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quarta-feira, 9 de agosto de 2006

Cem mil réis

Noel Rosa
Cem mil réis (samba, 1934) - Noel Rosa e Vadico - Intérpretes: Noel Rosa e Marília Batista

Disco 78 rpm / Título da música: Cem mil réis / Noel Rosa, 1910-1937 (Compositor) / Vadico (Compositor) / Marília Batista, 1918-1990 (Intérprete) / Noel Rosa (Intérprete) / Conjunto Regional de Benedito Lacerda (Acomp.) / Gravadora: Odeon / Gravação: 05/03/1936 / Lançamento: 04/1936 / Nº do Álbum: 11337 / Nº da Matriz: 5275 / Gênero: Samba


Tom: F

F         A7          Dm 
Você me pediu cem mil-réis 
       Bbm      F/C      D7      Gm D7 
Pra comprar um soirée e um tamborim 
    Gm  
O organdi anda barato pra cachorro 
                           C7       F 
E um gato lá no morro não é tão caro assim 

             D7                   Gm 
Não custa nada preencher formalidade 
     Bbm          F/C   D7   Gm     C7   F 
Tamborim pra batucada soi...rée pra sociedade 
          D7                    Gm 
Sou bem sensato seu pedido eu atendi 
        Bbm         F/C    D7      Gm       C7 F 
Já tenho a pele do gato falta o metro de organdi 

Você me pediu cem mil réis.... 

           D7                     Gm 
Sei que você num dia faz um tamborim 
     Bbm            F/C         D7    Gm     C7 F 
Mas ninguém faz um soirée com meio metro de cetim 
          D7                  Gm 
De soirée você num baile se destaca 
      Bbm            F/C       D7   Gm        C7 F 
Mas não quero mais você porque não sei vestir casaca 


Fontes: Discografia Brasileira - IMS; Instituto Moreira Salles.

Tarzan (O filho do alfaiate)

Vadico
Este samba satiriza a moda dos paletós com enchimentos, que faziam aumentar a musculatura de qualquer fracote... Incluída no filme "Cidade-mulher", de Humberto Mauro, "Tarzan, o filho do alfaiate" (o subtítulo é uma réplica a "O filho das selvas") foi gravado na Victor por Almirante em 4 de agosto de 1936, com lançamento em setembro seguinte (34086-A, matriz 80189), tendo no verso "Maria Fumaça", samba de Noel sem parceria (Fonte: Samuel Machado Filho, no Youtube).

Tarzan (O Filho do Alfaiate) (samba, 1936) - Noel Rosa e Vadico - Intérprete: Almirante

Disco 78 rpm / Título da música: Tarzan (O filho do alfaiate) / Autoria: Rosa, Noel, 1910-1937 (Compositor) / Vadico (Compositor) / Almirante, 1908-1980 (Intérprete) / Regional RCA Victor (Acompanhante) / Imprenta [S.l.]: Victor, 1936 / Nº Álbum 34086 / Lado A / Gênero musical: Samba.


Intr.: F Ab C/G A7 Dm G7 C Fm/C C G7

C             G/B        Gm6/Bb
Quem foi que disse que eu era forte?
A7          Dm           G7        C
Nunca pratiquei esporte, nem conheço futebol...
E7                      Am
O meu parceiro sempre foi o travesseiro
D7                       G7
E eu passo o ano inteiro sem ver um raio de sol
C           G/B     Gm6/Bb
A minha força bruta reside
A7         Dm          G7        C
Em um clássico cabide, já cansado de sofrer
E7                 Am
Minha armadura é de casimira dura
F#°       C/G           G7           C
Que me dá musculatura, mas que pesa e faz doer

C7          C#°                     Dm
Eu poso pros fotógrafos, e destribuo autógrafos
F/Eb         F7         Bb
A todas as pequenas lá da praia de manhã
D7                       Gm
Um argentino disse, me vendo em Copacabana:
Db             F/C        C7            F
'No hay fuerza sobre-humana que detenga este Tarzan'
 
