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sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Elpídio dos Santos

Elpídio dos Santos (São Luís do Paraitinga, SP 14/01/1909 — idem 03/09/1970), compositor, escultor e poeta, nasceu em uma família de músicos e artesãos. Durante a infância participou de uma banda regida pelo pai e, autodidata, aperfeiçoou-se no violão, compondo suas primeiras músicas.

Foi para São Paulo onde estudou no Conservatório Paulista de Canto Orfeônico. Escolheu o violão como instrumento que o acompanharia por toda a vida. Foi professor de música, autor de uma extensa obra com inúmeros sucessos gravados por artistas como  Almir Sater e Sérgio Reis, Fafá de Belém, Vanuza, Cascatinha e Inhana, Renato Teixeira entre outros.

No cinema foi o compositor preferido de Amácio Mazzaropi, criando 25 trilhas para filmes do cineasta.

Suas músicas fizeram parte da trilha sonora das novelas: Cabocla (Rede Globo), Rei do Gado (Rede Globo), Pantanal (TV Manchete/SBT) e Meu Pé de Laranja Lima (Band).

Embora seja conhecido como compositor de música caipira, sua obra conta com vários gêneros musicais como valsa, samba, choro, etc.

Em 1952 grava a primeira canção (A cruz de ferro) em parceria com os amigos e compositores Anacleto Rosa Junior e Patativa, contando a lenda da cruz de ferro em Ubatuba.

Logo depois, em 1955, a gravadora Toda América lança mais uma composição de Elpídio dos Santos: Despertar do Sertão, interpretada por Cascatinha e Inhana, uma conhecida dupla da música popular na época e que foi a primeira canção brasileira tocada na rádio BBC de Londres.

Novamente sua música é tocada nas rádios, seu nome começa então a ser citado nos jornais da época e a partir dali uma série de composições são gravadas por vários interpretes diferentes, entre eles: Amilton, Cascatinha Inhana, Dircinha Costa, Duo Brasil Moreno, Elza Laranjeira, Irmãs Galvão, José Tobias, Laurinha, Mary do Arte, Mazzaropi, Mires de Oliveira, Nei de Fraga, Pinheirinho, Titulares do Ritmo, e recentemente foi gravado por Renato Teixeira, Almir Sater, Fafá de Belém e Sérgio Reis, entre outros.

Esses intérpretes tornaram conhecidas as músicas como: Você vai gostar (Lá no pé da serra); A mulher do canoeiro; Chegadinho chegadinho; Lua na roça; Bandinha do interior; Despertar do Sertão (primeira música brasileira tocada na rádio BBC de Londres); Milagre de São Benedito; Desce a noite; Não sei chorar; Cai sereno; Velho moinho; Namoro antigo; entre outras.

A amizade com Mazzaropi

Elpídio era o compositor preferido de Amácio Mazzaropi, sempre convidado para criar as músicas específicas de cada filme e que seriam cantadas pelo próprio artista. A amizade surgiu quando Mazza veio para a região com um circo quadrado bem velho e chovia muito.

Procuraram o Elpídio e disseram que este homem estava a perigo e não tinha dinheiro para pagar músicos. Então Elpídio foi ajudá-lo e disse-lhe que tocaria sem cobrar nada. Mazza nunca esqueceu e reconheceu o talento de Elpídio. Assim surgiu uma grande parceria e amizade que duraria até o fim da vida de Elpídio dos Santos.

Em 1970 Elpídio dos Santos morre. No ano subsequente, Amácio Mazzaropi retorna à casa de Cinira para fazer um apelo: que um de seus jovens filhos tentasse fazer a música para seu novo filme e não deixassem assim, cessar aquela parceria.

Passados alguns anos, Amácio Mazzaropi grava a música “Despertar do Sertão” e a parceria com o velho amigo continua mesmo após sua morte.

Ao todo foram vinte e cinco canções de Elpídio dos Santos gravadas por Amácio Mazzaropi.

Elpídio deixou uma extensa obra composta de mais de mil músicas, várias peças de escultura, poemas e desenhos.

Fontes: Wikipédia; Museu Mazzaropi: Biografia de Elpidio dos Santos; Elpídio dos Santos - 100 anos; Terra Paulista: Artes: Música: Cantores e Compositores.

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

Despertar do Sertão

Elpídio dos Santos
 Despertar do Sertão (canção, 1955) - Elpídio dos Santos e Pádua Muniz

A barulheira incessante da cascata
Um sabiá cantando alegre lá na mata
O sol que nasce por de trás do verde monte
Unindo a terra com o céu, no horizonte
A natureza sempre alegre e tão festiva
Num prazer ruidoso, comunicativa
O arvoredo com a música dos ninhos
Forma um poema à beira dos caminhos.

Ai, ai, ai
Mas como é lindo o despertar do meu sertão
Ai, ai, ai,
Benção Nhá Mãe, Benção Nhô Pai,
Bom dia irmão!

Já é manhã, as aves enamoradas
Falam de amores no alto das ramadas
O caboclo, ligeiro deixa a palhoça
Pega na enxada e vai cuidar da sua roça
A caboclinha tão bonita, um coração
Corre toda aflita cuidar da criação
Tudo se agita em doce harmonia
Assim no meu sertão começa um novo dia.

Ai, ai, ai
Mas como é lindo o despertar do meu sertão
Ai, ai, ai
Benção Nhá Mãe, Benção Nhô Pai
Bom dia irmão!

sábado, 1 de agosto de 2009

Duo Brasil Moreno

Duo Brasil Moreno - Dupla sertaneja formada pelas irmãs Dora (Dora de Paula, Guariba-SP 1917-) e Didi (Antônia Glória de Paula, Guariba-SP 1924-). As irmãs foram criadas na cidade de Cambará (PR), com mais dois irmãos.

Começaram a cantar no coral da Igreja Santa Cecília em Cambará, juntamente com os irmãos. Em 1940, a família mudou-se para São Paulo. Dora e Didi formaram com os irmãos o Quarteto Brasil Moreno. Passam a se apresentar em programas de calouros das rádios Record e Cultura. O quarteto virou Trio Brasil Moreno, quando o irmão foi chamado para o serviço militar. O trio continuou a participar de programas de calouros.

Em 1943, ao tirarem o primeiro lugar no programa de Otávio Gabus Mendes e Geraldo Mendonça, são convidados a assinar contrato com a PRB-9. Em 1951, o trio transformou-se no Duo Brasil Moreno, com a saída da irmã (Helena), que abandonou a carreira artística para se casar. O Duo Brasil Moreno teve inúmeras participações em programas radiofônicos, inclusive no programa História da Música, na Rádio Record, produzido e apresentado por Almirante.

