Disco 78 rpm / Título da música: Geremoabo / Joubert de Carvalho (Compositor) / Gilberto Milfont (Intérprete) / Gaó e Sua Orquestra de Concerto (Acomp.) / Gravadora: Victor / Gravação: 22/05/1946 / Lançamento: 09/1946 / Nº do Álbum: 80-0434 / Nº da Matriz: S-078523-1 / Gênero musical: Canção
Vem rompendo a madrugada
Chico Gato destemido
Faz o cerco na calada
Procurando o boi valente
Foi chamado o corredor
Pra uma luta frente a frente
Chico Gato nesse dia
Prometeu a Ana Maria No mais pura comovente
Sem temer nem mesmo a morte
De trazer pegado à unha
Esse boi alice e forte
Geremoabo
Que tem o rio Irapiranga
Pra molhar a terra seca do lugar
Geremoabo, jura eleitor
É a minha terra
É o meu amor!
Geremoabo
Que tem Maria
Pra um caboclo apaixonar
Por causa dela se matar
Geremoabo, jura eleitor
Aí deixei
O meu amor!
E tomada a posição
Chico Gato espera a hora
Pra arrancada estonteante
Eis que o boi que vive alerta
Rompe o cerco num instante
Pra escapar da pega certa
Desde aí Geremoabo
Conta a história desse boi
Corredor de triste sorte
Que no abismo se jogou
Não foi preso
Teve a morte que o vaqueiro acompanhou...
Geremoabo, que tem o rio....
Fontes: Discografia Brasileira - IMS; Instituto Moreira Salles.
Disco 78 rpm / Título da música: Por quanto tempo ainda... / Joubert de Carvalho (Compositor) / Orlando Silva (Intérprete) / Orquestra Victor Brasileira (Acomp.) / Gravadora: Victor / Gravação: 24/02/1939 / Lançamento: 04/1939 / Nº do Álbum: 34431 / Nº da Matriz: 33004-1 / Gênero musical: Valsa
Não sei
Por quanto tempo ainda
Esperarei
Por ti, pelos carinhos teus
Por tudo que me vem bailando
Tecendo os sonhos meus.
Talvez
Só por viver à sombra da ilusão
Envolto no silencio frio Direi
Por quanto tempo ainda
Esperarei, o teu amor, em vão.
Nunca animaste com a fé
Aos que sofrem do mal de amor
Há no teu corpo gelado
A perfídia, do teu encanto
Nunca terás aos teus pés
A ventura da minha dor
Os teus joelhos dobrados um dia
Em pranto, hás de implorar
o Amor...
Fontes: Discografia Brasileira - IMS; Instituto Moreira Salles.
Disco 78 rpm / Título da música: Lembro-me ainda / Joubert de Carvalho (Compositor) / Franciaco Alves (Intérprete) / Orquestra Victor Brasileira (Acomp.) / Gravadora: Victor / Gravação: 03/04/1936 / Lançamento: 05/1936 / Nº do Álbum: 34052 / Nº da Matriz: 80112-1 / Gênero musical: Valsa
O amor que desfolhei
Viveu na luz das madrugadas
As noites enluaradas
Que passam...
Levando em seu destino
Os nossos corações
Que se deixam levar à toa Nas mais ingênuas ilusões
Que são um grande amor
Perdoa...
Lembro-me ainda
De um beijo que você me deu
Guardo na boca
Esse beijo que você esqueceu
No momento que mais desejava
Ter na boca
A boca que me atormentava
Amor...!
Lembro-me que ainda
Que foi por seus olhos bizarros
Que os meus olhos molhados
Por variaram pela noite adentro
E pelas madrugada
O amor e depois
Mais nada...
Fontes: Discografia Brasileira - IMS; Instituto Moreira Salles.
Em 1929 Joubert de Carvalho mostrou para Olegário Mariano as melodias para dois poemas seus, o Cai, cai, balão e Tutu Marambá, gravadas por Gastão Formenti, dando início a uma parceria de 24 composições.
Tutu Marambá (canção, 1929) - Joubert de Carvalho e Olegário Mariano
Disco 78 rpm / Título da música: Tutu Marambá / Joubert de Carvalho (Compositor) / Olegário Mariano, 1889-1958 (Compositor) / Gastão Formenti (Intérprete) / Gravadora: Odeon / Nº do Álbum: 10333 / Nº da Matriz: 2250 / Lançamento: Março/1929 / Gênero musical: Canção / Coleções: IMS, Nirez
Tutu Marambá não venhas mais cá
Que o pai do menino te manda matar...