G7   C           G/B      Gm6/Bb
De lutas não entendo abacate
A7              Dm          G7           C
Pois o meu grande alfaiate não faz roupa pra brigar
E7                     Am
Sou incapaz de machucar uma formiga
D7                       G7
Não há homem que consiga nos meus músculos pegar
C           G/B      Gm6/Bb
Cheguei até a ser contratado
A7          Dm            G7          C
Pra subir em um tablado, pra vencer um campeão
E7                       Am
Mas a empresa, pra evitar assassinato
F#°           C/G          G7            C
Rasgou logo o meu contrato quando me viu sem roupão

C7          C#°                     Dm
Eu poso pros fotógrafos, e destribuo autógrafos
F/Eb         F7         Bb
A todas as pequenas lá da praia de manhã
D7                       Gm
Um argentino disse, me vendo em Copacabana:
Db             F/C        C7            F
'No hay fuerza sobre-humana que detenga este Tarzan' 

     C             G/B        Gm6/Bb
Quem foi que disse que eu era forte?
A7          Dm           G7        C
Nunca pratiquei esporte, nem conheço futebol...
E7                      Am
O meu parceiro sempre foi o travesseiro
D7                       G7
E eu passo o ano inteiro sem ver um raio de sol
C           G/B     Gm6/Bb
A minha força bruta reside
A7         Dm          G7        C
Em um clássico cabide, já cansado de sofrer
E7                 Am
Minha armadura é de casimira dura
F#°       C/G           G7           C
Que me dá musculatura, mas que pesa e faz doer

Só pode ser você

Vadico
Samba cético e amargo da parceria Noel-Vadico, originalmente chamado "Ilustre visita". Foi composto em 1935, após Noel voltar de uma viagem que fizera a Belo Horizonte para tratamento de saúde, já doente. Sua mãe, a dona Marta, recebeu a visita da então namorada Ceci, que procurava saber como ia a saúde do amado, mas preferiu esconder seu nome (mas ele descobriu tudo!). Gravação da "Araca" na Victor, em 11 de agosto de 1936, lançada em março de 37, disco 34152-A, matriz 80199 (Fonte: Samuel Machado Filho, no Youtube).

Só Pode Ser Você (samba, 1935) - Noel Rosa e Vadico - Intérprete: Araci de Almeida

Disco 78 rpm / Título da música: Só pode ser você / Autoria: Rosa, Noel, 1910-1937 (Compositor) / Vadico (Compositor) / Araci de Almeida, 1914-1988 (Intérprete) / Imprenta [S.l.]: Victor, 1936 / Nº Álbum 34152 / Lado A / Gênero musical: Samba.


C6/9                 
Compreendi seu gesto
C6/9        A7/b13  
Você entrou naquele
Dm7/9             Dm/C
meu chalé modesto
Bm7/b5            E7  Am7
Porque pretendia somente saber
Em7  
Qual era o dia
B7     Em7 A7/b13 Dm7 G7/13
em que eu deixaria de viver
C6/9               
Mas eu estava fora
C6/9         A7/b13            Dm7/9         Dm/C
Você mandou lembranças e foi logo embora
Bm7/b5          E7 Am7
Sem dizer qual o primeiro nome
Em7
De tal visita
B7          Em7 A7/b13 Dm7 G7/13
Mais cruel, mais bonita que sincera
Dm7                 Dm/C     Bm7/b5  E7
E pelas informações que recebi já vi
A7                   A7/b9       D7/9
Que essa ilustre visita era você
Dm7/9       G7/13 G7/b13       E7/+5  E7/6  E7
Porque não existe nessa vida
A7/b13             Dm7     G7
Pessoa mais fingida
C6/9
Do que você

Quantos beijos

Vadico
Quantos beijos (samba, 1936) - Noel Rosa e Vadico - Intérprete: Marília Batista e Noel Rosa

Disco 78 rpm / Título da música: Quantos beijos / Autoria: Rosa, Noel, 1910-1937 (Compositor) / Vadico (Compositor) / Marília Batista, 1918-1990 (Intérprete) / Rosa, Noel, 1910-1937 (Intérprete) / Reis do Ritmo (Acompanhante) / Imprenta [S.l.]: Victor, 1936 / Nº Álbum 34140 / Lado B / Gênero musical: Samba.


