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quinta-feira, 27 de março de 2008

Cochichando

Déo
Cochichando (choro, 1944) - Pixinguinha , João de Barro e Alberto Ribeiro

Disco 78 rpm / Título: Cochichando / Autoria: Ribeiro, Alberto, 1902-1971 (Compositor) / João de Barro, 1907-2006 (Compositor) / Pixinguinha (Alfredo da Rocha Vianna Filho), 1897-1973 (Compositor) / Déo (Intérprete) / Milionários do Ritmo (Acompanhante) / Imprenta [S.l.]: Continental, Junho/Setembro 1944 / Álbum 15207 / Lado B


Murmurando, cochichando
Vive sempre a falar mal de mim
Sem querer perceber que afinal eu não sou

Eu não sou mal assim

Murmurando cochichando
Quem te ouvir de pensar é capaz
Que o nosso amor já não tem calor

E que não somos felizes demais

Eu sou teu e tu és só minha
Quem nos conhecer inveja sentirá de nosso amor
Porém sempre a brigar

E a duvidar de um bem querer
Transformar sempre em aflição
O que só deve ser prazer

Por que será que eis tão má assim
Se o nosso amor não pode ter fim
Eu acho bom deixar este cochicho

Pois sei que é capricho e que gostas só de mim.

sábado, 1 de março de 2008

Grupo Caxangá


Por volta de 1913 João Pernambuco (João Teixeira Guimarães - Jatobá PE, 02/11/1883 - Rio de Janeiro RJ, 16/10/1947) teve a idéia de formar o Grupo Caxangá, de inspiração nordestina, tanto no repertório, como na indumentária, onde cada integrante do conjunto adotava para si um codinome sertanejo.

Em sua primeira formação, o grupo reunia o próprio Pernambuco (Guajurema), Caninha (Mané Riachão), Raul Palmieri, Jacó Palmieri (Zeca Lima), Pixinguinha (Chico Dunga), Henrique Manoel de Souza (Mané Francisco), Manoel da Costa (Zé Porteira), Osmundo Pinto (Inácio da Catingueira), Bonfiglio de Oliveira, Quincas Laranjeiras, Zé Fragoso, Lulu Cavaquinho, Nelson Alves, José Correia Mesquita, Vidraça e Borboleta.

Em 1914 Donga integra o Caxangá com o nome de guerra de "Zé Vicente". No carnaval deste ano o grupo percorre os principais pontos da Avenida Rio Branco, e o batuque Caboca di Caxangá torna-se grande sucesso musical.

O grupo se dissolve em 1919. Os artistas se integram a outros conjuntos como os Turunas Pernambucanos e Oito Batutas.

Por incumbência de Arnaldo Guinle, Pernambuco viaja por vários Estados, para recolher temas folclóricos brasileiros, trabalho do qual participam também Donga e Pixinguinha.

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2008

Ai, eu queria

Francisco Alves
Ai, eu queria (samba/carnaval, 1928) - Pixinguinha e Augusto Amaral

Autoria: Amaral, Augusto (Compositor) / Pixinguinha (Alfredo da Rocha Vianna Filho), 1897-1973 (Compositor) / Francisco Alves (Intérprete) / Oito Batutas, 1919-1928 (Acompanhante) / Orquestra Típica (Acompanhante) / Disco 78 rpm Odeon, 1928-1928 - Álbum 10122


Ai, eu queria
Ir uma vez à Bahia (x2)

Conhecer aquele Estado
Porque falam muito bem
Dar um abraço nas baianas
E nos baianos também (x2)

Conhecer São Salvador
O Canela até o fim
A Baixa do Sapateiro
Cais Dourado e Bonfim (x2)

E depois de tudo isso
Despedir-me da folia
E trazer uma baiana
Para a minha companhia (x2)

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2008

O malhador

Bahiano
No samba “O Malhador”, de Pixinguinha, Donga e Mauro de Almeida, gravado na Casa Edson em 1918, a expressão “siri tá no pau” era entoada por um corinho, em resposta a cada verso cantado pelo Bahiano.

Essa expressão foi utilizada, mais tarde, e com sucesso, no samba-coco Bigorrilho (de Sebastião Gomes, Paquito e Romeu Gentil), grande sucesso do carnaval de 1964: “Lá em casa tinha um bigorrilho / bigorrilho fazia mingau / bigorrilho foi quem me ensinou / a tirar o cavaco do pau / trepa Antônio, siri tá no pau...”

O malhador (samba / carnaval, 1918) - Pixinguinha, Donga e Mauro de Almeida - Intérpretes: Bahiano e Coro - Disco 76 rpm - Imprenta [S.l.]: Odeon, 1915-1921 - Nº Álbum 121442 - Gênero: Samba carnavalesco


Maiadô, que maia dança / Quem dança maia também
Ô Maiadô, sem faia / Samba, quem samba maia por bem
Minha frô, caboca / Sacode o vestido bem

// Ó trepa Antonho / Siri tá no pau / Samba demonho / Siri tá no pau / Samba no sonho / Siri tá no pau / Não me envergonho / Siri tá no pau //


Fala:
- Me explique, meu nego, você já viu peixe morrê afogado?
- Não, meu bem, já vi o aeroplano morrê de fome.

// Ó trepa Antonho / Siri tá no pau / Samba demonho / Siri tá no pau / Samba no sonho / Siri tá no pau / Não me envergonho / Siri tá no pau //

Maiadô / Samba seja como fô
Samba bem com teu amô / Não sossega de maiá
Maiadô / Por onde passa
No campo bambeia, diacho / Ô maiadô
Padrão de samba / Mas faça o passo mais fácil
Minha frô, mulata / Faz tempo que o nego vem


// Sambô... gostô... / Siri tá no pau / Dança feitô... / Siri tá no pau / Mas não falhô / Sirí tá no pau / Ô maiadô / Siri tá no pau //

Fala:
- Explique, meu nego, o mundo da lua é habitado?
- É, meu bem, este ano vêm assistir o carnaval.

// Ó trepa Antonho / Siri tá no pau / Samba demonho / Siri tá no pau / Samba no sonho / Siri tá no pau / Não me envergonho / Siri tá no pau //

Maiadô samba / E samba com fervô
Quem maia sabe sambá / Quem samba sabe gozá
Maiadô danado / Samba diante de mim, quero vê
Ó maiadô cansado / Tu ficará sem querê me benzê
Mulatinha diacho / Faz o teu passo bem baixo

// Samba bonito / Sirí tá no pau / Senão eu grito / Sirí tá no pau / Passa no bico / Sirí tá no pau / Samba mardito / Sirí tá no pau //


Fala:
- Explique, meu nêgo, qual é o peixe quee você mais gosta?
- É de pirarucu, meu bem

// Dança bonito / Sirí tá no pau / Senão eu grito / Sirí tá no pau / Passa no bico / Sirí tá no pau / Samba mardito / Sirí tá no pau //

Maiadô / Dá um jeito que o barco vem
E não respeita ninguém / Se maia, maia também

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2008

O nascimento da Orquestração Brasileira


Antes de Pixinguinha, o samba das orquestras tinha som de maxixe e os arranjos eram da escola italiana. Com ele, o colorido sonoro ganhou tons verde-amarelos, criando a maneira brasileira de se fazer ouvir.



Ary Barroso foi um dos primeiros a protestar contra a forma como os sambas e outros ritmos brasileiros estavam sendo gravados, nos momentos da expansão da indústria fonográfica no Brasil. Não que tivesse algo de pessoal contra os maestros e instrumentistas estrangeiros encarregados de executar nossas músicas, mas bastava simplesmente ouvi-los para sentir a falta de sotaque brasileiro.

Os arranjos obedeciam à escola italiana, os músicos tocavam como nos velhos tempos dos maxixes, não se observava a presença de ritmistas nas orquestras, faltando molho e sabor nacionais às gravações.

A solução veio com um gênio negro, nascido no Rio de Janeiro, em 1898, e que, aos 12 anos, já era considerado o maior flautista da cidade. No futuro, viria a sê-lo também do Brasil e, em termos de música popular, talvez do mundo. Alfredo da Rocha Viana Filho, o Pixinguinha, que já tivera a grande experiência internacional liderando Os Oito Batutas em Paris, era nome conhecido e respeitado como músico e líder, quando sua carreira de arranjador, uma guinada em seu destino e no da música popular brasileira, aconteceu.

A primeira vez que formou uma orquestra, ou algo parecido, foi na Exposição do Centenário da Independência do Brasil, em 1922, no Rio de Janeiro. Como ele mesmo contava: “A Rádio Sociedade tinha um estúdio na Exposição.Tinha aqueles alto-falantes e fui irradiar da Exposição. Eu e Zaíra de Oliveira, grande cantora e que veio a ser posteriormente esposa do Donga (...) toquei em uma exposição da General Motors, da qual participou também Villa-Lobos. Eu organizei uma orquestra popular, com instrumentos de orquestra”.

