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domingo, 26 de setembro de 2010

As manhãs do Galeão

Vicente Celestino
As manhãs do Galeão (tango, 1928) - Freire Júnior - Intérprete: Vicente Celestino

Disco 78 rpm / Título da música: As Manhãs do Galeão / Freire Júnior (Compositor) / Vicente Celestino (Intérprete) / Orquestra Rádio Central (Acomp.) / Gravadora: Odeon / Nº do Álbum: 10272-a / Nº da Matriz: 1892 / Lançamento: Outubro/1928 / Gênero: Tango Canção / Coleções: IMS, Nirez


Surge ao sol, raios brilhantes / nas montanhas verdejantes
que contornam a Guanabara / Sua luz rompendo ao dia
mostra o fundo da baía / uma praia em pérola rara

Esta ponta de uma ilha / verdadeira maravilhosa
bem juntinho ao continente! / Deu-lhe encanto a natureza
Se anoitece com tristeza / amanhece alegremente

Os amantes deixam os ninhos / ao romper da alvorada
Trinam alegres os passarinhos  / a canção da madrugada
Num sentimento profundo / diz a gente com emoção:
Nada mais belo no mundo / que as manhãs do Galeão

Sobre areias cor de prata / lindas jovens à frescata
buscam o banho matinal  / Pescadores gente boa
tiram a pesca da canoa  /  no labor habitual

Ondas vêm e ondas vão / entoando uma canção
que em soluços canta o mar / É a canção triste do amor
Faz prazer e causa dor  / Nos faz rir e faz chorar

domingo, 19 de setembro de 2010

A vida é um jardim onde as mulheres são as flores

Vicente Celestino
A vida é um jardim onde as mulheres são as flores (fado-tango, 1924) - Zeca Ivo e Freitinhas (José Francisco de Freitas) - Intérprete: Vicente Celestino

Disco selo: Odeon R / Título da música: A vida é um jardim onde as mulheres são as flores / José Francisco de Freitas "Freitinhas" (Compositor) / Zeca Ivo (Compositor) / Vicente Celestino (Intérprete) / Orquestra (Acomp.) / Nº do Álbum: 122793 / Lançamento: 1925 / Gênero musical: Tango / Coleção: IMS


Ao ver o céu estrelas sem sapato
Ouvindo o mar tão belo tão profundo
Suponho ver num astro debruçado
Deus me apotento jóias deste mundo
Além a ponte triste romoreica
Cortando os ares cruzam passarinhos
Porém minh’alma que também dardeja
Enveredou feliz noutros caminhos

Deus por certo bem conhece
Uma jóia que floresce
Sem a luz do sol sequer
Sim eu juro com firmeza
Que o tesouro com certeza
Só no peito da mulher

Minh’alma segue triste na jornada
Pois necessita como quê sonhando
Gotas de luz que ficam pela estrada
Parecem flores pelo chão brotando
Precisa que a gente chama a vida
Sou jardineiro certo trovadores
Por onde o peito a jarra preferida
Onde as mulheres são mimosas flores




Caiuby (Canção da cabocla bonita)

Vicente Celestino
Caiuby (Canção da Cabocla Bonita) (canção, 1923) - Pedro de Sá Pereira - Interpretação: Vicente Celestino

Disco selo: Odeon R / Título da música: Caiuby (Canção da Cabocla Bonita) / Pedro de Sá Pereira (Compositor) / Vicente Celestino (Intérprete) / Nº do Álbum: 122749 / Lançamento: 1924 / Gênero musical: Canção / Coleções: IMS, Nirez




Triste Carnaval

Canhoto
Triste carnaval (valsa, 1922) - Canhoto (Américo Jacomino) e Arlindo Leal - Intérprete: Vicente Celestino

Disco selo: Odeon R / Título da música: Triste Carnaval / Américo Jacomino "Canhoto" (Compositor) / Arlindo Leal (Compositor) / Vicente Celestino (Intérprete) / Conjunto (Acomp.) / Nº do Álbum: 122214 / Lançamento: 1922 / Gênero musical: Valsa / Coleção: Nirez



Por tua causa Colombina
Tive um triste Carnaval
E o ciúme que me alucina
Roubou-me a calma afinal

E, em sonho, meu amor
Tu não soubeste guardar
E um ousado sedutor
Pode teus lábios beijar

Por capricho, por loucura
Num delírio de ternura
Tu cedeste ao meu rival
O teu amor ideal
O teu amor ideal!

