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quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Tava na roda do samba

Tava na roda do samba (samba, 1932) - Salvador Correia

Título da música: Tava na roda do samba / Gênero musical: Samba / Intérprete: Almirante e Bando de Tangarás / Compositor: Correia, Salvador / Álbum 33524 / Gravação e lançamento: 00/1932 / Lado A / Disco selo Victor 78 rpm:

Tava na roda do samba
Quando a polícia chegô
Vamos acabá co'esse samba
Que o delegado mandô...oiii (x2)

Vâmo aguentando negrada
Que o samba é dia e lia
E quem não tiver coragem
Que apele pra correria...ôôô (x2)

Tava na roda do samba
Quando a polícia chegô
Vamos acabá co'esse samba
Que o delegado mandô...oiii (x2)

O samba tava enfezando
Combato que com harmonia
Mas a polícia chegando
Moveu com a pancadaria...ôôô (x2)

Tava na roda do samba
Quando a polícia chegô
Vamos acabá co'esse samba
Que o delegado mandô...oiii (x2)

Vâmo acabá com esse samba
Oi, vâmo acabá de uma vez
Que lá vem o delegado
Que vai nos levá pro xadrez...ôôô (x2)

sábado, 2 de outubro de 2010

O samba carioca não nasceu no morro

Almirante
Segunda-feira, à noite, na Escola Nacional de Música, para membros do Congresso Brasileiro de Folclore e outros interessados, Almirante (1) fez uma palestra sobre o samba carioca. Palestra simples, que, modestamente, ele apresentou como a contribuição despretensiosa de um mero curioso do assunto, mas que, como logo foi verificado, resultou em uma colaboração magnífica para o conhecimento da história e evolução da nossa música popular. Foram minutos agradáveis, principalmente pelo tom de que se revestiu a exposição, clara e leve, ainda ilustrada pela participação de vários dos melhores e autênticos sambistas, autores e intérpretes.

Na ocasião, Almirante defendeu o seu ponto de vista, já conhecido, de que "o samba carioca não nasceu no morro". E, ao fazê-lo, trouxe a confirmação e a palavra autorizada de alguns daqueles que acompanham o samba desde os primeiros passos, como Pixinguinha — o grande Pixinga, João da Baiana — com o laço de fita preta ao colarinho e fazendo a marcação no mesmo pandeiro que recebeu de Pinheiro Machado em 1903, Heitor dos Prazeres — com os olhos miúdos dançando atrás dos óculos sem aros e dedilhando as cordas do mesmo cavaquinho "pega-janta" dos saudosos tempos da casa da tia Ciata.

Durante a palestra de Almirante, tiramos as notas que se seguem.

A palavra "samba" designando o gênero de música popular carioca surge em agosto de 1916, em Pelo telefone. Mas o ritmo já veio de muito antes, em meio às diversas designações.

Almirante recorre aos arquivos, à procura de exemplos. Que ele próprio canta, enquanto Arlindo, Darli e Araújo fazem o fundo musical, de cavaquinho e violões. De 1915, uma polca:

Ai, ai, é da minha
A urucubaca da miudinha
Ai, ai, é da grossa
A urucubaca da perna grossa

Por volta de 1906, uma chula motivo do cordão Filhos da Jardineira:

Não deixa tirar
A rosa da roseira
Ai, ai, ai
Formosa jardineira

De 1905, uma cantiga popular das ruas, sem classificação:

Eu vou beber
Eu vou me embriagar
Eu vou fazer barulho
Para a polícia me pegar

E até de 1889, na peça teatral O bedengó, o tango brasileiro Terra do vatapá:

Eu sou da terra do vatapá
Moqueca, ioiô, moqueca, ioiô
Lá no fundo do sertão
Tem uma moça bonita

Realmente, certifica-se que o tango brasileiro de 1889, a cantiga não classificada de 1905, a chula de 1906 e a polca de 1915, seriam sambas nos dias de agora.

A toada já existia, portanto, às vezes, em ritmo um pouco diferente, mais ligada às formas de denominações estabelecidas. E a sua apresentação era feita, geralmente, por ocasião das festas das baianas — que estas eram muitas, aqui no Rio — durante os presépios e lapinhas, as comemorações de Natal até Reis, quando os diversos ranchos saíam à rua para a troca de cumprimentos em evoluções próprias. Então, formava-se o "samba", a roda em que se batia o "baiano" ou "rojão", dançado ao som dos violões e cavaquinhos que ponteavam, com os intervalos cheios pelo solo do canto.

E Almirante lembra das músicas de 1906, mais ou menos:

Eu bem dizia, ó baiana
Dois metros sobravam
Saia de baião, babadão
Meio metro dava

E observa a mesma cadência do samba de hoje.

Ora, as baianas no Rio moravam pela Cidade Nova, principalmente. Entre elas, as mais célebres: Gracinda e Bibiana, em São Domingos; Ciata, na rua da Alfândega, Teresa — Tetéia, na rua Luiz de Camões. As outras, em Senador Pompeu, Barão de São Félix e adjacências. Assim, a música de origem nas suas cerimônias não veio do morro.