No seu berço de renda
Com brocardo de oiro
Os olhinhos redondos
De espanto e alegria!
Ele olha a vida
Como quem olha um tesoiro
Meu filho
É o mais lindo dessa freguesia!
O filho da coruja
A boquinha em rosa
A mãozinha suja
Com os dedinhos gordos
Já dá adeus!
Fala uma língua que ninguém compreende
Toda a gente que o vê se surpreende
Tão bonitinho
Benza Deus!
É redondo
Como uma bola
O seu polichinelo
Como um grande riso
É a única cousa que o consola:
Meu filho é o meu melhor sorriso...
De noite clara
Anda lá fora
O luar entra no quarto mais lindo
Com a expressão angélica de beijar
Roça o berço
O menino está dormindo
Então a voz de maldizente
Vai cantando maquinalmente:
Tutu Marambá não venhas mais cá
Que o pai do menino te manda matar...
Disco 78 rpm / Título da música: Hula / Joubert de Carvalho (Compositor) / Olegário Mariano, 1889-1958 (Compositor) / Gastão Formenti (Intérprete) / Gravadora: Parlophon / Nº do Álbum: 12982-a / Nº da Matriz: 2689 / Gravação: Junho/1929 / Lançamento: Julho/1929 / Gênero musical: Valsa / Coleções: Nirez, Humberto Franceschi
Ao teu olhar meu coração se incendeia Abrindo em luz as candeias do amor Mas quem sabe se o tempo faz apagar A maldição da minha dor ...
Hula, Hula Fala baixinho E deixa seguir meu caminho Hula, Hula Como padeço Humilhado porque não te esqueço Tudo na vida eu farei Para dar-te um dia Um beijo que nunca te dei ...
O meu perdão Tu não terás nessa vida Porque malvada és, fingida demais O que punge mais fundo É a recordação de um tempo bom Que não vem mais ...
Hula, Hula Tenho desfeito teu sonho Cá dentro do peito Hula, Hula Quanta saudade Meus olhos parados invade Como eu seria feliz se esquecer pudesse O bem que na vida te quis ...
Disco 78 rpm / Título da música: Não Me Abandones Nunca / Joubert de Carvalho (Compositor) / Sílvio Caldas (Intérprete) / Orquestra Victor Brasileira (Acompanhante) / Imprenta [S.l.]: Victor, 1938 / Nº Álbum 34377 / Lado B / Gênero musical: Valsa.
Sem teu amor Não sei viver, Rogo a teus pés: Não me abandones nunca. O teu carinho é tudo Que eu tenho na vida. É a chama que ilumina Minh'alma enternecida.
Quem me dera Que fosses tão minha Quanto o meu coração Te pertence Há nele a ilusão De cantar Este amor Que o embala e o faz sonhar.
Quem me dera Que te embriagasses No licor deste anseio Eu não diria em vão: Não me abandones nunca. É teu o meu coração.
Em 1970, Joubert de Carvalho participou do V Festival Internacional da Canção da TV Globo, com a valsa "A flor e a vida", composta em parceria com Ieda Fonseca, não conseguindo classificação. Pouco depois, venceu, com a mesma composição, interpretada por Antonio João, o Festival Brasileiro de Seresta.
Eu jamais pensei em te deixar. Sucedesse não te ver, um dia, Pudesse tal coisa acontecer, De mim o que seria? Talvez aquela flor que não enfeita mais, A que deixara a graça no abandono, E, sem dono, fôra o seu destino, Jogada fora ou esquecida. E assim tem sido a vida, vou sofrendo. E a flor de outrora perfumada, vai morrendo. E vendo pétalas no chão da flor caída, Tive inveja então... Quisera ser a terra Que em seu seio encerra A flor e a vida.
Disco 78 rpm / Título da música: Silêncio do Cantor / David Nasser, 1917-1980 (Compositor) / Joubert de Carvalho (Compositor) / João Dias (Intérprete) / Orquestra (Acompanhante) / Imprenta [S.l.]: Odeon, 13/01/1953 / Nº Álbum 13405 / Lado A / Gênero musical: Canção.
Quando eu deixar de cantar Quando eu nunca mais gravar Meus sambas, minhas canções, Quando calar na garganta Esta voz que hoje canta Para os vossos corações.
Quando o meu canto esquecido For pássaro ferido Que já não pode voar Tu, só tu, meu violão, Amigo na solidão Saberás me suportar.
