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quinta-feira, 20 de outubro de 2022

Não me olhe assim

Não me olhe assim (samba, 1946) - Erasmo Silva e Mário Lago - Intérprete: Nelson Gonçalves

Disco 78 rpm / Título da música: Não me olhe assim / Erasmo Silva (Compositor) / Mário Lago, 1911-2001 (Compositor) / Nelson Gonçalves, 1919-1998 (Intérprete) / Imprenta [S.l.]: RCA Victor / Nº Álbum: 800450 / Nº da matriz: S-078549-1 / Data de gravação: 21/06/1946 / Data de lançamento: Outubro/1946 / Lado A / Gênero musical: Samba.



Por Deus, não me olhe assim
Com jeito de quem diz sim
Pois seu coração só responde não
Quando eu falo da minha paixão

Por Deus, tenha dó de mim
Não fale gostoso assim
Não maltrate quem lhe querendo bem
Vive a espera de um sim
Que não vem

Mas se o meu sofrimento
Me trouxer o momento
De prazer e alegria
Aqui estou de joelho
Com os olhos vermelhos
De chorar noite e dia
Pode me olhar e falar assim
Meu amor tem direito
De zombar de mim

Por Deus, não me olhe assim
Com jeito de quem diz sim
Pois seu coração só responde não
Quando eu falo da minha paixão

Por Deus, tenha dó de mim
Não fale gostoso assim
Não maltrate quem lhe querendo bem
Vive a espera de um sim
Que não vem

Minha revelação

Nelson Gonçalves

Minha revelação (samba, 1947) - Mário Lago e Roberto Martins - Intérprete: Nelson Gonçalves

Disco 78 rpm / Título da música: Minha revelação / Mário Lago, 1911-2001 (Compositor) / Roberto Martins, (Compositor) / Nelson Gonçalves, 1919-1998 (Intérprete) / Imprenta [S.l.]: RCA Victor / Nº Álbum 800540 / Lado A / Data de gravação: 04/03/1947 / Data de lançamento: Novembro/1947 / Gênero musical: Samba


Porque de fraco te chama
Quem chora por um amor?
Sofrer é o prazer de quem ama
Amor rima bem com a dor
Chorar de amor finalmente
Não é vergonha, isso não
É prova até que a gente
Faz uso do coração

Sabes bem que te amei
Sabes bem que sofri
E confesso que chorei
Chorei por ti
Quem me chamar de covarde
Por esta revelação
Não amou, não ame mais nada
Vai amar e me dar razão

Porque de fraco te chama
Quem chora por um amor?
Sofrer é o prazer de quem ama
Amor rima bem com a dor
Chorar de amor finalmente
Não é vergonha, isso não
É prova até que a gente
Faz uso do coração

segunda-feira, 17 de outubro de 2022

Ficarás

Mário Lago

Ficarás (samba-canção, 1952) - Mário Lago - Intérprete: Nelson Gonçalves

Disco 78 rpm / Título da música: Ficarás / Mário Lago, 1911-2001 (Compositor) / Nelson Gonçalves, 1919-1998 (Intérprete) / Imprenta [S.l.]: RCA Victor / Nº Álbum 800883 / Matriz: S 093169 / Lado: A / Data de gravação: 17/01/1952 / Data de lançamento: Maio/1952 / Gênero musical: Samba-canção



Podes agora dizer, que chegamos ao fim,
Podes agora jurar, que não voltas nunca mais,
Um grande amor como o nosso não acaba assim,
Podes partir, não voltar...
Mas aqui ficarás, Ficarás.
Neste gosto de batom,
Que vais deixar nos lábios meus,
Ficarás... Ficarás...
Ficarás na impressão que tem meus dedos,
Que ainda apertam os dedos teus,
Ficarás... Ficarás...
Ficarás no perfume envolvente, 

que tu deixas depois de passar,
Ficarás, Na saudade impertinente,
Que vai ficar no teu lugar, Ficarás...
Ficarás na lembrança,
Que não podes levar,
Ficarás nesta eterna lembrança,
De verte voltar...

segunda-feira, 28 de abril de 2008

Gilda

Sílvio Caldas
Gilda (samba/carnaval, 1947) - Mário Lago e Erasmo Silva - Intérprete: Sílvio Caldas

Disco 78 rpm / Título da música: Gilda / Erasmo Silva (Compositor) / Mário Lago, 1911-2001 (Compositor) / Sílvio Caldas (Intérprete) / K-Ximbinho e Seu Conjunto (Acomp.) / Gravadora: Continental / Gravação: 16/09/1946 / Lançamento: 12/1946 / Nº do Álbum: 15730 / Nº da Matriz: 1603-1 / Gênero musical: Samba / Coleções de origem: IMS, Nirez


Nunca houve mulher
Igual a Gilda!
Oh, Gilda, meu bem
Não me faça esperar
Não, não
Ela sai, esquece de voltar
E quando volta
Não dá confiança de se explicar!

