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quinta-feira, 16 de setembro de 2010

Língua de preto

Honorino Lopes (28/8/1884 - 19/8/1909, Rio de Janeiro, RJ) foi o compositor do clássico choro Língua de preto, gravado pela primeira vez pela Banda da Força Policial do Estado de São Paulo, na Odeon, entre 1907 e 1912.

Em 1913, foi gravada pela Banda da Casa Edison. Obra que faz parte do repertório de chorões, conta com gravações de músicos como Henrique Cazes, entre outros. Abaixo uma interpretação de Garoto.

Disco 78 rpm / Título da música: Língua de preto / Honorino Lopes (Compositor) / Garoto (Violão tenor) (Intérprete) / Seu Conjunto (Acomp.) / Gravadora: Odeon / Nº do Álbum: 12966-b / Nº da Matriz: 8566 / Data de Gravação: 3/Outubro/1949 / Data de Lançamento: Dezembro/1949 / Gênero musical: Choro / Acervo Humberto Franceschi



sábado, 12 de janeiro de 2008

Chiquinho do Acordeom

Chiquinho do Acordeom (Romeu Seibel), instrumentista e compositor, nasceu em Santa Cruz do Sul RS em 07/11/1928, e faleceu no Rio de Janeiro RJ em 13/02/1993. Começou a estudar acordeom na cidade natal, em 1937, com Maneta Heuser.

Gravou pela primeira vez, em 1951, com o Regional Claudionor Cruz, no estúdio Star, no Rio de Janeiro RJ. Ao lado de Garoto (violão) e Fafá Lemos (violino), trabalhou no programa Música em Surdina, na Rádio Nacional, do qual nasceu, em 1952, o Trio Surdina, composto pelos três, que gravou LPs na Musidisc.

Trabalhou, ainda em 1953, na Grande Orquestra Brasileira, da Rádio Nacional, regida por Radamés Gnattali e no mesmo ano fundou seu próprio grupo denominado Chiquinho e seu Conjunto. Em 1954 integrou o Sexteto de Radamés Gnattali

Além de ter feito arranjos para jingles, participou da gravação de trilhas sonoras para cinema, com diversos maestros, entre os quais Radamés Gnattali, Lírio Panicali, Edino Krieger, Remo Usai, Guerra-Peixe e outros. Em 1960 excursionou pela Europa com o Sexteto de Radamés Gnattali, na III Caravana de Música Brasileira.

Foi diretor musical da TV Excelsior de 1963 a 1967. Um dos mais solicitados acordeonistas para gravações, já acompanhou, entre outros, Elisete Cardoso, Carmélia Alves, Martinho da Vila, Carlos Lyra, Maria Creuza e MPB-4.

Como compositor, é autor de São Paulo Quatrocentão (com Garoto), uma de suas obras mais conhecidas, Esquina da saudade (com Radamés Gnattali e Alberto Ribeiro), gravada por Jamelão, Relógio da vovó (com Fafá Lemos e Garoto), Um baile em Santa Cruz, Sinimbu, Polquinha gaúcha, Estrela, Dobrado 27 de Fevereiro (com Radamés Gnattali), entre outras.

CD: Radamés Gnattali: três concertos e uma brasiliana, Orquestra Sinfônica Nacional, reg. Alceu Bocchino, 1996, SOARMEC S004.


Fonte: Enciclopédia da Música Brasileira - Art Editora e Publifolha, SP, 1998.

domingo, 16 de dezembro de 2007

Fafá Lemos


Fafá Lemos ( Rafael Lemos Júnior), instrumentista, nasceu no Rio de Janeiro em 19/02/1921 e faleceu na mesma cidade em 18/10/2004. Aos sete anos de idade começou a estudar violino com Orlando Frederico e solfejo e teoria com Guiomar Beltrão Frederico. Com apenas nove anos, interpretou como solista um concerto de Antônio Vivaldi (1678—1741), acompanhado pela Orquestra Sinfônica do Teatro Municipal, sob a regência do maestro Burle Marx.


No ano seguinte, acompanhado pelo pianista Sousa Lima, apresentou-se num concerto no Salão Leopoldo Miguez, do I.N.M., do Rio de Janeiro. Nessa época, deixou a música para concluir os estudos no Colégio Andrews. Ficou quatro anos sem tocar violino, período em que morou no Paraná.

