quinta-feira, 30 de setembro de 2010

Quero-te cada vez mais

Augusto Calheiros
Zeca Ivo (José Ivo da Costa) compõe em 1936, com João de Freitas, a valsa Quero-te cada vez mais, gravada pelo cantor Augusto Calheiros, grande sucesso do ano de 1937.

Quero-te cada vez mais (valsa, 1937) - João de Freitas e Zeca Ivo

Disco 78 rpm / Título da música: Quero-te cada vez mais / Autoria: Freitas, José Benedito de (Compositor) / Zeca Ivo (Compositor) / Calheiros, Augusto, 1891-1956 (Intérprete) / Imprenta [S.l.]: Odeon, 1936 / Nº Álbum 11456 / Lado A / Lançamento 1937 / Gênero musical: Valsa


Quero-te cada vez mais
(Ò meu amor)
A minha vida consiste só
Em te adorar, em te beijar
És o meu rimar, meu prazer
A razão de todo o meu viver
(Meu bem querer)........

Reflorir da minha vida

Saint-Clair Sena
Reflorir da minha vida (canção, 1936) - Saint-Clair Sena

Título da música: Reflorir da minha vida / Gênero musical: Seresta / Intérprete: Francisco Alves / Compositor(es) Sena, Saint Clair / Gravadora Victor / Número do Álbum 34069 / Data de Gravação 00/1936 / Data de Lançamento 00/1936 / Lado A / Disco 78 rpm


Adeus mágoa de dores
Já desprezei o meu passado de tristezas
Em ti vejo o meu sonho
O sonho novo de amor e sutilezas

Ò vem para o amor
Deixo o passado num sorriso que findou
Reguei um dia os lábios da flor
No sonho que passou

És o reflorir da minha vida
És o mater de toda a minha inspiração
És a esperança que me embala o coração
Num lindo berço
Feito de arminho da ilusão

E num só beijo teu guardar eu quero
Todo prazer que tive então ao te beijar
Pra na saudade sentir o íntimo desejo
E provar sempre dos lábios teus
O outro beijo

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

Despertar do Sertão

Elpídio dos Santos
 Despertar do Sertão (canção, 1955) - Elpídio dos Santos e Pádua Muniz

A barulheira incessante da cascata
Um sabiá cantando alegre lá na mata
O sol que nasce por de trás do verde monte
Unindo a terra com o céu, no horizonte
A natureza sempre alegre e tão festiva
Num prazer ruidoso, comunicativa
O arvoredo com a música dos ninhos
Forma um poema à beira dos caminhos.

Ai, ai, ai
Mas como é lindo o despertar do meu sertão
Ai, ai, ai,
Benção Nhá Mãe, Benção Nhô Pai,
Bom dia irmão!

Já é manhã, as aves enamoradas
Falam de amores no alto das ramadas
O caboclo, ligeiro deixa a palhoça
Pega na enxada e vai cuidar da sua roça
A caboclinha tão bonita, um coração
Corre toda aflita cuidar da criação
Tudo se agita em doce harmonia
Assim no meu sertão começa um novo dia.

Ai, ai, ai
Mas como é lindo o despertar do meu sertão
Ai, ai, ai
Benção Nhá Mãe, Benção Nhô Pai
Bom dia irmão!

Galanteios e milongagens

Galanteios e milongagens

1
Tua carinha mimosa,
Teu corpinho delicado
Os teus olhos feiticeiros
Me trazem abichornado.

2
Neste capão tem um bicho
Que se chama solidão
Junto dele mora um anjo
Que roubou meu coração.

3
Lá no arroio está chovendo,
No capão está trovejando
Por via daquela ingrata,
Meu coração está penando.

4
Toda volta dos arroios
Procura o seu natural;
Não sei que voltas darei
Que tu não leves a mal

5
Eu pedi a uma morena
Que me desse uma boquinha
A chinoca respondeu:
- Esta boca não é minha

6
Um beijo, quando é bem dado,
Daqueles que eu dava e dou,
Faz uma amante dizer:
— Mais outro, que esse mermou.

7
Touro xucro e cupinudo,
Sozinho tenho matado;
Só não pude inda vencer
Quem me traz todo enredado.

8
Quando estou longe de ti
E dói-me a separação,
Começo logo a berrar
Como um terneiro mamão.

9
Quando passas nas coxilhas,
As ancas se boleando,
Até as folhas ,e flores
Vão todas se requebrando.

10
O veado quando corre
Deita a orelha e vai pulando;
Meu amor, quando me enxerga,
Vem toda se requebrando

11
Assim que te vi, chinoca,
Fiquei te querendo bem,
E ando de boca fechada,
Sem dizer nada a ninguém.

12
A açucena quando nasce
Toma conta do jardim;
Também eu ando campeando
Quem tome conta de mim.

13
Adeus, meus amados pagos
Lugar onde eu passeava,
Vivia alegre e contente
Quando com meu bem estava.

14
Estou me lembrando agora
Dos pagos do meu rincão;
Amores que foram meus,
Agora de quem serão?

15
As correntezas do rio
Torcem os paus da balsa;
Tu também és inconstante
E, como as águas, és falsa.

16
Papagaio, pena verde,
Dos encontros cobrados;
Meu amor, diz se me queres,
Não me tragas enganado.

17
Andorinha do coqueiro,
Dá-me novas do meu bem,
Diz-me se é vivo ou morto,
Se está nos braços de alguém.

18
Em cima daquele cerro
Tem uma sela dourada
Para assentar meu amor
Com divisa cobrada.

19
Eu vivo tão preso ao laço
Do amor, que tu me atiras,
Que me parecem teus braços
Palanques de guajuvira!

20
Quando eu vim de lá de fora,
Oito dias de viagem;
Trocar um amor por outro?
Eu não tenho essa coragem.

21
És branca como jasmim,
Cobrada como a rosa;
Por teu amor eu daria
Minha terneira barrosa.

22
No oco de uma figueira
Achei um ninho de anu;
Para negar o que fazes,
Ninguém melhor do que tu.

23
O aguapé da Lagoa
Floresce da cor do luto;
Se é por ti que ando chorando,
Como tens o rosto enxuto?

24
Tenho o meu laço de fita
E as minhas bolas de prata;
Pois nem assim eu pealo
O coração desta ingrata.

25
Já não ando enrabichado,
Não arrasto o meu cambão;
Aos bamburrais da tristeza
Foi-se o pobre coração.

Fontes: Jangada Brasil / (Lopes Neto, João Simões. Cancioneiro gaúcho, p.111-115).