Aconteceu, entretanto, que por causa das ruas estreitas — como eram aquelas (e algumas ainda o são) — o samba das baianas não despertou maior interesse senão quando a tia Ciata se mudou para o 117 da rua Visconde de Itaúna, junto à praça Onze de Junho, nas proximidades da qual também havia, como motivos de atração, diversas sociedades recreativas — e carnavalescas, por excelência — como Cananga do Japão, Paladinos da Cidade Nova, União dos Amores, entre outras, e, mais, a casa sempre freqüentada de um macumbeiro célebre, pai Anselmo.

Na casa da tia Ciata, em tono de 1916, reuniam-se os mais famosos autores e intérpretes da música popular da época, aqueles que iriam ser os responsáveis pelo novo gênero, dando-lhe a designação e forma definitiva.

E Almirante lembra alguns nomes, todos de gente de longe do morro: João da Mata, tenente Hilário, Germano Lopes da Silva, Ernesto dos Santos (o Donga), Marinho ("Marinho, que toca!..."), José Luís de Morais (o Caninha) e, principalmente, José Barbosa da Silva (o Sinhô), além dos citados.

Foi daí, da casa da tia Ciata, firmado por Ernesto dos Santos — o Donga — e Mauro de Almeida, que saiu Pelo telefone, o primeiro samba carioca, sob essa denominação, oficialmente:

O chefe da folia
Pelo telefone, mandou-me avisar
Que com alegria
Não se questione, para se brincar

Ai, ai, ai
Deixa as mágoas para trás
Ó rapaz
Ai, ai, ai
Fica triste, se és capaz
E verás

Tomara que tu apanhes
Pra não tornar a fazer isso
Roubar amores dos outros
Depois, fazer teu feitiço

Oi, a rolinha, sinhô, sinhô
Se embaraçou, sinhô, sinhô
Caiu no laço, sinhô, sinhô
Do nosso amor, sinhô, sinhô

Porque este samba, sinhô, sinhô
De arrepiar, sinhô, sinhô
Põe a perna bamba, sinhô, sinhô
Mas faz gozar

Mais uma vez, Almirante observa a semelhança de Pelo telefone às músicas da época, das quais sofreu a influência, inevitável, resultando como que em uma colcha de retalhos: até a música sertaneja, que para o Rio de Janeiro fora trazida por João Pernambuco, em 1913, oferece motivos na última parte:

Oi, a rolinha, sinhô, sinhô

Nada de morro, portanto.

Evidentemente, o novo gênero não foi logo fixado. Ainda em 1920, por exemplo, um autor dos méritos de Eduardo Souto chamava samba a esta sua música, muito tocada e cantada, autêntica marchinha carioca:

Levanta o pé
Esconde a mão
Eu quero ver
Se tu gostas de mim ou não

Mas em seguida a Pelo telefone (também chamado Roceiro) e até nas discussões em torno do seu aparecimento, foram aparecendo novas composições, ao seu gênero, que assim foi tomando forma e assumindo o tipo determinado. Nestes primeiros passos, trazidos por aqueles nomes citados linhas atrás, o samba nada teve com o morro, em várias ocasiões, animado por tantos e tantos autores célebres, como J. F. Freitas, Eduardo Souto, Cardoso de Menezes, Bequinho, Luís Nunes (o Careca), Freire Júnior, Joubert de Carvalho, Costinha, Romeu Silva, Duque, Wantuil de Carvalho, Ary Kerner, Lamartine Babo, Noel Rosa, Ari Barroso e muitos outros.

— Admita-se, portanto, que o samba carioca não nasceu no morro. Não porque houvesse algum mal se assim tivesse sido. É que não foi , apenas...

Fonte: (Almirante. "O samba carioca não nasceu no morro". Correio da Manhã. Rio de Janeiro, 02 de setembro de 1951).
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(1) Henrique Foréis Domingues, cantor, compositor, pesquisador e radialista - famoso pelo apelido de Almirante, ganho quando serviu à Marinha, nos anos de 1920 - começou sua promissora carreira no meio musical carioca como cantor e pandeirista do grupo Flor do Tempo, que depois se transformaria no Grupo de Tangarás (Almirante, Noel Rosa, Alvinho, Henrique Brito e Braguinha).

sexta-feira, 14 de março de 2008

Vou deixar meu Ceará

Almirante
Vou deixar meu Ceará (toada, 1937) - José de Sá Róris - Intérprete: Almirante

Disco 78 rpm / Título: Vou deixar meu Ceará / Sá Róris (Compositor) / Almirante, 1908-1980 (Intérprete) / Benedito Lacerda [1903-1958] e Seu Conjunto Regional (Acomp.) / Gravadora: Odeon / Gravação: 29/05/1937 / Lançamento: 07/1937 / Nº do Álbum: 11484 / Nº da Matriz: 5582 / Gênero nusical: Toada sertaneja / Coleções de origem: IMS, Nirez


