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domingo, 26 de setembro de 2010

Sussuarana

Hekel Tavares
Hekel Tavares (1896/1969) nasceu num berço musical: além da mãe pianista e pai flautista, cresceu em Alagoas ouvindo repentes, reisados, maracatus e congadas, e isto marcou sua vida para sempre. Quando veio para o Rio de Janeiro, em 1921, já tocava piano, harmônica e cavaquinho.

Estudou harmonia e composição com os maestros Francisco Braga e J. Otaviano, entre outros. Da mesma geração que Heitor Villa-Lobos e Francisco Mignone, Hekel aliou a sólida formação musical ao amor pela profusão de ritmos e formas que a música popular lhe oferecia.

E foi no teatro de revista que começou a compor de forma profissional. Durante a década de 20 compôs várias canções, com diversos letristas. Um dos mais constantes, o bamba Luiz Peixoto, o levou ao sucesso radiofônico com Sussuarana, pela voz de Gastão Formenti.

Sussuarana (toada, 1928) - Hekel Tavares e Luiz Peixoto - Intérprete: Gastão Formenti

Disco 78 rpm / Título da música: Sussuarana / Hekel Tavares, 1896-1969 (Compositor) / Luiz Peixoto (Compositor) / Gastão Formenti (Intérprete) / Rogério Guimarães [Violão] (Acomp.) / Gravadora: Odeon, 1928 / Nº do Álbum: 10171-a / Nº da Matriz: 1513-I / Lançamento: Maio/1928 / Gênero musical: Canção / Coleções: IMS, Nirez


Faz três sumana / Que na festa de Sant'Ana
O Zezé Sussuarana / Me chamou pra conversar
Dessa bocada / Nóis saímo pela estrada
Ninguém não dizia nada / Fomo andando devagar

A noite veio / O caminho estava em meio
Eu tive aquele arreceio / Que alguém nos pudesse ver
Eu quis dizer / Sussuarana, vamo imbora
Mas Virgem Nossa Senhora / Cadê boca pra dizer

Mais adiante / Do mundo, já bem distante
Nóis paremo um instante / Predemo a suspiração
Envergonhado / Ele partiu para o meu lado
Ó Virgem dos meus pecados / Me dê a absorvição

Foi coisa feita / Foi mandinga, foi maleita
Que nunca mais indireita / Que nos botaram, é capaz
Sussuarana / Meu coração não me engana
Vai fazer cinco sumana / Tu não volta nunca mais


Fonte: A Canção no Tempo - Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello - Vol. 1 - Editora 34

quinta-feira, 20 de março de 2008

Brasil moreno


Brasil moreno (samba, 1941) - Ary Barroso e Luiz Peixoto - Intérprete: Cândido Botelho

Disco 78 rpm / Título da música: Brasil moreno (Primeira Parte) / Ary Barroso (Compositor) / Luiz Peixoto (Compositor) / Cândido Botelho (Intérprete) / Fon-Fon, 1908-1951 (Acomp.) / Orquestra (Acomp.) / Gravadora: Odeon / Gravação: 06/08/1941 / Lançamento: 09/1941 / Nº do Álbum: 12040 / Nº da Matriz: 6733 / Gênero: Samba // Coleções de origem: IMS, Nirez


Samba o o... samba o o...
Samba meu Brasil moreno
Ouve
Quanta harmonia
Vai no batuque no sereno
Meu Deus
Samba o o... samba o o...
Bate o teu pandeiro
Nesta canção toda de sol e luar
Brasil, grande como o céu e o mar!

Vai, vai ouvir o teu sertão
Pontear o violão
Vai ver
Como te bate o coração
Vai ver
O coqueiral todo a gingar
Vai ouvir teus pássaros cantar
À luz das madrugadas!
Oooh! Brasil, quebrando nas quebradas
Teu samba todo o mundo há de escutar!



Fontes: Discografia Brasileira - IMS; Instituto Moreira Salles.

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2008

Canção dos infelizes

Zaíra Cavalcanti

Canção dos infelizes - (canção, 1930) - Donga, Luiz Peixoto e Marques Porto - Interpretação: Zaíra Cavalcanti

Disco 78 rpm / Título: Canção dos infelizes / Donga, 1890-1974 (Compositor) / Luiz Peixoto (Compositor) / Marques Porto (Compositor) / Zaíra Cavalcanti (Intérprete) / Orquestra Pan American (Acomp.) / Simon Bountman (Acomp.) / Gravadora: Odeon / Nº do Álbum: 10611 / Nº da Matriz: 3547-1 / Lançamento: Junho/1930 / Gênero musical: Canção / Coleções: IMS, Nirez



São as mulheres raízes
Com frontes muito elevadas
Umas são sempre felizes
Outras as mais desgraçadas

Há as que amam na vida
E as que só vivem amadas
Sofrem as mais esquecidas
Gozam as sempre lembradas

Eu que quis alguém que não me quis bem
Agora também não quero a ninguém
Dei meu amor, deixaram perder
Eu morro de dor, mas hei de esquecer

No coração das mulheres
Quando um amor se agasalha
Ou dá milhões de prazeres
Ou corta mais que navalha

Uma infeliz quando ama
Não há amor igual ao dela
Anda mais baixa que a lama
Ou sobe mais que uma estrela

Eu quis alguém
Que não me quis bem
Agora também não quero ninguém
Se meu amor, deixaram perder
Eu morro de dor, mas hei de esquecer



Fonte: Discografia Brasileira - Instituto Moreira Salles.

terça-feira, 1 de janeiro de 2008

Os Garridos

Os Garridos - Dupla formada pelos atores de teatro de revista Alda Palm Garrido (São Paulo SP 1896 - Rio de Janeiro RJ 1970) e seu marido, Américo Garrido, fazendo duetos até 1920, em São Paulo.

