terça-feira, 14 de setembro de 2010

Farrula

Farrula (valsa, 1905) - Anacleto de Medeiros

Farrula, valsa composta pelo maestro Anacleto Augusto de Medeiros (foto) e interpretada pela Banda do Corpo de Bombeiros (sob a regência do próprio maestro) em um disco da Casa Edison do ano de 1904.

Figurou entre os discos mais vendidos daquele ano.

Mais dados: gravadora Odeon; álbum número 40111; data de gravação / lançamento: 1904 / 1907; lado: único; disco 78 rpm.



O sonho


O sonho (ária, 1904) - Patápio Silva

Patápio Silva foi um brilhante flautista e excelente compositor. Ele havia tocado em bandinhas e "viveu" a música popular de seu tempo, que se refletia na sua obra.

Mas sua obra trazia um outro aspecto muito interessante: ele era um músico antenado a produção erudita internacional, e assim como Liszt, Paganini, Popp, Chopin... utilizava todos os recursos técnicos possíveis em suas músicas, fazendo com que apenas flautistas com o domínio pleno do instrumento sejam capazes de executar sua obra.

Ouça aqui a linda ária O sonho, composta pelo próprio flautista e gravada / lançada na Casa Edison em 1904 / 1907, selo Odeon, álbum número 40085:


Serenata de amor

Serenata de amor (romança, 1904) - Patápio Silva

Patápio Silva estudando dez horas por dia no Instituto Nacional de Música, formou-se em 1903, recebendo medalha de ouro e o primeiro prêmio nesse Instituto.

Contratado por Fred Figner gravou na Odeon (Casa Edison) de 1904 a 1906, interpretando peças como Noturno n° 1 e Noturno n° 2, de Fréderic Chopin (1810-1849), Serenata, de Franz Schubert (1797-1828), Serenata oriental (Ernesto Kõhler), Allegro (Terschak), a polca Só para moer (Viriato) e, de sua autoria, a valsa Primeiro amor , Variações de flauta (Fantasia de concerto), Margarida, Sonho, Serenata d'amore, Amor perdido e Zinha.

Em seguida a gravação da romança Serenata d'amore, ou melhor, Serenata de amor, pela Casa Edison, gravadora Odeon, álbum número 40244, gravada / lançada em 1904 / 1907:



Margarida

Margarida (mazurca, 1904) - Patápio Silva

Flautista excepcional e muito bom compositor, Patápio Silva começou ainda adolescente atuando em bandas do interior, cursando a seguir o Instituto Nacional de Música, onde se formou em 1903. A partir de então, desenvolveu uma vitoriosa carreira, que seria interrompida pela morte aos 27 anos. A popularidade de Patápio era tão grande que seus discos permaneceram em catálogo por mais de duas décadas.

Como compositor deixou pérolas como Primeiro amor, Margarida, Sonho, Serenata d'amore, Amor perdido e Zinha. Abaixo a mazurca Margarida gravada / lançada pela Casa Edison em 1904 / 1907, álbum número 40045, interpretação do próprio gênio:


Alvorada das rosas

Patápio Silva
Alvorada das rosas (romança, 1904) - Júlio Reis

Júlio Reis (1870-1933) radicou-se no Rio de Janeiro, então capital do Império, e ingressou no serviço público como funcionário do Senado.Recortes selecionados pelo próprio registram que ele exerceu uma intensa atividade artística no Rio de Janeiro a partir da década de 80 do século XIX, quando começou a publicar suas composições.

A atividade de compositor e pianista intensifica-se na década seguinte, quando passa a integrar a elite intelectual do Rio de Janeiro - apresentava-se em concertos e recitais, algumas vezes acompanhado do irmão, o também pianista João Reis.