Em 1940 regressou ao Rio de Janeiro, onde, durante seis anos, participou da Orquestra de Carlos Machado, que atuava no Cassino da Urca. Ainda em 1940, por quatro meses, foi instrumentista da OSB.

Em 1946, com Carlos Machado, passou a tocar na boate Casablanca e, logo depois, foi contratado para integrar o Trio Rio, que se apresentava na Bally-Hi. Em 1950 a Rádio Nacional, do Rio de Janeiro, contratou-o como solista. De 1952 em diante, viajou várias vezes aos Estados Unidos, e acompanhado por Laurindo de Almeida gravou a trilha sonora do filme da Metro, Meu amor brasileiro, de Mervyn Le Roy.

Ao lado de Carmen Miranda, realizou tournée por diversas cidades norte-americanas. Paralelamente, fez três programas na TV CBS, de New York, e atuou como solista na KTV, de Hollywood.

Em 1952, convidado pela RCA Victor norte-americana, gravou um álbum, nos quais incluiu, entre outras, Aquarela do Brasil, Na Baixa do Sapateiro e Risque (todas de Ary Barroso), Nem eu (Dorival Caymmi) e Paraíba (Humberto Teixeira e Luiz Gonzaga). Ainda em 1952 fez parte do Trio Surdina, ao lado de Chiquinho (acordeom) e Garoto (violão), conjunto que surgiu no programa Música em Surdina, de Paulo Tapajós, na Rádio Nacional, e, no ano seguinte, gravou com o trio na Musidisc dois LPs de dez polegadas: Trio Surdina, com O relógio da vovó (de autoria do trio), Duas contas (Garoto) e Na madrugada (Nilo Sérgio); e Trio Surdina toca Ary Barroso e Dorival Caymmi.

Ainda em 1953 lançou Se alguém disser (Reinaldo Lopes e Ismael Neto), a valsa cigana Canarinho feliz (Noel Coward), o choro Tempo antigo (Pedro Camargo) e Luar de Areal (Garoto). Voltou novamente aos EUA para cumprir contrato com Carmen Miranda, acompanhando-a até a morte, em 1955.

Organizou depois um trio, com o qual se apresentou, por 13 meses, no restaurante Marquis, e, por cinco meses, no Frascati. Voltou ao Brasil em 1956 e tornou- se diretor artístico da Victor, gravadora pela qual lançou em 78 rpm todos os sucessos que havia gravado nos EUA. Ficou no Brasil até 1961. Apresentou-se no Rio de Janeiro, em boates e televisão, até 1961, quando foi para Los Angeles, EUA, onde ficou até 1965.

Entre outros, lançou pela RCA Victor os LPs: Fafá, seu violino e seu ritmo, Trio do Fafá e Violino travesso, e, pela Eldorado, Fafá & Carolina (1989), ao lado de Carolina Cardoso de Meneses.


Fonte: Enciclopédia da Música Brasileira - Art Editora e Publifolha, SP, 1998.

quinta-feira, 8 de junho de 2006

Gente humilde

“Gente Humilde” teria surgido durante uma visita de Garoto a um subúrbio carioca. De repente, ao observar aquelas pessoas e suas casas modestas, ele resolveu homenageá-las numa canção. Tempos depois, a gravaria num acetato para o professor mineiro Valter Souto, registro que asseguraria a sobrevivência da composição, mantida inédita em disco comercial.

Garoto
Finalmente, quase quinze anos após a morte de Garoto, Baden Powell mostrou-a a Vinícius de Moraes que, apaixonando-se pelo tema, deu-lhe uma letra em parceria com Chico Buarque. Aliás, uma letra primorosa que, segundo o próprio Chico, é quase toda de Vinicius: “São casas simples, com cadeiras na calçada / e na fachada escrito em cima que é um lar / pela varanda, flores tristes e baldias / como a alegria que não tem onde encostar...”

Muito antes, porém, houve uma outra letra (“Em um subúrbio afastado da cidade / Vive João e a mulher com quem casou / tem um casebre onde a felicidade / bateu à porta, foi entrando e lá ficou...”) de um poeta mineiro, que preferiu se manter no anonimato. Com esta letra, “Gente Humilde” foi cantada em programas da Rádio Nacional por Zezé Gonzaga e o coral Os Cantores do Céu, em arranjo de Badeco, do conjunto Os Cariocas (A Canção no Tempo – Vol. 2 – Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello – Editora 34).