Sérgio Cabral, na biografia de Pixinguinha, aclara: “O compositor e pianista Eduardo Souto, encarregado de convidar os artistas e as orquestras que iriam apresentar-se diariamente, pediu a Pixinguinha para organizar uma orquestra, tarefa cumprida com a participação de todos os batutas e mais o reforço de Bonfiglio de Oliveira e da cantora Zaíra de Oliveira. (...) Durante toda a exposição, Pixinguinha e sua orquestra tocaram diariamente no pavilhão da General Motors”.

Nascia o primeiro maestro brasileiro a tocar música com o nosso sotaque. A primeira escola de arranjos para Pixinguinha foi o teatro de revista. Foi em composições suas e alheias que o maestro burilou o estilo e iniciou o trabalho de criação de uma forma brasileira de execução orquestral. Seu jeito de levar para a pauta a parte de cada instrumento, no todo de um arranjo, foi ganhando forma na soma de trabalhar muitos ritmos e maneiras de fazer música. Ele próprio, compondo para revistas, fazia músicas japonesas, americanas, argentinas, francesas e por aí afora.

Em 1928, logo após a implantação da gravação elétrica no Brasil, Pixinguinha pôde usar a gravadora Odeon como laboratório para seus experimentos orquestrais. Gravou como nunca, músicas dele e de outros compositores. Apresentava-se como Pixinguinha e Conjunto, Orquestra Típica Pixinguinha, Orquestra Típica Pixinguinha-Donga e Orquestra Típica Oito Batutas.

Em maio de 1928, em companhia de Donga, forma uma orquestra de caráter inteiramente brasileiro. Criada para tocar na II Exposição de Automobilismo, Autopropulsão e Estradas de Rodagem do Rio de Janeiro, dos 40 músicos, 34 eram instrumentistas de cordas e ritmo, visto que Pixinguinha e Donga objetivavam, com essa orquestra “típica”, fazer frente às jazz bands e às típicas argentinas, febre musical da época.

A consolidação como maestro e arranjador viria em 1929, quando a gravadora Victor contratou Pixinguinha como seu orquestrador de discos e maestro da Orquestra Victor Brasileira. Em, no mínimo, seis gravações por ano, apareceria como solista de flauta, completando suas funções.

Sérgio Cabral destaca a partir daí a importância dessa orquestra para o panorama da música brasileira de então, já que finalmente se passou a tocar música brasileira de um jeito brasileiro, incluindo aí o samba provindo do Estácio. As orquestrações de Pixinguinha podiam ser reconhecidas de imediato.

As introduções que criava, compondo sobre temas alheios, deram tom definitivo ao arranjo nacional. A de O teu cabelo não nega chega a ser tão lembrada quanto a própria música. Sem nunca ter parado de estudar e trabalhar, Pixinguinha é uma referência até hoje para os maestros brasileiros, como continuará sendo amanhã.


Fonte: História do Samba - Editora Globo.

domingo, 13 de janeiro de 2008

Velha Guarda

Conjunto vocal e instrumental organizado em 1954 em São Paulo SP. O conjunto surgiu quando o cantor e radialista Almirante promoveu em São Paulo o Primeiro Festival da Velha Guarda, na Rádio Record, reunindo artistas como Pixinguinha, João da Baiana, Donga, Benedito Lacerda, Ismael Silva, Alfredinho Flautim, Caninha e outros.


Apresentaram-se em abril de 1954 no Teatro Colombo, no Clubinho dos Artistas e, ao ar livre no Ibirapuera. Na ocasião foi distribuído, entre os jornalistas, um disco com duas antigas gravações de Pixinguinha, em solo de flauta: os choros de sua autoria Lamentos e Chorei. Semanas depois o espetáculo repetiu-se no Rio de Janeiro RJ, na Noite da Velha Guarda, na boate Beguin, do Hotel Glória.

Em 1955, novamente por iniciativa de Almirante, realizou-se em São Paulo o II Festival da Velha Guarda, com espetáculos que contaram com a participação de artistas populares das décadas anteriores, como Paraguassu, Elisa Coelho, Sebastião Cirino, Augusto Calheiros, Bororó, Paulo Tapajós, Gilberto Alves, Radamés Gnattali, Carolina Cardoso de Meneses e outros, além dos participantes do primeiro festival, que constituíram o conjunto Velha Guarda, integrado por Pixinguinha (sax-tenor), Donga (violão e prato e faca), João da Baiana (pandeiro), Bide (flauta), Alfredinho (flautim), J. Cascata (afoxê e canto), Rubem, Mirinho e Carlos Lentine (violões) e Valdemar (cavaquinho), além de Almirante (canto).

Ainda em 1955 atuaram com sucesso na boate Casablanca, do Rio de Janeiro, no show de Zico Ribeiro O samba nasce no coração, e gravaram na Sinter dois LPS 10 polegadas: A Velha Guarda, em julho, e O Carnaval da Velha Guarda, em novembro.

Em 1956 lançaram, também pela Sinter, o LP Festival da Velha Guarda. Dois anos depois o conjunto se desfez.



Fonte: Enciclopédia da Música Brasileira - Art Editora e Publifolha, SP, 1998.

segunda-feira, 4 de dezembro de 2006

Alfredo da Rocha Viana

Alfredo da Rocha Viana (circa 1860, Rio de Janeiro RJ - 1917, Rio de Janeiro RJ), flautista e compositor, era o pai de Pixinguinha e funcionário da Companhia de Correios Telégrafos. Consta ter sido uma pessoa de grande coração, tendo acolhido muitos amigos em sua casa.

Reunia em sua casa, conhecida como a Pensão Viana, os grandes chorões da época, como Irineu de Almeida, Candinho Trombone, Viriato Figueira da Silva, Neco, Bonfiglio de Oliveira, Heitor Villa-Lobos, Quincas Laranjeiras e Mário Cavaquinho.

Abandonou sua flauta de cinco chaves por uma Boehm, que deu ao filho. Tocava de primeira vista e deixou a Pixinguinha um grande arquivo musical de choro.

"Melodioso flauta que podiase comparar com os acima descriptos. Tocava de primeira vista, a principio, na sua flauta amarella, de cinco chaves e ultimamente em uma, de novo systema. Deixou elle um grande archivo de musicas antigas e modernas que deve achar-se em poder de seu filho Pixinguinha, maestro e talentoso flauta que repercutiu as nossas glorias musicaes no Estrangeiro, e que, deixo de innumeral-as pois, que o publico conhece-a todas não só pelo Radio, como tambem em muitas festas de Chôros que se exhibem nesta Cidade Maravilhosa onde é apreciado e ovacionado pela maneira admiravel com que sabe executar o que é nosso, quero dizer com isto que é um filho que sabe honrar a tradição de seu pae no circulos dos Chorões" (Alexandre Gonçalves Pinto).

Obra

Tristezas não pagam dívidas (ou Serenata).


Fontes: Enciclopédia da Música Brasileira - Art Editora e Publifolha, SP, 1998; Reminiscencias dos Chorões Antigos - Alexandre Gonçalves Pinto.

domingo, 30 de julho de 2006

Carinhoso (Beth Carvalho)

Carinhoso (chorinho, 1917) - Pixinguinha e Braguinha - Interpretação: Beth Carvalho

CD Pagode De Mesa 2 - Ao Vivo / Título da música: Carinhoso / Pixinguinha (Compositor) / Braguinha (Compositor) / Beth Carvalho (Intérprete) / Gravadora: Indie Records / Ano: 2000 / Nº Álbum: 325912003042 / Faixa 9 / Gênero musical: Chorinho.


Intro: Cm  G  E7  A7  D7  G  Cm  D7  G  D7

G G5+ G6 G5+           G  G5+ G6             
Meu coração.........não sei porque
F#7    Bm Bm5+ Bm6 Bm5+     Bm Bm5+ Bm6 Bm5+
Bate feliz........quando te vê
A7           D7    G7      C
..E os meus olhos ficam sorrindo
E7        Am     A7
..E pelas ruas vão...te seguindo
Cm   D7           G  Cm   D7   G 
Mas mesmo assim....foges de mim
F#7  Bm          F#7
......Ah!...Se tu soubesses
Bm          G 
Como eu sou tão carinhoso
F#7                 Bm
E muito, muito que te quero
D           B7           E7
E como é sincero o meu amor
        A7        D              D7
Eu sei que tu não fugirias mais de mim
 D#7  Am   D7   G
Vem, vem, vem, vem
      F#7
Vem sentir o calor
Am    D7              G
Dos lábios meus a procura dos teus
F#m   B7     Em   B7   Em
.......Vem matar essa paixão
G7        C    E7    Am
Que me devora o coração
Cm          G
E só assim então
E7    Am       D7   G  Cm   D7   G
Serei feliz, bem feliz...

quinta-feira, 27 de abril de 2006

Página de Dor

Orlando Silva
Página de dor (valsa, 1938) - Cândido das Neves e Pixinguinha

Disco 78 rpm / Título da música: Página de dor / Autoria: Neves, Cândido das, 1899-1934 (Compositor) / Pixinguinha (Alfredo da Rocha Vianna Filho), 1897-1973 (Compositor) / Orlando Silva (Intérprete) / Orquestra Victor Brasileira (Acompanhante) / Imprenta [S.l.]: Victor, 1938 / Nº Álbum 34354 / Lado A / Gênero musical: Valsa


Página de dor / Que faz lembrar
Volver as cinzas / De um amor
Infeliz de quem / Amando alguém
Em vão esconde / Uma paixão

Lágrimas existem / Que rolam na face
Há outras porém / Que rolam no coração

São essas que ao rolar / Nos vem uma recordação
Página de dor / Que faz lembrar
Volver as cinzas / De um amor

O amor que faz sofrer / Que envenena o coração
Para a gente esquecer / Padece tanto
E às vezes tudo em vão / Seja o teu amor o mais
profano delator / Bendigo porque vem do amor
Tendo o pranto amenidade / De aljofrar minha saudade
Glórias tem o pecador no amor

Lágrimas existem (...)

sábado, 1 de abril de 2006

Oito Batutas


Oito Batutas - Conjunto musical organizado em 1919, quando Isaac Frankel, gerente do cinema carioca Palais, pediu a Pixinguinha que selecionasse alguns integrantes do Grupo do Caxangá para atuarem na sala de espera do cinema.