Iremos lembrar juntinhos Eu e tu, ambos velhinhos, Nossos fracassos de amor Tu, só tu, madeira fria Sentirás toda a agonia Do silêncio do cantor.
Disco 78 rpm / Título da música: Nunca soubeste amar / Joubert de Carvalho (Compositor) / Sílvio Caldas (Intérprete) / Orquestra (Acompanhante) / Imprenta [S.l.]: Continental, 1946 / Nº Álbum 15712 / Lado B / Gênero musical: Seresta / Valsa.
Não vejo a minha luz o meu luar amigo de sempre Não queria ver na vida um céu sem estrelas Meu amor não me compreende porque as noites que se escoam são longas, são noites de pranto Ah! Eu Lamento tanto... na tristeza dos céus carregados de nuvens, que são um presságio erguidas na imensidão sem destino Mas oh! meu grande amor eu preciso, entretanto, dizer-te: nunca soubeste amar um beijo iluminar que me mostrasse um céu eterno Nunca soubeste amar sem nuvens pelo azul vivo a esperar a noite de luar.
Disco 78 rpm / Título da música: Em Pleno Luar / Joubert de Carvalho (Compositor) / Orlando Silva (Intérprete) / Orquestra (Acompanhante) / Imprenta [S.l.]: RCA Victor, 1940 / Nº Álbum 34621 / Lançamento: Junho/1940 / Gênero: Fox canção.
Depois que o sol no céu se escondeu A noite, então desceu, E sobre mim debruçou O seu negro manto Pontilhado de outra luz De muito mais encanto... Em pleno luar, eu perguntei Entre as mulheres Uma que dissesse Qual a razão Do amor ser diferente Ao prender o coração da gente
Em pleno luar me respondeu: Que as ilusões Variavam, como a lua. Do crescente ao minguante É assim nosso amor Vive a glória de um instante.
Disco 78 rpm / Título da música: Maria Maria / Joubert de Carvalho (Compositor) / Orlando Silva (Intérprete) / Gravadora: Victor, 1940 / Nº Álbum: 34.621 / Lado A / Gênero musical: Valsa.
Eu sinto que em tua alma, Há restos de amargura, Um pingo d'agua brilha nos teus olhos, É por que tu não tivestes, Uma aventura.
O teu mal é acreditar, Em palavras vãs de amor, Maria Maria, não creias, Em juras de eterno amor.
Sonho nasceste, na esperança Sentirás o frio dos desenganos, Maria, Maria, o mundo, É uma felicidade, Sonhar com ela, Maria, Com ela, felicidade.
Disco 78 rpm / Título da música: Dor / Joubert de Carvalho (Compositor) / Cleómenes Campos (Compositor) / Gastão Formenti (Intérprete) / Henrique Vogeler (Acompanhante) / Imprenta [S.l.]: Brunswick, 1931 / Nº Álbum 10144 / Lado B / Gênero: Canção.
Dor que trucida minh'alma e que faz-me chorar sufocas na garganta meu soluçar
És companheira sombria do prazer que floresce também do amor que não se esquece
Disse alguém que não tens morada que andas aqui e acolá tal qual uma abandonada
Onde moras dor cruel, pungente É na casa da saudade onde vive tanta gente
Onde moras dor cruel, pungente É na casa da saudade onde vive tanta gente
Disco 78 rpm / Título da música: Juriti / Carvalho, Joubert de (Compositor) / Alves, Francisco Alves (Intérprete) / Imprenta [S.l.]: Odeon, 1927 / Nº Álbum 10078 / Lado A / Gênero musical: Maxixe.
Nesta gaiola / trouxe pra ti Meu coração / a juriti Que apanhei / lá no sertão... Ó juriti / ó pombinha do amô Bem-te-vi / quando voô... O soluçá da juriti / é a confissão Quando por ti / linda morena tenho paixão Ó juriti / ó pombinha do amô Bem-te-vi / quando voô... E a gaiolinha / deixô escapá A avezinha / pra nunca mais Podê cantá / meus tristes ais.
Outra versão, talvez a original, em ritmo de canção:
Juriti que arrulha triste, / Põe tristeza na amplidão, E minh'alma não resiste, / Chora com meu coração.
Juriti, que tanto arrulhas, / Por que choras tanto assim, Se são mágoas que debulhas, / Vem chorar, junto de mim.