No meu delirar, Colombina
Que a outro sorrias
E que sem corar, ò libertina
Teus beijos vendias

Depois, com horror
Vi meu rival teus carinhos gozar
E esse infame traidor
Sorridente alcançar teu amor!

sábado, 18 de setembro de 2010

Paixão de artista

Vicente Celestino
Paixão de artista (canção, 1921) - Eduardo Souto - Intérpretes: Vicente Celestino e Laís Arêda

Disco selo: Odeon R / Título da música: Paixão de artista / Eduardo Souto (Compositor) / Vicente Celestino (Intérprete) / Laís Arêda (Intérprete) / Nº do Álbum: 122084 / Nº da Matriz: 122084-A-II / Lançamento: 1922 / Gênero musical: Dueto / Coleção de fontes: IMS, Nirez



Do sorriso das mulheres nasceram as flores

Vicente Celestino
Do sorriso da mulher nasceram as flores (tango de salão, 1921) - Eduardo Souto e Lélio de Aragão / Intérprete: Vicente Celestino

Disco selo: Odeon R / Título da música: Do Sorriso da Mulher Nasceram as Flores / Eduardo Souto (Compositor) / Lélio de Aragão (Compositor) / Vicente Celestino (Intérprete) / Conjunto (Acomp.) / Nº do Álbum: 122041 / Lançamento: 1922 / Gênero musical: Tango de Salão / Coleção de fontes: IMS



LP Saudade, Palavra Doce / Título da música: Do Sorriso da Mulher Nasceram As Flores / Eduardo Souto (Compositor) / Lélio de Aragão (Compositor) / Vicente Celestino (Intérprete) / Gravadora: RCA Victor / Nº do Álbum: BBL 1106 / Ano: 1960 / Gênero musical: Canção / Seresta


Mulher o teu sorriso parece um céu
Um grande altar do deus do amor
Onde as estrelas vem rezar, cantar, sonhar
Santificando a minha dor
No iluminar dos olhos teus
E um coração aberto em flor
Tens tu mulher toda fragrância
Das orquídeas cintilantes
Redolentes e gracis

A cintilar, a cintilar num céu de amor
Em que fala um poema
Feito de beijos ao luar
Um ninho de sincero afeto
Onde dois pombinhos
Vivem sempre a se arrolar e a se beijar
Quero a morte nos teus lábios
Num doce encanto de magia
Do aljôfar de um beijo teu
Do teu sorriso que fascina, inebria

Suspirar, soluçar com tristor e amargor
O carpir da desdita do amor
E adorar e crer 
Suplicar, implorar com ardor, e dulçor
O sorrir dos teus lábios em flor
E sentir o prazer de um ditoso e perenal amor

No iluminar dos olhos teus
E um coração aberto em flor
Tens tu mulher toda fragrância
Das orquídeas cintilantes
Redolentes e gracis
A cintilar, a cintilar um céu de amor.

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

Os que sofrem

Vicente Celestino
Os que sofrem (Valsa dos que sofrem) (seresta, 1915) - Alfredo Gama e Armando Oliveira

Vicente Celestino (Antônio Vicente Filipe Celestino), cantor, compositor e ator, nasceu no Rio de Janeiro (RJ), em 12/9/1894 e faleceu em São Paulo, em 23/8/1968. Começou a cantar em festas, serenatas e casas de chope, abandonando o emprego em 1913 para dedicar-se somente à música.

Em 1915 gravou seu primeiro disco — Flor do mal e Os que sofrem (Alfredo Gama e Armando Oliveira) — na Casa Edison (Odeon), do Rio de Janeiro.

Disco selo: Odeon / Título da música: Os que soffrem / Alfredo Gama [Música] (Compositor) / Armando Oliveira [Versos] (Compositor) / Vicente Celestino [Tenor] (Intérprete) / Cavaquinho e Violão (Acomp.) / Nº do Álbum: 121053 / Lançamento: 1915 / Gênero musical: Seresta / Coleção de Origem: IMS, Nirez



sábado, 1 de novembro de 2008

Pedro Celestino

Pedro Celestino, cantor e compositor, era o irmão mais novo de Vicente Celestino. Em 1928, fez sua estréia em disco gravando pela Odeon o samba Gosto de apanhá, de Duque e o maxixe Viva a Penha, de Tuiú. No mesmo ano, lançou o tango Caboquinha, de Alfredo Gama e o motivo popular Peixinhos do mar.

Em 1929, gravou a canção O guasca, de Zeca Ivo e o fado-toada A vida é um inferno onde as mulheres são os demônios, de Zeca Ivo e Lamartine Babo e ainda o coco Campineiro, de J. B. Silva, o conhecido Sinhô.

Em 1931, participou da opereta As pastorinhas, juntamente com Araci Cortes, apresentada no Teatro Recreio, no Rio de Janeiro.

Ficou mais de 10 anos sem gravar, retornando em 1941, quando lançou a valsa Pertinho do céu, de Vicente Paiva e Ariovaldo Pires e a canção História de circo, de Edgard Barroso e Paulo Mac Dowell.