O grupo estreou em 7 de abril de 1919 e, em sua primeira formação, incluía Pixinguinha (flauta), China (canto, violão e piano), Donga (violão), Raul Palmieri (violão), Nelson Alves (cavaquinho), José Alves (bandolim e ganzá), Jacó Palmieri (pandeiro) e Luís de Oliveira (bandola e reco-reco), tocando repertório de maxixes, canções sertanejas, batuques, cateretês e choros.

Fez grande sucesso entre a elite carioca, trazendo pela primeira vez, para o centro da cidade, um conjunto popular que executava música brasileira, utilizando instrumentos até então só conhecidos nos morros e nos subúrbios. Até o aparecimento dos Oito Batutas, as orquestras de cinema apresentavam a chamada música fina: valsas vienenses e tangos de Ernesto Nazareth, que se exibia então no Cine Odeon, em frente ao Palais. Luís de Oliveira, falecido logo após a estréia, foi substituído por João Tomás. Nessa época, participaram da opereta Flor de tapuia, dirigida por Eduardo Vieira. A peça ficou meses em cartaz, até ser suspensa repentinamente, quando o maestro português fugiu com a partitura que escrevera para ela.

Alcançando grande popularidade, o conjunto apresentou-se em festas elegantes, exibindo-se, em setembro de 1920, para os reis da Bélgica, no piquenique da Tijuca oferecido pelo governo brasileiro aos visitantes. Além de excursões por São Paulo, Minas Gerais, Bahia e Pernambuco, em 1921 o conjunto apresentou-se no elegante Cabaré Assírio, do Rio de Janeiro, acompanhando Duque e Gaby. Por influência de Duque, o milionário Arnaldo Guinle financiou uma viagem do grupo a Paris, França, possibilitando, assim, a primeira exibição de um conjunto de música popular brasileira no exterior.

Em janeiro de 1922, no navio Massilia, viajaram sete instrumentistas, pois os irmãos Palmieri e João Tomás desistiram, sendo substituídos por Feniano (pandeiro) e José Monteiro (cantor). Rebatizados por Duque, Les Batutas estrearam em Paris no Dancing Sheherazade, incluindo em seu repertório o samba Sarambá (de J. Tomás, com colaboração de Duque na versão para o francês). O sucesso foi imediato, e durante seis meses apresentaram-se com êxito no dancing.

Em fins de julho de 1922 voltaram ao Brasil para participar dos festejos da Exposição do Centenário da Independência. As influências do jazz, sofridas no exterior, tornaram-se logo evidentes, pela inclusão de saxofones, clarinetas e trompetes, pela utilização de arranjos instrumentais no estilo das jazz-bands e pelas alterações no repertório, que passou a incluir fox-trots, shimmys, ragtimes e outros ritmos estrangeiros da moda. Voltando a atuar no Cabaré Assírio, o grupo participou da revista Vila Paris, da companhia francesa Bataclan, que se apresentou pela primeira vez no Rio de Janeiro em 1922.

Ainda nesse ano, excursionaram pela Argentina com a seguinte formação: Pixinguinha (flauta e saxofone), João Tomás (bateria), China (violão e banjo), Donga (violão e banjo de seis cordas), J. Ribas (piano), Nelson Alves (cavaquinho) e José Alves (bandolim, banjo e ganzá). Além de apresentação no Teatro Empire, de Buenos Aires, o conjunto gravou dez discos na Victor Argentina: Meu passarinho (China) e Até eu! (Marcelo Tupinambá), sambas; Urubu (Pixinguinha) e Caruru (João Tomás e Donga), choros; Graúna (João Pernambuco), maxixe, e Me deixa serpentina! (Nelson Alves), polca; Pra quem é?... (J. Bicudo), maxixe, e Lá-ré (Pixinguinha), polca; Tricolor (Romeu Silva), maxixe, e Se papai souber (Romeu Silva), samba-maxixe; Ba-ta-clan (A. Treilesberk) e Lá vem ele (J. G. Oliveira Barreto), maxixes; Não presta pra nada (J. Bicudo), maxixe, e Nair (Aristides J. de Oliveira), polca; Já te digo (China e Pixinguinha) e Faladô (João Tomás), sambas; Três estrelinhas (Anacleto de Medeiros), choro, e Vira a casaca! (Joubert de Carvalho), marcha; Vitorioso (Gaudio Vioti), marcha, e Até a volta (Marcelo Tupinambá), tanguinho.

Os Oito Batutas em sua formação original: Jacob Palmieri, Donga, José Alves Lima, Nélson Alves, Raúl Palmieri, Luiz Pinto da Silva, China e Pixinguinha.


Voltaram em 1923 e, nesse mesmo ano, sua constituição começou a variar, chegando a contar com doze elementos. Havia começado a época das grandes orquestras no estilo das jazz-bands norte-americanas, e o grupo passou a se apresentar mais raramente. Depois, foram organizados conjuntos e orquestras incluindo elementos dos Batutas. Na Odeon, por exemplo, o nome do conjunto foi utilizado em gravações realizadas por volta de 1928, muitos anos depois da dissolução do grupo primitivo.

A epopeia dos Batutas

No Carnaval de 1921 o grupo foi atração no desfile do Tenentes do Diabo, cantando em cima de um carro alegórico. Tudo isso chamou a atenção do bailarino brasileiro Duque - Antônio Lopes de Amorim Diniz - que dançando o maxixe com a francesa Gaby era a sensação de Paris e que convenceu Arnaldo Guinle a financiar a viagem dos Batutas para uma temporada na capital francesa.

Em 29 de janeiro de 1922, com sete elementos e rebatizado como Les Batutas, um modificado grupo embarcou rumo à Europa, para se apresentar no Dancing Scheherazade, em Paris. As mudanças aconteceram porque os irmãos Palmieri e Luiz Pinto desistiram da viagem. Em seus lugares entraram Sizenando Santos (pandeirista), José Monteiro (cantor e ritmista) e J. Thomaz (ritmista).

Na última hora Thomaz não viajou e assim o grupo virou Les Batutas ou L' Orquestre des Batutas. Mais uma vez a imprensa se divide, torcendo o nariz por ver o Brasil representado por negros e "música de gentinha", ou elogiando a oportunidade da Europa conhecer o que se fazia no país em termos de música popular, por intermédio de um grupo extremamente talentoso.

Foram seis meses de sucesso em Paris, onde uma parceria entre Duque e Pixinguinha garantia no mais puro francês: "Nous sommes batutas,/ Batutas, batutas / Venus du Brésil / Ici tout droit / Nous sommes batutas,/ Nous faisons tout le monde / Danser le samba / Le samba se danse / Touj ours en cadence / Petit pas par ci / Petit pas par là / Il faut de l'essence / Beaucoup d'elegance / Le corps se balance / Dansant le samba".

Em 24 de setembro de 1920, os Oito Batutas, ainda antes de Paris: Pixinguinha, Raul Palmieri, José Alves, China, Jacó Palmieri, Luiz de Oliveira, Donga, Nélson Alves com o empresário, José Segre


De retorno ao Rio, os Batutas voltaram a ser oito (embora em algumas fotos apareçam nove elementos, sendo o nono o empresário) e desfrutaram da projeção internacional com apresentações no Jockey Club e no Teatro Lírico, na companhia de revista francesa Ba-Ta-Clan, no espetáculo Vila Paris. Eram o grande destaque musical do pais quando embarcaram, em novembro de 1922, para temporada em Buenos Aires.

Novamente modificado - ficaram Pixinguinha, China, Donga, Nélson Alves e José Alves, e entraram J. Thomaz (bateria), Josué de Barros (violão) e J. Ribas (piano) -, o êxito da Europa se repetiu. 0 grupo gravou dez discos na Victor argentina, antes de se desentender, depois do que quatro de seus integrantes retornaram ao Brasil.

Pixinguinha, China, Josué e Ribas tentaram sobreviver com shows no interior do país, mas a penúria foi tal que Josué de Barros teve de bancar o faquir em Río Cuarto, enterrado vivo. Foi salvo pela piedade da mulher do chefe da polícia, que interrompeu a exibição. Repatriados pela embaixada, voltaram ao Brasil para seguir carreiras independentes, já que Os Oito Batutas qual trágico tango - "morreram" na Argentina.