Mudam-se para o Rio de Janeiro e organizam uma companhia para o Teatro América, estreando com Luar de Paquetá, de Freire Júnior, 1924, que permanece seis meses em cartaz com sucesso.

A dupla recebe convite para trabalhar com o empresário Pascoal Segreto, e na sua companhia atuam, entre outras, em Ilha dos amores, Quem paga é o Coronel, ambas de Freire Júnior, Francesinha do Bataclan, de Gastão Tojeiro, todas em 1926.

A temporada projeta Alda Garrido, que é contratada pelo empresário de teatro de revista Manoel Pinto, pai de Walter Pinto, para atuar na Companhia Nacional de Revistas, no Teatro Recreio.

O sucesso que a atriz obtém no gênero a faz manter desde então uma dupla atuação profissional - de um lado as comédias de costume que monta em sua própria companhia com produção do marido, de outro, os contratos com os empresários do teatro de revista.

Mas aos poucos os espetáculos de sua companhia acabam se rendendo ao sucesso do teatro musicado, como em Brasil pandeiro, 1941, com texto de seu autor favorito, Freire Júnior, em parceria com Luiz Peixoto, uma dupla das mais requisitadas no gênero revisteiro.

Em 1939, o empresário Walter Pinto faz com que, no espetáculo Tem marmelada, de Carlos Bittencourt e Cardoso de Meneses, Garrido e Araci Cortes dividam o palco pela primeira e última vez, no Teatro Recreio.

Entre as revistas de maior sucesso de sua carreira estão Maria Gasogênio - sátira à falta de gasolina nos anos da Segunda Guerra - e Da Favela ao Catete, de Freire Júnior e Joubert de Carvalho, 1935.

domingo, 20 de agosto de 2006

Disseram que voltei americanizada


Disseram Que Voltei Americanizada (samba, 1940) - Vicente Paiva e Luiz Peixoto - Intérprete: Carmen Miranda

Disco 78 rpm / Título da música: Disseram Que Voltei Americanizada / Luiz Peixoto (Compositor) / Vicente Paiva (Compositor) / Carmen Miranda (Intérprete) / Gravadora Odeon, 1940 / Número do Álbum: 11913 / Lado B / Gênero musical: Samba.



Disseram que voltei americanizada
Com o burro do dinheiro
Que estou muito rica
Que não suporto mais o breque de um pandeiro
E fico arrepiada ouvindo uma cuíca


E disseram que com as mãos estou preocupada
E corre por aí
Que eu sei
Certo zum-zum
Que já não tenho molho, ritmo, nem nada


E dos balangandãs
Já nem existe mais nenhum
Mas para cima de mim
Pra que tanto veneno?
Eu posso lá ficar americanizada?


Eu que nasci com o samba
E vivo no sereno
Tocando a noite inteira a velha batucada
Nas rodas de malandro, minhas preferidas
Digo mesmo ‘eu te amo’ e nunca ‘I love you’
Enquanto houver Brasil na hora da comida
Eu sou do camarão, ensopadinho com chuchu

quinta-feira, 17 de agosto de 2006

Vamos deixar de intimidade

Ary Barroso
Em 1929, retornando ao Rio de uma temporada em Santos e Poços de Caldas, Ary Barroso deixou suas músicas na casa editora Carlos Wehrs, de onde duas - Vamos deixar de intimidade e Vou à Penha - foram levadas por Olegário Mariano e Luiz Peixoto para serem incluídas na revista Laranja da China, que era apresentada no Teatro Recreio. Vamos deixar de intimidade acabou sendo gravada por seu amigo e colega de faculdade Mário Reis, transformando-se no primeiro sucesso de Ary.

Vamos deixar de intimidade (samba, 1929) - Ary Barroso

Disco 78 rpm / Título da música: Vamos deixar de intimidade / Ary Barroso (Compositor) / Mário Reis (Intérprete) / Orquestra Pan American (Acomp.) / Gravadora: Odeon / Nº do Álbum: 10414 / Nº da Matriz: 2605-I / Gênero musical: Samba / Coleções: IMS, Nirez


Mulher
Vamos deixar de intimidade
Entre nós mais nada existe
Nem o amor nem a saudade
Mulher
Vamos deixar de intimidade
Entre nós mais nada existe
Nem o amor nem a saudade

Tu juraste certo dia
Aos meus pés cinicamente
Que o amor não morreria
Ele foi, zombou da gente
Mas veio outro
Me puseste na rua
Eu também não me incomado
Minha vida continua

Mulher
Vamos deixar de intimidade
Entre nós mais nada existe
Nem o amor nem a saudade
Mulher
Vamos deixar de intimidade
Entre nós mais nada existe
Nem o amor nem a saudade

Um amor que a gente perde
É semente de outro amor
Se pra tudo tem remédio
Também tem remédio a dor
Mas o meu santo que me
guarda é muito forte
Se me livro dos teus olhos
Também me livra da morte



Fontes: Enciclopédia da Música Brasileira - Art Editora; A Canção no Tempo - Editora 34.

domingo, 13 de agosto de 2006

Casa de sopapo

Custódio Mesquita

Casa de sopapo (samba, 1944) - Custódio Mesquita e Luiz Peixoto - Intérprete: Nelson Gonçalves

Disco 78 rpm / Título da música: Casa de Sopapo / Mesquita, Custódio, 1910-1945 (Compositor) / Peixoto, Luiz (Compositor) / Gonçalves, Nelson, 1919-1998 (Intérprete) / Orquestra (Acompanhante) / Imprenta [S.l.]: RCA Victor, 1944 / Nº Álbum 800194 / Lado B / Gênero musical: Samba.