Juriti... Juriti, / Onde vai teu arrulhar, E a saudade que maltrata, / De que vale soluçar, Deixa o ninho, deixa a mata, / Vem aqui me consolar, Juriti... Juriti, / Vem aqui me consolar.
Vaya Con Dios (bolero, 1953) - Larry Russel, Inez James e Buddy Pepper - Versão: Joubert de Carvalho - Boleros inesquecíveis - Interpretação: Altemar Dutra
C Dm
Nesse instante desce o negro véu da noite
G7 C C7
A cidade aos poucos vai ficar sem vida
F G7 C A7
Vaya con Dios querida
Dm G7 C G7
Vaya con Dios mi amor
C Dm
Em segredo levarás contigo a sorte
G7 C C7
Deste amor que não morreu que tens sofrido
refrão
C7 F
E seja onde for irei contente
C F
Porque o meu destino é o teu também
D7 G
A tua espera está o meu desejo
Dm G7
Que vive enquanto viverá
C G7
O amor que a gente tem
C Dm
Nesse instante aquela luz que está brilhando
G7 C
Anuncia o meu amor que vem chegando
refrão
Disco 78 rpm / Título da música: Minha casa / Autoria: Carvalho, Joubert de (Compositor) / Sílvio Caldas (Intérprete) / Orquestra (Acompanhante) / Imprenta [S.l.]: Continental, 1946 / Nº Álbum 15712 / Lado A / Gênero musical: Canção.
(Am)------ E7------- Am ---------E7---------- Am
Foi num dia de tristeza, que a cidade abandonei ----------------------E7 ----------F--------------- E7
Sem saber o que fazer, na esperança de encontrar ---------F -----------E7------------------------ Am---- E7----- Am
Pela vida algum prazer, alegria em algum lugar.
-----------E7------- Am ----------------------A7
Lá no alto da Tijuca, tem um sítio bem florido --------------------------Dm------------- Dm6-------- Am
Onde agora estou morando, com os pássaros em festa ---------------------------E7--------------------- (Am) (E Am E7)
De galho em galho cantando, lá dentro pela floresta
---A -------E7---------- A
Minha casa é tão bonita que dá gosto a gente ver! ------------Bb°----------- E7------- Bm
Tem varanda, tem jardim ---------------------------E7
Ainda agora estou esperando uma rede para mim ---------------------------------A----- E7 -------A
A embalar de quando em quando.
------------E7 ----------A ------------------------A7
Minha casa é uma riqueza, pelas jóias que ela tem -----------------------------D ---------Dm -----------------A
Minha casa que tem de tudo -----------tanta coisa de valor -----------Gb7----------- Bm------ E7----------- (A)---- E ----A
Minha casa não tem nada; vive só não tem amor! ....
Disco 78 rpm / Título da música: Não me abandones nunca / Joubert de Carvalho (Compositor) / Sílvio Caldas (Intérprete) / Orquestra Victor Brasileira (Acomp.) / Gravadora: Victor / Gravação: 18/08/1938 / Lançamento: 11/1938 / Nº do Álbum: 34377 / Nº da Matriz: 80870-1 / Gênero musical: Valsa canção
Sem teu amor Não sei viver, Rogo a teus pés: Não me abandones nunca. O teu carinho é tudo Que eu tenho na vida. É a chama que ilumina Minh'alma enternecida.
Quem me dera Que fosses tão minha Quanto o meu coração Te pertence Há nele a ilusão De cantar Este amor Que o embala e o faz sonhar.
Quem me dera Que te embriagasses No licor deste anseio Eu não diria em vão: Não me abandones nunca. É teu o meu coração.
Fontes: Discografia Brasileira - IMS; Instituto Moreira Salles.
O teatrólogo Pascoal Carlos Magno procurava uma canção inédita para a abertura de sua peça "Pierrô", prestes a estrear. Além de romântica, a canção deveria explorar o timbre agudo de Jorge Fernandes, o cantor escolhido para interpretá-la. Todos esses requisitos seriam preenchidos por Joubert de Carvalho, que compôs a tempo, sobre uma letra de Pascoal, a dramática canção "Pierrô" ( "Arranca a máscara da face, Pierrô / para sorrir do amor / que passou..."), sucesso no palco e no disco.