Eu vô deixá meu Ceará
Mas eu vorto quando o tempo amiorá
Eu vô deixá meu Ceará
Mas eu vorto quando o tempo amiorá

Já nim canta a saracura
Já nim canta o sabiá
Meu açude já secô
Meus legume se acabô

Vô m'imbora pro Pará
(Vô m'imbora pro Pará)

(refrão)

Já perdi tudo que eu tinha
Cuma é que vô vevê
Meus bichinho tão morrendo
Tudo, tudo se perdendo
Já nem tenho o que comê
(Já nem tenho o que comê)

(refrão)

Vade a mim Nossa Senhora
Vem ouvir minha oração
Manda chuva com fartura
Pra sarvá as criatura
Tenha dó do meu sertão
(Tenha dó do meu sertão)

(refrão)

Lá no céu nenhuma nuvem
Nim choveu no Pioí
Só se vê gente passando
Eu inté já tô chorando
Só de vê que vô parti
(Só de vê que vô parti)

(refrão)



Fontes: Discografia Brasileira - IMS; Instituto Moreira Salles.

segunda-feira, 10 de março de 2008

Vou me casar no Uruguai

Almirante
Vou me casar no Uruguai (samba-choro, 1935) - Valfrido Silva e Gadé - Intérprete: Almirante

Disco 78 rpm / Título da música: Vou me casar no Uruguai / Gadé, 1904-1969 (Compositor) / Valfrido Silva, 1904-1972 (Compositor) / Almirante, 1908-1980 (Intérprete) / Gravadora: Odeon / Gravação: 30/08/1935 / Lançamento: 10/1935 / Nº do Álbum: 11272 / Nº da Matriz: 5131 / Gênero musical: Samba choro / Coleções de origem: IMS, Nirez


Eu fico em casa, você tá falando
Se eu vou pra rua, você quer brigar
O nosso gênio não tá combinando
Isso não é vida, eu vou me separar
Se você teima eu também sou teimoso
O nosso tempo vai em discussão

Se você acha que eu não sou bondoso
Arranje um palacete
Saia do meu barracão

Vou lhe dizer que já gastei muitos mil réis
Que estou tratando dos papéis
Para me separar
To arranjando um divórcio camarada
Porque nossa amizade
Hoje em dia não é nada

Nossa união
Vai ter o fim que eu queria
E etcetera e correria
Vai ser bem melhor
Você se vista
E vá pra casa de seu pai
Que eu vou comprar minha passagem
Vou casar lá no Uruguai



Fontes: Discografia Brasileira - IMS; Instituto Moreira Salles.

sexta-feira, 29 de fevereiro de 2008

Batucada

Eduardo Souto
Batucada (marcha/carnaval, 1931) - João de Barro e Eduardo Souto

Disco 78 rpm / Título da música: Batucada / João de Barro, 1907-2006 (Compositor) / Eduardo Souto (Compositor) / Almirante, 1908-1980 (Intérprete) / Bando de Tangarás, 1929-1931 (Intérprete) / Gravadora: Parlophon / Nº do Álbum: 13256-a / Nº da Matriz: 3730 / Gravação: 02/08/1930 / Lançamento: Jan/1931 / Gênero musical: Marcha / Coleções: Robespierre Martins Teixeira, Nirez, José Ramos Tinhorão, Humberto Franceschi


Ô, ô
Nós semo é memo do amô (x2)

Mulatinha frajola
Entra aqui no cordão (cordão)
Que a fuzarca consola
As mágoa que a gente
Traz no coração

(refrão)

Mulata, benzinho
Vem pra mim de uma vez
Dou-te amor e carinho
Dinheiro não tenho
Não sou português

(refrão)

Vou comprá uma redoma
Nela eu vou te guardá (guardá)
Que os malandros te oiando
Meu bem, são capaz
De te profaná

(refrão)

Vem, meu bem, pro Salgueiro
Leblon não vale nada
Pois nos bairros de lá
Mulata, meu anjo
Não tem batucada

(refrão)



Fontes: Discografia Brasileira - IMS; Instituto Moreira Salles.

Batente

Batente (samba/carnaval, 1931) - Almirante

Disco 78 rpm / Título da música: Batente / Almirante, 1908-1980 (Compositor) / Almirante, 1908-1980 (Intérprete) / Bando de Tangarás, 1929-1931 (Intérprete) / Gravadora: Parlophon / Nº do Álbum: 13242-b / Nº da Matriz: 4006 / Lançamento: Nov/1930 / Gênero musical: Samba / Coleções: Nirez, José Ramos Tinhorão, Humberto Franceschi


Queria te ver no batente
Sambando com a gente
Do Morro do Salgueiro
Queria te ver sem orgulho
Fazendo barulho
Batendo pandeiro (x2)


Sobe lá no morro
Para ver o que é orgia
Ver a bateria
Ver o tamborim
Ver o cavaquinho
Que só faz é din-din-din
Ver o violão
Como faz bem a marcação

(refrão)

Samba só é samba
Com batuque verdadeiro
Quando tem pandeiro
Marcando a cadência
Quando o centro é feito
Por chocalho e por barrica
Veja como fica
Acompanhado pela cuíca

(refrão)



Fontes: Discografia Brasileira - IMS; Instituto Moreira Salles.