Tom: C

(intro) Dm7 G7 C6(9) Dm7 G7 C6(9) C7 
        Fmaj7 Fm6 Em7 D#dim7 Dm7 G7 Cmaj7

      Cmaj7  A7    Dm7
Desta vez eu não escapo
      Dm7    G7   C6
De contigo me ajuntá !
    Cmaj7/E  D#dim7   Dm7
Uma casa     de     sopapo
        G7             Cmaj7
Já arrumei pra nóis morá

   Em7     A7      Dm7
O ferreiro foi o sapo
    G7         Cmaj7
Pedreiro tamanduá
    Gm7     C7      F6
O sagui mandou os trapo
      Em7(b5)  A7   Dm6
Pra fazer nosso enxová,

   Fmaj7        Em7
O tatu os guardanapo,
     Am7            Cmaj7
As toalhas, o boi-tatá.
     Fmaj7    F#dim7  C/G     A7
Pica-pau, deu uns    fiapo de linha
D7      G7 C6
Pra alinhavá...

E pra não viver de esmola
Nós precisa trabalhá
De dia, pito e viola
De noite, papo pro ar.

Mas na casa de sopapo
Só tem dois que pode entrá:
A chuva, pra bate papo,
E o vento, pra assobiá...

sábado, 29 de julho de 2006

Quando eu penso na Bahia

Quando Eu Penso Na Bahia (samba, 1937) - Ary Barroso e Luiz Peixoto - Intérpretes: Carmen Miranda e Sílvio Caldas

Disco 78 rpm / Título da música: Quando eu penso na Bahia / Autoria: Barroso, Ary (Compositor) / Peixoto, Luiz (Compositor) / Carmen Miranda, 1909-1955 (Intérprete) / Sílvio Caldas (Intérprete) / Grupo da Odeon (Acompanhante) / Imprenta [S.l.]: Odeon, 1937 / Nº Álbum 11540 / Gênero musical: Samba.


Quando eu penso na Bahia
Nem sei que me dor que me dá
Ai me dá, me dá me da ioiô
Se eu pudesse qualquer dia
Eu ia de novo pra lá

Eu deixei lá na Bahia
Um amor tão bom, tão bom ioiô
Meu Deus que amor
Que desse amor só quem sabia
Era a Virgem Maria

Nasceu cresceu e lá ficou
Mas quem sabe se esse amor
Que ficou lá na Bahia, oi
Já se acabou
E se assim for
Eu sei de alguém
Que lhe quer muito bem
Sou eu
Eu quem?
O seu ioiô

Música cifrada de Caetano Veloso:
C69 C69/G Dm6 G13 C69 Am6
Dm6 G13 Gm6 C7-9 Fmaj7
F#dim6 G13 A7+5 D79 Am6 G13
C69/G Dm6 G13 C69/G Am6
Dm6 G13 Gm6 C7-9 Fmaj7
F#dim6 G13 A7+5 D79 G13 Cmaj

C69                       A7*C#-5 Dm
Quando eu penso na Bahia
Dm/A           G13            C69
Nem sei que dô que me dá
      C69     C#-5         C#-5 Dm
Me dá, me dá, me dá, ioiô
    Dm/A    G13              C69 C69/G
Me dá, me dá, me dá. Iaiá
               C69      A7       Dm
Se eu pudesse quarqué dia
Dm/A       G13      C69
Eu ia de novo pra lá
        C69      C#-5          C#-5 Dm
Não, vá, não vá, não vá, iaiá
    Dm/A    G13              C69  C69 B-5 Am Am/E
Eu vou, eu vou, se vou, ioiô
Am                  Em9 
Eu deixei lá na Bahia
                                   Fmaj7 Fmaj7/C Fmaj7
Um amô tão bom, tão bom ioiô
        E7                     A7
Meu Deus que amô
                                      Dm
E desse amô só quem sabia
                   F7-5
Era a Virge Maria
    C69       C69/G   Dm6 G13  C69  C69 Cb-5 Am Am/E
Nasceu, cresceu, viveu e lá ficou
Am                                 Em9 
E quem sabe se esse amor
                            Fmaj7 Fmaj7/C Fmaj7
Que ficou lá na Bahia, oi
       E7             A7
Já se acabou
                                         Dm
Se assim for, eu sei de alguém
                                F7-5
Que lhe quer muito bem
         C69      C69/G
Quem é? Sou eu
       Dm6      G13   C69
Eu quem? O seu ioiô

C69/G Dm6 G13 C69 Am6 Dm6 G13 Gm6 C7-9 Fmaj7
F#dim6 G13 A7+5 D79 Am6 G13
C69/G Dm6 G13 C69/G Am6 Dm6 G13 Gm6 C7-9 Fmaj7
F#dim6 G13 A7+5 D79 G13 Cmaj  C69

quarta-feira, 7 de junho de 2006

A casinha da colina

Aracy Cortes - 1924
A canção "A casinha da colina", em fins de 1926, apareceu no teatro de revista do Rio de Janeiro cantada pela vedete Araci Cortes, com versos do revistógrafo Luiz Peixoto, sobre arranjo musical do maestro Pedro de Sá Pereira.

A letra muito extensa dessa canção (nada menos de 42 versos distribuídos por quatro estrofes) fora publicada em 1926 no Almanaque de modinhas, trazendo uma indicação significativa: "Versos de Luiz Peixoto - Música arranjo de Pedro de Sá Pereira".