Em 1952, a dupla gravou seu primeiro 78rpm, pela Star, subsidiária da Copacabana. O disco incluía as canções Chalana, de Mário Zan e Arlindo Pinto, e Abandonada de Mário Zan e Palmeira. Graças ao sucesso alcançado, especialmente com o rasqueado Chalana, vários discos se seguiram.

Em 1961 lançaram pela Chantecler a guarânia Último adeus, de Luiz de Castro e o bolero Bis para o amor, de José Bettio e Roberto Stanganelli. No mesmo ano gravaram na Sertanejo o rasqueado Pedaço de coração, de Elpídeo dos Santos em parceria com a dupla e o xote China morena, de Raul Torres e Sebastião Teixeira. Posteriormente lançaram, pela Copacabana, seu primeiro LP, com o qual colecionaram sucessos como Natal no sertão, de Palmeira e Mário Zan, Campo Grande, de Raul Torres, Canção do trolinho, de Hervé Cordovil , e Flor de Tupã, de Mário Zan e Palmeira.

A dupla gravou também, pela Copacabana, várias versões, lançadas em 78rpm. Fizeram , entre outros, um programa na Rádio Record, todas as segundas-feiras, que aconteceu por 16 anos. Atuou em diversas emissoras de televisão de São Paulo e excursionou por vários estados. Em 1974, o Duo Brasil Moreno gravou um LP, de repertório exclusivamente sertanejo, acompanhado de toda a família.

Fontes: Encilopédia da Música Brasileira - Art Editora; Dicionario Cravo Albin de Musica Popular Brasileira.

Duo Ciriema


Duo Ciriema - Dupla sertaneja formada por Aparecida Martins Batista (Franca-SP 1940-) e Irene Lopes (Franca-SP 1941-). Iniciaram carreira em 1960, cantando no programa Alvorada Cabocla, da Rádio Nacional, de São Paulo, e um ano depois estreava em disco com Não beba mais não (Jeca Mineiro e Orlandinho).

Sempre acompanhadas pelo acordeonista e compositor Orlandinho, a dupla atuou em várias emissoras de rádio paulistas, como a Nacional, América, Bandeirantes e Piratininga. Passou então a excursionar pelo Norte deo país, onde fez grande sucesso, seguindo depois para o Nordeste - Bahia, Sergipe, Alagoas, Paraíba, Ceará e Rio Grande do Norte.

Em 1962 gravou na RCA seu primeiro LP, em que se destacaram o rasqueado Ciriema (Nhô Pai e Mário Zan) e Não bebas mais (Nísio), lançando pouco depois outro LP, que incluiu, entre outros, Lencinho de nhanduti (Piraci e Nhô Fio), música de grande sucesso até em Assunção, Paraguai, onde o duo cumpriu temporada em 1964. Do Paraguai trouxe u7ma composição do embaixador e escritor Mario Palmério, a guarânia Saudade, de expressivo êxito.

Ne4ssa época a dupla afastou-se da vida artística, só retornando em 1972 quando gravou na Continental os sucessos Chitãozinho e chororó (Serrinha e Atos Campos), Como era bom aquele tempo (César e Cirus), Rogo ao Senhor (J. K. Filho e Miguel da Portela) e Hei de vencer (Juvenal Fernandes e Capitão Furtado).

No ano seguinte, pela mesma gravadora, o duo lançou novo LP, em que foi incluída a guarânia Saudade, só então levada a disco, e Não bebas mais não, seu primeiro sucesso, que deu título ao disco, além de Mensagem de esperança (Capitão Furtado e João Pacífico), tema da novela escrita por Capitão Furtado com o mesmo título.

Em 1975 gravou outro disco, pela Copacabana, em que se destacaram Onde tu irás sem mim (J K. Filho e Zito Bertinato) e Vivo chorando, chorando (Everaldo Ferraz e Sílvia Boanato).

O duo encerrou definitivamente suas atividades no final de da década de 1970.

Fonte: Enciclopédia da Música Brasileira - Art Editora - PubliFolha.

Irmãs Castro

Irmãs Castro - Dupla sertaneja formada por Maria de Jesus Castro (Itapeva/SP, 1926) e Lourdes Amaral Castro (Bauru/SP, 1928).

Em 1938, Maria de Jesus e Lourdes Amaral participaram escondidas dos pais do concurso Descobrindo Astros do Futuro, em Bauru (SP). Venceram o concurso e continuaram a cantar músicas em inglês numa rádio local.

A carreira profissional da dupla teve início quando Nhô Pai as viu cantando e gostou do duo perfeito das vozes. Nhô Pai pediu então autorização aos pais de Maria de Jesus e Lourdes Amaral para ensiná-las o gênero sertanejo.

No início dos anos 1940, receberam convite para cantar no Rio de Janeiro. Devido à idade, tiveram que falsificar as certidões de nascimento para poder cantar em cassinos.

Na Capital Federal cantaram nas Rádios Tupi, Globo, Mayrink Veiga. Em São Paulo atuaram nas rádios Cultura, Tupi e Bandeirantes. Em 1944, gravaram seu primeiro disco, interpretando o corrido Não me escrevas, de Gabriel Ruiz e Nhô Pai, e o rasqueado Che cabu (Vem cá), de Nhô Pai. No ano seguinte, gravaram novo disco contendo o valseado Faz um ano, de F. Valdez Leal e Nhô Pai, e o corrido Beijinho doce, de Nhô Pai, que se tornaria o maior sucesso da dupla e um dos clássicos da música sertaneja.

Com o sucesso obtido com a gravação de Beijinho doce, as Irmãs Castro tornaram-se estrelas. Seus discos começaram a vender em grandes quantidades. Em 1945, gravaram Sou roceira, chamego de Cuates Castilla e Ariovaldo Pires, e a valsa Cidade morena, de Nhô Pai e Riellinho.

Em 1947, gravaram Noites do Paraguai, guarânia de S. Aguayo, com versão de Ariovaldo Pires, uma das muitas versões de canções paraguaias e mexicanas que a dupla gravou. No mesmo disco estava o rasqueado Ciriema, de Nhô Pai e Mário Zan, outro de seus grandes sucessos. Com o sucesso que estavam obtendo, passaram a receber vários convites. Apresentaram-se em circos e rádios por todo o Brasil. Cantaram também em diversos países da América Latina, tais como Paraguai, Uruguai e Argentina.