Tom: E

         E
Quantos beijos 
Quando eu saía
     B
Meu deus, quanta hipocrisia! 
     A
Meu amor fiel você traía
    B               E
Só eu é quem não sabia 
           B7               E
Ai ai meu Deus mas quantos beijos

E        B7
  Não andava com dinheiro todo dia 
      E
Para sempre dar o que você queria 
           C#m       F#             B
Mas quando eu satisfazia os teus desejos 
         C#m   F#7        B                B7
Quantas juras... quantos beijos...quantos beijos
         E
Quantos beijos 
Quando eu saía
     B
Meu deus, quanta hipocrisia! 
     A
Meu amor fiel você traía
    B               E
Só eu é quem não sabia 
           B7               E
Ai ai meu Deus mas quantos beijos

       B7
Não esqueço aquelas frases sem sentido 
       E
Que você dizia sempre ao meu ouvido 
        C#m           F#         B
Você porém mentia em todos os ensejos 
         C#m  F#7         B
Quantos juras... quantos beijos

Provei

Vadico
Provei (samba, 1937) - Noel Rosa e Vadico - Intérprete: Marília Batista e Noel Rosa

Disco 78 rpm / Título da música: Provei / Autoria: Rosa, Noel, 1910-1937 (Compositor) / Vadico (Compositor) / Marília Batista, 1918-1990 (Intérprete) / Rosa, Noel, 1910-1937 (Intérprete) / Imprenta[S.l.]: Odeon, 1936 / Nº Álbum 11422 / Lado A / Gênero musical: Samba.


Tom: A
(intro) A7M A6 A7

D7M         D6         Dm6
provei
     G7/9        C#m7     C#m7/B
Do amor todo amargor que ele tem
 G#m7/11)  G#m7(11) G#m7(b5)
Então jurei
     C#7(b9)      F#7(13)    F#7(b13)
Nunca mais amar ninguém
B7(13)    B7(b13)    Bm7
porém,
       E7/9    A7M      G7 F#7
Eu agora encontrei alguém
           B7(13)
Que me compreende
     E7/9     A7M
E que me quer bem

Bm7     F#7     Bm7   E7/G#
Nunca se deve jurar
 A7M      E7        A7M     C#7     F#7
Não mais amar a ninguém
          G7 F#7       B7(13)
Não há quem possa evitar
B7(b13)  D#m7(b5)  E/D   A7M/C#    A7/13
De se apaixonar por alguém

(refrão)
Bm7     F#7    Bm7     E7/G#
Quem fala mal do amor
A7M        E7      A7M      C#7    F#7
Não sabe a vida levar
         G7 F#7        B7(13)
Quem maldiz a própria dor
B7(b13)  D#m7(b5)  E/D    A7M/C#
Tem amor mas não sabe amar

quinta-feira, 11 de maio de 2006

Prece

Vadico
Prece (samba-prelúdio, 1956) - Vadico e Marino Pinto - Intérprete: Trio Nagô

Disco 78 rpm / Título da música: Prece / Pinto, Marino (Compositor) / Vadico (Compositor) / Trio Nagô (Intérprete) / Conjunto (Acompanhante) / Imprenta [S.l.]: RCA Victor, 09/07/1957 / Nº Álbum 801840 / Gênero musical: Samba.



Quem duvidar que duvide
A saudade em meu peito reside
Sem querer fui querer
Novamente


Já fiz tanta oração
Ao Senhor eu pedi
Proteção, inutilmente
Eu rezei minha prece
Saudade vai e me esquece

quinta-feira, 27 de abril de 2006

Pra que mentir

Vadico
Pra que mentir (samba, 1939) - Noel Rosa e Vadico - Intérprete: Sílvio Caldas

Disco 78 rpm / Título da música: Pra que mentir / Noel Rosa, 1910-1937 (Compositor) / Vadico (Compositor) / Sílvio Caldas (Intérprete) / Fon-Fon e Sua Orquestra (Acomp.) / Gravadora: Victor / Gravação: 01/09/1938 / Lançamento: 02/1939 / Nº do Álbum: 34413 / Nº da Matriz: 80883-1 / Gênero musical: Samba