Gente Humilde (canção, 1970) - Chico Buarque, Garoto e Vinícius de Moraes - Interpretação: Ângela Maria

LP Ângela De Todos Os Temas / Título da música: Gente Humilde / Garoto (Compositor) / Vinicius de Moraes (Compositor) / Chico Buarque (Compositor) / Ângela Maria (Intérprete) / Gravadora: Copacabana / Ano: 1970 / Nº Álbum: CLP 11600 / Lado A / Faixa 1 / Gênero musical: Canção.

Tom: C7+
Intro: C Am F G

C7+                         D#º            Dm7
Tem certos dias em que eu penso em minha gente
          G11              G7        C7+  G7/5+
E sinto assim todo o meu peito se apertar
         Em7         D#º         Dm7
Porque parece que acontece de repente
          Dm4/7       C#7/5-   C7+   G7/13
Como um desejo de eu viver sem me notar
         C7+             D#º         Dm7
Igual a como quando eu passo no subúrbio
     G11               G7             Gm7 C7/13
Eu muito bem vindo de trem de algum lugar
        F7+            G#7/9       Em7   A7/9-
E aí me dá como uma inveja dessa gente
             D7           G7/9-          C7+  G7/13
Que vai em frente sem nem ter com quem contar
             C7+          D#º        Dm7
São casas simples com cadeiras na calçada
        G11              G7            C7+ G7/5+
E na fachada escrito em cima que é um lar
       Em7            D#º        Dm7
Pela varanda flores tristes e baldias
         Dm4/7         C#7/5-       C7+    G7/13
Como a alegria que não tem onde encostar
         C7+       D#º           Dm7
E aí me dá uma tristeza no meu peito
            G11              G7        Gm7 C7/13
Feito um despeito de eu não ter como lutar
               F7+         G#7/9           Em7  A7/9-
E eu que não creio peço a Deus por minha gente
           D7            G7/9-    C7+
É gente humilde, que vontade de chorar

quinta-feira, 11 de maio de 2006

Duas contas

Garoto
Provavelmente a letra de "Duas Contas" é a única feita pelo multiinstrumentista/compositor Garoto (Aníbal Augusto Sardinha) em toda a sua carreira. Ao terminar esta composição, Garoto mostrou-a ao seu diretor na Rádio Nacional, Paulo Tapajós, preocupado com o fato de ela ter uma letra sem rima: "Teus olhos / são duas contas pequeninas / qual duas pedras preciosas / que brilham mais que o luar...". Mas Paulo gostou dos versos, tendo os elogios encorajado o autor a incluir "Duas Contas" no elepê da Musidisc que marcaria a estréia fonográfica do Trio Surdina (Garoto, violão; Fafá Lemos, violino; e Chiquinho, acordeom).

Neste elepê de dez polegadas, um dos mais originais e cativantes discos instrumentais brasileiros, "Duas Contas" é a única faixa cantada, sendo interpretada por Fafá Lemos de uma forma suave e intimista, que antecipa características da bossa nova.

Realmente, Garoto tinha uma concepção musical diferente, acima da média de seus contemporâneos, bastando esta melodia, com seus saltos inusitados, para comprovar este ponto de vista, aliás compartilhado pela maioria de seus colegas. Ao lado de Luiz Bonfá, Bola Sete e Laurindo de Almeida ele forma o grupo dos mais talentosos e modernos violonistas brasileiros nos anos cinqüenta. Tiveram os quatro a oportunidade de fazer carreira nos Estados Unidos, preferindo Garoto, porém, por motivos sentimentais, voltar ao Brasil. Com sua morte prematura, em 3 de maio de 55, o samba “Duas Contas" foi muito cantado, firmando-se como um clássico bem representativo do período pré-bossa nova.

Duas contas (samba-canção, 1955) - Garoto - Intérprete: Trio Surdina

Disco 33 1/3 rpm / Título da música: Duas contas / Garoto, 1915-1955 (Compositor) / Trio Surdina (Intérprete) / Fafá Lemos (Intérprete) / Imprenta [S.l.]: Musidisc, Indefinida / Nº Álbum 7 / Gênero musical: Não identificado.



