quarta-feira, 15 de setembro de 2010

O primeiro disco do Brasil

Em 1912 surgiu o primeiro disco totalmente produzido no Brasil, data em que Fred Figner se viu forçado a firmar um contrato com a International Talking Machine para a instalação de uma fábrica de discos no Rio de Janeiro.

O contrato previa a instalação de uma fábrica em um terreno de propriedade de Figner, situado na Rua 28 de Setembro (atual Rua João Alfredo, no bairro da Tijuca). Este fato acabaria por tolher Figner e engolir vagarosamente a Casa Edison.

A fábrica Odeon, que se instalou no Rio de Janeiro, tinha os mais modernos equipamentos da época. Era capaz de produzir um 1.500.000 discos por ano, num ritmo de cerca de um disco a cada três minutos. Empregava pouco mais de 150 operários e possuía até mesmo um programa de reciclagem, que incluía o reaproveitamento dos produtos rejeitados e discos encalhados nas prateleiras dos revendedores (!!!).

O processo industrial era completo, desde a obtenção da matriz até a prensagem. A massa (que prensada se transformava em disco) já era produzida pela fábrica na época, sendo composta por negro de fumo, resina de jatobá ou cera de carnaúba, ardósia e goma laca.

Na esteira da fábrica Odeon surgiu a Fábrica Phonographica União (1919) e a Fábrica Popular (1920). Estava consolidada a indústria dos discos no Brasil. A partir daí, outras empresas se instalaram no Brasil, como a Victor Talking Machine Co. of Brazil (que em 1929 passaria a se chamar RCA Victor Brazileira Inc.), Columbia Phonograph e Sociedade Anônima Brunswick do Brasil.

Esta última instalada em 1927 teve vida curta. Os artistas que nela gravaram não ganharam grande destaque e hoje são ilustres desconhecidos. Para piorar, quando encerrou suas atividades no Brasil, a Brunswick remeteu todas as suas matrizes para a sede da companhia em Chicago. Só recentemente o selo Revivendo reeditou algumas das gravações feitas pela Brunswick, encontradas em poder de alguns colecionadores.

Em 1924, a Western Electric dos E.U.A. desenvolveu o revolucionário sistema de gravação elétrico. Nele a corneta de gravação foi substituída por um microfone, sendo possível captar e registrar a mais ampla gama de sons. A evolução foi tão significativa que alterou o próprio ambiente musical da época. A potência da voz deu lugar à interpretação e se tornaram cada vez mais comuns as gravações de grandes formações orquestrais.

As mulheres nos discos

Aracy Cortes
No Brasil, assim como nos Estados Unidos, a produção de músicas populares em estúdio foi predominantemente masculina, principalmente no que diz respeito à música cantada. Muitos trabalhos sobre o assunto afirmam que a ausência feminina ocorria, entre fatores de cunho sociocultural, devido às condições técnicas das gravações mecânicas.

Tais estudos têm se baseado em análises auditivas dos discos e, comumente às listas de artistas das gravadoras presentes em revistas especializadas e notas de jornais do período em questão.

De fato, praticamente não se tem referência na literatura consultada, o fato de que alguma cantora tivesse alcançado sucesso substancial, antes da década de 1920.

Segundo Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello (1999, p. 18), isto ocorre...

Pepa Delgado
"...simplesmente, à não existência desse tipo de atividade profissional em nossa sociedade machista de então. O que havia eram atrizes do teatro musicado que às vezes gravavam. As exceções seriam talvez as duas moças que, no suplemento inicial de discos da Casa Edison, aparecem cerimoniosamente tratadas com Srta. Odete e Srta. Consuelo. Sobre essas moças, as primeiras brasileiras a gravarem, têmse apenas uma informação biográfica: eram senhoritas..." (SEVERIANO, 1997).

