarambá
Ô tia
Olha o sarambá


Olha o sarambá
Ô nega
Olha o sarambá

Mon samba se dance toujours encadence
Petit pas par-ci, petit pas par-la
Il faute de l'aisance, beaucoup d'elegance
Le corps se balance, dançant le samba
Ô tia

Olha o sarambá
Ô tia
Olha o sarambá
Olha o sarambá
Ô nega
Olha o sarambá

Seu Julinho vem

Freire Jr.
A marchinha é quase uma peça de campanha de Júlio Prestes, candidato oficial a presidente da República, mas nem por isso deixa de ser saborosíssima. Fez grande sucesso no carnaval de 1929, e foi cantada numa revista teatral de abril do mesmo ano.

"Seu Toninho" é Antônio Carlos de Andrada, presidente de Minas Gerais (“terra do leite grosso”), que se recusava a aceitar a indicação de “Seu Julinho”, de São Paulo, rompendo com a política do café-com-leite - um mandato no Palácio do Catete para a elite paulista, outro para elite mineira -, que vigorou durante quase toda a República Velha. A referência ao Rio de Janeiro explica-se: o Rio era a capital do país, a sede do poder.

Seu Julinho vem (marcha, 1930) - Freire Júnior

Disco 78 rpm / Título da música: Seu Julinho vem / Autoria: Freire Junior (Compositor) / Francisco Alves (Intérprete) / Orquestra Pan American (Acompanhante) / Imprenta [S.l.]: Odeon, 1929 / Nº Álbum 10373 / Gênero musical: Marcha


Ó Seu Toninho
Da terra do leite grosso
Bota cerca no caminho
Que o paulista é um colosso
Puxa a garrucha
Finca o pé firme na estrada
Se começa o puxa-puxa
Faz do seu leite coalhada

Seu Julinho vem, Seu Julinho vem
Se o mineiro lá de cima descuidar
Seu Julinho vem, Seu Julinho vem
Vem, mas custa, muita gente há de chorar

Ó Seu Julinho, tua terra é do café
Fique lá sossegadinho
Creia em Deus e tenha fé
Pois o mineiro
Não conhece a malandragem
Cá no Rio de Janeiro
Ele não leva vantagem



Fonte: Franklin Martins - Site Oficial - Conexão Política

Samba no Rocha

Sílvio Caldas
Samba no Rocha (samba, 1930) - Teobaldo Marques da Gama

Disco 78 rpm / Título da música: Samba no rocha / Autoria: Gama, Teobaldo Marques da (Compositor) / Sílvio Caldas (Intérprete) / Imprenta [S.l.]: Victor, 1930 / Nº Álbum 33279 / Gênero musical: Batucada


Oi!
Mas que samba que tem no Rocha?
O que tem esse samba?
É
Samba escuro só tem cabrocha
Vou cair nesse samba (x2)


Samba de sanfona
Gaita, violão
Pandeiro de lona
Pratos de pirão (x2)

Samba de arrelia
Só dá gente bamba
Só pancadaria
Faz parte do samba (x2)

Quebra, quebra gabiroba

Januário de Oliveira
Quebra, quebra gabiroba (marcha/carnaval, 1930) - Plínio Brito

Disco 78 rpm / Título da música: Quebra quebra gabiroba / Autoria: Brito, Plínio (Compositor) / Januário de Oliveira (Intérprete) / Imprenta [S.l.]: Columbia, 1930 / Nº Álbum 5183 / Gênero musical: Marcha


Ó quebra, quebra gabiroba
Eu quero ver quebrar
Ó quebra, quebra gabiroba


Eu quero ver quebrar
Ó quebra, quebra gabiroba
Eu quero só te amar
Ó quebra, quebra gabiroba


Eu quero só brincar
Ó quebra aqui e quebra lá
Eu quero ver quebrar

É no Rio de Janeiro
Que é a terra do amor
Só se vive sem dinheiro
Mas se goza com calor

É no Rio de Janeiro
Que é a terra do amor
Só se vive sem dinheiro
Mas se goza com calor

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2008

Iaiá, Ioiô

A pequena notável
Iaiá, Ioiô (marcha/carnaval, 1930) - Josué de Barros - Intérprete: Carmen Miranda

Disco 78 rpm / Título: Iaiá, ioiô / Autoria: Barros, Josué de, 1888-1959 (Compositor) / Miranda, Carmen, 1909-1955 (Intérprete) / Coro (Acompanhante) / Orquestra Victor (Acompanhante) / Orquestra (Acompanhante) / Imprenta[S.l.]: Victor, 23/01/1930 / Nº Álbum 33259 / Gênero: Marcha carnavalesca


Ioiô, Iaiá
Me dá licença pra brincá no carnavá
Iaiá, Ioiô
Você não vai mas dexa eu ir
Eu vô


Nunca vi festa tão boa (Iaiá, Ioiô)
Carnavá é memo tudo (Iaiá, Ioiô)
São três dias de alegria (Iaiá, Ioiô)
Isso faz ficá maluco (Iaiá, Ioiô)