Valsa verde

Capiba
Lourenço da Fonseca Barbosa, o Capiba (Surubim PE 28/10/1904 - Recife PE 31/12/1997), filho de um mestre de banda, viveu e respirou música desde a infância. Começou a trabalhar como pianista, ainda garoto em Campina Grande-PB. Depois de uns poucos anos em João Pessoa, onde completou o curso médio, e também trabalhou como músico.

Foi morar no Recife em 1930, quando passou num concurso para o Banco do Brasil, emprego que lhe daria segurança econômica para dar vazão ao seu enorme talento como compositor.

Em 1931 teve seu nome reconhecido como compositor, e músico da Jazz Band Acadêmica, na capital pernambucana, com Valsa verde (feita em parceria com Ferreira dos Santos).

Valsa verde (valsa, 1932) - Capiba (música) e Ferreira dos Santos (letra) - Interpretação de Paulinho da Viola e acompanhamento de Raphael Rabello


Não sei bem quem és
Mas sei que entraste em meu olhar
Como na sombra entra uma réstia
De excelsa luz
Pelos meus olhos tristes
Nunca percebia
Não sei quem és e te recordo
E te desejo tanto
Pra ilusão de minha vida...

Não sei bem quem és
Mas sei que entraste em meu olhar
Como na sombra entra uma réstia
De excelsa luz
Que o meu sonho de amor
De verde iluminou
Depois o anseio
Que em mim ficou...

E a minha vida desde então
Se transformou pela ilusão
Do teu olhar
Foste a quimera que fugiu
Deixando em mim como perfume
De um amor cruel
Que no meu tristonho coração
Fez palpitar a canção verde
Dessa ilusão que eu quis compor
Pensando em ti, pensando em ti
No meu amor, sim
No nosso amor...

Não sei bem quem és
Mas sei que entraste em meu olhar
Como na sombra entra uma réstia
De excelsa luz
Pelos meus olhos tristes
Nunca percebia
Não sei quem és
E te recordo
E te desejo tanto
Para a ilusão de minha vida...

Não sei bem quem és
Mas sei que entraste em meu olhar
Como na sombra entra uma réstia
De excelsa luz
Que o meu sonho de amor
De verde iluminou
Depois o anseio
Que em mim ficou...

terça-feira, 28 de setembro de 2010

Saxofone por que choras?

Saxofone por que choras? (choro, 1930) - Ratinho (Severino Rangel de Carvalho)

Em 1930, depois de uma excursão pelo interior com o poeta e folclorista Cornélio Pires, Severino Rangel de Carvalho, o Ratinho da dupla Jararaca e Ratinho, gravou ao saxofone alguns choros e valsas de sua autoria, entre os quais Saxofone, por que choras?, Guriatã de coqueiro, Cenira, Eu e eles.

Disco 78 rpm / Título da música: Saxofone por que choras? / Autoria: Carvalho, Severino Rangel de (Compositor) / Carvalho, Severino Rangel de (Intérprete) / Imprenta [S.l.]: Odeon, 1930 / Nº Álbum 10656 / Lado B / Gênero musical: Choro

Dona Antonha


Dona Antonha (marcha/carnaval, 1930) - João de Barro

Carlos Alberto Ferreira Braga, o Braguinha, compositor, cineasta, dublador e cantor (Rio de Janeiro, RJ 29/3/1907 - 24/12/2006), cantava desde criança, acompanhado ao piano pela avó. Fez seus primeiros estudos em escola pública, de onde foi para o Colégio Santo Inácio, de padres jesuítas, e depois para o Colégio Batista, ali formando com os colegas um conjunto musical, o Flor do Tempo, onde adotou o pseudônimo de "João de Barro".

Ao se profissionalizar, o grupo alterou sua formação e nome, surgindo o Bando de Tangarás, ao qual aderiu outro morador de Vila Isabel, o jovem Noel Rosa.

Após realizar várias gravações com o grupo, Braguinha estreou em disco como solista em 1931, interpretando duas composições de Lamartine Babo, Cor de prata e Minha cabrocha. Logo depois, desistiu da carreira de cantor, já tendo estreado como compositor, com Dona Antonha, marcha gravada por Almirante para o Carnaval de 1930, pela Parlophon: "Ó dona Antonha...! / Ó dona Antonha...! / Tu tá ficando / Mas é mesmo sem-vergonha!..."..

Título da música: Dona antonha / Autoria: João de Barro, 1907-2006 (Compositor) / Bando de Tangarás, 1929-1931 (Intérprete) / João de Barro, 1907-2006 (Intérprete) / Imprenta [S.l.]: Parlophon, 1930 / Nº Álbum 13108 / Gênero musical: Marcha




Fontes: Enciclopédia da Música Brasileira - Art Editora, 1998 SP; Dicionário Cravo Albin.

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Zomba

Araci Cortes
Zomba (samba, 1929) - Francisco Alves e Luís Iglesias

Título da música: Zomba / Gênero musical: Samba / Intérprete: Araci Cortes / Compositor: Alves, Francisco / Gravadora Odeon / Álbum 10446 / Gravação 00/1929 / Lançamento 00/1929 / Lado B / Disco 78 rpm


Zomba... zomba...
Quando vem chorar alguém
Mas um dia Deus castiga
Faz a gente amar também
O amor custa, mas vem...

Fui à Bahia
Ver o Senhor do Bomfim
Feitiço das baianas,
Mal cheguei, pegou em mim.

Gente danada
Pra fazer sofrer de amor
Com certeza foi castigo
Que me deu Nosso Senhor!

Vadiagem

Mário Reis
Vadiagem (samba/carnaval, 1929) - Francisco Alves

Título da música: Vadiagem / Gênero musical: Samba / Intérprete: Mário Reis / Compositor: Alves, Francisco / Gravadora Odeon / Álbum 10307 / Gravação e lançamento: 00/1929 / Lado A / Disco 78 rpm


A vadiagem eu deixei
Não quero mais saber
Arranjei outra vida
Porque deste modo não se pode viver

Eu deixei a vadiagem
Para ser trabalhador
Os malandros de hoje em dia
Não se pode dar valor

Ora, meu bem
Diga tudo que quiser
Eu deixo de ser vadio
Por causa de uma mulher

Quando eu saio do trabalho
Pensativo no caminho
Que saudade do meu tempo
Que saudade do meu pinho

Mas chego em casa
É carinho sem ter fim
Vale a pena ser honesto
Pra poder viver assim