Na verdade o primeiro volume da Discografia Brasileira de 78 r.p.m. nos apresenta um panorama um pouco mais diverso em relação às intérpretes femininas da era mecânica. Foram identificadas cerca de 340 gravações com cantoras na era mecânica no Brasil. Este valor é aproximado tendo em vista a ausência de informações em relação a muitos dos discos contidos na Discografia 78 r.p.m.

Dos 13 selos existentes, 9 (1) gravaram músicas populares com mulheres como solistas ou formando duos, sendo Zon-O-Phone, Odeon, Favorite Record, Victor Record, Columbia, Brazil, Imperador, Phoenix e Gaúcho.

Abigail Maia
As intérpretes da era mecânica no Brasil foram: Abigail Maia, Albertina Rosa, Arminda, Araci Cortes, Leontina, Aura Abranches, Srta. Consuelo, Berta Santos, Delfina Victor, Dolores de Córdoba, Emília de Oliveira, Florisbela, Amélia de Oliveira, Iracema Bastos, Isaura Lopes, Isolina Santori, Maria Roldan, Alice, Júlia Martins, Laís Areda, Laís Marival, Lili Hartlieb, Malvina Pereira, Maria Pinto, Medina de Souza, Nina Teixeira, Odaléa Sodré, Leonor Pires, Iracema, Pepa Delgado, Risoleta, Rosa Pinto, Rosália Pombo, Senhora Augusta, Srta. Consuelo, Srta. Diva, Srta. Odette, Stella Gil, Virgínia Aço e Zaíra de Oliveira. (2)

Foram analisados também os catálogos da Casa Edison dos anos: 1902, 1913, 1914, 1915, 1918, 1919, 1920, 1925 e 1926. (3) Os fonogramas femininos estão presentes em todos esses, mas observou-se que, como meio de divulgação, a gravadora não fez esforço algum para dar relevo às suas cantoras nos seus catálogos iniciais. Em contraposição, desde o início os catálogos contam com fotografias dos intérpretes masculinos e seções próprias (destacadas em negrito) e agrupadas ora por gênero, ora por acompanhamento. Geralmente as gravações femininas encontravam-se dispersas em tais seções.

Em relação ao catálogo de 1928, pôde-se observar um fato curioso. Neste documento, a divulgação das peças eruditas gravadas no exterior e lançadas no Brasil sob o selo Fonotipia, tanto as cantoras, quanto os cantores tinham o mesmo peso na divulgação. As seções de árias de óperas italianas geralmente são subdivididas pelo destaque do nome do intérprete e de sua respectiva classificação vocal.

Zaíra de Oliveira
Sendo os catálogos das gravadoras as primeiras formas de divulgação do seu repertório disponível, percebemos que os consumidores de música erudita, geralmente selecionavam suas escolhas partindo dos intérpretes célebres, das obras gravadas e da sua classificação vocal. Tal fato pode ser observado desde o primeiro catálogo de 1902.

Como a música erudita era reconhecida mundialmente como a verdadeira produção artística (os discos de óperas, orquestras sinfônicas, solos instrumentais e coros eram classificados como “Discos Artísticos”). Percebe-se que a grande divulgação de tais cantoras que, como foi dito, eram em sua maioria atrizes, se dava, sobretudo nos periódicos especializados de teatro.

Já o catálogo de 1926 traz, pela primeira vez, fotos de intérpretes femininas e uma divulgação mais ativa em relação aos intérpretes masculinos. As cantoras Zaíra de Oliveira e Rosália Pombo ganharam espaço privilegiado nas páginas 9 e 10, respectivamente. Araci Cortes também começa a ganhar destaque a partir deste último catálogo de gravações mecânicas.