Abm7---- Db7 ----Gbm7---------B7 ----Gbm7
-----------------Teus ---------olhos
--------------B7-------- Em7----- A7----Em7
São duas contas pequeni.........nas
----------------A7 ---------D ------Em7
Qual duas pedras preciosas
Gbm7 -----------F0------- Em7 ----A7 ----Abm7---- Db7
Que brilham mais que o luar

Gbm7 ----B7----- Gbm7
São ---eles
-------B7 ----------------------Em7 ----A7---- Em7
Guias ----do meu caminho escu.........ro
-------------A7--- Am6
Cheio de desilusão
-----B7
E dor

-------Em -----------------C7
Quisera que eles soubessem
--------Gbm7-------------- F0
O que representam prá mim
Em ---------A7--- Em -----------A7--- Am6----- B7
Fazen.......do------ que eu prossiga feliz
´-------Em-------- C7
Ai amor
-----A7 -----------D7+ ----C7+ -----D7+
A luz dos teus olhos

quarta-feira, 10 de maio de 2006

São Paulo Quatrocentão

Um dobrado que chegou as paradas de sucessos e tornou-se campeão em vendagem de discos. Essas credenciais fazem de "São Paulo Quatrocentão" uma exceção, tendo em vista as características do gênero, restrito às retretas e outros tipos de parada, as paradas militares.

Mas "São Paulo Quatrocentão" é um dobrado diferente, muito bem construído, e que tem como autores dois de nossos maiores instrumentistas populares - Garoto e Chiquinho do Acordeom. Por todas essas qualidades, foi consagrado como um verdadeiro hino do IV Centenário da Cidade de São Paulo, comemorado em 25 de janeiro de 1954.

São Paulo Quatrocentão (dobrado, 1954) - Garoto, Chiquinho do Acordeom e Avaré - Intérprete: Garoto

Disco 78 rpm / Título da música: São paulo quatrocentão / Chiquinho (Compositor) / Garoto, 1915-1955 (Intérprete) / Bandinha (Acompanhante) / Imprenta [S.l.]: Odeon, 1953 / Nº Álbum 13525 / Gênero musical: Dobrado.



Oh, São Paulo! Oh, meu São Paulo!
São Paulo Quatrocentão
Oh, São Paulo! Oh, meu São Paulo!
Você é o meu torrão
Oh, São Paulo ! Oh, meu São Paulo!
São Paulo das tradições
Meu São Paulo, minha terra
Mora em todos os corações


Você é lindo, é
É a terra do nosso café,
É o grande centro da nossa indústria,
É o grande esteio nacional
Você é varonil
Orgulho deste meu Brasil
Oh, meu São Paulo
Você é forte e colossal

Quem é que não vai abraçar
Meu São Paulo, no Quarto Centenário
Quem é que não vai enviar
Parabéns, no seu aniversário,
Quem é que não sente emoção
E não queira também compartilhar
Na festa do meu São Paulo
Que eu adoro e hei de adorar

segunda-feira, 8 de maio de 2006

Nick bar


Nick Bar (samba-canção, 1952) - Garoto e José Vasconcelos - Intérprete: Dick Farney


Disco 78 rpm / Título da música: Nick bar / Garoto, 1915-1955 (Compositor) / Vasconcellos, José (Compositor) / Farney, Dick, 1921-1987 (Intérprete) / Garoto, 1915-1955 (Acompanhante) / Gnattali, Radamés (Acompanhante) / Trinca (Acompanhante) / Vidal (Acompanhante) / Imprenta [S.l.]: Continental, Indefinida / Nº Álbum 16479 / Gênero musical: Samba-canção.


Introd.: C7M Am7 Dm7 Bb7 C7M 
              Dm7/9 G7/13 G7/13- G7 
  
C7M       Am7        Dm7 G7
Foi neste bar pequenino,         
  C7/9+          Am7       Em7    
Dm7       E7/9-      Am7+ Am7
Noites e noites sozinho,          
 D7/9                        Fm/G#   
      vivo lembrando uma dor 
C7M       Am7        Dm7 G7
Todas as juras sentidas           
 C7/9+       Am7         Em7/9 A7/13- 
    que o coração já guardou      
F7M        Bb7           Em5-/7
Hoje são coisas perdidas              
 A7 Dm7               G7        
    que   o eco ouviu e calou 
               Fm7 G7/13- C7M
Você partiu e   me    deixou    
                 Fm7       G7  C7M 
    não sei viver sem seu olhar 
                Bm5-/7  E7/13-
E o que ficou   só me lembrou  
        Am7                 D7/9      Fm/G# G7/13 G7/13- 
      nossos encontros no Nick Bar 
C7M       Am7        Dm7 G7
Todas as juras sentidas        
   C7/9+        Am7       Em7/9 A7/13- 
      que o coração já guardou 
F7M        Bb7           Em5-/7 A7      Dm7     G7     C7M 
Hoje são coisas perdidas        que  o eco ouviu e calou 

