quarta-feira, 19 de abril de 2006

Gago apaixonado

Lançada originalmente no teatro de revista na peça Café com Música onde se destacava a famosa cantora Araci Cortes, composição essa que se tornaria peça obrigatória nas apresentações de Noel Rosa; nesta composição Noel demonstra todo seu fino humor, sua imensa verve satírica e sua facilidade em retratar as características peculiares dos tipos humanos da sociedade brasileira dos anos 30, especificamente do Rio de Janeiro, capital da República do Brasil.

Noel inclusive gravou sua composição Gago apaixonado e costumava dizer em tom de deboche que o que mais gostava nesta música era o fato de "esta meus vizinhos não conseguem cantar" (Dárcio Fragoso).

Gago apaixonado (samba, 1931) - Noel Rosa - Intérprete: Noel Rosa ("Noel Rosa - Pela Primeira Vez", 2002)

Intr.:(  G/B E7/G# A7 D7/F# G G/F 
         G/B E7/G# A7 D7/F# G)

                G                A#°         G/B
Mu... mu... mulher, em mim fi... zeste um estrago
A#° G/B                           E7            Am
        Eu de nervoso esto... tou fi... ficando gago
E7/B Am     B7              B7/D#             Em
        Não po... posso com a     cru... crueldade
            A7/C#                A7
Da saudade, Que... que mal... maldade
      D7         D/C
Vi... vivo sem afago

    G
Tem tem... tem pe... pena 
D7                    G             Em
Deste mo... mo... moribundo, que... que já virou
B7                              Em     E7/G#
Va... va... va... va... ga... gabundo
      Am
Só... só... só... só...
     Cm6/Eb             C#°       G/D
Por ter     so... so... sofri... frido
                  E7
Tu... tu... tu... tu... tu... tu... tu... tu...
   A7                D7                 G
Tu tens um co... coração fi... fi... fingido

*Repete Introdução*

                G                A#°         G/B
Mu... mu... mulher, em mim fi... zeste um estrago
A#° G/B                           E7            Am
        Eu de nervoso esto... tou fi... ficando gago
E7/B Am     B7              B7/D#             Em
        Não po... posso com a     cru... crueldade
            A7/C#                A7
Da saudade, Que... que mal... maldade
      D7         D/C
Vi... vivo sem afago

    G             D7          G
Teu teu co... coração me entregaste
      Em
De... de... pois... pois... 
   B7                   Em     E7/G#  
De mim tu to... toma... maste
      Am                  Cm6/Eb              G/D
Tu... tua falsi... si... sidade  é pro... profunda
                  E7
Tu... tu... tu... tu... tu... tu... tu... tu...
    A7                 D7     G
Tua vais fi... fi... ficar corcunda!

Faceira

"Faceira" é um samba animado e alegre, característico do estilo musical popularizado nas décadas de 1920 e 1930. A letra da música retrata uma mulher alegre e brincalhona, que encanta a todos com sua beleza e simpatia. A composição de Ary Barroso é habilmente construída, com versos bem-humorados e ritmo contagiante.

Sílvio Caldas (foto), com sua interpretação única e talento vocal, deu vida a essa música. Sua voz suave e emotiva combinou perfeitamente com o estilo do samba, tornando a gravação um sucesso na época. Caldas foi um dos grandes nomes da música brasileira, conhecido por sua técnica vocal refinada e por sua capacidade de transmitir emoção através de suas performances.

A gravação de "Faceira" por Silvio Caldas em 1931 marcou um momento importante na carreira de ambos. A música se tornou um dos primeiros sucessos de Ary Barroso como compositor e consolidou Caldas como um dos grandes intérpretes da música popular brasileira.

Ao longo dos anos, continuou a ser regravada por diversos artistas, mantendo-se como um clássico do samba. A canção representa um período rico da música brasileira, que influenciou gerações futuras de compositores e cantores.

Faceira (samba, 1931) - Ary Barroso - Intérprete: Sílvio Caldas

Disco 78 rpm / Título da música: Faceira / Ary Barroso (Compositor) / Sílvio Caldas (Intérprete) / Gravadora: Victor / Nº do Álbum: 33446-a / Nº da Matriz: 65158-1 / Gravação: 09/06/31 / Lançamento: 07/1931 / Gênero musical: Samba

D7+/9    G5-/7   D7+/9  F#m5-/7
Foi num samba de gente bamba
         E5+/7
Ô gente bamba
Em7          A6/7     D7+/9
Que eu te conheci, faceira
           E7/9
Fazendo visagem
            Em7/9 A6/7
Passando rasteira
Que bom, que bom, que bom
A6/7              Em7/9
E desceste lá do morro
     A6/7        D7+/9
Pra viver cá na cidade
               C#m5-/7
Deixando os companheiros
       F#5+/7      Bm7  Am7
Quase loucos de saudade
D7/9     G7+
Linda criança
   C7/9              D6/7 C#5+/7
Tenho fé, tenho esperança
          C6/7         B5+/7 E7/9
Que algum dia hás de voltar
  A6/7             D7+/9
Direitinho ao teu lugar

(O vamo embora agora ... foi num ...) 

A6/7              Em7/9
Quando rompe a batucada
     A6/7        D7+/9
Fica a turma aborrecida
               C#m5-/7
O pandeiro não dá nada
        F#5+/7      Bm7
 Oi, a barriga recolhida

Fontes: Discografia Brasileira - IMS; Instituto Moreira Salles.

De papo pro Á

Joubert de Carvalho
Em 1931, os românticos Joubert de Carvalho e Olegário Mariano realizaram uma incursão na área sertaneja com o cateretê "De Papo pro Á". A composição expõe com muita graça a "filosofia" de um caipira esperto que leva a vida pescando e "tocando viola de papo pro á".