Ioiô, Iaiá
Me dá licença pra brincá no carnavá
Iaiá, Ioiô
Você não vai mas dexa eu ir
Eu vô

Você diz que vai s'imbora (Iaiá, Ioiô)
Não me importa, não faz mal (Iaiá, Ioiô)
Eu só quero que tu voltes (Iaiá, Ioiô)
Só depois do carnavá (Iaiá, Ioiô)

Ioiô, Iaiá
Me dá licença pra brincá no carnavá
Iaiá, Ioiô
Você não vai mas dexa eu ir
Eu vô

Você diz que me despeja (Iaiá, Ioiô)
Eu só to querendo ver (Iaiá, Ioiô)
Depois não pegue a chorá (Iaiá, Ioiô)
Quando tu te arrependê (Iaiá, Ioiô)

Ioiô, Iaiá
Me dá licença pra brincá no carnavá
Iaiá, Ioiô
Você não vai mas dexa eu ir
Eu vô

Quando nóis dois se encontrô (Iaiá, Ioiô)
Nóis pegamo a se gostá (Iaiá, Ioiô)
Tu me disse umas coisinha (Iaiá, Ioiô)
Eu nem quero me alembrá (Iaiá, Ioiô)

Guriatã de coqueiro

Ratinho
Guriatã de coqueiro (cantiga, 1930) - Ratinho (Severino Rangel de Carvalho)

Disco 78 rpm / Título da música: Guriatã de coqueiro / Autoria: Ratinho, 1896-1972 (Compositor) / Ratinho, 1896-1972 (Intérprete) / Imprenta [S.l.]: Odeon, 1930 / Nº Álbum 10656 / Gênero musical: Cantiga


Guriatã de coqueiro
Fugiu da sua gaiola

Guriatã de coqueiro
Bateu asa e foi-se embora (x2)

Eu não sei porque motivo
Guriatã foi-se embora


Foi-se embora e me deixou
Também a minha viola
Companheira inseparável
Que minhas mágoa consola

Guriatã de coqueiro
Fugiu da sua gaiola

Guriatã de coqueiro
Bateu asa e foi-se embora (x2)

De manhã muito cedinho
Logo que me levantava
Ia no pé de coqueiro
Falar com guriatã
E pedir pra ela cantá
A saudação da manhã

Guriatã de coqueiro
Fugiu da sua gaiola

Guriatã de coqueiro
Bateu asa e foi-se embora (x2)

Vou fazê uma premessa
Ao meu santo protetor
Pra fazê ele vortá
Esse pássaro cantadô
Pra alegria de meu rancho
Que nunca mais se alegrô

Eu sou do amor

Marcha carnavalesca de Ary Barroso que concorreu ao concurso da revista O Cruzeiro, com o nome da noiva - Yvonne Arantes, sob o pseudônimo "Boy", obtendo o 2º lugar. Gravada na Columbia pelo cantor Januário de Oliveira, acompanhado pelo Jazz Band Columbia (Gaó, Jonas, Petit, Zezinho, Sutte, Grany e Jararaca) e lançado em março de 1930.

Eu sou do amor (marcha / carnaval, 1930) - Ary Barroso

Disco 78 rpm / Título da música: Eu sou do amor / Autoria: Barroso, Ary (Compositor) / Oliveira, Januário de (Intérprete) / Jazz Band Columbia (Acompanhante) / Imprenta [S.l.]: Columbia, 1930 / Nº Álbum 5188 / Gênero musical: Marcha


Meu amor eu vou me embora,
Agora, agora
Não, não quero ouvir mais queixa
Me deixa, me deixa

Eu sou do amor,
Não posso perder ó flor
Eu sou do amor,
Não posso perder ó flor

Vai contar o seu segredo,
Sem medo, sem medo
Não me passo pra feitiço,
Que é isso, que é isso

Eu sou do amor,
Não posso perder ó flor
Eu sou do amor,
Não posso perder ó flor

É sopa

A marchinha de Eduardo Souto (foto) recorre ao futebol para descrever as forças que iriam se defrontar na campanha de 1929/1930. De um lado, o combinado A, o time do continuísmo, tendo como capitão “Seu” Julinho Júlio Prestes, presidente da província de São Paulo; do outro, o combinado B, da oposição, capitaneado por “Seu Tonico” (Antônio Carlos Ribeiro de Andrada, presidente da província de Minas Gerais).

O doutor Macaé, árbitro do jogo, era o próprio presidente da República, Washington Luís (embora paulista, nascera em Macaé, no Estado do Rio). Antônio Carlos briga com o juiz e é posto para fora do jogo. Vai se aliar com os gaúchos, liderados por Getúlio Vargas, e os paraibanos, comandados por João Pessoa, numa chapa dissidente, contra a maioria dos estados, chefiados pelo Catete.

Como os dois lados apregoavam que venceriam com facilidade, a marchinha fez do “É sopa, é sopa, é sopa” seu estribilho. Não se descobriu quem é o “seu Tomé” que aparece ao final da música, aquele que foi para o gol e levou uma bruta lavagem.