Os Oito Batutas durante a excursão a Argentina, em 1923. Essa viagem precipitaria o fim do grupo que, em solo portenho, teve que se apresentar em espetáculos mambembes para conseguir dinheiro para voltar para o Brasil: enganados pelo empresário que fugira com o lucro das bilheterias.




Fonte: História do Samba - Editora Globo.

terça-feira, 21 de março de 2006

Rosa

Francisco Alves e Carlos Galhardo deixaram de lançar "Rosa" porque rejeitaram Carinhoso, destinado ao lado "A" do mesmo disco. Sobrou, então, a valsa para Orlando Silva, que lhe deu interpretação magistral. Segundo Pixinguinha, "Rosa" é de 1917 e chamou-se originalmente "Evocação", só recebendo letra muito mais tarde. "O autor dessa letra" - esclarece ainda Pixinguinha - "é Otávio de Souza, um mecânico do Engenho de Dentro (bairro carioca) muito inteligente e que morreu novo". Sobre a gravação original, há um erro de concordância de Orlando, que canta "sândalos dolente".

Aliás, o cantor abandonou esta música após a morte de sua mãe, dona Balbina, em 1968. Era sua canção favorita, e o sensível Orlando jamais conseguiu voltar a cantá-la sem chorar. "Rosa" é uma linda valsa "de breque", mas de difícil interpretação vocal, especialmente para o uso de legatos, já que as pausas naturais são preenchidas por segmentos que restringem os espaços para o cantor tomar fôlego.

Quanto à letra, é também um exemplo do estilo poético rebuscado em moda na época: "Tu és divina e graciosa, estátua majestosa / do amor, por Deus esculturada e formada com o ardor / da alma da mais linda flor, de mais ativo olor / que na vida é preferida pelo beija-flor... '. O desafio de regravar "Rosa" foi tentado por alguns intérpretes, sendo talvez o melhor resultado o obtido por Marisa Monte; em 1990, com pequenas alterações melódicas.

Rosa (valsa, 1917) - Pixinguinha

Disco 78 rpm - Título: Rosa - Autoria: Pixinguinha (Alfredo da Rocha Vianna Filho), 1897-1973 (Compositor) - Silva, Orlando (Intérprete) - Regional RCA Victor (Acompanhante) - Imprenta [S.l.]: Victor, 1937 - Álbum 34181 - Gênero musical: Valsa


D7--G----------------D7----------------------------G
Tu és / Divina e graciosa / Estátua majestosa /Do amor
------------------D7---- B7
Por Deus esculturada / E tomada com ardor / Da alma
---------------Em ----------------- E7----------- Am
Da mais linda flor / De mais ativo olor / Que na vida
---------- A7---------- D7/4 ----- D7
É preferida pelo beija-flor
------- G ------------------- D7----------------------------- G7
Se Deus / Me fora tão clemente / Aqui neste ambiente / De luz
------------------ C--------------------Cm7 ------------------------G
Formada numa tela deslumbrante e bela /O teu coração junto ao meu
------- E7-------- Am--------- D7 --------------------- G
Lanceado, pregado e crucificado / Sobre a rósea cruz / Do arfante peito teu
B7 Em Em7----------Gb7 -------------- Gbm7/-5--------- B7
Tu és / A forma ideal / Estátua magistral / Ò alma perenal
------------------- Em --------------E7--------------------------Am
Do meu primeiro amor/ Sublime amor /Tu és de Deus a soberana
------------ Gb7 -----------------B7
Flor / Tu és / De Deus a criação que em todo o coração
---------------Em ---Em7 --------Gb7------------------ Gbm7/-5
Sepultas o amor / O riso, a fé e a dor / Em sândalos olentes
-------------- B7---------------------E7
Cheios de sabor / Em vozes tão dolentes como um sonho flor
Am ---------------------Em --------------- B7
É láctea estrela / És mãe da realeza / És tudo enfim que tem de
------------------------ Em
belo / Em todo o resplendor / Da santa natureza
D7 -- G --------------- D7
Perdão / Se ouso confessar / Que hei de sempre amar-te
-------- G-------------------- D7-------------------------B7
Oh, flor / Meu peito não resiste / Oh, meu Deus como é triste
------------------Em ------------------------- Em7--------- Am
A incerteza de um amor / Que mais me faz penar / Em esperar
------------- A7-------------------- D7/4 D7-- G
Em conduzir-te um dia ao pé do altar / Jurar/ Aos pés do Oni-
----- D7 ---------------------------- G7------------------C
potente / Em prece comovente / De dor / E receber a unção da
----------Cm7 -------------------- G ----------- E7-------- Am
gratidão / Depois de remir meus desejos / Em nuvens de beijos
--------------- D7------------------ G
Hei de te envolver / Até meu padecer / De todo fenecer . . .



Fonte: A Canção no Tempo - Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello - Vol. 1 - Editora 34

Lamentos

Pixinguinha
Lamentos (choro, 1928) - Música de Pixinguinha e letra de Vinícius de Moraes - Interpretação: MPB-4



Introdução:G G7 C C#º G/D A7 D7 G D7

G---------------
Morena tem pena
--------G7+--------- G#º-- E7/9-
Mas ouve o meu lamen...to
Am7--------------F#m7/5- B7
Tento em vão
-------Em------------- C#m7/5- F#7
Te esquecer
--------B7+-------- G#m7 --C#m7 F#7


Mas olha, o meu tormento
----B7 ----------E7 --------Am7
É tanto, que eu vivo em pranto,
--------D7----- G7
Sou todo infeliz
Dm7------ G7--------- C ----Cm6---- G
Não há coisa mais triste, meu benzinho,
Em7--------- Am7----- D7---- G--- B7
Que este chorinho que eu te fiz


Em Em/D# Em/D Em/C# E7/9- Am Am/G# Am/G Am/F# B7 F#m7/5- B7 Em Em7 C7+ C7 F#m B7 Am7 C7 B7 Em/B Eb/Bb Am7/11 D7

G------------
Sozinho, morena
-----G7+------------G#º E7/9-
Você nem tem mais pe...na
Am7-------------F#m7/5- B7
Ai, meu bem
-----Em-------C#m7/5- F#7
Fiquei tão só
-------B7+ -----G#m7 C#m7 F#7
Tem dó, tem dó de mim
------ B7--------E7------ Am7
Porque estou triste assim
------ D7-------- G7
Por amor de você
Dm7-------- G7 -------- C -------Cm6 G
Não há coisa mais linda neste mundo
Em7----------- Am7----- D7 -- G
Que o meu carinho por você
--------- G7 ------ C
Meu amor, tem dó
-------- C#º------ G/D A7 D7 G
Meu amor, tem dó

Ingênuo

Ingênuo (choro, 1947) - Pixinguinha e Benedito Lacerda - Intérprete: Elizeth Cardoso no álbum "Uma Rosa para Pixinguinha"

Tom: G
       G           Em              Gb7
Eu fui ingênuo quando acreditei no amor
F            Dm                 E7
Mas, pelo menos, jamais me entreguei à dor ...
Am                     Bb°
Chorei o meu choro primeiro
      G                        E7
Eu chorei por inteiro pra não mais chorar
                         A7
O meu coração permaneceu sereno
              D7              Bb7
Expulsando o veneno pelo meu olhar...
Bb        Gm                   A7
...Eu procurei me manter como Deus mandou
  D7                               G7
Sem me vingar que a vingança não tem valor
            Cm       Db°        G
E depois também perdoar a quem erra
       E7         Am                  Cm
É ser perdoado na terra, sem ter que pedir
       G     C
Perdão no céu.
                 E7                  A7
Eu não quis resolver/   Eu não quis recusar
                                 Dm
Mas do amor em ruína, uma força termina
            A7        Dm      Eb°
Por nos dominar  e depois proteger
    C          E7        Am
Dos abismos que a vida traçar
                          D7
Quando o tempo virar o único mal
  G7                    Eb7
E a solidão começa a ser fatal ...
                 D7                            C7
Eu não quis refletir, não /  Eu não quis recusar, não
                  E7
Eu não quis reprimir , não    / Eu não quis recear...
   F            Gb°      C     Bb7     A7         D7
Porque contra o bem nada fiz  / Eu só quero algum dia
       G7                 C
Ser feliz como eu sou infeliz...

Fala baixinho

Hermínio B. de Carvalho
Fala baixinho (choro, 1964) - Música de Pixinguinha e letra de Hermínio Bello de Carvalho) - Intérprete: Elizeth Cardoso - Álbum: "Elizeth Cardoso - Uma Rosa para Pixinguinha"


Fala baixinho só pra eu ouvir
Porque ninguém vai mesmo compreender
Que o nosso amor é bem maior
Que tudo aquilo que eles sentem

Eu acho até que eles nem sentem, não
Espalham coisas só pra disfarçar
Daí então porque se dar
Ouvidos a quem nem sabe gostar

Olha só, meu bem, quando estamos sós
O mundo até parece que foi feito pra nós dois
Tanto amor assim que é melhor guardar
Pois que os invejosos vão querer roubar

A sinceridade é que vale mais
Pode a humanidade se roer de desamor
Vamos só nós dois / Sem olhar pra trás
Sem termos que ligar pra mais ninguém



Gavião calçudo


Autor principalmente de música instrumental, Pixinguinha deixou poucos sambas, dentre os quais se destaca "Gavião Calçudo". Com muito espírito e alguma malícia, a letra - atribuída a Cícero de Almeida - trata de um "gavião marvado", que rouba a mulher do protagonista.

