segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Nicanor Teixeira

Nicanor Teixeira
Nicanor Teixeira (Nicanor de Araújo Teixeira), compositor e violonista, nasceu em 1º de junho de 1928, em Barra do Mendes, interior da Bahia. Filho de Floriano Teixeira e de Amélia Batista de Oliveira Teixeira, é o quinto filho de uma família de sete irmãos.

Seu pai era coureiro e possuía um pequeno sítio no interior, além de uma casa em Barro Alto, para onde a família mudou-se quando Nicanor tinha três anos. Cresceu ouvindo os violeiros que passavam por Barro Alto, rumo às festas de Bom Jesus da Lapa.

Aos nove anos, recebeu de presente do pai um cavaquinho. Assistia às aulas dadas por João Sátiro a seu vizinho Adalberto Bodão, através da janela deste. Um dia, Sátiro desafiou o menino a mostrar o que aprendera. Logo, o jovem Nicanor mostrou que, olhando, aprendera muito.

Ganhou um violão aos 12 anos. Estudou violão, por sua conta, pelo método de Américo Jacomino (o Canhoto). Aos 13 anos, já tocava em bailes e festas acompanhando o saxofonista Almerindo Guedes, principal músico de Barra do Mendes, e o famoso sanfoneiro da região, João Benta, entre outros.

Veio para o Rio de Janeiro em 1948. Nesta cidade, entrou para o serviço militar no 1º Batalhão de Carros de Combate, cujo terceiro sargento era o sambista Nelson Sargento.

Foi aluno de Dilermando Reis entre os anos de 1951 e 1954, passando a freqüentar suas aulas coletivas, pagas com o emprego no comércio de roupas. As aulas eram aos domingos e, em sua primeira demonstração (tocou duas composições suas), os colegas riram muito e comentaram a maneira própria de usar a mão direita, privilegiando o polegar: "Aí, Dilermando, até que enfim apareceu um polegar para competir com o teu!".

Em 1952, apresentou-se no programa de calouros de Ary Barroso. No auditório da Rádio Tupi lotado, Nicanor recebeu nota 4,5 (a máxima era 5,0) e conquistou o prêmio em dinheiro que, para sua alegria, estava acumulado.

Tocou na segunda formação da Orquestra de Violões de Dilermando Reis, que contava também com Chico Sá, Molina, Hilton Ramos, Waldir León, Simplício, Oswaldo Mendes, Deoclécio Melin e Evilásio Maciel.

Largou o comércio em 1955, dedicando-se exclusivamente ao violão. Lecionou no Conservatório Musical do Rio de Janeiro, em Botafogo, no Instituto Brasileiro de Cultura e Música (Ibcm), e no Conservatório Brasileiro de Música - filial Laranjeiras. Conheceu, nesse período, Oscar Cáceres (de quem se tornou amigo) e Turíbio Santos, ainda uma jovem promessa, além da grande violonista Maria Luiza Anido.

Em 1959, passou a lecionar na Casa Carlos Wehrs. No mesmo ano, foi indicado por Dilermando Reis para tocar na festa dos 250 anos da cidade de Cuiabá. Em 1961, abriu, em sociedade com Mário Montenegro, uma loja de música em Copacabana, que se tornou ponto de encontro de músicos cariocas e paulistas.

Nessa época, surgiu um problema no seu dedo indicador direito, que o obrigou a interromper sua carreira como violonista e cuja superação lhe custou grande esforço. Voltou, então, a trabalhar no comércio durante o dia e continuou lecionando à noite.

No final da década de 1960, Hermínio Bello de Carvalho indicou-o para professor da Academia de Violão Duarte Costa, em Lisboa, Portugal. Nicanor preferiu não aceitar, já que seu casamento estava marcado para breve. Ainda por volta de 1960, elaborou, junto com vários violonistas, o programa do curso de violão do Conservatório Brasileiro de Música.

No início dos anos 70, transcreveu a obra do violonista e compositor Othon Saleiro. De 1974 a 1976, fez várias apresentações com seus alunos, na ABI. Em 1976, deu um recital com Sérgio de Pinna, no Ibam (Instituto Brasileiro de Administração Municipal). Em 1977, gravou o disco, de selo independente, O violão brasileiro de Nicanor Teixeira, reunindo obras suas e interpretações para clássicos do violão brasileiro, como Sons de carrilhões, de João Pernambuco, Doutor sabe tudo e Magoado, de Dilermando Reis.