Tu qué tomá meu home

Araci Cortes
Tu qué tomá meu home (samba, 1929) - Ary Barroso e Olegário Mariano

Disco 78 rpm / Título da música: Tu qué tomá meu home / Autoria: Barroso, Ary (Compositor) / Mariano, Olegário, 1889-1958 (Compositor) / Araci Cortes (Intérprete) / Orquestra Pan American (Acompanhante) / Imprenta [S.l.]: Odeon, 1929 / Nº Álbum 10446 / Lado A


Por Deus, me deixa sossegar
Tu que tomou meu home
Mas meu home eu não te dou
Eu gosto é de levar pancada
E até de passar fome
Por amor do meu amor

Pra esse home eu esquecer
Estou dando pra beber
Estou dando pra roubar
Se a polícia me prender
Já sei que foi você
Que foi me denunciar

Não faz isso assim, não
Tenha compaixão, sim
Não queira me encrencar
Mulher malvada e má
Você me deixa a vida desgraçada

Não faz isso assim, não
Tenha compaixão, sim
Não queira me encrencar
Nem me prender, porque
Assim meu destino é só sofrer

O destino Deus é quem dá

Nílton Bastos
Nílton Bastos, filho de comerciante português e de uma costureira, cresceu no bairro de São Cristóvão, no Rio de Janeiro. Não chegou a concluir o curso primário e nem estudou música, tendo aprendido a tocar piano de ouvido. Trabalhou como torneiro mecânico no Arsenal de Guerra.

Desde cedo, freqüentava as rodas de samba e os ranchos carnavalescos, tais como o Ameno Resedá e o Flor de Abacate. Já na década de 20, era presença costumeira os redutos de samba do bairro do Estácio.

Em 1929, teve sua primeira composição gravada, o samba "O destino Deus é quem dá", por Mário Reis em disco Odeon, um dos dez maiores sucessos do ano. Nílton faleceu naquele mesmo ano, aos 33 anos, vitimado pela tuberculose.

O destino Deus é quem dá (samba, 1929) - Nílton Bastos

Disco 78 rpm / Título da música: O destino deus é quem dá / Autoria: Bastos, Nilton (Compositor) / Reis, Mário (Intérprete) / Orquestra Pan American (Acompanhante) / Imprenta [S.l.]: Odeon, 27/02/1929 / Nº Álbum 10357 / Gênero musical: Samba


Sei que tu andas sofrendo
Estás arrependida do que já me fez
É teu destino, mulher
Eu não te perdôo porque
Tu vais me enganar outra vez.

Eu já gostei de você
Para de novo gostar
É preferível morrer
Não poderei esquecer
A tua falsidade sem eu merecer.

Tu foste ingrata, mulher
Eu não quero te enganar
Meu coração já não te quer
Digo o desprezo é pecado
Serei um pecador
Recordando o passado.



Fontes: História do Samba - Editora Globo; A Canção no Tempo - Editora 34.

Novo amor

Ismael
Novo amor (samba, 1929) - Ismael Silva

Disco 78 rpm / Título da música: Novo amor / Autoria: Silva, Ismael, 1905-1978 (Compositor) / Mário Reis (Intérprete) / Orquestra Pan American (Acompanhante) / Imprenta [S.l.]: Odeon, 1929 / Nº Álbum 10357 / Gênero musical: Samba


Arranjaste um novo amor, meu bem
Eu fui um infeliz bem sei
Mas ainda tenho fé
Que hei de te ver chorar
Quando souberes amar
Como eu te amei

(Tu não deves
De ter tanta pretensão
Olha que o tempo muda
E a vida é uma ilusão
Tu fazes pouco de mim
Mas isto que bem me importa
Fica sabendo meu bem
Que o mundo dá muita volta.)

Arranjei outra
Que não troco por ninguém
Já que tu me abandonaste
Há males que vêm pra bem
Hoje em dia sou feliz
Sem a tua ingratidão
Encontrei outro benzinho
A quem dei meu coração

domingo, 26 de setembro de 2010

Sussuarana

Hekel Tavares
Hekel Tavares (1896/1969) nasceu num berço musical: além da mãe pianista e pai flautista, cresceu em Alagoas ouvindo repentes, reisados, maracatus e congadas, e isto marcou sua vida para sempre. Quando veio para o Rio de Janeiro, em 1921, já tocava piano, harmônica e cavaquinho.

Estudou harmonia e composição com os maestros Francisco Braga e J. Otaviano, entre outros. Da mesma geração que Heitor Villa-Lobos e Francisco Mignone, Hekel aliou a sólida formação musical ao amor pela profusão de ritmos e formas que a música popular lhe oferecia.

E foi no teatro de revista que começou a compor de forma profissional. Durante a década de 20 compôs várias canções, com diversos letristas. Um dos mais constantes, o bamba Luiz Peixoto, o levou ao sucesso radiofônico com Sussuarana, pela voz de Gastão Formenti.

Sussuarana (toada, 1928) - Hekel Tavares e Luiz Peixoto

Disco 78 rpm / Título da música: Sussuarana / Autoria: Tavares, Hekel, 1896-1969 (Compositor) / Peixoto, Luiz (Compositor) / Formenti, Gastão (Intérprete) / Guimarães, Rogério (Acompanhante) / Violão (Acompanhante) / violões (Acompanhante) / Imprenta [S.l.]: Odeon, 1928 / Nº Álbum 10171 / Gênero musical: Canção


Faz três sumana / Que na festa de Sant'Ana
O Zezé Sussuarana / Me chamou pra conversar
Dessa bocada / Nóis saímo pela estrada
Ninguém não dizia nada / Fomo andando devagar

A noite veio / O caminho estava em meio
Eu tive aquele arreceio / Que alguém nos pudesse ver
Eu quis dizer / Sussuarana, vamo imbora
Mas Virgem Nossa Senhora / Cadê boca pra dizer

Mais adiante / Do mundo, já bem distante
Nóis paremo um instante / Predemo a suspiração
Envergonhado / Ele partiu para o meu lado
Ó Virgem dos meus pecados / Me dê a absorvição

Foi coisa feita / Foi mandinga, foi maleita
Que nunca mais indireita / Que nos botaram, é capaz
Sussuarana / Meu coração não me engana
Vai fazer cinco sumana / Tu não volta nunca mais


A Canção no Tempo - Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello - Vol. 1 - Editora 34

Olhos japoneses

Francisco Alves
Olhos japoneses (valsa, 1928) - Freire Júnior

Título da música: Olhos japoneses / Gênero: Valsa / Francisco Alves (Intérprete) / Freire Júnior (Compositor) / Hotel Itabuja Orquestra (Acompanhante) / Gravadora Parlophon / Álbum 12812 / Gravação e lançamento: 00/1928 / Lado B / Disco 78 rpm


