sexta-feira, 22 de fevereiro de 2008

Iaiá, Ioiô

A pequena notável
Iaiá, Ioiô (marcha/carnaval, 1930) - Josué de Barros - Intérprete: Carmen Miranda

Disco 78 rpm / Título: Iaiá, ioiô / Autoria: Barros, Josué de, 1888-1959 (Compositor) / Miranda, Carmen, 1909-1955 (Intérprete) / Coro (Acompanhante) / Orquestra Victor (Acompanhante) / Orquestra (Acompanhante) / Imprenta[S.l.]: Victor, 23/01/1930 / Nº Álbum 33259 / Gênero: Marcha carnavalesca


Ioiô, Iaiá
Me dá licença pra brincá no carnavá
Iaiá, Ioiô
Você não vai mas dexa eu ir
Eu vô


Nunca vi festa tão boa (Iaiá, Ioiô)
Carnavá é memo tudo (Iaiá, Ioiô)
São três dias de alegria (Iaiá, Ioiô)
Isso faz ficá maluco (Iaiá, Ioiô)

Ioiô, Iaiá
Me dá licença pra brincá no carnavá
Iaiá, Ioiô
Você não vai mas dexa eu ir
Eu vô

Você diz que vai s'imbora (Iaiá, Ioiô)
Não me importa, não faz mal (Iaiá, Ioiô)
Eu só quero que tu voltes (Iaiá, Ioiô)
Só depois do carnavá (Iaiá, Ioiô)

Ioiô, Iaiá
Me dá licença pra brincá no carnavá
Iaiá, Ioiô
Você não vai mas dexa eu ir
Eu vô

Você diz que me despeja (Iaiá, Ioiô)
Eu só to querendo ver (Iaiá, Ioiô)
Depois não pegue a chorá (Iaiá, Ioiô)
Quando tu te arrependê (Iaiá, Ioiô)

Ioiô, Iaiá
Me dá licença pra brincá no carnavá
Iaiá, Ioiô
Você não vai mas dexa eu ir
Eu vô

Quando nóis dois se encontrô (Iaiá, Ioiô)
Nóis pegamo a se gostá (Iaiá, Ioiô)
Tu me disse umas coisinha (Iaiá, Ioiô)
Eu nem quero me alembrá (Iaiá, Ioiô)

Guriatã de coqueiro

Ratinho
Guriatã de coqueiro (cantiga, 1930) - Ratinho (Severino Rangel de Carvalho)

Disco 78 rpm / Título da música: Guriatã de coqueiro / Autoria: Ratinho, 1896-1972 (Compositor) / Ratinho, 1896-1972 (Intérprete) / Imprenta [S.l.]: Odeon, 1930 / Nº Álbum 10656 / Gênero musical: Cantiga


Guriatã de coqueiro
Fugiu da sua gaiola

Guriatã de coqueiro
Bateu asa e foi-se embora (x2)

Eu não sei porque motivo
Guriatã foi-se embora


Foi-se embora e me deixou
Também a minha viola
Companheira inseparável
Que minhas mágoa consola

Guriatã de coqueiro
Fugiu da sua gaiola

Guriatã de coqueiro
Bateu asa e foi-se embora (x2)

De manhã muito cedinho
Logo que me levantava
Ia no pé de coqueiro
Falar com guriatã
E pedir pra ela cantá
A saudação da manhã

Guriatã de coqueiro
Fugiu da sua gaiola

Guriatã de coqueiro
Bateu asa e foi-se embora (x2)

Vou fazê uma premessa
Ao meu santo protetor
Pra fazê ele vortá
Esse pássaro cantadô
Pra alegria de meu rancho
Que nunca mais se alegrô

Eu sou do amor

Marcha carnavalesca de Ary Barroso que concorreu ao concurso da revista O Cruzeiro, com o nome da noiva - Yvonne Arantes, sob o pseudônimo "Boy", obtendo o 2º lugar. Gravada na Columbia pelo cantor Januário de Oliveira, acompanhado pelo Jazz Band Columbia (Gaó, Jonas, Petit, Zezinho, Sutte, Grany e Jararaca) e lançado em março de 1930.

Eu sou do amor (marcha / carnaval, 1930) - Ary Barroso

Disco 78 rpm / Título da música: Eu sou do amor / Autoria: Barroso, Ary (Compositor) / Oliveira, Januário de (Intérprete) / Jazz Band Columbia (Acompanhante) / Imprenta [S.l.]: Columbia, 1930 / Nº Álbum 5188 / Gênero musical: Marcha


Meu amor eu vou me embora,
Agora, agora
Não, não quero ouvir mais queixa
Me deixa, me deixa

Eu sou do amor,
Não posso perder ó flor
Eu sou do amor,
Não posso perder ó flor

Vai contar o seu segredo,
Sem medo, sem medo
Não me passo pra feitiço,
Que é isso, que é isso

Eu sou do amor,
Não posso perder ó flor
Eu sou do amor,
Não posso perder ó flor

É sopa

A marchinha de Eduardo Souto (foto) recorre ao futebol para descrever as forças que iriam se defrontar na campanha de 1929/1930. De um lado, o combinado A, o time do continuísmo, tendo como capitão “Seu” Julinho Júlio Prestes, presidente da província de São Paulo; do outro, o combinado B, da oposição, capitaneado por “Seu Tonico” (Antônio Carlos Ribeiro de Andrada, presidente da província de Minas Gerais).