Abandonado

Castro Barbosa
Abandonado! (samba, 1931) - Jonjoca (João de Freitas)

Disco 78 rpm / Título da música: Abandonado! / Jonjoca (Compositor) / Almirante, 1908-1980 (Intérprete) / Castro Barbosa (Intérprete) / Jonjoca (Intérprete) / Canhoto (Waldiro Tramontano), 1908-1987 (Acomp.) / Grupo (Acomp.) / Gravadora: Victor / Nº do Álbum: 33481-b / Nº da Matriz: 65253-2 / Gravação: 13/10/1931 / Lançamento: Nov/1931 / Gênero musical: Samba


Abandonado!
Vou vivendo sem você
Para nunca mais sofrê,
Meu bem
Sua amizade
Nunca me deixou saudade
Você pode até morrê

(Abandonado eu vivo)(x2)

Eu por você não vou chorar
Não precisa consolar
Que eu também ia deixar
O amor
Que nos uniu por tanto tempo
E depois
Graças a Deus que acabou
Sem eu sentir que estava

Abandonado!
Vou vivendo sem você
Para nunca mais sofrê,
Meu bem
Sua amizade
Nunca me deixou saudade
Você pode até morrê
(Abandonado eu vivo)(x2)

Eu de você
Já estava cheio
Digo isto sem receio
Porque nunca de mulher
Que nem mesmo
E lastimo em me lembrar
Francamente
Não ter sido isso mais cedo

domingo, 17 de fevereiro de 2008

Azulão

Azulão (toada pernambucana) - motivo popular / Almirante e João de Barro

Título da música: Azulão / Gênero musical: Toada pernambucana / Intérprete: Gastão Formenti / Compositores: Almirante - João de Barro - motivo popular / Acompanhamento: Bando de Tangarás / Gravadora Victor / Número do Álbum 33628 / Data de Gravação: 29/12/1932 / Data de Lançamento: 03/1933 / Lado A / Disco 78 rpm:

Azulão é passo preto / Rouxinol cor de canela
Quem tem seu amor de fronte / Faz rondar, faz sentinela

Também faço sentinela / E rondo que nem soldado
Tua janela menina / Do vestidinho encarnado
A dias não te avistei / Fiquei triste desolado
Chorei muito com saudade / Do teu vestido encarnado

Azulão é passo preto / Rouxinol cor de canela
Quem tem seu amor de fronte / Faz rondar, faz sentinela

Por acaso aqui passando / Vi andorinhas bando alado
Perguntei se tinham visto / O teu vestido encarnado
Uma delas, disse às outras / Vive penando coitado
Neste vestido encarnado

Azulão é passo preto / Rouxinol cor de canela
Quem tem seu amor de fronte / Faz rondar, faz sentinela

As nuven já tem inveja / de ti meu anjo adorado
Ontem à tarde vieram / Vestidinhas de encarnado
E se Deus me perguntasse / Que queres e isto seja dado
Peço pra morrer nas dobras / Do teu vestido encarnado

Azulão passo preto / Rouxinol cor de canela
Quem tem seu amor de fronte / Faz rondar, faz sentinela
Quem tem seu amor e fronte / Faz rondar, faz sentinela
Faz sentinela

Vida marvada

Vida marvada (toada mineira, 1937) - Almirante e Lúcio Azevedo -

Vance num sabe como é bom vive
Numa casinha branca de sapé
Como uma muié a nos fazê carinho
Uma galinha, dois ou três pintinho

Se o sór tá quente a gente arranja rede
Garra a viola presa na parede
Acende o pito gospe e passa o pé
E deixa a vida como Deus quizé

Eh! vida marvada
Não adianta fazer nada
Pru que se esforça
Se não paga a pena trabaiá

Num sei pruque que aqui num nasce nada
É só capim, só mato, espinharada
Não nasce arroz, nem mio, nem feijão
Num sei o que que exeste neste chão

De manhã cedo eu óio pra rocinha
Pra vê se a vez nasceu quarqué coisinha
Mas qual o que não nasceu nada não
Prantando nasce, mas não pranto não

Eh! vida marvada
Não adianta fazer nada
Se não paga a pena trabaiá

Dengo dengo

Cardoso de Menezes
Dengo dengo (polca, 1913) - Emília Duque Estrada Farias e Cardoso de Menezes

O trecho seguinte da polca “Dengo dengo”, grande sucesso no Carnaval de 1913, foi tirado de uma apresentação radiofônica de Almirante em 1946:



Esta letra (assim como o trecho sonoro acima) foi publicada por Roberto Lapiccirella no site Ao Chiado Brasileiro.

