Mostrando postagens com marcador juca chaves. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador juca chaves. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2008

Juca Chaves


O cantor, compositor e humorista Juca Chaves (Jurandir Czaczkes Chaves) nasceu no Rio de Janeiro em 22/10/1938. Começou a aprender violão aos sete anos e sempre gostou de escrever poesias. Estudou, em São Paulo, no Colégio Mackenzie, onde costumava organizar festas de que participava cantando composições suas. Nessa época, passava férias na praia e, do contato com o mar e os pescadores, surgiu sua inspiração para canções e poesias praieiras.


Estudou com Guerra-Peixe (noções de harmonia, contraponto e fuga), Alceu Maynard Araújo (curso de folclore), Osvaldo Lacerda (teoria) e Nair Medeiros (piano). Foi aluno também do maestro Eleazar de Carvalho, com quem fundou o movimento da Juventude Musical Brasileira.

Aos 16 anos, teve sua composição Nas águas de Saquarema interpretada por Leny Eversong, na Rádio Nacional, de São Paulo, onde Guerra-Peixe era regente da orquestra. Com um grupo de rapazes do Largo São Francisco, de São Paulo, fundou, nessa época, o Grupo de Seresteiros de São Paulo e, entre 16 e 19 anos, produziu diversos poemas. Com Lemos Brito e Ricardo Amaral, foi um dos fundadores em 1955 da revista Rua Augusta Chic, em que escrevia crônicas e versos.

Em 1955, apresentou-se na TV Tupi, de São Paulo. Patrocinado por jovens da alta sociedade, fez seu primeiro recital, em 1957, no Teatro Leopoldo Fróis, contando com a participação de Ricardo Bandeira e sua companhia de mímica. Também no final da década de 1950, editou Pincel da sociedade, coletânea de poemas satíricos, esboçou um início de carreira jornalística, trabalhando como foca nos jornais dos Diários Associados e no diário Última Hora.

Apresentado por Araci de Almeida a Henrique Lobo, diretor da Rádio Bandeirantes, estreou na gravadora Chantecler em 1960, com o disco Nós, os gatos e Chapéu de palha com peninha preta. No ano seguinte registrou em discos compactos, da RGE, seus primeiros sucessos, a modinha Por quem sonha Ana Maria e as sátiras Nasal sensual (referência ao próprio nariz) e Presidente bossa nova (referência ao presidente Juscelino Kubitschek), que seria proibida pela censura, assim como também sua música de 1962 O Brasil já vai à guerra (comentando a compra de um porta-aviões pelo Brasil).

Ainda em 1962, destacou-se com Caixinha.., obrigado, Seguirei teus dúbios passos e Contrabando de café, e, em 1963, gravou Dona Maria Teresa. Nesse mesmo ano foi para a Europa, passando por Portugal, onde realizou apresentações, e depois fixou-se em Roma, Itália; aí tocou órgão em uma igreja, passando depois a tocar piano em cabaré e a se apresentar na televisão.

Compôs, em 1967, Lé com lé, cré com crê, e marcou sua volta ao Brasil, em 1969, com a estréia do show Circo Sdruws, apresentado por todo o país. A seguir teve um programa na TV Record, de São Paulo: Juca, Caviar e Mulher.

Apresentou-se, em 1974, no espetáculo Vá tomar caju, que, tendo sido levado inicialmente na boate Sucata, no Rio de Janeiro, percorreu depois várias cidades do país. Em 1975 lançou Rimas sádicas, música proibida pela censura pelo uso da palavra “tesão”.

Nos anos seguintes, compôs Paixão segundo o nosso amor, Viver de humor, morrer de amor, É vero, ti amo e Sentir-se jovem. No início da década de 1990, criou a gravadora independente Sdruws Records.

Em 1994 lançou novas sátiras musicais e inaugurou, em São Paulo, o Jucabaré — Theatro Inteligente. Dois anos depois, no Teatro Municipal de São Paulo, apresentou o espetáculo Juca Chaves — O menestrel do Brasil, acompanhado pelo Coral Paulistano e pela Camerata Atheneum.