Olhos pequeninos / Olhos japoneses
Olhos que ferinos / Matam muitas vezes
De paixão a gente / Olhos que seduzem
Que me põem doente / Olhos que traduzem
Um amor ardente

Olhos buliçosos / Olhos tentadores
Olhos que maldosos / Ligam dois amores
Num só coração / Olhos delicados
Cheios de emoção / Só são encontrados
Mesmo no Japão

Caprichos da moda / Nossa alta roda
Faz imitação / São olhos pintados
De negro tarjeados / Causa sensação
A sua sedução / A influência do amor
O olhar da gueisha / Louco a gente deixa

Na raça amarela / A mulher que é bela
Esses olhos tem / Olhos desviados
Meigos, delicados / Os olhos pequenos
Em rostos morenos / Se encontram somente
Lá no Oriente

As manhãs do Galeão

Vicente Celestino
As manhãs do Galeão (tango, 1928) - Freire Júnior

Disco 78 rpm / Título: As manhãs no galeão / Autoria: Freire Junior (Compositor) / Vicente Celestino (Intérprete) / Orquestra Rádio Central (Acompanhante) / Imprenta [S.l.]: Odeon, Junho/1928-Outubro/1928 / Álbum 10272 / Lado A / Gênero: Tango canção


Surge ao sol, raios brilhantes / nas montanhas verdejantes
que contornam a Guanabara / Sua luz rompendo ao dia
mostra o fundo da baía / uma praia em pérola rara

Esta ponta de uma ilha / verdadeira maravilhosa
bem juntinho ao continente! / Deu-lhe encanto a natureza
Se anoitece com tristeza / amanhece alegremente

Os amantes deixam os ninhos / ao romper da alvorada
Trinam alegres os passarinhos  / a canção da madrugada
Num sentimento profundo / diz a gente com emoção:
Nada mais belo no mundo / que as manhãs do Galeão

Sobre areias cor de prata / lindas jovens à frescata
buscam o banho matinal  / Pescadores gente boa
tiram a pesca da canoa  /  no labor habitual

Ondas vêm e ondas vão / entoando uma canção
que em soluços canta o mar / É a canção triste do amor
Faz prazer e causa dor  / Nos faz rir e faz chorar

Xote laranjeira

Os Monarcas

C G7 F G F C G7 C

C
Mas deixa estar que eu vou-me embora
G7
Eu vou voltar pro meu rincão
F G7
Pra beber água dos teus olhos
F C G7 C
Sangue do teu coração


Mas deixa estar que eu vou-me embora
G7
Eu vou voltar pro meu rincão
F G7
Que é pra comer churrasco gordo
F C G7 C
E tomar mate chimarrão
Int.

Mas deixa estar que eu vou-me embora
G7
Eu vou-me embora pra fronteira
F G7
Que é pra comer churrasco gordo
F C G7 C
E tomar café de chaleira


Mas deixa estar que eu vou-me embora
G7
Eu vou-me embora pra fronteira
F G7
Mas eu hei de levar comigo
F C G7 C
Este xote laranjeira
Int.

Pula daqui pula de lá
G7
Pula do canto

Que eu daqui não me levanto
C
Tô danado pra brigar
Int.

Vai que vai

Os Monarcas

G D7 C G D7 G


D7
(Vaneira que me larga pela sala
C
E essa gaita quase fala
G Bis
Nesse fole que se vai e vem
D7 G
Vai que vai vem que vem dançando com meu bem)
Int.
D7
Olha o tipo do gaiteiro a corcovear
G
Animando esse entreveiro sem parar
D7 Bis
Nesse toque madrugueiro vou dançar
G
Com a china mais bonita do lugar

C G7
Eu te pego eu te largo eu te largo eu te pego
C
A noite inteira não sossego quero só saracotear
G7 Bis
Agarrado na cintura dessa china que me agrada
C
Atravesso a madrugada até o dia clarear
Int. ( )

Rancheira puladinha

Os Monarcas

Bb F7 Eb Bb Eb Bb F7 Bb


F7
Vamos dançar esta rancheirinha
Eb Bb
Bem puladinha pelo salão
Eb Bb Bis
Peão e prenda marcando o passo
F7 Bb
Bem no compasso do coração

F7
Pula, pula, pula, pula chinoca
Eb Bb Bis
Pula, pula, pula, pula peão
F7
Na sala faz um trenzinho
Eb Bb Bis
Peão e prenda se dando a mão

Bb7 Eb
Pra fechar a porteirinha
F7 Bb Bis
Batendo forte com o pé no chão
Int.

Pago dileto

Os Monarcas

A E7 A A7 D A E7 A D A E7 A


                             
Eu parto por longos caminhos 
     D         A       E7
meu pai minha mãe atenção
                                            A
Entendam a este pedido do filho do teu coração
                                 A7              D
Não vendam os bois da carreta criados com estimação
    (D)                      A         E7                A
Não peguem as coisas que eu deixo guardadas no velho galpão     Bis
Int.
                                 D         A          E7
Não mexam na ponte da serra tem muitos bichinhos por lá
                                                    A
A toca do burro de pedra lembranças dos tempos de piá
                                  A7                  D
Não quebrem os pés de pinheiro moradas de muitos irapuás
    (D)                  A         E7             A
Não cortem as lindas palmeiras do gato cantor sabiá   Bis
Int.
                                D           A         E7
Não tirem o verde dos campos belezas que a muitos consola
                                                        A
Não colham as flores das matas as quais o perfume se enrola
                             A7                 D
Não deixem armar arapucas as aves não querem gaiolas
    (D)                 A        E7               A
Seu canto nos traz melodias que rimam ao som da viola  Bis
Int.
                                        D         A        E7
Daqui alguns tempos Deus queira que eu volte sem mágoas ilhais
                                                        A
Que eu possa abraçar novamente os velhos queridos meus pais
                                A7                D
Que eu sinta meu pago dileto feliz a cantar madrigais
       (D)                   A        E7                A
Que eu veja meu mundo de outrora com todas as coisas iguais   Bis
Int.