Não sabe pedir desculpa
Não sabe pedir perdão
Tem certeza que tem um lace
Que eu tenho um bom coração
Eu só me zango de boca
De raiva não sei guardar
Quando ela sai eu pergunto:
À que horas vai voltar?
Não vai demorar?



Fontes: Discografia Brasileira - IMS; Instituto Moreira Salles.

domingo, 16 de março de 2008

Dá-me tuas mãos

Orlando Silva
Dá-me tuas mãos (fox-canção, 1939) - Roberto Martins e Mário Lago - Intérprete: Orlando Silva

Disco 78 rpm / Título: Dá-me tuas mãos / Mário Lago, 1911-2001 (Compositor) / Roberto Martins (Compositor) / Orlando Silva (Intérprete) / Orquestra Victor Brasileira (Acomp.) / Gravadora: Victor / Gravação: 14/04/1939 / Lançamento: 06/1939 / Nº do Álbum: 34444 / Nº da Matriz: 33055-1 / Gênero: Fox


Porque tanta pressa
De chegar ao fim ?
Porque terminar
O nosso amor assim
Se eu não revelei
Tudo o que sonhei
E nem tu
Disseste tudo para mim.


Dá-me tuas mãos, por favor
Põe os teus olhos nos meus
Que eles dirão quanta dor
Vai me causar este adeus
Ficou tão triste o luar
Vendo acabar nosso amor
Dá-me, tuas mãos, por favor



Fontes: Discografia Brasileira - IMS; Instituto Moreira Salles.

sexta-feira, 11 de agosto de 2006

Devolve

Carlos Galhardo
Devolve (valsa, 1940) - Mário Lago - Intérprete: Carlos Galhardo

Disco 78 rpm / Título da música: Devolve / Autoria: Lago, Mário, 1911-2001 (Compositor) / Galhardo, Carlos, 1913-1985 (Intérprete) / Imprenta [S.l.]: Victor, 1940 / Nº Álbum 34640 / Lado A / Lançamento: 1940 / Gênero musical: Valsa.



Mandaste as velhas cartas comovidas
Que na febre do amor,
Te enviei,
Mandaste o que ficou de duas vidas,
O romance... e uma dor,
Que eu provei.
Mandaste tudo, porém,
Falta o melhor que te dei.

Devolve
Toda a tranqüilidade,
Toda a felicidade
Que eu te dei e que perdi,
Devolve
Todos os sonhos loucos,
Que eu construi aos poucos,
E te ofereci.
Devolve,
Eu peço por favor,
Aquele imenso amor,
Que nos teus braços esqueci,
Devolve,
E eu te devolvo ainda,
Esta saudade infinda,
Que eu tenho de ti.

quarta-feira, 10 de maio de 2006

Rua sem sol

Ângela Maria
Rua Sem Sol (samba-canção, 1954) - Mário Lago e Henrique Gandelman

Disco 78 rpm / Título da música: Rua sem sol / Autoria: Gandelman, Henrique (Compositor) / Lago, Mário, 1911-2001 (Compositor) / Ângela Maria (Intérprete) / Orquestra (Acompanhante) / Imprenta [S.l.]: Copacabana, 1953 / Nº Álbum 5170 / Lado A / Gênero musical: Samba canção


Existe perdida, num canto qualquer da cidade
Uma rua sem sol, e sem felicidade
Triste, de terra batida,
De gente mais triste e abatida
Pelos socos da vida, tão cruel de ganhar

Na rua sem sol, ninguém ri, nem faz batucada
E até a garotada, já esqueceu de brincar

Quem passar vai pensar, que a vida parou
E na rua sem sol, só fantasmas, a vida deixou.

Mas no alto da rua sem sol,
Há uma luz sempre acesa,
Luz que é sol na tristeza, dessas vidas sem sol
É a esperança no sol, que amanhã há de vir
Nesse dia de sol, essa rua sem sol
Vai cantar... vai sorrir...