Dm7/9    Bb7M
Pra  que  mentir
Bm7(b5)   Bb7M      Bbm7/9
se    tu   ainda  não tens
Eb7/13      Dm(7M)  Dm7
Esse dom  
G7/4(9)   C7/4(9 13)
de saber    iludir?
Bm7(b5)
Pra  quê?!      
Bb7M             Bm7(b5)   E7(#5)
Pra que mentir
Bb7/9      A7/4(9)       Eb7(9 #11)
Se não há necessidade   de     me  trair?
Dm7/9       Bb6/9    Bm7(b5) Bb7M     Bbm7/9
Pra  que     mentir,  se   tu   ainda não tens
Eb7/13     Dm(7M)   Dm7    G7/9     G/B
A malí....cia    de to...da mulher?
Dm7/9  G7(9 #11)    E7(#5)  A7/4(9)
Pra que             mentir
Dm7/9      G7(9 #11)   E7(#5)    A7/4(9)
se eu sei    que gostas   de ou....tro
F#m7  C7/4(9)            B7M/9  E7/4(9)
Que te diz           que não te quer?
A7/4(9)     D7M/9       Gm6  F#7(b13)
Pra  que      mentir
Bm7(9 11)
Tanto assim
Gm6      F#7(b13)   Bm7(9 11)
Se tu sabes que   eu   já sei
Bb7/13   C7/4(9 13)
Que tu não gostas de mim?!
G(add9)/B  F#7(b13)          Bm7(9 11)
Se tu sa......bes        que eu te quero
C7/4(9 13)          Bm7(9 11)
Apesar         de ser traído
C7/4(9 13)           F7M
Pelo  teu          ódio sincero
Bb7M          Eb7(9 #11)
Ou por teu amor fingido?! 


Fontes: Discografia Brasileira - IMS; Instituto Moreira Salles.

segunda-feira, 24 de abril de 2006

Feitiço da Vila

Noel Rosa
Noel Rosa amou Vila Isabel, o bairro onde nasceu, viveu e morreu. Não é assim de admirar que imortalizasse esse amor em uma de suas melhores composições, o clássico "Feitiço da Vila".

Sobre uma melodia de Vadico muito bem elaborada, ele desenvolveu versos que a enaltecem, ressaltando sua ligação com o samba ("São Paulo dá café / Minas dá leite / e a Vila Isabel dá samba" ), samba que enfeitiça e dignifica ( "Tendo o nome de princesa / transformou o samba / num feitiço decente / que prende a gente" ), uma Vila Isabel, enfim, a que o poeta se orgulha de pertencer ("Paixão não me aniquila / mas tenho que dizer / modéstia à parte / meus senhores, eu sou da Vila").

Tudo isso dito assim de forma clara, objetiva, mas sem prejuízo do lirismo, é bem característico da poesia de Noel. Lançado em dezembro de 1934, em meio ao repertório carnavalesco, "Feitiço da Vila" é dedicado a Lela Casatle, uma beldade do bairro, então eleita Rainha da Primavera. Como se vê, a Vila não dava apenas samba...

Feitiço da Vila (samba, 1935) - Noel Rosa e Vadico - Intérprete: João Petra de Barros

Disco 78 rpm / Título da música: Feitiço da vila / Noel Rosa, 1910-1937 (Compositor) / Vadico (Compositor) / João Petra de Barros, 1915-1948 (Intérprete) / Orquestra Odeon (Acomp.) / Gravadora: Odeon / Gravação: 22/10/1934 / Lançamento: 12/1934 / Nº do Álbum: 11175 / Nº da Matriz: 4938 / Gênero musical: Samba / Coleção de origem: IMS


Tom: C

  C              E7                  F
Quem nasce na lá Vila  / Nem sequer vacila
              E7
Em abraçar o samba
  F   G7          C            A7
Que faz dançar os galhos do arvoredo
        D7    G7        C      G7
E faz a lua nascer mais cedo 

C              E7                          F
O sol da Vila é triste  /   Samba não assiste
                    E7
Porque a gente implora:
F    G7           C               A7
Sol pelo amor de Deus não venha agora
         D7       G7       C      A7
Que as morenas vão logo embora ... 