É sopa (17 a 3) (marcha, 1930) - Eduardo Souto - Disco 78 rpm - Intérprete: Francisco Alves - Orquestra Pan American (Acompanhante) - Imprenta [S.l.]: Odeon, Agosto 1929-Novembro 1929 - Nº Álbum 10484 - Gênero musical: Marcha humorística


“Vai começar o grande jogo para a conquista da taça oferecida pelo Catete Futebol Clube (gritos)
Combinado B: “captain” Seu Tonico (gritos)
Combinado A: “captain” Seu Julinho (gritos)
Juiz: doutor Macaé, muito digno presidente do Catete Futebol Clube

Seu Tonico sem razão.
Ao juiz desatendeu,
E foi tal sua afobação,
Que a cabeça até perdeu.
O juiz, que é da barbada,
Seu Tonico pôs pra fora.
E gritou pra rapaziada:
Toca o bonde, tá na hora!

Pra vencer o combinado brasileiro.
Diz Getulinho: “É sopa, é sopa, é sopa”.
Paraibano com gaúcho e com mineiro.
Diz o Julinho: “É sopa, é sopa, é sopa”.

Foi pro gol o seu Tomé,
Bonde errado e sem coragem.
A torcida não fez fé.
Houve então bruta lavagem.
Pra jogar bem futebol
Só paulista e carioca.
Chova muito ou faça sol,
É no pau da tapioca.

Pra vencer o combinado brasileiro
Diz Getulinho: “É sopa, é sopa, é sopa”.
Paraibano com gaúcho e com mineiro,
Diz o Julinho: “É sopa, é sopa, é sopa.



Fonte: Franklin Martins - Site Oficial - Conexão Política

Dolorosa saudade

Dolorosa saudade (valsa, 1930) - Jararaca e Ratinho

Disco 78 rpm / Título da música: Dolorosa saudade / Autoria: Jararaca, 1896-1977 (Compositor) / Ratinho, 1896-1972 (Compositor) / Turunas da Mauricéia (Intérprete) / Imprenta [S.l.]: Odeon, 1929 / Nº Álbum 10503 / Gênero musical: Valsa


Dolorosa saudade
Em meu coração
E então, pois bem sei
Que não podia estar
Tão longe de mim


É por tua maldade
Que hoje fico a sofrer
Vem um dia, meu querer
Para consolação viver

Bem sei que em mim não pensas
Mulher sem coração
Mas tem como consolo
Essa separação
Mas um dia virás
Que hás de me querer
E então compreenderás
O que é sofrer

Porque quando souberes
Que em braços de outra
Aquele que te amou
E que por ti sofreu
Procura um consolo
Uma gota de amor
Por não mais suportar a dor

Mesmo assim
Já quase tenho fé e esperança
Se compreenderes o mal que fizeste
E ainda me quiseres de mim ter lembrança
Podes vir
Indulto então deixarei
Esquecendo o passado
Meu perdão darei...

A cocaína

A cocaína (canção-tango, 1923) - J. B. da Silva "Sinhô" - Interpr.: Anabel Albernaz -

Só o vício me traz
Cabisbaixa me faz
Reduz-me a pequenina
Quando não tenho à mão
A forte cocaína.

Quando junto de mim
Ingerida em porção
Sinto só sensação
Alivia-me as dores
Neste meu coração.

Ai, ai és a gota orvalina
Só tu és minha vida
Só tu ó cocaína.

Ai, ai mas que amor purpurina
É o vício arrogante
De tomar cocaína.

Sinto tal comoção
Que não sei explicar
A minha sensação
Louca chego a ficar
Quando a sinto faltar.

Esse sal ruidoso
Que a mim só traz gozo
Somente de olhar
E para esquecer
Eu começo a beber.

Quando estou cabisbaixa
Chorando sentida
Meio entrestecida
É que o vício da vida
Torna a alma perdida.

Louca hás de voltar
Vendo-me estrangular
Para o vício afogar
Neste toque fugaz
Que me há de findar.

Coca

Francisco. Mignone
Coca (valsa, 1930) - Francisco Mignone

Quando Sinhô compôs a canção-tango A cocaína em 1923 (Só o vício me traz / cabisbaixa me faz / reduz-me a pequenina / quando não tenho à mão / a forte cocaína / quando junto de mim / ingerida em porção / sinto só sensação / alivia-me as dores / neste meu coração), e Francisco Mignone a sua valsa Coca em 1930, não estavam exaltando nada proibido, na época e aqui no Brasil.

A droga era vendida em farmácias, como elixir para "os males do espírito", como nos reclames da época. Felizmente foi descoberto o grande estrago que a cocaína causa, que antes era encarada como um "divertido elixir" .

Disco 78 rpm / Título da música: Coca / Autoria: Mignone, Francisco, 1897-1986 (Compositor) / Orquestra Paulistana (Intérprete) / Imprenta [S.l.]: Parlophon, 1930 / Nº Álbum 13209 / Gênero musical: Valsa


A cocaína (canção-tango, 1923) - Sinhô

Só o vício me traz / Cabisbaixa me faz
Reduz-me a pequenina / Quando não tenho à mão
A forte cocaína.