Em 1956, gravaram a guarânia Luar de Aquidauana, de Anacleto Rosas Jr. e Zacarias Mourão. Por essa época fizeram excursão ao Paraguai para se apresentar por uma semana no Teatro Vitória, o maior de Assunção. Acabaram ficando um mês, sendo transferidas em seguida para o Teatro Municipal, já que o conjunto americano The Platters iria se apresentar no Vitória. The Platters teve que esperar a transferência das irmãs Castro e ficou com lotação pequena enquanto as duas estiveram em Assunção. De retorno ao Brasil, vieram em avião cedido pelo governo daquele país. No Paraguai fizeram sucesso principalmente com Che Yara porã tupy, de Ariovaldo Pires e Riellinho, e Che china mi, de Antônio Cardoso e Ariovaldo Pires.

Em 1974, lançaram um LP pela Chantecler, quando regravaram antigos sucessos como Beijinho doce, além de outras músicas, como Pelejo pra te deixar, de Biá e Gauchito. Em 1984, participaram do programa Viola minha viola, na TV Cultura de São Paulo.

Dissolvida em 1985, foi a primeira dupla feminina a gravar música sertaneja.

Fontes: Enciclopédia da Música Brasileira - Art Editora e PubliFolha; http://www.radioterra.fm.br/artistas/?id=51

quinta-feira, 16 de abril de 2009

Trio Parada Dura


Trio sertanejo. Foi criado pelo cantor, compositor e instrumentista Mangabinha (Carlos Alberto Mangabinha Ribeiro - Corinto, MG - 1942) em 1973 e contou inicialmente com as participações de Delmir e Delmon. Com essa formação inicial, o trio durou dois anos e lançou três discos pela gravadora Chororó.

Em 1975, o trio sofreu alteração em sua formação com as saídas de Delmir e Delmon e com as entradas do cantor e violeiro Barrerito (Élcio Neves Borge - São Fidélis, RJ - 1942 - Belo Horizonte, MG - 1998) e de Benzito. No mesmo ano lançaram o LP Castelo de amor.

Em 1976, lançaram o LP Mineiro não perde o trem. Até 1987, o Trio gravou cerca de 10 discos pelas gravadoras Chororó e Copacabana. Nesse período foram sucesso nas vozes do Trio as composições Bobeou a gente pimba, As andorinhas, Soca pilão, Uma vez por mês e Panela velha, entre outras.

Em 1982, o Trio sofreu um acidente de avião que deixou paralítico o componente Barrerito, que acabou por deixar o grupo, sendo substituído pelo irmão Parrerito.

Em 1991, lançaram LP pela Chantecler, com destaque para as composições Palavra de honra, de Ronaldo Adriano, Benedito Seviero e Rosa Quadros, Trovão azul", de Alcino Alves, Rossi e Mangabinha, Não aceito seu adeus, de Ronaldo Adriano e Mangabinha, "Tá comigo tá com Deus", de José Fortuna, Paraíso e Creone e Filho do sertão, de Ronaldo Adriano e Mangabinha, entre outros.

O grupo permaneceu atuando até 1992, quando se desfez. Em 1997, o Trio retomou as atividades com uma nova formação.

Em 1999, lançaram o CD Trio Parada Dura pela gravadora Atração Fonográfica, com destaque para as composições Toda noite eu dava uma, Golpe da gemedeira e a regravação de As andorinhas. No mesmo ano, a gravadora EMI lançou dentro da série Raízes sertanejas um CD com 20 sucessos do Trio.

quarta-feira, 15 de abril de 2009

Carreirinho

Carreirinho (Adauto Ezequiel), cantor e compositor, nasceu em Bofete-SP, em 21/10/1921. Aos sete anos cantou uma modinha de sua autoria numa comemoração escolar de fim de ano, recebendo de presente uma viola. A partir de então, passou a apresentar-se em festinhas, cantando e tocando.

Em 1946 estreou profissionalmente ao lado de Ferraz, atuando nos circos que passavam pela cidade de Sorocaba SP. Seguiu depois para São Paulo SP, onde se apresentou na Rádio América. Mais tarde, transferiu-se para a Rádio Record, ali atuando com novo parceiro, o investigador de polícia José Stramandinoli (Zé Pinhão), com quem formou a dupla Zé Pinhão e Pinheiro, que passou a participar do programa Sítio do Bicho-de-Pé até 1947, ano em que se separaram.

Nessa época, propôs parceria a Lúcio Rodrigues, que cantava com Fortaleza. Formaram então uma dupla cujo nome foi escolhido em concurso popular entre os ouvintes da Rádio Record: Zé Carreiro(Lúcio) e Carreirinho (Adauto).

Em 1950 Tonico e Tinoco, que eram contratados da Continental, se interessaram pelo cururu O canoeiro (Zé Carreiro), música que vinha marcando as apresentações da dupla iniciante. Mediante acordo com o diretor da gravadora, consentiram na gravação de Tonico e Tinoco, conseguindo em troca gravar o primeiro disco, com O canoeiro e Ferreirinha (de sua autoria). O sucesso desse lançamento levou a fábrica a contratá-los.

Seis anos depois, a dupla lançou, pela Copacabana, Crianças do meu Brasil (com José Fortuna) e Jamais seremos esquecidos (de autoria da dupla), e, no ano seguinte, pela Victor, Sinhá Maria, versão sertaneja da composição de René Bittencourt do mesmo nome, e Buquê de flor (da dupla).

Em 1958, depois de dez anos de atuação na Rádio Record e de gravar diversos discos, Zé Carreiro teve de se afastar da vida artística por surdez. Formou, então, com José Dias Nunes, nova dupla, Tião Carreiro e Carreirinho, que gravou em 1958, pela Continental, Rei do gado (Teddy Vieira), Mariposa do amor (Canhotinho e Torrinha), Pirangueiro e Saudade de Araraquara (ambas de Zé Carreiro), e Despedida de solteiro (com Zé Fortuna). Depois a dupla gravou pela RCA algumas composições de gênero mais sentimental, com Madalena, O beijo (ambas de sua autoria) e Esqueça a sua Maria (Raul Torres e João Pacífico).

Em 1962 lançou, com Zé Carreiro, pelo selo sertanejo da Chantecler Meu carro e minha viola (com Mozart Novais), faixa que deu nome ao LP, Boi cigano (Tião Carreiro e Pião Carreiro) e Terra roxa (Teddy Vieira), entre outras. No mesmo ano, apareceu num LP lançado pela Chantecler em homenagem à antiga dupla com Zé Carreiro, relembrando sucessos como Canoeiro, Ferreirinha e Pirangueiro (Zé Carreiro).