É tão gostoso, seu moço

Nora Ney
É tão gostoso, seu moço (samba-choro, 1953) - Mário Lago e Chocolate

Disco 78 rpm / Título: É tão gostoso seu moço / Autoria: Chocolate (Compositor) / Lago, Mário, 1911-2001 (Compositor) / Nora Ney, 1922-2003 (Intérprete) / Orquestra (Acompanhante) / Gnattali, Radamés (Acompanhante) / Imprenta [S.l.]: Continental, 1953 / Nº Álbum 16787 / Lado B / Gênero: Samba-choro


G -------------------------------------------------Am
É tão gostoso, seu moço / A gente ter um querer
--------------------------------D7------------------------ G
Que entenda a gente de longe / Sem nada a gente dizer
----------------------------C -------------------G -------------Am---- D7
A gente mexe com os olhos / Faz com os olhos que está bem

G---------------------------------------- Cm---- D7----- G
É tão gostoso , seu moço / Mas pra mim, cadê que tem
---------C----------- Gbm----- Dm------------- E7
De noite não vi na rua / De dia também não vi
------------Am ---------D7 -------G------------- G7
Perguntei ao sol e a lua / Disseram: está por aí

--------C -----------------Gbm --------Dm---------------- E7--- Am--- D7
Procurei de porta em porta / Ninguém me disse, ninguém
G----------------------- E7 -------------Cm--- D7------ G
É tão gostoso, seu moço / Mas pra mim, cadê que tem

quarta-feira, 3 de maio de 2006

Fracasso

Francisco Alves
Fracasso (samba-canção, 1946) - Mário Lago - Intérprete: Francisco Alves

Disco 78 rpm / Título da música: Fracasso / Mário Lago, 1911-2001 (Compositor) / Francisco Alves (Intérprete) / Lírio Panicali (Acomp.) / Orquestra Odeon (Acomp.) / Gravadora: Odeon / Gravação: 21/09/1946 / Lançamento: 11/1946 / Nº do Álbum: 12731 / Nº da Matriz: 8099 / Gênero musical: Samba canção / Coleções de origem: Nirez, José Ramos Tinhorão, Humberto Franceschi, IMS D

Em9           B7  B7/F#          Em9      G#º 
Relembro com saudade      o nosso amor 
   E7                            Am  Am7  Am7 
O nosso último beijo e último abraço 
     D7/9                        G9           D 
Porque só me ficou da história triste desse amor 
      C9                      B7   B7/F#  B7 
A história dolorosa de um fracasso. 
    Em9             B7    B7/F#        Em9       G#º 
Fracasso por te querer assim como eu quis 
    E7                             Am  Am7  Am7 
Fracasso por não saber fazer-te feliz 
    D7/9                        G9         D 
Fracasso por te amar como a nenhum outro amei 
    C9              Em9              B7   B7/F#  B7 
Chorar o que já chorei, fracasso eu sei. 
    Em9               B7      B7/F#     Em9       G#º 
Fracasso por compreender que devo esquecer 
    E7                                 Am  Am7  Am7 
Fracasso porque já sei que não esquecerei 
    D7/9                D7/9-              Em9  G/B 
Fracasso, fracasso, fracasso, fracasso afinal 
                     F#7        B7        Em9 
Por te querer tanto bem e me fazer tanto mal. 
(solo sobre os dois primeiros versos) 
(repete de:) 
     D7/9                        G9           D 
Porque só me ficou da história triste desse amor


Fontes: Discografia Brasileira - IMS; Instituto Moreira Salles.

terça-feira, 2 de maio de 2006

Atire a primeira pedra

Ataulfo Alves
Em 1944, Ataulfo Alves e Mário Lago voltam a reinar no carnaval, com o samba "Atire a Primeira Pedra", que nada fica a dever ao grande sucesso da dupla, "Ai, que saudades de Amélia". Reproduzindo no título a sentença bíblica - que já denominara no Brasil um filme com Marlene Dietrich e um programa do radialista Raimundo Lopes -, este samba trata do apelo veemente de reconciliação de um amante que não teme ser chamado de covarde: "Covarde sei que me podem chamar / porque não calo no peito esta dor / atire a primeira pedra, ai, ai, ai / aquele que não sofreu por amor".

Cantado por Emilinha Borba no filme "Tristezas não pagam dívidas" e lançado em disco por Orlando Silva às vésperas do carnaval, "Atire a Primeira Pedra" foi fazer sucesso quando Mário Lago já não mais esperava. É o próprio Mário que relembra: "Na época eu estava trabalhando na Rádio Panamericana, em São Paulo, então recém-inaugurada, e vim de trem para o Rio na manhã do sábado gordo. Logo no percurso para casa, fui encontrando diversos blocos que cantavam "Atire a primeira pedra". Surpreso, perguntei ao motorista do táxi se aquele samba estava fazendo sucesso. E ele respondeu, 'É verdade, estourou esta semana'. Então, larguei as malas em casa e corri para o Café Nice, onde fui recebido por um Ataulfo eufórico: 'Parceiro, estamos outra vez na boca do povo...'. Foi a única ocasião na vida em que vi o Ataulfo de pilequinho". Por sua ótima letra e, principalmente, pela beleza de sua melodia, "Atire a Primeira Pedra" é um dos melhores sambas carnavalescos de todos os tempos.

