quarta-feira, 20 de fevereiro de 2008

Seu Doutor

Francisco Alves
Seu Doutor (marcha/carnaval, 1929) - Eduardo Souto - Intérprete: Francisco Alves

A marchinha carnavalesca "Seu Doutor" foi cantada por Dimas Alonso no teatro de revista "Que buraco, seu Luís!", encenada em 1928 no Teatro Carlos Gomes. Era mais uma música investindo contra o então presidente Washington Luís e seu "bom companheiro" Júlio Prestes de Albuquerque, candidato governista à sua sucessão, inclusive fazendo referência à não-implantação do cruzeiro como moeda nacional. O cruzeiro só seria adotado em 1942, durante o Estado Novo.

Em janeiro de 1929, saiu pela Odeon esta gravação de Francisco Alves, disco 10312-B, matriz 2148, com direito até a uma declamação debochada do estribilho, feita pelo próprio Chico. Na mesma sessão, ele fez outro registro de "Seu doutor", matriz 2148-1, lançado com o selo Parlophon sob número 12908-A, no qual um assobio substitui a declamação aqui ouvida (Fonte: Samuel Machado Filho).

Disco 78 rpm - Título da música: Seu doutor - Autoria: Souto, Eduardo (Compositor) - Alves, Francisco (Intérprete) - Orquestra Pan American (Acompanhante) - Imprenta[S.l.]: Odeon, 1929 - Álbum 10312


O pobre povo brasileiro
Não tem, não tem, não tem dinheiro
O ouro veio do estrangeiro
Mas ninguém vê o tal cruzeiro

Ó seu Doutor! Ó seu Doutor!
Não zangue não, nem dê o cavaco

Ó seu Doutor! Ó seu Doutor!
Viver assim é um buraco

Que sobe lá para o poleiro
Esquece cá do galinheiro
Só pensa num bom companheiro
A fim de ser o seu herdeiro

Aurora

Zequinha de Abreu
Aurora (valsa, 1929) - Zequinha de Abreu e Salvador Morais

Disco 78 rpm / Título da música: Aurora / Autoria: Morais, Salvador J (Compositor) / Abreu, Zequinha de (Compositor) / Gastão Formenti (Intérprete) / Imprenta [S.l.]: Odeon, 1929 / Nº Álbum 10497


Quis minha doce esposa,
Que me ama com ardor,
À profundeza das águas jogar !

Estava louco, possesso, esse dia...
A meiga companheira,
Toda a minha alegria,
Primeiro amor de minh'alma,
Alegria primeira,
Eu tentei matar !

Uns olhos de infernal fulgor,
Duma infernal sedução,
Dementaram-me de ardor,
Despertando um novo amor,
Com infernal sedução,
No meu coração
Mas, a tempo ainda,
Minh'alma assassina,
Se encheu de luz tão pura e linda...

A luz dourada e matutina,
Do arrependimento,
E ai ! Vi num momento,
Em minha mulher,
A mais sublime e divina,
Aurora de ouro rosicler !....

Meu amor vou te deixar

Mário Reis
Meu amor vou te deixar (samba, 1929) - Orlando Vieira

Disco 78 rpm / Título da música: Meu amor vou te deixar / Autoria: Vieira, Orlando (Compositor) / Mário Reis (Intérprete) / Orquestra Pan American (Acompanhante) / Imprenta [S.l.]: Odeon, 1929 / Nº Álbum 10309 / Gênero musical: Samba


Eu vou me embora
Meu amor, vou te deixar
Não adianta você chorar
Não adianta você chorar (x2)

O teu orgulho
Foi a tua perdição
Iludir com carinho

O meu pobre coração (X2)

Resignado
Estou cansado de sofrer
Meu benzinho, dá o fora
Que não posso mais viver (x2)

Eu vou me embora
Meu amor, vou te deixar
Não adianta você chorar
Não adianta você chorar

Eu tenho dito
Que não quero o teu amor
Já arrumei a roupa
Só falta o carregador (x2)

Lua nova

Francisco Alves
Os letristas do nosso cancioneiro popular, como quaisquer outros que manipulem a palavra escrita, estão sujeitos a enganos semânticos. Este artigo não tem pretensões professorais e nem de longe pretende ferir susceptibilidades.