Afastando-se de São Paulo, só voltou a gravar mais tarde, com sua nova parceira na dupla Carreirinho e Zita Carreiro (Iracema Soares Gama), que lançou pela Continental, no selo Cartaz, Flor de minha vida (com Zé Matão), Saudade (com Caboclo), Encontro fatal (com J. Vicente), Vem meu amor (com J. Vasco) e Mundo vazio (com Pardinho).

Em 1974, a nova dupla gravou na Chantecler um pot-pourri intitulado Recordando Zé Carreiro, além de outras músicas, como Deus é meu guia (com Zuza), Saudade do nosso amor (Teddy Vieira e Tião Carreiro), Rincão de nossa terra (sua autoria), Cão fiel (Zé Godói e Biguá), Tormento da noite (Cafezinho e Nhô Juca). No ano seguinte, a dupla gravou na Carmona, Formigueiro de gente e Policena, além de Palhaço (com Miguel Santiago), em homenagem aos palhaços.

Em 1979 a Secretaria de Cultura da prefeitura de São Paulo homenageou a dupla com uma festa realizada no ginásio de esportes do Sport Club Corinthians Paulista; em 1980, em Curitiba PR, receberam uma placa de Honra ao Mérito dos artistas paranaenses.

Fonte: Enciclopédia da Música Brasileira - erudita, folclórica e popular. São Paulo, Art Ed., 1977. 3p.

quinta-feira, 1 de janeiro de 2009

Canário e Passarinho

A dupla sertaneja Canário e Passarinho era formada pelos irmãos Antônio Bérgamo, o Canário (Altinópolis SP 1934-) e Pedro Bérgamo, o Passarinho (Altinópolis SP 1936-). Trabalharam inicialmente na lavoura, cantando em festas na escola.

Em 1959, com o nome de Canário e Canarinho, participaram das eliminatórias do segundo torneio Roda de Violeiros, na Rádio Clube de Orlândia SP, obtendo sucesso.

Viajaram depois para São Paulo - onde Canarinho adotou o nome de Passarinho -, começando a trabalhar como faxineiros de hotel, participando em seguida do prograama Alvorada Cabocla, de Nhô Zé, na Rádio Nacional.

Em 1961, a dupla foi aprovada num teste da Chantecler, gravando seu primeiro disco, Adeus (Aparecido Ferreira e Canário) e Romaria trágica (Anacleto Rosas Júnior).

Dois anos depois, a dupla gravou seu primeiro LP na Continental, destacando-se Gaiola de ouro (da dupla) e Eu, ela e o garçom (José Ferreira e Canário).

Em 1967, o LP Cantando para o Brasil (Chantecler) trouxe Folclore brasileiro, Filho de Maria e Vida de artista, entre outras. No ano seguinte, o LP Caneta de ouro (Chantecler), incluiu Mulher do Juca e Dois italianos.

O LP de 1970 foi Canário e Passarinho, prá frente (Chantecler), com Herói vencido e Vá embora tristeza. Em 1981 veio o LP Arapuca (Chantecler), com Moreninha do Paraná e Não amo ninguém.

Já gravaram 8 discos 78 rpm, 9 compactos duplos, 39 LPs e 2 CDs de relançamentos, além de participações em LPs e CDs mistos. Por um período, gravavam seus programas, em estúdio próprio e enviavam para rádios de diferentes pontos do País.

A dupla, que se consolidou como um dos grandes nomes da música sertaneja "de raiz", se mantém até hoje, mas apenas para eventos especiais.

Fonte: Enciclopédia da Música Brasileira - Art Editora e publiFolha.

terça-feira, 2 de dezembro de 2008

Barnabé

Barnabé (João Ferreira de Melo), cantor e compositor (Botelhos MG, 08/12/1932 - São Paulo SP, 13/09/1968), criado no Paraná, trabalhou na roça e na construção de estradas.

Ainda adolescente, juntou-se aos artistas de um parque de diversões, apresentando-se em circos e cinemas como Nhô Peroba, que tocava violão e contava piadas. Levado para São Paulo pela dupla Tonico e Tinoco, passou a participar dos programas de rádio Na Beira da Tuia e Peru que Fala.

Gravou seu primeiro disco como Barnabé em 1965, na Continental, obtendo sucesso imediato. Seu humor ingênuo e espontâneo, misturando piadas e músicas caipiras bem-humoradas, como Sanfona da véia (Brinquinho e Brioso), Casamento do Barnabé (Capitão Furtado), O esculhambeque (paródia do sucesso da Jovem Guarda O calhambeque), rendeu ainda mais três LPs antes de sua morte, em 1968.

A partir de 1970, seu irmão caçula, José Ferreira de Melo (Ribeirão do Pinhal PR, 09/12/1949) passou a usar o mesmo nome artístico e lançou ainda nesse ano seu primeiro disco pela Continental. Nessa gravadora, o segundo Barnabé gravou mais de oito LPs e, entre suas composições, estão Bailinho bom (com Palmar) e Ponto negro (com M. Nascimento), sucesso de Chitãozinho e Xororó.

Publicou três livros de piadas editados pela Luzero. Na década de 90 continuou viajando por todo o Brasil e apresentando seus shows em circos, praças e rodeios.

Fonte: Enciclopédia da Música Brasileira - Art Editora e PubliFolha.

terça-feira, 2 de setembro de 2008

Célia e Celma

A dupla sertaneja Célia (Célia Mazzei - Ubá, MG - 2/11/1952) e Celma (Celma Mazzei - Ubá, MG - 2/11/1952), irmãs gêmeas, começaram a cantar ainda crianças. O pai era fotógrafo profissional e nas horas vagas tocava bombardino numa banda da cidade de Ubá.

Aos cinco anos de idade começaram a cantar no rádio e em circos da cidade. Participaram de festas típicas e religiosas, foram coroadeiras de Nossa Senhora, e pelas ruas da pequena cidade acompanhavam os irmãos mais velhos em tradicionais serenatas. Estudaram música no Rio de Janeiro e se diplomaram pelo Instituto Villa-Lobos. Paralelamente começaram a cantar,como profissionais,em orquestras de baile.