Pierrot (valsa-canção, 1932) - Joubert de Carvalho e Paschoal Carlos Magno
Disco 78 rpm / Título da música: Pierrot [Pierrô] / Joubert de Carvalho (Compositor) / Pascoal Carlos Magno (Compositor) / Jorge Fernandes (Intérprete) / Gravadora: Columbia / Gravação: 1931 / Lançamento: 03/1932 / Nº do Álbum: 22080-b / Nº da Matriz: 381154-2 / Gênero musical: Canção / Coleções de origem: Nirez, Humberto Franceschi
(Em)-------------------------- Am
Há sempre um vulto de mulher ------Em-------------------- B7------- E
Sorrindo / Em desprezo à nossa mágoa ---------------G°----- Gbm---- B7
Que nos enche os olhos d’água
---(E)-------- E------------------------ B7
Pierrot, Pierrot ! ... / Teu destino tão lindo -----------------------------Gbm
É sofrer, é chorar toda a vida ----------------B7------------ B7/5--------- B
Por amor, do amor, de alguém ... de alguém --------E7----------------- A------- Db°
Arranca a máscara da face, Pierrot, ------------E -------B7---- E----- Em
Para sorrir do amor / Que passou
----------------------------Am------- Em----------- B7----- E
Deixar de amar não deixarei / Porque o amor feito saudade ---------G°------ Gbm---B7----- (E)------- E
É a maior felicidade /------- Pierrot, Pierrot ! ....
Fontes: Discografia Brasileira - IMS; Instituto Moreira Salles.
É comum no mundo inteiro cidades emprestarem seus nomes a canções. Difícil é uma canção inspirar o nome de uma cidade, como foi o caso de "Maringá". O fato ocorreu em 1947, quando Elizabeth Thomas, esposa do presidente da Companhia de Melhoramentos do Norte do Paraná, sugeriu que a composição desse nome a uma cidade recém-construída pela empresa, e que em breve se tornaria uma das mais prósperas do estado.
O curioso é que a canção jamais teria existido se seu autor Joubert de Carvalho (foto ao lado) não fosse, quinze anos antes, um freqüentador assíduo do gabinete do então ministro da viação, José Américo de Almeida.
Joubert, formado em medicina, pleiteava uma nomeação para o serviço público. Numa dessas visitas, aconselhado pelo oficial de gabinete Rui Carneiro, o compositor resolveu agradar o ministro, que era paraibano, escrevendo uma canção sobre o flagelo da seca que na ocasião assolava o Nordeste.
Surgia assim a toada "Maringá", uma obra-prima que conta a tragédia de uma bela cabocla, obrigada a deixar sua terra numa leva de retirantes. Em tempo: alguns meses após o lançamento vitorioso de "Maringá", Joubert de Carvalho foi nomeado para o cargo de médico do Instituto dos Marítimos, onde fez carreira chegando a diretor do hospital da classe. (Fonte: A Canção no Tempo - Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello - Vol. 1 - Editora 34).
Disco 78 rpm / Título da música: Maringá / Autoria: Carvalho, Joubert de (Compositor) / Gastão Formenti (Intérprete) / Orquestra Victor Brasileira (Acompanhante) / Imprenta [S.l.]: Victor, 13/06/1932 / Nº Álbum 33586 / Gênero musical: Canção
A Dm
Foi numa leva que a cabocla Maringá
G7 C
Ficou sendo a retirante que mais dava o que falar
E7 Am
E junto dela veio alguém que suplicou
F Dm E7 A
Pra que nunca se esquecesse de um caboclo que ficou
E7 A
Maringá, Maringá
A7+ Bbº
Depois que tu partiste tudo aqui ficou tão triste
Bm
Que eu "garrei" a imaginar
E7
Maringá, Maringá
Para haver felicidade é preciso que a saudade
A
Vá bater noutro lugar
G7 Gb7
Maringá, Maringá
Bm B7 E7
Volta aqui pro meu sertão pra de novo o coração
A
De um caboclo a sossegar
Dm
Antigamente uma alegria sem igual
G7 C
Dominava aquela gente na cidade de Pombal
E7 Am
Mas veio a seca, tudo a chuva foi-se embora
F Dm
Só restando então as águas
E7 A
Dos meus "'óio" quando chora
E7 A
Maringá, Maringá
Recebi hoje, dia 3 de fevereiro, um e-mail comentando o artigo acima que coloquei faz alguns anos no site de músicas antigas da MPB “cifrantiga” e que reproduzo abaixo: “O seu artigo sobre a ligação entre a música e a cidade de Maringá-PR., está muito próximo do correto.
Realmente, José Américo (Ministro da Viação e Obras), tinha como chefe de gabinete o senhor Ruy Carneiro , que mais tarde viria a governador e senador do seu Estado (a Paraíba).