Dengo, dengo, dengo
Ó maninha
Tá chegada a hora
Dos Capicurus
Ó maninha
Ganhar a vitória

Dengo, dengo, dengo
Ó maninha
É de caruru
Quem matou baeta
Ó maninha
Foi carapicu

Eu bem dizia baiana
Dois metros sobrava
Saia do balão
Babadão
Metro e meio dava


Obs.: Gatos, Baetas e Carapirus eram os apelidos das grandes sociedades carnavalescas Fenianos, Tenentes do Diabo e Clube dos Democráticos.

Fonte: As Crônicas Bovinas, Parte 7

domingo, 20 de agosto de 2006

Bambo de bambu

Carmen Miranda

Bambo do Bambu (samba-embolada, 1939) - Donga e Patrício Teixeira - Intérprete: Patrício Teixeira

Disco 78 rpm / Título da música: Bambo Bambu / Donga (Compositor) / Patrício Teixeira (Compositor) / Patrício Teixeira (Intérprete) / Gravadora Odeon / Número do Álbum: 122961 / Data de gravação e lançamento: 1921-1926 / Lado B / Gênero musical: Embolada.



Disco 78 rpm / Título da música: Bambu, Bambu / Donga (Compositor) / Patrício Teixeira (Compositor) / Intérprete: Carmen Miranda / Acompanhamento Bando da Lua e Garoto / Gravadora Decca, 1955 / Álbum 23132 / Lado B / Gênero musical: Samba-embolada.



(Refrão:)

Olha o bambo de bambu, bambu, bambu
A pequena notável
Olha o bambo de bambu, bambulelê
Olha o bambo de bambu, bambulalá
Eu quero ver dizer três vezes
Bambulelê, bambulalá


Fui a um banquete na casa do Zé Pequeno
A mesa tava no sereno pra todo mundo caber
Tinha de toda qualidade de talher
Tinha mais homem que mulher
Mas só não tinha o que comer, bambu


(Refrão)

No tal banquete dito-cujo referido
Mulher que tinha marido
Não passou aperto, não
Pois as danadas, para não morrer de fome
Cada qual comeu seu homem
Não tiveram indigestão, bambu


(Refrão)

Conheço um homem que tem 17 filhos
Que pôs tudo no desvio
Pra polícia empregar
A mulher dele, de beleza ainda promete
Dar a luz a 17
Pra depois então parar


(Refrão).

terça-feira, 15 de agosto de 2006

Deixa a lua sossegada

Almirante
Deixa a lua sossegada (marcha, 1935) - João de Barro e Alberto Ribeiro - Intérprete: Almirante

Disco 78 rpm / Título da música: Deixa a lua sossegada / Alberto Ribeiro, 1902-1971 (Compositor) / João de Barro "Braguinha", 1907-2006 (Compositor) / Almirante, 1908-1980 (Intérprete) / Pixinguinha [Direção], Diabos do Céu (Acomp.) / Gravadora: Victor / Gravação: 03/12/1934 / Lançamento: 01/1935 / Nº do Álbum: 33882 / Nº da Matriz: 79793-1 / Gênero musical: Marcha


É madrugada
De longe eu vim
Deixa a lua sossegada
E olhe pra mim


A lua malcriada quando passa
Espia na vidraça
Dos quartos de dormir

Zombando dos casais enamorados
Quase sempre descuidados
Ela fica sempre a rir


Não quero mais saber de ver a lua
Que passa pela rua
Roubando a escuridão
Prefiro ver você sem ver a lua
Contemplando a imagem sua
Bem juntinho ao seu portão


Se não houvesse lua, eu asseguro
O mundo no escuro
Seria muito bom
Um beijo começava em Realengo
Esquentava no Flamengo
E acabava no Leblon



Fontes: Discografia Brasileira - IMS; Instituto Moreira Salles.

Trem blindado

Trem blindado (marcha/carnaval, 1933) - João de Barro - Intérprete: Almirante

Disco 78 rpm / Título da música: Trem blindado / João de Barro, 1907-2006 (Compositor) / Almirante, 1908-1980 (Intérprete) / Grupo da Guarda Velha (Acomp.) / Gravadora: Victor / Gravação: 01/12/1932 / Lançamento: 01/1933 / Nº do Álbum: 33610 / Nº da Matriz: 65611-1 / Gênero musical: Marcha


Meu bem, pra me livrar da matraca
Da língua de uma sogra
Eu comprei um trem blindado
Pra poder sair no carnaval

Mulata, por teu encanto
Muito eu levei na cabeça

Porém agora eu duvido
Que isto outra vez aconteça
Do teu falado feitiço
Eu pouco caso lhe faço
Mandei fazer em São Paulo, mulata
Um capacete de aço

Meu bem, pra me livrar da matraca
Da língua de uma sogra infernal
Eu comprei um trem blindado
Pra poder sair no carnaval

Mulata, quando eu te vi
Logo pedi anistia
Pois os teus olhos lançavam
Terrível fuzilaria
E pra ninguém aderir
Ao nosso acordo amoroso
Botei na porta da casa, mulata
Um canhão misterioso



Fontes: Discografia Brasileira - IMS; Instituto Moreira Salles.

quarta-feira, 9 de agosto de 2006

Eu vou pra Vila


Noel podia perfeitamente ter inspirado o desenhista que imaginou a capa ao lado do samba "Eu vou pra Vila", pois nela aparecem, além dos Tangarás voando em torno do título, os tipos mais explorados pelo compositor em suas obras: o policial, o tipo de chapéu de palha, o seresteiro, a mulata (ilustração extraída da Revista da Semana, de 08/11/1952).