Em 1975, viajaram ao Japão e, na casa Saci Pererê, se apresentaram por seis meses cantando música brasileira. Em 1990 participaram da novela Ana Raio e Zé Trovão, da TV Manchete, na qual foram as personagens Luminada e Luminosa. Em 1995, receberam do governo de Minas Gerais o título Embaixador do Centenário, pelo trabalho em prol da cultura do estado.

Celia e Celma já dividiram o palco com grandes nomes, como Cauby Peixoto, Emílio Santiago e até mesmo com o ministro da cultura, Gilberto Gil, cantando Aquarela do Brasil no centenário de Ary Barroso, em 2003, no Palácio do Planalto.
Produzem, dirigem e apresentam o programa Celia & Celma, no Canal Rural, desde abril de 1998, espaço aberto para a música de raiz e o folclore brasileiro. São autoras dos livros A cozinha caipira de Celia & Celma, Nova Fronteira, 1994, e Por todos os cantos, Ibrasa, 2004, com prefácio do jornalista Sérgio Cabral e apresentação do vice-presidente da república, José Alencar Gomes da Silva.

Também tiveram participação, cantando em cena, em O viajante, filme de Paulo César Sarraceni, de 1998, e atuaram no documentário Carrego comigo, de Chico Teixeira, de 2002. Participaram ainda do programa Meu Cunhado, no SBT, em 2004, ao lado do comediante Ronald Golias.
Discografia
Pilantrália (c/Carlos Imperial e a Turma da Pesada), 1970, Odeon LP; O coelhinho e o ratinho. Célia e Celma para o público infantil, 1970, Odeon Cs; Portela e Dó ré mi fá (Turma da Pesada), 1971, Odeon Cs; Cabo Frio devagar, 1971, Continental Cs; Procurando tu (Turma da Pesada), 1972, CID Cs; Célia e Celma. Vem quente que eu estou fervendo, 1978, Continental Cs; Célia e Celma, 1987, 3M LP; Na cozinha caipira de Célia e Celma, 1996, CD; Ary Mineiro (Revivendo), 1998, CD; Caipirarte, 1999, CPC-Umes CD.
Fontes: Senac-SP; Dicionário Cravo Albin da MPB.

Campanha e Cuiabano

Antônio Campanha (Campanha) nasceu em Monte Alto-SP no dia 05/12/1925; Olívio Campanha (Cuiabano) nasceu também em Monte Alto-SP no dia 05/03/1928 e faleceu em São José do Rio Preto-SP no dia 16/06/1981.

Antônio iniciou sua carreira musical ainda criança, com apenas 12 anos de idade, quando formou dupla com seu irmão mais velho Augusto Campanha, que era considerado excelente cantor e violeiro, na época. Integrou com alguma regularidade a dupla Campanha e Angelim e, quando já contava com seus 20 anos, Antônio venceu um concurso de cantadores na região e integrou também a dupla Campanha e Paulista.

Junto com seu irmão Olívio, Antônio chegou tocar em alguns circos em São José do Rio Preto-SP. A dupla com Olívio foi formada nessa época, no ano de 1948, ocasião na qual começaram cantando na Rádio PRB-8 de São José do Rio Preto-SP. A nova dupla costumava se apresentar com o nome de "Irmãos Campanha" e também como "Campanha e Seu Ir mão".

No ano de 1952, Antônio e Olívio seguiram para a capital paulista onde fizeram um teste na Rádio Nacional, com o diretor Costa Lima. Foram aprovados e se apresentaram durante vários anos nessa famosa emissora paulistana. Antes disso, os dois irmãos estiveram pertinho de fechar o contrato com a extinta Rádio Tupi, mas acabaram, de última hora, perdendo a vaga para a dupla Palmeira e Luizinho. Foi por sujestão dos compositores Arlindo Pinto e Anacleto Rosas Jr. que Antônio e Olívio acabaram adotando para a dupla o nome artístico de "Campanha e Cuiabano", apesar de Olívio não ter nascido em Cuiabá.

De acordo com Ayrton Mugnaini Jr. em seu livro Enciclopédia das Músicas Sertanejas e também no encarte do CD da dupla na Série Luar do Sertão lançada pela BMG, "...numa reunião de amigos, incluindo Arlindo Pinto e Anacleto Rosas Jr., comentou-se que 'Irmãos Campanha' não era um bom nome, por ser pouco marcante, não destacando um ou outro integrante da dupla. Perguntou-se quem mais se destacava; era Antônio, o compositor. Então ele ficou sendo o Campanha. Faltava um nome marcante para seu irmão; e o escolhido foi Cuiabano, por ser sonoro e ainda não ter sido usado por qualquer outra dupla vocal..."

O primeiro disco 78 RPM de Campanha e Cuiabano foi gravado no ano de 1953, com o cururu Barra Bonita (Arlindo Pinto - Priminho) e a moda campeira Pião Vira-Mundo (Campanha - Benedito Seviero). No ano seguinte, Campanha e Cuiabano conheceram o acordeonista Célio Cassiano Chagas, o Celinho, de Conceição das Alagoas-MG, que se juntou à dupla e os acompanhou durante alguns anos, porém, somente em apresentações ao vivo.

A partir de 1960, Celinho passou a acompanhar a dupla Pedro Bento e Zé da Estrada, com quem se apresenta até os dias atuais. Campanha e Cuiabano também foram acompanhados em algumas gravações pelo acordeonista Pirigoso. Foi no ano de 1957, que Campanha e Cuiabano gravaram pela primeira vez Meu passarinho (Campanha - Zé Rosa) , sem dúvida, o maior sucesso da dupla.

Também merecem destaque outras belíssimas interpretações de Campanha e Cuiabano tais como Genuína cana verde (Celinho - Lázaro Franco de Godoy), Novo Castelo (Campanha - Pirigoso), Um berrante na solidão (Ramon Cariz - George AB), Desprezo de amor (Souza - Campanha), Rolinha cabocla (João Pacífico - Raul Torres), Morrendo de saudade (Jane Rossi da Rocha - Cuiabano), Lá na fazenda (Francisco Lacerda - Ricarda Jardim) e Rei da estrada (Quintino Eliseu - Luiz Alves Pereira), apenas para citar algumas.

Apesar de terem gravado na Sinter, Copacabana, RCA, Odeon e Chantecler, a discografia de Campanha e Cuiabano encontra-se quase que totalmente esquecida e praticamente inexistente no comércio, excessão apenas ao CD da série Luar do Sertão que a BMG remasterizou no ano 2000, com belíssimas interpretações bastante representativas da dupla, gravadas entre 1961 e 1963.