Para completar, critica a liberalidade de alguns maridos descuidados: "Os culpado disso tudo / são os marido d'agora / as mulhé anda na rua / com as canela de fora / o gavião toma cheiro / vem descendo sem demora / garra ela pelo bico / bate asa e vão-se embora...". O samba foi sucesso na voz de Patrício Teixeira, que o gravou duas vezes em 1929.

Gavião Calçudo (samba, 1929) - Pixinguinha e Cícero de Almeida

Disco 78 rpm - Título da música: Gavião calçudo - Autoria: Pixinguinha (Alfredo da Rocha Vianna Filho), 1897-1973 (Compositor) - Teixeira, Patrício (Intérprete) - Piano (Acompanhante) - Violões (Acompanhante) - Imprenta [S.l.]: Odeon, 1929 - Nº Álbum 10436 - Gênero musical: Samba



---- A-D----E7----A
Chorei, porque
F#m--Bm-------E7-D/F#--E/G#--A--A7--D
Fi....quei sem meu a.....mor
-------D/F# -Dm/F-A/E
O gavião mal.....vado
--A----F#7/A#----B7
Bateu asa foi com ela,
-----E7----A
E me deixou
--------A------C#7/G#---F#m
Quem tiver mulher bonita
A7M/E-----D-----F#7/C#----Bm
Escon.....da do ga.........vião
----E/G#-----D/F# --E7
Ele tem unha comprida
--D--------E7--------A
Deixa os marido na mão
-------A------C#7/G#---F#7
Mas viva quem é solteiro!
--------D -----F#7/C#---Bm
Não tem amor nem paixão
---------D------D#º----A/E
Mas vocês que são casado
F#7----Bm----E7----A
Cuidado com o gavião



Fonte: A Canção no Tempo - Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello - Editora 34.

segunda-feira, 20 de março de 2006

Carinhoso


O Carinhoso tem uma história que começa de forma inusitada, com o autor mantendo-o inédito por mais de dez anos. Esse ineditismo é justificado por Pixinguinha, no depoimento que concedeu ao Museu da Imagem e do Som do Rio de Janeiro em 1968: "Eu fiz o Carinhoso em 1917. Naquele tempo o pessoal nosso da música não admitia choro assim de duas partes (choro tinha que ter três partes). Então, eu fiz o Carinhoso e encostei. Tocar o Carinhoso naquele meio! Eu não tocava... ninguém ia aceitar".


Portanto, o Carinhoso foi "encostado" porque só tinha (e tem) duas partes. O jovem Pixinguinha, então com 20 anos, não se atrevia a contrariar o esquema adotado nos choros da época, a forma rondó (A-B-A-C-A), herdada da polca. Ele mesmo esclarece, no depoimento, que "o Carinhoso era uma polca, polca lenta. O andamento era o mesmo de hoje e eu classifiquei de polca lenta ou polca vagarosa. Mais tarde mudei para chorinho".

Assim, composto na mesma época de Sofres Porque Queres (um choro em três partes) e a valsa Rosa - gravados na Casa Edison em 1917 -, Carinhoso só chegaria ao disco em dezembro de 1928, interpretado pela orquestra Típica Pixinguinha-Donga, na Parlophon. Sobre essa gravação, um crítico pouco versado em jazz publicou o seguinte comentário na revista Phonoarte (n° 11, de 15.01.29): "Parece que o nosso popular compositor anda sendo influenciado pelos ritmos e melodias do jazz. É o que temos notado, desde algum tempo e mais uma vez neste seu choro, cuja introdução é um verdadeiro fox-trot e que, no seu decorrer, apresenta combinações de música popular yankee. Não nos agradou".

Ainda sem letra, Carinhoso teria mais duas gravações, a primeira (em 1929) pela Orquestra Victor-Brasileira, dirigida por Pixinguinha, e a segunda (em 1934) pelo bandolinista Luperce Miranda, figurando em ambos os discos, por erro de grafia, com o título de Carinhos. Apesar das três gravações e das execuções em programas de rádio e rodas de choro, Carinhoso continuava em meados dos anos trinta ignorado pelo grande público.

Em outubro de 1936, porém, um acontecimento iria contribuir de forma acidental para uma completa mudança no curso de sua história. Encenava-se naquele mês no Teatro Municipal do Rio de Janeiro o espetáculo "Parada das Maravilhas", promovido pela primeira dama, D. Darcy Vargas, em benefício da obra assistencial Pequena Cruzada. Convidada a participar do evento, a atriz e cantora Heloísa Helena pediu a Braguinha uma canção nova que marcasse sua presença no palco. Não possuindo nenhuma na ocasião, o compositor aceitou então a sugestão da amiga para que pusesse versos no choro Carinhoso. "Procurei imediatamente o Pixinguinha", relembra Braguinha, "que me mostrou a melodia num dancing (o Eldorado) onde estava atuando: No dia seguinte entreguei a letra a Heloísa que, muito satisfeita, me presenteou com uma bela gravata italiana." Surgia assim, escrita às pressas e sem maiores pretensões, a letra de Carinhoso, uma letra simples (não chega a alcançar o melhor nível de João de Barro), mas que se constituiu em fator primordial para a popularização da composição.

Pode-se mesmo dizer que o Carinhoso só se tornaria um dos maiores clássicos da MPB a partir do momento em que pôde ser cantado. Comprova a afirmação o número de gravações - mais de 200 - que recebeu desde o dia (28.05.37) em que Orlando Silva o registrou em disco. É ainda Pixinguinha, em depoimento ao MIS, quem conta a história dessa gravação: "A maioria não estava interessada em gravar o 'Carinhoso'. Todos queriam gravar a valsa 'Rosa'. Primeiro foi chamado Francisco Alves, que não se interessou. O Galhardo também falhou (deixando de comparecer na data marcada). Então Mr. Evans (diretor da Victor) disse: 'Ah, não! Não grava mais. Não veio no dia, não grava mais'. Aí chamou o Orlando, que gravou o 'Carinhoso' e a valsa 'Rosa"'. Parece entretanto que, antes de gravá-los, o cantor não fazia fé nos versos de Braguinha. Pelo menos, isso foi o que deu a entender seu irmão Edmundo, encomendando ao compositor Pedro Caetano outra letra para o choro.

Comentando essa letra inédita ("Na mansidão do teu olhar / meu coração viu passear / uma feliz e meiga bonança" etc.) em seu livro de memórias, publicado em 1984, Pedro a considerou "piegas, sem graça e com várias palavras caídas em desuso". Editados no mesmo disco (Victor n° 34181), "Carinhoso" e "Rosa" tiveram sucesso imediato, que somado ao de "Lábios que beijei" iria acelerar mais ainda o ritmo da carreira do futuro "Cantor das Multidões", já na época em franca ascensão. "Carinhoso", inclusive, seria adotado por Orlando como prefixo musical de suas audições.

Ostentando o mérito de ser uma das composições mais gravadas de nossa música popular, "Carinhoso" detém ainda o recorde de gravações nos repertórios de Pixinguinha e João de Barro. Além, naturalmente, dos autores e de Orlando Silva, incluem-se em sua relação de intérpretes em discos figuras como Sílvio Caldas, Ângela Maria, Elizeth Cardoso, Elis Regina, Dalva de Oliveira, Maria Bethânia, Radamés Gnattali, Antônio Carlos Jobim, Arthur Moreira Lima, Garoto, Baden Powell, Jacó do Bandolim, Hermeto Pascoal e muitos outros.

"Carinhoso" foi também vencedor de enquete promovida pela Cigarra-Magazine, em 1949, intitulada "Os Dez Maiores Sambas Brasileiros". Quatro décadas depois, seria a música mais indicada pelos participantes da série de programas "As Dez Mais de Sua Vida", produzida e apresentada por Luís Carlos Saroldi nas rádios MEC e JB. Orlando Silva declarou em várias entrevistas ser ele o responsável pela iniciativa de pedir a Braguinha uma letra para o "Carinhoso". A versão de Orlando, porém, foi desmentida por Pixinguinha e Braguinha, encerrando o assunto.