Olhos de Mel

Os Monarcas

(intro) Gm   D

D
Olhei pra duas estrelas
Gm
La por de traz do arvoredo
D
E vi dois olhos tão lindos
Gm
Querendo contar segredos
D
Fiquei contemplando a noite
Gm
Escutando a voz do vento
D
E num estante eu te vi
Gm
Chegando em meu pensamento
D
E num estante eu te vi
Gm
Chegando em meu pensamento

(refrão 2x)
D
Esta saudade menina
Gm
Vai doendo igual a um cinzel
D
Não sei viver sem o brilho
Gm
Destes seus olhos de mel

(intro) Gm D

D
Sempre que penso em teu nome
Gm
Meu coração grita em couro
D
E continuamos cativos
Gm
Do teu olhar verde ouro
D
Sobre um manto de silencio
Gm
Depositei meus desejos
D
De ver-te sempre comigo
Gm
Pra darte milhões de beijos
D
De verte sempre comigo
Gm
Pra dar-te milhoes de beijos

(refrão)

(intro) Gm D

D
Pensando viajei distancias
Gm
Com azas de beija flor
D
E nem se quer me dei conta
Gm
Que o tempo mudou de cor
D
A noite se foi embora
Gm
E o dia chegou radiante
D
Trazendo restias de aurora
Gm
Dos teus olhos sintilantes
D
Trazendo restias de aurora
Gm
Dos teus olhos sintilantes

(refrão)

(intro) Gm D

O vento

Os Monarcas

Num mundo com tantas doenças. 
O povo com pouca crença.
Eu venho pedir cantando 
em sentimentos e versos. 
Eu venho pedir ao vento, 
dar uma volta no universo.
( E  B7  E   B7   E ) 
Pedi ao vento que leve fartura aonde tem miséria.
Pedi ao vento que leve um beijo nos lábios dela.

O vento foi, o vento vem, será que o vento já me atendeu,
só resta agora você me entender que este vento e o nosso Deus. 

Pedi ao vento que salve os jovens perdidos nas drogas. 
Pedi ao vento que espalhe nos céus o perfume da rosa.    
Pedi ao vento que toda nação seja gloriosa. 
Pedi ao vento proteção ao filho da mãe amorosa.

O vento foi, o vento vem, será que o vento 
já me atendeu, só resta agora você
me entender que este vento e o nosso Deus.
                         
Pedi ao vento para acalmar as ondas dos sete mares. 
Pedi ao vento que leve harmonia a todos os lares.
Pedi ao vento que leve embora a impureza dos ares. 
Pedi ao vento em, orações que fiz nos altares.

O vento foi, o vento vem, será que o vento já me atendeu, 
só resta agora você me entender que este 
vento e o nosso Deus. 

Pedi ao vento para nos conduzir nas estradas da vida. 
Pedi ao vento que encontre a criança desaparecida. 
Pedi ao vento que de ao doente, conforto e guarida. 
Pedi ao vento que a minha prece seja ouvida.   
             
O vento foi, o vento vem, será que o vento já me atendeu, 
só resta agora você me entender que este 
vento e o nosso Deus.

Não encosta a barriguinha

Os Monarcas

C G7 C


G7
Antigamente era assim numa bailanta de galpão
C
A xiruzada entreverada entortava no salão
G7
A xiruzada entreverada entortava no salão
C C7
Antigamente era assim numa bailanta de galpão

F Bb B C7
(E a comadre lá num canto diz pra moça no salão
F (F# G) Bis
Não encoste a barriguinha na fivela do peão)
Int.
G7
No repicar de uma vaneira dança prenda e o peão
C
E tem quem dance a noite inteira até descascar o garrão
G7
E tem quem dance a noite inteira até descascar o garrão
C C7
No repicar de uma vaneira dança prenda e o peão
( )Int.
G7
Redemoinhando pela sala Tia Marica bate o pé
C
Dança a comadre Maria com o compadre José
G7
Dança a comadre Maria com o compadre José
C C7
Redemoinhando pela sala Tia Marica bate o pé
( )Int.

Gauchesca

Os Monarcas

(intro) C G7 C

                      
Antigamente era assim 
                     G7
numa bailanta de galpão
                                       C
A xiruzada entreverada entortava no salão
                                       G7
A xiruzada entreverada entortava no salão
                                           C  C7
Antigamente era assim numa bailanta de galpão

        F                          Bb   B    C7
(E a comadre lá num canto diz pra moça no salão
                                         F  (F# G)   (bis)
Não encoste a barriguinha na fivela do peão)

(intro)
                                             G7
No repicar de uma vaneira dança prenda e o peão
                                                     C
E tem quem dance a noite inteira até descascar o garrão
                                                     G7
E tem quem dance a noite inteira até descascar o garrão
                                             C   C7
No repicar de uma vaneira dança prenda e o peão

(intro)
                                           G7
Redemoinhando pela sala Tia Marica bate o pé
                                        C
Dança a comadre Maria com o compadre José
                                        G7
Dança a comadre Maria com o compadre José
                                           C  C7
Redemoinhando pela sala Tia Marica bate o pé

Fandangueando

Os Monarcas

A7 G F#m Em D A7 D A7 D

                                    G
Pela estrada do pampa se vamo faceirote 
batendo na marca
       A7               D               A7                 D
Emponchado de bailes e festas essa é a vida que leva Os Monarcas
                                       G
Não há chuva, frio ou mormaço que atrapalhe um só compromisso
        A7              D          A7               D
O Rio Grande está satisfeito orgulhoso do nosso serviço

        E7                 A7         E7                  A7
(No fechar da porteira do baile rebanhamos saudade e lembrança
         G                D             A7               D
Vem a aurora vestida de prenda nasce o dia pra outras andanças)

(intro)
                                       G
Nos lugares que toca Os Monarcas a peonada se alegra dançando
         A7                 D          A7               D
Chora a gaita ponteia o violão vibra a alma do pago cantando
                                G
A união do grupo Os Monarcas espelha essa terra sem luxo
         A7                D         A7             D
Surge o canto altivo e de marca exaltando o pampa gaúcho

(intro)
                                 G
Na garupa do tempo levamos o sorriso que brota amizade
           A7                   D        A7                 D
Sempre em busca de um novo horizonte deixando e levando saudade
                                    G
Que seria de nós Os Monarcas sem o povo que faz a festança
         A7                  D            A7                D
Fandangueando nos bailes costeiros no bailado da nossa esperança

Doce amargo do amor

Os Monarcas

A                       E
(Me dê um chimarrão de erva boa
A
Que o doce desse amargo me faz bem
A7 D
O amargo representa uma saudade
A E A E A
E o doce o coração que ela não tem)

E
Cevei meu mate no romper da aurora
A
Chamei a china prá matear comigo
A7 D
Nem desconfiava que ela fora embora
A E A
E esta saudade hoje é meu castigo

( )

E
No fim da tarde nada me consola
A
Tomo um amargo disfarçando a dor
A7 D
Largo o porongo e pego na viola
A E A
Canto saudade pro meu grande amor