Cuiabano, pouco antes do seu falecimento em 1981, chegou a transferir seu nome artístico ao seu outro irmão João Jaime Campanha (nascido em Palestina-SP em 1943 e falecido em São José do Rio Preto-SP em 1999). Campanha ainda chegou a formar uma dupla com o acordeonista Pirigoso com quem gravou o LP Mourão da porteira pela K-Tel em 1981. E em 1983 Campanha chegou a gravar em carreira-solo o LP Baile das cordas pelo selo Laço.

Consta que Campanha trabalha atualmente como empreiteiro na compra e venda de imóveis e também apresenta o seu programa de rádio na Emissora Independência de Mirassol-SP.

Fontes: Boa Música Brasileira; Dicionário Cravo Albin da MPB; Revista Viola Caipira.

Duo Guarujá

Dupla sertaneja formada por Nilsen Ribeiro e Armando Castro. Nilsen começou cantando em festas de amigos, onde impressionava os convidados. Acabou impressionando também a Armando Castro, crooner do grupo Vagalumes do Luar, que era conjunto exclusivo da Rádio Record e da gravadora Continental. Durante um ano fez parte da equipe contratada pela Rádio Farroupilha.

Em 1951, Nilsen e Armando se casaram. Resolveram formar uma dupla adotando o nome artístico de Duo Guarujá, escolhido em concurso. Em 1955, gravaram o primeiro disco cantando a canção italiana Non dimenticare e a guarânia Filha de Maria, de Mário Vieira e Ado Benatti. Fizeram grande sucesso.

Em 1956, recebem o Prêmio Roquette Pinto como o melhor duo vocal. Também naquele período, três músicas suas entraram nas paradas de sucesso. Em 1958, gravaram dois de seus maiores sucessos, o huapango Cucu-rru-cucu Paloma de T. Mendez e Carlos Américo, e a guarânia Cabecinha no ombro, de Paulo Borges. Cabecinha no ombro permaneceu seis meses em primeiro lugar nas paradas e obteve todos os prêmios de música na época. Seu repertório compunha-se predominantemente de boleros.

Em 1960, gravaram o bolero Alguém me disse, de Evaldo Gouveia e Jair Amorim, e a guarânia Serenata suburbana, de Capiba.

Em 1977, fizeram a gravação da música Despedida, de Roberto Carlos. Ao longo da carreira gravaram cerca de 30 discos 78 rpm e 23 Lps.

Fonte: Dicionário Cravo Albin da MPB.

segunda-feira, 4 de agosto de 2008

Biá e Dino Franco

Dupla sertaneja formada por Sebastião Alves da Cunha (Coromandel MG 1927—) e Osvaldo Franco (Paranapanema SP 1936—). Sabiá (Sebastião) era garimpeiro e em 1947 formou, com o irmão Elias e o paulista Alberto Calçada, o Trio Sabiá-Canarinho-Albertinho, que atuou na Rádio Araguari MG até 1950.

Nesse ano os três vieram para São Paulo SP, passando a se apresentar em vários programas, como Hora dos Municípios, de Blota Júnior, na Rádio Record, e Arraial da Curva Torta, do Capitão Furtado, na Rádio Difusora. Depois, Sebastião encurtou seu pseudônimo para Biá e, desfeito o trio, formou dupla com Mariano, gravando em 1951, na Continental, Onde foi você (Euclides Pereira Rangel, o Bolinha) e Pelejo pra te deixar (Biá e Gauchinho). Deixando Mariano, formou outra dupla, em 1952, Palmeira e Biá, atuando durante oito anos.

Em 1961 passou a cantar com o irmão, Sílvio, formando a dupla Biá e Biazinho, que gravou o LP Relíquias sertanejas. Nesse mesmo ano, Dino Franco (Osvaldo), que na época se chamava Piraçununga e era parceiro de Piratininga (Nelson Martins), estreava em disco de 78 rpm com Dança da chula (Arlindo Pinto e Zé Cupido) e Tafuleira (Ado Benatti e Marinho).

Em 1962, Biá gravou um LP em que fazia dueto com sua própria voz, Um cantor em duas vozes, usando o nome de Sid Biá. Lançou ainda um LP no gênero sentimental, Carinho. A dupla Piraçununga e Piratininga gravou para a CBS outro 78 rpm com duas músicas de autoria de Dino Franco, Aventureira e Capricho do destino, esta em parceria com Brás Hernández.

No ano seguinte, a mesma dupla lançou um disco pela Continental, com Cuidado moço (Arlindo Pinto e Zé Cupido) e Somos de alguém (Piraçununga e Piratininga). Com a morte do parceiro em 1964, Piraçununga formou outra dupla, com Belmonte (de Belmonte e Amaraí), gravando na Chantecler A fronha (Belmonte e Anacleto Rosas Júnior) e Coração de fera (de sua autoria).

Em 1965, mudando seu pseudônimo para Junqueira, Piraçununga formou a dupla Junqueira e Juquinha (José Duarte da Costa) e gravou, para a etiqueta Califórnia, Retrato do boi soberano, de sua autoria, e Mineiro não perde o trem (Juquinha e Silveira). Biá, tendo formado nova dupla, Dorinho e Biá, gravou três LPs em 1966, 1967 e 1968. Depois, atuou na Rádio Nacional, de São Paulo, com Biá e seus Batutas, tendo também gravado o LP Os grandes sucessos de Palmeira e Biá, na Continental.

No mesmo ano de 1968, Osvaldo Franco adotou definitivamente o pseudônimo de Dino Franco e gravou como solista o LP em que foi incluída, entre outras músicas, Rincão gaúcho (com Zico), que deu nome ao disco.

Entre 1971 e 1972 excursionou por diversas cidades, tendo composto na época um de seus maiores sucessos, O sertanejo é um forte (com Ari Guardião). Em 1972 foi contratado pela Chantecler como produtor e diretor sertaneja, e ali mesmo na gravadora resolveu formar uma dupla com Biá. A nova dupla lançou vários discos, destacando-se as composições de Dino — Que será de nós (com Nhô Cido), Distante, Travessia do Araguaia (com Décio Santos), Pescador do Iuaí (com Adolfinho), música utilizada como fundo num documentário realizado pela B.B.C. de Londres, Inglaterra, e Cruz do meu rosário. Além dessas, gravou Encontro de poetas (João Pacífico) e A visita (Biá e Silvio Cunha), também com sucesso.