Atire a primeira pedra (samba, 1944) - Ataulfo Alves e Mário Lago - Intérprete: Orlando Silva

Disco 78 rpm / Título da música: Atire a primeira pedra / Ataulfo Alves, 1909-1969 (Compositor) / Mário Lago, 1911-2001 (Compositor) / Orlando Silva (Intérprete) / Lírio Panicali [Direção], Orquestra Odeon (Acomp.) / Gravadora: Odeon / Gravação: 27/12/1943 / Lançamento: 02/1944 / Nº do Álbum: 12417 / Nº da Matriz: 7465 / Gênero musical: Samba / Coleções de origem: IMS, Nirez

D                      G/A     D 
Covarde eu sei me que podem chamar 
                     B7        Em 
Porque não calo no peito esta dor 
                             A7 
Atire a primeira pedra ai,ai,ai 
  Em7              A7       D 
Aquele que não sofreu por amor 
    A7                            D 
Eu sei que vão censurar o meu proceder 
   F#7 
Eu sei, mulher 
                      Bm 
Que você mesma vai dizer 
            G             D 
Que eu voltei pra me humilhar 
                 E7 
É, mas não faz mal 
                 Em   A7 
Você pode até sorrir 
   Em                A7       D 
Perdão foi feito pra gente pedir 
   Em                A7       D 
Perdão foi feito pra gente pedir


Fontes: A Canção no Tempo - Vol. 1 - Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello - Editora 34; Discografia Brasileira - IMS; Instituto Moreira Salles.

Ai, que saudades da Amélia

Mário Lago
"Ai Que Saudades da Amélia" tem três personagens: o protagonista, sua mulher e Amélia, a mulher que ele perdeu. O tema é um confronto dos defeitos da mulher atual com as qualidades da mulher anterior. A atual, a quem o protagonista se dirige, é exigente, egoísta, "Só pensa em luxo e riqueza", enquanto a anterior é um exemplo de virtude e resignação - "Amélia não tinha a menor vaidade, (...) achava bonito não ter o que comer... '. Em suma, a primeira é o presente, a realidade incontestável; a segunda é o passado, uma saudade idealizada na figura da mulher perfeita, pelos padrões da época.

Este primoroso poema popular, coloquial espontâneo, escrito por Mário Lago , recebeu de Ataulfo Alves uma de suas melhores melodias, que expressa musicalmente o espírito da letra. E o paradoxal é que não sendo carnavalesco, este samba fez estrondoso sucesso no carnaval.

Segundo Mário Lago, "Amélia nasceu de uma brincadeira de Almeidinha, irmão de Araci de Almeida, que sempre que se falava em mulher costumava brincar - 'Qual nada, Amélia é que era mulher de verdade. Lavava, passava, cozinhava..."'. Então, Mário achou que aquilo dava samba e fez a letra inicial de "Ai Que Saudades da Amélia". Brincadeiras à parte, a verdade é que a Amélia do Almeidinha existiu e, possivelmente, ainda vivia à época da canção. Era uma antiga lavadeira que serviu à sua família. Morava no subúrbio do Encantado (Zona Norte do Rio) e trabalhava para sustentar uma prole de nove ou dez crianças.

Com a letra pronta, Mário pediu a Ataulfo Alves para musica-la. O compositor executou a tarefa, mas alterou algumas palavras e aumentou o número de versos de doze para quatorze. "Isso é natural" - comentava Ataulfo, em depoimento para o MIS do Rio de Janeiro, em 17.11.65 -, "as composições dos parceiros que são letristas sofrem influência minha, que sou autor de letra e música. Mas o Mário não gostou. E não adiantou dizer que a música me obrigara a fazer as modificações". De qualquer maneira, como o samba estava bom, ficaram valendo as alterações.

Começou então a batalha da gravação. Ataulfo ofereceu "Amélia" em vão a vários cantores, inclusive a Orlando Silva. Como ninguém queria gravá-la, gravou-a ele mesmo na Odeon, no dia 27.11.41, acompanhado por um improvisado conjunto, batizado de Academia de Samba. Convidado na hora, Jacó do Bandolim participou dessa gravação, tocando cavaquinho, sendo sua a introdução.