Arranjo, apenas, porque na realidade, a música de "A casinha da colina" era a mesma da canção mexicana de Othon e Llera intitulada "La casita", gravada pela primeira vez para a Victor norte-americana na interpretação de Alcides Briceño (disco Victor nr. 73.943), e relançada em 1928 pela Brunswick, na voz de Gaston Flores, conservando o número da gravação original mexicana ou americana - Brunswick nr. 40.114-A.

Disco 10" / Título da música: La Casita (Canción / Our little home) / Manuel José Othon (Compositor) / Felipe Llera (Compositor) / Alcides Briceño (Intérprete) / Orquestra (Acomp.) / Gravadora: Victor / Data da gravação: 18/06/1923, Nova York, NY / Nº Álbum 73943 / Matriz nº B-28092/3 / Lado indefinido / Gênero musical: Canção:



A casinha da colina (1926) - Versos de Luiz Peixoto e arranjo de Pedro de Sá Pereira

Disco 76 rpm / Título da música: A casinha (Casinha da colina) / Sílvio Vieira (Intérprete) / Imprenta [S.l.]: Odeon, 1927 / Nº Álbum 123116 / Lado indefinido / Gênero musical: Canção.


------------------------E
Você sabe de onde eu venho / Duma casinha que eu tenho
-------------------------B7
Fica dentro de um pomar / É uma casa pequenina

----------------------------------------------E-- B7-- E
Lá no alto da colina / De onde se ouve longe o mar
----------------------------------------------E7
Entre as palmeiras bizarras / Cantam todas as cigarras
-------------------------A------------ Am------------- E
Sob o por, de ouro, do sol / Do beiral vê-se o horizonte
---------------------------B7 -----------------------( E B7 E B7 )
No jardim canta uma fonte / E há na fonte um rouxinol

--------------E
Do jasmineiro tão branco / Tomba de leve no banco
---------------------------B7
A flor que ninguém colheu / No canteiro há uma rosinha
-----------------------------------------------E
No aprisco uma ovelhinha / E em casa, meu cão e eu.
--------------------------------------------E7
Junto à minha cabeceira / Minha santa padroeira
-----------------------A----------------- Am --------E
Que está sempre no altar / Cuida de mim, se adoeço
---------------------------B7 --------------------( E B7 E B7 )
Vela por mim se adormeço / E me acorda devagar . . . .

------E
Quando eu desço pela estrada / E olho a casa abandonada
-------------------------B7
Sinto ao vê-la, não sei o que . . . / Anda em tudo uma tristeza
-----------------------------------------------E
Como é triste a natureza / Com saudade de você.
-------------------------------------------------E7
Se você é minha amiguinha / Venha ver minha casinha
---------------------A-------------- Am---------- E
Minha santa e meu pomar / Meu cavalo é ligeiro
--------------------------B7----------------------- ( E B7 E B7)
É uma légua só de outeiro / Chega a tempo de voltar

E------------------------------------- E7
Mas, se acaso anoitecer / Tudo pode acontecer
-------------------A ---------------Am--------- E
Que será de mim depois / A casinha pequenina
---------------------B7----------------------- ( E B7 E )
Lá no alto da colina / Chega bem para nós dois . . . 




Fontes: A Música Popular No Romance Brasileiro, Volume 3 - Por José Ramos Tinhorão - Editora 34; The Library of Congress - National Jukebox - La Casita.

sexta-feira, 12 de maio de 2006

É luxo só

Ary Barroso compõe ao piano. O artista deu dimensão internacional à música popular do Brasil.

É luxo só (samba, 1957) - Ary Barroso e Luiz Peixoto

Disco 78 rpm / Título da música: É luxo só / Autoria: Barroso, Ary (Compositor) / Peixoto, Luiz (Compositor) / Raposo, Maria Helena (Intérprete) / Coral (Acompanhante) / Orquestra (Acompanhante) / Severino Filho (Acompanhante) / Imprenta [S.l.]: Mocambo, Indefinida / Nº Álbum 15179 / Gênero musical: Samba


----C7+--------- A7/5+ ----------Dm7
Olha / Essa mulata quando samba
----------A7
É luxo só
------Dm7--- G7 ------------Dm7 ---G7------ C7+----- Dm7
Quando /----- Todo seu corpo se embalança
----------Em7 --------Gm7 -------A7/5+
É luxo só / -------Tem
-----------------------------Dm7
Um não sei o quê -----que faz ------a confusão
Fm7 -----G7 ----------------------C7+
O / ---------Que ela não tem, meu Deus
------------Dm7----- Em7 ---------F/G
É compaixão /-------- Eta mulata bamba

---C7+ -------------A7/5+------- Dm7------- A7
Olha / Essa mulata quando dança
----------Dm7 ---A7 -------Dm7------- G7
É luxo só / --------Quando
----------------C7+ ----------Dm7
Todo seu corpo se embalança
----------Em7 -----------A7
É luxo só / --------Porém
--------------------Dm7
Seu coração quando se agita
--------Gb0 ---------C7+
E palpita mais ligeiro
-------A7/5+ ---Dm7--- G7------ C7+
Nunca vi compasso tão brasileiro

----------------Dm7------ Em7
Êta samba cai -----pra lá -----cai pra cá
----------Dm7 --------------C7+ -----------A7/5+
Cai pra lá -----cai cá / Mexe com as cadeiras
------Dm7------- G7------- C------------- G7
Mulata / Seu requebrado me maltrata

segunda-feira, 8 de maio de 2006

Tome polca

Tome polca (polca, 1951) - José Maria de Abreu e Luiz Peixoto

Disco 78 rpm / Título da música: Tome polca / Autoria: Abreu, José Maria de, 1911-1966 (Compositor) / Peixoto, Luiz (Compositor) / Marlene (Intérprete) / Imprenta [S.l.]: Continental, 1950 / Nº Álbum 16309 / Gênero musical: Polca