De 1972 até 1979, quando se dissolveu, a dupla ainda gravou seis LPs e teve diversas participações em discos especiais. Enquanto Dino Franco encerrava a carreira, Biá entrou para a Rádio Tupi, de São Paulo, como produtor da unha sertanejapermanecendo até 1980. Transferiu-se para a Rádio Mulher, de São Paulo, produzindo e apresentando o programa Encontro com Biá, que levou, em 1982, para a Rádio Gazeta.

Ainda em 1982, por solicitação da Warner (selo Rodeio), tornou a montar o trio Biá e Seus Batutas (com Shirley e Evangelista) para uma única e última gravação de um LP, trazendo, entre outras, as músicas Valente pioneiro e Bóia fria (ambas de Zé Fortuna e Carlos César).

De 1984 até 1986 foi produtor e apresentador, na Rádio Imprensa, São Paulo, do primeiro programa de música sertaneja levado ao ar por uma emissora FM em todo o Brasil. Em 1987 sofreu acidente doméstico que o afastou definitivamente de qualquer atividade profissional.
No ano de 1997 foram lançados dois CDs de músicas antigas de suas duplas: Palmeira e Biá (BMG) e Biá e Dino Franco (Chantecler / Warner).

Fonte: Enciclopédia da Música Popular - Art Editora e PubliFolha.

domingo, 3 de agosto de 2008

Belmonte e Amaraí


Dupla sertaneja formada por Pascoal Todarello (Barra Bonita SP 1937—Santa Cruz das Palmeiras SP 1972), o Belmonte, e Domingos Sabino da Cunha (Santa Helena GO 1940—), o Amaraí.

Unidos por cinco anos, gravaram poucos LPs, dois dos quais pela RCA, em 1969 e 1970. Os maiores sucessos da dupla são o rasqueado Saudades da minha terra, a polca paraguaia Pombinha mensageira e Andorinha (adaptação de La golondrina, canção mexicana de 1860).

Belmonte formou outras duas duplas anteriores: com Belmiro e com Miltinho (da dupla Tibagi e Miltinho). Amaraí, por sua vez, formou dupla com Tibagi. Depois da morte de Belmonte, Amaraí seguiu cantando e gravando e, em 1985, lançou um disco solo, sem título, selo Coração Sertanejo.

CD

Sucessos de Belmonte e Amaraí, 1994, Continental 17881 9-2.

Fonte: Enciclopédia da Música Brasileira - Art Editora e publiFolha.

domingo, 20 de janeiro de 2008

Mula baia

Raul Torres
Mula Baia - Raul Torres, Serrinha e Rieli

Fazenda Belo Horizonte / Uma tropa ali chegou
Que vinha do Indaiá / Ali a tropa pousou
Nego Plácido viu a tropa / Da mula baia gostou
Criola de São Junqueira / Fechou negócio e comprou

E foi nessa hora mesmo / Nego Plácido falou
Pregue o sêlo no recibo / O dinheiro ele puchou
Botou a besta no pasto / Êle mesmo que amansou
E no fim de quinze dias/ Na cidade ele passeou
Levou a besta na cidade / Foi ferrar lá no ferreiro
Lá na cidade de Franca / O povo ficou banzê
De vêr a marcha da besta / Pisando muito ligeira
Batia a ferragem nas pedras / Parecia fogo de isqueiro

No lugar que ele passava/ Causava adimiração/ Nego Plácido montado
Parecia o Napoleão/ No pescoço lenço branco/ Bombacha de gorgurão
Era de marcha trotada/ Ferradura de rompão

Lá na cidade de Franca/ êle é um grande fazendeiro/ Tem fazenda com invernada
Ele é um grande boiadeiro/ No estado de Goiás/ No Triângulo Mineiro
Prá comprar treis mil cabeça/ Ele tem muito dinheiro
Na barranca do Rio Grande/ Uma boiada chegou/ Tinha quase mil cabeça
Nego Plácido comprou/ No fazer a travessia/ A correnteza levou
No meio daquele rio/ A boiada esparramou

O nego vendo o perigo/ Co'a mula baia gritou/ Atirou a baia n'água
E o laço na mão levou/ Mesmo no meio do rio/ Muitos bois ele laçou
No lombo da mula baia/ A sua boiada ele salvou.

Do lado que o vento vai

Raul Torres
Do Lado Que o Vento Vai (1939) - Raul Torres e Serrinha

Adeus, morena! Eu vou
Do lado que o vento vai
Amanhã, muito cedinho,
Peço a bênção dos meus pais.

Me fizeram judiação,
É coisa que não se faz!
Adeus, morena! Eu vou,
Adeus, eu vou pro sertão de Goiás!

Na passagem da porteira
Quem achar um lenço é meu,
Que caiu da algibeira
No pulo que o macho deu.

Quando de ti me afastei,
No Riacho da Alegria,
Tanto os meus olhos choravam,
Como o riacho corria...

Boiada cuiabana

Raul Torres
Boiada Cuiabana (1937) - Raul Torres e Serrinha

Vou contar a minha vida
Do tempo que eu era moço
Duma viagem que eu fiz
Lá no sertão do Mato Grosso
Fui buscar uma boiada
Isto foi no mês de agosto.

Meu patrão foi embarcado
Na linha Sorocabana
Capitais da comitiva
Era o Juca Flor da Grama
Foi tratado pra trazer
Uma boiada cuiabana.

Eu sai de Lambary
Na minha besta Ruana
Só depois de 30 dias
Que cheguei em Aquidauana
Lá fiquei enamorado
Duma malvada baiana.

No baio foi João Negrão
No tordilho Severino
Zé Garcia no Alazão
No Pampa foi Catarino
A madrinha e o cargueiro
Quem puxava era um menino.

Na volta de Campo Grande
No cassino foi entrando
Uma linda paraguaia
Na mesa estava jogando
Botei a mão na gibeira
Dinheiro estava sobrando.

Ela mandou me dizer
Pra mim que fosse chegando
Eu virei e disse pra ela
Vai bebendo eu vou pagando
Eu joguei nove partida
Meu dinheiro foi andando.

De Campo Grande parti
Com a boiada cuiabana
Meu amor veio na anca
Da minha besta Ruana
Hoje eu tenho quem me alegre
Na minha velha choupana.