Lançado no suplemento de janeiro de 1942, "Ai Que Saudades da Amélia" foi conquistando aos poucos a preferência do público, graças, principalmente, a uma intensa atuação de Ataulfo junto às rádios. Relembra Mário Lago que o locutor Júlio Louzada chegou a dedicar, na Rádio Educadora, uma tarde inteira de domingo a "Amélia", com entrevistas e o disco tocando dezenas de vezes. O resultado é que às vésperas do carnaval, quando houve o concurso para escolher o melhor samba, "Ai Que Saudades da Amélia" dividia o favoritismo com "Praça Onze", de Herivelto Martins e Grande Otelo. Realizado no estádio do Fluminense, este concurso reuniu uma enorme plateia que, de acordo com o regulamento, elegeria por aplauso os vencedores.

Precedendo "Amélia", apresentou-se "Praça Onze", valorizada por um verdadeiro show, preparado por Herivelto. Primeiro foram mostrados os instrumentos, explicando-se as funções de cada um; em seguida, vieram as passistas, um grupo sensacional de mulatas rebolando; e, finalmente, cantou-se o samba, que levou a platéia ao delírio, dando a impressão de que o certame já estava decidido. Acontece, porém, que "Amélia" também tinha seus trunfos. Tim e Carreiro, amigos de Mário e craques do time do Fluminense, que acabara de ganhar o bicampeonato carioca de futebol, haviam feito um excelente trabalho junto à torcida tricolor.

Para completar, no momento da apresentação, Mário Lago subiu ao palco e, num rasgo de eloquência e demagogia, fez um discurso emocionante, proclamando "Amélia" símbolo da mulher brasileira. Assim, quando Ataulfo e suas pastoras começaram a cantar o estádio veio abaixo, praticamente exigindo a vitória dos dois sambas. Sem a possibilidade de desempatar, o presidente do Fluminense, Marcos Carneiro de Mendonça - por coincidência, casado com uma "Amélia", a poeta Ana Amélia de Queiroz Carneiro de Mendonça - autorizou o pagamento em dobro do prêmio de campeão a "Ai Que Saudades da Amélia" e "Praça Onze", cada um recebendo como se tivesse ganho sozinho.

Ai, que saudades da Amélia (samba, 1942) - Ataulfo Alves e Mário Lago - Intérprete: Ataulfo Alves

Disco 78 rpm / Título da música: Ai! que saudades da Amélia / Ataulfo Alves, 1909-1969 (Compositor) / Mário Lago, 1911-2001 (Compositor) / Ataulfo Alves (Intérprete) / Academia do Samba (Acomp.) / Gravadora: Odeon / Gravação: 27/11/1941 / Lançamento: 01/1942 / Nº do Álbum: 12106 / Nº da Matriz: 6869 / Gênero: Samba / Coleções de origem: IMS, Nirez

  G             C7      G
Nunca vi fazer tanta exigência
 E                       A
Nem fazer o que você me faz
  B7                        Em
Você não sabe o que é consciência
     A                       D7
Não vê que eu sou um pobre rapaz

    G             C7       G
Você só pensa em luxo e riqueza
E                       A
Tudo que você vê você quer
  B7                            Em
Ai, meu Deus, que saudades da Amélia
A                       D7
Aquilo sim é que era mulher

   Am            D7           G
Às vezes passava fome ao meu lado
      B7                        Em     G7
E achava bonito não ter o que comer
      C           E°      G
Mas quando me via contrariado
         A                   D7
Dizia: meu filho, o que se há de fazer ?
 Am                   D7     G
Amélia não tinha a menor vaidade
  Am                   D7        G
Amélia é que era a mulher de verdade


Fonte: A Canção no Tempo - Vol. 1 - Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello - Editora 34.

sábado, 29 de abril de 2006

Aurora


Na quarta-feira de cinzas de 1940, Roberto Roberti mostrou o estribilho de "Aurora" a Mário Lago, que completou a canção em seguida. Nasceu assim, com um ano de antecedência, um dos grandes sucessos do carnaval de 41.

O aspecto mais atraente desta marchinha - lançada por Joel e Gaúcho (foto acima) - está na segunda parte, em que novos valores são apresentados como símbolos de modernidade e status: "Um lindo apartamento / com porteiro e elevador / e ar refrigerado / para os dias de calor... ". Tudo isso e mais uma possibilidade de casamento ("madame antes do nome / você teria agora" ) é o que Aurora perde por não merecer o amor do protagonista.