Instrumental solo: 

C7M  Am7 Em7/9  A7/9- Dm7 E7 Am7 D7 Dm7 G7/13 G7/13-
 
C7M                                              Dm7  Em7  C7 
Todas as juras sentidas que o coração já guardou 
F7M        Bb7           Em5-/7 A7           Dm7 G7       C7M 
Hoje são coisas perdidas             que o eco ouviu e calou 
              Fm7 G7/13- C7M                 Fm7       G7 C7M 
Você partiu e me deixou      não sei viver sem seu olhar 
            Bm5-/7 E7        
E o que sonhei só me lembrou  
      Am7                  D7        Dm7 G#7   
      nossos encontros no Nick Bar 
C#7M                     
Todas as juras sentidas 
                               D#m7  G#m7 C#7/9- 
       que o coração já guardou 
F#7M        B7           Fm5-/7
Hoje são coisas perdidas          
         A#7    D#m7   G#7 C#7M G#m7 C#7/9- 
       que  o eco ouviu e calou 
F#7M        B7           Fm5-/7
Hoje são coisas perdidas
      A#7    D#m7   G#7  C#7M
    que  o eco ouviu e calou

domingo, 9 de abril de 2006

Garoto

Garoto (Aníbal Augusto Sardinha), instrumentista e compositor, nasceu em São Paulo SP, em 28/6/1915, e faleceu no Rio de Janeiro RJ, em 3/5/1955. Filho dos portugueses Antônio Augusto Sardinha e Adosinha dos Anjos Sardinha, o pai tocava guitarra portuguesa e violão, e o irmão, Batista, tinha um conjunto em que tocava banjo e outros instrumentos.

Começou a tocar sozinho, de ouvido e, ganhando um banjo do irmão, integrou em 1925, com apenas 11 anos, o Regional Irmãos Armani, ficando conhecido então como Moleque do Banjo, por sua pouca idade. No ano seguinte passou a tocar no Conjunto dos Sócios, pertencente ao irmão Inocêncio, cantor e violonista, apresentando-se em reuniões e festas.

Em 1930, com o violonista Serelepe (D. Montezano), apresentou-se ao diretor artístico da Parlophon, maestro Mignone e, depois de um teste, foram convidados no mesmo dia para gravar. Lançaram então em disco Bichinho de queijo, maxixe-choro, e Driblando, maxixe, duas composições suas, em duo de banjo e violão (no selo do disco consta o nome de Aníbal da Cruz como autor que é ele próprio). Na porta da gravadora travou relações com Zezinho, mais tarde conhecido como Aimoré, com quem passou a tocar fazendo serenatas todas as noites no bairro da Luz, na capital paulista. Depois, substituiu Derbagno no conjunto Chorões Sertanejos, com o qual viajou pelo interior de São Paulo. De volta à capital do Estado, trabalhou no Teatro Moulin Rouge e no Circo Piolin, do Largo do Paiçandu.

Em 1931 passou a atuar profissionalmente na Rádio Educadora Paulista (depois Gazeta), tocando cavaquinho e bandolim no Conjunto Regional, em substituição a Zé Carioca, então Zezinho do Banjo. Deixou a emissora no mesmo ano, passando a tocar no Jazz da Cruz Azul.

Em fins de 1934 foi convidado por Jaime Redondo, da Rádio Cosmos, de São Paulo, para integrar, ao lado de Aimoré, Atílio Grani, Pingo e Petit (Hudson Gaia), o Conjunto Regional, liderado por este último. Na época, por sugestão do próprio Redondo, mudou seu apelido de Moleque do Banjo para Garoto, e compôs, no mesmo ano, a música Quinze de Julho (com Aimoré).

No ano seguinte organizou, com Petit e Aimoré, um trio que se apresentou no salão nobre do Edifício Martinelli, em São Paulo. Com o fechamento da Rádio Cosmos, ficou algum tempo sem trabalho, sendo depois convidado a participar da Quarta Caravana Artística com temporada em Curitiba, no Cassino Rodoviário do Paraná. De lá, com Aimoré, foi para Porto Alegre RS, atuando no Cassino Farroupilha, e para Buenos Aires, Argentina, onde acompanharam Carlos Gardel em alguns números. Retornando a São Paulo, apresentou-se, com Aimoré e Sílvio Caldas, em Santos, quando obteve grande sucesso tocando violão-tenor.