Em 1947, gravou de sua autoria, Adolar e J. Francisco de Freitas a canção Confissão e, de Átila Yorio e Alberto Oliveira, a toada-canção O vagabundo.

Em 1948, foram gravadas a valsa Supremo adeus, de Belmácio Godinho e Benedito Costa e a canção Desespero, de René Bittencourt. São de 1953 as gravações, pela Todamérica do bolero Alma cigana, de René Bittencourt e do tango Guitarra de marfim, de Arlindo Pinto e J. M. Alves. No mesmo ano, gravou a toada-canção Olhos criminosos, de René Bittencourt e a canção Rua da saudade, de Arnaldo Pescuma.

Foi por essa época que Pedro Celestino apareceu na TV Tupi de São Paulo e, ao lado de Tersina Sarraceni fez uma temporada de operetas. Isso foi muito importante para a TV Tupi, pois eram encenadas operetas famosas, com grandes interpretes e grandes cantores.

Fontes: Dicionário Cravo Albin da MPB; Pró-TV - Associação dos Pioneiros, Profissionais e Incentivadores da TV Brasileira.

quarta-feira, 19 de março de 2008

Serenata

Vicente Celestino
Serenata (canção, 1940) - Vicente Celestino - Intérprete: Vicente Celestino

Disco 78 rpm / Título da música: Serenata / Vicente Celestino (Compositor) / Vicente Celestino (Intérprete) / Orquestra (Acomp.) / Gravadora: Victor / Gravação: 27/02/1940 / Lançamento: 04/1940 / Nº do Álbum: 34592 / Nº da Matriz: 33333-1 / Gênero musical: Canção


Na Guanabara um barco a vela navegava
Dentro de um raio de luar franjado de prata
Em um bandolim, lá no barquinho alguém tocava
A mais sublime e deliciosa serenata

Segui o barco em outro barco para ver
Quem manejava o bandolim com tanto ardor
E uma sereia oiço cantando assim dizer:
- Onde estará meu grande amor ?


Meu bandolim, leva tua voz
Ao coração que não me quer
Chama-o de cruel e de atroz
Que quem te pede é uma mulher

Diga que o amo e que o adoro
Tu que conheces o meu padecer
Meu bandolim, vai com tua voz
Ao meu amor, falar por mim,
Porque sem ele eu vou morrer...

Do meu barquinho respondi:
Igual a ti eu vivo em solidão
E ela de lá me respondeu:
Se teu amor é igual ao meu
Te entrego inteiro, o coração.



Fontes: Discografia Brasileira - IMS; Instituto Moreira Salles.

quarta-feira, 5 de março de 2008

Meu Brasil

Olegário Mariano
Meu Brasil (canção, 1932) - Pedro de Sá Pereira e Olegário Mariano - Intérprete: Vicente Celestino

Disco 78 rpm / Título da música: Meu Brasil / Olegário Mariano, 1889-1958 (Compositor) / Pedro de Sá Pereira, 1892-1955 (Compositor) / Vicente Celestino (Intérprete) / Orquestra de Concertos Columbia (Acomp.) / Gravadora: Columbia / Data de lançamento: Abril/1932 / Nº do Álbum: 22105-b / Nº da Matriz: 381198-1 / Gênero musical: Canção patriótica / Coleções: Nirez, José Ramos Tinhorão, Humberto Franceschi


A minha terra,
Tesouros mil, no seio encerra
E linda e pura
Como no mundo não existe igual
Tanta fartura
A natureza, o céu a reflorir
Tem a ventura
Tem o condão de seduzir
Tem o condão de seduzir


A minha terra
Tesouros mil no seio encerra
Mulher amada
Abençoada por seu povo
No Mundo Novo
Não há quem tenha tal fulgor
Tanta riqueza
Tanto encanto e tanto amor

Diante de ti, Brasil
Meu céu azul, de anil
Não há no mundo alguém
Que não te queira bem
A natureza jogou em ti em luz
Tanta beleza
Que ninguém pode admirar
Sem se ajoelhar

Diante de ti, Brasil
Meu céu azul, de anil
Não há no mundo alguém
Que não te queira bem
A natureza jogou em ti sem ver
Tanta beleza
Que ninguém pode entender
Meu Brasil de um céu de anil



Fontes: Instituto Moreira Salles; Discografia Brasileira - IMS.

quarta-feira, 23 de agosto de 2006

Vai ò meu amor, ao campo santo

Catulo
Vai, ò Meu Amor, ao Campo Santo (canção, 1912) - Catulo da Paixão Cearense e Irineu de Almeida - Intérprete: Vicente Celestino

Disco 78 rpm / Título da música: Vai, Ò Meu Amor, ao Campo Santo / Cearense, Catullo da Paixão, 1863-1946 (Compositor) / Almeida, Irineu de (Compositor) / Celestino, Vicente (Intérprete) / Orquestra (Acompanhante) / Imprenta [S.l.]: RCA Victor, 08/08/1952 / Nº Álbum 801023 / Gênero musical: Canção.