Um sarau / Na rua Itapirú
Em casa das Novaes / O calor está abrasador
E tem gente demais / Mas tome polca

Num sofá / A dona Jacintinha

Faz bola de papel / E na janela de papelotes
A Berenice namorisca / Um curriel

À reclamar silêncio / Surge o seu Fulgêncio

Um de bom comendador / Sim, porque nesta altura
Chega o padre cura / Com o corregedor

Entra o Souza / Que vem pisando em ovos

Com as botas de verniz / Enquanto a esposa
De olhos em alvo / Fica torcendo
Os cabelinhos do nariz

Por trás de uma cortina / Vê-se a Minervina
Que é mais preta / Que um tição
E diz entre risadas / Quebra dona Alice
Quebra seu Beltrão

Atenção acordes na Dalila / Seu Gil vai recitar

Formam roda / E o moço encalistrado
Começa a gaguejar / E tome po-polca

Tem um chá / Bolinhos de polvilho

E outros triviais / São onze horas
Apague o gás / E assim termina
O bailarico das Novaes / E tome polca.


Fontes: Discografia Brasileira - IMS; Instituto Moreira Salles.

sexta-feira, 28 de abril de 2006

Voltei pro morro

Voltei pro morro (samba) - 1940 - Vicente Paiva e Luiz Peixoto - Intérprete: Carmen Miranda

Disco 78 rpm / Título da música: Voltei pro morro / Luiz Peixoto (Compositor) / Vicente Paiva, 1908-1964 (Compositor) / Carmen Miranda, 1909-1955 (Intérprete) / Vicente Paiva [Piano], Simon Bountman [Direção], Conjunto Odeon (Acomp.) / Gravadora: Odeon / Gravação: 02/09/1940 / Lançamento: 10/1940 / Nº do Álbum: 11902 / Nº da Matriz: 6457 / Gênero musical: Samba

G7+
Voltei pro morro
C7/9           G7+
Onde está o meu cachorro
C7/9        Bm
Meu cachorro viralata
Bb°         Am
Minha cuíca e meu ganzá
E7         Am
Voltei pro morro
E7          Am
Onde está o meu moreno
D7
Chamei ele pro sereno
G7+   E7   Am
Porque se eu não me esbaldar eu morro
D7        G7+
Voltei pro morro
C7/9          G7+
Onde estão minhas chinelas
C7/9             G7+
Eu quero sambar com elas
G7                  C
Vendo as luzes da cidade
C#°     G7+
Voltei, voltei, voltei
E7
Ai se eu não mato essa saudade eu morro
A7         D7     G7+
Voltei pro morro, voltei
G/B         Bb°       Am
Voltando ao berço do samba
E/G#           C/G
Que em outras terras cantei
D/F#         G7+
Pela luz que me alumia
E7   Am D7
Eu juro
G/B     Bb°      Am
Que sem a nossa melodia
E/G#        C/G
E o swing dos pandeiros
D/F#       G7+
Muitas vezes eu chorei, chorei
C7+                Bm
Eu também senti saudade
E7      Am
Quando esse morro deixei
D7                    G7+
É por isso que eu voltei, voltei


Fontes: Discografia Brasileira - IMS; Instituto Moreira Salles.

segunda-feira, 24 de abril de 2006

Por causa desta cabocla

Por causa desta cabocla (samba, 1935) - Ary Barroso e Luiz Peixoto - Intérprete: Sílvio Caldas

Disco 78 rpm / Título da música: Por causa desta cabocla / Ary Barroso (Compositor) / Luiz Peixoto (Compositor) / Sílvio Caldas (Intérprete) / Orquestra Odeon sob Direção de Simon Bountman (Acomp.) / Gravadora: Odeon / Gravação: 25/06/1935 / Lançamento: 09/1935 / Nº do Álbum: 11255 / Nº da Matriz: 5083 / Gênero musical: Samba canção / Coleções de origem: IMS, Nirez

Tom: A
                     
  A         Bb°              E7 
À tarde quando de volta da serra
       C°            A
Com os pés sujinhos de terra
 E7              D7  C#7 
Vem a cabocla passar
     F#m           C#m         D 
As flores vêm pra beira do caminho
     F#7              Bm 
Pra ver aquele jeitinho
         B7          Bm E7 
Que ela tem de caminhar
   A   Bb°                E7 
E quando ela na rede adormece
       C°            A 
E o seio moreno esquece
                     E7      A7
De na camisa ocultar
     D            Eb°             C#m7 
As rolas, as rolas também morenas
      F#7              Bm 
Cobrem-lhe o colo de penas
     E7          A    A7 
Pra ele se agasalhar

     D              A7 
Na noite dos seus cabelos,
    D 
Os grampos são feitos de pirilampos
           F°                 Em 
Que às estrelas querem chegar
     Em6                F#7           Bm 
E as águas dos rios que vão passando
                           E7 
Fitam seus olhos pensando
                        A7 
Que já chegaram ao mar
         D             F#7       Bm 
Com ela dorme toda a natureza
     B7               E7 
Emudece a correnteza
           A7             D     D7 
Fica o céu todo apagado
 Gm                               D  G7 
Somente com o nome dela na boca
     B7                 E7 
Pensando nesta cabocla
A7          D  Bb7  C7  D 
Fica um caboclo acordado

Letra:

À tarde
Quando de volta da serra
Com os pés sujinhos de terra
Vem a cabocla passar
As flores vão pra beira do caminho
Pra ver aquele jeitinho
Que ela tem de caminhar
E quando ela na rede adormece
E o seio moreno esquece
De na camisa ocultar
As rolas
As rolas também morenas
Cobrem-lhe o colo de penas
Pra ele se agasalhar na noite