Quando junto de mim / Ingerida em porção
Sinto só sensação / Alivia-me as dores
Neste meu coração.

Ai, ai és a gota orvalina / Só tu és minha vida
Só tu ó cocaína. / Ai, ai mas que amor purpurina
É o vício arrogante / De tomar cocaína.

Sinto tal comoção / Que não sei explicar
A minha sensação / Louca chego a ficar
Quando a sinto faltar.

Esse sal ruidoso / Que a mim só traz gozo
Somente de olhar / E para esquecer
Eu começo a beber.

Quando estou cabisbaixa / Chorando sentida
Meio entristecida / É que o vício da vida
Torna a alma perdida.

Louca hás de voltar / Vendo-me estrangular
Para o vício afogar / Neste toque fugaz
Que me há de findar.




Cena do Espetáculo: "Teatro Musical Brasileiro 1915-1945 de Luiz Antonio Martinez Corrêa Participação de Anabel Albernaz e Andréa Dantas Teatro João Caetano RJ - 1994


Fontes: Sinhô, o rei do Samba; Letras que falam de drogas - Samba & Choro.

Canção dos infelizes

Canção dos infelizes (canção, 1930) - Donga, Luiz Peixoto e Marques Porto

Disco 78 rpm / Título: Canção dos infelizes / Autoria: Donga, 1890-1974 (Compositor) / Peixoto, Luiz (Compositor) / Porto, Marques (Compositor) / Zaíra Cavalcanti (Intérprete) / Orquestra Pan American (Acompanhante) / Bountman, S (Acompanhante) / Imprenta [S.l.]: Odeon, 1930 / Nº Álbum 10611 / Gênero: Canção


São as mulheres raízes
Com frontes muito elevadas
Umas são sempre felizes
Outras as mais desgraçadas

Há as que amam na vida
E as que só vivem amadas
Sofrem as mais esquecidas
Gozam as sempre lembradas

Eu que quis alguém que não me quis bem
Agora também não quero a ninguém
Dei meu amor, deixaram perder
Eu morro de dor, mas hei de esquecer

No coração das mulheres
Quando um amor se agasalha
Ou dá milhões de prazeres
Ou corta mais que navalha

Uma infeliz quando ama
Não há amor igual ao dela
Anda mais baixa que a lama
Ou sobe mais que uma estrela

Eu quis alguém
Que não me quis bem
Agora também não quero ninguém
Se meu amor, deixaram perder
Eu morro de dor, mas hei de esquecer

Adda

Adda (valsa, 1930) - Mário Ramos e Salvador Morais

Valsa de Mário Ramos e Salvador José de Moraes, interpretada por Augusto Calheiros no Teatro Lírico em 1927. Em disco, porém, só apareceu em 1929, em gravação instrumental da Orquestra Rádio-Central. Em janeiro de 1930, saiu a primeira gravação cantada, na voz de Francisco Alves. Calheiros só a gravou em 25 de fevereiro de 1955, na Odeon, e o 78 rpm, com o n.o 13968-A, matriz 10452, saiu em janeiro de 56, coincidindo com a morte do cantor (Fonte: Samuel Machado Filho).


Adda, meu doce amor
Adda, meu terno afeto
Tu tens a fragrância, o esplendor
O perfume da flor

Do meu sonho dileto

Adda, meu ideal
Ó minha inspiração
Tu és o meu casto fanal
Que palpita afinal
Sempre em meu coração


Quando vi teu perfil
Quando vi teu olhar
Eu te achei tão gentil
Linda, casta, infantil,
Como a luz do luar.

Desde logo eu te amei
Desde logo eu te quis
Foi o que eu adorei
desde que acho e que sei
Que quem ama, é feliz

Ó Adda, meu coração tu tens risonho
Pois só penso em ti
Desde o dia em que te vi
Resplender o teu ser
E sorrir ao meu sonho

Ó Adda, como é sereno o teu olhar
É o santo elixir
Do meu doce porvir
Meiga luz, que me pus à adorar.

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2008

Vou à Penha

Mário Reis
Vou à Penha (samba, 1929) - Ary Barroso

Disco 78 rpm / Título da música: Vou à Penha / Autoria: Barroso, Ary (Compositor) / Mário Reis (Intérprete) / Orquestra Pan American (Acompanhante) / Imprenta [S.l.]: Odeon, 1928 / Nº Álbum 10298 / Lado A / Gênero musical: Samba


Eu vou à Penha
Se Deus quiser

Pedir à Santa carinhosa
Para fazer de ti mulher
De um coração, a rainha
Mais poderosa
E orgulhosa


Eu vou pedir, com tanta fé
E todo ardor de um namorado
Eu sei que a Santa quer pureza
E meus olhos vão dizer
O que sinto com certeza

Vou à Penha
Vou pedir, vou implorar
Para a Santa me ajudar

Quando eu voltar
Virei contente
Pra te dizer, mulher formosa
Que meu amor é diferente
Desse amor de que falas
Ser o primeiro e verdadeiro

Quero provar
Que estás errada
E fui à Penha, só pra isso
A minha oração rezada
Vai de certo afastar
De meu peito um tal feitiço

Tutu Marambá

Em 1929 Joubert de Carvalho mostrou para Olegário Mariano as melodias para dois poemas seus, o Cai, cai, balão e Tutu Marambá, gravadas por Gastão Formenti, dando início a uma parceria de 24 composições.