(1) Zon-o-Phone, Odeon, Odeonette, Faulhaber, Favorite Record, Victor Record, Columbia, Brazil, Popular, Jurity, Imperador, Phoenix, Gaúcho.; (2) É bom ressaltar que nem todas essas artistas eram de nacionalidade brasileira. Outro ponto a ser lembrado é que, eventualmente, pode constar nesta lista alguma instrumentista. Na medida do possível tentamos identificar informações sobre cada uma delas. Foi um trabalho árduo em sites e enciclopédias de música, mas sem grandes resultados.; (3) Os únicos catálogos existentes da primeira e maior gravadora brasileira no começo do século XX e disponibilizados nos fotoCDs do livro A Casa Edison e seu tempo de Humberto Franceschi, 2002.

Constelações

Hermes Fontes
Constelações (modinha, 1908) - Cupertino de Menezes e Hermes Fontes

Constelações / Gênero musical: modinha / Intérprete: Roberto Roldan / Compositores: Cupertino Menezes e Hermes Fontes / Gravadora Odeon / Número do Álbum 120566 / Data de Gravação: 1912-1915 / Data de Lançamento 1912-1915 / Lado indefinido / Disco 76 rpm:


Constelações, que fulgurais
Iluminai as minhas lágrimas finais
Carbonizai meu coração
Para domar e sufocar
E exterminar essa paixão
Oh! sol crestai, vento esfolhai
Das rosas d’alma as frias pétalas de gelo
A minha vida é um pesadelo
E o pesadelo uma visão
Que pouco a pouco vai roubando-me a razão.

Só é feliz quem não se diz
Saber libar os flébeis beijos do luar
Alma sem luz, vinde sonhar
Ao terno som consolador
Das flautas mágicas do amor
Oh! coração sem ilusões
Que inda bateis, mas não viveis, não tendes vida
Minh’alma é como uma ferida a gotejar sangue de luz
Como a do mártir que morreu pregado à cruz

Quando anoitece, a sombra desce
A voz da prece nos espíritos languesce
Fica a cismar meu pensamento
No firmamento que se fulge num momento
A fulgurar
Quando amanhece, o céu floresce
A loura messe das abelhas estremece
Fica a gemer meu coração, fica a sentir, a palpitar
Como o vulcão na tíbia luz crepuscular

Manhãs de abril, dai-me esta luz
Que ao sonho induz meu coração primaveril
Em ouro e anil se fulge o azul
Sobre o paul em que vivemos num monótono torpor
Como um clarim descanta em mim
Um serafim que marca o fim dos meus pesares
Nos vagalhões de etéreos mares hei de ser navegador
Para sulcar ou naufragar num mar de amor

Oh! corações, como tufões
Passai, voai por sobre todas as paixões
Amai a luz, ò rosicler
Amai as flores, esquecei os vãos amores da mulher
Sois loucos pois, vós todos sois
As mariposas que se vão queimar na chama
Jesus tem pena de quem ama
Indulta amor que tudo quer
Ai! Quanta força tem o amor de uma mulher.

Destaques de Setembro/2010

Hekel Tavares
26/09/10 - Sussuarana - Hekel Tavares (1896/1969) nasceu num berço musical: além da mãe pianista e pai flautista, cresceu em Alagoas ouvindo repentes, reisados, maracatus e congadas, e isto marcou sua vida para sempre. Quando veio para o Rio de Janeiro, em 1921, já tocava piano, harmônica e cavaquinho. Estudou harmonia e composição com os ...

Guimarães Passos
25/09/10 - Guimarães Passos - Sebastião Cícero dos Guimarães Passos, poeta e compositor, nasceu em Maceió, Alagoas, no dia 22 de março de 1867, e faleceu em Paris, no dia 9 de setembro de 1909. Trans­ferindo-se para o Rio de Janeiro com menos de vinte anos de idade, ali fez parte da famosa roda boêmia de Olavo Bilac. Exerceu o ...

Califórnia da Canção Nativista
18/09/10 - Califórnia da Canção Nativista - O evento artístico musical que ocorre no Rio Grande do Sul desde 1971, idealizado pelo poeta e compositor Colmar Duarte, considerada patrimônio cultural do Estado, sendo modelo de divulgação da música regional gaúcha. A denominação Califórnia vem do grego e significa conjunto de coisas belas. No Rio Grande ...