Em 1935, com Aimoré no acompanhamento, gravou pela Columbia dois 78 rpm, com suas músicas Dolente, choro, Moreninha e Sobre o mar, valsas com solo de guitarra havaiana pelo autor e Quinze de Julho, com solo de violão-tenor. No mesmo ano, a convite de Sílvio Caldas, foi com Aimoré para o Rio de Janeiro, chegando a estrear na Rádio Mayrink Veiga. Contudo, por problemas de saúde, voltou a São Paulo, onde foi convidado, em 1937, pelo maestro Gaó, para integrar o conjunto regional da Rádio Cruzeiro do Sul.

Dois anos depois casou e desfez a dupla com Aimoré, seguindo para o Rio de Janeiro, onde passou a tocar com Laurindo de Almeida. Com a saída do violonista Ivo Astolfi do Bando da Lua, Carmen Miranda chamou-o para substituí-lo.

Permaneceu oito meses nos EUA com o conjunto. De volta ao Brasil, formou o conjunto Garoto e seus Garotos, integrado por Valdemar Reis, Poli e Almeida ao violão, e Russo do Pandeiro. Mais tarde, quando 0 conjunto se desfez, foi para a Rádio Nacional, participando de vários programas com Carolina Cardoso de Meneses e atuando na Orquestra da Rádio Nacional, regida por Radamés Gnattali.

De 1942 a 1946 gravou, na Victor seis 78 rpm com Carolina Cardoso de Meneses, sob o título Garoto e Carolina, e, cinco anos depois, formou dupla com José Meneses, participando do programa Nada Além de Dois Minutos, de Paulo Roberto, na Rádio Nacional. Ali, trocava de instrumentos sem perder a seqüência das músicas, alternando violão, guitarra, violão-tenor e cavaquinho. Ainda com José Meneses atuou em outros programas, como Ao Som da Viola e Um Milhão de Melodias, em que eram solistas da Orquestra da Rádio Nacional, além de terem gravado vários discos.

Em 1952 surgiu o Trio Surdina, produzido por Paulo Tapajós, então diretor-artístico da Rádio Nacional. Formado por Fafá Lemos (violino e solos de assobio), Chiquinho (acordeom) e ele próprio (violão), o trio gravou dois LPs de 10 polegadas, a convite de Nilo Sérgio, pela Musidisc. Realizadas no próprio estúdio da Rádio Nacional, nessas gravações foram incluídos mais dois elementos no grupo, o contrabaixista Vidal e o ritmista Bicalho.

Lançado em 1953, o primeiro LP Trio Surdina, trazia, entre outras, suas músicas O relógio da vovó (com Fafá Lemos e Chiquinho do Acordeom) e Duas contas, e ainda Na madrugada (Nilo Sérgio). No mesmo ano, com a Orquestra Sinfônica do Teatro Municipal, do Rio de Janeiro, regida pelo maestro Eleazar de Carvalho, tocou o Concerto n° 2, para violão e orquestra, da Radamés Gnattali, que lhe era dedicado. Ainda em 1953 compôs, com Chiquinho do Acordeom, São Paulo Quatrocentão (com letra de Avaré), para o IV Centenário de São Paulo, que vendeu 700 mil discos. Foi ainda naquele ano que gravou seu primeiro disco como violonista, pela Odeon, com Abismo de rosas (Canhoto) e Tristezas de um violão (de sua autoria).

Ao longo de sua carreira, estudou música com Atílio Bernardini e composição com João Sepe, cursando matérias afins com Radamés Gnattali. Como compositor, além de São Paulo quatrocentão, obteve grande sucesso com Amoroso (com Luís Bittencourt), Estranho amor (com David Nasser), Sorriu para mim (com Iraci de Abreu de Medeiros Rosa), Duas contas e Gente humilde, cuja letra foi escrita mais tarde por Chico Buarque e Vinícius de Moraes. Gravou ainda, como instrumentista de corda, sambas, choros, prelúdios, valsas, além de composições de músicos eruditos. Morreu em 1955, de um ataque cardíaco, quando planejava excursão à Europa.


Fonte: Enciclopédia da Música Brasileira - Art Editora e Publifolha, SP, 1998.