Curiosamente, este cateretê vem pelos anos afora sendo cantado com um erro na letra. O fato foi descoberto nos anos cinqüenta pelo pesquisador Paulo Tapajós, que estranhava os versos: "Se compro na feira feijão, rapadura / pra que trabalhar?". Quem compra geralmente trabalha... Foi o próprio Olegário quem lhe esclareceu: "o verso correto é 'se ganho na feira feijão, rapadura'. Acontece que, na primeira gravação, Gastão Formenti cantou 'se compro', cristalizando-se o erro a partir desse disco".

De Papo Pro Á (cateretê, 1931) - Joubert de Carvalho e Olegário Mariano

Disco 78 rpm / Título da música: De Papo Pro Á / Joubert de Carvalho (Compositor) / Olegário Mariano (Compositor) / Gastão Formenti (Intérprete) / Orquestra Típica (Acomp.) / Gravadora: Victor / Nº do Álbum: 33469 / Nº da Matriz: 65226-2 / Gravação: 28/08/1931 / Lançamento: Out/1931 / Gênero musical: Rumba (classificação musical contestável...)



Título da música: De Papo Pro Á / Joubert de Carvalho (Compositor) / Olegário Mariano (Compositor) / Paulo Tapajós (Intérprete) / LP "Luar do Sertão - Músicas de Catulo e Joubert", Fontana, 1972)


E
Não quero outra vida
                       B7
Pescando no rio de Gereré
Tem peixe bom
Tem siri patola
            E
De dá com o pé
             B7
Quando no terreiro
Faz noite de luá
E vem a saudade
Me atormentá
Eu me vingo dela
Tocando viola
            E B7 E B7 E
De papo pro á

Se compro na feira
Feijão, rapadura,
              B7
Pra que trabaiá
Eu gosto do rancho
O homem não deve
        E
Se amofiná

(refrão)


Fonte: A Canção no Tempo - Vol. 1 - Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello - Editora 34.

terça-feira, 18 de abril de 2006

Com que Roupa?


A música "Com Que Roupa" foi o primeiro sucesso de Noel Rosa. Um sucesso enorme que inspirou anúncios comerciais, paródias, charges, crônicas, entrevistas e até ajudou a fixar a expressão "com que roupa" como dito popular.

Um verdadeiro achado, essa expressão se repete ao final de cada estrofe da composição, sendo uma das razões principais de seu êxito. Tudo indica, porém, que Noel não percebeu de início o potencial de "Com Que Roupa", pois, além de mantê-la inédita por um ano, vendeu-lhe os direitos pela quantia de 180 mil-réis, irrisória já na época.

Segundo seus biógrafos, João Máximo e Carlos Didier, Noel confessou certa vez a um tio que "Com Que Roupa" retratava de forma metafórica o Brasil - "um Brasil de tanga, pobre e maltrapilho". Daí, talvez, a semelhança de seus compassos iniciais com os do Hino Nacional Brasileiro (problema corrigido pelo músico Homero Dornelas ao passar a melodia para a pauta).

Com que Roupa? (samba, 1931) - Noel Rosa - Intérprete: Noel Rosa

Disco 78 rpm / Título da música: Com que roupa? / Noel Rosa, 1910-1937 (Compositor) / Noel Rosa, 1910-1937 (Intérprete) / Bando Regional (Acomp.) / Gravadora: Parlophon / Nº do Álbum 13245-a / Nº da Matriz: 4007 / Gravação: 30/09/1930 / Lançamento: Nov/1930 / Gênero musical: Samba / Coleções: Robespierre Martins Teixeira, Nirez, José Ramos Tinhorão, Humberto Franceschi


Tom: A7+
 
     A7+      Bm7          Dbm7   Bm7
Agora vou mudar minha conduta
        A7+            Bbº           Bm7  Gb7
Eu vou pra luta, pois eu quero me aprumar
   Bm7      Gb7           Bm7
Vou tratar você com força bruta 
  E         E7+    A7+                  
Pra poder me reabilitar 
                    
          E5+           A7+
Pois esta vida não está sopa
      Bm7           Dbm7  Bm7       A7+ Bbº     Bm7
Eu pergunto com que roupa/ Com que roupa . . .eu vou ?
     E                    Em      A7
Pro samba que você me convidou
         D7+ Ebº      A7+                       Gb7
Com que roupa . . .eu vou / Com que roupa que eu vou
  Bm7            E        A7+     E
Pro samba que você me convidou
                    
      A7+        Bm7          Dbm7    Bm7
Seu português, agora, deu o fora
            A7+     Bbº         Bm7  Gb7
Já foi-se embora e levou seu capital
  Bm7         Gb7           Bm7
Esqueceu quem tanto amou outrora
  E7        E5+          A7+
Foi no Adamastor pra Portugal
  E5+                 A7+
Pra se casar com a cachopa  
     
   A7+          Bm7       Dbm7  Bm7           A7+
Eu hoje estou pulando como sapo / Pra ver se escapo
     Bbº         Bm7 Gb7 Bm7          Gb7           Bm7
Desta praga de urubú    /  Já estou coberto de farrapos
 E7         E5+      A7+
Eu vou acabar ficando nú

        E5+           A7+
Meu paletó virou estopa
      Bm7               Dbm7    Bm7            
Eu nem sei mais com que roupa / Com que roupa  que eu vou ...  


Fontes: A Canção no Tempo - Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello - Vol. 1 - Editora 34; Discografia Brasileira - IMS.