Dos seus cabelos,
Os grampos são feitos de pirilampos
Que às estrelas querem chegar
E as águas dos rios que vão passando
Fitam seus olhos pensando
Que já chegaram ao mar
Com ela dorme toda a natureza
Emudece a correnteza
Fica o céu todo apagado
Somente com o nome dela na boca
Pensando nesta cabocla
Fica um caboclo acordado


Fontes: Discografia Brasileira - IMS; Instituto Moreira Salles.

domingo, 23 de abril de 2006

Na batucada da vida

Na batucada da vida (samba, 1934) - Ary Barroso e Luiz Peixoto - Intérprete: Carmen Miranda

Disco 78 rpm / Título da música: Na batucada da vida / Ary Barroso (Compositor) / Luiz Peixoto (Compositor) / Carmen Miranda, 1909-1955 (Intérprete) / Diabos do Céu (Acomp.) / Gravadora: Victor / Gravação: 20/03/1934 / Lançamento: 04/1934 / Nº do Álbum: 333769 / Nº da Matriz: 65957-1 / Gênero musical: Samba canção


Introd.: (A7 D7/9) A7+

 Dm7/9             E7/9-     A7+
No dia em que eu apareci no mundo
 Dm7/9       Bm7  E7/9  C#m7  Bm7
Juntou uma porção de vagabundo
     A7+
Da orgia
 D#7/9    D7+/9 G#m5-/7   C#7/9-  F#m7
De noite, teve samba e batucada
         Em7     Ebm7
Que acabou de madrugada
      G#7      C#m7   C7 Bm7 E7/9
Em grossa pancadaria
 Dm7/9          E7/9       A7+
Depois do meu batismo de fumaça
 Em7+     Em7     A6/7      D7+
Mamei um litro e meio de cachaça
G#6/7    G6/7
Bem puxado
    D7+/9   G6/7           C#m7
E fui adormecer como um despacho
     F#m7    Em7  Ebm7     G#7          C#m7  F#/G#
Deitadinha no capacho na porta dos enjeitados
 C#m7    A#5+/7  D#m7 G#5+/7   C#m7 A#5+/7
Cresci olhando a vida sem malícia
          D#m7 G#5+/7   C#m7
Quando um cabo de polícia
  E/f#     D#m7    Em7 A5+/7
Despertou meu coração
  Dm7       G6/7            C#m7
E como eu fui pra ele muito boa
     F#m7          Bm7
Me soltou na rua à toa
    D/E     E7/9    A7+ D#m7 G#5+/7
Desprezada como um cão
   C#m7   A#5+/7   D#m7   G#5+/7  C#m7
E hoje que eu sou mesmo da virada
 A#5+/7  D#m   G#5+/7    C#m7
E que eu não tenho nada, nada
       E/F# D#m7     Em7  A6/7
E por Deus fui esquecida
Dm7           G6/7          C#m7
Irei cada vez mais me esmulambando
  F#m7              Bm7
Seguirei sempre cantando
       E7/9     A7+
Na batucada da vida...


Fontes: Discografia Brasileira - IMS; Instituto Moreira Salles.

sábado, 22 de abril de 2006

Maria

Luiz Peixoto
A necessidade urgente de uma música inédita para a peça teatral "Me deixa Ioiê" fez Luiz Peixoto criar os versos deste samba-canção sobre a melodia de "Bahia", uma composição pouco conhecida de Ary Barroso.

O nome Maria, que muito bem substituiu o do samba original, era uma homenagem à estrela da peça, a bela atriz portuguesa Maria Sampaio, famosa também pelo seu talento. Esforçando-se para impressionar a homenageada, Peixoto caprichou nos versos, sendo Maria uma de suas melhores produções.

Só o início - "Maria, o teu nome principia / na palma da minha mão... - já vale por um poema, e dos bons. Gravado duas vezes por Sílvio Caldas, este samba foi sucesso em 1934 e 1940.

Maria (samba-canção, 1933) - Luís Peixoto e Ary Barroso - Intérprete: Sílvio Caldas

Disco 78 rpm / Título da música: Maria / Ary Barroso (Compositor) / Luiz Peixoto (Compositor) / Sílvio Caldas (Intérprete) / João Martins [Direção], Orquestra Victor Brasileira (Acomp.) / Gravadora: Victor / Gravação: 03/11/1932 / Lançamento: 12/1932 / Nº do Álbum: 33594 / Nº da Matriz: 65587-2 / Gênero musical: Samba canção



----A--- Bbo-- E7--------------------- A
Maria ! /-------- O teu nome principia
------------------------Gbm-- B7------------------------- Bm
Na palma da minha mão / ------E cabe bem direitinho
-----------E7----------- A-- Co------- E7--- E7/5+
Dentro do meu coração--------- Maria
---A ----Bbo-- E7 ---------------------------A
Maria / ----------De olhos claros cor do dia
-------------------------Gbm--- B7----------------------- Bm
Como os de Nosso Senhor/----- Eu por vê-los tão de perto
E7----------------------- A-- Co----------- E7----- A7
Fiquei ceguinho de amor------------- Maria

--D------- A7-------D-- A7------ --D---- A7---- D
No dia, minha querida, em que juntinhos na vida
--------Ebo---------------- A---- Db7---- Gbm
Nós dois nos quisermos bem
-------------------------------Dbm-------- Gbm
A noite em nosso cantinho/ Hei de chamar-te
--------B7
baixinho
--------------------------------Bm--- E7---- E7/5+
Não hás de ouvir mais ninguém, Maria !