Leopoldo Fróes
18/09/10 - Leopoldo Fróes - Leopoldo Constantino Fróes da Cruz) ator, compositor e teatrólogo, nasceu em Niterói-RJ, em 30/09/1882, e faleceu em Davos, Suíça, em 02/03/1932. Formado em Direito, nunca exerceu a profissão, estreando como ator, em Portugal, na peça O rei maldito, de Marcelino Mesquita. Retornando ao Brasil em 1908 ...

Que sodade - capa
17/09/10 - Que sodade - ((tanguinho, 1918) - Marcelo Tupinambá e Arlindo Leal - Em “Que Sôdade!”, o humor da letra é melancólico, tratando da separação de um par de namorados (o homem despede-se, possivelmente para procurar trabalho em uma metrópole do sul). Mesmo assim a música é animada, como pode ter sido requisitado nos teatros de revista da época...

Gilberto Alves
16/09/10 - Sorrir dormindo - (Por que sorris?) (valsa, 1911) - Juca Kalut / Versos de: Catulo da Paixão Cearense / Mas por que sorris / De me ver assim chorando? / Sorris porque não sou feliz / E não mereço teu amor / Gostas de brincar com a dor / E gostas de zombar das dores / Ri de mim, assim / Com teus gestos sedutores / Podes rir assim de mim. / Mas ...

Luis de Souza
16/09/10 - Luís de Souza - Joaquim Luís de Sousa - 1865 / 1920 - Rio de Janeiro, RJ -, compositor, instrumentista e pistonista, começou a estudar trompete no Ceará, com o mestre de banda Soares Barbosa, e chegou a ser contramestre da Banda do 23º Batalhão de Caçadores de Fortaleza (CE). Por volta de 1904, frequentava a casa Cavaquinho de...

fábrica da Odeon
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Patápio Silva
15/09/10 - Zinha - Altamiro Carrilho sobre o estilo de Patápio como compositor: "...Ele não chegou a criar um estilo próprio. Baseou-se em autores mais antigos, como Schumann e Bach. Em cada música que compunha dava um toque diferente, com inspirações diferentes, ora no barroco, ora no rococó, e assim por diante. Pelo que a gente sente ao conhecer ...

baiana
15/09/10 - O vatapá - Em 1906 o maestro e chefe de orquestra do teatro musicado carioca Paulino Sacramento faz o tango O vatapá (ou um maxixe-receita?) para a revista O maxixe, de Dom Xiquote (Bastos Tigre) e João Phoca (Batista Coelho), encenado no Teatro Carlos Gomes no Rio de Janeiro. O tango, dançado como maxixe na peça, obteve tal  ...

Patápio Silva
15/09/10 - Amor perdido - O exímio flautista Patápio Silva foi contratado por Fred Figner e gravou na Odeon (Casa Edison) de 1904 a 1906, interpretando peças como Noturno n° 1 e Noturno n° 2, de Fréderic Chopin (1810-1849), Serenata, de Franz Schubert (1797-1828), Serenata oriental (Ernesto Kõhler), Allegro (Terschak), a polca Só para moer ...

Anacleto de Medeiros e o Corpo de Bombeiros
14/09/10 - Farrula - Farrula, valsa composta pelo maestro Anacleto Augusto de Medeiros (foto) e interpretada pela Banda do Corpo de Bombeiros (sob a regência do próprio maestro) em um disco da Casa Edison do ano de 1904. Figurou entre os discos mais vendidos daquele ano. Mais dados: gravadora Odeon; álbum número 40111; data de gravação...

Patápio Silva
14/09/10 - O sonho - Patápio Silva foi um brilhante flautista e excelente compositor. Ele havia tocado em bandinhas e "viveu" a música popular de seu tempo, que se refletia na sua obra. Mas sua obra trazia um outro aspecto muito interessante: ele era um músico antenado a produção erudita internacional, e assim como Liszt, Paganini, Popp, Chopin...