       Dm         Bb7          Dm
A Vila tem    um feitiço sem farofa
          Fm          G7              C    E7
Sem vela e sem vintém /  Que nos faz bem
  Am        E7      Am
Tendo nome de princesa
      B7      Em            D7        G7
Transformou o samba   num feitiço decente
Que prende a gente 

 C          E7                  Am
Lá em Vila Isabel/ Quem é bacharel
    F            E7      F     G7      C              A7
Não tem medo de bamba /  São Paulo dá café, Minas dá leite
   D7    G7      C     G7   C              E7
E Vila Isabel dá samba,/   Eu sei tudo que faço 
                F                      E7
Sei por onde passo / Paixão não me aniquila
 F     G7       C                 A7
Mas tenho que dizer, modéstia à parte
        D7       G7       C     Fm   C
Meus senhores eu sou da Vila !


Fontes: A Canção no Tempo - Vol. 1 - Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello - Editora 34; Discografia Brasileira - IMS; Instituto Moreira Salles.

Conversa de botequim

Não existe em nossa música popular crônica mais espirituosa sobre uma cena do cotidiano que a realizada por Noel Rosa em "Conversa de Botequim". Localizada em um café, ambiente que o autor conhecia como ninguém, a crônica tem como personagem principal um freguês desabusado que, ao preço de uma simples média com pão e manteiga, acha-se no direito de agir como se estivesse em sua casa.

Assim, em ordens sucessivas, ele exige do garçom atendimento rápido e eficiente : "Seu garçom faça o favor / de me trazer depressa / uma boa média que não seja requentada/ um pão bem quente com manteiga à beça / um guardanapo / um copo d'água bem gelada..." -, que inclui ainda o fornecimento de "caneta, tinteiro, envelope, cartão, cigarro, isqueiro, cinzeiro, revistas, o resultado do futebol" e até "o empréstimo de algum dinheiro", pois deixara o seu com o bicheiro.

Tudo isso fiado, pois, para terminar, o sujeito ordena: "Vá dizer ao seu gerente / que pendure essa despesa / no cabide ali em frente". Completa esta obra-prima uma melodia sincopada de Vadico, que se casa com a letra de forma primorosa, como se as duas tivessem sido feitas ao mesmo tempo, por uma mesma pessoa. Noel Rosa é o melhor intérprete de "Conversa de Botequim", uma de suas composições mais gravadas. No seu jeito simples de cantar, ele "diz" a letra com a naturalidade com que um malandro daria todas aquelas ordens a um garçom de botequim.

Conversa de botequim (samba, 1935) - Noel Rosa e Vadico - Intérprete: Noel Rosa

Disco 78 rpm / Título da música: Conversa de botequim / Noel Rosa, 1910-1937 (Compositor) / Vadico (Compositor) / Noel Rosa (Intérprete) / Conjunto Regional (Acomp.) / Gravadora: Odeon / Gravação: 24/07/1935 / Lançamento: 09/1935 / Nº do Álbum: 11257 / Nº da Matriz: 5106 / Gênero musical: Samba / Coleções de origem: IMS, Nirez


Intr.:
(F D7/F# C/G A7 D7 G7 C7 C/Bb F/A Ab C/G A7 D7 G7 C)

        C           D7/F#         G/F    C/E   
Seu garçom faça o favor de me trazer depressa
A7/C#   Dm7           G7   C7         C/Bb 
Uma boa média que não seja requentada
           F/A            E7/G#  Am
Um pão bem quente com manteiga à beça
              D7/F#                       G7
Um guardanapo      e um copo d'água bem gelada
                    D7/F#        G/F  C/E
Feche a porta da direita com muito cuidado
       A7/C#        D7         G7   C7        C/Bb
Que eu não estou disposto a ficar exposto ao sol
          F/A          Ab       C/G
Vá perguntar ao seu freguês do lado
     A7          D7     G7     C  C/Bb
Qual foi o resultado do fute..bol