Mesmo depois da morte de Gaúcho, Joel de Almeida, o magrinho elétrico, continuou cantando esta composição, uma das marcas registradas de seu repertório. Ainda em 1941, com letra em inglês de Harold Adamson, "Aurora" fez sucesso nos Estados Unidos e na Inglaterra, cantada pelas Andrew Sisters, sendo incluída no filme "Segure o Fantasma", de Abbott & Costello.

Aurora (marcha/carnaval) - 1941 - Mário Lago e Roberto Roberti - Interpretação: Joel e Gaúcho

Disco 78 rpm / Título da música: Aurora / Mário Lago, 1911-2001 (Compositor) / Roberto Roberti (Compositor) / Gaúcho (Intérprete) / Joel (Intérprete) / Orquestra Columbia (Acomp.) / Gravadora: Columbia / Gravação: 07/11/1940 / Lançamento: 12/1940 / Nº do Álbum: 55250 / Nº da Matriz: 330-1 / Gênero musical: Marcha / Coleções de origem: Robespierre Martins Teixeira, Nirez, José Ramos Tinhorão, Humberto Franceschi


C                                Dm
Se fosse sincera / Ô ô ô ô, Aurora
                     G7                 C
Veja só que bom que era / Ô ô ô ô , Aurora
            G7
Um lindo apartamento / Com porteiro e elevador
       C                                     Dm
E ar refrigerado / Para os dias de calor/ Madame
          C                 D7      G7       C
Antes do nome / Você teria agora/ Ôôôô  Aurora


Fontes: A Canção no Tempo - Vol. 1 - Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello - Editora 34; Discografia Brasileira - IMS; Instituto Moreira Salles.

quinta-feira, 27 de abril de 2006

Número Um

Orlando Silva
Número Um (valsa, 1939) - Benedito Lacerda e Mário Lago - Intérprete: Orlando Silva

Disco 78 rpm / Título da música: Número um / Benedito Lacerda, 1903-1958 (Compositor) / Mário Lago, 1911-2001 (Compositor) / Orlando Silva (Intérprete) / Orquestra (Acomp.) / Gravadora: Victor / Gravação: 01/06/1939 / Lançamento: 09/1939 / Nº do Álbum: 34480 / Nº da Matriz: 33082 / Gênero musical: Valsa

Am9      C#º         Dm   Dm6
Passaste hoje ao meu lado,
E7            Am   Am/G
Vaidosa de braço dado,
F                      E7
Com outro que te encontrou
Am  Am6               Em9
E eu     relembrei comovido
                   F
Um velho amor esquecido,
                     E7
Que o meu destino arruinou.
Am    C#º      Dm   Dm6
Chegaste na minha vida,
E7           Am  Am/G
Cansada e desiludida,
F                 E7
Triste mendiga de amor
A7/9-                Dm   Dm7M  Dm7
E eu, pobre, com sacrifício,
Dm6           Am    Am/G
Fiz um céu de teu suplício,
B7       E/G#  Am  E/G#
Pus risos na tua   dor.
A             E7     A     E7
Mostrei-te um novo caminho
A         E7      A
Onde com muito carinho
               E/G#
Levei-te numa ilusão
Bm                E7
Tudo, porém, foi inútil,
Eras no fundo uma fútil,
       A       E7
Que fostes de mão em mão.
    A      E7     A     E7
Satisfaz tua vaidade,
 A       E7        A
Muda de dono à vontade,
A7                  D
Isso em mulher é comum.
Dm       Dm6           A
Não guardo    frios rancores
F#7                   F
Pois dentre os seus mil amores
E7              A      F     A
Eu sou o número um.


Fontes: Discografia Brasileira - IMS; Instituto Moreira Salles.

Nada Além

Mário Lago
No dia 09 de julho de 1937, estreava no Teatro Recreio, no Rio de Janeiro, a revista Rumo ao Catete, título que aludia a uma eleição presidencial que Getúlio não deixou acontecer. Além de um elenco de primeira - Araci Cortes, Oscarito, Eva Tudor -, a peça tinha libreto e direção musical de dois grandes compositores, Custódio Mesquita e Mário Lago. Reunindo todos esses valores, "Rumo ao Catete" foi um sucesso, com mais de 300 representações e, de quebra, ainda enriqueceu a música popular com duas belas composições, o fox "Nada Além" e a valsa "Enquanto houver saudade".

Maior sucesso da dupla Lago-Mesquita, "Nada Além" era motivo na peça de um quadro cômico-romântico: um homem de aparência simplória examinava, à porta de uma loja, várias mercadorias que lhe oferecia um vendedor. Vendo que o suposto freguês não se decidia, o vendedor o interpelava: "Afinal, o que deseja o cavalheiro?" ao que o sujeito respondia, cantando: "Nada além, nada além de uma ilusão...".