Juca Chaves, o Menestrel do Brasil

A Sátira é a caricatura dos erros de uma sociedade na qual Juca, há mais de três décadas é o seu artista maior. Com sua voz diferente, mas afinidade única, cantava aos dezoito anos, os defeitos do País, debochando, em trovas e canções ousadas demais para a época, políticos, povo e seus costumes. Assim como Gregório de Matos O boca do inferno - Este Cirano moderno, de nariz agressivo, que do violão fez sua espada, pagou e paga um alto pedágio para sua voz, segundo o imortal Jorge Amado, "a mais livre do Brasil". As portas das rádios e TVs se lhe fecharam, os jornais por medo silenciaram e em setembro de 62, com três anos de carreira, o menestrel, assim por todos chamado, exila-se em Lisboa, recebendo de um Jornal de oposição, a República, a alcunha de O Trovador Maldito.

Durante um espetáculo no Teatro Tivoli, para delírio de uma plateia de intelectuais, jovens e estudantes, muitos vindos especialmente de Coimbra só para ouvi-lo, uma piada sua ao Presidente da República, irritou as autoridades portuguesas, em especial o temível PIDE (Polícia Internacional de Defesa de Estado), órgão de repressão do Governo Salazarista, que também não concordou com sua arte liberal. Um novo exílio, desta vez para a Itália onde, por 5 anos virou personagem e fez sua fama.

De retorno à Pátria, em plena ditadura, enfrenta a censura, a imprensa e o temor dos poderosos. Independente, com filosofia própria e sem pertencer a grupos políticos ou, participar de manifestações ideológicas, um modismo dos anos 70, transporta suas músicas aos teatros. Inaugura então seu Circo SDRUWS, atuando sempre sozinho, como um mito isolado da MPB.

Satiriza a Nova República, seus novos hábitos e a velha corrupção. Desafia o poder da comunicação e ironiza a mídia, sendo naturalmente boicotado por algumas revistas, jornais e emissoras de TV e Rádio, que impõem-lhe a Lei do Silêncio. Por outro lado, cativa ainda mais seu público fiel, em programas alternativos. Propõe no Senado o Disco Numerado em defesa do autor, não recebe apoio das autoridades, tampouco da classe e é definitivamente vetado pelas gravadoras e FMs. Cria seu selo independente, a SDRUWS RECORDS - "A VEZ DO DONO" e não "A VOZ DO DONO" - ironizando o cachorrinho da RCA, "Além de burro, ele é surdo", disse Juca - o que lhe custou novo processo.

Em 1994 lança novas sátiras musicais e inaugura seu próprio Theatro Inteligente, o Jucabaré, em São Paulo, onde se apresentou por um ano e fechou as portas para se apresentar nos teatros em todo o país, para segundo ele, "Atender a inúmeros pedidos de credores". Seu lar fica em Itapoã, Bahia. "Lá não faço nada, faço curso para ministro..."

Trinta e nove anos de carreira ou "prostituição artística", como afirma Jurandyr Chaves, o satírico Juca e romântico Juquinha é, inegavelmente, o mais completo e querido one man show. Nisto leva a vantagem de ser man mesmo, ironiza. Compositor, poeta, sonetista das rimas ricas - segundo o Príncipe dos Poetas, Guilherme de Almeida - músico de formação erudita por sua vasta obra (mais de quatrocentas músicas, entre sátiras políticas e sociais e modinhas).

É um mito à parte da cultura brasileira. Recebeu da imprensa portuguesa o título de "O Menestrel da Liberdade" e da brasileira, "O Menestrel do Brasil", na luta contra os patrulhamentos políticos e sociais. Segundo para Zélia Gattai: "É um anarquista". "Graças a Deus", conclui Juca.

Eis aí nosso Juquinha, o Grande Menestrel. Maldito para uns, irreverente para outros, mas para ele mesmo, um Vendedor de Sonhos. O sonho da liberdade, exclusividade daqueles que são e pensam livremente.