Entre as gravações do flautista Patápio Silva na antiga Casa Edison, consta a romança Alvorada das rosas de autoria de Júlio Reis:


Júlio Reis

Júlio Reis (Júlio César do Lago Reis), pianista, organista, compositor e crítico, nasceu em São Paulo-SP em 23/10/1870, e faleceu no Rio de Janeiro-RJ em 20/9/1933. Quando criança estudou piano e órgão com a mãe. Dedicou-se à música como diletante, tendo seguido carreira de funcionário público no Senado Federal.

Em 1883, no Rio de Janeiro, sua Ave Maria, para piano e coros, foi cantada na festa de Santa Cecília, na igreja do Santíssimo Sacramento, sob a regência do maestro Henrique Alves de Mesquita.

Sua Marcha triunfal para órgão foi executada em Roma, Itália, em 1887, por ocasião das comemorações do jubileu sacerdotal do papa Leão XIII, a quem era dedicada.

Foi crítico musical de A Notícia, do Rio de Janeiro, e dedicou-se também à literatura. Publicou duas coletâneas de críticas e apreciações musicais: À margem da música, Rio de Janeiro, 1918; e Música de pancadaria, 1920. Escreveu as óperas Sóror Mariana, baseada em drama de Júlio Dantas, concluída em 1920, e Heliofar (libreto de Tapajós Gomes), estreada a 1° de janeiro de 1923, no Palácio das Festas da Exposição Internacional do Centenário, no Rio de Janeiro.

Obras

Música dramática: Heliofar, ópera, 1923; Sóror Mariana, ópera, 1920.

Música instrumental: Alvorada nupcial, p/piano, s.d.; Berceuse, p/piano, s.d.; Berceuse, p/violino e piano, s.d.; Cinco cenas orientais (Serenata, Noturno, Lótus, Preghiera e Balada), p/piano, s.d.; Citereu, p/piano, s.d.; Marcha triunfal, p/órgão, só.; Noturno, p/piano, só.; Odaléia, p/piano, só.; Ondina, p/piano, s.d.; Ronde de nymphes, p/celo e piano, s.d.; Serenata, p/piano, s.d.

O gênio que não imita nem plagia

Júlio Reis nasceu em São Paulo, capital, no dia 23 de outubro de 1870, filho de Antonio Manoel dos Reis e de Francisca Luiza do Lago Reis, que viria a ser sua primeira e única professora de piano. Radicou-se no Rio de Janeiro, então capital do Império, e ingressou no serviço público como funcionário do Senado.

De acordo com recortes de jornais que integram seu acervo, Julio Reis já vivia no Rio desde pelo menos 1883, quando sua "Ave Maria" para piano e coros - composta quando ele tinha 13 anos - foi executada na Igreja do Santíssimo Sacramento, no Rio de Janeiro, regida pelo maestro Henrique Alves de Mesquita. Em 1887, por encomenda do bispo do Pará, d. Antonio de Macedo Costa, Julio compôs uma "Marcha Triunfal" em homenagem ao jubileu do papa Leão XIII e que acabou sendo tocada em Roma.

Recortes selecionados pelo próprio Julio Reis registram que ele exerceu uma intensa atividade artística no Rio de Janeiro a partir da década de 80 do século XIX, quando começou a publicar suas composições. Em 1883, o "El mundo artistico", de Buenos Aires, registra a edição da valsa "Inspiração Celeste", composição "melodiosa e sentimental e que sem dúvida fará bom caminho".

A atividade de compositor e pianista intensifica-se na década seguinte, quando passa a integrar a elite intelectual do Rio de Janeiro - apresentava-se em concertos e recitais, algumas vezes acompanhado do irmão, o também pianista João Reis. Em 1898, sai seu primeiro livro, "Catabile", que reunia contos, ou, como definiu, "miniaturas em prosa e música". Artigo publicado no "Jornal do Brasil" em 1936, três anos depois de sua morte, cita que Julio tinha Rui Barbosa entre seus admiradores. "Teve muitas vezes Julio Reis de improvisar diante do grande Rui, que o considerava como um dos mais inspirados compositores brasileiros." Ao noticiar a morte do compositor, em setembro de 1933, o jornal "A Noite", o classificou de "figura tradicional da cidade".