Tu, tu não queres crer como eu te quero!
Venero o teu amor, que é minha vida
Tudo nesta dor do mundo espero
Sou poeta e sou cantador, ó alma infinda!
Sobre o coração que me consome
A rutilar luz diamante do teu nome
Sei que o meu penar será infindo
Irei cumprindo o que Deus determinar

Hás de chorar a minha desventura
Quando eu repousar na gelidez da sepultura
Hás de lamentar os sofrimentos
Tantos tormentos que sofri
Enquanto vivo aqui por ti

Vai, vai ó meu amor ao campo santo
Verás a minha cruz lá num recanto!
Vai, que lá verás cheias de odores
Numa genuflexão algumas flores
Vai e uma por uma sem ter medo
Colhe essas flores – a meiguice de um segredo
São os versos d’alma que eu não disse
E enfim dizer, dizê-los só, quando eu morrer

quarta-feira, 9 de agosto de 2006

Vicente Celestino - Algumas canções

Vicente Celestino (1946) cantando "Porta Aberta".















Sangue e areia

Vicente Celestino
Sangue e areia (valsa, 1933) - Vicente Celestino e Mário Rossi - Intérprete: Vicente Celestino

Disco 78 rpm / Título: Sangue e areia / Rossi, Mário, 1911-1981 (Compositor) / Celestino, Vicente (Compositor) / Celestino, Vicente (Intérprete) / Orquestra (Acompanhante) / Imprenta [S.l.]: RCA Victor, 08/11/1933 / Nº Álbum 34738 / Dt. lançamento: Janeiro/1934 / Lado B / Gênero musical; Valsa.



Manolo quando entrou na arena,
Na tarde serena,
De sol e verão,
Sentiu um olhar,
Orvalhar !
As flores de sonho do seu coração.

Feliz, para a luta vivendo,
Guardando nos lábios um beijo de amor,
Não viu o destino tecendo:
A história sentida de mais uma dor,
Ao surgir o feroz animal,
Belo touro de muito valor,
Uma forte canção triunfal,
Envolveu o gentil toureador,
No balcão, na penumbra de um véu,
Um sorriso de amor e paixão,
Transportou para perto do céu,
Um amante e feliz coração.

Mas, a morte chegou numa flor,
Uma rosa vermelha e fatal,
Escrevendo um romance de dor,
Fim de festa cruel e mortal,
Pois, Manolo a rolar pelo chão,
Sobre a areia, sangrando ficou...

E no cofre da rosa em botão,
O seu último beijo guardou....

Rasguei o teu retrato

Vicente Celestino, em 1935, após breve temporada lírica no Teatro Santana de São Paulo (onde se apresentava ao lado de Gilda de Abreu, sua esposa, na ópera "Aida", de Verdi), deixou a Columbia (na qual, ao todo, fizera cinco discos) ligando-se à RCA. A primeira gravação na nova fábrica foi "Ouvindo-te", de sua autoria e "Rasguei o Teu Retrato" (tango-canção de Cândido das Neves).

Rasguei o teu retrato (tango-canção, 1935) - Cândido das Neves - Intérprete: Vicente Celestino

Disco 78 rpm / Título da música: Rasguei o teu retrato / Cândido das Neves, 1899-1934 (Compositor) / Vicente Celestino (Intérprete) / Pixinguinha [Direção], Orquestra Victor Brasileira​ (Acomp.) / Gravadora: Victor / Gravação: 12/07/1935 / Lançamento: 09/1935 / Nº do Álbum: 33969 / Nº da Matriz: 79976-1 / Gênero musical: Tango canção


Tu disseste em juramento
Entre o véu do esquecimento
Que o meu nome é uma visão
Tu tiveste a impiedade
De sorrir desta saudade
Que me mata o coração !

Se um retrato, tu me deste
Foi zombando, tu disseste
Do amor que te ofertei.
E eu, em lágrimas desfeito
Quantas vezes, junto ao peito
Teu retrato conservei.

Eu sei também ser ingrato,
Meu coração, bem, vês, já não te quer:
Eu ontem, rasguei o teu retrato
Ajoelhado aos pés de outra mulher !

Eu que tanto te queria
Eu que tive a covardia
De chorar este amargor
Trago aqui despedaçado
O teu retrato, pois vingado
Hoje está, o meu amor


As sentenças, são extremas
Faço o mesmo, aos meus poemas
Rasgue os versos que te fiz
Não te comova, o meu pranto
Pois quem te amou, tanto e tanto,
Foi um doido, um infeliz !