Músicas do Juca neste blog

A cúmplice
A situação
Ah! Se o seu fusca votasse
Amor non sense
Aquarela de sonhos
Assim é o Rio
Atraso ou solução
Auto-retrato
Brasil já vai a guerra
Caixinha obrigado
Cantiga para Iara dormir e sonhar
Dona Maria Tereza
Jeová, Jeová
Legalidade
Melô da merda
Menina
Nasal sensual
Pena preta de urubu
Pequena marcha para um grande amor
Políticos de cordel
Por quem sonha Ana Maria
Presidente Bossa Nova
Sou sim e daí
Take Me Back To Piauí


Fontes: Enciclopédia da Música Brasileira - Art Editora / PubliFolha; http://www.dec.ufcg.edu.br/biografias/.

quinta-feira, 24 de janeiro de 2008

Menina


Menina (modinha, 1960) - Juca Chaves - Intérprete: Juca Chaves

LP Juca Chaves - As Duas Faces de Juca Chaves / Título da música: Menina / Juca Chaves (Compositor) / Juca Chaves (Intérprete) / Gravadora: RGE / Nº Álbum: XRLP 5073 / Ano: 1960 / Lado B / Faixa 1 / Gênero musical: Modinha.



Menina, ouça o que eu digo
O meu castigo
Tive-o só por te adorar

Menina, ouça, eu te imploro
O que hoje eu choro
São preces do coração
Que só pecou por soluçar

Por ti, menina
Que eu amo tanto
Por quem meu pranto
De tombar, quase secou

Quisera, ouvir-te um dia, flor
Dizer-me: "eu te amo, amor
Como jamais, nunca se amou".

Mas que tristeza!
Tua beleza
Não deste a mim
E eu inda não sei por que tal razão

Agora eu vivo amargurado
Sem ter teu vulto ao lado
Desde jovem coração
Já caducando de paixão

Por ti, menina
Que bom seria
Se eu fosse um dia
Contemplado por um beijo teu

Assim a minha lira
Que por ti não mais suspira
Não teria o fim que teve
Pois morreu...

Pequena marcha para um grande amor


Pequena Marcha Para Um Grande Amor (marcha-rancho, 1962) - Juca Chaves - Intérprete: Juca Chaves

Compacto Duplo (vinil, 7", 33 ⅓ RPM) Juca Chaves ‎– O Sr. Juca Chaves / Título da música: Pequena Marcha Para Um Grande Amor / Juca Chaves (Compositor) / Juca Chaves (Intérprete) / Gravadora: Odeon / Nº Álbum: 7-BD-1075 / Ano: 1963 / Lado A / Faixa 1 / Gênero musical: Marcha-Rancho.



A lua vai dormir encabulada
na passarela da madrugada
meus olhos vão sonhar sob a janela
dos olhos dela, dos olhos dela.

Meu amor, de amor se esconde
se esconde aonde por teu não vê
e o teu não vê não vê porque,
meu amor não é segredo,
morre de medo do segredo que é você.

A lua vai dormir encabulada
na passarela da madrugada
meus olhos vão sonhar sob a janela
dos olhos dela, dos olhos dela.

segunda-feira, 21 de janeiro de 2008

Take Me Back To Piauí


Take Me Back To Piauí (canção, sátira, 1970) - Juca Chaves - Intérprete: Juca Chaves

Compacto Simples Juca Chaves (Vinil, 7", 33 ⅓) / Título da música: Take Me Back To Piauí / Gravadora: RGE / Nº Álbum: CS-70.433 / Ano: 1970 / Lado A / Gênero musical: Canção / Sátira.



Hey hey, dee dee, take me back to Piauí,
hey hey, dee dee, take me back to Piauí

Adeus Paris tropical, adeus Brigitte Bardot
o champanhe me fez mal, caviar já me enjoou
Simonal que estava certo, na razão do patropi,
eu também que sou esperto vou viver no Piauí!

hey hey, dee dee, take me back to Piauí,
hey hey, dee dee, take me back to Piauí

Na minha terra tem Chacrinha que é louco com ninguém
tem Juca, tem Teixeirinha, tem dona Hebe também
tem maçã, laranja e figo
banana quem não comeu,
manga não, manga é um perigo
quem provou quase morreu!

hey hey, dee dee, take me back to Piauí,
hey hey, dee dee, take me back to Piauí

Mudo meu ponto de vista, mudando de profissão,
pois a moda agora é artista
ser júri em televisão
tomar banho só de cuia
comer jaca todo mês,
aleluia, aleluia vou morrer na BR-3!