Joubert de Carvalho gostava da boemia e naquele ambiente veio a conhecer e se tornar amigo do senhor Alcides Carneiro (irmão de Ruy Carneiro e também funcionário do Ministério da Viação e Obras), que solteiro e apaixonado por uma namorada chamada Maria, residente na cidade do Ingá (60 km de João Pessoa - PB), compôs a música “Maringá”, narrando o flagelo da seca no nordeste, principalmente na cidade de Pombal, localizada na alto sertão paraibano.
Gostaria de cumprimentá-lo pela narrativa, eis que mesmo na cidade de Maringá, poucas pessoas conhecem a origem do nome da cidade."
A canção-rumba, lançada em outubro de 1931, conta a história de um encontro romântico entre um homem e uma cigana, retratando a fascinação e o encanto que ele sente por ela. A palavra "Zíngara" é uma forma de referir-se a uma mulher cigana ou pertencente a uma etnia cigana, que é retratada como uma figura misteriosa e sedutora.
Gastão Formenti, com sua voz expressiva e emocional, deu vida à canção com sua interpretação marcante. Sua voz suave combinou perfeitamente com a melodia cativante de "Zíngara", tornando-a popular entre o público brasileiro da época.
Disco 78 rpm / Título da música: Zíngara / Joubert de Carvalho (Compositor) / Olegário Mariano (Compositor) / Gastão Formenti (Intérprete) / Orquestra - Rondon [Direção] (Acomp.) / Gravadora: Victor / Nº do Álbum: 33469-b / Nº da Matriz: 65236-3 / Gravação: 11/09/1931 / Lançamento: 10/1931 / Gênero musical: Canção
Vem, ó cigana bonita / Ver o meu destino
Que mistérios tem / Tu com os olhos
De quem vê no acaso / O amor da gente
Põe nas minhas mãos / O teu olhar ardente
E procura desvendar / No meu segredo a dor,
Cigana, do meu amor.
Mas nunca digas, / Ó zíngara,
Que ilusão me espera, / Qual o meu futuro.
Só àquela por quem / Vou vivendo assim à toa
Tu dirás se a sorte / Será má ou boa
Para que ela venha / Consolar-me um dia a dor
Cigana, do meu amor.
Em 1931, os românticos Joubert de Carvalho e Olegário Mariano realizaram uma incursão na área sertaneja com o cateretê "De Papo pro Á". A composição expõe com muita graça a "filosofia" de um caipira esperto que leva a vida pescando e "tocando viola de papo pro á".
Curiosamente, este cateretê vem pelos anos afora sendo cantado com um erro na letra. O fato foi descoberto nos anos cinqüenta pelo pesquisador Paulo Tapajós, que estranhava os versos: "Se compro na feira feijão, rapadura / pra que trabalhar?". Quem compra geralmente trabalha... Foi o próprio Olegário quem lhe esclareceu: "o verso correto é 'se ganho na feira feijão, rapadura'. Acontece que, na primeira gravação, Gastão Formenti cantou 'se compro', cristalizando-se o erro a partir desse disco".
De Papo Pro Á (cateretê, 1931) - Joubert de Carvalho e Olegário Mariano
Disco 78 rpm / Título da música: De Papo Pro Á / Joubert de Carvalho (Compositor) / Olegário Mariano (Compositor) / Gastão Formenti (Intérprete) / Orquestra Típica (Acomp.) / Gravadora: Victor / Nº do Álbum: 33469 / Nº da Matriz: 65226-2 / Gravação: 28/08/1931 / Lançamento: Out/1931 / Gênero musical: Rumba (classificação musical contestável...)
Título da música: De Papo Pro Á / Joubert de Carvalho (Compositor) / Olegário Mariano (Compositor) / Paulo Tapajós (Intérprete) / LP "Luar do Sertão - Músicas de Catulo e Joubert", Fontana, 1972)
E
Não quero outra vida
B7
Pescando no rio de Gereré
Tem peixe bom
Tem siri patola
E
De dá com o pé
B7
Quando no terreiro
Faz noite de luá
E vem a saudade
Me atormentá
Eu me vingo dela
Tocando viola
EB7EB7E
De papo pro á
Se compro na feira
Feijão, rapadura,
B7
Pra que trabaiá
Eu gosto do rancho
O homem não deve
E
Se amofiná
(refrão)
Fonte: A Canção no Tempo - Vol. 1 - Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello - Editora 34.