Fontes: Discografia Brasileira - IMS; Instituto Moreira Salles.

quarta-feira, 3 de maio de 2006

Porta aberta

A religiosidade está presente em várias canções de Vicente Celestino como "Um Raio de Sol" e "Porta Aberta", que foi lançada no filme "O Ébrio" em 1946. Sem abandonar o estilo melodramático, Celestino imprimiu a esta composição uma forte dose de misticismo, simbolizando a porta em questão a esperança de acolhimento dos que recorrem à religião.

Com essas características, tão apreciadas pelos fãs do autor, "Porta Aberta" tornou-se um dos discos mais vendidos do ano.

Porta aberta (canção, 1946) - Vicente Celestino - Intérprete: Vicente Celestino

Disco 78 rpm / Título da música: Porta aberta / Vicente Celestino (Compositor) / Vicente Celestino (Intérprete) / Orquestra (Acomp.) / Gravadora: Victor / Gravação: 02/05/1946 / Lançamento: 08/1946 / Nº do Álbum: 80-0427 / Nº da Matriz: S-078512-1 / Gênero musical: Canção


Em      Am                   Em
Vinha por este mundo sem um teto   
             F       B7               Em     B7
Dormia as noites em banco tosco de jardim
   Em       Am             Em
Sem ter a proteção de um afeto
           F    B7                     Em
Todas as portas estavam fechadas para mim

D7                               G
Mas Deus   que tudo vê e nos consola
D7                           G
Em seu  sagrado templo me acolheu
    B7                         Em     Am
E além de me ofertar aquela esmola
                    Em
Meus destino transformou
                   F               B7      E    B7
Meu sofrimento acabou e a minha vida renasceu

        E     A                         E      Dbm
Porta aberta/  Tendo um emblema de uma cruz
                    Gbm                       B7
Esta porta não se fecha / Contra ela não há queixa
                    E      B7
São os braços de Jesus
        E      A              E       Dbm
Porta aberta/ Por Jesus de Nazaré
                      Gbm
Desvendou-me o bom caminho
                   B7                        E    E7
Hoje é meu doce ninho  / Novamente deu-me a fé

       A                           E      Dbm
Porta aberta/ Já não vivo mais ao léo
  Gb7                                   B7
Porta aberta/ Ao transpor-te entrei no céu
E    A                       E        Dbm
Porta aberta/ Nunca mais hei de esquecer
                        Gbm                B7
Que és na terra a minha luz / É o bem que conduz
     E      Am    E
Desde o berço até morrer


Fontes: A Canção no Tempo - Vol. 1 - Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello - Editora 34; Discografia Brasileira - IMS; Instituto Moreira Salles.

Mia Gioconda

Mia Gioconda (canção, 1946) - Vicente Celestino - Intérprete: Vicente Celestino

Disco 78 rpm / Título da música: Mia Gioconda / Vicente Celestino (Compositor) / Vicente Celestino (Intérprete) / Orquestra (Acomp.) / Gravadora: Victor / Gravação: 31/10/1945 / Lançamento: 01/1946 / Nº do Álbum: 80-0375 / Nº da Matriz: S-078381-1 / Gênero musical: Canção

Gm                                   D7 
No dia em que nascemos e viemos para o mundo
                                             Gm
Nos falta uma costela que encontramos num segundo
               G7                   Cm
Às vezes muito perto desejamos encontrá-la
                  D7                   Gm
No entanto é preciso muito longe ir buscá-la
                                      D7
Vejamos o destino de um pracinha brasileiro
                                               Gm
Partindo para a Itália transformou se num guerreiro
               G7                      Cm
E lá muito distante despontar o amor sentiu
                D7                           G   D7 G
E disse essas palavras a uma jovem quando a viu
     G
Italiana la mia vita oggi sei tu
                   D7
Io ti voglio tanto bene
Partiremo tutti insiene
                      G
Ti lasciar non posso piú
      C                       Bm
Italiana voglio a te piccola bionda
    G               D7
Hai il viso degli amori
Ie tue labbra son due fiori
                       G
Tu sarai la mia Gioconda
            Gm                     D7
Vencido o inimigo que antes fora varonil
                                          Gm
Recebeu a FEB ordem de embarcar para o Brasil
                  G7                   Cm
Dizia a mesma ordem quem casou não poderá
                   D7               Gm
Levar consigo a esposa, a esposa ficará
                                             D7
Prometeu então o bravo, ao dar baixa e ser civil
                                      Gm
Embarcarás amada, para o céu do meu Brasil
                  G7                 Cm      
Enquanto ela esperava lá no cais napolitano
                D7                    G
Repetiu essas palavras no idioma italiano
      G      
Brasiliano, la mia vita oggi sei tu
                   D7
Io ti voglio tanto bene
Chiedo a Dio che tu venga
                      G
Ti scordar non posso piú
     C                           Bm
Brasiliano, sono ancora la tua bionda
      G            D7    
Il mio sposo ha lasciato
                    D7
Questo cuore abbandonato
                      G
Che chiamasti di Gioconda
      C
Di Gioconda
       G
Di Gioconda