É apenas um painel divertido dos tropeços dos nossos poetas da música, cometidos por desinformação ou incultura, alguns perfeitamente releváveis, porém outros capazes de doer nos tímpanos. Friso que essas escorregadelas não depõem em nada contra os nossos compositores.

Muita gente famosa andou soltando disparates por aí. Cito vários: Eça de Queiroz falou em mudez taciturna; Aloísio de Castro em estátua escultural; Ataulfo de Paiva, referindo-se ao avião, chamou-o de viatura alígena; Luiz Delfino comparou as mãos da amada: louras como manteiga; Alberto de Oliveira encontrou águas úmidas; Alberto Faria assim descreveu o lança-perfume: etérea língua de áspide aromal.

Feita a ressalva, vamos em frente. A Lua nova tem sido uma casca de banana para os poetas populares, que sempre a confundem com a lua cheia e se derramam em louvores. A lua nova é justamente a fase em que a lua, por estar entre o sol e a terra, fica com sua face escura, não sendo vista. Luis Iglésias, na canção Lua Nova, que compôs em 1928 com Francisco Alves, mostra que a geografia não foi o seu forte.

Lua Nova (canção, 1929) - Francisco Alves e Luís Iglesias

Disco 78 rpm / Título da música: Lua nova / Autoria: Alves, Francisco (Compositor) / Iglésias, Luiz (Compositor) / Alves, Francisco (Intérprete) / Orquestra (Acompanhante) / Imprenta [S.l.]: Odeon, 1951 / Nº Álbum 13143 / Gênero musical: Canção


Quando surgistes, que encantamento
Na minha alcova, toda taful
Pensei que a lua, nesse momento
Tinha caido do céu azul

Vinhas de branco, teu véu ao vento
Mais parecia sonho ou visão
Quando surgiste, que encantamento
Bateu cá dentro meu coração!

Pela janela transparecia,
A lua branca, a lua nova,
Muito espantada vendo a alegria
Que tranbordava da minha alcova

Foi uma noite, apenas uma
Não mais volvestes ao ninho em flor
O leito branco da cor da espuma
Chora saudoso do nosso amor

Na minha alcova imersa em bruma
Emudecida depois ficou
Foi uma noite, apenas uma
Foi uma noite que já passou

Pela janela eu vejo agora
A lua branca, a lua nova
Muito espantada fitar de fora
Toda tristeza da minha alcova.



Fonte: Livro MPB História de Sua Gente - Capítulo 1 - Esses Destoaram

Hula

Joubert de Carvalho
Hula (valsa, 1929) - Joubert de Carvalho e Olegário Mariano

Disco 78 rpm / Título da música: Hula / Autoria: Carvalho, Joubert de (Compositor) / Mariano, Olegário, 1889-1958 (Compositor) / Gastão Formenti (Intérprete) / Imprenta [S.l.]: Parlophon, 1929 / Nº Álbum 12982 / Gênero musical: Valsa


Ao teu olhar meu coração se incendeia
Abrindo em luz as candeias do amor
Mas quem sabe se o tempo faz apagar
A maldição da minha dor ...

Hula, Hula
Fala baixinho
E deixa seguir meu caminho
Hula, Hula
Como padeço
Humilhado porque não te esqueço
Tudo na vida eu farei
Para dar-te um dia
Um beijo que nunca te dei ...

O meu perdão
Tu não terás nessa vida
Porque malvada és, fingida demais
O que punge mais fundo
É a recordação de um tempo bom
Que não vem mais ...

Hula, Hula
Tenho desfeito teu sonho
Cá dentro do peito
Hula, Hula
Quanta saudade
Meus olhos parados invade
Como eu seria feliz se esquecer pudesse
O bem que na vida te quis ...