Sou sim e daí


Sou Sim e Daí (canção, 1972) - Juca Chaves - Intérprete: Juca Chaves

LP Juca Chaves Ao Vivo / Título da música: Sou Sim e Daí / Juca Chaves (Compositor) / Juca Chaves (Intérprete) / Gravadora: Philips / Nº Álbum: 6349 030 / Ano: 1972 / Gênero musical: Canção / Sátira.



Eu sou baixinho, feio e narigudo
dizem que eu sirvo só pra dar recado
mas na verdade eu sirvo para tudo
até chifrudo eu sou se ser casado!
eu tenho chifre mas não tenho queixa,
se bem que a testa fique bem maior
até que é bom quando a mulher ns deixa,
a gente sempre arruma outra melhor.

Essa é a vida que eu sempre quis,
eu sou cornudo mais eu sou feliz,
essa é a vida que eu sempre quis,
eu sou cornudo mas eu sou feliz,

"Pode rir mas mulher quando quer trair trai mesmo,
vocês podem trancar ela dentro do armario
que ela te trai com o cabide!"

"Sábio ditado aquele de pernambuco que diz:
Água de morro abaixo, fogo de morro acima
e mulher quado quer dar ninguem segura!"

Mas infeliz é aquele que acredita
que nunca foi traído por mulher
seja ela, seja ela bonita,
mulher nos trai quando ela bem quiser
mas quem é macho e nunca foi enganado
não trocará de esposa ou de patroa
e com uma só terá sempre passado,
acreditando que ela ainda é boa.

Essa é a vida que eu sempre quis,
eu sou cornudo mais eu sou feliz,
essa é a vida que eu sempre quis,
eu sou cornudo mas eu sou feliz,

Infelizmente existem as amélias
que sendo sérias pela vida a fora
ficam com a gente até ficarem velhas,
quando já é tarde pra mandar-se embora
porém não tarda o dia da verdade,
que escapará de um grito em nossa boca
a frase amarga dessa realidade:
tira os teus seios do prato de sopa.

Essa é a vida que eu sempre quis,
eu sou cornudo mais eu sou feliz!

Presidente Bossa Nova


Presidente Bossa Nova (samba bossa, 1960) - Juca Chaves

LP As Duas Faces de Juca Chaves / Título da música: Presidente Bossa Nova / Chaves, Juca (Compositor) / Chaves, Juca (Intérprete) / Imprenta [S.l] RGE, 1960 / Álbum XRLP 5073 / Lado A / Faixa 1 / Gênero musical: Samba.



Bossa nova mesmo é ser presidente
Desta terra descoberta por Cabral
Para tanto basta ser tão simplesmente
Simpático, risonho, original.

Depois desfrutar da maravilha
De ser o presidente do Brasil,
Voar da Velhacap pra Brasília,
Ver a alvorada e voar de volta ao Rio.

Voar, voar, voar, voar,
Voar, voar pra bem distante, a
Té Versalhes onde duas mineirinhas valsinhas
Dançam como debutante, interessante!

Mandar parente a jato pro dentista,
Almoçar com tenista campeão,
Também poder ser um bom artista exclusivista
Tomando com Dilermando umas aulinhas de violão.

Isto é viver como se aprova,
É ser um presidente bossa nova.
Bossa nova, muito nova,
Nova mesmo, ultra nova!

Políticos de cordel

Políticos de Cordel (baião, 1975) - Juca Chaves - Intérprete: Juca Chaves



"Políticos de cordel, qualquer semelhança com políticos
vivos ou mortos é mera coincidência premeditada"

Esse brasil é um puteiro a quiaína dá de novo,
pois a puta é o próprio povo,
o freguês ou é banqueiro,
comerciante ou ladrão.