Fontes: Discografia Brasileira - IMS; Instituto Moreira Salles.

quarta-feira, 26 de abril de 2006

Patativa

Canção de Vicente Celestino (foto) do gosto declarado de uma considerável faixa da população brasileira por um tipo de música, qualificado em épocas posteriores de cafona, brega ou, indevidamente, de popular romântico.

Musicalmente, o contraste entre o modo menor da primeira parte e o maior da segunda é um expediente de grande efeito nesta área. Contudo, para muitos admiradores de Celestino, "Patativa" é considerada a sua melhor canção.

Patativa (canção, 1937) - Vicente Celestino - Intérprete: Vicente Celestino

Disco 78 rpm / Título da música: Patativa / Vicente Celestino (Compositor) / Vicente Celestino (Intérprete) / Orquestra Victor Brasileira (Acomp.) / Gravadora: Victor / Gravação: 15/04/1937 / Lançamento: 08/1937 / Nº do Álbum: 34188 / Nº da Matriz: 80367-1 / Gênero musical: Canção


-------Em ----------B7----- Em------- E7
Acorda patativa vem cantar
-------Am ---------------------------Em
Relembra as madrugadas que lá vão
------B7----------------------- Em
E faz de tua janela o meu altar
-------Gb7 --------------------B7
Escuta a minha eterna oração


------Em----------- B7-------- Em---- E7
Eu vivo inutilmente a procurar
--------Am---------------------------- Em
Alguém que compreenda o meu amor
-------Am------------------------ Em
E vejo que é destino o meu sofrer
-------------------------Gb7
É padecer não encontrar
---------------B7----------- (Em B7 Em)
Quem compreenda o trovador

---------------E -----------B7-------- E
Eu tenho n’alma um vendaval sem fim
---------------------------------------B7
E uma esperança que hás ter por mim
O mesmo afeto que juravas ter
---------------------------------E
Para que acabe este meu sofrer

--------------------------B7-------- E
Eu sei que juras cruelmente em vão
----------------Db7----------- Gbm
Eu sei que preso tens o coração
---------------Am------------------- E
Eu sei que vives tristemente a ocultar
------------------B7-------------- ( E B7 E)
Que a outro amas sem querer amar

-------Em---------- B7-------- Em
Mulher o teu capricho vencerá
---------Am -----------------Em
E um dia tua loucura findará
-------B7 --------------------------Em
A Deus, a Deus minh’alma entregarei
-----------------Gb7 ----------B7
Se de outro fores juro morrerei

------Em ----------Am--- B7---- Em
Amar que sonho lindo encantador
----------Am --------------------------Em
Mais lindo por quem leal nos tem amor
-----Am --------------------------Em
E tu vens desprezando sem razão
-------------------------------Gb7
A mim que choro e busco em vão
-------------B7-------- Em
O teu ingrato coração



Fontes: A Canção no Tempo - Vol. 1 - Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello - Editora 34; Discografia Brasileira - IMS; Instituto Moreira Salles.

Coração Materno

Todo o romantismo dramático, exacerbado, que caracteriza o estilo Vicente Celestino está em "Coração Materno", composição baseada numa lenda de mais de quinhentos anos, segundo o autor. Secular ou não, o fato é que a tal lenda inspirou a mais trágica (se levada a sério) ou mais ridícula canção de nossa música popular (na foto: Vicente Celestino).

Uma canção sobre as desventuras de um sujeito que mata a própria mãe e lhe extrai o coração, para oferecê-lo a namorada, que assim o exige como prova de sua paixão... E quando volta correndo para completar a missão junto à amada, o desastrado matricida tropeça e cai, quebrando a perna. Nesse momento, o coração materno salta-lhe da mão e, rolando pelo chão, exclama: "Magoou-se, pobre filho meu? / vem buscar-me que ainda sou teu...". Pois esta inacreditável canção impressionou e comoveu os fãs de Vicente Celestino, constituindo-se em um de seus maiores e mais duradouros sucessos.

Em 1968, "Coração Materno" foi utilizado com grande repercussão por Caetano Veloso, no disco Tropicália, simbolizando o culto ao cafona. Em flagrante contraponto à versão patética de Vicente, Caetano deu-lhe uma interpretação linear e fria, acompanhado por uma orquestra de Rogério Duprat.

