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sábado, 6 de janeiro de 2018

Lamartine Babo - Biografia


Era uma das pessoas mais bem humoradas e divertidas de sua época, não perdendo nunca a chance de um trocadilho ou de uma piada. Em uma entrevista afirmou "Eu me achava um colosso. Mas um dia, olhando-me no espelho, vi que não tenho colo, só tenho osso". Numa outra, lhe perguntam qual era a maior aspiração dos artistas, Lalá não vacila: "A aspiração varia de acordo com o temperamento de cada um... Uns desejam ir ao céu... já que atuam no éter... Outros evaporam-se nesse mesmo éter... Os pensamentos da classe são éter... ó... gênios..." - valeu-lhe o título de "O Pior Trocadilho de 1941".


Lamartine Babo nasceu na Rua Teófilo Otoni, centro da cidade do Rio de Janeiro, no dia 10 de janeiro de 1904. Décimo segundo filho do casal Leopoldo de Azeredo Babo e Dona Bernardina Gonçalves Babo, logo teve que se mudar com a família para a Tijuca, em função da construção de novas avenidas no local onde moravam. Lamartine fez o curso primário numa escola pública, perto de sua casa, na Tijuca. Aos onze anos foi para o Colégio São Bento para cursar o ginásio. Teve contato com a música desde criança, pois sua mãe e uma irmã tocavam piano e o pai era amigo, entre outros, de Ernesto Nazareth e Catulo da Paixão Cearense, que sempre frequentavam sua casa.

Sua primeira marchinha gravada foi Os calças largas, em que Lamartine debochava dos rapazes que usavam calças boca-de-sino. Em 1937, com a censura imposta pelo Estado Novo de Getúlio Vargas, carnavalescos irreverentes como ele ficaram proibidos de utilizar a sátira em suas composições. Sem a irreverência costumeira, as marchinhas não foram mais as mesmas. Em 1951, aos 47 anos, Lamartine, que nunca tivera sorte no amor, casou-se, enfim. Morreu vitimado por um enfarte, no dia 16 de Junho de 1963, deixando seu nome no rol dos grandes compositores deste país.

Biografia completa

Lamartine de Azeredo Babo nasceu na Rua Teófílo Otoni, centro da cidade do Rio de Janeiro, no dia 10 de janeiro de 1904. Décimo segundo filho do casal Leopoldo de Azeredo Babo e D.Bernardina Gonçalves Babo, logo teve que se mudar com a família para a Tijuca, em função da construção de novas avenidas no local onde moravam. Lamartine fez o curso primário numa escola pública, perto de sua casa, na Tijuca. Aos onze anos foi para o Colégio São Bento para cursar o ginásio. Teve contato com a música desde criança, pois sua mãe e uma irmã tocavam piano e o pai era amigo, entre outros, de Ernesto Nazareth e Catulo da Paixão Cearense, que sempre frequentavam sua casa.

Por isso, o pequeno e magro Lamartine muito cedo posou de compositor para seus colegas de escola. Para provar que conseguia compor uma música usando apenas as notas sol, dó e mi, acabou fazendo o fox-trot "Pandorama", um ritmo norte-americano muito em alta na época. Lamartine era um menino muito criativo e acabou vencendo um concurso literário com a poesia "O Frade que pedia esmola". Sua primeira valsa, "Torturas de amor", foi composta quando tinha apenas treze anos de idade.

Em 1917 morreu o pai de Lamartine Babo. Em 1919 Lamartine compôs, sob influência da educação beneditina, "Ave Maria", que foi tocada em seu casamento e que até hoje é cantada nas igrejas católicas.Concluído o ginásio, Lamartine foi para o Colégio Pedro II, onde se bacharelou em letras, equivalente ao colegial de hoje.

Lamartine queria, em 1920, cursar a Escola Politécnica, mas a situação financeira da família, que vinha se tornando precária desde a morte do pai, o obrigou a trabalhar como office-boy na Light, ganhando 50 mil réis por mês. Do seu magro salário, Lamartine conseguia economizar uns trocados para, de vez em quando, frequentar o Teatro Municipal, o Lírico ou o São Pedro de Alcântara, hoje João Caetano, onde deliciava-se com alegres operetas vienenses. Nesse mesmo ano Lamartine compôs sua primeira opereta: "Cibele".

O bom-humor e a facilidade de fazer piadas e trocadilhos levaram Lamartine, em 1923, a colaborar na revista 'Dom Quixote', dirigida por Bastos Tigre e especializada em humor, sátiras e críticas à época. Demitido da Light em 1924, Lamartine conseguiu um emprego na Companhia Internacional de Seguros, onde ficou por pouco tempo, passando, em seguida, a escrever e compor para o teatro de revista. Ainda nesse ano, sob os pseudônimos de Frei Caneca, Poeta Cinzento, T. Misto, Janeiro Ramos, Luxurious e N. N., Lamartine escreveu artigos e poesias simples para as revistas "Paratodos" e "Shimmy".

Orientado por seu amigo Eduardo Souto, Lamartine descobriu o fértil campo das marchinhas carnavalescas e, em 1925, começou a compor para os ranchos "Recreio das Flores" "Africanos", "Jardim dos Amores" e "Ameno Resedá", fazendo sucesso com a marchinha "Foi você". Em 1926 Lamartine compôs, anonimamente, para as revistas "Prestes a chegar" e "A mascote" e, em 1927, para "Paulista de Macaé" e "É da pontinha".

Como revistógrafo e compositor, o nome de Lamartine apareceu com sucesso em novembro de 1927, na revista "Os calças-largas", cuja música título, composta em parceria com Gonçalves de Oliveira e que satirizava a moda das calças boca-de-sino, foi gravada por Frederico Rocha, na Odeon, para o Carnaval de 1928; esta foi a primeira composição gravada de Lamartine Babo. A revista "Ouro à beça", de Lamartine com colaboração de Djalma Nunes, J. Castilho e Henrique Vogeler, foi uma das maiores atrações de 1928. Autor da comédia musicada "Este mundo vai mal", que estreou com sucesso em outubro de 1928, Lamartine colaborou também, no mesmo ano, na revista "Vai haver o diabo", que estreou em novembro.