Político é o cafetão, a polícia cafetina,
a imprensa a cocaína que vicia o cidadão.
Um médico é o charlatão, charlatão é o doutor,
o estudante é um professor,o professor um vilão
e o artista um marginal.

Ontem, hoje tudo igual e amanhã será o que,
se a justiça é um crupiê? Vence a banca é natural!

Afinal quem é que fez essa grande confusão?
Foi um herói português que expulsando outro francês
afundou essa nação.
Pois agora a solução é embrulha-la num jornal,
devolve-la à Portugal e depois pedir perdão.

Presidente é quem preside,
governador, quem governa.
Como aqui é uma baderna,
um cantador do nordeste disse uma frase batuta:

"Se bicudo vem de bica e se grota vem de gruta,
conforme a palavra indica, deputado vem de puta"!
Deus ajude que não morra o jeitinho brasileiro.
Somos putas então, porra, que viva o nosso putero!

Pena preta de urubu


Pena Preta de Urubu (canção, 1961) - Juca Chaves - Interpretação: Juca Chaves

LP As Músicas Proibidas de Juca Chaves / Título da música: Pena Preta de Urubu / Juca Chaves (Compositor) / Juca Chaves (Intérprete) / Gravadora: Odeon / Nº Álbum: MOFB 3307 / Ano: 1962 / Lado A / Faixa 3 / Gênero musical: Sátira / Canção.



Ah! Coitada dela
mente, mente pra chuchu
diz a toda gente que é donzela,
que tem um palacete em Pacaembú
isto, é presunção só dela
tentar com classe o golpe do baú,
ninguem pode ser pavão de cauda bela,
verde amarela,
se nasceu com a pena preta do urubu

É muito normal que uma menina,
queira acontecer na sociedade,
a própria vida nos ensina
que a pobreza é triste de verdade
mas a sociedade compromete,
aquilo que se chama de moral
pois quem não nasce pra manchete,
tem que ser notinha social.

Aí! coitada dela! mente, mente pra chuchu
diz a toda gente que é donzela
que tem um palacete em pacaembú
isso, é presunção só dela
tentar com classe o golpe do baú,
ninguem pode ser pavão de cauda bela,
verde amarela,
se nasceu com a pena preta do urubu.

Nasal sensual


Nasal Sensual (sátira, 1960) - Juca Chaves - Intérprete: Juca Chaves

LP Juca Chaves - AS Duas Faces De Juca Chaves / Título da música: Nasal Sensual / Juca Chaves (Compositor) / Juca Chaves (Intérprete) / Gravadora: RGE / Nº Álbum: XRLP 5073 / Ano: 1960 / Lado A/ Faixa 2 / Gênero musical: Sátira / Canção.



Nariz, ai, meu nariz,
Como falam mal deste nasal
que é tão normal,
Ouço diariamente muita gente infeliz,
Dizer que ele é maior
do que a miséria do país,
E que ele é maior ainda que o Pelé,
Dizem até que é maior que o busto da Lolô,
Maior ainda que o sorriso do Nonô.

Nariz, ai, meu nariz,
Vende-se este apêndice
ou então se dá de graça,
Pedùnculo antiestético, grosseira massa,
Que nada tem de belo ou de poético,
E é uma desgraça o dito cujo narigão,
Ao qual só há uma solução, que é drástica,
Preciso urgentemente de uma plástica.

Perdão, Senhor, perdão,
Perdão pra tal narigão que é a sensação mais atual,
Porque se ele caísse um dia ao chão, que dramalhão,
Causaria a hecatombe universal.

Nariz, ai, meu nariz,
Ria o mundo imundo, não faz mal, eu sou feliz,
Não sabem o porquê desta felicidade,
A minha personalidade está neste nariz,
Que além de lindo, é um romântico sensual,
Pois toda vez que beija a namorada, idolatrada,
Quem chega na vanguarda é o meu nasal,
E ponto final.