Cigana

Raul Torres
Cigana (1937) - Raul Torres e Serrinha
A                                                  
Um dia uma cigana leu a minha mão    -------     
F#m                                         dedilhado
Falou que o destino do meu coração   -------     
D                          A  E                          
Daria muitas voltas, mas ia encontrar você
A
Eu confesso que na hora duvidei
F#m  
Lembrei de quantas vezes eu acreditei
D                        A                
Mas não dava certo, não era pra acontecer
F#m              C#m
Foi só você chegar, pra me convencer
D                        A    Ab
Estava escrito nas estrelas, que eu ia te conhecer
F#m            C#m
Foi só você me olhar, que eu me apaixonei
D          Bm   
Valeu a pena esperar, esse é o grande amor,
E
Que eu sempre sonhei
A        F#m    
Vou te amar, pra sempre vou te amar
D                                  A  E
Quero seu carinho, sua boca pra beijar
A         F#m  
Vou te amar, pra sempre vou te amar
D                      A
Tudo que eu preciso, só você pode me dar

segunda-feira, 14 de janeiro de 2008

Serrinha


Serrinha (Antenor Serra), cantor e compositor, nasceu em Botucatu SP no dia 26 de Junho de 1917, e faleceu em 19 de Agosto de 1978. Aprendeu a tocar viola com Lopinho, famoso violeiro da região. Aos 15 anos já fazia serenatas e animava as festas de seu bairro. Em 1935 foi trabalhar na antiga estrada de ferro sorocabana.


Transferiu-se para São Paulo SP a pedido de seu tio, que também trabalhava na estrada de ferro, mas que se apresentava em rádios e shows. Aí se hospedou em uma das pensões no bairro de Santa Cecília, tendo como companheiro de quarto Marino Rabelo, o Caboclinho com quem formaria dupla. Tempos depois começou cantando emboladas na Rádio Cosmos, fazendo a segunda voz para Raul Torres.

No final dos anos de 1930, antes de formar definitivamente a dupla gravou ao lado de Caboclinho uma primeira música, Cavalo Zaino. Em 1937 lançou pela Odeon em parceria de Nhá Zefa as músicas A coisa mió do mundo e Coração dos meus penares ambas de sua autoria. No mesmo ano em dupla com Raul Torres gravou na Victor a moda de viola Cigana e em seguida Boiada cuiabana que se transformou em grande sucesso da dupla Tonico e Tinoco.

Ainda em 1937 formou um trio com Raul Torres e Caboclinho exclusivamente para fazer a primeira gravação de Saudades de Matão (Francana). Em 1938 a dupla foi contratada pela Rádio Record de São Paulo, lançando em disco no ano seguinte, as toadas Do lado que o vento vai e Meu cavalo zaino.

Em seguida formou o conjunto sertanejo Torres, Serrinha e Rieli, que atuou por cinco anos na Rádio Record e lançou inúmeras canções, entre as quais Chora morena, chora, Caboclo magoado, Caipira namorador, Zé turuna e Mula baia, todas pela RCA Victor. Na mesma época, na Odeon, gravou com Raul Torres Mourão de porteira, Campo Grande, Sexta – feira 13 e O rei mandou me chamar, entre outras.

Em 1943 fizeram na Continental as últimas gravações como dupla: A Copa do mundo, Meus padecimentos, Moda do viaduto e Quero vê . . . quero oiá todas de sua autoria. Nesse mesmo ano rompeu parceria com Raul Torres e formou dupla com Marino Rabelo, a dupla Serrinha e Caboclinho. A dupla se consagrou logo de início, obtendo o primeiro lugar no programa A hora da peneira na rádio Excelsior. Com o prêmio gravou um disco na RCA – Victor do Rio de Janeiro.

Depois a dupla passou a se apresentar acompanhada do acordeonista Riellinho, ganhando o apelido de “O trio mais querido do Brasil”. Entre 1944 e 1961 , a dupla apresentou um programa na Rádio Tupi. Um dos maiores sucessos da dupla foi Bom Jesus de Pirapora.

Em 1954 Serrinha e Caboclinho gravaram na Continental o tango brejeiro Abandonado. Ainda neste ano, com a morte prematura de Caboclinho, Serrinha e Riellinho passaram a se apresentar com o Zé do Rancho, até Serrinha se aposentar em 1968.


Fonte: Revivendo Músicas - Biografias.

domingo, 18 de novembro de 2007

Abel e Caim

Abel e Caim é uma dupla sertaneja formada pelos primos José Vieira (Itajobi SP 1929—) e Sebastião Silva (Monte Azul Paulista SP 1944—). Sebastião, o Caim, iniciou carreira na infância, integrando o Trio Mirim, que em 1955 tinha um programa próprio, de muito sucesso, na Rádio Clube de Marília SP.

Em 1956 José (Abel) formou dupla com Xupim, atuando na Rádio A Voz de Catanduva. Mais tarde, os dois primos se encontraram e resolveram apresentarem-se juntos em São Paulo SP, atuando na TV Cultura, canal 2, no programa Cidade Sertaneja.

Em 1966, foram premiados num torneio de violeiros, ocasião em que Gilberto Meireles sugeriu que adotassem o nome artístico de Abel e Caim. No ano seguinte, a dupla gravou o primeiro LP na Chantecler, incluindo, entre outros, os sucessos Desilusão (Dadá), Santa Luzia (Iolando Mondim e Dorival Teixeira) e Mãe amorosa (Tanabi e Aleixinho), sendo este um dos maiores destaques de sua carreira. No ano seguinte lançou outro LP pela Chantecler, com os sucessos A bandinha (Leo Canhoto), Menino boiadeiro (Tanabi) e A natureza (Dino Franco), entre outros.

Em 1968 a dupla gravou duas músicas pela Continental, Derradeiro adeus (Dino Franco) e Milagre do retrato (Sulino e Paulo Calandro), e dois anos depois, pela etiqueta Tropicana da CBS lançou outro LP, em que se destacaram as faixas Arca de Noé (Martins Neto) e Pretinho aleijado (Teddy Vieira e Luisinho).

Em 1972, na RCA, a dupla gravou um LP, incluindo os sucessos Chuva, sangue da terra (Lourival dos Santos e Tião Carreiro) e Triste ocorrência (Jack e Abel), lançando em 1975 mais um LP, pela Continental, com os sucessos O barco (Jack e Abel), O menino e o cachorro (Dino Franco e Caim), Adeus, boiada (Nestor e Zeca) e Ingratidão de filho (Jack e Caim), entre outros.

Trinta anos depois do primeiro disco gravado, a dupla continua se apresentando com sucesso em feiras, rodeios e circos, principalmente em cidades do interior.

CDs

Abel e Caim, 1991, Continental 997280-2; Som da Terra: Abel e Caim, 1994, Warner 997780-2.

Fonte: Enciclopédia da Música Brasileira - Art Editora.