Desencontro

Os Monarcas


Intro: 1º verso

  Em         C         B7                       Em
Quem traz a noite nos olhos, não percebe os pirilampos
                  B7                         Em
Eu não preciso de rumos pra cavalgar pelos campos
      C       B7                    Em
Ágil como um pensamento, no meu pico ventania
               B7                       Em
Eu quero passear nos campos desses teus olhos guria

    E7           Am       D              G
A água adquire forças em cada queda que leva
     Em            Am         B7              Em
Meu olhar também vagueia toda vez que não te enxerga
    E7              Am        D                  G
Os raios do sol são forte mas branda é a luz da lua
      Em           Am        B7           E
Meu coração se incendeia de tanta saudade tua

         B7                         E
Guria ouve meu canto, parceiro das noites longas
          B7                      E
Escuta meu pensamento nas notas dessa milonga (2x)   -   intro

       Em      C   B7                        Em
As distâncias dividimos, os sofrimentos são meus
                B7                       Em
Carrego tanto carinho para trocar pelos teus
        C        B7                      Em
O amor é complemento, o desencontro é tortura
              B7                     Em
Eu não me encontro comigo vivendo em tua procura

     E7                Am         D             G
Tem mais luzes que encaminha na estrada do sentimento
         Em             Am         B7            Em
Me transporta nos teus olhos, rumo dos meus pensamentos
  E7                 Am           D             G
Depois eu empreendo viagem pra alcançar teu coração
  Em               Am         B7         E
E vou ancorar meu barco nesta última estação

         B7                         E
Guria ouve meu canto, parceiro das noites longas
         B7                      E
Escuta meu pensamento nas notas dessa milonga 
(2x)   -  intro

Cheiro de galpão

Os Monarcas

Intro: G F Em Dm C (G7 C) 


G7
Esta vaneira tem um cheiro de galpão
C
Que reascende meu olfato de guri
Am G7
É pau-de-fogo da memória dos fogões
C
Essência bugra que me trouxe até aqui

Dm
Essa vaneira tem um cheiro chimarrão
G7 C
De seiva xucra derramada no braseiro
Am G7
Quando a fumaça do angico se mistura
C (Bis)
Com um odor de figueirilha no palheiro

(G7 C)
G7
Esta vaneira tem um que de quero mais
C
Que reativa o paladar que já foi meu
Am G7
Relembra a rapa da panela que furou
C
E no cantinho da memória se perdeu

Dm
Esta vaneira tem sabor de araçá
G7 C
Jabuticaba, guabiroba, ariticum
Am G7
Por isto lembro o tempo bueno de piá
C (Bis)
Enlambuzado de pitanga e guabijú

(G7 C)
G7
Esta vaneira tem um dom de reviver
C
Fazer as cores que o tempo desbotou
Am G7
Sentir as formas que o tato esqueceu
C
E ser de novo o que eu fui e já não sou

Dm
Esta vaneira tem um que de nostalgia
G7 C
Que traz de volta o romantismo do cantor
Am G7
Revigorando um coração que endureceu
C (Bis)
E não queria mais ouvir falar de amor

(G7 C)

Campeiro do Rio Grande

Os Monarcas

Intro.: Em Bm F#7 B7 Em Bm F#7 Bm 
 
Noite fechada de estrelas, 
um manto azulado ao fundo 
                                    G       F#7 
Parece encilhos celestes, no manto santo do mundo 
 
Uma saracura grita, ali na costa do mato 
                                           Bm   B7 
Perto de uma cruz atada, com lenço de maragato 
 
                   Em              A7            D 
Na peiteira do tordilho, brilha a luz de um pirilampo 
   Bm             F#7                    Bm   B7 
Parecem flores de luz, desabrochando no campo 
                      Em          A7          D 
Os grilos vão milongueando, junto ao ipê veterano 
      Bm              F#7                       Bm 
Que guarda ninho e gorjeios, na memória dos minuanos 
 
                          Em 
(Sou um campeiro do Rio Grande 
A7            D             F#7 Bm 
Acordo ao cantar dos galos 
                      F#7         Bis 
E por onde quer que eu ande 
                    Bm 
Ando sempre de à cavalo) 
Int. 
 
Manoteando o céu da sanga, o pingo escarcelha e rincha 
                                   G         F#7 
E um luzeiro de cristais, escorre na água da cincha 
 
A Dalva acorda o tropeiro, um boi se baba mugindo 
                                              Bm   B7 
Saltando um fio luminoso, desfiando prateireirismo 
 
               Em         A7              D 
Uma cordeona gaúcha, num céu campeiro de luz 
      Bm              F#7                         Bm   B7 
E eu vejo Deus de a cavalo, nessas querências do sul 
                    Em      A7              D 
No fogo a cambona chia, mateando faço uma prece 
      Bm              F#7                        Bm 
Mil graças velho Rio Grande, por tudo quanto me destes 

Brasil de bombacha

Os Monarcas

(intro 2x) D G A G A D

D G
Após muito tempo guardando os limites do sul do Brasil
A G A D
O gaúcho migrou para o norte e do norte mudou o perfil
D7 G
Deixou para trás a campanha e a beleza dos campos dobrados
A G A D
E se foi a buscar nova vida numa terra de mato fechado

Bm F#m G D
(Este é o Brasil de bombacha, é a saga da raça guerreira
Em D A D
Nos fundões dessa pátria se acha um gaúcho abrindo fronteiras)2X

(solo)
Bm F#m G D Em D A D

D G
Só quem parte é que sabe da dor, de deixar o seu pago e sua gente
A G A D
As lembranças rebrotan ao redor só o forte consegue ir em frente
G
Nos persuelos vão laços de afeto e a honra de ser o que são
A G A D
Os centauros das bandas do sul, povo guapo criado em galpão

(intro)

D G
Ao chegar no torrão do seu gosto vão semeando alegria e respeito
A G A D
O trabalho em seguida da fruto e o fruto é um consolo pro peito
G
Mate quente ou mate gelado, chimarrão ou tererê
A G A D
Os costumes vão sendo mesclados num país com sotaque de tchê (2X)

D G
Quando bate a saudade daninha nos gaudérios tão longe de casa
A G A D
A cordeona resmunga num rancho e o churrasco respinga na brasa
G
No alicerce de algum CTG o Rio Grande campeiro floresce
A G A D
Aos gaúchos de alma pioneira comovido o Brasil agradece (3X)

Batendo água

Os Monarcas

Base:G D7 Am D7 G Am D7 G


G
Meu poncho emponcha lonjuras batendo água
Am7 D7
E as águas que eu trago nele eram pra mim

Asas de noite em meus ombros sobrando casa
C D7 G
Longe "das casa" ombreada a barro e capim


Faz tempo que eu não emalo meu poncho inteiro
Am7 D7
Nem abro as asas da noite pra um sol de abril

Faz muitos dias que eu venho bancando o tino
C D7 G
Das quatro patas do zaino pechando o frio


(Troca um compasso de orelhas a cada pisada
D7
No mesmo tranco da várzea que se encharcou
Am7 C D7 Bis
Topa nas abas sombreras, que em outros ventos
G
Guentaram as chuvas de agosto que Deus mandou)
Int.