Melô da merda

Melô da Merda (Cagar é Bom) (bossa-nova) - Juca Chaves - Intérprete: Juca Chaves



Cagar é bom quando a gente está em paz
Ouvindo o nado ao som que a merda caindo faz
Caga molinho, caga durinho, caga soltinho
De qualquer jeito de qualquer maneira
Até quando é caganera

Cagar é bom é muito bom
Cagar é bom demais
Dim, dim, dim, dim,
dim, dim,dim, dim, dim,
dim, dim, dim, dim,dim.

Tblof, Tblof, tblof,
tblof-bum, tblof-bum

(Pssssss oia o gas oia o gás
oia o gas vai gas? Olha o gás!)

Legalidade


Legalidade (canção, 1961) - Juca Chaves - Interpretação: Juca Chaves

LP As Músicas Proibidas de Juca Chaves / Título da música: Legalidade / Juca Chaves (Compositor) / Juca Chaves (Intérprete) / Gravadora: Odeon / Nº Álbum: MOFB 3307 / Ano: 1962 / Lado B / Faixa 4.



Constituição, Constituição
acabou-se que tormento
já temos o parlamento falta o rei que papelão.

Que papelão, que papelão
o canhão foi superado, pois Brizola,
com machado foi fazer revolução.

Revolução, revolução
foi as armas, o gaúcho
o Lacerda deu o repuxo e o Dennis ficou na mão.

Ficou na mão, ficou na mão
pois prendia todo mundo
o regime foi pro fundo,
marechal foi pra prisão.

Foi pra prisão, foi pra prisão
e o Brizola nem deu bola,
o Jango botou cartola
e acabou a revolução.

Jeová, Jeová


Jeová, Jeová (canção, 1972) - Juca Chaves - Intérprete: Juca Chaves

LP Juca Chaves - Muito Vivo - A Sátira De Juca Chaves / Título da música: Jeová, Jeová / Juca Chaves (Compositor) / Juca Chaves (Intérprete) / Gravadora: Premier/RGE / Nº Álbum: 307.3160 / Ano: 1972 / Lado A / Faixa 2.



Jeová, Jeová
Olhe também prá mim que estou mais pra lá do que prá cá.

Olhe pra mim menina de bikini em Cabo Frio,
Olhe pro cão vira-lata que agora se mata no Estado do Rio,
Ajude Waldick Soriano ser Sinatra nacional,
Abençoe a Maristela que pecou o Imperial.

Jeová, Jeová
Olhe também prá mim que estou mais prá lá do que pra cá.

Ajude a arrumar marido, prá linda Florinda Bulcão
Ajude esse cantor traído, receber cachê da televisão,
Ajude o senhor o strick, nosso grito perdoar,
E o pão nosso de cada dia dar lugar pro caviar.

Dona Maria Tereza


Dona Maria Tereza (canção, 1961) - Juca Chaves - Interpretação: Juca Chaves

LP As Músicas Proibidas de Juca Chaves / Título da música: Dona Maria Tereza / Juca Chaves (Compositor) / Juca Chaves (Intérprete) / Gravadora: Odeon / Nº Álbum: MOFB 3307 / Ano: 1962 / Lado A / Faixa 1.



Dona Maria Tereza,
diga a seu Jango Goulart,
que a vida está uma tristeza,
que a fome está de amargar,

E o povo necessitado,
precisa um salário novo,
mais baixo pro deputado,
mais alto pro nosso povo.

Dona Maria Tereza,
assim o Brasil vai pra trás,
quem deve falar, fala pouco,
Lacerda já fala demais.
Enquanto feijão dá sumiço,
e o dólar se perde de vista,
o Globo diz que tudo isso,
é culpa de comunista.

Dona Maria Tereza,
diga a seu Jango porque,
o povo vê quase tudo,
só o parlamento não vê,

Dona Maria Tereza,
diga a seu Jango Goulart,
lugar de feijão é na mesa,
Lacerda é noutro lugar háháhá!