Eu Vou Pra Vila (samba, 1931) - Noel Rosa - Intérprete: Almirante

Disco 78 rpm / Título: Eu vou pra Vila / Rosa, Noel, 1910-1937 (Compositor) / Almirante, 1908-1980 (Intérprete) / Bando de Tangarás (Intérprete) / Gravadora: Parlophon / Nº do Álbum: 13256 / Nº da Matriz: 3734-1 / Gravação: 02/08/1930 / Lançamento: 12/1931 / Coleções de origem: Robespierre Martins Teixeira, Nirez, José Ramos Tinhorão, Humberto Franceschi



Não tenho medo de bamba
Na roda do samba

Eu sou bacharel... Sou bacharel...
Andando pela batucada
Onde eu vi gente levada
Foi lá em Vila Isabel.

"Na Pavuna tem ternura..."
"Na Gamboa, gente boa..."

Eu vou pra vila,
Onde o samba é de coroa

Já mudei de Piedade,
Já saí de Cascadura,
Eu vou pra vila,
Pois quem é bom não se mistura.

Quando me formei em samba,
Recebi uma medalha,
Eu vou pra vila,
Pro samba de chapéu de palha,
A policia, em todo canto,
Proibiu a batucada.
Eu vou pra vila,
Onde a policia é camarada.


Fonte: Discografia Brasileira - IMS.

quinta-feira, 18 de maio de 2006

Tamanho não é documento

Tamanho não é documento (marcha, 1939) - Enéas M. Assis e Lamartine Babo

Disco 78 rpm / Título da música: Tamanho não é documento / Autoria: Assis, Enéas M. de (Compositor) / Adaptação: Babo, Lamartine, 1904-1963 (Compositor) / Babo, Lamartine, 1904-1963 (Intérprete) / Almirante (Intérprete - participação não creditada no disco) / Coro (Acompanhamento) / Imprenta [S.l.]: Odeon, 1938 / Nº Álbum 11692 / Gênero musical: Marcha.


Eu sou pequeno por fora
mas grande por dentro
Tamanho não é documento!
Eu digo sem constrangimento
Eu sou pequeno por fora
mas grande por dentro

Por fora eu sou tão pequenino
Raquítico, fraco e franzino
Anêmico, pálido e mal-acabado
Cotado! Cotado!
Vocês não me enxergam por dentro, porém
Apoiado! Muito bem!

O meu coração anda louca
Já mede um quilômetro e pouco
E bate talvez a duzentos por hora
E agora? E agora?
Agora ele voa fugindo de alguém
Apoiado! Muito bem!

Menina oxigené

Menina oxigené (marcha, 1934) - Hervé Cordovil e Lamartine Babo

Disco 78 rpm / Título da música: Menina oxigené / Autoria: Cordovil, Hervé (Compositor) / Babo, Lamartine, 1904-1963 (Compositor) / Almirante, 1908-1980 (Intérprete) / Coro (Acompanhamento) / Imprenta [S.l.]: Victor, 1933 / Nº Álbum 33740 / Gênero: Marcha


Menina, menina oxygené
O teu cabelo preto, menina (chorus ingratus)
virou marrom glacê

Teus olhos, meu bem, mudaram de cor
e de formato também
Ficaram azuis, teu namorado azulou
e nunca mais voltou

Tua boca de ruge, com a falta de cor
ficou da cor de "ferruge"
Parece metal, teu namorado que é pobre
foi quem gastou o cobre

Teus braços, meu bem
com tanto sinal fazem lembrar a Central!
E lá na Central teu namorado, menina
fugiu com a Leopoldina

quinta-feira, 27 de abril de 2006

Hino do Carnaval Brasileiro

Hino do Carnaval Brasileiro (marcha, 1939) - Lamartine Babo - Intérprete: Almirante

Disco 78 rpm / Título da música: Hino do Carnaval Brasileiro / Lamartine Babo, 1904-1963 (Compositor) / Almirante, 1908-1980 (Intérprete) / Orquestra Odeon sob Direção de Simon Bountman (Acomp.) / Gravadora: Odeon / Gravação: 08/12/1938 / Lançamento: 01/1939 / Nº do Álbum: 11692 / Nº da Matriz: 5987 / Gênero musical: Marcha / Coleções de origem: IMS, Nirez

D
Salve a morena!
                         A7
A cor morena do Brasil fagueiro
Em
Salve o pandeiro!
            A7                     D
Que desce o morro pra fazer a marcação
F#  G   F#  Bm
São são são são
           F#
Quinhentas mil morenas
G                D          A7
Louras, cor de laranja, cem mil
D      F#m7/5- B7
Salve! Sal.....ve!
Em7      A7     D
Meu carnaval Brasil!