É sim senhor

Francisco Alves
É sim senhor (samba/carnaval, 1929) - Eduardo Souto - Disco 78 rpm - Intérprete: Francisco Alves - Orquestra Pan American (Acompanhante) - Imprenta [S.l.]: Odeon, 1929 - Nº Álbum 10312 - Gênero: Samba


Ele é paulista?
É sim senhor
Falsificado?
É sim senhor
Cabra farrista?
É sim senhor
Matriculado?
É sim senhor

Ele é estradeiro?
É sim senhor
Habilitado?
É sim senhor
Mas o cruzeiro?
É sim senhor
Ovo gorado?
É sim senhor

Vem, vem, vem
Pra ganhar vintém
Vem, seu Julinho, vem
Aproveitar também

Me faz carinhos

Francisco Alves
Me faz carinhos (samba, 1928) - Ismael Silva e Francisco Alves

Disco 78 rpm / Título da música: Me faz carinhos / Autoria: Alves, Francisco (Compositor) / Silva, Ismael, 1905-1978 (Compositor) / Alves, Francisco (Intérprete) / Orquestra Pan American do Cassino Copacabana (Acompanhante) / Imprenta [S.l.]: Odeon, 1927-1928 / Nº Álbum 10100 / Gênero musical: Samba


Mulher, tu não me faz carinho
Teu prazer é de me ver aborrecido
Ora vai, mulher, se estás contrariada
Tu não és obrigada a viver comigo

Se eu fosse um homem branco
Ou por outra mulatinho
Talvez eu tivesse sorte
De gozar os teus carinhos


A maré que enche e vaza
Deixa a praia descoberta
Vai-se um amor e vem outro
Nunca vi coisa tão certa

Oh! Meu bem, o teu orgulho
Algum dia há de acabar
Tudo com o tempo passa
A sorte é Deus quem dá

Vou-me embora, vou-me embora
Sumo já disse que vou
Eu aqui não sou querido
Mas na minha terra eu sou

Eu quero é nota

Francisco Alves
Eu quero é nota (samba, 1928) - Artur Faria

Disco 78 rpm / Título da música: Eu quero é nota / Autoria: Faria, Artur (Compositor) / Francisco Alves (Intérprete) / Orquestra Pan American do Cassino Copacabana (Acompanhante) / Imprenta [S.l.]: Odeon, 1928 / Nº Álbum 10190 / Gênero: Samba.


Eu quero é nota, carinho e conceito
Para viver descansado
Cheio de alegria, meu bem
Com uma cabrocha ao meu lado

Eu queria ter dinheiro
Que fosse em grande porção
Eu comprava um automóvel
E ia morar no Leblon

Eu, como sou operário
E não posso ser barão
Vou morar lá em Mangueira
Num modesto barracão

Eu fui no mato, crioula

Francisco Alves
Eu fui no mato, crioula (marcha/carnaval, 1928) - J. Gomes Júnior

Disco 78 rpm / Título da música: Eu fui no mato crioula / Autoria: Júnior Gomes, J (Compositor) / Francisco Alves (Intérprete) / Orquestra Pan American do Cassino Copacabana (Acompanhante) / Imprenta [S.l.]: Odeon, 1928 / Nº Álbum 10126 / Gênero: Marcha.


Eu fui no mato, crioula
Cortá cipó, crioula
Eu vi um bicho, crioula
De um olho só


Não era bicho, crioula
Não era nada, crioula
Era uma velha, crioula
Muito assanhada


Não quero teima, olé
Não vá teimá, sinhá
Quero brincá, olá
No Carnavá

Eu fui num auto, crioula
De lotação, crioula
Tinha boi dentro, crioula
De jaquetão

Fui ao teatro, crioula
Ai, não se zangue, crioula
Não pude entrar, crioula
Cai no Mangue

Não quero teima, olé
Não vá teimá, olá
Quero brincá
No Carnavá

Caridade

Francisco Alves
Caridade (samba/carnaval, 1928) - Sebastião Santos Neves e Anísio Mata

Disco 78 rpm / Título da música: Caridade / Autoria: Mata, Anísio (Compositor) / Neves, Sebastião Santos (Compositor) / Francisco Alves (Intérprete) / Orquestra Syncopaters (Acompanhante) / Imprenta [S.l.]: Odeon, 1928 / Nº Álbum 10120 / Gênero: Samba.