Apesar de aprovarem a interpretação operística dada no palco pelo tenor Armando Nascimento, os autores achavam que as canções se adaptavam melhor a uma voz popular, como a de Orlando Silva, à época no auge da fama. Então Custódio, sempre vaidoso, usou de um expediente para induzi-lo a gravá-las, sem correr o risco de uma rejeição, convidando-o a assistir a peça. E deu certo, pois ao final da sessão o cantor, entusiasmado, exigiu: "Custódio, me dá agora mesmo as partes de piano dessas músicas que eu quero gravá-las, o mais rápido possível". E assim o fez no início de 38.

Nada Além (fox, 1938) - Mário Lago e Custódio Mesquita - Intérprete: Orlando Silva

Disco 78 rpm / Título da música: Nada além / Custódio Mesquita, 1910-1945 (Compositor) / Mário Lago, 1911-2001 (Compositor) / Orlando Silva (Intérprete) / Orquestra Victor Brasileira (Acomp.) / Gravadora: Victor / Gravação: 11/05/1937 / Lançamento: 07/1938 / Nº do Álbum: 34331 / Nº da Matriz: 80762-3 / Gênero musical: Fox canção

A7M 
Nada além 
      Bbº           Bm7    E7 
Nada além de uma ilusão 
Bm7 
Chega bem,  
    E7                  A7M   Bbº Bm7 E7 
É demais para o meu coração 
    A/Db        Cº 
Acreditando em tudo 
         Bm7 
Que o amor mentindo sempre diz 
     E7 
Eu vou vivendo assim feliz 
      A7M  Gb7  Bm7      E7 
Na ilusão  de   ser     feliz    
 
      A7M 
Se o amor   
        Bbº               Bm7   E7 
Só nos causa sofrimento e dor 
  Bm7     E7                      Db7 Gb7 
É melhor, bem melhor a ilusão do amor 
               B7 
Eu não quero e nem peço 
               Cº 
Para o meu coração 
      Bm             E7     A7M   (A7M Bb7) 
Nada além    de uma linda ilusão !  


Fontes: A Canção no Tempo - Vol. 1 - Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello - Editora 34; Discografia Brasileira - IMS; Instituto Moreira Salles.

Enquanto houver saudades

Orlando Silva
Enquanto houver saudades (valsa, 1938) - Custódio Mesquita e Mário Lago - Intérprete: Orlando Silva

Disco 78 rpm / Título da música: Enquanto houver saudades / Custódio Mesquita, 1910-1945 (Compositor) / Mário Lago, 1911-2001 (Compositor) / Orlando Silva (Intérprete) / Orquestra Victor Brasileira (Acomp.) / Gravadora: Victor / Gravação: 11/05/1937 / Lançamento: 07/1938 / Nº do Álbum: 34331 / Nº da Matriz: 80763-3 / Gênero musical: Valsa


Não posso acreditar
Que algumas vezes
Não lembres com vontade de chorar
Daqueles deliciosos quatro meses
Vividos sem sentir e sem pensar

Não posso acreditar

Que hoje não sintas
Saudade dessa história singular
Escrita com as mais suaves tintas
Que existem pra escrever o verbo ama

Enquanto houver saudade
Pensarás em mim
Pois a felicidade
Não se esquece assim
O amor passa mas deixa
Sempre a recordação
De um beijo ou de uma queixa
No coração



Fontes: Discografia Brasileira - IMS; Instituto Moreira Salles.

quinta-feira, 6 de abril de 2006

Mário Lago

Mário Lago, compositor, ator, poeta, escritor e radialista, nasceu no Rio de Janeiro RJ, em 26/11/1911 e faleceu em 31/5/2002. Filho único do maestro Antônio Lago, foi aluno do Colégio Pedro II de 1923 a 1926, ano em que publicou seu primeiro poema, Revelação, na revista Fon-Fon. 


Concluiu o ginasial no Curso Superior de Preparatórios e bacharelou-se em direito em 1933, exercendo a advocacia apenas por três meses. Nesse mesmo ano começou a escrever revistas para teatro - Figa de Guiné e Grande estreia, ambas com Álvaro Pinto.

Como letrista, estreou, em 1935, com Menina, eu sei de uma coisa (com Custódio Mesquita), marcha gravada por Mário Reis, no ano seguinte. Com o mesmo parceiro fez o fox-canção Nada além, sucesso nacional, em 1938, na voz de Orlando Silva, e uma série de músicas compostas especialmente para revistas encenadas pela Companhia Casa de Caboclo e pela Companhia Tró-ló-ló.