Meu zaino garrou da noite o céu escuro
Am7 D7
E tudo o que a noite escuta é seu clarim

De patas batendo n'água depois da várzea
C D7 G
Freio e rosetas de esporas no mesmo trim


Falta distância de pago e sobra cavalo
Am7 D7
Na mesma ronda de campo que o céu deságua

Que tem um rumo de rancho pras quatro patas
C D7 G
Bota seu mundo na estrada batendo água


(Porque se a estrada me cobra, pago seu preço
D7
E desabrigo o caminho pra o meu sustento
Am7 C D7 Bis
Mesmo que o mundo desabe num tempo feio
G
Sei o que as asas do poncho trazem por dentro)
Int.

Aquerenciado

Os Monarcas

Eb7 Ab Eb7 Ab Eb7 Ab Db Eb7 Ab

              Eb7         Ab
/Embarquei no sonho de mocito
Ab7                     Db
Sofrenei a ância de voltar
   Eb7                  Ab
Parti pela manhã a galopito
Eb7                             Ab
Não olhei pra trás, pra não chorar/

           Eb7            Ab
Cascos de poeira pela estrada
Ab7                      Db
Rumo indefinido onde chegar
Eb7                       Ab
Ficou para trás a minha amada
Eb7                        Ab
Com vertentes d'água no olhar

         Eb7                    Ab
(Aquerenciado não adianta ir embora
                  Eb7                         Ab
Pois o pensamento fica, no lugar que a gente mora
         Eb7                       Ab
Estou voltando porque já chegou a hora
     Ab7            Db      Eb7                Ab
Rever os olhos da china com jeito de quem me adora)
Int.
               Eb7         Ab
O tempo de aventura já se foi
Ab7                    Db
Ilusões se perdem pelo ar
Eb7                      Ab
Pela mesma estrada voltarei
Eb7                            Ab
Porque ali eu sei que é meu lugar

              Eb7        Ab
{Pé na estrada mala de garupa
Ab7                     Db
A saudade aperta o coração
Eb7                    Ab
Meu cavalo vai num upa-upa
 Eb7                      Ab
Trilhando caminhos de emoção}
( )Int./ /{ }( )Int.

Os Monarcas



Os Monarcas é um conjunto de música regionalista gaúcha, dono de uma das carreiras de maior longevidade da música regional do Estado do Rio Grande do Sul, localizado na Região Sul do Brasil.

A criação do grupo Os Monarcas se deu oficialmente em 1976, mas o grupo começou a ser esboçado em 1967, na cidade de Erechim, quando Nesio Alves Corrêa, mais conhecido como Gildinho, juntamente com seu irmão Chiquito, criaram a dupla Gildinho e Chiquito. Durante alguns anos Gildinho e Chiquito trabalharam animando pequenos bailes na região do Alto Uruguai, apresentando diariamente, na Rádio Erechim, o programa “Assim canta o Rio Grande”, e estudando acordeom na Escola de Belas Artes.

O nome da dupla foi mudado, em 1972, para Os Monarcas, e em 1974, gravaram o álbum Galpão em Festa, seu primeiro LP com doze canções. Ainda como dupla, em 1976, gravaram mais um álbum com doze canções, Gaúcho Divertido.

Em 1976, juntaram-se à dupla os músicos João Argenir dos Santos (guitarra), Luiz Carlos Lanfredi (contra-baixo) e Nelson Falkembach (bateria). Com esta formação de cinco músicos, o grupo gravou, em 1978, o primeiro LP, O Valentão Bombachudo, pela Gravadora Warner/Continental e iniciou uma trajetória de sucessos e reconhecimento ímpar no cenário da música regionalista do sul do Brasil, gravando 26 álbuns em 28 anos de trabalho.

A década de 80 rendeu ao conjunto a gravação de seis LPs, sendo gravados, além do pioneiro O Valentão Bombachudo (1978), os álbuns Isto é Rio Grande (1980), Grito de Bravos (1982), Rancho sem Tramela (1985), Chamamento (1986), Fandangueando (1988) e Do Sul para o Brasil (1989). E foi no ano de 1988, com a gravação do LP Fandangueando, o grupo recebeu mais um integrante, Ivan Vargas, que permanece no grupo até os dias de hoje como vocalista.

Ao final de pouco mais de uma década de trabalho, o grupo já tinha seu talento reconhecido mas, o sucesso maior, estava chegando juntamente com os anos 90. A década de 90, que trouxe o efetivo sucesso em termos de vendagem de álbuns, começou com uma mudança na estrutura do conjunto: já em 1990, um dos pioneiros, o acordeonista Chiquito, deixou o grupo para fundar o conjunto Chiquito & Bordoneio. Para o seu lugar, foi chamado o também acordeonista Leonir Vargas, catarinense, conhecido como Varguinhas.

Em 1991, foi gravado o primeiro grande sucesso de vendas do grupo, o CD Cheiro de Galpão, campeão de vendas no Brasil naquele ano, de todos os álbuns regionais lançados. A vendagem deste álbum rendeu ao grupo, em 1992, o primeiro Disco de Ouro. O conjunto cresceu no sucesso e no tamanho em 1992, com a chegada de Francisco de Assis Brasil, o Chico Brasil, premiado instrumentista de gaita-ponto.

A conquista do segundo Disco de Ouro veio com a gravação, no outono de 1994, do CD Eu Vim Aqui Para Dançar, um álbum com 14 faixas. Numa seqüência impressionante de sucessos, logo em 1995, foi gravado o CD Rodeio da Vida, que foi apontado pela crítica como melhor disco do ano.

O final da década de 90 trouxe para o grupo uma importante mudança: no ano de 1999 ocorreu a troca de gravadora, da Chantecler para a ACIT e, já neste ano, foi gravado o primeiro trabalho pela nova gravadora, o CD “Locomotiva Campeira”. E foi também no ano de 1999 que o conjunto recebe um novo integrante, o percussionista Vanclei da Rocha.