Já é demais
Tanta caridade
E não se pode
Transitar pela cidade

Segunda-feira é do repolho
Terça-feira é do abacate
Quarta-feira é da navita

Quinta-feira é do tomate

Sexta-feira elas preparam
Mais um golpe inteligente
E no sábado saem à rua
Raspando o bolso da gente

De todas as caridades
Que paga o povo lampeiro
O doente, o cego e o pobre
Do cobre só sente o cheiro

Amanhã, dia do chifre
Da cabeça do demônio
Mais uma colheita gorda
Em benefício do Petrônio

Ai, eu queria

Francisco Alves
Ai, eu queria (samba/carnaval, 1928) - Pixinguinha e Augusto Amaral

Autoria: Amaral, Augusto (Compositor) / Pixinguinha (Alfredo da Rocha Vianna Filho), 1897-1973 (Compositor) / Francisco Alves (Intérprete) / Oito Batutas, 1919-1928 (Acompanhante) / Orquestra Típica (Acompanhante) / Disco 78 rpm Odeon, 1928-1928 - Álbum 10122


Ai, eu queria
Ir uma vez à Bahia (x2)

Conhecer aquele Estado
Porque falam muito bem
Dar um abraço nas baianas
E nos baianos também (x2)

Conhecer São Salvador
O Canela até o fim
A Baixa do Sapateiro
Cais Dourado e Bonfim (x2)

E depois de tudo isso
Despedir-me da folia
E trazer uma baiana
Para a minha companhia (x2)

A malandragem

Bide
A malandragem (samba/carnaval, 1928) - Alcebíades Barcelos e Francisco Alves

Disco 78 rpm / Título da música: A malandragem / Autoria: Barcelos, Alcebíades (Compositor) / Alves, Francisco (Intérprete) / Orquestra Pan American do Cassino Copacabana (Acompanhante) / Imprenta [S.l.]: Odeon, 1928 / Nº Álbum 10113 / Gênero musical: Samba.


A malandragem eu vou deixar
Eu não quero saber da orgia
Mulher do meu bem querer
Esta vida não tem mais valia


Mulher igual
Para gente é uma beleza
Não se olha a cara dela
Porque isso é uma defesa


Arranjei uma mulher
Que me dá toda a vantagem
Vou virar almofadinha
Vou deixar a malandragem

Esses otário
Que só sabe é dar palpite
Quando chega o Carnaval
A mulher lhe dá o suíte

Você diz que é malandro
Malandro você não é
Malandro é seu Abóbora
Que manobra com as mulhé

Os calças largas

Lamartine Babo
A primeira marchinha de Lamartine gravada (interpretada pelo barítono Frederico Rocha), foi a divertida "Os Calças-Largas", em que o compositor debochava dos rapazes que usavam calças boca-de-sino. Em 1937, com a censura imposta pelo Estado Novo de Getúlio Vargas, carnavalescos irreverentes como Lamartine Babo ficaram proibidos de utilizar a sátira em suas composições. Sem a irreverência costumeira, as marchinhas não foram mais as mesmas.

Os calças largas (marcha/carnaval, 1927) - Lamartine Babo e Gonçalves de Oliveira

Título: Os calças largas / Gênero: Marcha carnavalesca / Autor: Lamartine Babo (Compositor) / Gonçalves de Oliveira (Compositor) / Frederico Rocha (Intérprete) / Gravadora Odeon / Número do Álbum: 123268, matriz 1093 / Gravação 1926 / Disco 78.


Acho graça dessa gente convencida
Passeando na Avenida
Passeando na Avenida

Quando passa uma linda criatura
Ficam todos na secura
Ficam todos na secura

Essa gente de jaquetas bem curtinhas
Tem a cara bonitinha
Tem a cara bonitinha

Oh! Que turma esquisita e encrencada
Calça larga bem folgada
Rastejando na calçada

Vem, meu bem
Que os calças largas
Não te podem sustentar
Sem vintém
Almoçam brisas
E à noite vão dançar

Lá na casa de um doutor na Piedade
Foi uma calamidade
Foi uma calamidade

Da tal gente estava a sala infestada
Minha capa foi furtada
Minha capa foi furtada

Do tal charleston é bom não se falar
Faz lembrar peru de água
Quando a gente o quer matar

E os bonecos artificiais são concorrentes
Lá da Praça Tiradentes
Lá da Praça Tiradentes

Dondoca

Zaíra de Oliveira
Dondoca (marcha/carnaval, 1927) - José Francisco de Freitas (Freitinhas)

Título: Dondoca / Gênero: Marcha carnavalesca / Intérpretes: J Júnior Gobes e Zaíra de Oliveira / Compositor: José Francisco de Freitas / Gravadora Odeon / Número do Álbum 123250 / Gravação 1925-1927 / Lançamento 1925-1927 / Lado indefinido / Disco 76 rpm.