O doutor Macaé, árbitro do jogo, era o próprio presidente da República, Washington Luís (embora paulista, nascera em Macaé, no Estado do Rio). Antônio Carlos briga com o juiz e é posto para fora do jogo. Vai se aliar com os gaúchos, liderados por Getúlio Vargas, e os paraibanos, comandados por João Pessoa, numa chapa dissidente, contra a maioria dos estados, chefiados pelo Catete.

Como os dois lados apregoavam que venceriam com facilidade, a marchinha fez do “É sopa, é sopa, é sopa” seu estribilho. Não se descobriu quem é o “seu Tomé” que aparece ao final da música, aquele que foi para o gol e levou uma bruta lavagem.

É sopa (17 a 3) (marcha, 1930) - Eduardo Souto - Disco 78 rpm - Intérprete: Francisco Alves - Orquestra Pan American (Acompanhante) - Imprenta [S.l.]: Odeon, Agosto 1929-Novembro 1929 - Nº Álbum 10484 - Gênero musical: Marcha humorística


“Vai começar o grande jogo para a conquista da taça oferecida pelo Catete Futebol Clube (gritos)
Combinado B: “captain” Seu Tonico (gritos)
Combinado A: “captain” Seu Julinho (gritos)
Juiz: doutor Macaé, muito digno presidente do Catete Futebol Clube

Seu Tonico sem razão.
Ao juiz desatendeu,
E foi tal sua afobação,
Que a cabeça até perdeu.
O juiz, que é da barbada,
Seu Tonico pôs pra fora.
E gritou pra rapaziada:
Toca o bonde, tá na hora!

Pra vencer o combinado brasileiro.
Diz Getulinho: “É sopa, é sopa, é sopa”.
Paraibano com gaúcho e com mineiro.
Diz o Julinho: “É sopa, é sopa, é sopa”.

Foi pro gol o seu Tomé,
Bonde errado e sem coragem.
A torcida não fez fé.
Houve então bruta lavagem.
Pra jogar bem futebol
Só paulista e carioca.
Chova muito ou faça sol,
É no pau da tapioca.

Pra vencer o combinado brasileiro
Diz Getulinho: “É sopa, é sopa, é sopa”.
Paraibano com gaúcho e com mineiro,
Diz o Julinho: “É sopa, é sopa, é sopa.



Fonte: Franklin Martins - Site Oficial - Conexão Política

Dolorosa saudade

Dolorosa saudade (valsa, 1930) - Jararaca e Ratinho

Disco 78 rpm / Título da música: Dolorosa saudade / Autoria: Jararaca, 1896-1977 (Compositor) / Ratinho, 1896-1972 (Compositor) / Turunas da Mauricéia (Intérprete) / Imprenta [S.l.]: Odeon, 1929 / Nº Álbum 10503 / Gênero musical: Valsa


Dolorosa saudade
Em meu coração
E então, pois bem sei
Que não podia estar
Tão longe de mim


É por tua maldade
Que hoje fico a sofrer
Vem um dia, meu querer
Para consolação viver

Bem sei que em mim não pensas
Mulher sem coração
Mas tem como consolo
Essa separação
Mas um dia virás
Que hás de me querer
E então compreenderás
O que é sofrer

Porque quando souberes
Que em braços de outra
Aquele que te amou
E que por ti sofreu
Procura um consolo
Uma gota de amor
Por não mais suportar a dor

Mesmo assim
Já quase tenho fé e esperança
Se compreenderes o mal que fizeste
E ainda me quiseres de mim ter lembrança
Podes vir
Indulto então deixarei
Esquecendo o passado
Meu perdão darei...

A cocaína

A cocaína (canção-tango, 1923) - J. B. da Silva "Sinhô" - Interpr.: Anabel Albernaz -

Só o vício me traz
Cabisbaixa me faz
Reduz-me a pequenina
Quando não tenho à mão
A forte cocaína.

Quando junto de mim
Ingerida em porção
Sinto só sensação
Alivia-me as dores
Neste meu coração.

Ai, ai és a gota orvalina
Só tu és minha vida
Só tu ó cocaína.

Ai, ai mas que amor purpurina
É o vício arrogante
De tomar cocaína.

Sinto tal comoção
Que não sei explicar
A minha sensação
Louca chego a ficar
Quando a sinto faltar.

Esse sal ruidoso
Que a mim só traz gozo
Somente de olhar
E para esquecer
Eu começo a beber.

Quando estou cabisbaixa
Chorando sentida
Meio entrestecida
É que o vício da vida
Torna a alma perdida.

Louca hás de voltar
Vendo-me estrangular
Para o vício afogar
Neste toque fugaz
Que me há de findar.