Assim como O Ébrio, Coração Materno também virou filme, rodado em 1952 e estrelado por Vicente Celestino e sua mulher Gilda de Abreu. Só que no filme, Gilda, autora do argumento, amenizou a tragédia, cancelando o tricídio. Talvez por isso não tenha repetido o sucesso de "O Ébrio"...

Coração materno (tango-canção, 1937) - Vicente Celestino - Intérprete: Vicente Celestino

Disco 78 rpm / Título da música: Coração materno / Vicente Celestino (Compositor) / Vicente Celestino (Intérprete) / Orquestra Victor Brasileira (Acomp.) / Gravadora: Victor / Gravação: 18/03/1937 / Lançamento: 03/1937 / Nº do Álbum: 34156 / Nº da Matriz: 80346-1 / Gênero musical: Tango canção


Int.: Dm Em5-/7 A4/7 A7
 
 Dm                 A7                                           
Disse um campônio à sua amada: 
                                    Dm
   "Minha idolatrada, diga-me o que quer
    Am5-/7   D7         Gm Gm/F          
Por ti vou matar, vou roubar, 
                E                A7
    embora tristezas me causes mulher
 Dm                     A7                                      
Provar quero eu que te quero, 
                                       Dm
     venero teus olhos, teu porte, teu ser
    Am5-/7     D7     Gm                    
Mas diga, tua ordem espero, 
                      A7               D     A7
    por ti não me importa matar ou morrer"

        D        Bm           Em            
E ela disse ao campônio, a brincar:    
                 A7                D    A7
       "Se é verdade tua louca paixão
      D        D7       G            E               A7
Parte já e pra mim vá buscar de tua mãe inteiro o coração"
  F#7  Bm               Em             A7               D   A7
E a correr o campônio partiu, como um raio na estrada sumiu
      D    D7         G         A7                 Dm
Sua amada qual louca ficou, a chorar na estrada tombou
 Dm                   A7
Chega à choupana o campônio 
                                   Dm
E encontra a mãezinha ajoelhada a rezar
Am5-/7       D7        Gm  Gm/F
Rasga-lhe o peito o demônio
             E                  A7
Tombando a velhinha aos pés do altar
 Dm              A7                                   Dm
Tira do peito sangrando da velha mãezinha o pobre coração
 Am5-/7     D7         Gm                  
E volta à correr proclamando: 
                    A7                 D      A7
     "Vitória, vitória, tens minha paixão"
        D         Bm     Em        A7               D    A7
Mas em meio da estrada caiu, e na queda uma perna partiu
        D         D7         G            E             A7
E à distância saltou-lhe da mão sobre a terra o pobre coração
 F#7     Bm             Em                 A7          D
Nesse instante uma voz ecoou: "Magoou-se, pobre filho meu?
     D         D7           G           A7                    D
Vem buscar-me filho, aqui estou, vem buscar-me que ainda sou teu!"


Fonte: A Canção no Tempo - Vol. 1 - Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello - Editora 34.

terça-feira, 25 de abril de 2006

O Ébrio

Vicente Celestino interpretando "O ébrio".


O sucesso permanente da canção "O Ébrio" inspiraria, dez anos depois de seu lançamento, a realização do filme homônimo, recordista de bilheteria em todo o país. Impressionado com o personagem, o público chegaria mesmo a identificá-lo com seu criador, o abstêmio Vicente Celestino.

Com efeito, o tema e principalmente a forma declamada da interpretação foram fatores decisivos para que se chegasse a tal exagero. A letra dramática, repleta de desventuras e imagens beirando a pieguice, é uma perfeita sinopse para o enredo de um filme, desde o prólogo falado à parte musical propriamente dita. Nesta, o contraste da primeira parte, no modo menor, com a segunda, no modo maior, contribui para ressaltar a tragédia do protagonista. "O Ébrio", que também inspirou uma peça de teatro (em 1936) e uma novela de televisão (na TV Paulista, em 1965), foi lançado no terceiro disco de Vicente Celestino na Victor, gravadora onde ele permaneceu por 33 anos, até sua morte em 1968.

O Ébrio (canção, 1936) - Vicente Celestino - Intérprete: Vicente Celestino

Disco 78 rpm / Título da música: O ébrio / Vicente Celestino (Compositor) / Vicente Celestino (Intérprete) / Orquestra Victor Brasileira (Acomp.) / Gravadora: Victor / Gravação: 07/08/1936 / Lançamento: 09/1936 / Nº do Álbum: 34091 / Nº da Matriz: 80195-1 / Gênero musical: Canção



"Nasci artista. Fui cantor. Ainda pequeno levaram-me para uma escola de canto. O meu nome, pouco a pouco, foi crescendo, crescendo, até chegar aos píncaros da glória. Durante a minha trajetória artística tive vários amores. Todas elas juravam-me amor eterno, mas acabavam fugindo com outros, deixando-me a saudade e a dor. Uma noite, quando eu cantava a "Tosca", uma jovem da primeira fila atirou-me uma flor. Essa jovem veio a ser mais tarde a minha legítima esposa.