Cantiga para Iara dormir e sonhar


Cantiga Para Iara Dormir e Sonhar (cantiga, 1977) - Juca Chaves - Intérprete: Juca Chaves

LP Juca Chaves - Juca Bom De Câmera / Título da música: Cantiga Para Iara Dormir e Sonhar / Juca Chaves (Compositor) / Juca Chaves (Intérprete) / Gravadora: Som Livre / Nº Álbum: 410.6012 / Ano: 1977 / Lado A / Faixa 3.

Dorme Iara, sonha Iara
fecha os olhos, sonha em paz
dorme e sonha sobre a fronha
de algodão lilás.

Nosso leito já desfeito
já sem jeito de assistir
meu abraço, meu cansaço
nosso amor dormir.

Dorme Iara, sonha Iara
fecha os olhos, sonha em paz
dorme e sonha sobre a fronha
de algodão lilás.

Nosso leito já desfeito
já sem jeito de assistir
meu abraço, meu cansaço
nosso amor dormir.

Caixinha obrigado

Juca - 1960
Caixinha obrigado (samba, 1960) - Juca Chaves

Disco 78 rpm / Título da música: Caixinha obrigado / Chaves, Juca (Compositor) / Chaves, Juca (Intérprete) / Imprenta [S.l.]: RGE, 1960 / Nº Álbum 10261 / Gênero musical: Bossa nova.



A mediocridade é um fato consumado
na sociedade onde o ar é depravado
marido rico, burguesão despreocupado
que foi casado com mulher burra mas bela
o filho dela é político ou tarado
Caixinha, obrigado!

A situação do brasil vai muito mal;
Qualquer ladrão é patente nacional;
Um policial, quase sempre, é uma ilusão
E a condução é artigo racionado.
Porém, ladrão... isso tem pra todo o lado!
Caixinha, obrigado!

O rock'n'roll, nesta terra é uma doença,
e o futebol, é o ganha pão da imprensa
vença ou não vença, o Brasil é o maioral
e até da bola, nós já temos general
que hoje é nome de estádio municipal
Caixinha, nacional!

A medicina está desacreditada
penicilina, já é coisa superada
tem curandeiro nesta terra pra chuchu
Rio de Janeiro tá pior que Tambaú
e de outro lado, onde está o delegado
Caixinha, obrigado!

Dramalhão, reunião de deputado
é palavrão que só sai pra todo lado
Se um deputado abre a boca, é um
atentado
E a mãe de alguém é quem sofre toda vez
No fim do mês... cento e vinte de ordenado.
Caixinha, obrigado!

Brasil já vai à guerra


Brasil Já Vai à Guerra (canção, 1961) - Juca Chaves - Interpretação: Juca Chaves

LP As Músicas Proibidas de Juca Chaves / Título da música: Brasil Já Vai à Guerra / Juca Chaves (Compositor) / Juca Chaves (Intérprete) / Gravadora: Odeon / Nº Álbum: MOFB 3307 / Ano: 1962 / Lado A / Faixa 2.



Brasil já vai à guerra, comprou um porta-aviões
Um viva pra Inglaterra de oitenta e dois bilhões
Ahhh! Mas que ladrões!

Comenta o zé povinho
Governo varonil
Coitado coitadinho
Do Banco do Brasil
Há há, quase faliu

Enquanto uns idiotas
Aplaudem a medida
E o povo sem comida
Escuta as tais lorotas
Dos patriotas

A classe proletária
Na certa comeria
Com a verba gasta diaria
Em tal quinquilharia
Sem serventia

Porém há uma peninha
De quem é o porta avião
É meu diz a marinha
É meu diz a aviação
Ahhhh! Revolução!

Brasil, terra adorada
Comprou um porta aviões
Oitenta e dois bilhões
Brasil, oh pátria amada
Que palhaçada

Auto-retrato


Auto-retrato (canção, 1960) - Juca Chaves - Intérprete: Juca Chaves

LP Juca Chaves - A Personalidade / Título da música: Auto-retrato / Juca Chaves (Compositor0 / Juca Chaves (Intérprete) / Gravadora: RGE / Nº Álbum: XRLP 5091 / Ano: 1960 / Lado B / Faixa 4.