A partir de 1985, travou contato com o Quarteto Carioca de Violões, fundado pelos jovens violonistas Maria Haro e Nicolas de Souza Barros. Escreveu várias obras para o conjunto, dentre as quais Mariquinhas Duas Covas, hoje um clássico do repertório das orquestras de violões.

O compositor possui várias peças editadas no Brasil ("Ricordi", "Monabluc" e "Irmãos Vitale"), na França ("Max Eschig") e Alemanha ("Margaux"). Desde meados da década de 1980, vem compondo em parceria com a poeta Márcia Jacques. Sua obra vem sendo tocada por grandes intérpretes do violão brasileiro e internacional.

Em 1998, o violonista brasileiro radicado na Espanha, Cláudio Tupinambá, incluiu em seu CD, gravado em Madrid, o "Cateretê das farinhas" e o "Estudo nº 2". Em 1999, apresentou-se na Casa de Cultura Laura Alvim, junto com a parceira e poeta Márcia Jacques, no show "As canções de Nicanor Teixeira e Márcia Jacques" .

Em 2000, Afonso Machado (bandolinista e arranjador) e Bartholomeu Wiese (violonista), integrantes do conjunto Galo Preto, produziram um CD em sua homenagem, com músicas de Nicanor interpretadas pelo compositor e por violonistas e instrumentistas de várias gerações, admiradores de sua obra: Turíbio Santos, Egberto e Alexandre Gismonti, Guinga, Jodacil Damasceno, Léo Soares, Paulo Rabelo (filho de Paulinho da Viola), Cláudio Tupinambá, Afonso Machado e Galo Preto, Bartholomeu Wiese, Marcos Llerena, Nicolas de Souza Barros, Maria Haro, Luiz Otávio Braga, Graça Alan, Marcos Farina, Marcos Ferrer, Swang, Luciana Requião, Nelson Caiado e Vera de Andrade.

Obra

Álbum de família (século XX) (c/ Márcia Jacques),  Arrepio (melodia do frevo nº 2) (c/ Márcia Jacques),  Auto-retrato, Canção terna, Cantiga nº 2, Carioca nº 1, Carioca nº 2, Carioca nº 3 (choro em sol menor), Cateretê das farinhas, Choro da Cidade da Barra, Concertante 1, Concertante 2, Estudo brilhante, Estudo nº 2Estudo nº 3, Eu vou me amasiá, Fabricante de canções (c/ Márcia Jacques), Filigrana (fragmentos de choro), Flor de mandacaru (c/ Márcia Jacques), Frevo nº 1 (Te enxerga muié), Frevo nº 2, Inverno quase primavera, João Benta no forró (Sanfoneiro de Cafarnaum), Lamento do cantador nordestino, Lica do Zé (c/ Márcia Jacques), Loucuras da Vicentina, Mariquinha Duas Covas, Memórias de um reisado, Moça Caetana (melodia de três canções para Ambrosina) (c/ Márcia Jacques), Na gafieira que o doutor lhe prescreveu (fragmentos de choro) (c/ Márcia Jacques), Nossa canção (elegias) (c/ Márcia Jacques), Olhos que choram, Outono, Pequena fantasia e variação, Pequena modinha (fragmentos de canção), Ponteio nº 1, Ponteio nº 2, Por Camille (Cantilena do prelúdio) (c/ Márcia Jacques), Porque sim (c/ Sérgio Pina e Márcia Jacques), Prelúdio e canção de Páscoa, Prelúdio em si menor (prelúdio romântico), Prelúdio nº 1, Prelúdio nº 2, Prelúdio nº 3, Prelúdio nº 6, Procissão, Romaria de Bom Jesus da Lapa, Saga (c/ Márcia Jacques), Samba-canção, violão, a Lurdes (esposa de Zé da Cuíca), Sarabanda, Seu Leandro e sua viola, Suíte nº 2, Suíte pequenas paisagens, Tecelã (c/ Márcia Jacques), Três canções para Ambrosina, Tudo que for necessário (c/ Márcia Jacques), Último adeus (c/ Márcia Jacques), Valsinha romântica nº 1, Valsinha romântica nº 2, Velha lembrança

Fonte: Dicionário Cravo Albin da Música Popular Brasileira.

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