Coca

Francisco. Mignone
Coca (valsa, 1930) - Francisco Mignone

Quando Sinhô compôs a canção-tango A cocaína em 1923 (Só o vício me traz / cabisbaixa me faz / reduz-me a pequenina / quando não tenho à mão / a forte cocaína / quando junto de mim / ingerida em porção / sinto só sensação / alivia-me as dores / neste meu coração), e Francisco Mignone a sua valsa Coca em 1930, não estavam exaltando nada proibido, na época e aqui no Brasil.

A droga era vendida em farmácias, como elixir para "os males do espírito", como nos reclames da época. Felizmente foi descoberto o grande estrago que a cocaína causa, que antes era encarada como um "divertido elixir" .

Disco 78 rpm / Título da música: Coca / Autoria: Mignone, Francisco, 1897-1986 (Compositor) / Orquestra Paulistana (Intérprete) / Imprenta [S.l.]: Parlophon, 1930 / Nº Álbum 13209 / Gênero musical: Valsa


A cocaína (canção-tango, 1923) - Sinhô

Só o vício me traz / Cabisbaixa me faz
Reduz-me a pequenina / Quando não tenho à mão
A forte cocaína.

Quando junto de mim / Ingerida em porção
Sinto só sensação / Alivia-me as dores
Neste meu coração.

Ai, ai és a gota orvalina / Só tu és minha vida
Só tu ó cocaína. / Ai, ai mas que amor purpurina
É o vício arrogante / De tomar cocaína.

Sinto tal comoção / Que não sei explicar
A minha sensação / Louca chego a ficar
Quando a sinto faltar.

Esse sal ruidoso / Que a mim só traz gozo
Somente de olhar / E para esquecer
Eu começo a beber.

Quando estou cabisbaixa / Chorando sentida
Meio entristecida / É que o vício da vida
Torna a alma perdida.

Louca hás de voltar / Vendo-me estrangular
Para o vício afogar / Neste toque fugaz
Que me há de findar.




Cena do Espetáculo: "Teatro Musical Brasileiro 1915-1945 de Luiz Antonio Martinez Corrêa Participação de Anabel Albernaz e Andréa Dantas Teatro João Caetano RJ - 1994


Fontes: Sinhô, o rei do Samba; Letras que falam de drogas - Samba & Choro.

Canção dos infelizes

Canção dos infelizes (canção, 1930) - Donga, Luiz Peixoto e Marques Porto

Disco 78 rpm / Título: Canção dos infelizes / Autoria: Donga, 1890-1974 (Compositor) / Peixoto, Luiz (Compositor) / Porto, Marques (Compositor) / Zaíra Cavalcanti (Intérprete) / Orquestra Pan American (Acompanhante) / Bountman, S (Acompanhante) / Imprenta [S.l.]: Odeon, 1930 / Nº Álbum 10611 / Gênero: Canção


São as mulheres raízes
Com frontes muito elevadas
Umas são sempre felizes
Outras as mais desgraçadas

Há as que amam na vida
E as que só vivem amadas
Sofrem as mais esquecidas
Gozam as sempre lembradas

Eu que quis alguém que não me quis bem
Agora também não quero a ninguém
Dei meu amor, deixaram perder
Eu morro de dor, mas hei de esquecer

No coração das mulheres
Quando um amor se agasalha
Ou dá milhões de prazeres
Ou corta mais que navalha

Uma infeliz quando ama
Não há amor igual ao dela
Anda mais baixa que a lama
Ou sobe mais que uma estrela

Eu quis alguém
Que não me quis bem
Agora também não quero ninguém
Se meu amor, deixaram perder
Eu morro de dor, mas hei de esquecer

Adda

Adda (valsa, 1930) - Mário Ramos e Salvador Morais

Valsa de Mário Ramos e Salvador José de Moraes, interpretada por Augusto Calheiros no Teatro Lírico em 1927. Em disco, porém, só apareceu em 1929, em gravação instrumental da Orquestra Rádio-Central. Em janeiro de 1930, saiu a primeira gravação cantada, na voz de Francisco Alves. Calheiros só a gravou em 25 de fevereiro de 1955, na Odeon, e o 78 rpm, com o n.o 13968-A, matriz 10452, saiu em janeiro de 56, coincidindo com a morte do cantor (Fonte: Samuel Machado Filho).


Adda, meu doce amor
Adda, meu terno afeto
Tu tens a fragrância, o esplendor
O perfume da flor

Do meu sonho dileto

Adda, meu ideal
Ó minha inspiração
Tu és o meu casto fanal
Que palpita afinal
Sempre em meu coração


Quando vi teu perfil
Quando vi teu olhar
Eu te achei tão gentil
Linda, casta, infantil,
Como a luz do luar.

Desde logo eu te amei
Desde logo eu te quis
Foi o que eu adorei
desde que acho e que sei
Que quem ama, é feliz

Ó Adda, meu coração tu tens risonho
Pois só penso em ti
Desde o dia em que te vi
Resplender o teu ser
E sorrir ao meu sonho

Ó Adda, como é sereno o teu olhar
É o santo elixir
Do meu doce porvir
Meiga luz, que me pus à adorar.