Patápio Silva
14/09/10 - Serenata de amor - Patápio Silva estudando dez horas por dia no Instituto Nacional de Música, formou-se em 1903, recebendo medalha de ouro e o primeiro prêmio nesse Instituto. Contratado por Fred Figner gravou na Odeon (Casa Edison) de 1904 a 1906, interpretando peças como Noturno n° 1 e Noturno n° 2, de Fréderic Chopin ...

Patápio Silva
14/09/10 - Margarida - Flautista excepcional e muito bom compositor, Patápio Silva começou ainda adolescente atuando em bandas do interior, cursando a seguir o Instituto Nacional de Música, onde se formou em 1903. A partir de então, desenvolveu uma vitoriosa carreira, que seria interrompida pela morte aos 27 anos. A popularidade de...

Patápio Silva
14/09/10 - Alvorada das rosas - Júlio Reis (1870-1933) radicou-se no Rio de Janeiro, então capital do Império, e ingressou no serviço público como funcionário do Senado.Recortes selecionados pelo próprio registram que ele exerceu uma intensa atividade artística no Rio de Janeiro a partir da década de 80 do século XIX, quando  ...

Júlio Reis
14/09/10 - Júlio Reis - Júlio César do Lago Reis, pianista, organista, compositor e crítico, nasceu em São Paulo-SP em 23/10/1870, e faleceu no Rio de Janeiro-RJ em 20/9/1933. Quando criança estudou piano e órgão com a mãe. Dedicou-se à música como diletante, tendo seguido carreira de funcionário público no Senado Federal...

Anacleto de Medeiros
13/09/10 - Os boêmios - Os boêmios, tango-cançoneta do maestro Anacleto de Medeiros cheio da efervecência rítmica do popular maxixe, traduz em sua melodia o ambiente boêmio da cidade do Rio de Janeiro, as rodas de choro nos bares e nas casas de família, os bailes populares e os encontros musicais nas festas religiosas...

Mário Pinheiro
13/09/10 - O fadário (Medrosa) - Mário Pinheiro ( circa 1880 Campos, RJ - 10/01/1923 Rio de Janeiro, RJ) foi um dos intérpretes mais populares da música brasileira em seu tempo. Estreou sem sucesso como palhaço de circo na Piedade, bairro do subúrbio carioca. Apresentou-se depois como cantor no Passeio Público, acompanhando-se ao...

gramophone
13/09/10 - Me compra Ioiô - Ernesto de Souza (1864 – 1928 – Rio de Janeiro, RJ), compositor, teatrólogo, farmacêutico e instrumentista, fez fortuna como industrial farmacêutico principalmente devido ao sucesso popular do seu Trinoz e Rum Creosotado, para o qual fez conhecido reclame publicitário:“Veja ilustre passageiro/ O belo tipo faceiro...

Borboleta gentil
13/09/10 - A borboleta gentil - Valsa interpretada pela Srta. Odette gravada provavelmente entre 1902-1904 – Disco Zon-O-Phone de n° X-537. O acompanhamento desta música é feito pelo piano que se encontra muito ao fundo, distante espacialmente da cantora. O perfil do acompanhamento segue um padrão bem delimitado dos tradicionais  ...

Frevo
08/09/10 - O frevo - Dança surgida em Recife (PE) a partir dos últimos anos do séc. XIX, com a progressiva multiplicação das síncopas e do gingado rítmico das músicas de bandas militares, a fim de propiciar desarticulações de corpo dos capoeiras, que exibiam sua agilidade, abrindo os desfiles militares, com passos improvisados ao som ...

Wando
02/09/10 - Wando - Wanderley Alves dos Reis), cantor, nasceu em Cajuri, Minas Gerais, em 2 de outubro de 1945, mas foi em Volta Redonda-RJ que iniciou sua carreira enquanto trabalhava de motorista de caminhão e feirante para se manter. Ainda sim, arranjava um tempinho para compor suas músicas e batalhar pelas suas gravações...