Tutu Marambá (canção, 1929) - Joubert de Carvalho e Olegário Mariano

Disco 78 rpm / Título da música: Tutu Marambá / Autoria: Carvalho, Joubert de (Compositor) / Mariano, Olegário, 1889-1958 (Compositor) / Formenti, Gastão (Intérprete) / Imprenta [S.l.]: Odeon, 1929 / Álbum número 10333 / Lançamento: 1929 / Lado A / Gênero musical: Canção


Tutu Marambá não venhas mais cá
Que o pai do menino te manda matar...

No seu berço de renda
Com brocardo de oiro
Os olhinhos redondos
De espanto e alegria!
Ele olha a vida
Como quem olha um tesoiro
Meu filho
É o mais lindo dessa freguesia!

O filho da coruja
A boquinha em rosa
A mãozinha suja
Com os dedinhos gordos
Já dá adeus!

Fala uma língua que ninguém compreende
Toda a gente que o vê se surpreende
Tão bonitinho
Benza Deus!

É redondo
Como uma bola
O seu polichinelo
Como um grande riso
É a única cousa que o consola:
Meu filho é o meu melhor sorriso...

De noite clara
Anda lá fora
O luar entra no quarto mais lindo
Com a expressão angélica de beijar
Roça o berço
O menino está dormindo
Então a voz de maldizente
Vai cantando maquinalmente:

Tutu Marambá não venhas mais cá
Que o pai do menino te manda matar...

Sou da fuzarca

Benício Barbosa
Sou da fuzarca (marcha/carnaval, 1929) - Vantuil de Carvalho

Disco 78 rpm / Título da música: Sou da fuzarca / Autoria: Carvalho, Vantuil (Compositor) / Benício Barbosa (Intérprete) / Oito Batutas, 1919-1928 (Acompanhante) / Orquestra do dos Oito Batutas (Acompanhante) / Imprenta [S.l.]: Odeon, 1928 / Nº Álbum 10294 / Marcha


Sou da fuzarca (Sou da fuzarca)
Não nego, não (Não nego, não)

É por isso mesmo
Que eu não te dou meu coração

O teu amor não quero
Eu prefiro a nota

Esse negócio de amor
É uma lorota

Se faço assim contigo
É de coração
Porque não posso
Andar assim na prontidão

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2008

Seu Doutor

Francisco Alves
Seu Doutor (marcha/carnaval, 1929) - Eduardo Souto - Intérprete: Francisco Alves

A marchinha carnavalesca "Seu Doutor" foi cantada por Dimas Alonso no teatro de revista "Que buraco, seu Luís!", encenada em 1928 no Teatro Carlos Gomes. Era mais uma música investindo contra o então presidente Washington Luís e seu "bom companheiro" Júlio Prestes de Albuquerque, candidato governista à sua sucessão, inclusive fazendo referência à não-implantação do cruzeiro como moeda nacional. O cruzeiro só seria adotado em 1942, durante o Estado Novo.

Em janeiro de 1929, saiu pela Odeon esta gravação de Francisco Alves, disco 10312-B, matriz 2148, com direito até a uma declamação debochada do estribilho, feita pelo próprio Chico. Na mesma sessão, ele fez outro registro de "Seu doutor", matriz 2148-1, lançado com o selo Parlophon sob número 12908-A, no qual um assobio substitui a declamação aqui ouvida (Fonte: Samuel Machado Filho).

Disco 78 rpm - Título da música: Seu doutor - Autoria: Souto, Eduardo (Compositor) - Alves, Francisco (Intérprete) - Orquestra Pan American (Acompanhante) - Imprenta[S.l.]: Odeon, 1929 - Álbum 10312


O pobre povo brasileiro
Não tem, não tem, não tem dinheiro
O ouro veio do estrangeiro
Mas ninguém vê o tal cruzeiro

Ó seu Doutor! Ó seu Doutor!
Não zangue não, nem dê o cavaco

Ó seu Doutor! Ó seu Doutor!
Viver assim é um buraco

Que sobe lá para o poleiro
Esquece cá do galinheiro
Só pensa num bom companheiro
A fim de ser o seu herdeiro

Aurora

Zequinha de Abreu
Aurora (valsa, 1929) - Zequinha de Abreu e Salvador Morais

Disco 78 rpm / Título da música: Aurora / Autoria: Morais, Salvador J (Compositor) / Abreu, Zequinha de (Compositor) / Gastão Formenti (Intérprete) / Imprenta [S.l.]: Odeon, 1929 / Nº Álbum 10497


Quis minha doce esposa,
Que me ama com ardor,
À profundeza das águas jogar !

Estava louco, possesso, esse dia...
A meiga companheira,
Toda a minha alegria,
Primeiro amor de minh'alma,
Alegria primeira,
Eu tentei matar !