Um dia, quando eu cantava "A Força do Destino", ela fugiu com outro, deixando-me uma carta, e na carta um adeus. Não pude mais cantar. Mais tarde, lembrei-me que ela, contudo, me havia deixado um pedacinho de seu eu: a minha filha. Uma pequenina boneca de carne que eu tinha o dever de educar. Voltei novamente a cantar mas só por amor à minha filha. Eduquei-a, fez-se moça, bonita...

E uma noite, quando eu cantava ainda mais uma vez "A Força do Destino", Deus levou a minha filha para nunca mais voltar. Daí pra cá eu fui caindo, caindo, passando dos teatros de alta categoria para os de mais baixa. Até que acabei por levar uma vaia cantando em pleno picadeiro de um circo. Nunca mais fui nada. Nada, não! Hoje, porque bebo a fim de esquecer a minha desventura, chamam-me ébrio, ébrio..."

-----Am--------- E7------------------------- Am
Tornei-me um ébrio, na bebida busco esquecer
-------------A7 ----------------------------------Dm
Aquela ingrata que eu amava, e que me abandonou
---------------------Dm6 ---------Am
Apedrejado pelas ruas, vivo a sofrer
--------------B7---------------------------- E7
Não tenho lar, e nem parentes, tudo terminou
---------------------------------------------Am
Só nas tabernas é que encontro o meu abrigo
-----------A7------------------------------- Dm
Cada colega de infortúnio, um grande amigo
-------------------------Dm6--------------- Am
Que embora tenham como eu seus sofrimentos
------------E7----------------------------- Am --------E7
Me aconselham, e aliviam os meus tormentos

----------A-------- Gb7 ---------Bm
Já fui feliz e recebido com nobreza até
----------------E7----------------------- A -------E7
Nadava em ouro, e tinha alcova de cetim
--------------A---------------- Gb7 -------------Bm
E a cada passo um grande amigo em que depunha fé
--------------E7 ---------------A
E nos parentes . . . confiava sim . . .
--------------------------Gb7-------- Bm
E hoje ao ver-me na miséria, tudo vejo então
----------D7 ---------------------------Db7
O falso lar que amava, e a chorar deixei
------------Dm--------- F -----A------------ Gb7
Cada parente, cada amigo, um ladrão
---------------Bm--------- E7------------- A----- Am
Me abandonaram, e roubaram o que amei.

------------E7 -----------------------Am
Falsos amigos, eu vos peço, imploro a chorar
-----------------A7---------------------------------- Dm
Quando eu morrer a minha campa nenhuma inscrição
-----------------------------------Dm6------------ Am
Deixai que os vermes pouco a pouco venham terminar
---------------B7------------------- E7
Este ébrio triste, e este triste coração

---------------------------------------------Am
Quero somente na campa em que eu repousar
--------------A7--------------------------- Dm
Os ébrios loucos como eu venham depositar
---------------------------------Dm6------ Am
Os seus segredos, ao meu derradeiro abrigo
----------E7 -------------------------Am
E suas lágrimas de dor ao peito amigo


Fontes A Canção no Tempo - Vol. 1 - Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello - Editora 34; Discografia Brasileira - IMS; Instituto Moreira Salles.

segunda-feira, 24 de abril de 2006

Ouvindo-te

Ouvindo-te (tango-canção, 1935) - Vicente Celestino - Intérpretes: Gilda de Abreu e Vicente Celestino

Disco 78 rpm / Título da música: Ouvindo-te / Vicente Celestino (Compositor) / Gilda de Abreu, 1904-1979 (Intérprete) / Celestino, Vicente (Intérprete) / Pixinguinha [Direção], Orquestra Victor Brasileira (Acomp.) / Gravadora: Victor / Gravação: 12/07/1935 / Lançamento: 09/1935 / Nº do Álbum: 33969 / Nº da Matriz: 79977-1 / Gênero: Tango canção


Basta o castigo que vens dando
Está pouco a pouco me matando
Canto de ti só ouço o contracanto
No entanto queria ver
Justo seria conhecer
Quem vive a amar e adorar

A tua voz estou a ouvir
No entanto eu queria a ti sentir
És tão cruel, que mal te fiz
Que mesmo sem te ver sempre te quis


E teu prazer é que eu sofra de amor por ti
Que te ame sem te ver meu bem-te-vi
E bastaria que só uma vez te visse flor
Depois morrer dizendo bendito amor



Fontes: Discografia Brasileira - IMS; Instituto Moreira Salles.