Salve a lourinha!
                                 A7
Dos olhos verdes, cor das nossas matas
Em
Salve a mulata!
         A7                      D
Cor de café, a nossa grande produção
F#  G   F#  Bm
São são são são
           F#
Quinhentas mil morenas
G                D          A7
Louras, cor de laranja, cem mil
D      F#m7/5- B7
Salve! Sal.....ve!
Em7      A7     D
Meu carnaval Brasil!


Fontes: Discografia Brasileira - IMS; Instituto Moreira Salles.

Yes, nós temos bananas

Ao ouvirem casualmente um grego quitandeiro, dizer para um freguês a frase absurda e gramaticalmente incorreta "yes, we have no bananas", os compositores Frank Silver e Irving Cohn tiveram a idéia de usá-la numa canção humorística, cheia de disparates: "Yes, we have no bananas / we have no bananas today / we've string beans / and onions, cabbages and scallions / and all kind of fruit..." ("Sim, nós não temos bananas / não temos bananas hoje / nós temos vagens / e cebolas, repolho e alho poró/ e toda espécie de fruta...").

Lançada em 1923, a canção estourou na voz do cômico Eddie Cantor, que a aproveitara na peça "Make it snappy". Daí espalhou-se pelo mundo como um dos sucessos dos "loucos anos vinte", quando a música dos Estados Unidos assumiu a hegemonia do mercado internacional.

Quinze anos depois, partindo dos compassos iniciais de "Yes, We Have No Bananas",Braguinha e Alberto Ribeiro fariam a marchinha carnavalesca "Yes , Nós Temos Bananas".

A composição era uma crítica bem humorada à empáfia dos americanos, que chamam de "bananas republics" os países da América Latina: "Yes, nós temos bananas / bananas pra dar e vender / banana menina / tem vitamina / banana engorda e faz crescer". Segue-se uma segunda parte que, depois de referir-se às nossas exportações de algodão e café, termina com um desaforado "pro mundo inteiro / homem ou mulher / bananas pra quem quiser...". Sucesso carnavalesco. "Yes, Nós Temos Bananas" antecipa clima e motivos explorados pelo tropicalismo no final dos anos sessenta.

Yes, nós temos bananas (marcha-carnaval, 1938) - João de Barro e Alberto Ribeiro - Intérprete: Almirante

Disco 78 rpm / Título da música: Yes! nós temos bananas... / Alberto Ribeiro, 1902-1971 (Compositor) / João de Barro, 1907-2006 (Compositor) / Almirante, 1908-1980 (Intérprete) / Orquestra Odeon (Acomp.) / Regência do maestro Simon Bountman (Acomp.) / Gravadora: Odeon / Gravação: 04/11/1937 / Lançamento: 01/1938 / Nº Álbum 11550 / Nº da Matriz: 5700 / Gênero: Marcha / Coleções de origem: IMS, Nirez


---F----- Gm-- C7------ F
Yes, nós temos bananas
------Bb ----------------A7 ----Eb7------ D7
Banana pra dar e vender
-----Gm----- Bbm--- F------ D7
Banana, menina, tem vitamina
-------G7 -----------C7 -----F----- Gm---- C7
Banana engorda e faz crescer

C7------------------------ F
Vai para a França o café
Pois é
A7---------------------- D7
Para o Japão o algodão
Pois não
Gm -------------Bbm ------F--------- D7
Pro mundo inteiro / Homem ou mulher
------Gm--------- C7 ------F
Bananas para quem quiser
C7-------------------F
Mate para o Paraguai
Não vai
A7 --------------------D7
Ouro do bolso da gente
Não sai
Gm---------- Bbm ---F----- D7
Somos da crise / Se ela vier
------Gm-------- C7------ F
Banana para quem quiser



Fontes: A Canção no Tempo - Vol. 1 - Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello - Editora 34; Discografia Brasileira - IMS; Instituto Moreira Salles.

Touradas de Madri

Quem foi ao Estádio do Maracanã na tarde de 13 de julho de 1950, quando em disputa do Campeonato Mundial de Futebol (Copa do Mundo) o Brasil venceu a Espanha por 6 a 1, teve a oportunidade de assistir a um fato emocionante.

Empolgado pela exibição da seleção brasileira e sugestionado pelos gritos de "olé" da multidão, um grupo de torcedores começou a cantar - logo após o 4° gol, marcado por Chico aos onze minutos do 2° tempo - a marcha "Touradas em Madri". De repente, como num passe de mágica, a canção contagiou os 200 mil espectadores presentes, levando-os a transformar o espetáculo, que se supunha apenas futebolístico, numa das maiores demonstrações de canto coletivo de que se tem notícia até hoje.

Era como se o coro dos torcedores atuasse em contraponto às jogadas dos craques brasileiros, as duas coisas se complementando num mesmo espetáculo.