Uns olhos de infernal fulgor,
Duma infernal sedução,
Dementaram-me de ardor,
Despertando um novo amor,
Com infernal sedução,
No meu coração
Mas, a tempo ainda,
Minh'alma assassina,
Se encheu de luz tão pura e linda...

A luz dourada e matutina,
Do arrependimento,
E ai ! Vi num momento,
Em minha mulher,
A mais sublime e divina,
Aurora de ouro rosicler !....

Meu amor vou te deixar

Mário Reis
Meu amor vou te deixar (samba, 1929) - Orlando Vieira

Disco 78 rpm / Título da música: Meu amor vou te deixar / Autoria: Vieira, Orlando (Compositor) / Mário Reis (Intérprete) / Orquestra Pan American (Acompanhante) / Imprenta [S.l.]: Odeon, 1929 / Nº Álbum 10309 / Gênero musical: Samba


Eu vou me embora
Meu amor, vou te deixar
Não adianta você chorar
Não adianta você chorar (x2)

O teu orgulho
Foi a tua perdição
Iludir com carinho

O meu pobre coração (X2)

Resignado
Estou cansado de sofrer
Meu benzinho, dá o fora
Que não posso mais viver (x2)

Eu vou me embora
Meu amor, vou te deixar
Não adianta você chorar
Não adianta você chorar

Eu tenho dito
Que não quero o teu amor
Já arrumei a roupa
Só falta o carregador (x2)

Lua nova

Francisco Alves
Os letristas do nosso cancioneiro popular, como quaisquer outros que manipulem a palavra escrita, estão sujeitos a enganos semânticos. Este artigo não tem pretensões professorais e nem de longe pretende ferir susceptibilidades.

É apenas um painel divertido dos tropeços dos nossos poetas da música, cometidos por desinformação ou incultura, alguns perfeitamente releváveis, porém outros capazes de doer nos tímpanos. Friso que essas escorregadelas não depõem em nada contra os nossos compositores.

Muita gente famosa andou soltando disparates por aí. Cito vários: Eça de Queiroz falou em mudez taciturna; Aloísio de Castro em estátua escultural; Ataulfo de Paiva, referindo-se ao avião, chamou-o de viatura alígena; Luiz Delfino comparou as mãos da amada: louras como manteiga; Alberto de Oliveira encontrou águas úmidas; Alberto Faria assim descreveu o lança-perfume: etérea língua de áspide aromal.

Feita a ressalva, vamos em frente. A Lua nova tem sido uma casca de banana para os poetas populares, que sempre a confundem com a lua cheia e se derramam em louvores. A lua nova é justamente a fase em que a lua, por estar entre o sol e a terra, fica com sua face escura, não sendo vista. Luis Iglésias, na canção Lua Nova, que compôs em 1928 com Francisco Alves, mostra que a geografia não foi o seu forte.

Lua Nova (canção, 1929) - Francisco Alves e Luís Iglesias

Disco 78 rpm / Título da música: Lua nova / Autoria: Alves, Francisco (Compositor) / Iglésias, Luiz (Compositor) / Alves, Francisco (Intérprete) / Orquestra (Acompanhante) / Imprenta [S.l.]: Odeon, 1951 / Nº Álbum 13143 / Gênero musical: Canção


Quando surgistes, que encantamento
Na minha alcova, toda taful
Pensei que a lua, nesse momento
Tinha caido do céu azul

Vinhas de branco, teu véu ao vento
Mais parecia sonho ou visão
Quando surgiste, que encantamento
Bateu cá dentro meu coração!

Pela janela transparecia,
A lua branca, a lua nova,
Muito espantada vendo a alegria
Que tranbordava da minha alcova

Foi uma noite, apenas uma
Não mais volvestes ao ninho em flor
O leito branco da cor da espuma
Chora saudoso do nosso amor

Na minha alcova imersa em bruma
Emudecida depois ficou
Foi uma noite, apenas uma
Foi uma noite que já passou

Pela janela eu vejo agora
A lua branca, a lua nova
Muito espantada fitar de fora
Toda tristeza da minha alcova.



Fonte: Livro MPB História de Sua Gente - Capítulo 1 - Esses Destoaram

Hula

Joubert de Carvalho
Hula (valsa, 1929) - Joubert de Carvalho e Olegário Mariano

Disco 78 rpm / Título da música: Hula / Autoria: Carvalho, Joubert de (Compositor) / Mariano, Olegário, 1889-1958 (Compositor) / Gastão Formenti (Intérprete) / Imprenta [S.l.]: Parlophon, 1929 / Nº Álbum 12982 / Gênero musical: Valsa


Ao teu olhar meu coração se incendeia
Abrindo em luz as candeias do amor
Mas quem sabe se o tempo faz apagar
A maldição da minha dor ...

Hula, Hula
Fala baixinho
E deixa seguir meu caminho
Hula, Hula
Como padeço
Humilhado porque não te esqueço
Tudo na vida eu farei
Para dar-te um dia
Um beijo que nunca te dei ...

O meu perdão
Tu não terás nessa vida
Porque malvada és, fingida demais
O que punge mais fundo
É a recordação de um tempo bom
Que não vem mais ...