Carinhoso (samba-choro, 1937) - João de Barro e Pixinguinha

Disco 78 rpm - Título: Carinhoso - Autoria: João de Barro, 1907-2006 (Compositor) - Pixinguinha (Alfredo da Rocha Vianna Filho), 1897-1973 (Compositor) - Silva, Orlando (Intérprete) - Regional (Acompanhante) - Imprenta [S.l.]: Rca victor, 28/05/1937 - Álbum 34181 - Gênero: Samba



---------C----- E7--- Am ----G7-------- C --- E7--- Am
Meu coração . . . . . . . . . .não sei porque
C7 ------Em-- B7--- Em---- C7 ------Em--- B7 ---Em
Bate feliz . . . . . . . . . . quando te vê
E7----------- Am -----D7----- G
E os meus olhos ficam sorrindo
C7-------- F---- A7------- Dm
E pelas ruas vão te seguindo
F---------------- D7 -Fm ----G7 -------C---- Fm --C
Mas mesmo assim . . . . . . foges de mim

B7------------- Em-------- E7------------ Am
Ah, se tu soubesses como eu sou tão carinhoso
--------------B7--------- Em --B7-- Em
E muito muito que te quero
C------------ G------------ Em
E como é sincero o meu amor
-------------A7------- D7------------ G
Eu sei que tu não fugirias mais de mim
Ab7---- Dm ----G7-- C ---Am
Vem, vem, vem, vem . . . . . . . . . .
-----------------B7------------- Dm--- G7
Vem sentir o calor dos lábios meus
------------------C ------E7
A procura dos teus
---------Am-- E7---- Am
Vem matar esta paixão
C7 ----------F-- A7---- Dm
Que me devora o coração
----------Fm ---C
E só assim então
---------G7------- C--- Fm --C
Serei feliz, bem feliz


Fonte: A Canção no Tempo - Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello - Editora 34

Já te digo

Considerando-se atingidos pelo "Quem São Eles", os irmãos Pixinguinha e China (Otávio da Rocha Viana) revidaram com o "Já Te Digo", em que achincalham o rival Sinhô. Terceira resposta ao "Quem São Eles" esta foi também a de maior sucesso e a mais cruel ( "Ele é alto, magro e feio / e desdentado / ele fala do mundo inteiro / e já está avacalhado..."), sendo as outras o "Fica Calmo que Aparece", de Donga, e "Não És Tão Falado Assim", de Hilário Jovino.

O curioso é que, a rigor, a polêmica foi gratuita, pois não havia no samba de Sinhô qualquer alusão ofensiva aos adversários.

Pela repercussão alcançada no carnaval de 1919, "Já Te Digo" projetou Pixinguinha como compositor. Com uma forma musical mais definida do que a maioria criada por seus contemporâneos, ele extravasava em suas composições um conhecimento teórico de música superior. "Já Te Digo" tem a forma A-B-A-C-A-D-A, sendo que cada grupo de quatro compassos é repetido sempre ao longo de cada segmento. A composição é ainda o primeiro exemplo da extraordinária capacidade de Pixinguinha de prender ouvinte já na introdução, um primor neste caso. Mais tarde, como arranjador de música alheia, isso se repetiria constantemente. Por coincidência, "Já Te Digo" e "Quem São Eles" foram lançados por um mesmo cantor, o Bahiano da Casa Edison.

Já te digo (samba / carnaval, 1919) - Pixinguinha e China

Disco 33 1/3 rpm - Título: Já te digo - Autoria: Pixinguinha (Alfredo da Rocha Vianna Filho), 1897-1973 (Compositor) - J. Cascata, 1912-1961 (Intérprete) - Velha Guarda, 1954-1956 (Intérprete) - Coro (Acompanhante) - Imprenta [S.l.]: Sinter, Novembro 1955 - Nº Álbum 1054



Um sou eu, e o outro não sei quem é
Um sou eu, e o outro não sei quem é
Ele sofreu pra usar colarinho em pé
Ele sofreu pra usar colarinho em pé

Vocês não sabem quem é ele, pois eu vos digo
Vocês não sabem quem é ele, pois eu vos digo
Ele é um cabra muito feio, que fala sem receio
Não tem medo de perigo
Ele é um cabra muito feio, que fala sem receio
Não tem medo de perigo

Um sou eu, e o outro não sei quem é
Um sou eu, e o outro não sei quem é
Ele sofreu pra usar colarinho em pé
Ele sofreu pra usar colarinho em pé

Ele é alto, magro e feio / É desdentado
Ele é alto, magro e feio / É desdentado
Ele fala do mundo inteiro / E já está avacalhado no Rio de Janeiro
Ele fala do mundo inteiro / E já está avacalhado no Rio de Janeiro

Vocês não sabem quem é ele, pois eu vos digo
Vocês não sabem quem é ele, pois eu vos digo
Ele é um cabra muito feio, que fala sem receio
Não tem medo de perigo
Ele é um cabra muito feio, que fala sem receio
Não tem medo de perigo


Fonte: A Canção no Tempo. 85 anos de músicas brasileiras. vol. 1: 1901-1957 - Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello

China

China (Otávio Littleton da Rocha Vianna), cantor, instrumentista e compositor, nasceu no Rio de Janeiro (RJ) em 16/05/1888 e faleceu na mesma cidade em 27/08/1927. Irmão de Pixinguinha. Por volta de 1917 gravou, como cantor, vários discos na Phoenix, inclusive suas modinhas Amei-te tanto e A lua nova.

Foi para satirizar seus pés enormes que Sinhô, na discussão com a turma de Pixinguinha,. compôs a marcha Pé de anjo (1919). China tinha escrito nesse ano, contra Sinhô, os versos do samba Já te digo, com música de Pixinguinha.

Como cantor, pianista e violonista integrou o grupo Oito Batutas, que se apresentava na sala de espera do Cinema Palais, na Avenida Rio Branco, no Rio de Janeiro. Excursionou com o grupo à França, em 1922, e à Argentina, em 1923.

Obra

Ai, madama, samba carnavalesco, s.d.; Broadway (com Pixinguinha), fox-trot, s.d.; O cachorro da mulata (com Duque), samba, s.d.; Cadê ele (com Donga), embolada, s.d.; Caxuxa, samba, s.d.; Herança de caboclo (com Pixinguinha), samba, s.d.; Já te digo (com Pixinguinha), samba, 1919; Meu passarinho, samba, s.d.; Pulo de gato, samba, s.d.; Que nega é essa (com Lezute), samba, s.d.; Sai, Exu (com Donga), jongo, s.d.; Trancinha, marcha, s.d.; Você me acaba (com Mirandela e Donga), samba, s.d.; Viva a reação, samba, s.d.


Fonte: Enciclopédia da Música Brasileira - Art Editora e Publifolha, SP, 1998.

sexta-feira, 17 de março de 2006

Pixinguinha


Alfredo da Rocha Vianna Filho, o Pixinguinha, nasceu em 23 de Abril de 1897; durante muito tempo aceitou-se o ano de 1898 como o de seu nascimento, fato aceito inclusive pelo próprio músico. Esta data baseava-se em uma lista do pai de Pixinguinha, escrita à mão, com as datas dos nascimentos dos filhos. O erro foi corrigido recentemente, já que na certidão de batismo, datada de 28 de Maio de 1898, constava que o nascimento ocorrera um ano antes, no dia 23 de abril. O apelido Pixinguinha é uma mistura de Pizindim (pequeno bom), posto por uma prima, com Bexiguinha, que surgiu depois que ele contraiu bexiga.


A família Vianna era numerosa; dos catorze filhos, muitos cantavam e tocavam instrumentos. O caçula, Pixinguinha, começou no cavaquinho e acompanhava o pai que tocava flauta em alguns bailes. Logo começou a estudar música, experimentando também o bombardino e aos doze anos, compunha sua primeira obra, o choro Lata de leite, inspirado nos boêmios (os chorões da época), que bebiam o leite deixado nas portas das casas, quando retornavam das noitadas e dos bailes. A casa dos Vianna reunia chorões ilustres, como Candinho do Trombone, Viriato, Bonfiglio de Oliveira, e muitos outros. O menino Pixinguinha tentava reproduzir numa flautinha de folha, algumas das músicas executadas. Em pouco tempo começaria a ter aulas e em 1911 o professor Irineu "Batina" levaria o aluno para tocar flauta na orquestra da Sociedade Dançante e Carnavalesca Filhas da Jardineira. São desta época os primeiros registros em jornais sobre Pixinguinha, ainda como Alfredo Vianna Júnior.

Neste ano gravou seus primeiros discos, como componente do conjunto Choro Carioca; são eles: São João debaixo d'água, Nhonhô em sarilho e Salve (A Princesa de Cristal). No ano seguinte já era diretor de harmonia do rancho Paladinos Japoneses e fazia parte do conjunto Trio Suburbano. Em 1912 participou de cinco discos, de uma só face, que fazem parte do acervo do professor Mozart Araújo. Aos quinze anos já tocava profissionalmente na Casa de Chope La Concha. Depois trabalhou em cassinos, cabarés e teatros.

Em 1915 Pixinguinha era destaque da emergente Música Popular Brasileira. Já havia gravado discos e editado músicas de sucesso. Os jornais da época começavam a citar o jovem flautista. Em 1917 o músico era solicitado para as principais festas carnavalescas. Dois anos depois, formou-se o conjunto Oito Batutas, composto de flauta, violões, piano, bandolim, cavaquinho e percussão. Em breve o conjunto se tornava moda também nos salões elegantes, e a aristocracia já cansada da música erudita, se renderia ao charme dos rapazes "morenos". O sucesso dos "Batutas" começava a incomodar e os ataques foram muitos.