---A --------Bb0--- E7-------------------------- A
Maria ! /------------------- Era o nome que dizia
-----------------------Gbm---------------------------- Bm
Quando aprendi a falar / Da avózinha / Coitadinha
---------------E7-------- A---- C0 -------E7------ A7
Que não canso de chorar----------- Maria
-------D---------- A7----- D --A7------- D------ A7------- D
E quando eu morar contigo /---- Tu hás de ver que perigo
--------Eb0------------------ A---- Db7---- Gbm
Que isso vai ser, ai, meu Deus
-------------------------Gbm------ Dbm------- B7
Vai nascer todos os dias uma porção de Marias
--------------------------Bm----- E7 E7/5+ --------A F A
De olhinhos da cor do teus, Maria !----------- Maria !



Fontes: A Canção no Tempo - Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello - Vol. 1 - Editora 34; Discografia Brasileira - IMS; Instituto Moreira Salles.

domingo, 16 de abril de 2006

Linda flor


Além de ser uma bela composição, "Linda Flor" entra para a história da música popular brasileira como o primeiro samba-canção a fazer sucesso. Mas até conquistar a preferência do público, esta composição recebeu três versões de diferentes letristas: a primeira, de Cândido Costa, com o título de "Linda flor", lançada por Dulce de Almeida na comédia A Verdade do Meio Dia e gravada por Vicente Celestino; a segunda, de Freire Júnior, com o título de Meiga Flor, gravada por Francisco Alves; e a terceira e definitiva, de Luiz Peixoto, cantada por Araci Côrtes na revista Miss Brasil e no disco, com o título de Iaiá, mas que se tornou conhecida como Ai, Ioiô.

Na realidade, essa terceira versão só existiu porque Araci rejeitou as anteriores. Como a canção estava no repertório de Miss Brasil, o libretista da peça, Luiz Peixoto, teve de criar às pressas os novos versos, que foram escritos no intervalo de um ensaio, em pleno palco do Teatro Recreio.

Bem feminina, Linda Flor tem entre suas intérpretes algumas deusas da canção brasileira como Isaura Garcia, Elizeth Cardoso, Ângela Maria, Dalva de Oliveira, Zezé Gonzaga e, naturalmente, Araci Cortes, que a popularizou. Como curiosidade, para os que acham que o termo "samba-canção" só surgiu em meados dos anos trinta, reproduzimos uma nota publicada no n° 16, de 30 de março de 1929, da revista Phonoarte: "Yayá (Linda Flor), o samba canção que todos conhecem e que, no último Carnaval, foi um dos seus mais ruidosos sucessos, acha-se impresso pela Casa Vieira Machado".

Linda flor (Ai Ioiô) (samba-canção, 1929) - Henrique Vogeler, Luiz Peixoto e Marques Porto - Interpretação: Araci Côrtes

Disco 78 rpm / Título da música: Ai Ioiô (Linda Flor) / Henrique Vogeler (Compositor) / Peixoto, Luiz (Compositor) / Porto, Marques (Compositor) / Araci Côrtes (Intérprete) / Orquestra (Acompanhante) / Gravadora: Odeon / Nº do Álbum: 13535-a / Nº da Matriz: 9850 / Gravação: 21/Agosto/1953 / Lançamento: Novembro/1953 / Gênero musical: Samba Canção / Coleções: Nirez, José Ramos Tinhorão, Humberto Franceschi


--------C--------- G7------ C
Ai Ioiô, eu nasci pra sofrer
--------G7------ A7-- A7/5+-------- Dm7 Bb7 Dm6
Fui oiá prá você / Meus oinho fechô
-----------------Bb7---- Dm Bb7 Dm6
E quando os oio eu abri
-----------Bb7----- G7
Quis gritá quis fugí
-----------------------C ---------Db0--------- Dm---- G7
Mas você não sei porque, você------ me chamou
--------C---------- G7----- C
Ai, Ioiô, tenha pena de mim
------------G7------ A7-------- A7/5+ -------Dm7 A7 Dm
Meu Senhor do Bon . . .fim pode inté se zangar
Ab--------------- C----- Bb7
Se Ele um dia sou . . .ber
-----------A7 -----D7 ---G7 ----C --Fm ---C
Que você é que é o Ioiô de Iaiá
------------------D7-------------- G
Chorei toda noi . . .te pensei
-----------B7----------------------- E7
Nos beijos de amor que eu te dei
------------------Am ----------D7----- G
Ioiô meu benzinho do meu cora . . .ção
--------E7 --------A7--------------- D7----- G
Me leva prá casa me deixa mais não
------------------D7----------- G
Chorei toda noi . . .te pensei
--------------------B7----------------- E7
Nos beijos de amor que eu te dei
-----------------Am ------------D7 ----------G
Ioiô meu benzi . . .nho / Do meu cora . . .ção
---------E7 ------A7 ------D7-------- G--- Cm--- G
Me leva prá casa me deixa mais não


Fonte: A Canção no Tempo - Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello - Vol. 1 - Editora 34

sábado, 1 de abril de 2006

Luiz Peixoto

Luiz Peixoto

Considerado o maior revistógrafo brasileiro de todos os tempos, Luiz Peixoto (1889-1973) fez brilhar nos palcos do teatro de revista não apenas os seus sambas. Letrista inspirado, criador de sucessos, era disputado por consagrados parceiros.


Em 1923, depois de dois anos em Paris, Luiz Peixoto lança no Rio de Janeiro um espetáculo com muito êxito, a revista Meia Noite e Trinta. O público lotava o Teatro São José, curioso por ver o que os críticos classificavam como a revista mais original que alguém escrevera até então no Brasil.