"Touradas em Madri" (*) foi feita numa época em que, por causa da guerra civil, a Espanha era notícia em toda a imprensa, surgindo daí o tema da composição. É um dos três grandes sucessos de Braguinha no carnaval de 1938, ao lado de "Pastorinhas" e "Yes, nós temos bananas".

Touradas de Madri (marcha/carnaval, 1938) - João de Barro e Alberto Ribeiro - Intérprete: Almirante

Disco 78 rpm / Título da música: Touradas de Madrid / Alberto Ribeiro, 1902-1971 (Compositor) / João de Barro "Braguinha", 1907-2006 (Compositor) / Almirante, 1908-1980 (Intérprete) / Orquestra Odeon (Acomp.) / Direção de Simon Bountman, ca1900-1977 (Acomp.) / Gravadora: Odeon / Gravação: 25/11/1937 / Lançamento: 01/1938 / Nº do Álbum: 11550 / Nº da Matriz: 5714 / Gênero musical: Marcha / Coleções de origem: IMS, Nirez

Em           B7         Em             B7    D7  G 
Pa ra ra ti bum bum bum,  Pa ra ra ti bum bum bum... 
            D7      G                   D7   B7    Em 
Pa ra ra ti bum bum bum,  Pa ra ra ti bum bum bum... 
            B7         Em                   B7 
Pa ra ra ti bum bum bum,  Pa ra ra ti bum bum 

Em                         
Eu fui as touradas em Madri, 
                 B7        Em       B7 
  pa ra ra ti bum bum bum, pa ra ra ti bum bum 
D7                         G                B7      Em 
E quase não volto mais aqui Pra ver Peri beijar Ceci, 

            B7           Em            B7 
Pa ra ra ti bum bum bum,  Pa ra ra ti bum bum 

E                                        B7 
Eu conheci uma espanhola natural da “Catalunha” 
    F#m                     B7                        Eº  E 
Queria que eu tocasse castanhola e pegasse um touro a unha 
      C#7 
Carambas, caracoles, sou do samba, não me amoles 
       F#m               A#º             E     C#m F#7 B7     Em 
Pro Brasil eu vou fugir, isso é conversa mole para boi dormir 

            B7          Em                   B7    D7    G 
Pa ra ra ti bum bum bum,  Pa ra ra ti bum bum bum... 
               D7            G               D7 
Pa ra ra ti bum bum bum,  Pa ra ra ti bum bum 

(*) No disco gravado em 1938 por Almirante consta o título "Touradas de Madrid".


Fonte: A Canção no Tempo - Vol. 1 - Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello - Editora 34; Discografia Brasileira - IMS; Instituto Moreira Salles.

quarta-feira, 26 de abril de 2006

Boneca de Piche

Cena Carioca de Ary Barroso e Luiz Iglezias com Orchestra Odeon. Participação de Almirante.
Gravado em 31/08/1938 - Disco Odeon 11654 - A Matriz 5.908 - Lançamento: Outubro 1938.
Boneca de piche (samba, 1938) - Ary Barroso e Luiz Iglésias - Intérpretes: Almirante e Carmen Miranda

Disco 78 rpm / Título da música: Boneca de piche / Luiz Iglésias (Compositor) / Ary Barroso (Compositor) / Almirante (Intérprete) / Carmen Miranda (Intérprete) / Orquestra Odeon sob Direção de Simon Bountman (Acomp.) / Gravadora: Odeon / Gravação: 31/08/1938 / Lançamento: 10/1938 / Nº do Álbum: 11654 / Nº da Matriz: 5908 / Gênero musical: Cena carioca / Coleções de origem: IMS, Nirez



Venho danado com meus calo quente
Quase enforcado no meu colarinho
Venho empurrando quase toda a gente, Eh! Eh!
Pra ver meu benzinho. Eh! Eh! Pra ver meu benzinho

Nego tu veio quase num arranco
Cheio de dedo dentro dessas luva
Bem que o ditado diz: nego de branco (Eh! Eh!)
É sinar de chuva. Eh! Eh! É sinar de chuva

Da cor do azeviche, da jaboticaba
Boneca de piche, é tu que me acaba
Sou preto e meu gosto, ninguém me contesta,
Mas há muito branco com pinta na testa

Tem português assim nas minhas água
Que culpa eu tenho de ser boa mulata
Nego se tu borrece minhas mágoa (Eh! Eh!)
Eu te dou a lata. Eh! Eh! Eu te dou lata

Não me farseia ó muié canaia,
Se tu me engana vai haver banzé
Eu te sapeco dois rabo-de-arraia, muié (Eh!, Eh!)
E te piso o pé. Eh! Eh! E te piso o pé

Da cor do azeviche, da jabuticaba
Boneca de piche, sou eu que te acaba
Tu é preto e teu gosto ninguém te contesta
Mas há muito branco com pinta na testa
Sou preto e meu gosto ninguém me contesta
Mas há muito branco com pinta na testa


Fontes: Discografia Brasileira - IMS; Instituto Moreira Salles.