Hula, Hula
Tenho desfeito teu sonho
Cá dentro do peito
Hula, Hula
Quanta saudade
Meus olhos parados invade
Como eu seria feliz se esquecer pudesse
O bem que na vida te quis ...

É sim senhor

Francisco Alves
É sim senhor (samba/carnaval, 1929) - Eduardo Souto - Disco 78 rpm - Intérprete: Francisco Alves - Orquestra Pan American (Acompanhante) - Imprenta [S.l.]: Odeon, 1929 - Nº Álbum 10312 - Gênero: Samba


Ele é paulista?
É sim senhor
Falsificado?
É sim senhor
Cabra farrista?
É sim senhor
Matriculado?
É sim senhor

Ele é estradeiro?
É sim senhor
Habilitado?
É sim senhor
Mas o cruzeiro?
É sim senhor
Ovo gorado?
É sim senhor

Vem, vem, vem
Pra ganhar vintém
Vem, seu Julinho, vem
Aproveitar também

Me faz carinhos

Francisco Alves
Me faz carinhos (samba, 1928) - Ismael Silva e Francisco Alves

Disco 78 rpm / Título da música: Me faz carinhos / Autoria: Alves, Francisco (Compositor) / Silva, Ismael, 1905-1978 (Compositor) / Alves, Francisco (Intérprete) / Orquestra Pan American do Cassino Copacabana (Acompanhante) / Imprenta [S.l.]: Odeon, 1927-1928 / Nº Álbum 10100 / Gênero musical: Samba


Mulher, tu não me faz carinho
Teu prazer é de me ver aborrecido
Ora vai, mulher, se estás contrariada
Tu não és obrigada a viver comigo

Se eu fosse um homem branco
Ou por outra mulatinho
Talvez eu tivesse sorte
De gozar os teus carinhos


A maré que enche e vaza
Deixa a praia descoberta
Vai-se um amor e vem outro
Nunca vi coisa tão certa

Oh! Meu bem, o teu orgulho
Algum dia há de acabar
Tudo com o tempo passa
A sorte é Deus quem dá

Vou-me embora, vou-me embora
Sumo já disse que vou
Eu aqui não sou querido
Mas na minha terra eu sou

Eu quero é nota

Francisco Alves
Eu quero é nota (samba, 1928) - Artur Faria

Disco 78 rpm / Título da música: Eu quero é nota / Autoria: Faria, Artur (Compositor) / Francisco Alves (Intérprete) / Orquestra Pan American do Cassino Copacabana (Acompanhante) / Imprenta [S.l.]: Odeon, 1928 / Nº Álbum 10190 / Gênero: Samba.


Eu quero é nota, carinho e conceito
Para viver descansado
Cheio de alegria, meu bem
Com uma cabrocha ao meu lado

Eu queria ter dinheiro
Que fosse em grande porção
Eu comprava um automóvel
E ia morar no Leblon

Eu, como sou operário
E não posso ser barão
Vou morar lá em Mangueira
Num modesto barracão

Eu fui no mato, crioula

Francisco Alves
Eu fui no mato, crioula (marcha/carnaval, 1928) - J. Gomes Júnior

Disco 78 rpm / Título da música: Eu fui no mato crioula / Autoria: Júnior Gomes, J (Compositor) / Francisco Alves (Intérprete) / Orquestra Pan American do Cassino Copacabana (Acompanhante) / Imprenta [S.l.]: Odeon, 1928 / Nº Álbum 10126 / Gênero: Marcha.


Eu fui no mato, crioula
Cortá cipó, crioula
Eu vi um bicho, crioula
De um olho só


Não era bicho, crioula
Não era nada, crioula
Era uma velha, crioula
Muito assanhada


Não quero teima, olé
Não vá teimá, sinhá
Quero brincá, olá
No Carnavá

Eu fui num auto, crioula
De lotação, crioula
Tinha boi dentro, crioula
De jaquetão

Fui ao teatro, crioula
Ai, não se zangue, crioula
Não pude entrar, crioula
Cai no Mangue

Não quero teima, olé
Não vá teimá, olá
Quero brincá
No Carnavá

Caridade

Francisco Alves
Caridade (samba/carnaval, 1928) - Sebastião Santos Neves e Anísio Mata

Disco 78 rpm / Título da música: Caridade / Autoria: Mata, Anísio (Compositor) / Neves, Sebastião Santos (Compositor) / Francisco Alves (Intérprete) / Orquestra Syncopaters (Acompanhante) / Imprenta [S.l.]: Odeon, 1928 / Nº Álbum 10120 / Gênero: Samba.


