quinta-feira, 14 de fevereiro de 2008

Ameno Resedá

Primeiramente publicada pela Casa Arthur Napoleão (Sampaio, Araújo & Cia.), a vigésima sexta polca editada por Ernesto Nazareth recebeu o título de Ameno Resedá e foi dedicada a um rancho carnavalesco com o mesmo nome a pedido de um de seus diretores, o carteiro Napoleão de Oliveira.

O rancho "Ameno Resedá" foi o mais famoso de todos os ranchos carnavalescos da cidade do Rio de Janeiro. Criado em 1907 por um grupo de funcionários públicos cariocas, após um piquenique em Paquetá, tinha sua sede no bairro do Catete.

Interpretação do Grupo do Louro: Disco 78 rpm - Título da música: Ameno resedá - Autoria: Nazareth, Ernesto, 1863-1934 (Compositor) - Grupo do Louro (Intérprete) - Imprenta [S.l.]: Odeon, 1912-1915 - Nº Álbum 120828 - Gênero musical: Choro



Escovado

Ernesto Nazareth "Escovado" é uma gíria comum que significa "astuto". Ary Vasconcelos nos conta em seu livro Panorama da Música Popular Brasileira que Ernesto Nazareth era um “homem devotado à família que dava geralmente, às músicas que compunha, títulos com que homenageava ora um filho, ora a espôsa, ora um outro parente.” “Travesso” foi dedicado a seu filho Ernesto, “Marieta” e “Eulina” a suas duas filhas, “Dora” a sua esposa Teodora, “Brejeiro” a seu sobrinho Gilberto, etc.

O tango Escovado entra na categoria acima. Em seu CD-ROM Ernesto Nazareth, Rei do Choro, Luiz Antônio de Almeida oferece a seguinte informação sobre a música:"Tango primeiramente editado pela Casa Vieira Machado & Cia. e dedicado a Fernando, irmão caçula do compositor". Tornou-se um dos grande sucessos de Nazareth, tendo sido o seu tema principal posteriormente aproveitado pelo compositor francês Darius Milhaud em Le Boeuf sur le Toit (1919), bailado de sua autoria. Em setembro de 1930, aceitando convide feito por Eduardo Souto, então diretor artístico da Odeon-Parlophon, Nazareth gravou esta peça em disco, recebendo entusiástica acolhida da imprensa.



Fonte: As Crônicas Bovinas - Escovado.

A baratinha

A marcha A baratinha composta pelo português Mário de São João Rabelo, foi divulgada no Brasil por companhias de teatro musicado e foi o grande sucessso no carnaval de 1918. Primeira gravação na Casa Edison em 1917 por Bahiano, e em 1918 na Odeon, pelo grupo O Passo no Choro (instrumental).

A baratinha (marcha / carnaval, 1918) - Mário de São João Rabelo - Intérprete: Bahiano - Coro (Acompanhante) - Disco 76 rpm - Imprenta [S.l.]: Odeon, 1915-1921 - Nº Álbum: 121320 - Gênero musical: Canção carnavalesca



Chega, chega, minha gente,
Que o choro vai começá,
Repara como é gostoso,
Este samba de matá.

A baratinha,a baratinha,
A baratinha, bateu asas e voou.
A baratinha, iaiá,
A baratinha, ioiô,
A baratinha, bateu asas e voou.

Perna de porco, é presunto,
Mão de vaca, é mocotó,
Quem quiser viver feliz,
Deve sempre dormir só...

Minha menina faceira
Cinturinha de retrós
Põe a chaleira no fogo
Vai quentá café pra nós...

Menina da saia curta
Que mora lá no riacho
Atrepa neste coqueiro
Joga-me os cocos pra baixo...

Flor de abacate

A polca Flor do Abacate foi composta por Álvaro Sandim (1862–1919), trombonista e diretor de harmonia na Sociedade Dançante Carnavalesca Ninho do Amor que, em 1913, abandonou esse clube e se juntou ao rancho Flor do Abacate (na foto: o Rancho Flor de Abacate em 1932).

Esse rancho tinha o seu lugar no Largo do Machado no Catete, Rio de Janeiro, o mesmo bairro que acolheu seu rival, o grande Ameno Resedá. Sandim tornou-se diretor musical do rancho e desfilou à frente de sua orquestra no carnaval. Essa orquestra era repleta de músicos de primeira linha da época, incluindo o jovem saxofonista (futuramente mestre de orquestra) Romeu Silva (1893–1958), que seguiu Sandim desde o Ninho do Amor.

A mãe de Dona Ivone Lara era uma pastora no rancho. Em 1915, Sandim compôs a polca que imortalizou o nome do Rancho e seu próprio nos anais do choro.

Flor do Abacate (polca, 1915) - Álvaro Sandim e Felipe Tedesco - Interpretação: Ademilde Fonseca - LP Choros Famosos - Ademilde Fonseca (1960) Philips:



Você veio comigo falar (porquê?)
Pra comigo você namorar (sentei)
E num lindo jardim todo em flor, depois
Nós trocamos juras de amor

Um abraço você quis me dar (não dei)
Um beijinho você quis roubar (neguei)
De mãos dadas ficamos a contemplar
A Lua, que insistia em nos provocar

Mas como a noite estava linda
E o luar, também
Nós dois sentados entre as flores
Sozinhos, e mais ninguém
Num momento em que a lua se escondeu
Meu bem, o meu coração lhe pertenceu



Fontes: Instituto Moreira Sales; Crônicas bovinas.