A sociedade carioca imitava os modos e a cultura européia; para muitos era uma vergonha ter uma orquestra de pretos no Rio de Janeiro, mas os rapazes venceram e em breve estavam viajando por outros estados, sempre com estrondoso sucesso. Em Janeiro de 1922 Os Oito Batutas embarcam em um navio, rumo a Paris, com os bailarinos Duque e Gaby. A temporada deveria ser de um mês, mas o sucesso fez com que o grupo permanecesse por mais cinco meses. Os Batutas, composto entre outros, por Donga e China (seu irmão), apresentaria à França a ginga carioca, com muito samba, swing e maxixe.

Em 1923 compôs Carinhoso, talvez seu maior sucesso e quatro anos depois casou-se com Albertina Nunes Pereira, a Bety. A trajetória de Pixinguinha foi ascendente e a partir da década de 30, participou de gravações históricas: Com Carmen Miranda, em, Ta-hi (Pra você gostar de mim) e O teu cabelo não nega, esta última, também com a participação de Lamartine Babo. Com o grupo da Guarda Velha, em 1932, tocaria com Luís Americano, Donga e João da Baiana entre outros. Como músico ou maestro, já era mestre, atuando com todos os grandes intérpretes da época. Foi um dos fundadores do rádio, ainda em 1922 e inaugurou várias estações cariocas, como Tupi Transmissora (atual Globo), Mayrink Veiga, etc. Depois de oito anos de casamento, Pixinguinha e Betty adotaram um menino, Alfredo da Rocha Vianna Neto. Em 1937 se juntaria com João da Baiana, Tute, Luperce Miranda e de Valeriano, e formariam "Os Cinco Companheiros".

A década de 40 trouxe problemas para Pixinguinha. Bety estivera doente e o mercado de trabalho estava ruim, com a invasão da música norte-americana nas rádios. Além disso, o músico já não tinha a mesma embocadura para o uso da flauta. Em 1946, trocaria definitivamente o instrumento pelo sax, formando uma dupla com o flautista Benedito Lacerda. Já na metade da década de 50 surgiu a Velha Guarda, reunindo, entre outros, os amigos Donga e João da Baiana. Em 57, Pixinguinha já com 71 anos, gravou seis discos, dos quais se destacam, Os Cinco Companheiros, Pixinguinha e sua banda e Carnaval dos Bons Tempos.

No final dos anos 40 começou a sofrer do coração e em 1958, teve a sua segunda crise cardíaca. Ao longo de sua vida, recebeu cerca de 40 troféus e medalhas e em 1961, foi nomeado, pelo então presidente Jânio Quadros, para o Conselho Nacional de Música; não chegando a assumir o cargo, já que Jânio renunciaria. Um ano depois, fez uma parceria famosa com Vinícius de Moraes, na trilha sonora do filme Sol sobre a lama. Lamentos e Mundo Melhor foram os grandes sucessos da dupla. Em Junho de 1964 passou um mês internado, depois de sofrer um edema agudo seguido de enfarte. Depois de dois anos parado, tocou sax na festa em sua homenagem, Noite de Pixinguinha, no Teatro Jovem, tendo como convidados, João da Baiana e Clementina de Jesus. Em 1968, foram comemorados os seus 70 anos com uma exposição no Museu da Imagem e do Som, uma audição no Teatro Municipal e sessão comemorativa na Assembléia Legislativa. Em Junho de 1972 Betty faleceu; sem a companheira de sempre, Pixinguinha passaria a viver em companhia de Alfredinho e sua nora. A alegria voltou em 1973, quando nasceu Eduardo, seu segundo neto. Pixinguinha compôs então pela última vez, Eduardinho no choro. Vinte e seis dias depois, faleceu na Igreja Nossa Senhora da Paz, aonde tinha ido para batizar o filho de um amigo. Seu corpo foi velado no MIS e no dia seguinte, enterrado no cemitério de Inhaúma, junto ao de Betty. O povo, em uma última homenagem, cantou Carinhoso.

O gênio

Ary Barroso foi um dos primeiros a protestar contra a forma como os sambas - e outros ritmos brasileiros - estavam sendo gravados, nos momentos da expansão da indústria fonográfica no Brasil. Não que tivesse algo de pessoal contra os maestros e instrumentistas estrangeiros encarregados de executar nossas músicas, mas bastava simplesmente ouvi-los para sentir a falta de sotaque brasileiro. Os arranjos obedeciam à escola italiana, os músicos tocavam como nos velhos tempos dos maxixes, não se observava a presença de ritmistas nas orquestras, faltando molho e sabor nacionais às gravações.

A solução veio com um gênio negro nascido no Rio de Janeiro, em 1898, e que, aos 12 anos, já era considerado o maior flautista da cidade. No futuro, viria a sê-lo também do Brasil e, em termos de música popular, talvez do mundo. Alfredo da Rocha Viana Filho, o Pixinguinha, que já tivera a grande experiência internacional liderando os Oito Batutas em Paris, era nome conhecido e respeitado como músico e líder, quando sua carreira de arranjador, uma guinada em seu destino e no da música popular brasileira, aconteceu.

A primeira vez que formou uma orquestra, ou algo parecido, foi na Exposição do Centenário da Independência do Brasil, em 1922, no Rio de Janeiro. Como ele mesmo contava: “A Rádio Sociedade tinha um estúdio na Exposição. Tinha aqueles alto-falantes e fui irradiar da Exposição. Eu e Zaíra de Oliveira, grande cantora e que veio a ser posteriormente esposa do Donga. (...) toquei em uma exposição da General Motors, da qual participou também Villa-Lobos. Eu organizei uma orquestra popular, com instrumentos de orquestra”.

Sérgio Cabral, na biografia de Pixinguinha, aclara: “O compositor e pianista Eduardo Souto, encarregado de convidar os artistas e as orquestras que iriam apresentar-se diariamente, pediu a Pixinguinha para organizar uma orquestra, tarefa cumprida com a participação de todos os batutas e mais o reforço de Bonfiglio de Oliveira e da cantora Zaíra de Oliveira. (...) Durante toda a exposição, Pixinguinha e sua orquestra tocaram diariamente no pavilhão da General Motors”. Nascia o primeiro maestro brasileiro a tocar música com o nosso sotaque.

A primeira escola de arranjos para Pixinguinha foi o teatro de revista. Foi em composições suas e alheias que o maestro burilou o estilo e iniciou o trabalho de criação de uma forma brasileira de execução orquestral. Seu jeito de levar para a pauta a parte de cada instrumento, no todo de um arranjo, foi ganhando forma na soma de trabalhar muitos ritmos e maneiras de fazer música. Ele próprio, compondo para revistas, fazia músicas japonesas, americanas, argentinas, francesas e por aí afora.

Em 1928, logo após implantação da gravação elétrica no Brasil, Pixinguinha pôde usar a gravadora Odeon como Laboratório para experimentos orquestrais. Gravou como nunca, músicas dele e de outros compositores Apresentava-se como Pixinguinha e Conjunto, Orquestra Típica Pixinguinha-Donga e Orquestra Típica Oito Batutas.

Em maio de 1928, em companhia de Donga, forma uma orquestra de caráter inteiramente brasileiro. Criada para tocar na Exposição de Automobilismo, Autopropulsão e Estradas de Rodagem do Rio de Janeiro, dos 40 músicos 34 eram instrumentistas de cordas e ritmo, visto que Pixinguinha e Donga objetivavam, com essa orquestra "típica", fazer frente às jazz-bands e às típicas argentinas, febre musical da época.

A consolidação como maestro e arranjador viria em 1929, quando a gravadora Victor contratou Pixinguinha corno seu orquestrador de discos e maestro da Orquestra Victor Brasileira. Em, no mínimo, seis gravações por ano, apareceria como solista de flauta, completando suas funções. Sérgio Cabral destaca a partir daí a importância dessa orquestra para o panorama da música brasileira de então, que finalmente se passou a tocar música brasileira de um jeito brasileiro incluindo aí o samba provindo do Estácio.

As orquestrações de Pixinguinha podiam ser reconhecidas de imediato. As introduções que criava, compondo sobre temas alheios, deram tom definitivo ao arranjo nacional. A de O teu cabelo não nega chega a ser tão lembrada quanto a própria música. Sem nunca ter parado de estudar e trabalhar, Pixinguinha é uma referência até hoje para os maestros brasileiros, como continuará sendo amanhã.