F/A       A7/C#          Dm
Se você ficar limpando a mesa
F7/C          Bb                  A7
     Não me levanto nem pago a despesa
     D7           G7
Vá pedir ao seu patrão                  
Uma caneta, um tinteiro,
              C7    C/Bb
Um envelope e um cartão,
F/A            A7/C#       Dm    F/Eb
Não se esqueça de me dar palitos 
        Bb/D          Bb7    A7
E um cigarro pra espantar mosquitos 
     D7             G7
Vá dizer ao charuteiro
                       C7
Que me empreste umas revistas,
      C7/E          F
Um isqueiro e um cinzeiro

        C           D7/F#         G/F    C/E   
Seu garçom faça o favor de me trazer depressa...

F/A         A7/C#     Dm  F7/C
Telefone ao menos uma vez
          Bb                      A7
Para três quatro quatro três três três 
     D7          G7
E ordene ao seu Osório
Que me mande um guarda-chuva
                 C7       C/Bb
Aqui pro nosso escritório
F/A             A7/C#          Dm     F/Eb
Seu garçom me empresta algum dinheiro
           Bb/D         Bb7  A7  
Que eu deixei o meu com o  bicheiro,
     D7               G7   
Vá dizer ao seu gerente
                    C7 
Que pendure esta despesa
       C7/E      F
No cabide ali em frente
        C           D7/F#         G/F    C/E   
Seu garçom faça o favor de me trazer depressa
A7/C#   Dm7           G7   C7         C/Bb 
Uma boa média que não seja requentada
           F/A            E7/G#  Am
Um pão bem quente com manteiga à beça
              D7/F#                       G7
Um guardanapo      e um copo d'água bem gelada
                    D7/F#        G/F  C/E
Feche a porta da direita com muito cuidado
       A7/C#        D7         G7   C7        C/Bb
Que eu não estou disposto a ficar exposto ao sol
          F/A          Ab       C/G
Vá perguntar ao seu freguês do lado
     A7          D7     G7     C  
Qual foi o resultado do fute...bol


Fontes: A Canção no Tempo - Vol. 1 - Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello - Editora 34; Discografia Brasileira - IMS; Instituto Moreira Salles.

sexta-feira, 21 de abril de 2006

Feitio de Oração

O compositor Vadico (Osvaldo Gogliano) era um jovem de 22 anos e trabalhava no Rio havia pouco tempo, quando foi apresentado por Eduardo Souto a Noel Rosa, nos estúdios da Odeon. Razão da apresentação: o maestro acabara de ouvi-lo tocar ao piano uma música de sua autoria, ainda sem letra, e achara que o encontro poderia render uma boa parceria.

Noel, então, impressionado com a beleza e o clima místico da melodia, fez a letra de "Feitio de Oração", iniciando com uma obra-prima a parceria desejada. Pertence a esta letra os famosos versos: "Batuque é um privilégio / ninguém aprende samba no colégio..." A dupla Noel e Vadico durou quatro anos, deixando onze composições.

Feitio de Oração (samba, 1933) - Noel Rosa e Vadico - Intérpretes: Francisco Alves e Castro Barbosa

Disco 78 rpm / Título da música: Feitio de oração / Noel Rosa, 1910-1937 (Compositor) / Vadico (Compositor) / Francisco Alves (Intérprete) / Castro Barbosa (Intérprete) / Orquestra Copacabana (Acomp.) / Gravadora: Odeon / Gravação: 07/07/1933 / Lançamento: 08/1933 / Nº do Álbum: 11042 / Nº da Matriz: 4693 / Gênero musical: Samba / Coleção de origem: IMS

C7M             Em7(b5)  Gm6/Bb A7/13 A7(b13)
Quem acha vive se perden......do
    Dm7/9                      Fm6    G7/13
Por isso  agora eu vou me defendendo
   C7M/9         F#m7(b5)    B7(#5)    Bb7/13
Da dor    tão cruel       desta     saudade
        A7(#5)  Ab7/13  G7/13  
Que por infelicidade          
                  C6/9   G7(#5)
Meu pobre peito invade