Meu Deus! Meu Deus!
Que triste vida
Todos me chamam de comida
Porque eu ando só!

Não treme tanto a gelatina
Que o caldo entorna da terrina
Eu viro pão-de-ló

Dondoca, Dondoca
Anda depressa
Que eu belisco essa pernoca

Minha Dondoca, Dondoquinha
Tu és de fato, és da pontinha
Tem pena do tatu

Eu ando sempre envergonhada
A toda hora beliscada
Que praga de urubu

Vou dar o fora, vou pra casa
Estou nervosa, estou em brasa
Ó céus, que maldição

Eu vou a pé a Cascadura
Vou espiar na fechadura
O teu velho babão

Braço de cera

Frederico Rocha
Antes de 1926, na Penha se faziam músicas com influências portuguesas. Em outubro deste ano de 26, o primeiro compositor a criar um samba da Penha, foi o baterista Nestor Brandão que possuía um conjunto formado por banjos, saxofones, piston e clarinete. O samba se chamou Braço de cera, com o subtítulo de "A Santa Padroeira".

Frederico Rocha foi quem gravou pela Odeon, na época em que se fazia ainda gravação mecânica, com numeração 123224. Como êxito de Braço de Cera, Francisco Alves gravou também este samba para o carnaval de 1927, em discos menores chamados "Odeonette" e até hoje esta música é cantada (Fonte: Lembranças da Penha - Almirante - Jornal O Dia, de 08/10/1978).

Disco 76 rpm / Título da música: Braço de cera / Autoria: Brandão, Nestor (Compositor) / Rocha, Frederico (Intérprete) / Orquestra (Acompanhante) / Imprenta [S.l.]: Odeon, Dezembro/1925-Julho/1927 / Nº Álbum 123224 / Gênero musical: Samba carnavalesco.


Braço de cera (samba/carnaval, 1927) - Nestor Brandão

Mulher, vem o carnaval
Festa de alegria que a ninguém faz mal
Mulher, tratemos de gozar
A morte é traiçoeira e pode nos carregar


Não me fio nas mulheres
Nem quando elas estão dormindo
Os olhos estão fechados
Sobrancelhas estão bulindo

Amanhã eu vou-me embora
Pra cidade de Lisboa
Quero que Iaiá me alugue
Seu camarote de proa

Mulher, a Penha está aí
Eu lá não posso ir
Um favor vou lhe pedir
Me leva um braço de cera
À Santa Padroeira
Foi o que lhe prometi

Menina diz a teu pai
Que eu sou teu namorado
E avise teu irmão
Que me chame de cunhado

Menina, minha menina
Cabeça de melancia
Um beijo de tua boca
Me sustenta quinze dias

Queria ser o balaio
Da colheita do café
Para andar dependurado
Nas cadeiras da mulher

Queria ser o balaio
Balaio queria ser
Para andar dependurado
Nas cadeiras de você

Luar do Sul

Luar do Sul (canção / chula, 1926) - Zeca Ivo e J. Carneiro Ribas

Disco 78 rpm / Título da música: Luar do sul / Autoria: Ribas, J. Carneiro (Compositor) / Zeca Ivo (Compositor) / Artur Castro Budd (Intérprete) / Imprenta [S.l.]: Odeon, 1925-1927 / Nº Álbum 123083 / Gênero musical: Chula.