Já é demais
Tanta caridade
E não se pode
Transitar pela cidade

Segunda-feira é do repolho
Terça-feira é do abacate
Quarta-feira é da navita

Quinta-feira é do tomate

Sexta-feira elas preparam
Mais um golpe inteligente
E no sábado saem à rua
Raspando o bolso da gente

De todas as caridades
Que paga o povo lampeiro
O doente, o cego e o pobre
Do cobre só sente o cheiro

Amanhã, dia do chifre
Da cabeça do demônio
Mais uma colheita gorda
Em benefício do Petrônio

Ai, eu queria

Francisco Alves
Ai, eu queria (samba/carnaval, 1928) - Pixinguinha e Augusto Amaral

Autoria: Amaral, Augusto (Compositor) / Pixinguinha (Alfredo da Rocha Vianna Filho), 1897-1973 (Compositor) / Francisco Alves (Intérprete) / Oito Batutas, 1919-1928 (Acompanhante) / Orquestra Típica (Acompanhante) / Disco 78 rpm Odeon, 1928-1928 - Álbum 10122


Ai, eu queria
Ir uma vez à Bahia (x2)

Conhecer aquele Estado
Porque falam muito bem
Dar um abraço nas baianas
E nos baianos também (x2)

Conhecer São Salvador
O Canela até o fim
A Baixa do Sapateiro
Cais Dourado e Bonfim (x2)

E depois de tudo isso
Despedir-me da folia
E trazer uma baiana
Para a minha companhia (x2)

A malandragem

Bide
A malandragem (samba/carnaval, 1928) - Alcebíades Barcelos e Francisco Alves

Disco 78 rpm / Título da música: A malandragem / Autoria: Barcelos, Alcebíades (Compositor) / Alves, Francisco (Intérprete) / Orquestra Pan American do Cassino Copacabana (Acompanhante) / Imprenta [S.l.]: Odeon, 1928 / Nº Álbum 10113 / Gênero musical: Samba.


A malandragem eu vou deixar
Eu não quero saber da orgia
Mulher do meu bem querer
Esta vida não tem mais valia


Mulher igual
Para gente é uma beleza
Não se olha a cara dela
Porque isso é uma defesa


Arranjei uma mulher
Que me dá toda a vantagem
Vou virar almofadinha
Vou deixar a malandragem

Esses otário
Que só sabe é dar palpite
Quando chega o Carnaval
A mulher lhe dá o suíte

Você diz que é malandro
Malandro você não é
Malandro é seu Abóbora
Que manobra com as mulhé

Os calças largas

Lamartine Babo
A primeira marchinha de Lamartine gravada (interpretada pelo barítono Frederico Rocha), foi a divertida "Os Calças-Largas", em que o compositor debochava dos rapazes que usavam calças boca-de-sino. Em 1937, com a censura imposta pelo Estado Novo de Getúlio Vargas, carnavalescos irreverentes como Lamartine Babo ficaram proibidos de utilizar a sátira em suas composições. Sem a irreverência costumeira, as marchinhas não foram mais as mesmas.

Os calças largas (marcha/carnaval, 1927) - Lamartine Babo e Gonçalves de Oliveira

Título: Os calças largas / Gênero: Marcha carnavalesca / Autor: Lamartine Babo (Compositor) / Gonçalves de Oliveira (Compositor) / Frederico Rocha (Intérprete) / Gravadora Odeon / Número do Álbum: 123268, matriz 1093 / Gravação 1926 / Disco 78.


Acho graça dessa gente convencida
Passeando na Avenida
Passeando na Avenida

Quando passa uma linda criatura
Ficam todos na secura
Ficam todos na secura

Essa gente de jaquetas bem curtinhas
Tem a cara bonitinha
Tem a cara bonitinha

Oh! Que turma esquisita e encrencada
Calça larga bem folgada
Rastejando na calçada

Vem, meu bem
Que os calças largas
Não te podem sustentar
Sem vintém
Almoçam brisas
E à noite vão dançar

Lá na casa de um doutor na Piedade
Foi uma calamidade
Foi uma calamidade

Da tal gente estava a sala infestada
Minha capa foi furtada
Minha capa foi furtada

Do tal charleston é bom não se falar
Faz lembrar peru de água
Quando a gente o quer matar

E os bonecos artificiais são concorrentes
Lá da Praça Tiradentes
Lá da Praça Tiradentes

Dondoca

Zaíra de Oliveira
Dondoca (marcha/carnaval, 1927) - José Francisco de Freitas (Freitinhas)

Título: Dondoca / Gênero: Marcha carnavalesca / Intérpretes: J Júnior Gobes e Zaíra de Oliveira / Compositor: José Francisco de Freitas / Gravadora Odeon / Número do Álbum 123250 / Gravação 1925-1927 / Lançamento 1925-1927 / Lado indefinido / Disco 76 rpm.


Meu Deus! Meu Deus!
Que triste vida
Todos me chamam de comida
Porque eu ando só!

Não treme tanto a gelatina
Que o caldo entorna da terrina
Eu viro pão-de-ló

Dondoca, Dondoca
Anda depressa
Que eu belisco essa pernoca

Minha Dondoca, Dondoquinha
Tu és de fato, és da pontinha
Tem pena do tatu

Eu ando sempre envergonhada
A toda hora beliscada
Que praga de urubu

Vou dar o fora, vou pra casa
Estou nervosa, estou em brasa
Ó céus, que maldição

Eu vou a pé a Cascadura
Vou espiar na fechadura
O teu velho babão