  C7M/9           Em7(b5)   Gm6/Bb A7(b13)
Batuque é um privilé.......gio 
   Dm7/9                   Fm6    G7/13
Ninguém aprende samba no colégio
   C7M      F#m7(b5)     B7(#5)  Bb7/13
Sambar é chorar       de ale.....gria
     A7(#5)          Ab7/13  G7/13
É sorrir    de nostalgia
              C7M    A7(#9/b13)
Dentro da melodia
          Dm7/9      G7/13        C7M/9  Eb°
Por isso agora lá na Penha vou mandar
                    Dm7   G7(9/13) G7(b9/13)
Minha morena pra cantar
           C7M   C6         Em7(b5)   A7(b5)
Com satisfação,  e com harmonia
                Dm7/9           F#m7/11
Esta triste melodia,  que é meu samba
B7(b13)              Em7/9  A7(b13) Dm7/9 G7(#5)
Em      feitio de oração
  C7M/9         Em7(b5)   A7(b5)     Dm7/9
O samba na realida.....de,       não vem   do morro
            Fm6   G7/13
Nem lá da cidade
  C7M       F#m7(b5)  B7(#5)     Bb7/13
E quem suportar      uma      paixão
     A7(b5)               Ab7/13    G7/13
Sentirá     que o samba então 
             C7M
Nasce no coração 


Fontes: A Canção no Tempo - Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello - Vol. 1 - Editora 34; Discografia Brasileira - IMS; Instituto Moreira Salles.

sexta-feira, 7 de abril de 2006

Vadico

Vadico (Osvaldo de Almeida Gogliano), compositor, regente e instrumentista, nasceu em São Paulo SP, em 24/6/1910 e faleceu no Rio de Janeiro RJ, em 11/6/1962. Filho de imigrantes italianos do bairro do Brás, todos seus irmãos eram músicos: Carlos tocava flauta e sax, Rute formou-se em piano e harmonia e Dirceu fez o Conservatório Dramático e Musical de São Paulo. 


Começou a interessar-se por música aos 16 anos e aos 18 deixou a profissão de datilógrafo, para tocar piano em público pela primeira vez, apresentando-se num hotel em Poços de Caldas MG. No mesmo ano venceu um concurso de música popular recebendo medalha de ouro com sua primeira composição, a marcha Isso mesmo é que eu quero.

Em 1929, seu samba Deixei de ser otário foi incluído no filme Acabaram-se os otários (dirigido por Luís de Barros); essa foi sua primeira composição gravada, na Odeon, por Genésio Arruda. Por essa época, já fazia trabalhos de orquestração e enviou um samba para o Rio de Janeiro, Arranjei outra (com Dan Mallio Carneiro), que foi gravado por Francisco Alves em 1930. Isso o encorajou a dedicar-se somente à música, aperfeiçoando seus estudos de piano.

Em 1931 foi para o Rio de Janeiro, onde, por intermédio de Eduardo Souto, teve seu samba Silêncio gravado por Luís Barbosa e Vitório Lattari. Dois anos depois, o mesmo Eduardo Souto o apresentou a Noel Rosa no estúdio da Odeon. Ouvindo uma de suas composições, Noel aceitou a sugestão de Souto para fazer a letra, e dois dias mais tarde estava pronto o Feitio de oração, o primeiro dos seus sambas que teve Noel como letrista e que foi gravado em 1933, na Odeon, por Francisco Alves e Castro Barbosa.

Seguiram-no Feitiço da Vila, Provei, Quantos beijos e Só pode ser você. Musicou depois os versos de Noel Rosa: Conversa de botequim, Cem mil-réis, Tarzan (O filho do alfaiate), Pra que mentir e a Marcha do dragão (publicitária).

Por essa época, também atuou como pianista em diversas escolas de dança, e em 1934 foi contratado por Luís Americano para tocar na boate Lido, substituindo-o, posteriormente, na direção da orquestra. Quatro anos depois tocou durante alguns meses no Cassino Tênis Clube de Petrópolis RJ.