Ainda nesse ano, para ajudar no orçamento, Lamartine deu aulas de dança no Clube Tuna Comercial e no Ginásio Português. Também de 1928 são suas composições "Nunca, jamais" e "Raios de um olhar" e, ainda, "Amor de mulato", "Cachorro quente" e "Oh! Nina", em parceria com Ary Barroso; "Cai n'água", com Lírio Panicali; "Cariocadas", com Hekel Tavares; "O ciúme é que te mata", com Osvaldo Cardoso de Menezes; "Cresça e apareça", com L. N. Menezes; "Cuidado com ela", "Essa velha tem malícia" e "Foi você", com Pedro Cabral; "Elza", com A F. Conceição e Xavier Pinheiro; "Eu não sei por que é", com F. Fonseca Costa; "Noite de amor", com J. Ramen; e "Seu Voronoff", em parceria com João Rossi.

Lamartine iniciou sua carreira no rádio em 1929, na Rádio Educadora, onde cantava com sua voz de falsete, contava piadas e fazia esquetes. De 1929 são suas composições "Dona boa", "Gemer no violão", "Uma tarde em New York" e "Zeca Ivo" e, também, "Amor na Penha", em parceria com João Rossi; "O campeão de xadrez", em parceria com J. Machado; "A capixaba", "Didi", "Em Santa Catarina tudo é flor", "Fruta do Pará", "Guanabara", "Maranhão, terra poética", "Meu Ceará", "Mineirinha", "Na terra do bom tempero", "Oh! Linda praia de amor", "Paraíba", "Perfil de gaúcha", "Sergipe, apelido do amor", "Seu Goiás", "Sonhos de Natal" e "Vou pro Piauí", em parceria com Henrique Vogeler e J. M. Pereira; "Helena de Azambuja", em parceria com A. R. de Jesus; "Lágrimas ocultas", em parceria com A. Miniutti; "O meu penar", em parceria com Pedro Cabral; "Tem gente olhando", em parceria com Tuiú; e "A vida é um inferno onde as mulheres são os demônios", em parceria com Zeca Ivo.

Em 1930, na Rádio Educadora, Lamartine começou a fazer o programa "Horas Lamartinescas", onde divulgava suas músicas, contava piadas e improvisava trocadilhos e onde também se apresentaram Noel Rosa e Marília Batista, entre outros. Nesse mesmo ano Lamartine venceu um concurso promovido pela revista "O Cruzeiro", com a marchinha "Bota o feijão no fogo". Desse ano também são as composições "Altofalante", "Chora", "A descoberta da América", "Eu quero casar" e "Rosinha" e, ainda, "Cutuca, Maroca", em parceria com D. Guimarães; "Diga", com Gonçalves de Oliveira; "Amazonas", "A Bandeirante", "Terra fluminense" e "Toada alagoana", com Henrique Vogeler e J. M. Pereira; "Como é gostoso amar", com Glauco Viana; "Devaneios", com Carlos Rodrigues; "Mulher sublime", com Donga; "Sonhos de Rinetti", com Jonas Aragão; "Teus olhos castanhos", com Bonfiglio de Oliveira; e "Tristeza havaiana", com Furinha.

Em 1931 Lamartine compôs e gravou o fox-charge "Canção para inglês ver", cuja letra revela a grande originalidade de Lamartine, uma das principais características de sua obra. Ainda nesse ano Lamartine passou a colaborar nos jornais "Correio da Manhã", "Gazeta de Notícias" e "Diário de Notícias" e venceu um concurso da Casa Edison com "Bonde errado", além de ter alcançado grande sucesso com "Lua Cor de Prata" e "Minha cabrocha". Nesse ano Lamartine também compôs "Gegê - Seu Getúlio"; com Noel Rosa, compôs "A.b.surdo"e "Nega"; com Sátiro de Almeida , "Gandaia"; com Vantuil de Carvalho e Domingos Carvalho,"Juraci"; com Josué de Barros, "Olha a cara dela"; com A. Demerval, "Onde você está morando?"; com Bonfiglio de Oliveira, "Sonho Brasileiro"; e, entusiasmado com a melodia que Ary Barroso havia composto para o poema "Na grota funda", de J. Carlos, Lamartine resolveu fazer outra letra, mudando o título da composição para "No rancho fundo". Ary gostou tanto do trabalho de Lalá que a partir daí compuseram juntos uma série de sucessos.

Com os Irmãos Valença, Lamartine compôs a marcha que foi um dos maiores sucessos carnavalescos de 1932 e de todos os tempos: "O teu cabelo não nega". Inicialmente, essa marcha era uma música dos Irmãos Valença, de Pernambuco, que a enviaram à Victor com o título de "Mulata". Como a linguagem dos versos era muito regional, a gravadora pediu a Lamartine que adaptasse a composição ao gosto carioca. Ele mudou radicalmente o original: alterou o ritmo, modificou a letra e acrescentou a famosa introdução. A marchinha acabou sendo gravada como "motivo do Norte com arranjos de Lamartine Babo" e editada como de exclusiva autoria de Lamartine. Os Irmãos Valença levaram o caso à justiça, que lhes deu ganho de causa, passando à legítima condição de parceiros de Lamartine.

Em 1932 Lamartine compôs, com Noel Rosa, "AEIOU"; com Francisco Alves e Ismael Silva, "Ao romper da aurora"; com Antonio Viana, "Eterna prontidão"; com Bonfiglio de Oliveira, Lamartine compôs "Meu sabiá"; e com Ary Barroso, "Palmeira Triste". Também de 1932 são as composições de Lamartine: "Babo...zeira...", "Uma família radiante", "Marchinha do amor", "Papai não deixa", "Passarinho... passarinho", "Rapsódia em réus maiores", "Só dando com uma pedra nela" e "A tua vida é um segredo", que foi um dos campeões do carnaval de 1933.

Em 1933 Lamartine fez sucesso com "Linda morena" e "Moleque indigesto" e, também, com "Aí, hein! " e "Boa bola", estas compostas em parceria com Paulo Valença. "Linda Morena", muito cantada pelos foliões, foi originalmente gravada por Lamartine, Mário Reis e o Grupo da Guarda Velha, para o carnaval de 1933. Ainda em 1933, em parceria com Alcir Pires Vermelho, Lamartine compôs "Dá cá o pé...loura"; com João de Barro, compôs "Eu queria ser ioiô"; com Noel Rosa, "Eu queria um retratinho de você"; e com Ari Pavão, compôs "Infelizmente". Nesse mesmo ano Lamartine compôs, sem parceria, "Bem-te-vi", "As cinco estações do ano", "Lola", "Paisagens de São Lourenço", "Tarde na serra" e "Chegou a hora da fogueira", que revela Lamartine num gênero, hoje, quase esquecido: as marchinhas juninas.

Em 1934, em parceria com João de Barro, Lamartine compôs "Uma andorinha não faz verão"; com Moacir Araújo, compôs "Baiana do meu coração"; com Assis Valente, "Bis " com Alcir Pires Vermelho, "E... foi assim..."; e com Hervé Cordovil, "Menina Oxygené". Também de 1934 são as composições "Deixa a velhinha", "Dois a dois", "Eu também", "História do Brasil", " "Isto é lá com Santo Antônio", "Marchinha nupcial", "Paisagem de minha terra", "Parei contigo", "Ride palhaço", "O sol nasceu pra todos" e "Rasguei a minha fantasia", que foi composta para o carnaval de 1935 e gravada por Mário Reis, transformando-se num dos grandes êxitos daquele ano.

Em 1935 Lamartine venceu novamente o carnaval com "Grau dez", composta em parceria com Ary Barroso. Desse ano são também as composições "Chora... chora..." "Pistolões", "Rapsódia Lamartinesca nº 2", "Senhorita Carnaval", feita para promover o sabonete marca Carnaval, e "Verbo amar". E, ainda, "Antônio, por favor", feita em parceria com José Maria de Abreu; "Canção apaixonada", "A melhor das três" e "Roda de fogo", em parceria com Alcir Pires Vermelho; "E o samba continua" e "Na virada da montanha", com Ary Barroso; "Mariana", com Bonfiglio de Oliveira; e "Moreninha sweepstake" e "Seu Abóbora", com Hervé Cordovil.

O ano de 1936 trouxe "Marchinha do grande galo", composta por Lamartine em parceria com Paulo Barbosa e lembrada até hoje: "O galo tem saudades da galinha carijó". Nesse mesmo ano Lamartine compôs "Cinqüenta por cento" e "A tal". Em parceria com Hervé Cordovil, compôs "Alô, alô Carnaval" e "Rio"; com Nássara, "Cadência"; com Alberto Ribeiro, "Comprei uma fantasia de pierrô"; com Assis Valente, "Jeanette"; com Noel Rosa, "Menina dos meus olhos"; e com Alberto Ribeiro e João de Barro, "Cantores de Rádio", que, originalmente gravada pelas irmãs Carmen e Aurora Miranda, pertencia ao filme "Alô, Alô, Carnaval". Depois foi gravada por Chico Buarque, junto com Nara Leão e Maria Bethânia, como parte da trilha sonora do filme "Quando o carnaval chegar", de Carlos Diegues.

Em 1935 Lamartine havia recebido, da cidade de Boa Esperança, Minas Gerais, uma carta poética e apaixonada, assinada por Nair Pimenta de Oliveira. Lamartine e Nair se corresponderam por cerca de um ano, até que veio o adeus, numa última carta de Nair. Meses mais tarde Lamartine recebeu uma correspondência do dentista Carlos Alves Neto, da mesma cidade de Nair, convidando-o para a festa de estréia de um conjunto musical. Sonhando encontrar-se com Nair, Lamartine foi para Minas e teve uma incrível surpresa: Nair era uma garotinha, sobrinha do dentista, o qual era o autor das cartas. Carlos colecionava fotos de artistas e se valeu das correspondências com Lamartine para aumentar sua coleção. Essa história foi a responsável pelo surgimento de uma famosa canção de Lamartine, "Serra da Boa Esperança", gravada por Francisco Alves em 1937 e depois, em 1952, três dias antes de morrer em acidente automobilístico.

De 1937 também são as composições de Lamartine "Ganga", "Gauchinha", "Já tirei meu chapéu", "Menina das lojas", "Só nós dois no salão e esta valsa" e, ainda, "Mais uma valsa, mais uma saudade ", composta em parceria com José Maria de Abreu e "Pensão do Catete", em parceria com Milton Amaral. A partir de 1937, com a censura imposta pelo Estado Novo, as composições carnavalescas de Lamartine Babo tornaram-se esporádicas, mas ele continuou seu trabalho de radialista. As "Horas Lamartinescas" da Rádio Educadora foram substituídas pelo programa "Canção do Dia", na Rádio Mayrink Veiga, onde Lamartine apresentava uma música inédita por programa; na Mayrink Veiga, Lamartine produziu também o "Clube da Meia-Noite". Em 1937 Lamartine foi para a Rádio Nacional, levando o "Clube da Meia-Noite", que passou a se chamar "Clube dos Fantasmas" e onde produziu também a série "Vida Pitoresca dos Compositores da nossa Música Popular".

Em 1938, com Hervé Cordovil, Lamartine compôs "Esquina da sorte"; com Carlos Neto, compôs "Vaca amarela", e, sem parceria, compôs "Hino do Carnaval Brasileiro", uma de suas últimas criações carnavalescas. Em 1939, para o show "Joujoux e balangandans", que foi apresentado no Teatro Municipal do Rio de Janeiro e do qual era diretor musical, Lamartine compôs a marcha "Jou jou balagandans". Ainda em 1939 Lamartine compôs "Voltei a cantar"; em parceria com Celso Macedo, compôs "Cessa tudo"; e com Enéias, compôs "Tamanho não é documento".

De 1940 é a composição de Lamartine "De... cadência de pierrô", feita em parceria com Alcir Pires Vermelho. Em 1941 Lamartine compôs o fox-blue "Perdão amor"; com Moacir Araújo, compôs a marcha "Minha companhia é a Colombina"; e com Francisco Matoso, a valsa "Eu sonhei que tu estavas tão linda ", imortalizada na voz de Carlos Galhardo.

Em 1942 Lamartine criou, na Rádio Nacional, o programa "Trem da Alegria", onde apresentou o Trio de Osso, integrado por Heber de Bôscoli, Iara Sales e por ele mesmo. O programa tornou-se um dos mais famosos do Brasil e passou por diversas emissoras de Rádio, mantendo-se no ar até 1955, ano em que, com a morte de Heber de Bôscoli, Lamartine deixou o rádio e passou a dedicar-se à União Brasileira de Compositores - UBC, como diretor. De 1942 também são suas composições "O V da vitória", "Alma dos violinos", esta em parceria com Alcir Pires Vermelho, e "La Canga", em parceria do Heber de Boscoli.

Apaixonado por futebol e torcedor do América Futebol Clube, Lamartine Babo escreveu hinos para todos os clubes cariocas, lançando-os, em 1943, no "Trem da Alegria".

Em 1944 Lamartine compôs, em parceria com José Maria de Abreu, "Uma valsa azul". Em 1945, em parceria com Moacir Araújo, compôs "En avant". Em 1949 compôs "Noites de junho". O eclético compositor Lamartine Babo também produziu programas para a televisão, foi produtor da Copacabana Discos e publicou dois livros humorísticos: "Lamartiníadas" e "Pindaíbas".

Somente em 1951, aos 47 anos, Lamartine optou pelo casamento e já não era mais o Lalá magrinho, tão caricaturado, quando se casou com Maria José Barroso. Havia parado de fumar, engordara, perdera os dentes e gostava de receber os amigos com uísque escocês, em sua ampla residência na Tijuca. Também de 1951 são as composições "Adeus, ano velho", "É... elas voltaram", esta em parceria com Roberto Roberti e "Volta", feita em parceria com Roberto Martins.

Em 1952 Lalá compôs, em parceria com José Maria de Abreu, "Valsa da formatura". Em 1954, em parceria com Roberto Martins, compôs "Valsa do calendário". Em 1955 compôs os sambas "Estranha coincidência" e "Três de abril". O ano de 1957 trouxe as composições "Marcha pro Oriente", em parceria com Ataulfo Alves; "O rapaz de minha rua", em parceria com Roberto Martins; e "Sonhei com Noel", em parceria com Marques Junior e Roberto Roberti. Vez ou outra Lamartine voltava a animar o carnaval com alguma composição. Em fins de 1958, a pedido do rancho Rouxinóis, da Ilha de Paquetá, compôs a marcha-rancho "Os Rouxinóis", lançada na revista "Bom mesmo é mulher", que estreou em janeiro de 1959.

Em 1959 Lalá compôs o samba "Maria dos Anjos". Em 1960, compôs "Meu carnaval do passado" e "Ontem à tarde". Em 1961, a marcha-rancho "Ressurreição dos velhos carnavais". De 1963 são as composições "Noites de gala", em parceria com Alcir Pires Vermelho; "Qual delas?", em parceria com Carlos de La Riestra; e "Seja lá o que Deus quiser", só de Lamartine.

Nesse mesmo ano Carlos Machado produziu, na boate do Copacabana Palace Hotel, o show "O teu cabelo não nega", baseado na vida de Lamartine Babo. Lalá frequentou os ensaios, mas não chegou a assistir ao show: morreu de enfarte, provocado pela emoção da homenagem, no dia 16 de junho de 1963, poucos dias antes da estréia do show, mas consagrado pelos foliões de ontem e de hoje, que nunca deixaram de cantar "O teu cabelo não nega".

Veja também:

Lamartine Babo - Letras, cifras e gravações


Fontes: Samba-Choro - Artistas; Memórias da MPB - Biografia completa de Lamartine Babo - Samira Prioli Jaime.

Lamartine Babo - Letras, cifras e músicas



Lamartine Babo - Letras, cifras e gravações

































































Veja também:

terça-feira, 4 de novembro de 2008

Os rouxinóis


Os rouxinóis (marcha-rancho/carnaval, 1958) - Lamartine Babo

Disco 78 rpm / Título da música: Os rouxinóis / Autoria: Babo, Lamartine, 1904-1963 (Compositor) / Rouxinóis de Paquetá (Intérprete) / Coro (Acompanhante) / Orquestra (Acompanhante) / Imprenta [S.l.]: Todamérica, 1957 / Nº Álbum 5723 / Gênero musical: Marcha rancho


Os rouxinóis entre as flores procuram seus amores
É lindo o cântico das aves
As melodias se renovam tão suaves
Salve os rouxinóis!

Surgem orquestras nos arrebóis
Sustenidos são feridos e se ouvem à meia voz os bemóis
Porque os rouxinóis foram buscar Amor-perfeito
E no canteiro já desfeito da Amizade
Só encontraram Saudade


Sem sonhos os rouxinóis se vêem a sós tristonhos
E se consolam com as sutis cigarras
Cigarras sutis cada qual mais feliz
Pois cantam, cantam, cantam, depois se desencantam
Cantar até morrer é o seu infinito prazer

Estão nos arrebóis os rouxinóis silentes
Descrentes de seus amores pelas lindas flores
Nesta canção, pensando bem
O amor dos rouxinóis é o nosso amor também

Sem sonhos os rouxinóis se vêem a sós tristonhos
E se consolam com as sutis cigarras
Cigarras sutis cada qual mais feliz
Estão nos arrebóis os rouxinóis silentes
Descrentes de seus amores pelas lindas flores

Nesta canção, pensando bem
O amor dos rouxinóis é o nosso amor também
É o nosso amor também
É o nosso amor também
É o nosso amor também
É o nosso amor também.

sexta-feira, 21 de março de 2008

Alma dos violinos

Alma dos violinos (valsa, 1942) - Alcir Pires Vermelho e Lamartine Babo - Intérprete: Moraes Neto

Disco 78 rpm / Título da música: Alma dos violinos / Alcir Pires Vermelho, 1906-1994 (Compositor) / Lamartine Babo, 1904-1963 (Compositor) / Moraes Neto (Intérprete) / Milton Calazans [Direção], Orquestra Odeon (Acomp.) / Gravadora: Odeon / Gravação: 16/04/1942 / Lançamento: 06/1942 / Nº do Álbum: 12161 / Nº da Matriz: 6944 / Gênero musical: Valsa / Coleções de origem: IMS, Nirez


Sinto n'alma um violino
Um violino que acompanha
O meu triste adeus
Que vai por trás de uma montanha
Montanha pequenina

Diante dos olhos meus
Meus olhos tão imensos
Oh! Perguntem aos lenços
Quando dizem adeus

Sinto n'alma um violino
Um violino tão sonoro
Que acompanha melodias
Quando eu canto e choro
Eu choro porque os risos
Dei ao meu amor
Meu grande amor
Nestas valsas que eu componho
Vive o meu sonho



Fontes: Discografia Brasileira - IMS; Instituto Moreira Salles.

Perdão amor

Lamartine Babo
Perdão amor (fox-canção, 1941) - Lamartine Babo - Intérprete: Orlando Silva

Disco 78 rpm / Título da música: Perdão amor / Lamartine Babo, 1904-1963 (Compositor) / Orlando Silva (Intérprete) / Orquestra (Acomp.) / Gravadora: Victor / Gravação: 30/04/1941 / Lançamento: 07/1941 / Nº do Álbum: 34759 / Nº da Matriz: 52190 / Gênero musical: Fox blue


Se magoei teu lindo coração
Perdão amor
Se é por minha causa o teu sofrer
Foi sem querer


Vítima do ocaso e da ilusão
Beijei tua mão
Se magoei teu lindo coração
Perdão amor, perdão, perdão

Se os teus sorrisos foram embora
Minh'alma chora
Se amar é crime
Esquecerei que já te amei

Hei de devolver os seus dissertos
Cartas, rosas murchas, seus cabelos
Se é que ainda tens meu coração
Não mandes não!



Fontes: Discografia Brasileira - IMS; Instituto Moreira Salles.

sexta-feira, 14 de março de 2008

Só nós dois no salão (E esta valsa)

Francisco Alves
Só nós dois no salão (E esta valsa) (valsa, 1937) - Lamartine Babo - Intérprete: Francisco Alves

Disco 78 rpm / Título da música: Só nós dois no salão (E esta valsa) / Lamartine Babo, 1904-1963 (Compositor) / Francisco Alves (Intérprete) / Orquestra Victor Brasileira (Acomp.) / Gravadora: Victor / Gravação: 17/03/1937 / Lançamento: 06/1937 / Nº do Álbum: 34174 / Nº da Matriz: 80340-1 / Gênero musical: Valsa


Só nos dois num salão e esta valsa
E uma orquestra de anjos divinos
Uns acordes de um toque de sinos
Nos finais desta valsa de amor.

Pelo chão
Umas pétalas de flor

Luz azul percorrendo o salão
Só nós dois
Mais ninguém
Mais ninguém
Só nós dois
A saudade virá depois.



Fontes: Discografia Brasileira - IMS; Instituto Moreira Salles.

terça-feira, 11 de março de 2008

Na virada da montanha

Francisco Alves
Na virada da montanha (samba, 1936) - Ary Barroso e Lamartine Babo

Disco 78 rpm / Título da música: Na virada da montanha / Autoria: Barroso, Ary (Compositor) / Babo, Lamartine, 1904-1963 (Compositor) / Francisco Alves (Intérprete) / Diabos do Céu (Acompanhante) / Imprenta [S.l.]: Victor, 1935 / Nº Álbum 33995 / Gênero musical: Samba


A saudade vem chegando
A tristeza me acompanha
Só porque... só porque...
O meu amor morreu
na virada da montanha
O meu amor morreu

na virada da montanha

E quem passa na cidade
Vê no alto
A casa verde de sapé
Ainda...
A trepadeira no carramanchão
Amor-perfeito pelo chão
Em quantidade

A saudade vem chegando
A tristeza me acompanha
Só porque... só porque...
O meu amor morreu
na virada da montanha
O meu amor morreu
na virada da montanha

Pobre casa abandonada
Além
No alto
Sozinha sem ter lá ninguém
Caindo velhinha ao ver
os prédios da cidade
Ó velha casa,
Sombra eterna da saudade

domingo, 9 de março de 2008

Rasguei a minha fantasia

Mário Reis
Rasguei a minha fantasia (marcha/carnaval, 1935) - Lamartine Babo - Intérprete: Mário Reis

Disco 78 rpm / Título da música: Rasguei a minha fantasia / Lamartine Babo, 1904-1963 (Compositor) / Mário Reis (Intérprete) / Pixinguinha [Direção], Diabos do Céu (Acomp.) / Gravadora: Victor / Gravação: 27/11/1934 / Lançamento: 01/1935 / Nº do Álbum: 33887 / Nº da Matriz: 79791-1 / Gênero musical: Marcha


Rasguei a minha fantasia
O meu palhaço
Cheio de laço e balão
Rasguei a minha fantasia
Guardei os guizos no meu coração


Fiz palhaçada
O ano inteiro sem parar
Dei gargalhada
Com tristeza no olhar
A vida é assim...
A vida é assim...
O pranto é livre
Eu vou desabafar

Tentei chorar
Ninguém no choro acreditou
Tentei amar
E o amor não chegou
A vida é assim...
A vida é assim...
Comprei uma fantasia de pierrô



Fontes: Discografia Brasileira - IMS; Instituto Moreira Salles.

quinta-feira, 6 de março de 2008

Lola

Lola (fox, 1933) - Lamartine Babo - Intérprete: Lamartine Babo

Disco 78 rpm / Título da música: Lola / Lamartine Babo, 1904-1963 (Compositor) / Lamartine Babo (Intérprete) / Orquestra Victor Brasileira (Acomp.) / Gravadora: Victor / Gravação: 06/07/1933 / Lançamento: 08/1933 / Nº do Álbum: 33691 / Nº da Matriz: 65794-1 / Gênero musical: Fox


Hoje eu li um anúncio no jornal
Anúncio muito interessante
Um rapaz alegre, jovial
Procura uma mulher constante

Para evitar qualquer engano
Diz o moço que tem
Tem bangalô e um bom piano
Automóvel também
Hoje em dia provar ninguém tem

Lola, Lola
Hás de ser a minha namorada
Na próxima noite enluarada
Tenho muitos beijos pra nós dois
E depois...e depois...e depois...

Lola, Lola
Nosso casamento vai ter graça
Vamos cometer essa desgraça
Vem morrer de fome
Mal me faz
Imitar nossos pais

Teremos um, teremos dois
Teremos um batalhão
Teremos muitos filhos
Haja região
E se o primeiro for mulher
Chamar-se-á Conceição
Se for guri
Será o nosso jovem

Querida Lola, Lola
O Brasil é grande
É um colosso
Vamos à Goiás e a Mato Grosso
E seremos lá no Paraguai
Com mamãe e o papai



Fontes: Discografia Brasileira - IMS; Instituto Moreira Salles.

quarta-feira, 5 de março de 2008

Marchinha do amor

Marchinha do amor (marcha/carnaval, 1932) - Lamartine Babo

Disco 78 rpm / Título da música: Marchinha do amor / Autoria: Babo, Lamartine, 1904-1963 (Compositor) / Francisco Alves (Intérprete) / Mário Reis (Intérprete) / Orquestra Copacabana (Acompanhante) / Imprenta [S.l.]: Odeon, 22/09/1931 / Nº Álbum 10871 / Gênero musical: Marcha


Com a letra A
Começa o amor que a gente tem
Com a letra A
Começa o nome do meu bem


Ai, quem dera ser um jasmim
Pra você beijar
Pra você beijar no seu jardim
Ai, quem dera ser um jasmim
Pra você beijar
Recordando-se de mim

Ai, quem me dera ser um ladrão
Pra poder roubar
Pra poder roubar seu coração

Ai, quem me dera ser um ladrão
Pra poder roubar
O seu lindo coração

Ai, quem me dera ser professor
Para ensinar
Para ensinar o verbo amar
E se eu pudesse ser professor
Eu tirava o A
Desse adeus que traz a dor



Fontes: Instituto Moreira Salles; Discografia Brasileira - IMS.

sexta-feira, 29 de fevereiro de 2008

Cor de prata

Braguinha
Cor de prata (samba/carnaval, 1931) - Lamartine Babo

Disco 78 rpm / Título da música: Cor de prata / Lamartine Babo, 1904-1963 (Compositor) / Braguinha (Intérprete) / Orquestra Guanabara (Acomp.) / Imprenta [S.l.]: Parlophon / Nº do Álbum: 13272-a / Nº da Matriz: 131073 / Lançamento: Jan/1931 / Gênero musical: Samba / Coleções: Nirez, José Ramos Tinhorão, Humberto Franceschi


A lua vem saindo
Cor de prata
Cor de prata
Cor de prata
Que saudades da mulata


Minha mulata
Foi-se embora da cidade

Vejam só que crueldade
Foi com outro e me deixou
Abandonado
Pela estrada do passado
Vou perdendo a mocidade
Na saudade que ficou

Eu fui pra roça
Construir minha palhoça
Lá no alto da montanha
Perto de Nosso Senhor
E quando a lua
Lá na mata me acompanha
Sinto o cheiro da mulata
Na montanha tudo é flor

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2008

Os calças largas

Lamartine Babo
A primeira marchinha de Lamartine gravada (interpretada pelo barítono Frederico Rocha), foi a divertida "Os Calças-Largas", em que o compositor debochava dos rapazes que usavam calças boca-de-sino. Em 1937, com a censura imposta pelo Estado Novo de Getúlio Vargas, carnavalescos irreverentes como Lamartine Babo ficaram proibidos de utilizar a sátira em suas composições. Sem a irreverência costumeira, as marchinhas não foram mais as mesmas.

Os calças largas (marcha/carnaval, 1927) - Lamartine Babo e Gonçalves de Oliveira - Intérprete: Frederico Rocha

Disco selo: Odeon R / Título da música: Os calças largas / Lamartine Babo (Compositor) / Gonçalves de Oliveira (Compositor) / Frederico Rocha (Intérprete) / Orquestra (Acomp.) / Nº do Álbum: 123268 / Nº da Matriz: 1093 / Lançamento: 1927 / Gênero: Marcha carnavalesca / Coleção: Nirez D


Acho graça dessa gente convencida
Passeando na Avenida
Passeando na Avenida

Quando passa uma linda criatura
Ficam todos na secura
Ficam todos na secura

Essa gente de jaquetas bem curtinhas
Tem a cara bonitinha
Tem a cara bonitinha

Oh! Que turma esquisita e encrencada
Calça larga bem folgada
Rastejando na calçada

Vem, meu bem
Que os calças largas
Não te podem sustentar
Sem vintém
Almoçam brisas
E à noite vão dançar

Lá na casa de um doutor na Piedade
Foi uma calamidade
Foi uma calamidade

Da tal gente estava a sala infestada
Minha capa foi furtada
Minha capa foi furtada

Do tal charleston é bom não se falar
Faz lembrar peru de água
Quando a gente o quer matar

E os bonecos artificiais são concorrentes
Lá da Praça Tiradentes
Lá da Praça Tiradentes


domingo, 13 de janeiro de 2008

Lamartine Babo: o rei dos primeiros carnavais


Se há alguém no Brasil que simboliza a alegria dos primeiros carnavais, essa pessoa é Lamartine Babo. Exímio compositor de marchinhas de carnaval, Lamartine foi um dos primeiros humoristas do país. Em meados da década de 30, quando o que contava ainda era a brincadeira nas ruas e não o desfile das escolas, o carioca, nascido em 1904, reinava absoluto nas festas do Rio de Janeiro. De 1932 a 1936 emplacou os maiores sucessos da Folia de Momo na Cidade Maravilhosa.


Não é difícil compreender o sucesso de Lamartine no Carnaval. Data marcada por uma grande festa no país, o Carnaval é considerado por muitos - especialmente fora do país - como o símbolo da alegria dos brasileiros. Bem humorado, com canções que apelavam para o humor puro, o compositor logo conquistou os cariocas.

"Ele era muito engraçado, e tirava sarro das pessoas com algumas letras. Inclusive, tirava sarro dele mesmo. Até por ser Carnaval, não tinha como fazer letra séria. E ele se destacava", explica o professor de Arte e Cultura da Universidade Metodista de São Paulo, Heron Vargas.

O humor escrachado - por algumas vezes maldoso - se tornou a marca principal da produção de Lalá, como era conhecido. "Nesse ponto ele é praticamente único na música brasileira. Ele mesmo era humorista, trabalhava assim no rádio, apresentando programas. Outros faziam mais sátira, o que é diferente do humor", compara o pesquisador Suetônio Soares Valença, autor do livro Tra-la-lá : Lamartine Babo. "O Lamartine fazia humor puro. Levava tudo mais ou menos na brincadeira, fazendo humor o tempo todo."

Ainda assim, não era apenas o humor que levava Lamartine ao sucesso. Com uma formação musical diferenciada dos demais compositores da época, conseguia resultados mais expressivos com as marchinhas, chegando a emplacar seis grandes sucessos em um mesmo Carnaval.

"Lamartine não teve uma formação musical como a do Noel Rosa, por exemplo. Noel subia os morros e ia ao Estácio para conhecer o samba. O Lamartine não teve essa passagem pelos morros. E por isso que ele fazia muita marcha, que se aproxima mais das operetas e das músicas americanas dos anos 20, que era o que ele acompanhava", complementa Valença.

A fama de Lamartine nos carnavais rapidamente fez com que fosse requisitado pelo rádio e pela TV, ainda nascente nos anos 50. Lá, também alcançaria sucesso, com programas como o "Baú do Lamartine". No rádio, foi pioneiro em usar uma ferramenta que conhecia bem: novamente, o humor.

"Ele é o precursor do humor no rádio. Não era um humorista como o Chico Anysio, mas tinha uma verve, era muito engraçado. Através desse humor, ele foi mais que um compositor, foi um dos responsáveis pelo que se considerou o "Espírito Carioca". É essa coisa do bom humor, da verve, da graça", afirma Valença.

Por Renato Marques

sexta-feira, 25 de agosto de 2006

Alzirinha Camargo

Alzirinha Camargo
Alzirinha Camargo (Alzira Camargo), cantora. São Paulo/SP 10/12/1915-. Nascida no bairro do Brás, iniciou-se como amadora na Rádio Record. Em seguida, foi contratada pela Rádio Cruzeiro do Sul, e mais tarde atuou na Rádio Difusora.

Em fins de 1935, foi levada por Sílvia Autuori, conhecida por Tia Chiquinha, para a Rádio Tupi, do Rio de Janeiro RJ, onde começou a fazer sucesso. No ano seguinte, gravou seu primeiro disco, um 78 rpm, na Victor, que incluía a marcha Cinqüenta por cento (Lamartine Babo) e o samba Você vai se arrepender (Kid Pepe, Germano Augusto e Alberto Fadel). Nessa mesma época, foi descoberta por Alberto Quatrini Bianchi, que a convidou para cantar em sua cadeia de cassinos, espalhados por todo o país.

Ainda em 1936 trabalhou no filme Alô, alô, Carnaval, de Ademar Gonzaga. Também nesse ano ocorreu seu desentendimento com Carmen Miranda: imediatamente após a gravação de Querido Adão (Benedito Lacerda e Osvaldo Santiago), Carmen foi para Buenos Aires, Argentina, sem ter tido tempo de lançar a música, que os autores então lhe ofereceram; e ela, que fazia o mesmo gênero de Carmen, tanto na roupa como no repertório, lançou-a com sucesso absoluto. A rivalidade entre as duas prolongou-se durante toda sua carreira.

Em 1937 atuou no filme O grito da mocidade, de Raul Roulien. Em 1938 apresentou-se, com o conjunto de Benedito Lacerda, em temporada na Rádio El Mundo, de Buenos Aires. De volta ao Brasil, Benedito Lacerda compôs para ela a marcha Meu Buenos Aires querido e o samba Ritmo do coração (com Herivelto Martins), ambos gravados na Odeon.

Em fins de 1939, apresentou-se no Cassino Atlântico com a orquestra norte-americana, regida pelo peruano Ciro Rimac, que em julho de 1940 embarcou no vapor Uruguai, levando-a para cumprir um contrato de seis meses. Ficou nos E.U.A. até 1949, e nos três anos seguintes, percorreu a Espanha e Portugal, apresentando-se no Cassino Estoril.

Em novembro de 1953 regressou ao Brasil, sendo contratada pela Rádio Nacional para fazer o programa Gente que Brilha, de Paulo Roberto. Em seguida atuou esporadicamente em televisão e rádio, no Rio de Janeiro e em São Paulo, tendo também gravado na Polydor.


Fonte: Enciclopédia da Música Brasileira - Art Editora e Publifolha, SP, 1998.

quarta-feira, 9 de agosto de 2006

A-b-surdo

A-b-surdo (marcha, 1931) - Lamartine Babo e Noel Rosa - Intérpretes: Noel Rosa, Lamartine Babo e Olga Jacobino

Disco 78 rpm / Título da música: A-b-surdo / Autoria: Babo, Lamartine, 1904-1963 (Compositor) / Rosa, Noel, 1910-1937 (Compositor) / Jacobino, Olga (Intérprete) / Babo, Lamartine, 1904-1963 (Intérprete) / Rosa, Noel, 1910-1937 (Intérprete) / Imprenta [S.l.]: Odeon, 1931 / Nº Álbum 13273 / Lado A / Gênero musical: Marcha.


Intr.:(C7  F  Fm/Ab  C/G  A7  D7  G7  C) 2 Vezes

         G7                         C
Nasci na Praia do Vizinho oitenta e seis
             G7                C
Vai fazer um mês (Vai fazer um mês)
        G7                         C
A minha tia me emprestou cinco mil-réis
               G7                   C
Pra comprar pastéis (Pra comprar pastéis)

      E7                   Am
É futurismo, menina, É futurismo, menina
           C            D7      G7    C
Pois não é marcha, nem aqui nem lá na China
      E7                   Am
É futurismo, menina, É futurismo, menina
           C            D7      G7    C
Pois não é marcha, nem aqui nem lá na China

Solo.:(F  Fm/Ab  C/G  A7  D7  G7  C  C7
       F  Fm/Ab  C/G  A7  D7  G7  C)

         G7                        C
Depois mudei-me para a Praia do Caju
           G7              C
Para descansar (Para descansar)
       G7                     C
No cemitério toda gente pra viver
            G7               C
Tem que falecer (Tem que falecer)
 
      E7                   Am
É futurismo, menina, É futurismo, menina
           C            D7      G7    C
Pois não é marcha, nem aqui nem lá na China
      E7                   Am
É futurismo, menina, É futurismo, menina
           C            D7      G7    C
Pois não é marcha, nem aqui nem lá na China

Solo.:(F  Fm/Ab  C/G  A7  D7  G7  C  C7
       F  Fm/Ab  C/G  A7  D7  G7  C)

         G7                    C
Seu Dromedário é um poeta de juízo
            G7                 C
É uma coisa louca (É uma coisa louca)
            G7                        C
Pois só faz versos quando a lua vem saindo
             G7                 C
Lá do céu da boca (Lá do céu da boca)

      E7                   Am
É futurismo, menina, É futurismo, menina
           C            D7      G7    C
Pois não é marcha, nem aqui nem lá na China
      E7                   Am
É futurismo, menina, É futurismo, menina
           C            D7      G7    C
Pois não é marcha, nem aqui nem lá na China

domingo, 30 de julho de 2006

Perfídia


Perfídia (bolero, 1939) - Alberto Domínguez - Versão: Lamartine Babo - Interpretação: Alceu Valença

LP Oropa, França E Bahia / Título da música: Perfídia / Alberto Domínguez (Compositor) / Lamartine Babo (Versão) / Alceu Valença (Intérprete) / Gravadora: BMG-Ariola / Ano: 1989 / Nº Álbum: 130.0068 / Lado A / Faixa 4 / Gênero musical: Bolero / Obs.: Gravado ao vivo no Scala - Rio de Janeiro, nos dias 11 a 14 de agosto de 1988.


    C    Am  Dm
TE AMEI,
   G              C      Am    Dm
COMO NINGUÉM TE AMOU, QUERIDA
   G         C        Am            
DE TI O MENOR GESTO ADOREI
     Dm              E     G
ESQUECIDO DA PRÓPRIA VIDA
    C   Am  Dm
PERFÍDIA,
   G                    C       Am    Dm
MANDASTE EM TROCA E EU NÃO ESQUECI
    G             C          Am   Dm  
DAS ROSAS, DAS ORQUÍDEAS, DAS VIOLETAS
              E
QUE EU DAVA À TI
     F                
DISTRAIDA NO AMBIENTE LUXUOSO
                E
QUE TU SEMPRE VIVIAS 
       F                                 
TU DEIXASTES QUE MURCHASTES MINHAS FLORES
                 E     G
MEU BUQUÊ DE FANTASIAS
   C  Am  Dm
E AGORA,
     G            C     Am  Dm
QUE ADORAS À QUEM TE MAGOAS
    G        C          Am     
PERDOAS PELO BEM QUE TE FIZ
    Dm       G    C
PERDOAS E SERÁS FELIZ

sexta-feira, 23 de junho de 2006

Chegou a Hora da Fogueira

Ao contrário dos balões - que, mesmo proibidos, continuam subindo -, as marchas juninas desapareceram do repertório musical. Mas, para animar os festejos dos três santos (Pedro, Antônio e João), restaram os clássicos, na maioria lançados na década de 1930, que eram assinados por compositores como João de Barro, Alberto Ribeiro, Benedito Lacerda, Ary Barroso e Lamartine Babo, este último o mais prolífico no gênero.

Dele é "Chegou a Hora da Fogueira" ("Chegou a hora da fogueira / é noite de São João..."), gravado inicialmente pela dupla Carmen Miranda e Mário Reis, sustentada por um arranjo excepcional de Pixinguinha (Fonte: A Canção no Tempo - 85 Anos de Músicas Brasileiras, Vol 1: 1901-1957 / Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello. - São Paulo: Ed. 34, 1997).

Chegou a Hora da Fogueira (marcha, 1933) - Lamartine Babo - Intérpretes: Carmen Miranda e Mário Reis

Disco 78 rpm / Título da música: Chegou a Hora da Fogueira / Lamartine Babo (Compositor) / Carmen Miranda (Intérprete) / Mário Reis (Intérprete) / Gravadora: Victor / Ano: 1933 / Nº Álbum: 33.671-A / Lado A / Gênero musical: Marcha junina.


Tom: D  

D                 C
Chegou a hora da fogueira
G7              C
É noite de São João

O céu fica todo iluminado
D
Fica o céu todo estrelado
                C
Pintadinho de balão..
A7
Pensando na cabocla a noite inteira
D                                A7    D
também fiz uma fogueira dentro do meu coração..


A7                            D
Quando eu era pequenino de pé no chão
C                               D
Eu cortava papel fino pra fazer balão..
A7                                       D
E o balão ia subindo lá no azul da imensidão..

A7                                     D
Hoje em dia o meu destino não vive em paz..
 C                                 
O balão de papel fino
 A7         D
já não sobe mais..
A7            D     
O balão da ilusão
         D7    A7    D
levou pedra e foi ao chão...

quinta-feira, 18 de maio de 2006

Hino do Vasco da Gama

Hino do Vasco da Gama (marcha, 1943) - Lamartine Babo

LP Orquestra e Coro Cid ‎– Hinos dos Campeões / Título da música: Hino do Vasco da Gama / Lamartine Babo (Compositor) / Coro (Acomp.) / Orquestra (Acomp.) / Gravadora: CID / Ano: 1977 / Lado A / Faixa 4 / Gênero musical: Hino.



Tom: G
Intro: C G A7 D7 G D7

-----G------------ D7 ----------G------ G7
Vamos todos cantar de coração
--------------C---- E ------------Am
A cruz de malta é o meu pendão
Tu tens o nome do heróico português
---------------D7-------- C----------- G
Vasco da Gama sua fama assim se fez
-----------E
Tua imensa torcida é bem feliz
-------------------------------Am
Norte sul Norte sul deste Brasil
-------C---- A7 ----G -----Am ----D7 -------G
Tua estrela na terra a brilhar ilumina o mar

---------G------------- Am----- D7--------- G
No atletismo és um braço, no remo és imortal
----------------------D7-------- G ----D7------- G
No futebol és um traço de união Brasil-Portugal

Hino do Fluminense

Hino do Fluminense (marcha, 1943) - Lamartine Babo

LP Orquestra e Coro Cid ‎– Hinos dos Campeões / Título da música: Hino do Fluminense / Lamartine Babo (Compositor) / Coro (Acomp.) / Orquestra (Acomp.) / Gravadora: CID / Ano: 1977 / Lado A / Faixa 2 / Gênero musical: Hino.


Tom: C 

Intro: Am A7 Dm G G7 C
       Bb Am Bm5-/7 E7 Am

Am       Bm5-/7         E7
Sou tricolor de coração
                     Am
Sou do clube tantas vezes campeão
   Em5-/7    A7         Dm
Fascina pela sua disciplina
                    Am
O Fluminense me domina
   Bm5-/7              E7
Eu tenho amor ao tricolor
 Am         Bm5-/7       E7
Salve o querido pavilhão
                       Am
Das três cores que traduzem tradição
  Em5-/7       A7         Dm
A paz, a esperança e o vigor unido e forte
         Am
Pelo esporte
   E7          Am
Eu sou é tricolor
G7                        C                 E7
Vence o Fluminense com o verde da esperança
                          A7
Pois quem espera sempre alcança
Dm                     Am
Clube que orgulha o Brasil
              Bm5-/7       E7     Am
Retumbante de glórias e vitórias mil
  Am
Sou tricolor ...