Algumas músicas de Pixinguinha











Obra completa

Acerta o passo (c/Benedito Lacerda), choro, 1950; Agüenta, seu Fulgêncio (c/Lourenço Lamartine), choro, 1929; Ai, eu queria, samba, 1928; Ainda existe, choro, 1928; Ainda me recordo (c/Benedito Lacerda), maxixe, 1932; Amigo do povo, choro, 1928; Assim é que é, polca, 1957; Os batutas (c/Duque), samba, s.d.; Bebe (c/Paulino Sacramento), 1957; Benguelê, lundu, 1946; Bianca (c/Andreoni), valsa, s.d.; Buquê de flores (c/W. Falcão), marcha-rancho, 1968; Cafezal em flor (c/Eugênio Fonseca), canção, 1931; Caixa alta, 1975; Canto em rodeio, 1992; Carinhoso, choro, 1928; Carinhoso (c/João de Barro), samba, 1937; Carnavá tá aí (c/Josué de Barros), marcha, 1930; Carne assada, 1913; Casado na orgia (c/João da Baiana), samba, 1933; Casamento do coronel Cristino, polca-choro, 1930; Um caso perdido, samba, s.d.; Cascatinha, 1957; Céu do Brasil (c/Gomes Filho), marcha-rancho, 1940; Cheguei (c/Benedito Lacerda), choro, 1946; Chorei, choro, 1942; Um chorinho no parque São Jorge (c/Salgado Filho), choro, 1958; Um chorinho pra Elisete, 1975; Os cinco companheiros, choro, 1942; Cochichando (c/Alberto Ribeiro e João de Barro), choro, 1944; Cochicho, 1961; Conversa de crioulo (c/Donga e João da Baiana), samba de partido-alto, 1931; Cuidado, colega (c/Benedito Lacerda), choro, 1948; Dança dos ursos, samba, 1930; Dançando, fox-trote, 1922; Dando topada, maxixe polca, 1957; De mal pra pior (c/Hermínio Belo de Carvalho), s.d.; Descendo a serra (c/Benedito Lacerda), choro, 1947; Desencanto, 1975; Desprezado, choro, 1929; Devagar e sempre (c/Benedito Lacerda), choro, 1949; Dininha (c/Benedito Lacerda), valsa, 1948; Diplomata, 1975; Displicente (c/Benedito Lacerda), choro, 1950; Os dois que se gostam, tango, 1919; Dominante, tango, 1916; Ela e eu (c/Benedito Lacerda), polca, 1947; Encantadora, polca, 1928; Estou voltando, choro, 1932; Eu sou gozado assim, samba, 1931; Fala baixinho (c/Hermínio Belo de Carvalho), choro, 1964; Festa de branco, samba, 1928; Uma festa de Nanã (c/Gastão Viana), lundu, 1941; Flausina (c/Pedro Gaudino), 1957; Foi muamba (c/Índio), samba, 1930; Fonte abandonada (c/Índio), canção, 1931; Fraternidad, tango, 1928; Gargalhada, 1968; O gato e o canário (c/Benedito Lacerda), polca, 1949; Gavião calçudo, samba, 1929; Glória, valsa, 1934; Guiomar (c/Baiano), marcha, 1929; Hal hu! lahô! (c/Donga e João da Baiana), samba de partido-alto, 1931; Harmonia das flores (c/Hermínio Belo de Carvalho), choro, 1964; Hino de Ramos (c/Alberto Lima), 1966; Os home implica comigo (c/Carmem Miranda), samba, 1930; Infantil, choro, 1928; Ingênuo (c/Benedito Lacerda), choro, 1947; Inspiração, 1975; Iolanda, valsa, 1935; Ipiranga, fox-trot, 1922; Isso é que é viver (c/Hermínio Belo de Carvalho), choro, 1964; Isto não se faz (c/Hermínio Belo de Carvalho), choro, 1964; Já andei (c/Donga e João da Baiana), batucada, 1932; Já te digo (c/China), samba carnavalesco, 1919; Jardim de Ilara (c/C. M. Costa), canção, s.d.; Joaquim virou padre, 1992; Knock-out, fox-trot, s.d.; Lá-ré, polca, 1923; Lamento (c/Vinícius de Morais), choro, 1962;Lamentos, choro, 1928; Lata de leite, 1911; Leonor, samba, 1930; Levanta, meu nego, maxixe, 1931; Lusitânia, canção, s.d.; Mais quinze dias, choro, 1964; Mais três dias, 1964; O malhador (c/Donga e Mauro de Almeida), samba carnavalesco, 1918; Mama, meu netinho (c/Jararaca), marcha, 1941; Mamãe Isabé (c/João da Baiana), macumba, 1933; Marilene (c/Benedito Lacerda), choro, 1950; Marreco quer água, polca, 1959; Maxixe de ferro (diosé Nunes), 1957; A menina do sobrado (c/Benedito Lacerda), choro, 1951; O meu conselho, samba, 1931; Meu coração não te quer (c/E. Almeida), choro, 1941; Minha cigana (c/Benedito Lacerda), marcha, 1947; Minha gente, 1962; Mis tristezas solo lloro, tango, 1928; Morro da favela, maxixe, 1917; Morro do Pinto, maxixe, 1917; Mulata baiana (c/Gastão Viana), samba-jongo, 1938; Mulher boêmia (c/Lamartine Babo), samba, 1928; Mundo melhor (c/Vinícius de Morais), 1967; Não gostei dos teus olhos (c/João da Baiana), samba, 1933; Não me digas, 1975; Não posso mais, choro, 1953; Não tem nome, polca, 1913; Naquele tempo (c/Benedito Lacerda), choro, 1946; Naquele tempo, choro, 1934; Nasci pra domador (c/Valfrido Silva), samba, 1933; No elevador, choro, 1964; Noite e dia (c/W. Falcão), choro-canção, 1968; Nostalgia ao luar, valsa, 1919; Número um, choro, 1928; Os Oito Batutas (c/Benedito Lacerda), tango, 1919; Onde foi Isabé, embolada, 1929; Oscarina, valsa, 1934; Paciente, choro, 1959; Pagão (c/Benedito Lacerda), choro, 1947; Página de dor (c/Índio), valsa, 1959; Papagaio sabido (c/C. Araújo), samba, 1930; Passatempo, 1968; Patrão, prenda seu gado (c/Donga e João da Baiana), chula raiada, 1931; Pé de mulata, samba, 1928; Poema de raça (c/Z. Reis e Benedito Lacerda), samba, 1955; Poética, polca, s.d.; Pombinha (c/Donga), samba carnavalesco, 1919; Por você fiz o que pude (c/Cícero de Almeida), samba, 1936; Pretensiosa, polca, 1928; Proezas do Sólon (c/Benedito Lacerda), choro, 1947; Promessa, samba, 1928; Pula sapo, 1971; Que perigo, choro, 1955; Que querê (c/Donga e João da Baiana), macumba, 1932; Quem foi que disse, samba, 1928; Raiado (c/Gastão Viana), samba, 1931; Rancho abandonado (c/Índio), canção, 1930; O rasga, 1977; Recordações, 1975; Recordando, choro, 1935; Rosa, valsa, 1917; Rosa (c/Otávio de Sousa), valsa-canção, 1937; Salto do grilo, 1975; Samba de fato (c/Cícero de Almeida), samba de partido-alto, 1932; Samba de nego, 1928; Samba do urubu (Variações sobre Urubu), 1971; Samba fúnebre (c/Vinícius de Morais), 1971; Samba na areia, samba, 1929; Sapequinha, polca- choro, 1926; Sarravulho, 1975; Saudade de Santa Cruz (c/Muraro), choro, 1948; Saudação, 1992; Saudade do cavaquinho (c/Muraro), choro, 1946; Sedutor (c/Benedito Lacerda), choro, 1949; Segura a mão (c/Benedito Lacerda e Mário), choro, 1950; Segura ele, choro, 1929; Sensível, 1977; Sentimento oculto, 1996; Seresteiro (c/Benedito Lacerda), choro, 1949; Seu Lourenço no vinho (c/Benedito Lacerda), choro, 1948; Sofres por que queres (c/Benedito Lacerda), tango, 1917; Solidão, choro, 1964; Soluços (c/Benedito Lacerda), choro, 1949; Sonho da Índia (c/N. N. e Duque), fox, s.d.; Sonhos, 1975; Só para moer (c/Benedito Lacerda), choro, 1950; Stella (c/De Castro e Sousa), fox-blue, s.d.; Tapa buraco, choro, 1926; Te encontrei, 1975; Teu aniversário, choro, 1950; Teus ciúmes, samba, 1930; Triangular, choro, 1942; Tristezas não pagam dívidas, valsa, s.d.; Um a zero (c/Benedito Lacerda), choro, 1949; Urubatã (c/Benedito Lacerda), choro, 1929; Urubu, samba, 1923; O urubu e o gavião, choro, 1930; Vagabundo (c/Benedito Lacerda), choro, 1951; Vaga-lume sorrindo, polca, 1917; Vagando (c/Benedito Lacerda), choro, 1951; Vamos brincar, choro, 1928; Variações sobre o urubu e o gavião (c/Benedito Lacerda), choro, 1945; Vasconcelos em apuros, 1977; Vem cá! não vou!, choro, 1929; Vi o pombo gemê (c/Donga e João da Baiana), batucada, 1932; A vida é um buraco, choro, 1930; Você é bamba (c/Cícero de Almeida), samba, 1936; Você não deve beber (c/Manuel Ribeiro), samba, 1940; Vou pra casa, choro, 1964; Vou vivendo (c/Benedito Lacerda), choro, 1946; Xou Kuringa (c/Donga e João da Baiana), macumba, 1932; Yaô africano (c/Gastão Viana), lundu, 1938; Zé Barbino (c/Jararaca), canção, 1941.


Fontes: MPB Compositores - Fascículos - Editora Globo; A Canção no Tempo - Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello - Editora 34; Enciclopédia da Música Brasileira - Art Editora e Publifolha, São Paulo - 1998.