Zinha

Zinha (polca, 1907) - Patápio Silva

Altamiro Carrilho sobre o estilo de Patápio como compositor: "...Ele não chegou a criar um estilo próprio. Baseou-se em autores mais antigos, como Schumann e Bach. Em cada música que compunha dava um toque diferente, com inspirações diferentes, ora no barroco, ora no rococó, e assim por diante. Pelo que a gente sente ao conhecer a obra de Patápio, ele gostava de tudo.

Desde a música popularesca dos tambores africanos até o erudito. Ele tinha todo tipo de influência. Fazia polcas, que vinham da Tchecoslováquia, mas também ouvia lundus, maxixe. "Zinha", por exemplo, é uma polca, tem característica de música de salão, lembra um minueto. Patápio não chegou a fazer muitos choros, que seria um gênero mais brasileiro.." (Altamiro fala sobre Patápio Silva - www.altamirocarrilho.com.br - 18/10/2005).

Gravação do próprio Patápio Silva na Casa Edison de sua polca Zinha - Selo: Odeon - Número do Álbum: 10011 - Gravação: 1907-1913- Lado único - Disco 78 rpm


O vatapá

Em 1906 o maestro e chefe de orquestra do teatro musicado carioca Paulino Sacramento faz o tango O vatapá (ou um maxixe-receita?) para a revista O maxixe, de Dom Xiquote (Bastos Tigre) e João Phoca (Batista Coelho), encenado no Teatro Carlos Gomes no Rio de Janeiro.

O tango, dançado como maxixe na peça, obteve tal sucesso que chegou a ser gravado ainda na primeira década do século XX em disco Brazil (Gran Record Brazil, número 70.219, selo verde e amarelo, gravado só de um lado) , cantado em dueto por Albertina Rosa e Orestes Matos, que acentuava a malícia da letra, explicando com isso a preferência da música no repertório das alegres pensionistas de Madame Pommery.

O vatapá (tango, 1907) - Paulino Sacramento, Bastos Tigre e João Foca - Intérpretes: Albertina Rosa e Orestes Matos - Disco 76 rpm - Imprenta [S.l.]: Brazil (grand record), 1911-1914 - Nº Álbum 70219


Ele e ela:  Vatapá, comida rara
            É assim, Iaiá, que se prepara
            Vatapá, comida rara
            É assim, Iaiá, que se prepara

Ela:        Você limpa a panela bem limpa
            Quando o peixe lá dentro já está,
            Bota o leite de côco, o gengibre,
            E a pimenta da Costa e o fubá       

Ele e ela:  Mexe direito pra não queimar
            Mexe com jeito o vatapá... (bis)

Ele e ela:  O vatapá, etc.

Ela:        O camarão torradinho se ajunta,
            Ao depois da cabeça tirar...

Ele:        Mas, então, a cabeça não entra?

Ela:        Qual cabeça, seu moço, qual nada!
            Mexe direito, etc.... (bis)


Fonte: José Ramos Tinhorão.

Amor perdido

Amor perdido (valsa, 1907) - Patápio Silva

O exímio flautista Patápio Silva foi contratado por Fred Figner e gravou na Odeon (Casa Edison) de 1904 a 1906, interpretando peças como Noturno n° 1 e Noturno n° 2, de Fréderic Chopin (1810-1849), Serenata, de Franz Schubert (1797-1828), Serenata oriental (Ernesto Kõhler), Allegro (Terschak), a polca Só para moer (Viriato) e, de sua autoria, a valsa Primeiro amor, Variações de flauta (Fantasia de concerto), Margarida, Sonho, Serenata d'amore, Amor perdido e Zinha.

Abaixo temos sua interpretação na valsa Amor perdido - gravadora Odeon / álbum número 10009 / gravação-lançamento 1907-1913 / lado único / 78 rpm: