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domingo, 29 de janeiro de 2023

Corta-jaca


Conhecido desde 1895, quando foi lançado na opereta-burlesca "Zizinha Maxixe", o tango "Corta-Jaca", cujo título original é "Gaúcho", teve a popularidade redobrada nove anos depois, ao reaparecer na revista Cá e Lá. Comprovam o sucesso as oito gravações que recebeu entre 1904 e 1912 e sua apresentação, em 26.10.1914, numa recepção oficial no Palácio do Catete, então sede do Governo Federal. Na ocasião, foi interpretado pela primeira dama, Sra. Nair de Teffé, fato explorado como escândalo pela oposição.

"Corta-Jaca" ou "Dança do Corta-Jaca", como está classificado em uma de suas edições, é na verdade um maxixe bem sacudido, característica que muito contribuiu para o seu êxito. A fim de ser cantado em Cá e Lá, ganhou letra de Tito Martins e Bandeira de Gouveia, autores da peça ("Ai! Ai! Que bom cortar a jaca / Ai! Sim, meu bem ataca, sem descansar...").
"Não há razão para censurar o Corta-jaca, minha senhora. O tango nasceu nos cabarets escusos, mas... chegou aos salões mais finos... Fez-se por si" (Careta - Rio de Janeiro, ed. 333, de 07/11/1914). No sarau do Catete, em 1914, a primeira-dama Nair de Tefé tocou ao violão o Corta-jaca, maxixe de Chiquinha Gonzaga, causando grande escândalo. O episódio levou Rui Barbosa a ocupar a tribuna do Senado para classificar esse gênero de ritmo como "a mais vulgar e grosseira de nossas manifestações musicais".

Corta-Jaca (Gaúcho) (tango, 1895) - Chiquinha Gonzaga e Machado Careca. Essa composição de Chiquinha recebeu as mais diversas definições de gênero musical nas gravações durante o séc. XX como se nota nos exemplos abaixo.

Interpretação de Os Geraldos, acompanhados ao piano, em 1906:

Disco selo: Odeon Record / Título da música: Corta Jaca / Chiquinha Gonzaga (Compositora) / Machado Careca (Compositor) / Os Geraldos (Intérprete) / Piano (Acomp.) / Nº do Álbum: 40454 /Lançamento: 1906 / Gênero musical: Duetto / Coleção de Origem: IMS, Nirez



Interpretação de Zé da Zilda, com o Conjunto Regional de Donga, em 1938:

Disco 78 rpm / Título da música: O Corta Jaca / Chiquinha Gonzaga (Compositora) / José Gonçalves [Zé da Zilda] (Intérprete) / Conjunto Regional de Donga (Acomp.) / Gravadora: Odeon / Nº do Álbum: 11661-a / Nº da Matriz: 5906 / Gravação: 30/Agosto/1938 / Lançamento: Novembro/1938 / Gênero musical: Corta Jaca / Coleção de Origem: IMS, Nirez



Interpretação de Guio de Moraes e Seus Parentes em 1953:

Disco 78 rpm / Título da música: Gaúcho (Corta Jaca) / Chiquinha Gonzaga (Compositora) / Guio de Moraes e Seus Parentes (Intérprete) / Gravadora: Odeon / Nº do Álbum: 13523-a / Nº da Matriz: 9792 / Gravação: 15/Julho/1953 / Lançamento: Outubro 1953 / Gênero musical: Choro / Coleção de Origem: Nirez



Ai, ai, como é bom dançar, ai! / Corta-jaca assim, assim, assim / Mexe com o pé! / Ai, ai, tem feitiço tem, ai! / Corta meu benzinho assim, assim!

Esta dança é buliçosa / tão dengosa / que todos querem dançar / Não há ricas baronesas / nem marquesas / que não saibam requebrar, requebrar

Este passo tem feitiço / tal ouriço / Faz qualquer homem coió / Não há velho carrancudo / nem sisudo / que não caia em trololó, trololó

Quem me vê assim alegre / no Flamengo / por certo se há de render / Não resiste com certeza / este jeito de mexer



Fontes: A Canção no Tempo - Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello - Editora 34​; Instituto Moreira Salles.

sábado, 22 de outubro de 2022

Quem mente perde a razão

Nelson Gonçalves

Quem mente perde a razão (samba, 1942) - Zé da Zilda e Edgard Nunes - Interpretação: Nelson Gonçalves

Disco 78 rpm / Título da música: Quem mente perde a razão / Edgard Nunes (Compositor) / José Gonçalves (Zé da Zilda) (Compositor) / Nelson Gonçalves, 1919-1998 (Intérprete) / Luiz Americano (Acompanhante) / Regional (Acompanhante) / Imprenta [S.l.]: Victor / Nº Álbum 34896 / Nº Matriz: S-052477 / Data de gravação: 10/02/1942 / Data de lançamento: Abril/1942 / Lado A / Gênero musical: Samba


Mentirosa
Foste tu, que um dia
Perante Santa Maria
Prometeste ser fiel
Quem mente, perde a razão
E acaba de déo em déo
Não tem sossego na terra
E nem perdão, lá no céu

A tua promessa faliu
A tua jura também se quebrou
Mentiste ao meu coração
Mentiste ao Nosso Senhor
Eu sei que tu vives bem
Sem ter os carinhos meus
Mas não podes ser feliz
Sem ter a Graça de Deus
(mentirosa fingida)

domingo, 24 de agosto de 2008

Falam de mim

Noel de Oliveira
Falam de mim (samba/carnaval, 1949) - Noel Rosa de Oliveira, Eden Silva e Aníbal Silva - Intérpretes: Zé da Zilda e Zilda do Zé

Disco 78 rpm / Título da música: Falam de mim / Aníbal Silva (Compositor) / Eden Silva (Compositor) / Noel Rosa de Oliveira (Compositor) / Zé da Zilda (Intérprete) / Zilda do Zé (Intérprete) / Escola de Samba (Acomp.) / Gravadora: Continental / Gravação: 13/10/1948 / Lançamento: 01/1949 / Nº do Álbum: 15984 / Nº da Matriz: 1981 / Gênero musical: Samba / Coleções de origem: IMS, Nirez


Falam de mim
Mas eu não ligo
Todo mundo sabe
Que sempre fui amigo

Um rapaz como eu
Não merece essa ingratidão
Falam de mim, falam de mim
Mas quem fala não tem razão

Por ciúme ou por despeito
Falam de mim
Não está direito
Procederem assim

Meu coração
Não merece essa ingratidão
Falam de mim, falam de mim
Mas quem fala não tem razão



Fontes: Discografia Brasileira - IMS; Instituto Moreira Salles.

domingo, 23 de março de 2008

Quem mente perde a razão

Nelson Gonçalves

Quem mente perde a razão (samba, 1942) - Zé da Zilda e Edgard Nunes - Interpretação: Nelson Gonçalves

Disco 78 rpm / Título da música: Quem mente perde a razão / Edgard Nunes (Compositor) / José Gonçalves [Zé da Zilda] (Compositor) / Nelson Gonçalves, 1919-1998 (Intérprete) / Luiz Americano e Seu Regional (Acomp.) / Gravadora: Victor / Gravação: 10/02/1942 / Lançamento: 04/1942 / Nº do Álbum: 34896 / Nº da Matriz: S-052477 / Gênero musical: Samba


Mentirosa
Foste tu, que um dia
Perante Santa Maria
Prometeste ser fiel
Quem mente, perde a razão
E acaba de déo em déo
Não tem sossego na terra
E nem perdão, lá no céu

A tua promessa faliu
A tua jura também se quebrou
Mentiste ao meu coração
Mentiste ao Nosso Senhor
Eu sei que tu vives bem
Sem ter os carinhos meus
Mas não podes ser feliz
Sem ter a Graça de Deus
(mentirosa fingida)



Fontes: Discografia Brasileira - IMS; Instituto Moreira Salles.

terça-feira, 29 de janeiro de 2008

Zé Carioca

Zé Carioca(samba, 1959) - Zé da Zilda (José Gonçalves) e Zilda do Zé (Zilda Gonçalves) - Intérprete: Moreira da Silva

LP Moreira Da Silva - A Volta Do Malandro / Título da música: Zé Carioca / Zé da Zilda (Compositor) / Zilda do Zé (Compositora) / Moreira da Silva (Intérprete) / Gravadora: Odeon / Nº Álbum: MOFB 3096 / Ano: 1959 / Lado B /Faixa 6 / Gênero musical: Samba / Samba-de-breque.



História de papagaio
Eu conheço bastante
Vou contar nesse instante uma bem interessante
Quando eu cheguei aqui
Fui tomar um café
Na Praça Tiradentes
No botequim do seu Vicente
Vi um pássaro verde
Em cima de um palanque
Que eu não conhecia
Eu perguntei a freguesia
Me disseram que era
O papagaio Zé Carioca
Professor de português
(Fala francês, italiano e até inglês, um bom freguês)
Ele ficou meu amigo,
E me levou consigo a uma gafieira
(Onde eu sambei a noite inteira)
De madrugada uma dama fuleira fez um tempo quente
E o papagaio pulou na frente
Deixa comigo que eu sou carne de pescoço
Quem mexer com meu amigo tem que mastigar um osso
Não tenha medo isso é café pequeno eu resolvo só
(Pulou pra trás e arrancou o paletó, meu Deus que nó
eu vou fugir, pra Maceió, com minha vó)*
E, mas de repente a polícia chegou e o baile acabou
E todo mundo se pirou
E o papagaio saiu debaixo da mesa todo rasgado
Completamente depenado
Os dançarinos ficaram com pena de ver seu estado
(Disseram: coitado)
Ele saiu gingando se rebolando todo cheio de visagem
É dos pelados que elas gostam mais
É dos depenados que elas gostam mais.

segunda-feira, 7 de agosto de 2006

Zé da Zilda - Letras e cifras



Zé da Zilda - Letras e cifras










Só pra chatear

Zilda Gonçalves e José Gonçalves - 1940's.

Só Pra Chatear (samba, 1947) - Príncipe Pretinho - Intérpretes: Zé da Zilda e Zilda do Zé

Disco 78 rpm / Título da música: Só Pra Chatear / Príncipe Pretinho (Compositor) / Zé da Zilda (Intérprete) / Zilda do Zé (Intérprete) / Gravadora: Continental / Ano: 1947 / Nº Álbum: 15.856-A / Lado A / Gênero musical: Samba.


Tom: C

(intro) A7 Dm6  Am6  Fmaj7 B7 E7 Am6

      A7           Dm6
Eu mandei fazer um terno
Dm         G7
Só pra chatear
       G7     Cmaj7
Com a gola amarela
         Am7
Só pra chatear.

         Am7        Bm7(b5)
Mandei bordar na lapela
           E7
Só pra chatear
           Bm7(b5)    E7     Am7
O nome que não        era o dela.
Am6        Am6
So pra chatear.

(repete)

    G7          Dm7 G7   Cmaj7 C6
Comprei um par de sapatos brancos,
    Bm7(b5)         E7        Am6  A7
Mas sei que ela só gosta de marrom,
Dm6
Só pra chatear,
Am6
Só pra chatear,
Fmaj7      B7             E7  Em7  A7
Cada pé de sapato tem um tom.

     Dm7       Dm6         Am7          Am6
Comprei um bangalô pra chatear lá na favela,
    B7            E7         Am6
Mas vou morar na Lapa perto dela.

(instrumental)

    G7          Dm7 G7   Cmaj7 C6
Comprei um par de sapatos brancos,
    Bm7(b5)         E7        Am6  A7
Mas sei que ela só gosta de marrom,
Dm6
Só pra chatear,
Am6
Só pra chatear,
Fmaj7      B7             E7  Em7  A7
Cada pé de sapato tem um tom.

     Dm7       Dm6         Am7          Am6
Comprei um bangalô pra chatear lá na favela,
    B7            E7         Am6
Mas vou morar na Lapa perto dela.

sexta-feira, 28 de julho de 2006

Não quero mais amar a ninguém

Aracy de Almeida
Não Quero Mais Amar A Ninguém (samba, 1936) - Cartola, Carlos Cachaça e Zé da Zilda - Intérprete: Aracy de Almeida

Disco 78 rpm / Título da música: Não Quero Mais Amar A Ninguém / Cartola (Compositor) / Carlos Cachaça (Compositor) / Zé da Zilda (Compositor) / Aracy de Almeida (Intérprete) / Gravadora: Victor / Ano: 1936 / Nº Álbum: 34.125 / Lado A / Gênero musical: Samba.


Tom: G  

G7M          Gdim       G7M
Não quero mais amar a ninguém
                           E7
Não fui feliz, o destino nao quis
 Am          E7 Am
O meu primeiro amor
Cm6                  F7/9     Bm7
Morreu como a flor ainda em botão
 E7       Am              D7           G7M
Deixando espinhos que dilaceram meu coração
Am                      B7           Em
Semente de amor sei que sou desde nascença
             A7                     D7
Mas sem ter brilho e fulgor, eis a minha sentença
  Am                  B7             Em
Tentei pela primeira vez, um sonho vibrar
 A7                              D7
Foi beijo que nasceu e morreu sem se chegar a dar
G7M          Gdim       G7M
Não quero mais amar a ninguém
                           E7
Não fui feliz, o destino não quis
 Am          E7 Am
O meu primeiro amor
Cm6                  F7/9     Bm7
Morreu como a flor ainda em botão
 E7       Am              D7           G7M
Deixando espinhos que dilaceram meu coração
Am     B7                       Em
As vezes dou gargalhada ao lembrar do passado
             A7                            D7
Nunca pensei em amor, nunca amei nem fui amado
   Am              B7                    Em
Se julgas que estou mentindo, jurar sou capaz
 A7                       D7
Foi simples sonho que passou e nada mais

quinta-feira, 11 de maio de 2006

Vai que depois eu vou

Zilda e José Gonçalves (Zé da Zilda).

A 10 de outubro de 1954, Zé da Zilda faleceu subitamente, vítima de AVC, após gravar com a esposa a marchinha "Ressaca", para o carnaval seguinte. Este samba, no qual Zilda chora a partida do marido amado, foi por ela gravado na Odeon em 21 de novembro de 1955, com lançamento bem em cima do carnaval de 56, em fevereiro, no 78 rpm n.o 13959-B, matriz 10853. Foi um sucesso que dominou a folia de Momo naquele ano, junto com a marchinha "Quem sabe, sabe", de Joel de Almeida e Carvalhinho (Fonte: Samuel Machado Filho).

Vai que depois eu vou (samba, 1956) - Zé da Zilda, Zilda do Zé, Adolfo Macedo e Aírton Borges - Intérprete: Zilda do Zé

Disco 78 rpm Título da música: Vai que depois eu vou / Macedo, Adolfo (Compositor) / Borges, Aírton (Compositor) / Gonçalves, José (Compositor) / Gonçalves, Zilda (Compositor) / Zilda do Zé, 1919-2002 (Intérprete) / Imprenta [S.l.]: Odeon, 1955 / Nº Álbum 13959 / Gênero musical: Samba.



Vai, vai, amor
Vai, que depois eu vou
Vai, vai, amor
Vai, que depois eu vou

Sei que vai pra longe
Não poderei esquecer
Já implorei ao Senhor
Não me deixe neste mundo a sofrer

Ressaca

Ressaca (marcha/carnaval, 1955) - Zé da Zilda e Zilda do Zé - Intérpretes: Zé da Zilda e Zilda do Zé

Disco 78 rpm / Título da música: Ressaca / Zé da Zilda, 1908-1954 (Compositor) / Zilda do Zé, 1919- (Compositor) / Zé (Intérprete) / Zilda (Intérprete) / Imprenta [S.l.]: Odeon, 24/09/1954 / Nº Álbum 13735 / Gênero musical: Marcha.



Tá todo mundo de ressaca,
Ressaca, ressaca, ressaca,
Ninguém agüenta mais,
Eu vou mandar parar,
Vai todo mundo, pra casa curar.


Tá todo mundo de ressaca,
Ressaca, ressaca, ressaca,
Ninguém agüenta mais,
Eu vou mandar parar,
Vai todo mundo, pra casa curar.

Império do Samba

Zé da Zilda
Império do samba (samba/carnaval, 1955) - Zé da Zilda e Zilda do Zé - Intérprete: Coro de artistas da Odeon. A Odeon gravou este samba em fins de 1954, em homenagem a Zé da Zilda que havia falecido, de modo inesperado, naquele ano (nota de Carlos Alberto no Youtube).

Disco 78 rpm / Título da música: Império do samba / Gonçalves, José (Compositor) / Gonçalves, Zilda (Compositor) / Coro de Artistas da Odeon (Intérprete) / Zé (Compositor) / Zilda (Compositor) / Imprenta [S.l.]: Odeon, 1954 / Nº Álbum 13734 / Gênero musical: Samba.



Venho do lado de lá
Minha gente chegou
Chegou querendo abafar

Ai, ai, ai, ai, ai
O doutor mandou

Todo o mundo gingar

Chegou o império do samba
Agora o samba vai imperar
Ai, ai, ai, ai, ai

O doutor mandou
Todo o mundo gingar.

quarta-feira, 10 de maio de 2006

Saca rolha

Zilda do Zé
Saca-rolha (marcha/carnaval, 1954) - Zé da Zilda, Zilda do Zé e Waldir Machado - Intérpretes: Zé da Zilda e Zilda do Zé

Disco 78 rpm / Título da música: Saca-rolha / Gonçalves, José (Compositor) / Machado, Valdir (Compositor) / Gonçalves, Zilda (Compositor) / Zé (Intérprete) / Zilda (Intérprete) / Orquestra (Acompanhante) / Imprenta [S.l.]: Odeon, 1953 / Nº Álbum 13588 / Gênero musical: Marcha.



-------Am-------- Dm
As águas vão rolar
-------------------------------Am
Garrafa cheia eu não quero ver sobrar
-------------------------------E7

Eu passo a mão no saca-saca-saca rolha
---------------- Am
E bebo até me afogar

--------------------Dm
Se a polícia por isso me prender
------------ Am
Mas na última hora me soltar
-------------------------------E7
Eu passo a mão no saca-saca-saca rolha


Ninguém me agarra
---------------------Am
Ninguém me agarra

Jura - 1954

Diamantina Gomes
Jura (samba/carnaval, 1954) - Zé da Zilda, Marcelino Ramos e Adolfo Macedo - Intérpretes: Diamantina Gomes, Zé da Zilda e Zilda do Zé

Disco 78 rpm / Título da música: Jura / Macedo, Adolfo (Compositor) / Gonçalves, José (Compositor) / Ramos, Marcelino (Compositor) / Gomes, Diamantina (Intérprete) / Zé (Intérprete) / Zilda (Intérprete) / Orquestra (Acompanhante) / Imprenta [S.l.]: Odeon, 1953 / Nº Álbum 13584 / Gênero musical: Samba.



Foi, uma jura, que eu fiz
De nunca mais amar
Foi, uma jura, que eu fiz
De nunca mais amar

Ai, ai, ai, meu Deus
Pra que, que eu jurei ?
Todo mundo sabe
Quebrei, minha jura, quebrei...

terça-feira, 2 de maio de 2006

Aos pés da cruz

Último grande sucesso de Orlando Silva na gravadora Victor, "Aos Pés da Cruz" já era bem conhecido meses antes de sua gravação, quando o cantor o lançou em programas radiofônicos, numa excursão ao Norte e Nordeste.

Abordando o tema da jura descumprida, muito explorado na época ("Aos pés da Santa Cruz / você se ajoelhou / e em nome de Jesus/ um grande amor você jurou / jurou mas não cumpriu / fingiu e me enganou..."), o samba agradou tanto que recebeu imediata continuação - "Quem Mente Perde a Razão" -, de autoria do próprio Zé da Zilda (José Gonçalves) e lançado por Nelson Gonçalves, sucessor de Orlando na gravadora.

Co-autor de "Aos Pés da Cruz", Marino Pinto cita na segunda parte o célebre aforismo "O coração tem razões que a própria razão desconhece", do filósofo francês Blaise Pascal. Numa demonstração de sua admiração por Orlando, João Gilberto regravaria este samba em seu primeiro elepê, em 1959. Sua versão, com outras harmonias e uma interpretação lisa, mostraria como composições antigas poderiam ser perfeitamente amoldadas à bossa nova. Assim é que o repertório desse disco (Chega de Saudade) mistura, em completa sintonia, canções nascidas sob o signo do novo movimento com sambas tradicionais como "Morena Boca de Ouro", "Rosa Morena" e este "Aos Pés da Cruz".

Aos pés da cruz (samba, 1942) - Marino Pinto e José Gonçalves - Intérprete: Orlando Silva

Disco 78 rpm / Título da música: Aos pés da cruz / José Gonçalves [Zé da Zilda] (Compositor) / Marino Pinto (Compositor) / Orlando Silva (Intérprete) / Passos e Sua Orquestra (Acomp.) / Gravadora: Victor / Gravação: 15/01/1942 / Lançamento: 03/1942 / Nº do Álbum: 34880 / Nº da Matriz: S-052454 / Gênero musical: Samba

G                  Bm        
Aos pés da Santa Cruz 
   Am          D7
Você se ajoelhou
     G           Bm        
E em nome de Jesus
           Am          E7
Um grande amor você jurou

Am                 B7         
Jurou mas não cumpriu
    Em
Fingiu e me enganou
      A7                                
Pra mim você mentiu 
      Am          D7
Pra Deus você pecou

Am                D7                 
O coração tem razões  
       G                Bm
Que a própria razão desconhece
Am                     D7          G       Em
Faz promessas e juras / Depois  esquece
    Am               B7      Em
Seguindo esse princípio / Você também prometeu
   A7                    Am
Chegou até a jurar um grande amor
     D7          G          D7         G
Mas depois esqueceu / Mas depois esqueceu


Fontes: A Canção no Tempo - Vol. 1 - Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello - Editora 34; Discografia Brasileira - IMS; Instituto Moreira Salles.

quinta-feira, 27 de abril de 2006

Meu pranto ninguém vê

Orlando Silva
Meu pranto ninguém vê (samba, 1938) - Ataulfo Alves e Zé da Zilda (José Gonçalves) - Intérprete: Orlando Silva

Disco 78 rpm / Título da música: Meu pranto ninguém vê / Ataulfo Alves, 1909-1969 (Compositor) / José Gonçalves "Zé da Zilda" (Compositor) / Orlando Silva (Intérprete) / Radamés [Direção], Orquestra Carioca Swingtette (Acomp.) / Gravadora: Victor / Gravação: 13/06/1938 / Lançamento: 08/1938 / Nº do Álbum: 34344 / Nº da Matriz: 80825-1 / Gênero musical: Samba


Canto pra fingir alegria
Canto pra esquecer nostalgia
Aquela ingrata é culpada
Do meu sofrer não ter mais fim
E a malvada ainda acha
Que tem o direito de zombar de mim


Faço do verso uma arma
Pra me defender
Tenho meu pinho
Que ajuda a enganar-me o sofrer
Pra ninguém zombar
Pra ninguém sorrir
É só no coração que eu sei chorar
O pranto meu ninguém vê cair



Fontes: Discografia Brasileira - IMS; Instituto Moreira Salles.

domingo, 9 de abril de 2006

Zé da Zilda

Zé da Zilda (José Gonçalves), compositor e cantor nasceu no Rio de Janeiro RJ em 6/1/1908 e faleceu em 10/10/1954. Filho de músico, nascido no subúrbio de Campo Grande, aos cinco anos começou a se interessar pelo cavaquinho, aprendendo os rudimentos de música com o pai. Por volta de 1920 morava no morro da Mangueira, onde fez amizade com vários sambistas, entre os quais Cartola, que mais tarde seria seu parceiro.


Na companhia teatral Casa de Caboclo, organizada por Duque, começou a cantar emboladas e sambas, acompanhando-se ao cavaquinho e violão, e interpretando o personagem Zé com Fome, que durante muito tempo foi seu nome artístico.

A convite de Duque, ingressou na Rádio Educadora, formando dupla com Pente Fino (Claudionor Cruz). Depois foi para a Rádio Transmissora, já como chefe de um regional e com programa próprio, no qual conheceu a cantora Zilda, que fazia sua estréia. Com ela formou inicialmente a Dupla da Harmonia.

No Carnaval de 1936, seu samba Não quero mais (com Cartola e Carlos Cachaça), foi cantado com grande sucesso pelo G.R.E.S. Estação Primeira de Mangueira, na Praça Onze, gravado no ano seguinte por Araci de Almeida, na Victor, e mais tarde relançado por Paulinho da Viola, no LP Nervos de aço, com o nome de Não quero mais amar a ninguém .

Em 1938 casou com Zilda e passaram a atuar na Rádio Clube do Brasil. Em seguida, Orlando Silva gravou na Victor Meu pranto ninguém vê (com Ataulfo Alves). Em 1939 a dupla passou a atuar na Rádio Cruzeiro do Sul, no programa de Paulo Roberto, que os batizou de Zé da Zilda e Zilda do Zé, nome que adotaram em suas apresentações, inclusive em circos.

Em 1940, participou da gravação de Leopold Stokowski no navio Uruguai, para o álbum de música brasileira editado nos EUA pela Columbia. No ano seguinte compôs, com Marino Pinto, o samba Aos pés da cruz, gravado por Orlando Silva na Victor com grande sucesso.

Com seus choros Fim de eixo e Levanta, José, a dupla estreou em disco, na Victor, em 1944. A partir dessa época realizaram várias gravações de músicas suas e de outros compositores, como Só pra chatear (Príncipe Pretinho). Em 1945 começaram, com grande sucesso, a gravar para o Carnaval, estreando com Conversa, Laurindo (com Ari Monteiro), na Continental, e ao mesmo tempo trabalharam na Rádio Mayrink Veiga.

Do Carnaval de 1954 é o grande sucesso da dupla, em parceria com Zilda e Valdir Machado, a marcha Saca-rolha, conhecida por seu primeiro verso, "As águas vão rolar...", que eles mesmos gravaram na Odeon. No mesmo ano lançaram para o Carnaval o samba Jura (com Marcelino Ramos e Adolfo Macedo).

Pouco antes de morrer, deixou gravados com Zilda, para o Carnaval de 1955, a marcha Ressaca(da dupla com Valdir Machado) e o samba Império do Samba (da dupla). No ano seguinte Zilda homenageou sua memória com o samba Vai que depois eu vou (com Zilda do Zé, Adolfo Macedo e Aírton Amorim), lançado pela Odeon, com enorme sucesso. Voltou a lembrar o marido, com o samba Vem me buscar (Zilda com Adolfo Macedo).

Outras músicas de sua autoria, entre as quais os sambas de breque Nega zura, Mulher malandra e Garota Copacabana, foram gravadas e relançadas por Jorge Veiga em 1975, no seu LP O melhor de Jorge Veiga, pela Copacabana.

Obra

Aos pés da cruz (c/Marino Pinto), samba, 1942; Conversa, Laurindo (c/Ari Monteiro), samba, 1945; Fim de eixo, choro, 1944; Garota Copacabana, samba, 1975; Império do samba (c/Zilda do Zé), samba, 1954; Jura (c/Marcelino Ramos e Adolfo Macedo), samba, 1954; Levanta José, choro, 1944; Meu pranto ninguém vê (c/Ataulfo Alves), samba, 1938; Mulher malandra, samba, 1975; Não quero mais (Não quero mais amar a ninguém) (c/Cartola e Carlos Cachaça), samba, 1937; Nega zura, samba, 1938; Quem mente perde a razão (c/Edgard Nunes), samba, 1942; Ressaca (c/Zilda do Zé e Valdir Machado), marcha, 1953; Saca-rolha (c/Zilda do Zé e Valdir Machado), 1953; Santo Antônio amigo (c/Marino Pinto e J. Cascata), samba, 1941.


Fonte: Enciclopédia da Música Brasileira - Art Editora e Publifolha.

quinta-feira, 23 de março de 2006

Corta-Jaca


Conhecido desde 1895, quando foi lançado na opereta-burlesca "Zizinha Maxixe", o tango "Corta-Jaca", cujo título original é "Gaúcho", teve a popularidade redobrada nove anos depois, ao reaparecer na revista Cá e Lá. Comprovam o sucesso as oito gravações que recebeu entre 1904 e 1912 e sua apresentação, em 26.10.1914, numa recepção oficial no Palácio do Catete, então sede do Governo Federal. Na ocasião, foi interpretado pela primeira dama, Sra. Nair de Teffé, fato explorado como escândalo pela oposição.

"Corta-Jaca" ou "Dança do Corta-Jaca", como está classificado em uma de suas edições, é na verdade um maxixe bem sacudido, característica que muito contribuiu para o seu êxito. A fim de ser cantado em Cá e Lá, ganhou letra de Tito Martins e Bandeira de Gouveia, autores da peça ("Ai! Ai! Que bom cortar a jaca / Ai! Sim, meu bem ataca, sem descansar...").
"Não há razão para censurar o Corta-jaca, minha senhora. O tango nasceu nos cabarets escusos, mas... chegou aos salões mais finos... Fez-se por si" (Careta - Rio de Janeiro, ed. 333, de 07/11/1914). No sarau do Catete, em 1914, a primeira-dama Nair de Tefé tocou ao violão o Corta-jaca, maxixe de Chiquinha Gonzaga, causando grande escândalo. O episódio levou Rui Barbosa a ocupar a tribuna do Senado para classificar esse gênero de ritmo como "a mais vulgar e grosseira de nossas manifestações musicais".

Corta-Jaca (Gaúcho) (tango, 1895) - Chiquinha Gonzaga e Machado Careca. Essa composição de Chiquinha recebeu as mais diversas definições de gênero musical nas gravações durante o séc. XX como se nota nos exemplos abaixo.

Interpretação de Os Geraldos, acompanhados ao piano, em 1906:

Disco selo: Odeon Record / Título da música: Corta Jaca / Chiquinha Gonzaga (Compositora) / Machado Careca (Compositor) / Os Geraldos (Intérprete) / Piano (Acomp.) / Nº do Álbum: 40454 /Lançamento: 1906 / Gênero musical: Duetto / Coleção de Origem: IMS, Nirez



Interpretação de Zé da Zilda, com o Conjunto Regional de Donga, em 1938:

Disco 78 rpm / Título da música: O Corta Jaca / Chiquinha Gonzaga (Compositora) / José Gonçalves [Zé da Zilda] (Intérprete) / Conjunto Regional de Donga (Acomp.) / Gravadora: Odeon / Nº do Álbum: 11661-a / Nº da Matriz: 5906 / Gravação: 30/Agosto/1938 / Lançamento: Novembro/1938 / Gênero musical: Corta Jaca / Coleção de Origem: IMS, Nirez



Interpretação de Guio de Moraes e Seus Parentes em 1953:

Disco 78 rpm / Título da música: Gaúcho (Corta Jaca) / Chiquinha Gonzaga (Compositora) / Guio de Moraes e Seus Parentes (Intérprete) / Gravadora: Odeon / Nº do Álbum: 13523-a / Nº da Matriz: 9792 / Gravação: 15/Julho/1953 / Lançamento: Outubro 1953 / Gênero musical: Choro / Coleção de Origem: Nirez



Ai, ai, como é bom dançar, ai! / Corta-jaca assim, assim, assim / Mexe com o pé! / Ai, ai, tem feitiço tem, ai! / Corta meu benzinho assim, assim!

Esta dança é buliçosa / tão dengosa / que todos querem dançar / Não há ricas baronesas / nem marquesas / que não saibam requebrar, requebrar

Este passo tem feitiço / tal ouriço / Faz qualquer homem coió / Não há velho carrancudo / nem sisudo / que não caia em trololó, trololó

Quem me vê assim alegre / no Flamengo / por certo se há de render / Não resiste com certeza / este jeito de mexer



Fontes: A Canção no Tempo - Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello - Editora 34​; Instituto Moreira Salles.