Nas plagas onde eu nasci
Tem um céu que nunca vi
O mais belo é tão azul
O mais belo é tão azul


É de ficar abismado
Vendo o céu tão constelado
Do Rio Grande do Sul
Do Rio Grande do Sul


Se o luar falasse
Talvez contasse
Que me viu com o seu clarão
Beijando a boca mais mimosa
Da gaúcha mais formosa
Que morava no rincão
Que morava no rincão

E nas noites prateadas
O gaúcho na jornada
Tem a doce recordação
Tem a doce recordação

De uma gaúcha bonita
Que dançando a chimarrita
Torturou-lhe o coração
Torturou-lhe o coração

Se o luar falasse
Talvez contasse
Que me viu com o seu clarão
Beijando a boca mais mimosa
Da gaúcha mais formosa
Que morava no rincão
Que morava no rincão

Eu vi Lili

Eu vi Lili (fox/carnaval, 1926) - Freitinhas (José Francisco de Freitas)

Título da música: Eu vi lili.../ Gênero: marcha canção / Intérprete: Pedro Celestino / Compositor: Freitas, José Francisco de / Acompanhamento Jazz Band Sul-Americano Romeu Silva / Gravadora Odeon / Número do Álbum 122977 / Gravação 1921-1926 / Lançamento 1921-1926 / Lado indefinido / Disco 76 rpm.


Em teus olhinhos vejo
Que tu tens o desejo
Quando desinquieto ele estava
Junto a uma zinha
Toda gente assim cantava: (x2)

Eu vi / Eu vi
Você bolinar
Lili / Lili
Quando beliscava assim
Ela nervosa, enfim
Ficou ao ver-me ali (x2)

Quando ele pisca, pisca
A zinha pega a isca
Quando no escuro escutava
Sua risadinha
A gente assim cantava: (x2)

Eu vi / Eu vi
Você bolinar
Lili / Lili
Quando beliscava assim
Ela nervosa, enfim
Ficou ao ver-me ali

Nosso ranchinho

De Chocolat 1938
Nosso ranchinho (toada, 1925) - Donga e De Chocolat

Disco 78 rpm / Título da música: Nosso ranchinho / Autoria: Donga, 1890-1974 (Compositor) / De Chocolat (Compositor) / Fernando (Intérprete) / Coro (Acompanhante) / Imprenta [S.l.]: Odeon, 1921-1926 / Álbum 122832 / Gênero: Samba


Nosso ranchinho assim
Tava bão
Gente de fora entrou
Trapaiô (refrão x2)


Estava esperando um bonde
Contente pra í te vê
Fui falá com tua mãe
Foi um desmancha prazê (refrão)

Por isso gato sabido
Veve só pelos teiado
Faz os rancho nas altura
Pra não sê atrapaiado (refrão)

Se Deus me desse um podê
O mundo eu modificava
No meio de dois unido
Um terceiro não entrava (refrão)

Dor de cabeça

Sinhô
Dor de cabeça (maxixe/carnaval, 1925) - Sinhô - Interpretação: Fernando - Disco 76 rpm - Imprenta [S.l.]: Odeon, 1921-1926 - Coro (Acompanhante) - Jazz Band Sul û Americano Romeu Silva (Acompanhante) - Imprenta [S.l.]: Odeon, 1921-1926 - Álbum 122760 - Gênero: Maxixe


Nunca mais um carinho meu
Tu terás
Nunca mais ó nega
Nunca mais

Tu não procures saber
A causa ou a razão
De eu deixar em paz
O teu coração

Meu carinho te dei, ó flor
E não quiseste
De meu coração zombaste
E não padece

Eu não confesso não
Isso dê no que der
Quem diz sempre o que quer
Ouve o que não quer

Sai cartola (Cartolinha)

Sai Cartola (Cartolinha) (samba, 1925) - Raul Silva

Disco 76 rpm / Título da música: Cartolinha / Autoria: Silva, Raul (Compositor) / Fernando (Intérprete) / Coro (Acompanhante) / Jazz Band Sul Americano (Acompanhante) / Imprenta [S.l.]: Odeon, 1921-1926 / Nº Álbum 122806 / Gênero musical: Samba a la garçonne


A mulata banca o homem
Com essa tal de cartolinha
Ai, meu bem
Vou ver se tiro uma linha


Sai cartola
Sai cartola
Camisa de peito duro
Sapato pedindo sola


Peito novo e bengalinha
A mulata não se ajeita
Ai, meu bem
Parece até coisa feita

Para ser almofadinha
Deixou de ser melindrosa
Ai, meu bem
Mulata não seja prosa

Esta moda é tão pesada
Que a mulata se arrenega
Ai, meu bem
Não vem que esta moda pega