Segundo manuscrito que integra seu acervo - documento escrito provavelmente pelo próprio Julio Reis - o compositor tentou, durante a monarquia e nos primeiros governos republicanos, obter uma pensão para estudar na Europa, benefício que acabou não lhe sendo concedido. De acordo com o manuscrito, as negativas o obrigaram a se tornar um autodidata, "conseguindo em um ano o que outros mais felizes conseguem em um dia."

Quando ainda tentava receber o benefício do governo, Julio Reis recebeu, do já então consagrado Carlos Gomes, uma carta em que manifestava seu apoio à sua tentativa de estudar na Europa. Datada de 20 de novembro de 1890 e reproduzida em artigo de jornal, em 1896, pelo também compositor Frederico Mallio, a carta diz:

"Meu caro Julio Reis.

No desempenho da missão que o destino me impoz, de animar e proteger a todos os que tem talento e estudam , como você, tenho o maior prazer em aprovar a tua idéia de ires para a Europa completar os teus estudos, certo como estou de que, 'vendo e ouvindo' os grandes mestres virás a ser um artista que saberá honrar o nosso querido Brasil.

Resolve-te o quanto antes e recebe as saudações do sempre teu collega sincero.

A.Carlos Gomes".

Julio Reis dedicaria a Carlos Gomes a valsa "Odaléa", que seria impressa, em versão de luxo , pela casa Röder, de Leipzig. Na edição do "Jornal do Brasil" de 27 de fevereiro de 1892, o crítico Alfredo Camarate classifica Julio Reis de "músico fértil e produtivo" e diz que "Odaléa" é uma valsa "muito bonita e brilhante".

Frederico Mallio, cita que Julio Reis já então publicara mais de 200 composições. Segundo ele, o compositor "não se filiou a escola alguma existente, seu estilo é a sua personificação, é aquilo que ele sente no seu pulsar febril de verdadeiro gênio que não imita não plagia".

Já no século 20, Júlio Reis, sem abandonar a produção de valsas, polcas, mazurcas e "tangos brasileiros", passa a compor para orquestra. Inicia também a carreira de crítico musical em jornais como "O combate". A atividade como crítico leva à publicação de livros, entre eles, "À margem da música" e "Música de pancadaria".

Em 1914 conclui o "poema sinfônico" "Vigília d´Armas", para 42 instrumentos, que estrearia no ano seguinte. Em 1920, ele dá início ao projeto que se constituiria em sua maior frustração. Consegue do escritor português Julio Dantas a autorização para transformar em ópera sua peça "Sóror Mariana". No ano seguinte, obtém do Congresso Nacional uma dotação de 30 contos para a montagem da ópera - quantia que nunca viria a receber. Julio Reis não chegaria a orquestrar a ópera: compôs apenas a melodia básica e as partes dos cantores.

Mas, em 1923, conseguiria uma vitória: ainda dentro da programação da Exposição Internacional do Centenário da Independência do Brasil, sua ópera "Heliophar" estreou no Palácio das Festas no dia 24 de maio. O programa incluiu apresentações de obras sinfônicas de sua autoria, entre elas, "Vigília d´Armas" e "Caravana Celeste". 

Julio Reis morreu no dia 20 de setembro de 1933, no subúrbio de Piedade, no Rio de Janeiro. Durante anos, seu filho Frederico Mário dos Reis tentaria obter do governo e do Congresso Nacional a liberação da verba aprovada em 1915 e que permitiria a conclusão e a encenação de "Sóror Mariana". Frederico Mário morreu em 1992 sem realizar o sonho de seu pai. 

Fontes: Orquestra de Câmara Paulistana; Enciclopédia da Música Brasileira - Art Editora.