Algumas músicas cifradas

Aquerenciado
Batendo água
Brasil de bombacha
Campeiro do Rio Grande
Cheiro de galpão
Desencontro
Doce amargo do amor
Fandangueando
Gauchesca
Meu sistema
Não encosta a barriguinha
O vento
Olhos de mel
Pago dileto
Rancheira puladinha
Vai que vai
Xote laranjeira

Veja também

A música gaúcha ou nativista
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Cifras de músicas gaúchas
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Conjuntos ou grupos gaúchos
Dilu Melo
Ovídio Chaves
Os Monarcas
Os Serranos
Pedro Raimundo
Teixeirinha


Fonte: http://pt.wikipedia.org/wiki/Os_Monarcas

Os Serranos



Os Serranos é um tradicional conjunto musical gauchesco, criado em 1968 em Bom Jesus, uma cidade localizada na serra do Rio Grande do Sul.

No início eram uma dupla de acordeonistas formada por Edson Dutra e Frutuoso Luís de Araújo, e gravaram o primeiro compacto duplo em 1969, pela Discos Copacabana. O segundo disco, um LP, foi lançado três anos depois, e chamou-se Nostalgia Gaúcha.

Os Serranos fazem espetáculos e tocam em bailes pelo Brasil e também se apresentaram em cidades de países do Mercosul. Em dezembro de 2003, o conjunto realizou a primeira turnê pelos Estados Unidos da América, se apresentando em Miami, Newark e Boston.

Têm três discos de ouro, por Isto é… Os Serranos, Bandeira dos Fortes e Os Serranos Interpretam Sucessos Gaúchos. Possuem dois DVDs, “Os Serranos ao vivo na Expointer" e o recém-lançado (2009) “Os Serranos - 40 anos de História, Música e Tradição”, verdadeiro sucesso de vendas.

Desde 2004, Os Serranos produzem e apresentam um programa semanal de rádio, chamado Encontro com os Serranos, veiculado por mais de 110 emissoras no sul do país, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso e no Paraguai.

Os Serranos é um dos poucos conjuntos de música gaúcha que ainda preserva o tradicionalismo da cultura do Sul em suas canções. Seu principal compositor, Edson Dutra, um grande “tocador de bugios”, é um exímio instrumentista, com forte influência dos Irmãos Bertussi.

Integrantes

Edson Dutra, acordeon e voz, integra o conjunto desde o início.
Everton Dutra (conhecido como Tôco), baixo e vocal, integra o conjunto desde 1970.
Walter Jeger Júnior (conhecido como Kiko), voz solo e vocal, integrou o conjunto de 1987 a 1993, retornando em 1998
Daniel Hack, acordeon, integra o conjunto desde 1997
Anderson Ribeiro (conhecido como Tanaka), baixo e voz, integra o conjunto desde 2000
Cândido Mendes Júnior, bateria, integra o conjunto desde 2004
Alex Morais, guitarra, integra o conjunto desde 2001.

Discografia

Minha Querência (1969)
Nostalgia Gaúcha (1970)
Som Crioulo (1974)
Rio Grande Nativo (1975)
Baita Macho (1977)
Rio Grande Tchê (1980)
Capão de Mato (1982)
Ao estilo dos Serranos (1983)
Outras Mudanças (1985)
Isto é Os Serranos (1987)
Bandeira dos Fortes (1988)
20 Anos de Luta e Glória (1990)
Estampa (1990)
Marca do Talento (1993)
25 anos de Música para o Brasil (1994)
Tradicionalista (1995)
Mercosul de Canções (1996)
Criado em Galpão (1998)
Os Serranos Interpretam Sucessos Gaúchos (1999)
De Bem com a Vida (2000)
Vanera Vanera (2001)
Os Serranos Interpretam Sucessos Gaúchos 2 (2003)
Os Serranos, Sim Senhor (2004)
30 Anos: Os Serranos (2006)[3]
Os Serranos ao vivo na Expointer (2007)
Nação Serrana (2008)
Os Serranos - 40 anos de História, Música e Tradição (2009).

Algumas músicas cifradas

Samba de caná

Turunas da Mauricéia
Samba de Caná (samba, 1927) - Tradicional

Disco 78 rpm / Título: Samba do caná / Autoria: não identificado (Compositor) / Augusto Calheiros, 1891-1956 (Intérprete) / Turunas da Mauricéia (Intérprete) / Imprenta [S.l.]: Odeon, Indefinida / Álbum número 10073 / Lado B.



Versão cantada de Augusto Calheiros, em disco Odeon de 1953, álbum 13624, gênero musical intitulado como "embolada":

Salve Jaú

Aclamações de milhares de pessoas aos bravos aviadores do Jahú (Revista Careta - 09/07/1927)

João Ribeiro de Barros (Jaú-SP, 4/4/1900 — 20/7/1947), foi o primeiro aviador das Américas a realizar um voo transatlântico no dia 28 de abril de 1927, a bordo do hidroavião Jahú. Os demais tripulantes foram Arthur Cunha (na primeira fase da travessia) e depois João Negrão (co-pilotos), Newton Braga (navegador), e Vasco Cinquini (mecânico). Os quatro aeronautas partiram de Gênova, em Itália, até Santo Amaro (São Paulo), fazendo escalas em Espanha, Gibraltar, Cabo Verde, e Fernando de Noronha, já em território brasileiro. Ainda era uma época que tínhamos heróis "de verdade", como Santos Dumont e tantos outros.

Salve Jaú (marcha, 1927) - Salvador Correia

Título da música: Salve Jaú / Gênero musical: Marcha / Intérprete: Francisco Alves / Compositor: Correia, Salvador / Gravadora Odeon / Álbum 10025 / Gravação 00/1927 / Lançamento 00/1927 / Lado A / Disco 78 rpm.


Salve Jaú! / Ave altaneira / As tuas asas representam / A bandeira brasileira...

Uma outra composição (antes do evento) sobre o feito de nosso herói brasileiro, publicada em 26/11/1926, no jornal Correio da Manhã, composta por Antonio Peixoto Velho, com versos de Castro e Souza, editada pela casa Vieira Machado:

I

Triumphal, feliz / é o audaz "Jahú" / a bandeira do seu paiz. / Num gesto lindo, de brasileiro, / ninguém o vence no seu cruzeiro. / Pelo céo d'anil, / alma do Brasil, / rasga nuvens e vae a Deus. / E traz, em ancias, / de colossaes distancias, / a palma da victoria aos filhos seus!

II

É bandeira / que sobranceira, / à terra inteira / conseguiu se impor. / É estandarte / qu'em toda a parte / representará o poder d'um povo que tem valor!

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Fontes: acervo.ims.uol.com.br/; Wikipédia; Correio da Manhã, de 21/11/1926; Revista Careta, de 9/7/1927.