Em 1939 foi com a Orquestra Romeu Silva para os E.U.A., para atuar no pavilhão brasileiro da Feira Mundial de New York, estreando em junho. Permaneceu naquele país até novembro, tendo gravado transmissões para o Brasil na National Broadcasting Corporation. Retornou ao Brasil com Romeu Silva, passando a apresentar-se com a orquestra deste na Feira de Amostras do Rio de Janeiro.

Voltou a Nova York em abril de 1940, para a reabertura da Feira Mundial. Com o encerramento da mostra em outubro daquele ano, foi para Hollywood, onde se encontrou com Zé Carioca e passou a trabalhar na gravação das músicas do filme Uma noite no Rio (That Nightin Rio, de Irving Cummings), com Carmen Miranda.

No ano seguinte, a pedido da Universal Pictures, compôs para um filme o samba Ioiô, que teve letra de Nestor Amaral. Continuou como pianista de Carmen Miranda e do Bando da Lua, fazendo também várias orquestrações para filmes em que estes atuavam, como Weekend in Havana (Aconteceu em Havana, direção de Walter Lang, 1941) e Springtime in the Rockies (Minha secretária brasileira, direção de Irving Cummings, 1942), além de outros.

Em 1943 fez shows em teatros e night clubs, sendo convidado no mesmo ano por Walt Disney, que o pediu emprestado à Twentieth Century Fox por cinco dias, para musicar o desenho de longa metragem Saludos, amigos, em que o personagem Zé Carioca aparece como símbolo do Brasil.

Em 1944 participou de shows com Carmen Miranda e o Bando da Lua, apresentados nas bases da Marinha, em San Francisco, E.U.A. No ano seguinte atuou no restaurante Latin Quarter. Nesse mesmo ano de 1945, deixou de atuar com Carmen Miranda e o Bando da Lua, passando a integrar orquestras norte-americanas. Estudou harmonia, contraponto, composição musical, orquestração e regência, com Mario Castelnuovo-Tedesco (1895-1968).

Em 1948 acompanhou Carmen Miranda em sua temporada em Londres. Em 1949 entrou para a companhia da bailarina Katherine Dunham, como regente de orquestra, excursionando pelos E.U.A., Europa e América do Sul.

Em agosto de 1951 deixou a companhia em Kingston, Jamaica, e foi para New York trabalhar com uma orquestra cubana. Três anos depois, retornou ao Brasil definitivamente, atuando com Os Copacabana, na boate Casablanca, em 1956, passando depois a tocar piano somente em gravações e a fazer orquestrações para a Continental e a Rádio Mayrink Veiga.

No início de 1957 ingressou como diretor musical na TV-Rio, em substituição a Osvaldo Borba. No ano seguinte voltou a trabalhar com Os Copacabana, atuando no dancing Brasil e depois no Avenida. Em 1959 deixou Os Copacabana e foi para o Fred's, até que em janeiro de 1960 foi contratado pelo Sacha's.

Gravou em 1962 na etiqueta Festa o LP Festa dentro da noite. Seus principais parceiros foram Noel Rosa e Marino Pinto, este último letrista de Prece, que considerava sua obra-prima.

Obra

Cem mil-réis (c/Noel Rosa), samba, 1936; Conversa de botequim (c/Noel Rosa), samba, 1935; Feitiço da Vila (c/Noel Rosa), samba, 1934; Feitio de oração (c/Noel Rosa), samba-canção, 1933; Mais um samba popular (c/Noel Rosa), samba, 1934; Pra que mentir (c/Noel Rosa), samba, 1934; Prece (c/Marino Pinto), samba-prelúdio, 1958; Provei (c/Noel Rosa), samba, 1936; Quantos beijos (c/Noel Rosa), samba, 1936; Só pode ser você (c/Noel Rosa), samba, 1936; Súplica (c/Marino Pinto), samba-canção, 1956; Tarzã, o filho do alfaiate (c/Noel Rosa), samba, 1936.


Fonte: Enciclopédia da Música Brasileira - Art Editora e Publifolha.