Luiz Carlos Peixoto de Castro, com 34 anos, estava destinado, ao longo de sua proveitosa vida, a interferir na cultura brasileira, tanto no teatro como na poesia .ou na música popular. Até morrer, com 84 anos, foi um respeitado criador.

Caricaturista na juventude, companheiro de Raul Pederneiras e Kalixto, encontrou no teatro de revistas o maior campo para seu talento. Ali, foi tudo. Autor, cenógrafo, compositor, diretor, diretor artístico, figurinista, mas sobretudo um homem voltado para as coisas brasileiras, principalmente a música.

Quando chegou da Europa, veio disposto a abrir espaço para substituir o uso musical de ritmos ultrapassados, pela utilização intensa de ritmos da atualidade, especialmente os das composições populares brasileiras, no dizer da pesquisadora Neyde Veneziano. Transformou-se, assim, no maior revistógrafo brasileiro. Poeta inspirado, tornou-se letrista de um sem-número de músicas e parceiro de sambas memoráveis, lançados em revistas de sua autoria ou, mesmo de outros autores. É dele, Ai Ioiô (Linda flor), feita com Henrique Vogeler e Marques Porto, que consagrou Araci Cortes, na revista Miss Brasil, em 1928.

Amigo de Carmen Miranda, desde a incursão da Pequena Notável no teatro de revista, fez para ela dois sambas que marcaram a carreira da estrela: Na batucada da vida, com Ary Barroso, e Voltei pro morro, com Vicente Paiva. Elizeth Cardoso consagrou-se com É luxo só, feita em sua homenagem, pela dupla Luiz Peixoto/Ary Barroso. Sílvio Caldas gravou, também dos dois, além do impecável samba Maria, o belíssimo Por causa dessa cabocla. A força do samba Paulista de Macaé, de parceria com Marques Porto, foi tanta que, lançado na revista Prestes A Chegar, em 1926, tornou-se ele próprio uma revista em 1927. Inovando em sua estreia, após retorno da Europa, sempre moderno, Luiz Peixoto foi acima de tudo um compositor com a alma no palco.

Ilustr.: Três amigos, três caricaturistas, três artistas: Raul Pederneiras, Luiz Peixoto e Kalixto.

Algumas músicas



















Fonte: História do Samba - Ed. Globo.

quinta-feira, 23 de março de 2006

Casa de caboclo

Os versos desta canção "Numa casa de caboco / um é pouco / dois é bom / três é demais", consagraram-se como um verdadeiro dito popular. Este fato, por si só, comprova a grande popularidade alcançada pela composição, que tornou conhecido o seu lançador, o então jovem cantor Gastão Formenti.

Autores de "Casa de Caboclo", Hekel Tavares e Luiz Peixoto acabaram inspirando, juntamente com Joubert de Carvalho, uma onda de canções sobre motivos sertanejos, que proliferou no final dos anos vinte. Como acontece muitas vezes a músicas de sucesso, houve à época do lançamento quem considerasse "Casa de Caboclo" plágio de um tema de Chiquinha Gonzaga, levando a discussão aos jornais. Daí a informação que figura em algumas de suas regravações: "Canção baseada em motivos de Chiquinha Gonzaga".

Casa de caboclo (canção, 1929) - Chiquinha Gonzaga, Luiz Peixoto e Hekel Tavares - Intérprete: Gastão Formenti

Disco 78 rpm / Título da música: Casa de caboclo / Chiquinha Gonzaga (Compositora) / Hekel Tavares (Compositor) / Luiz Peixoto (Compositor) / Gastão Formenti (Intérprete) / Piano (Acomp.) / Violão (Acomp.) / Gravadora: Parlophon / Nº do Álbum: 12863-a / Nº da Matriz: 1994-I / Gravação: 21/09/1928 / Lancamento: Novembro/1928 / Gênero musical: Canção / Coleções: Nirez, José Ramos Tinhorão, Humberto Franceschi



(A)--------- Gb7--------- Bm--------- E7
Você tá vendo essa casinha simplesinha
-----------------------A-- E7-- A
Toda branca de sapê
-------------------------------E---------------- B7
Diz que ela véve no abandono não tem dono
---------------------------E7---- A
E se tem ninguém não vê
-------------Gb7--------- Bm--------------- E7
Uma roseira cobre a banda da varanda
------------------------A----- D
E num pé de cambuçá
-------------------------A--------------- E7
Quando o dia se alevanta Virge Santa
---------------------(A) (E) (A) (Db7) Gbm
Fica assim de sabiá
--------------------------Db7----------------- D7
Deixa falá toda essa gente maldizente
---------------------------Db7------ Gb7
Bem que tem um moradô
------------------------------B7 ----------------E7
Sabe quem mora dentro dela Zé Gazela
----------------------(A) (E) (A) (E) A
O maió dos cantadô
----------------Gb7------- Bm --------------E7
Quando Gazela viu siá Rita tão bonita
-----------------------A---- E7---- A
Pôs a mão no coração
---------------------------E------------------ B7
Ela pegou não disse nada deu risada
--------------------------E7----- A
Pondo os oinho no chão
------------Gb7----------- Bm --------------E7
E se casaram, mas um dia, que agonia
-----------------------------A ----------D
Quando em casa ele voltou
-----------------------A---------------- E7
Zé Gazela via siá Rita muito aflita
----------------------A (E) (A) (Db7) Gbm
Tava lá Mané Sinhô
---------------------------Db7-------------------- Gbm
Tem duas cruz entrelaçada bem na estrada
-----------------------Db7---- Gb7
Escrevero por detrás:
-----------------------B7----------------- E7
“Numa casa de caboclo um é pouco
--------------------------(A) (E) (A)
Dois é bom, três é demais”


Fonte: A Canção no Tempo - Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello - Vol. 1 - Editora 34