Simpático, romântico, solteiro,
autodidata, poeta, socialista,
da classe 38 reservista
de outubro 22 Rio de Janeiro.

Com a bossa de qualquer bom brasileiro,
possuo um sangue quente de um artista,
sou milionário,
incenso de humorista,
mas juro que estou duro e sem dinheiro.

Aqui julgo um poeta e referente,
mentira é reaçao da burguesia que não vive
e vegeta falsamente,
dando de doente, hipocrisia,
mas o meu mundo é belo e diferente,
vivo do amor ou vivo de poesia
e assim eu viverei eternamente
senão morrer por outra Ana maria.

Atraso ou solução

Atraso ou Solução (canção) - Juca Chaves - Interpretação: Juca Chaves

Já meia hora atrasada
o que em ti é natural.
Até pareces, querida,
com os nossos trens da central
isto ainda acaba mal.

Não brinques assim comigo,
com este teu vem ou não vem,
não faças de estação meu coração,
nem faças o teu de trem, tá bem?

Ai, ai, amor, ai que dor
eu sinto o ar esperar
até a chuva já veio,
mas não vens, ai, por que?

Quem me dera, minha amada
se tu fostes viatura
cá da nossa prefeitura
pois te dava uma pedrada
muito bem dada.

Assim é o Rio


Assim é o Rio (1984) - Juca Chaves - Interpretação: Juca Chaves

LP Juca Chaves - O Menestrel Do Brasil - Enfim (Quase Livre) / Título da música: Assim é o Rio / Juca Chaves (Compositor) / Juca Chaves (Intérprete) / Gravadora: Arca Som / Nº Álbum 803.1004 / Ano: 1985 / Lado B / Faixa 2.



Tem muita gente roubando
muita gente enriquecendo
de modo vil, a policia vai e prende
e a justiça vem e solta
isto é o Brasil.

Os de cima tão com sede
e os de baixo tão com fome
onde se viu?
A marmita pelo meio
e o maracanã bem cheio
assim é o Rio.

Mesmo assim o pobre vai levando
vai levando, ao Deus ajuda
nada muda, nem tanta promessa
que depressa chega ao fim
como a coroa, como adelfim.

Não é fácil de aguentar
nem difícil de esquece-la
viva inflação!
Como o saco do Bernard
e a jornada nas estrelas,
não cai mais não.

São piadas ou fracassos
nossas dívidas externas?
Ninguém ri, ninguém ri
o ministro abriu seus braços
e o país abriu suas pernas
ao FMI.

Tem muita gente roubando
muita gente enriquecendo
de modo vil, a policia vai e prende
e a justiça vem e solta
Assim é o Rio, Assim é o Rio
Assim é o Rio, Assim é o Rio.

Se bicha fosse uma bala
e maconheiro um fuzil,
na guerra o Rio de Janeiro
defenderia o Brasil.

Aquarela de sonhos


Aquarela de Sonhos (modinha, 1960) - Juca Chaves - Intérprete: Juca Chaves

LP Juca Chaves - As Duas Faces de Juca Chaves / Título da música: Aquarela de Sonhos / Juca Chaves (Compositor) / Juca Chaves (Intérprete) / Gravadora: RGE / Nº Álbum: XRLP 5073 / Ano: 1960 / Lado B / Faixa 2 / Gênero musical: Modinha.



É noite, inda brilha a lua
Na rua do amor
O cenário é uma aquarela
Pintada a sonho
Tristonho de dor

E eu vejo surgir na esquina
A menina
Que vive em mim
Tão linda e divina, ao vê-la
Uma estrela
Desmaia enfim...

Tu, criança formosa
Ó rosa da perfeição!
És o meu desejo
O beijo da inspiração
Não há o que a consagre
Mas as lágrimas
Que eu já verti
São sonhos desfeitos
Dos amores feitos
Com orgulho para ti
Só para ti!

Meiga criatura
Imagem pura
Que a estética imagina
Tens, ó flor da natureza
As formas e a beleza
De uma estátua de menina!

É noite inda brilha a lua
Na rua do amor
O cenário é uma aquarela
Pintada a sonho
Tristonho de dor...