De 1938 a 1940, trabalhou como funcionário público, chegando a chefe de seção de estatísticas sociais e culturais do Departamento de Estatística do Estado do Rio de Janeiro; foi nomeado membro do conselho do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, mas não tomou posse.

Lançou-se como compositor com a valsa Devolve, gravada por Carlos Galhardo em 1940, ano em que apresentou também, em gravação da dupla Joel e Gaúcho, uma de sua mais famosas composições, Aurora (com Roberto Roberti), sucesso no Carnaval do ano seguinte e que obteve mais tarde repercussão internacional, graças à interpretação de Carmen Miranda, que a incorporou ao seu repertório básico.

Em 1942 estreou como artista de teatro na peça O sábio, encenada pela Companhia Joraci Camargo. Compôs com Ataulfo Alves sambas famosos, como Ai, que saudades da Amélia (1942) e Atire a primeira pedra (1944). Começou a trabalhar em rádio, em 1944, na Pan-Americana, de São Paulo SP, passando desde então por diversas emissoras cariocas e paulistas: Nacional, do Rio de Janeiro (de 1945 a 1948), Mayrink Veiga (1948), Bandeirantes, de São Paulo (1949), e novamente Nacional (1950).

Em 1953 compôs com Chocolate outro grande sucesso, É tão gostoso, seu moço, gravado por Nora Ney. Foi responsável pela produção de vários programas e novelas, como Lendas do Mundo, Romance Kolynos e a novela Presídio de mulheres, irradiada durante cinco anos. Em 1951 produziu na Rádio Nacional o programa Doutor Infezulino e mais tarde criou a figura do "Jacó de uma palavra só", no programa Largo da Harmonia, que se tornou bastante conhecido.

Estreou na televisão no programa Câmera Um, na TV-Rio, em 1954. Como ator, em 1966 foi contratado peia TV Globo, na qual trabalhou em várias novelas, como Cuca legal, Pecado capital, O casarão e Brilhante, numa carreira de mais de 30 anos. Publicou, em 1975, pela Editora Civilização Brasileira, uma obra de pesquisa folclórica intitulada Chico Nunes das Alagoas. Além de Orlando Silva e Carlos Galhardo, teve suas músicas gravadas por Francisco Alves, Ataulfo Alves, Nora Ney, Jorge Goulart e Deo.

Sua última composição, o samba Três sorrisos (com Chocolate), é de 1962. Participou de vários filmes, como Balança mas não cai, de Paulo Vanderlei (1953), Terra em transe, de Glauber Rocha (1967) e São Bernardo, de Leon Hirszman (1973).

Publicou os livros: Na rolança do tempo (1976) e no ano seguinte a sequência, Bagaço de beira-estrada, ambos pela Editora Civilização Brasileira, Coleção Tempo e Contratempo, Rio de Janeiro; e Meia porção de sarapatel(1986), Editora Rebento. Em 1991, seus familiares publicaram o livro Segredos de família, homenagem aos seus 80 anos de idade.

Em 1997 foi publicada sua biografia: Mário Lago - Boêmia e política, de autoria de Mônica Veloso, Editora Fundação Getúlio Vargas, Rio de Janeiro. No mesmo no, Gilberto Gil homenageou-o com o lançamento da música O mar e o lago (letra de 1985). Houve ainda a estreia do espetáculo Causos e canções de Mário Lago, no Teatro Café Pequeno, no Rio de Janeiro, dirigido por Mário Lago Filho.

Algumas músicas
















Obras

Ai que saudades da Amélia (c/Ataulfo Alves), samba, 1942; Atire a primeira pedra (c/Ataulfo Alves), samba, 1944; Aurora (c/Roberto Roberti), marcha, 1940; Dá-me tuas mãos (c/Roberto Martins), fox, 1939; Devolve, valsa, 1940; Enquanto houver saudade (c/Custódio Mesquita), valsa, 1938; É tão gostoso, seu moço (c/Chocolate), samba, 1953; Fracasso, samba, 1946; Gilda (c/Erasmo Silva), samba, 1947; Menina, eu sei de uma coisa (c/Custódio Mesquita), marcha, 1936; Nada além (c/Custódio Mesquita), fox- canção, 1938; Número um (c/Benedito Lacerda), valsa, 1939; Sambista da Cinelândia (c/Custódio Mesquita), samba, 1936; Será?, valsa, 1945; Três sorrisos (c/Chocolate), 1962; Vida vazia (c/Chocolate), samba, 1954.


Fonte: Enciclopédia da Música Brasileira - Art Editora e Publifolha.